World Fabi Books











{julho 23, 2011}   Uma obra brilhando de nova!

A história de Alice no País das Maravilhas sempre me encantou. Eu achava incrível ela ir parar em outro mundo mais fantástico do que o nosso, porém com os mesmo problemas sociais e políticos.

Nunca imaginei que eu fosse vivenciar algo ainda mais surpreendente do que a Alice vivenciou! Mas, foi o que aconteceu.

Recentemente descobri que algumas pessoas possuem criaturas mágicas que se auto intitulam seus protetores.

Essas criaturinhas são animais que, à primeira vista, parecem comuns: um coelho, um grilo, um cão, um gato, um pássaro,…

Quando o humano escolhido está preparado para a travessia, os animais se transformam em seres falantes, maiores e cobertos de armaduras, que se tornam os responsáveis por levar os seus protegidos ao mundo fantástico de onde realmente vieram.

Os protetores apenas se separam de seus escolhidos quando estes têm filhos, pois, assim são transferidos ao primogênito ou à primogênita. Dessa forma, as criaturinhas nunca morrem e continua intacta a tradição de levar seres humanos ao mundo das maravilhas para defendê-lo.

Ninguém sabe ao certo quando estará pronto, porém, os protetores sabem. Eles simplesmente sentem que a energia dentro da pessoa aumentou o suficiente para que se aguente a travessia e também para que eles possam usufruir dela durante a transformação.

Aparentemente, os protetores não conseguem armazenar muita energia no mundo em que vivemos e, por isso, precisam pegar a nossa emprestada para poder se transformar.

E foi assim que aconteceu comigo.

Eu estava na escola, era o meu último ano no colegial e em breve estaria na faculdade. Estava arrumada para a minha colação de grau e caminhava tranquila pelos corredores, indo para o anfiteatro da instituição, onde aconteceria toda a cerimonia.

Durante o meu percurso me deparei com as duas valentonas de minha sala tentando destruir o vestido da Paty, simplesmente porque ele era de uma cor parecida com a de uma das outras duas.

Patrícia sempre fora uma colega de sala divertida. Nunca fomos realmente amigas, pois nossos universos são um tanto diferentes. Ela é filha de empresários ricos e mora no condomínio mais caro da região, indo sempre viajar para fora do país no jato particular da família. E eu sou a garota comum, com pais trabalhadores, que não é pobre, mas também não é rica.

Contudo, quando vi a cena, não aguentei. O cabelo impecavelmente ruivo de Paty já estava todo bagunçado e o vestido verde-água já começava a dar sinais de que iria ceder aos puxões que a dupla dava. Não era justo o que estavam fazendo! Eu precisava tomar alguma medida contra aquilo.

Olhei ao redor e não vi mais ninguém por ali. Nenhum professor, nenhum funcionário, nenhuma viva alma. Ótimo! Quando Murph quer, ele consegue ferrar com tudo!

Se eu corro no corredor, imediatamente sou advertida por, no mínimo, três professores e uma diretora. Porém, agora que eu realmente precisava da presença deles, não havia ninguém.

Respirei fundo, tomando coragem. Elas eram mais altas e mais fortes, faziam parte do time de basquete e do de handball, portanto, tinham músculos bem mais desenvolvidos do que os meus. No entanto, isso não deveria importar. Eu sempre fora mais rápida.

Prendi a respiração e caminhei a passos largos até elas. Agarrei o vestido para que não notassem minhas mãos tremulas e gritei.

– Parem já com isso!

A cena se congelou por breves segundos. E lentamente as duas valentonas viraram as cabeças para me encarar.

– Vejam só… – Violet, a de cabelos negros, me mediu de cima a baixo. – Temos companhia.

– Larguem logo a Paty!

– E se não largarmos? – Laura, a loira e de vestido verde claro, tentou controlar o riso de deboche.

– É melhor largarem.

– Ei, Violet, ela não está usando um vestido roxo que nem você?

Imediatamente olhei para mim mesma e percebi que todas faziam o mesmo comigo, para logo depois comparar a cor com o de Violet.

