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{julho 22, 2011}   Contos Continuados

(Ainda Precisamos de um título para o capítulo e um nome para a história)

Eu não sabia exatamente o que fazer. Ele estava ali, parado na minha frente, bloqueando minha fuga. Ele era um deus, e eu o amava. Ele era, agora, meu inimigo, e eu tinha que enfrentá-lo…

Como atacar parte de si mesmo? Meu coração já era dois, e a outra metade batia dentro do homem prestes a me destruir. Mesmo sabendo o quanto iria doer, eu tinha que detê-lo, ou o resto do mundo pagaria por minha covardia. No instante em que ele disparou em minha direção, invoquei meu anjo protetor, e senti as asas se abrindo dolorosamente nas cicatrizes antigas das minhas omoplatas.

Ele me olhou sobressaltado. Sabia o que eu estava prestes a fazer. Meu coração disparou dentro de mim. Um movimento dele. Um olhar pesaroso de minha parte. Silêncio.

Um trovão retumbou no ar e eu o senti dentro de mim. Fechei os olhos e puxei o poder que me fora concedido. Toda aquela força agora pulsava sob minha pele e então encarei o deus paralisado de medo diante de mim.

Ele podia ser um deus. Ele podia pensar que o meu amor iria me pacificar. Seu único erro foi esquecer quem era Eu.

Uma brisa leve passou por nós, trazendo consigo o agradável aroma das Damas da Noite. O céu estrelado estava aberto sobre nós. Sorri com a melodia natural das folhas se arrastando com o vento e agradeci a penumbra, ela facilitaria a minha sina. Vi que ele retribuía meu sorriso, no entanto, diferente de mim, ele começava a sorrir travesso, confiante… Entrei no jogo.

Relaxei os músculos por breves segundos, antecipando o meu impulso para a batalha. Ri como em uma atuação divertida, e joguei-lhe um beijo. Assim que ele piscou, confuso com minha atitude antagônica ao meu olhar sofrido, eu ataquei!

Lancei-lhe uma lufada de ar com minhas asas. Ele foi atingido em cheio e tombou para trás. Eu só queria assustá-lo um pouco.  Ainda tinha esperança, mesmo que ínfima e quase nula, de não ter de enfrentá-lo.

Ele olhou para mim e sorriu. Sabia o que eu estava pensando. Eu podia ver em seus olhos claros, que ele pensava o mesmo. Nossas mentes estavam em sintonia. Uma só mente, um só coração.

Ele não podia ignorar este sentimento! Não era possível que só eu percebesse o quanto estávamos conectados.

– Theon! Pára! – eu exclamei, com mais esperança do que certeza sobre o que aconteceria. – Sabe que eu vou ter que impedir você! Não percebe que isto vai nos destruir?

– Não se você não deixar de ser tão… Tão…

– Correta?! – perguntei, impaciente.

– Anti-progressista.

– Escravizar os humanos não é progresso!

– Retrocesso é que não é!

Então ele baixou a cabeça, passando os dedos pelos cachos loiros, com certa frustração. E com um suspiro ele sussurrou:

– Eu amo você. Mas não posso ir contra a minha missão… – seus olhos eram ao mesmo tempo assassinos e esperançosos – É a sua última chance! Ou você sai do meu caminho, ou eu acabo com você!

– Então, venha! – o enfrentei com mais confiança na voz do que eu realmente sentia. – Vamos ver quem acaba com quem. – apesar da falsa coragem, eu sentia dor. Meu coração sangrava a cada palavra que eu pronunciava.

Theon pareceu assustado, perdido com a minha resposta. Eu sempre o surpreendia. No entanto, ele também sempre me desvendava depois. Ele viu que eu me manteria determinada a impedi-lo, assim como ele, não desistiria da missão.

O meu Deus me atacou! Sem chance alguma de me defender, ele me atingiu no estômago e o impacto de seu golpe de luz me jogou longe. Cuspi o sangue que havia se acumulado em minha boca e ergui a mão, invocando dois dos quatro elementos que eu controlava.

Fiz brotar pilares grandes e pontiagudos de terra sob seus pés e joguei sobre ele agulhas de água que acabara de invocar do rio próximo dali.

Ele me encarou contrariado. Estava sem guarda contra meu ataque e conseguiu se desviar de minhas agulhas de água. Mas não dos pilares de terra. Notei que seu braço direito sangrava. Aquilo doeu. Se mais em mim, do que nele, não saberia dizer.

