World Fabi Books











{agosto 26, 2011}   Um Mundo Novo

1º Capítulo

Familiar? Estranho?

Somente em seus sonhos…

À noite, uma garota caminhava só em uma floresta desconhecida.

– Mas, que lugar é este? – Kayra tentava enxergar algo na escuridão. – Onde, diabos, estou?

– Minha princesa! – clamou uma voz dentre a escuridão.

– Quem esta aí? – gritou Kayra enquanto corria em direção a voz para ver quem era.

Quando chegou perto do local de onde julgava vir a misteriosa voz, viu um garoto encostado em uma árvore, como se a estivesse esperando.

Ele era LINDO! Cabelos loiros escuros, olhos azuis como o fundo do mar, porte elegante, forte e alto. Suas roupas eram escuras com detalhes vermelhos. Estava com uma calça longa e preta, sapatos sociais da mesma cor, camiseta azul marinho, um pouco mais escura do que seus olhos, e um sobretudo negro, repleto de detalhes vermelhos.

– Minha princesa! – clamou o garoto novamente enquanto se curvava.

– Quem é você? – sentia-se estranhamente ansiosa, ao invés de assustada.

– Sou Lantis, seu guardião! – o garoto deu um passo, aproximando-se um pouco mais dela.

– Guardião é? – riu da brincadeira. Porém, quando percebeu que ele não a acompanhava na brincadeira, pigarreou sem graça. – Então… Você está falando sério, não é? – o viu concordar.

Kayra passou os olhos pelo garoto, se demorando em sua fisionomia incrivelmente familiar. Ela buscava traços de que estivesse mentindo, contudo, acabou se surpreendendo ainda mais com a beleza dele e com o sentimento de familiaridade que crescia em seu peito, como se há muito tempo já houvesse feito a mesma coisa: observar aquele rosto etonteante.

– Eu não sei o porquê, mas tenho a sensação de que já te conheço… – confessou deliberadamente, sem se preocupar com o que ele pensaria daquilo. Dentia-se à vontade com o garoto e, cada vez mais, aceitava a aproximação sutil dele.

– Minha Kayra! – o garoto caminhava vagarosamente até ela. – Eu não tive tempo de lhe contar o quanto eu… – suas mãos já seguravam as mãos tremulas da menina e seus olhares já não conseguiam mais se desprender um do outro.

– Lantis… – cada vez mais seus corpos se acolhiam, seus lábios se aproximavam e…

Antes que os dois pudessem completar o ato, o despertador de Kayra começara a tocar estridente e irritante.

– Que droga de despertador! – levantou bruscamente da cama e o desligou. – Justo na melhor parte! – caminhou com muito sacrifício pelo quarto e foi até o banheiro.

Depois que a raiva pelo despertador inoportuno tinha passado, ela começou a sentir o corpo ainda sonolento e preguiçoso.

– Quem era aquele garoto? – ligou o chuveiro enquanto esfregava os olhos, novamente pesados de sono. – E por que eu não reagia? Era tão natural… – despiu-se e entrou debaixo da água quente que caia do chuveiro, deixando que ela escorresse pelo seu corpo. – Parecia que eu o conhecia e que nós já… – um arrepio percorreu-lhe a espinha e resolveu tentar desviar o pensamento.

Kayra já estava debaixo do chuveiro há mais de meia hora. A água lhe dava tranqüilidade e a ajudava a pensar melhor. Sem mencionar que ela estava em férias e não precisava se preocupar com horários, apenas com o fato de não passar o mês todo dormindo.

Pegou o sabonete e se ensaboou, colocou seu corpo na água e tirou todo o sabão. Depois fez o mesmo processo com o shampo e com o condicionador no cabelo. Quando decidiu que havia ficado tempo suficiente ali, desligou o chuveiro. Já sentia-se satisfeita e com uma sensação ótima de leveza.

Pegou a toalha, se enxugou, olhou para o espelho e viu uma garota no auge de seus 18 anos, com cabelos ondulados e ruivos que lhe caiam sobre os ombros.

O busto não era avantajado, mas também não era pequeno. Sua cintura era fina e seus quadril e coxas eram fatos.

Sua pele era sedosa e macia, com leves marcas de biquínis. Virou-se de lado para o espelho e enrolou-se na toalha. Pegou a pasta de dentes, os escovou e colocou água na boca, enxaguando-a. Terminou de se secar e voltou a se olhar no espelho.