Eu estava com um vestido simples que tinha um tom roxo escuro e ela tinha um que era mais para o lilás do que para o roxo. Porém, acredito que a diferença nas tonalidades não importava tanto para elas, pois logo começaram a rir diabolicamente.

– Merda… – murmurei, contendo um instintivo passo para trás.

Violet largou a Paty e veio como um trem para cima de mim. Eu senti o meu corpo tremer, mas não de medo, e sim de expectativa.

Com certeza eu iria me ferrar, porém, não iria sair daquela situação sem brigar antes. Nunca fora briguenta, mas ninguém iria por as mãos sujas no meu vestido predileto!

Meu corpo se retesou, preparando-se para o impacto. Virei o meu rosto para protegê-lo das unhas bem feitas de Violet. E foi nesse instante de antecipação do golpe que eu o vi.

Parado perto da porta de uma das salas estava o meu coelho de estimação. Desde criança ele me seguia para todos os lugares dentro de casa, pois eu não permitia que ele saísse e se perdesse.

Eu o havia encontrado em um bosque que havia perto de onde eu morava e desde então, ele se tornara um de meus melhores amigos. Mas, o que ele estava fazendo ali?

Seus olhos vermelhos pareceram se arregalar por algum motivo. Eu virei o rosto e vi que Violet mudara os planos de me atacar com as unhas e agora vinha preparada para me agarrar e provavelmente me derrubar no chão sujo da escola.

Quando ela estava a dois passos de mim, algo incrivelmente louco aconteceu. Senti algo quente se espalhar pelo meu corpo, como se algo houvesse se estourado dentro de mim e se derramado por todo o lado, como se preenchesse uma forma.

Senti-me estranhamente confiante e, antes que eu me dê-se conta, minha perna havia se levantado e o meu salto estava atingindo o decote de Violet, jogando-a para trás.

De repente me senti totalmente elétrica diante daquela cena: Violet estirada no chão, com cara de quem não estava entendendo nada; Laura me encarava estupefata e já começava a afrouxar as mãos; e Paty sorria descaradamente.

Laura largou a garota e também correu até mim. Tentei aplicar o mesmo golpe, porém, ela fora mais esperta do que a amiga e conseguiu desviar, me agarrando pelas costas.

Patrícia, vendo-se livre, saiu correndo o mais rápido que pode em suas sandálias de salto fino. Involuntariamente, bufei. Eu havia me arriscado para ajuda-la e, agora que estava sendo agarrada por causa dela, a garota simplesmente fugia. Ótimo!

Contudo, estranhamente, eu não entrei em pânico. Ignorei a fuga de Patrícia e simplesmente finquei meus pés no chão, me agachei e usei toda a minha força para empurrá-la por cima de meu corpo. A surpresa ajudou, pois, sem acreditar naquilo, Laura escorregou por cima de mim e se estatelou no chão.

As duas se encararam incrédulas e se levantaram. Finalmente soltei o meu vestido e me preparei para um ataque duplo.

– Kate! – ouvi alguém berrar o meu nome.

Olhei para o lado e vi o garoto mais fantástico da minha sala, parado nos encarando. E logo atrás dele estava a Patrícia, ainda ofegante pela aparente corrida.

– Leonardo? – foi a única coisa que consegui dizer antes das duas repararem na minha distração e me derrubarem.

Vi-me presa debaixo de dois corpos que tentavam tanto me esmagar quanto arrancar o vestido do meu corpo.

– O que acha de deixarmos você toda pelada na frente do seu namoradinho? – Violet começou a procurar por algum ponto fraco da minha roupa, para poder puxá-lo.

– Nem ferrando! – e em questão de segundos eu consegui torcer o pulso de Violet e joelhar o estomago de Laura.

As duas rolaram para os lados, reclamando de dor. Levantei-me e olhei para o meu próprio vestido. Por sorte ele não estava sujo e nem rasgado, apenas um pouco amarrotado, mas nada do que umas passadas de mão não resolvessem.

Laura e Violet se recuperaram mais rápido do que eu esperava e se preparam para partir para cima de mim novamente. No entanto, antes que eu pudesse entrar em modo de combate novamente, Leandro se colocou entre mim e as duas, me protegendo.