Ele lançou outro raio de luz, do qual me desviei com dificuldade.

– Que ninja. – ele zombou orgulhoso.

– Você nem faz idéia. – respondi arrogante.

Queria acabar logo com aquilo. Essa contrariedade em mim, amor e ódio, me machucava mais que os golpes violentos que ele lançava sobre mim.

Um raio de luz atingiu minha perna esquerda com tanta força que senti o golpe por todo o corpo e caí de joelhos no chão.

Ainda tentava me por de pé quando, de repente, ele disparou na minha direção. Eu estava completamente indefesa.  Ouvia o ar sibilando conforme ele voava até mim. Meu coração disparou e senti medo, por mais que não quisesse admitir.

Num baque, nossos corpos se chocaram e, quando voltei à consciência, ele estava montado sobre mim, imobilizando-me completamente.

Um de seus braços segurava a minha cabeça contra o chão.

Era isso. Era o fim.

Um raio de luz era o bastante para evaporar meu crânio.

Fechei os olhos, mas ao invés de dor, senti seus lábios nos meus, num beijo intenso.

– Ainda não consigo… – ouvi-o sussurrar, bravo consigo mesmo.

Uma pancada na cabeça e tudo ficou escuro.

Uma luz forte e irritante fazia meus olhos doerem. Era agora o meu fim? Ele iria me atacar? Mas, por que a demora? Abri meus olhos por puro instinto curioso. Me vi deitada na grama, sob a luminosidade intensa do sol à pino. E tudo me veio à cabeça em uma avalanche de lembranças da luta de ontem à noite.

Há quanto tempo estive desacordada? E como ele pôde me deixar ali largada ao relento? Suspirei cansada. Ao menos ele me permitira viver… Sentei-me devagar, meu corpo doía. Olhei ao redor. Tudo estava diferente.

A paisagem estava mais bela, praticamente perfeita. Tentei ver mais detalhes do lugar, mas minha cabeça latejou em protesto. Não estava completamente curada do golpe. Levei uma das mãos à testa, como se isso fosse controlar a dor…

– Dor de cabeça, Alicia?

Aquela voz fez meu coração acelerar freneticamente.

– Tomei a liberdade de trazê-la para cá. Não podia largá-la naquele lugar. Além disso, é mais seguro para os meus planos tê-la por perto.

– Onde estou, Theon? – sussurrei sem ousar encará-lo ainda.

– Bem vinda ao meu lar! Bem vinda ao meu Éden, ao Olimpo dos Deuses! – ouvi-o rir com a minha surpresa.

Levantei-me ainda em choque. Não era possível! O Olimpo dos Deuses era proibido aos outros que não eram, como o próprio nome diz, Deuses.

– Mas você vai se encrencar por isso! – comentei receosa.

– Vale à pena. – ele sorriu e piscou para mim. Veio em minha direção e me abraçou forte. Senti seus lábios entre os meus.

Puxei-o mais para perto, com ímpeto. Esqueci a batalha anterior, esqueci onde estávamos. Só queria estar com ele. Ele me tornava completa.

Alguma coisa nele me prendia totalmente! O desejo por ele era quase incontrolável, como se suprimisse toda a minha capacidade de pensar em outra coisa que não seus braços fortes prendendo-me tão maravilhosamente contra seu corpo.

A pressão do beijo aumentou, ritmada pelas batidas aceleradas dos dois corações.

Pulso. Arrepio.

Então, por um segundo, nos afastamos ofegantes. Eu sorri, olhando-o nos olhos, meio desfocados pela intensidade do beijo.

Seu sorriso era tão lindo.

Então, de repente, vi algo que mudou tudo.

Apenas um reflexo de alma contida naqueles olhos azuis. Uma lasca, somente.

Mas uma lasca que revelou presunção, como se aquilo fosse uma vitória para ele. Não era uma expressão de amor.

Afastei-me bruscamente, quase assustada com o ser que se transmutava diante dos meus olhos. E completamente frustrada com a minha burrice.

Ele me olhou atordoado num primeiro momento, e eu lhe dei as costas. Eu pulsava de raiva. Bombas explodiam em minha garganta querendo sair em palavras.

Quando o encarei novamente, sua expressão já se tornara furiosa.

– Você é completamente maluca! – ele atirou, frustrado.

– Eu sou prisioneira! – gritei.