– Eu não sou mais uma criança. Eu não sou mais a mesma garotinha inocente. – colocou a mão sobre o espelho. O que ou quem ela estava tentando convencer?  – Eu já sou uma… – mas, antes que pudesse completar a frase, a imagem que observava tinha se tornado diferente no espelho.

No reflexo ela não estava mais de toalha e com os cabelos bagunçados e molhados, mas vestida com um magnífico vestido branco, cheio de bordados roxos e delicados. Em sua cabeça descansava uma esplêndida coroa e sua desgrenhada cabeleira tinha se transformado em cachos lindo e perfeitos.

– O quê? – estava incrivelmente impressionada e pasma. – Mas essa… – arregalou os olhos assustada. – Sou eu!? – quando tentou se aproximar mais para ver melhor, a imagem voltou ao que era antes e o seu reflexo com uma toalha reapareceu.

Kayra sacudiu a cabeça e olhou para o espelho novamente, no entanto, nada havia mudado. Convenceu-se de que aquilo era apenas um fruto de sua imaginação e saiu do banheiro com a toalha no corpo.

– Acho que estou vendo coisas! Tenho definitivamente que parar de pensar naquele sonho. – ela jogou a toalha sobre a cama. – Isso está me deixando louca!! – fechou a porta, andou até o armário e o abriu. – Vejamos… O que vou vestir hoje?

Estava um dia quente, então ignorou as roupas pesadas e compridas, passando os olhos por uma saia e uma blusinha de alça.

– Já sei! – pegou aquelas peças de roupa e as vestiu.

Logo depois foi até a cozinha, olhou para a mesa do café sem muita fome. Sentou em sua cadeira de costume, pegou um pouco de leite e meio pedaço de pão.

Enquanto arrumava a mesa, viu um bilhete na geladeira. Deixou um pouco de lado o que estava fazendo e foi até ele, tirando-o de lá e lendo-o.

Filhinha, o seu irmão está na casa de um amiguinho. E eu e o seu pai fomos até a casa da tia Marta! (como você não se da muito bem com ela, resolvemos não chamá-la para ir junto)

Voltaremos em duas horas.

Muitos beijos de todos nós!

Ela passou os olhos pelo bilhete e notou que havia algo escrito no final.

 PS: Estamos sem alguns itens ai em casa. Será que você poderia me fazer o favor de pegar a lista e o dinheiro que deixei em cima do balcão e ir até o minimercado comprá-los? O troco pode ficar para você! Beijos!!

Quando Kayra terminou de ler, deu uma ligeira olhada por cima do balcão e viu um papel acompanhado com algumas notas. Ela realmente não gostava daquela tia, achava-a insuportavelmente metida. Preferia mil vezes sair para fazer compras para a mãe, do que ir visitar a detestável tia Marta.

– Já que é assim…  – terminou de arrumar as coisas, pegou o papel e o dinheiro e foi até a porta. – Fazer o que, né? – e trancou a porta quando saiu.

Enquanto andava até o minimercado, notou que havia um caminhão de mudanças em frente a uma casa no final do quarteirão.

– Parece que a Sr.ª Jones conseguiu vender a casa! – Kayra passou na frente da mudança e tentou ver quem eram os novos moradores. Mas, infelizmente o seu esforço foi inútil. Os móveis lhe bloqueavam a sua visão. – Que droga… – suspirou. A única coisa que eu conseguia ver eram as caixas e móveis.

Depois de varias tentativas, julgou estar sendo completamente indiscreta e desistiu de tentar ver quem eram, resolvendo, assim, continuar o seu percurso. Contudo, quando se virou trombou com um garoto e caiu espalhafatosamente no chão.

– Oi! – o garoto deu um sorriso torto. – Desculpe, não te vi! – estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. – Me chamo Lantis e você?

– Hã… Oi! Sou a Kayra. – respondeu totalmente sem graça. Com certeza, aquela vergonha enorme que sentia, estava transformando o seu rosto em um morango extremamente vermelho!

Enquanto aceitava a mão que Lantis lhe oferecia, sentiu como se algo estalasse em sua cabeça, trazendo uma estranha recordação.

