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{março 17, 2011}   Contos: os signos

Era tua natureza…

Senti como se minha pele rompesse, cedesse àquele corte perspicaz que penetrava por minha carne e maculava meu sangue.

O veneno se espalhava pela circulação. Meus próprios dentes pressionavam meus lábios em agonia pela dor aguda. Minha mente se perdeu por instantes, presa ao momento. O que aconteceria comigo?

Olhei para aquele pequeno no chão. Seus olhos, sempre tão arregalados me encaravam. Senti como se exalassem vitória e fiquei com raiva, raiva momentânea. Bobagens… Jamais poderia ver e sentir tal coisa de tão pequenino ser.

Um passo até o telefone e uma olhada para o pequeno. Ele estava imóvel. Inerte no chão. Deveria fazer algo? Não, claro que não! A única coisa que deve ser feita é telefonar…

Mais passos… Mais uma olhada… Ele estava morto! Minha culpa… Minha total culpa. Eu, em todo o meu tamanho de mulher feita o havia infligido àquilo! Eu teria o mesmo destino? Sim claro que teria, um dia… E se o dia fosse hoje? Não!

Apazigua coração! O veneno se aproximava do destino. Adrenalina causada pelo medo da morte não me ajudaria agora. É preciso me acalmar, diminuir os batimentos!

O ar entrou lento pelos meus pulmões e o atordoamento atingiu meu corpo. Tontura pelo ar ou pelo veneno? Continua a respirar… Continue a andar… Não corra!

Enfim! O telefone! O número… Por favor, mente não falhe!

A voz que desejava ouvir, a resposta que almejava! Vitória para mim!

Em um acesso, encarei novamente o pequeno e sorri jocosa. Não seria hoje o meu destino como o dele!

Com o fone no gancho, me certifiquei da porta aberta e me sentei no chão, a encarar aqueles olhos ainda brilhantes e mórbidos. Sentia pena pelo coitado… Sentia pena por tua natureza…

Denegrira meu tornozelo por ser o que eras! Criatura vil e bela… Não tinhas culpa afinal. Os mitos com seu nome, sempre lhe atribuíam um papel de ceifador e auto-extinção.  Caçando o caçador, matando o predador, ferroando pelas costas aquele que te ajudava… Histórias, historietas, contos, fábulas, mitos, mitologia…

Se não me regesses nos zodíaco… Jamais serias tão misericordiosa para com a história daquele pequeno…

Assim que ouvi minha salvação chegar, me entreguei ao sono, feliz por meu triunfo. Sorri para aquele falecido ser em meu chão e esperei abrirem a porta.

Enquanto meus olhos se fechavam em uma estranha paz, ouvi uma pergunta disforme em meus ouvidos. Flutuei no ar nos braços de alguém e, em reposta às interrogações distantes, apontei para o pequeno imóvel no piso frio…

Sim… Era ele e seu ferrão… Era aquele escorpião quem tentara arrebatar minha vida…

(conto: Era tua natureza… / Signo: Escorpião / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



Lindoooooo!! Amei demais! A harmonia do texto, as palavras bem colocadas… Parabéns!



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