Toda fúria se transformou em compreensão, e ele disse:

– Não tive outra escolha. – sua voz era quase um sussurro. Ele estava envergonhado do que tinha feito, mas, com certeza, não o bastante para desfazer.

– E imagino que este beijo foi um prêmio de consolação pela perda da minha liberdade? – disse sarcástica.

– Foi só um bônus pessoal… – ele respondeu com um sorriso travesso. – Mas não ouvi suas reclamações…

– Vai se ferrar! – sibilei.

E antes que pudesse fazer qualquer coisa, eu já lhe dera um soco na boca, e ele caiu no chão.

Atordoado com o golpe, Theon permaneceu sentado por mais alguns segundos, com a mão direita estancando o ralo sangue que saia de um corte nos lábios. Vi em seus olhos que ele estava incrédulo com o que eu havia feito.

Aproveitei e corri para onde eu julgava ser a saída. Mas, tudo ali era igual! Fiz minhas asas trabalharem novamente e levantei vôo. Talvez eu tivesse mais chances se procurasse pelo alto.

Elevei-me o máximo que pude e vi, dentre uma névoa densa e baixa, ao norte do Éden, uma gigantesca porta dourada. Disparei em sua direção, mas algo me impediu! Theon flutuava no ar comigo e agarrava o meu tornozelo com força.

– Me larga! – gritei enquanto invocava lâminas de vento para atingi-lo. No entanto, ele percebeu o que eu estava fazendo.

– Ah não! Aqui no meu Éden, não Alicia! – e com força ele me puxou pelo tornozelo para baixo, me atirando com brutalidade em direção ao solo.

Não pude refrear minha queda. Não pude evitar o impacto…

Choquei-me com o chão e senti algumas costelas se partirem. Droga! Cuspi o sangue acumulado em minha boca e rolei para o lado, tentando me sentar.

– Desista! Você não pode me derrotar, Alicia! – pousou ao meu lado, olhando-me com olhos sérios.

– Eu te atinjo com água e terra, você me dá uma porrada na cabeça… – cuspi um pouco mais de sangue. – Eu te ataco com ar e você detona três costelas minhas… – sorri desdenhosa. – O que você fará comigo se eu usar o fogo? Vai mesmo me matar?

– Vou… – respondeu, aparentemente, sem muita confiança.

– Duvido! – ri e com todas as forças que eu ainda possuía, me atirei sobre ele, me engalfinhando com o Deus e, invocando o fogo do calor da luz. Eu o derrotaria com sua própria fonte de energia!

Theon urrou. Assutei-me ao pensar que poderia machucá-lo de verdade, mas era preciso. Continuei agarrada nele, enquanto meu corpo emanava o fogo revolto. Ele urrou mais uma vez e logo se calou.

Olhei para cima, tentando visualizar seu rosto a fim de perceber suas intenções. Ele me encarava sério. Nenhum sinal de dor.

– Pára com isso! – ele soltou meus braços de seu corpo, com facilidade.

Olhei para ele por inteiro. Nenhum sinal de queimaduras. Notando minha cara de espanto, ele se defendeu.

– Eu sou um Deus. Me curo extremamente rápido. – seu sorriso irônico me desmanchou por dentro.

– Então por que gritou?

– Porque me mata ter de lutar com você!

– Então não lute. Entregue-se

Ele me encarou de modo sombrio

– Você sabe que não é tão simples, Alicia!

– É só você querer…

– Não! Não é! Se eu não fizer isso, se não cumprir minha missão, eu morro!

– Como assim? – o medo tomou conta de mim. – Do que você está falando?

– Nada. Esquece. – seus olhos estavam tristes.

Ele se afastou, passando as duas mãos pelo cabelo.

– Não. Começou, termina! O que está acontecendo? Por que você está agindo assim?

– Porque eu sou assim!

– Não, não é! Você nunca foi um assassino.

– Mas se eu não me tornar um, o Zion me mata! – ele berrou descontrolado.

– Quê? – dessa vez, quem se descontrolou fui eu. – Caramba, Theon, me explica direito o que está acontecendo!

Silêncio. Ele se afastou mais, as mãos puxando os cabelos, desesperado. De repente, ele estacou e virou no lugar, me encarando. Em um só impulso, ele veio em minha direção e me agarrou. Seus braços passaram por trás das minhas costas e se fecharam com força.