Kayra assustou-se com aquilo que recordou: o nome e a aparência do garoto que a ajudava a se levantar eram os mesmos do guardião de seu sonho.

– Lindo nome. – Lantis deu outro sorriso, totalmente alheio às divagações da garota. – Você é daqui, Kayra? – ouvir seu nome ser pronunciado por aqueles lábios carnudos, a fez quase saltar no lugar de deleite. A reação infantil a fez sentir-se encabulada.

– Obrigada… – mexeu no cabelo, tentando ajeitá-lo melhor. – É… Eu moro neste mesmo quarteirão! – ainda sem jeito e apontou para a própria casa, mais a frente.

– Legal! E o que você esta fazendo por aqui? – olhou para a casa e depois voltou a observá-la. Ele sempre sorria para ela, em momento algum, desde o esbarrão, ele havia desfeito aquele encantador sorriso do rosto.

– É que eu estou indo fazer umas comprinhas para a minha mãe no minimercado. – Kayra mostrou a lista e deu de ombro. Afinal, o que mais ela poderia fazer? Ou era isso… Ou uma visita á tia.

– Posso ir junto? – Lantis deu uma olhada rápida pelo papel e depois para Kayra. Ele parecia realmente interessado em acompanhá-la.

– Claro! – Kayra estava impressionada com a pergunta. Quando que um garoto lindo daqueles iria se interessar em acompanhá-la nas compras de mercado?

– Muito obrigado! É que como sou novo aqui, ainda não conheço o bairro e… – Lantis olhou em volta, coçando a cabeça e com um olhar perdido.

– E você gostaria que eu lhe mostrasse, não é?

– É sim… – e lá estava aquele sorriso torto e lindo.

A garota achava que teria muita sorte se conseguisse chegar até o mercado. Aquele sorriso maravilhoso a deixava completamente atordoada e perdida. Seria bem capaz de acabar se perdendo em seu próprio bairro se continuasse daquele jeito.

Quando estavam quase no minimercado, Kayra notou uma pessoa que ela não estava com a mínima vontade de ver.

Era um garoto alto e de porte extremante grande, musculoso. Provavelmente ele era um daqueles que freqüentam a academia todos os dias e tomam vitaminas especiais, apenas para aumentar os músculos e sair exibindo-os por ai.

– Vejam só, quem esta aqui! – Lucius deu um sorrisinho maroto e foi na direção do casal.

Para Kayra era uma blasfêmia comparar aquele sorriso ridículo com o de seu lindo acompanhante, contudo, não tinha como evitar. Aquele sonho de garoto estava bem ao seu lado. Era impossível não notar a berrante diferença entre o príncipe e o gorila.

– Oi, Lucius… – cumprimentou totalmente desanimada. Somente a presença dele era o suficiente para estragar o seu dia.

– Quem é este? – Lantis olhava para Lucius de maneira enviesada e seca.

Apesar do garoto ainda estar atravessando a rua para poder se aproximar deles, Lantis já se sentia incomodado com ele. Nem seu sorriso era tão sincero quanto antes.

– Este é o Lucius… Um garoto metido do bairro. – Kayra explicava aos sussurros antes que aquele gorila se aproximasse muito deles.

Sem aviso algum, ela pegou a mão de Lantis e fez uma cara de quem pedia desculpas por aquilo.

– Concorde com tudo o que eu disser e tente ser convincente, por favor! – sussurrou segundos antes de Lucius chegar.

– Querida Kayra! – cumprimentou pegando a mão delicada da garota e puxando-a até os lábios.

– Não esta vendo que estou acompanhada Lucius? – puxou a sua mão de volta antes que ele pudesse beijá-la e apontou para Lantis.

Sentia nojo só de pensar naqueles lábios tocando qualquer parte de seu corpo. Segurou-se para não fazer uma careta.

– Quem é esse daí? – encarava Lantis com hostilidade, enquanto que este revidava com um olhar surpreendentemente frio.

– Ele é o Lantis, meu namorado! – levantou a mão que segurava a dele e deu um enorme sorriso.

Essa havia sido a parte mais fácil da mentira: sorrir de felicidade e satisfação!

Afinal, não era mentira que estivesse feliz e satisfeita naquele momento. Ela estava segurando a mão do garoto mais perfeito que já vira na vida!

– Namorado? Como assim? – Lucius estava boquiaberto com a novidade.

– Qual parte do “namorado” você não entendeu? – pela primeira vez Lantis dirigia a palavra ao brutamonte.

– Mas… – balançou a cabeça, tentando se recuperar do choque. – A Kayra é a MINHA garota! – pegou a outra mão da garota e a puxou para o seu lado de maneira brusca. Parecia que ele poderia ter arrancado o braço dela com uma única puxada, se assim o quisesse.

– Se toca! Eu nunca fui sua! – tentava se livrar daqueles punhos fortes, porém, não estava conseguindo ter sucesso em suas tentativas. Além de ser muito mais fraca do que ele, ainda estava sentindo seu braço dolorido com o severo puxão.

– Largue-a, agora! – os olhos de Lantis pareciam ter mudado de tonalidade, tornaram-se sombriamente mais escuros. – Caso contrário eu o quebro inteiro! – ameaçou empurrando-o.

Ele sentia seu sangue quente. Ninguém, jamais, deveria ousar tratar Kayra daquele jeito, ainda mais na presença dele.

– Você e que exército? – zombava, se divertindo com o suposto namoradinho de Kayra.

– Não preciso de exército para acabar com você! – desferiu um forte e certeiro soco no estômago de Lucius, fazendo-o soltar a garota sem perceber, em um legitimo reflexo à dor.

– Idiota! – tentou dar um soco em Lantis, mas o golpe acertou somente o ar. O garoto havia se esquivado com agilidade.

– Acho melhor você desistir! – advertiu enquanto preparava o punho novamente.

– Está bem! – rendeu-se Lucius, percebendo que era inútil continuar.

Ele podia ter músculos, mas, era um covarde quando via que alguém não se intimidava fácil com seu tamanho ou era mais forte do que ele.

– Eu vou, mas… – olhou para Kayra. – Você ainda é minha! – se virou com um sorriso malévolo no rosto e foi embora rua a baixo.

– Arrogante! Presunçoso! – sussurrou Kayra, revoltada com a ameaça do gorila.

Quem aquele garoto pensava que era para ficar dizendo que ela era dele? JAMAIS ela pertenceria a um garoto tão asqueroso quanto ele!

– Lantis, você está bem? – ela se virou para ele, observando-o aflita com o fato de ter se machucado.

– Sim e você? – também a observava.

Ele estava preocupado com o braço dela. Talvez ela ainda estivesse sentindo dor. Ou talvez aquele brutamonte houvesse ofendido algum nervo ou músculo quando a puxou daquele jeito

– Só um pouco furiosa com ele e nada mais! – olhou para o punho ainda um pouco vermelho.

O braço ainda doía um pouco, mas não era nada alarmante. Aos poucos a dor ia sumindo, portanto não tinha do que reclamar.

– Me desculpe por meter você no meio dessa confusão toda. Fui uma tola! – sentia-se constrangida novamente.

– Não tem pelo que se desculpar. A culpa não foi sua. – voltou a dar aquele seu sorriso tão lindo e sincero para ela. – E então? Vamos ou não ao minimercado?

– Claro que vamos! –retribuía o sorriso com alegria.

A garota imaginava que ele fosse largá-la ali e voltar para casa, depois de tê-lo envolvido na confusão. No entanto, pelo visto, o garoto estava realmente decidido a acompanhá-la.

Assim que chegaram ao “Minimercado do Jhoel”, Kayra pegou a lista do bolso e uma cestinha deixada em um canto da entrada.

– Quer ajuda com as compras? – Lantis perguntou enquanto a acompanhava de prateleira em prateleira.

– Não obrigada! – agradeceu com um sorriso amável.

A lista não era grande, apenas sete itens a compunham. Kayra julgava não ser necessária a ajuda, já que as compras seriam rápidas e os produtos não seriam muitos. Se a lista fosse maior, ou os produtos pedidos nela fossem mais pesados, ela se veria obrigada a aceitar.

Não queria ficar o dia todo naquele minimercado e acreditava que Lantis também não fosse querer. Julgava ser uma tarefa deveras aborrecedora acompanhá-la naquelas compras, imagine se tivesse que ficar o dia todo assim! Lantis seria um desafortunado nesse caso. E por isso, acelerou o ritmo. Sendo que logo ela já estava terminando de por a última mercadoria na cestinha de compras.

