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{março 17, 2011}   Contos: os signos

Reluzentes vítreos…

Não sei ao certo o que fiz, mas o vi espalhado pelo chão em pequenos pedaços reluzentes.

Meu olhar abobalhado percorria a planície lisa do chão de madeira, maculada pela água que escapara e espalhara com meu erro.

Um único verbo me ocorria á mente… Limpar!

Outro erro!

Com as mãos nuas eu me aproximei daqueles pequenos e disformes objetos transparentes. O sangue irrompeu por sutis e finos cortes na pele delicada de meus dedos.

Uma dor lacônica me atingiu por segundos e amaldiçoei aos sussurros os pedaços brilhantes e vítreos.

Malditos! Desgraçados! Execrados!

Por que estavam ali para começar? Cometi o erro, mas quem permitira que aquilo acontecesse? Não fui a única culpada! Por que me puniam com sangue o que não fora inteiramente “mea culpa”?

Respirei fundo… Agora eu estava amaldiçoando objetos inanimados? Questionava algo que impossivelmente poderiam fazer por vontade própria? Mais ar para dentro dos pulmões e um suspiro entre os lábios.

Procurei por curativos e estanquei o sangue. As feridas não eram grande coisa e nem latejavam mais…

A cor rubra se destacava na falta de cor daqueles objetos… Meu sangue em vítreo… Poderia transformar em melodia se desejasse… Opa! Que devaneios eram aqueles? Nem perdera tanto sangue… Por que viajava em meus pensamentos?

Uma mulher adulta deveria fazer isso?

Olhei para o retrato de minha mãe sobre a cômoda e logo me recordei da imagem de uma mulher carregando… Nossa! Agora fazia comparações com símbolos zodiacais?

Antes que me perdesse mais em meus pensamentos, me apoderei de um pano e uma vassoura e dei um fim para aqueles pedacinhos que me feriram!

Senti pena por eles… Antes eles possuíam uma forma tão bonita… E agora tinha um destino tão cruel, infligido por mim! Será que minha mãe daria por falta?

Olhei para a foto novamente e para o lugar vazio na estante… E me recordei… Minha abstração com o zodíaco não fora tão louca quanto parecia, afinal…

Aqueles objetos afiados e finos antes pertenciam a um aquário que não mais ali existia por descuido meu… E a fotografia para qual eu olhava, era a de uma bela e materna aquariana…

(conto: Reluzentes Vítreos / Signo: Aquário / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



Que sensibilidade! Parabéns mais uma vez!



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