– É melhor pararem! – ele apontou o dedo na cara delas. – Sou bem mais forte do que as duas e não vou me conter para bater em vocês.

“Uau!” foi a única coisa que consegui pensar. As valentonas se recompuseram e saíram dali de queixos erguidos. Elas não seriam tolas de enfrentar um garoto bem mais forte e ágil do que elas. É claro que antes de partirem, elas me lançaram ameaças silenciosas com seus olhares femininos e traiçoeiros.

– Obrigada. – disse assim que senti meu corpo relaxar.

– Por nada. – ele se virou para me encarar. – Mas, como você…

– Como você está? – dissemos ao mesmo tempo, porém, a diferença é que eu havia me virado e estava fazendo a pergunta para Patrícia.

– Estou bem. – ela me respondeu de uma forma um tanto tímida.

– Que bom! – sorri gentil e comecei a alisar o meu vestido, tirando as marquinhas de amassado.

– E você? – num piscar de olhos o Leandro estava novamente perto de mim.

– Eu o que? – ergui os olhos do vestido e o encarei

Como ele conseguia chegar tão rápido perto de mim? Jurava que estava a alguns passos dele, já que fora até perto da Paty, que tinha assistido a tudo a uma boa distância.

– Como você está? – o olhar dele era preocupado. Senti-me derreter um pouco diante dele.

– Ótima! – fiquei orgulhosa de mim mesma por não gaguejar.

– A colação já vai começar… – Patrícia sussurrou ainda tímida, interrompendo a troca de olhares entre eu e o Leonardo.

– Ah tá… – foi tudo o que ele disse antes de se virar para ir embora.

– Você não vem? – Paty me encarava com aqueles olhos enormes e verdes.

– Vou. – corri até a porta de uma das salas. – Só vou pegar uma coisinha… – agarrei o meu coelho

– Um coelho? – Leonardo me encarava surpreso.

– É meu. Acho que ele me seguiu até aqui.

– É uma ótima lutadora e tem um coelho de estimação. Mais alguma surpresa? – ele ergueu a sobrancelha em uma expressão jocosa.

– Acho que não… – resmunguei, indo me juntar a eles.

– Mais tarde precisamos conversar! – alguém sussurrou em meu ouvido.

Olhei ao redor, procurando pela pessoa. Leonardo ia caminhando na minha frente. A Patrícia vinha ao meu lado, porém a voz que eu ouvira fora a de um garotinho e não o tom delicado e feminino dela.

Continuei procurando, mas não encontrara mais ninguém no corredor. Será que estava ficando louca? Olhei para baixo, ajeitando o meu companheirinho no colo.

– Entendeu, mocinha? – arregalei os olhos assustada.

O meu coelho tinha acabado de falar comigo!

Eu definitivamente estava ficando louca!

Mas, se eu soubesse o que me esperava depois daquilo. Com certeza teria saído correndo ao invés de simplesmente balançar a cabeça e continuar caminhando em silêncio para a minha colação de grau.

Eu sou Kathelyn Dracul Liddell.

Tenho 18 anos.

Sou do signo de escorpião.

Tipo sanguíneo O-.

Tenho cabelos castanhos e longos, olhos da mesma cor e uma estatura mediana.

Sou a escolhida de meu coelho branco e protetor, o Senhor Rabbit.

Pretendo cursar a faculdade de jornalismo.

E foi nesta noite que eu descobri que o País das Maravilhas realmente existe!

(uma parte do primeiro capítulo do livro: que ainda não dei nome / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)

Anúncios


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

et cetera
Amor literário

Resenhas de Livros

Devaneios da Lua

Sobre tudo e ao mesmo tempo nada

Crônicas da Gaveta

Relatos amadores por @Cardisplicente

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Writing and Film Festival Review

Feature Screenplay, TV Screenplay, Short Screenplay, Novel, Stage Play, Short Story, Poem, Film, Festival and Contest Reviews

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

Enquanto houver oxigênio

Respire mais uma vez e tente outra vez

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

%d blogueiros gostam disto: