World Fabi Books











{agosto 8, 2011}   Os Caçadores

1º Capítulo

A Caçada.

– Posto seis, pronto!

– Posto quatro e três, preparadas!

– Posto cinco, tudo certo!

– No posto dois tá tudo preparado também! – apenas a baixa estática se ouvia pelo fone do walk tok. – E no posto um? – silêncio novamente. – Lariane! – chamou em um tom imponente.

– Estou prontinha, meu amor! – ouviram-se risadas abafadas depois da resposta inesperada. – Quando você mandar! – avisou quando percebeu que o som de risos diminuía.

– Então, no três começamos! – um suspiro se fez ouvir através da  interferência  estática. – E vê se não me assusta garota…

– Eu sei me cuidar, querido… – sorriu, deliciando-se com a preocupação dele. – Câmbio e desligo! – ela não desligara o walk tok, mas simplesmente avisara que a conversa deveria acabar por ali. Todos fizeram o mesmo, mantiveram seus aparelhos ligados e, mais uma vez, o silêncio permanecia quase absoluto.

Além da falta de vozes, também havia a ausência de sons pela mata. Parecia como se toda criatura viva que estivesse por ali soubesse o que eles estavam prestes a fazer. Até o vento havia se aquietado e para Lariane isso era uma vantagem na operação, desta forma, o cheiro deles não seria espalhado e os flagraria.

– Um… – ouviu-se a mesma voz de antes. – Dois… – a expectativa crescia. – Três!

Uma explosão, ensurdecedora para os mais sensíveis, atingiu a calmaria tensa do lugar. E mais outra se seguiu depois desta, cada vez mais perto de um buraco grande, cavado no solo.

Em resposta à explosões cada vez mais próximas de sua toca, uma criatura gigantesca saiu correndo buraco a fora, procurando por algum responsável pelo suposto ataque. A sua velocidade e os movimentos ágeis chegavam a ser impressionantes, transformando-a em um enorme vulto por alguns segundos.

Lariane observava tudo do alto de uma árvore, próxima à aparente cratera no chão. Assim que viu seu alvo sair da toca, preparou a arma com os dardos tranqüilizantes. Ela percebeu a velocidade incrível e também viu os dardos dos companheiros errarem a mira. A garota precisava retardá-la.

Contou os segundos precisos e preparou para saltar do galho. Ficou em uma posição em que tornasse o peso de seu corpo ainda mais favorável durante a investida.

No tempo exato, ela saltou sobre a criatura, a qual, surpresa com a ousadia inesperada, tropeçou nas próprias patas e retardou a corrida.

Lariane se posicionou nas costas daquele estranho animal e aproximou o cano da arma do pescoço do alvo, disparando duas vezes seguidas. A criatura tombou e a garota se posicionou ao seu lado.

– Foi mal… – sussurrou enquanto retirava os dardos vazios daquele grosso pescoço. Olhou com cuidado para um dos responsáveis pela missão do grupo ali. Agora que estava imóvel, estatelado pelo chão, ela podia realmente ver o quão grande era. Se fosse para compará-lo com algo, seria com o abominável homem das neves. Mas, Lariane nunca havia visto algo daquele tipo em toda a sua vida.

O animal tinha pêlos espessos e negros, com várias mechas avermelhadas que se acumulavam principalmente ao redor do dorso. A criatura podia andar sobre as duas patas traseiras normalmente se quisesse. Não possuía orelhas, apenas pequenos ouvidos escondidos sob a pelagem. Sem mencionar que era um ser vigoroso, com músculos rígidos e garras enormes, extremamente afiadas. Lariane não conseguia ver as presas e os olhos, pois o pobre animal caíra de cara no chão.

Tentou se aproximar mais e arriscar virar a cabeça dele. Queria realmente ver como era. Caso alguém reclamasse, ela diria que não queria que o alvo sufocasse com a boca enfiada na grama e o fofinho enterrado na terra.

Assim que conseguiu virar a cabeça, ouviu o barulho de passos se aproximando. Levantou-se em alerta, deixando o rosto da criatura virado para o lado. Nem ao menos tivera tempo de dar uma olhada decente naquele rosto.

– Você é louca? – Guilherme jogava a arma sobre o ombro e apontava o dedo nervosamente para a garota.

Ele tinha acabado de chegar ao local onde a mulher derrubara a criatura. Guilherme se sentia um tanto aliviado ao vê-la bem.

– Depende do ponto de vista… – respondeu, relaxando os músculos quando percebeu quem. – Se derrubar o alvo com agilidade e eficácia é loucura, então, considere-me uma louca!

– Como pôde fazer aquilo? Ele poderia ter te trucidado!

– Que tal um “obrigado, Lari! Você fez um ótimo trabalho”? – ergueu uma sobrancelha, enquanto o observava.

– E se não tivesse acabado assim? Se… – a bronca foi interrompida pela chegada dos demais da equipe no local.

– Lari, você foi demais! – Cinthia corria empolgada para abraça-la.

– Aquilo foi empolgante de se ver! – comentou Bianca logo atrás de Cinthia.

– Não a incentivem, garotas! – alertou enquanto as ouvia elogiar Lariane.

Ele não se sentia tão irritado e apreensivo como antes, contudo, não queria mais vê-la se arriscar daquele jeito.

– Deixe de ser tão duro com ela! – Caio deu leves tapas nas costas de Guilherme, enquanto observava a cena das três amigas.

– Se eu não for, quem mais será? – cruzou os braços, voltara a se sentir aborrecido. – Vocês a mimam demais! – murmurou consigo mesmo.

O garoto sabia que Lariane geralmente costumava fazer praticamente tudo por todos e era por isso que o grupo inteiro nutria um imenso carinho e uma indisfarçável admiração por ela.

– Caio, ainda bem que o Guilherme é o único a ser duro com ela! Imagina se outro resolve ser… Ele mata o coitado! – comentou Daniel, quebrando a tensão que começava a nascer na conversa.

O caçador lançou um olhar suspeito para os dois colegas, Guilherme e Caio, e ergueu as sobrancelhas algumas vezes, insinuando o duplo sentido naquele assunto.

Sem conseguir resistir à brincadeira ambígua, os três homens caíram na gargalhada, o que chamou a atenção das garotas, tirando-as do animado bate-papo feminino.

– Estão rindo de quê? – Bianca, juntamente com as outras duas, se uniu aos garotos para tentar descobrir o motivo da risada.

– Nada não… Piada interna! – Caiu deu mais dois tapinhas sugestivos no ombro de Guilherme e controlou o riso ao olhar para Daniel, o qual acabou por levar uma cotovelada nas costelas por não conseguir para de fazer graça.

– Sei… – Cinthia os encarou com suspeita, porém, decidiu deixar o assunto como estava. Ás vezes era, realmente, melhor manter-se ignorante diante de uma piada feita dentro de uma roda composta apenas de homens abarrotados de testosterona e adrenalina.

– Caio, Daniel. – Guilherme já se recuperara das gargalhadas, no entanto, um sorriso maroto ainda pairava em seus lábios. – Deixem as piadas de lado e comecem a segunda fase da missão. – tirou a mochila que carregava em um dos ombros e a jogou para eles.

Os dois se entreolharam ainda rindo e foram para perto do buraco da toca. O local se parecia com uma cratera escavada às pressas no chão duro. Para fazer algo daquela proporção, a criatura precisava ter muita força e garras extremamente fortes e resistentes. Fora o fato de que a toca se estendia por mais alguns metros por baixo da terra, se alongando em câmara escavadas e corredores cavados.

Durante o percurso iam esbarrando um no outro por causa dos comentários maliciosos que faziam aos sussurros.

– Acha que precisamos ajuda-los? – Bianca não olhava para nenhum dos quatro perto dela. Ela observava os dois que se afastavam descontraídos.

– Não sei… – Guilherme olhou para trás , na direção deles. – Havíamos dividido o equipamento nas três mochilas. – apontou para Caio e Daniel. – E eles já as estão levando, então não precisam de ajuda para carregar. – encarou-as com um olhar pensativo. – Eu não sei ao certo se precisarão de ajuda para montar tudo… – logo se demorou a observar Lariane, o que o fez perder a linha de raciocínio por alguns segundos.

Guilherme apenas parou de observar aquelas curvas sinuosas, quando a ouviu limpar a garganta propositalmente. O garoto deu algumas piscadas, tentando retomar o juízo, voltando a encarar Cinthia e Bianca.

– Vão ver se eles precisam de ajuda em algum preparativo.  – de costas para onde os amigos haviam partido, ele apontou com o polegar para trás, indicando para onde elas deveriam ir. Depois, colocou as mãos nos bolsos dianteiros das calças militares. – E você… – olhou para Lariane logo a sua frente. – Preciso ter uma conversa com a senhorita!

(primeiro capítulo do livro: Os Caçadores / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



Realmente intrigante a história. Esse d’Os Caçadores foi bem legal de ler =J



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