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{março 15, 2011}   Acabou de sair do forno (livro sem título ainda)

(o capítulo não tem nome ainda XD)

Respirei fundo e prendi a respiração por dez segundos. Soltei o ar devagar e fechei os olhos, ficando na escuridão por mais outros dez segundos.

Senti o ônibus diminuir a velocidade. Abri os olhos e observei a cidade em que acabara de chegar. Estralei cada um dos dedos, um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez… Pronto! Estava preparada para encarar o lugar de cabeça erguida.

Levantei-me do banco quando percebi que o ônibus havia estacionado. Desci e me vi num grande terminal que, aparentemente, as pessoas daquele lugar costumavam chamar de rodoviária.

Olhei ao redor procurando por um rosto familiar. Há anos não os via, contudo, me lembrava daquelas fisionomias sorridentes, que sempre me davam presentes quando me visitavam.

Eu deveria ter uns cinco ou seis anos quando os vi pela ultima vez. Pararam de visitar os meus pais quando meus avôs morreram num acidente de carro. Nunca entendi direito porquê a família se distanciou depois da tragédia. Cada um parecia culpar o outro, mas eu sei que aquilo não fora culpa de ninguém. Simplesmente acontecera…

– Lara, querida! – escutei alguém gritar.

Girei sobre os calcanhares e procurei pela dona da voz. Encontrei uma mulher de cabelos loiros e cacheados acenando entusiasmadamente para mim. Acenei de volta, um tanto encabulada.

Percebi que havia um homem de cabelos castanhos ao lado dela. Ele era alto e parecia tão animado quanto a mulher. Mordi os lábios. Eu acabara de encontrar os meus tios.

– Lara! Larinha! – minha tia correu até mim como se estivesse correndo por um campo florido, prestes a encontrar a pessoa amada.

– Há quanto tempo, pequena! – meu tio apenas caminhou rápido. As pernas suficientemente compridas dele já davam conta da distancia, sem que ele precisasse correr como minha tia.

– Oi, Rebeca. – retribui o famoso abraço “quebra ossos” dela. – Oi, Marcelo. – reprimi uma careta quando ele bagunçou o meu cabelo.

– O que aconteceu com “tia Beca” e “tio Má”? – Rebeca colocou as mãos sobre os quadris, como se estivesse me repreendendo por algo.

– Rê, ela tinha apenas cinco anos quando nos chamava assim. – Marcelo piscou na minha direção. – A Larinha está bem grandinha para essas coisas.

– Pois eu não acho! – Rebeca me encarou de uma forma tão ameaçadora que acho que acabei dando um passo para trás involuntariamente.

– Desculpa, eu estava meio desacostumada, Rebe… Digo, Tia Beca! – puxei minha mochila para mais perto.

– E onde estão suas malas? – Marcelo olhou ao redor de mim, onde, obviamente, não havia mala alguma.

– Meus pais vão mandar depois… – vi Rebeca me lançar aquele olhar assustador novamente. – Tio Má. – caramba! Quando eu iria me acostumar com isso?

– Então, venha Larinha. – Rebeca me puxou pela cintura e foi me conduzindo para a saída do lugar. – Temos muita coisa para lhe mostrar aqui em Campos do Jordão.

– Você vai amar o lugar, como sempre. – o meu tio pegou minha mochila e foi andando ao meu lado, tentando diminuir as passadas de suas grandes pernas para nos acompanhar.

O dia estava nublado e absurdamente frio. Eu sempre amei dias frios, mas não estava adequadamente vestida para a temperatura baixa.

Maldita previsão do tempo! Preciso aprender que quando dizem que haverá sol quente, com certeza, haverá uma chuva de granizo!

Abracei meu próprio corpo e não me incomodei quando tia Rebeca me puxou para mais perto dela. Qualquer tipo de calor era bem vindo naquele momento. Baixei a cabeça para me proteger do vento e por isso não os vi parados diante da caminhonete vermelha de meus tios.

Senti que alguém me observava e reparei em cinco pares de pés parados diante de mim. Erguia a cabeça, afastando o meu cabelo, o qual voava direto para minha cara, chicoteando minhas bochechas.

Diante de mim estavam os garotos mais lindos e estranhos que já vira. Um ruivo, um moreno, um loiro e os outros dois últimos de cabelos bizarramente negros e brancos. Eu teria gargalhado diante da cena, se ela não fosse tão peculiar a ponto de me deixar sem ação alguma. Sem mencionar o fato de que eles eram realmente maravilhosos.