– AAAI! – gritei ao sentir as costelas quebradas sendo pressionadas. – Minhas costelas…

– Cala a Boca! – Theon me deu um beijo apaixonado. Esqueci de onde estava. tudo que importava era seus braços musculosos me prendendo a ele, seus lábios viajando nos meus.

Em algum momento no meio do beijo, eu apaguei. Não sei o que Theon fez comigo, talvez um feitiço…

Mas quando acordei, estava deitada em cobertores macios a um canto da sala. E Theon havia desaparecido. Pelo menos, desta vez, ele me derrubara com um beijo, não com uma pancada.

Levantei-me determinada a sair dali antes que mais alguém aparecesse para me criar problemas. Eu precisava voltar logo à terra, meu elemento e fonte de energias. No Éden eu me sentia totalmente indefesa.

O único problema é que não havia mais portas na sala. Nem janelas. Estava tudo diferente.

E Theon não me deixara acordada para ver como ELE conseguia sair. Porque, até onde eu sabia, semi-deuses não podiam se teletransportar.

Mas ele sabia voar.

Olhei para cima pela primeira vez desde que acordara. Não havia teto, apenas uma névoa branca e densa.

Abri um sorriso e as asas e disparei para cima.

A névoa era fria e úmida, dificultando o trabalho das penas, que começavam a ficar encharcadas.

Mesmo assim continuei seguindo. Sem enxergar nada a minha volta e sem fazer idéia de para onde me dirigia…

Aquilo parecia não ter fim!

Eu já voava fazia quase uma hora e não agüentava mais. Estava com frio e cansada! E queria chegar logo em casa.

Parei um segundo para recuperar o fôlego e aproveitei o descanso olhando em volta e recalculando direções. Mas a minha volta e acima de mim, só existia branco.

Olhei então para baixo e meu coração disparou. De susto e decepção.

A sala que eu deixara havia quase uma hora estava a poucos metros de distância. Deixei-me flutuar até o chão e me encolhi assustada. Como faria para sair dali?

Foi então que ouvi um baque distante, como se alguém estivesse esmurrando uma parede à prova de som. Aproximei-me da parede que agora tremia no instante em que uma fina rachadura surgiu.

E então alguém se materializou a minha frente.

– Caliab! – exclamei, atirando-me em cima dele, extasiada por ver uma cara amiga.

Ele me envolveu nos seus braços, bastante preocupado. E, enquanto eu sentia a dor nas costelas me abandonar, ele disse:

– Oi Alicia. Pronta para ir embora?

Apenas sorri, sentindo-me deliciada com o som de liberdade que aquela pergunta produzia.

Ele pegou em minha mão e me conduziu, com certa velocidade, até a saída que havia criado. Assim que saímos do Éden, pude ver o estrago que meu amigo havia feito em todo o Olimpo.

Não pude deixar de rir diante da cena. Paredes arrebentadas, estátuas espatifadas e todos os Édens expostos por buracos e portas arrombadas. Com certeza, para me resgatar, o Caliab arranjara vários Deuses como inimigos! Que amigo dedicado eu tinha…

Enquanto divagava, senti que ele aumentava a pressão em minha mão. Apesar da força, o seu toque era delicado e carinhoso, totalmente diferente do aperto quente e possessivo de Theon.

Acabei me surpreendendo com a comparação que acabara de fazer. Caliab e Theon eram completamente diferentes! Um era o meu mais estimado amigo, o outro… Era atual inimigo, mas que eu amava… Não era justo compará-los!

Envergonhada pelos meus pensamentos bestas, desviei o olhar daquela mão terna sobre a minha e o encarei de relance. Foi neste instante que eu percebi.

Devido a minha negligente distração, eu não havia visto aquela fisionomia séria e dura no rosto de Calib. Notei, logo em seguida, que havíamos parado. Segui a direção do olhar de meu amigo e vi o que ele encarava com tanta raiva e preocupação.

Theon estava de pé, na nossa frente, de braços cruzados e nos observando com olhos irados de ciúmes.

– Para onde você pensa que via levá-la, Caliab?

– Para longe de você, com certeza! – respondeu no mesmo nível de afronta. Eu pude sentir o quanto cada palavra deles era agressiva no tom.

– De mim, você não a tira!

E o paraíso tornou-se, novamente, o inferno!   

Legenda:

  • Roxo: Fabi
  • Azul: Nara
  • Vermelho: Bia

(ainda não sabemos quando esta história será continuada. Enquanto isso, curtam como conto! hehe)

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