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{julho 16, 2011}   Mais uma nova obra… Fresquinha!

Sinceramente? Nunca fui muito boa em matemática… Sempre me dei melhor com as palavras do que com os números. Fato que julgo engraçado dadas as circunstâncias em que me encontro desde que me conheço por gente…

Lembro vagamente que aos cinco anos de idade acordei assustada e despertei a casa inteira com os meus berros. Quando minha mãe me pegou nos braços e me perguntou o que estava acontecendo, disse que havia visto números malvados que não paravam de me atormentar. Na época, eu não conhecia direito a ordem numérica, apenas o suficiente que me era ensinado na escola, contudo, reconhecerá as contas que surgiram em meus sonhos.

Minha mãe, surpresa com o que eu dizia, tentou me acalmar dizendo que eu estava sonhando com aquilo por causa do que eu vinha aprendendo de novo e, aparentemente, coisas novas me assustavam.

– Mas, mamãe! – agarrei o pijama dela. – Os números malvados não paravam de me sussurrar coisas assustadoras!

– Que coisas minha filha? – disse sorrindo.

– Que o titio e mais outras cinco pessoas serão os únicos sobreviventes de um acidente muito feio de trem amanhã!

– Ora essa… – ela me colocou de volta na cama com um olhar desconfiado. – Primeiro, números não sussurram e segundo… – mordeu os lábios. – Você é muito pequena para se preocupar com coisas tão ruins assim!

– Mãe! Os números sussurram sim! Eles ficam dançando na minha cabeça, vão se misturando e formando números novos até que começo a ver alguma coisa… – apertei minhas mãozinhas contra o colo. – Só que é tudo tão embaralhado que eles ficam sussurrando e explicando tudo com vozinhas finas e irritantes!

– Já chega! – ela começou a me deitar e colocar a coberta pesada sobre mim. – Está tarde e amanhã você tem aula!

– Tá… – resmunguei. – Mas… Mamãe…

– O que? – perguntou antes de apagar a luz do meu quarto.

– O titio pega trem?

– Todos os dias para ir trabalhar… – me respondeu um tanto contrariada.

– Então, pede para ele não ir trabalhar amanhã, por favor! – tentei pedir com a minha melhor voz angelical.

– Não posso fazer isso. – ela apagou a luz. – Seu tio é um adulto e precisa ir para o trabalho. Você é uma criança ainda, Megan. Não precisa ter medo. Sonhos assim não acontecem! – jogou um beijo na minha direção. – Boa noite, meu amor.

Quando o acidente aconteceu, minha mãe deixou de me chamar de “meu amor” por um longo tempo, porém, nunca mais deixou de me olhar desconfiada sempre que meu olhar fica perdido ou quando deixo claro que tive um pesadelo.

Mais ninguém de minha família ficou sabendo do meu problema numérico, ela jamais permitiria que aquele segredo escapasse. Somente nós duas tínhamos conhecimento do meu indesejável dom. Depois daquele dia, anuncio o futuro somente se achar preciso e é a minha mãe quem dá um jeito nas coisas por mim.

Já se passaram vinte anos. Moro sozinha, porém vejo meus pais quase todos os dias, pois fazem questão de almoçarem ou jantarem comigo sempre que posso. Trabalho como jornalista, meus dias são corridos dentro da emissora de tevê da cidadezinha onde moro, contudo, não é difícil arranjar um tempo para eles.

Os números continuam me atormentando. Continuam aparecendo em sonhos e até em ligeiros devaneios meus. Eles vão formando equações gigantes, vão se unindo e me passando informações curiosas.

Surgem combinações que me apresentam datas, quantidade de pessoas envolvidas, coordenadas e, na maioria dos casos, quantos mortos e sobreviventes. Posso ver desde quantias de dinheiro a serem ganhar ou perdidas até descobertas cientificas importantes para a humanidade.

Agora, os sussurros são raros e as imagens que surgem depois das combinações numéricas são mais claras. Dependendo do que eu vejo, consigo usar ao meu favor dentro da emissora, sendo a primeira repórter a chegar até a notícia. Mas, ás vezes eu simplesmente não tenho coragem e me transformo em ignorante, apenas aviso minha mãe e tento dar uma ligação anônima para a polícia se necessário.

O mundo para mim é totalmente conturbado e ao mesmo tempo magnifico. Sou capaz de ver todas as suas facetas e, por isso, ninguém faz ideia do quão confusa e ansiosa me sinto. Talvez… Eu encontre alguém consiga realmente ver além de meus olhos castanhos. No entanto, até lá, continuo vivendo sozinha essa vida agitada e confusa, extremamente numérica.

(uma parte do primeiro capítulo do livro: que ainda não dei nome / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)

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