– Essa que é a Larinha? – quem falou foi o grisalho.

– E posso saber quem é você, vovô? – eu sei que ele era lindo, mas odiei ser chamada de Larinha por ele. Quando os meus tios me chamam assim, é num tom carinhoso. E quanto ele me chamou daquela forma, parecia que ia começar a rir da minha cara.

– Opa! Ela é perigosa! – o ruivo se afastou do carro e estendeu a mão para mim. – Sou o Samuel, mas pode me chamar de Sam.

Nem preciso mencionar que o sorriso dele era deslumbrante! Apertei a mão dele e me repreendi mentalmente quando percebi que a segurara com mais força do que deveria.

Ótimo!

Agora ele deveria me achar uma ogra!

– E você pode me chamar de Mica! – o garoto de cabelos negros empurrou Sam e segurou a minha mão, como se ela fosse um grande prêmio a ser ganho.

– Mica? – olhei-o confusa. Aquilo era apelido ou o nome dele?

– É de Micael. – o loiro sorriu para mim. – Ele odeia o nome dele. – riu em deboche.

– Não odeio. – deu de ombros. – Simplesmente o acho estranho.

– Como se não bastasse o seu cabelo, não é? – o grisalho bagunçou os cabelos negros de Mica.

– Ah, claro! – o loiro aproximou-se dos dois. – Olha só o seu, vovô! – ele piscou para mim e eu senti o chão tremer sob os meus pés.

Opa!

Não era o chão, eram as minhas pernas mesmo.

– Eu me chamo Daniel, mas você pode me chamar de Dan ou Dani. – ele beijou a minha mão e eu senti que ia cair de vez. Agarrei-me com mais força à tia Rebeca e me limitei a sorrir.

– Cuidado, Lara. – o de cabelos castanhos sorriu e puxou Daniel para longe de mim. – Ele é o mais galanteador do grupo. Logo, logo ele estará tentando seduzi-la. – olhou para o outro com o canto dos olhos. – Se é que ele já não esteja fazendo isso, não é Dan?

– Me declaro culpado! – o sorriso doce tornou-se um pouco diabólico por alguns segundos.

– Eu sou o Gabriel. – apertou a minha mão. – Gab para os mais íntimos. Gabi para os amigos. Gá para os colegas. E Biel para os familiares. – riu quando percebeu o meu olhar surpreso com o discurso dele. – Pode escolher!

– Não precisa se assustar. Ele é um pouco metido, só isso. – o grisalho riu e acenou para mim. – E o vovô aqui se chama Rafael, Larinha! – ele sorriu de uma forma que mandou choques elétricos pela minha espinha.

– Lara, querida. – Rebeca me apertou ainda mais contra ela. – Eles são os garotos que estamos cuidando.

– Cuidando?

– Eles são filhos de amigos nossos e de seus pais. – Rebeca me deu um leve chacoalhão quando tentou esfregar o meu braço. – Eles são lindos, não são?

Apenas gemi. Eles eram dolorosamente lindos. Meus olhos doíam toda vez que os encarava e o meu coração parecia que ia explodir.

– Eles são os nossos anjinhos. – achei que o tio Marcelo estava fazendo uma brincadeira com o comentário, mas reparei que o olhar dele continuava sério, apesar do sorriso.

– Mas, você ainda não me disse por que está cuidando deles. – analisei aqueles cinco deuses gregos.

– Porque os pais deles estão viajando e resolvemos fazer um favor para os nossos amigos. – minha tia voltou a tentar esfregar o meu braço e mais uma vez me senti em um terremoto.

– E por que não foram viajar também? – eu me coloquei no lugar deles. Se os meus pais fossem viajar, eu exigiria que me levassem junto. Amo conhecer lugares novos.

– Nossa! Que curiosidade! – dessa vez eu percebi que tia Rebeca me chacoalhou de propósito. – Os adultos precisam ficar sozinhos às vezes, querida!

– Quer que expliquemos com detalhes para você, Larinha? – Rafael sorriu malicioso e eu senti o meu rosto esquentar.

– Já entendi… – resmunguei irritada por todos estarem me encarando de forma jocosa. – Podemos ir? Estou congelando aqui! – e para provar que eu estava realmente virando um pingüim, acabei espirrando três vezes seguidas.

– Se espirrar sete vezes, terá sorte pelo resto do dia! – Mica estendeu um lenço de papel para mim.

– Obrigada. – eu me sentia a aberração num show de horrores. Todos continuavam me encarando de forma irritante. Acho que eles estavam esperando que eu desse algumas piruetas ali.

– Venha, querida. – minha tia me conduziu para dentro da caminhonete e fechou a porta assim que entrei. – E vocês todos vão na caçamba! – ela os enxotou com as mãos, enquanto dava a volta no carro. Ela se sentou ao volante e sorriu para mim.

Rebeca olhou pelo retrovisor e esperou que todos se acomodassem na caçamba. Quando eu arrisquei dar uma olhada para trás, quase ri diante daquele mar de cabelos de cores variadas.

– Tia Beca… – ela deu a partida e arrancou. – Os cabelos do Mica e do Rafa são tingidos, não é?

– São naturais! – ela riu quando quase engasguei diante da sinceridade dela. – Eles nasceram assim mesmo.

– Mas, isso é impossível!

– Como pode ser impossível? – ela apontou para trás. – Você acabou de ver com os seus próprios olhos!

– Você só pode estar brincando comigo, tia Beca! – acusei entre um sacolejo e outro.

– Juro por tudo o que me é mais sagrado que não estou!

– Tia… – ameacei, caso ela realmente estivesse fazendo troça de mim.

– Que um raio caia sobre a minha cabeça se eu estiver mentindo, Lara Abdias! – ergueu um dedo, tentando reforçar o que me jurava.

– Enfim… – me afundei no banco. – Vou ter que passar as férias todas com eles?

– Ora, não será tão ruim assim. – ela sorriu. – Eles serão uma ótima companhia para você.

– Aposto que sim… – resmunguei. Eu esperava que pudesse desfrutar da casa enorme de meus tios sozinha.

Eles moravam num sítio maravilhoso no pé da serra. Os dois usufruíam até mesmo de uma pequena queda d’água que ficava ao sul da propriedade. Sem mencionar que a casa era gigantesca, com mais de cinco quartos, banheiros espalhados por todo o lugar, uma sala enorme que mais parecia um mini cinema, uma cozinha maravilhosamente equipada e espaçosa, sala de estar e salão de jogos.

E nos dias em que realmente fazia calor em Campos do Jordão, podia-se usar a piscina e a churrasqueira de meus tios à vontade. Eu até me lembro dos acampamentos que fazíamos a céu aberto no verão e das trilhas que explorávamos no inverno, inventando histórias mirabolantes e assustadoras no caminho.

– Aquela casa é tão grande, você poderia se sentir solitária rapidinho.

– Eu teria você e o tio. – argumentei.

– Nós não estamos de férias, querida. – ela me lançou um breve olhar. – Ainda precisamos trabalhar e você ficaria sozinha do mesmo jeito.

– Mas, eu podia ajudá-los em uma das lojas. – cruzei os braços como uma criança birrenta. – Vocês são donos de tantas por aqui. Podem folgar quando quiserem e também podem me deixar a ajudá-los nos negócios!

– Larinha… – ela passou uma das mãos pelos meus cabelos e logo voltou a segurar o volante com ela. – Queremos que aproveite as férias. Não quero que trabalhe! – ela fez uma curva um tanto brusca e eu ouvi os garotos e o meu tio resmungarem algo. – E nós vamos pegar algumas folgas para ficar com vocês, mas não podemos fazer isso o tempo todo.

– Tá bom… – me dei por vencida.

– Aliás, você verá o quanto ficará feliz na presença dos garotos!

– Claro… – resmunguei já prevendo os meus inúmeros ataques cardíacos.

Se os meus tios acreditavam que eu teria algum momento de paz perto daqueles meninos, com certeza não sabiam nada de testosterona e surtos femininos.

Eu tinha ficado apenas alguns minutos perto deles e as minhas pernas já estavam querendo virar gelatina. Não queria nem mesmo imaginar se eu tivesse que passar trinta dias ao lado daqueles príncipes!

Além disso, eu parecia ter me tornado uma espécie de bichinho de estimação com o qual eles podiam brincar e zoar à vontade.

Olhei para trás mais uma vez e reparei que todos olhavam para mim com sorrisos loucamente lindos e travessos. Soltei um muxoxo e me deixei escorregar ainda mais pelo banco.

Grande férias, Lara!

(primeiro capítulo do livro que eu ainda não dei um título 😄 / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes) – aliás, acabei de escrever, faz só alguns minutos, por isso, desculpa os erros e afins constrangedores para uma escritora.

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