– Tem certeza? – perguntou novamente, observando-a atento.

– Tenho sim! Você já me ajudou o bastante hoje! – começou a andar em direção ao caixa. Passou as mercadorias para a atendente, que as embalava enquanto cogitava os preços.

– Bem… Pelo menos posso ajudá-la a carregar as compras? – antes que ela pudesse responder, pegou as sacolas e segurou uma das mãos de Kayra, para que ela não tentasse tirar as compras de suas mãos.

– Tudo bem, então… – senti-se arrepiar por inteira.

O toque da mão dele na sua era tão quente e delicado, que era impossível ignorar a sensação boa e acalorada que irradiava para o resto de seu corpo. Com a mão livre, pagou pelas compras e o encarou, com o rosto um pouco ruborizado.

Quando viu o rosto enrubescido de Kayra, Lantis olhou para as mãos ainda unidas e deu um sorriso constrangido. Ele havia feito por impulso e não tinha cogitado a possibilidade de deixá-la constrangida com aquilo. Soltou sua mão da dela e esperou que ela começasse a andar para fora do minimercado.

– Sabe… Eu gostei muito de te conhecer Kayra! – comentou enquanto se aproximavam do destino final.

O minimercado não era muito longe da casa dela, eles apenas ficaram 2 minutos andando lado a lado.

– Eu também gostei muito de te conhecer… – sentia seu rosto arder novamente.

Não queria chegar a sua casa. Queria poder ficar mais tempo ao lado daquele maravilhoso príncipe.

Quando estavam próximos da casa de Kayra, viram Lucius e seus “capangas” subindo a rua. Eles tinham um olhar nocivo no rosto, como se estivessem planejando fazer algo de diabólico.

– Essa não! – Kayra havia percebido que os alvos daquele olhar eram eles.

Lucius tinha voltado para se vingar de Lantis e reivindicá-la como dele. Sem pensar duas vezes, ela pegou na mão de Lantis e saiu correndo, puxando-o junto. Não queria envolve-lo em mais problemas por sua causa. Precisava tirá-lo dali, antes que eles os alcançassem.

– Não precisa correr! Eu cuido deles! – Lantis não gostava da idéia de fugir daqueles gorilas. Era vergonhoso para ele. Se quisesse, poderia enfrentá-los de olhos fechados.

– É muito perigoso! Eles estão em cinco e você em um. É melhor fugirmos. – puxou-o com mais força para dentro de um parque, que ficava perto de sua casa.

O lugar não era muito grande, mas, tinha muitas árvores e alguns quiosques espalhados no meio delas.

Enquanto procuravam um local para se esconderem, Kayra olhou para trás e viu Lucius e os outros quatro se aproximarem cada vez mais deles.

Quando os cinco haviam visto o casal fugir, também começaram a correr. Lucius queria uma revanche contra Lantis e não deixaria que escapasse tão fácil, ainda mais carregando o seu prêmio: a linda Kayra.

– Por aqui! – agilmente, Lantis a puxou para trás de uma árvore, rodeada por altos arbustos. – Tente não se mexer. – ele a acomodou em um canto escuro do improvisado esconderijo, enquanto encostava-se ao tronco espesso da árvore.

– Tá… – concordou já completamente imóvel.

Seu coração estava perigosamente acelerado. Não por causa de Lucius e sim por causa de Lantis! Ele havia colocava as sacolas de lado e a estava abraçando próximo de seu corpo para tentar escondê-la melhor nas sombras do refúgio.

Enquanto Lucius e os outros procuravam por eles, Kayra e Lantis ficaram escondidos atrás da árvore em silêncio.

Ela podia sentir a respiração do garoto em sua pele, o olhar dele sobre seu rosto. E para evitar encará-lo, virou o rosto, fingindo estar interessada se os gorilas já haviam ido embora ou não.

– Você os vê? – sussurrou Lantis quando a viu virar o rosto. Ele tentou ignorar a possibilidade de ela estar tentando evitar seu olhar.

– Sim… – havia respondido no mesmo tom. Contudo, o seu sussurro saiu mais fraco do que pretendia.

O garoto havia sussurrado em seu ouvido quando falou com ela, e aquilo a tinha deixado completamente atordoada e ansiosa. Como se aquela voz suave e sussurrada lhe houvesse drenado todas as energias.

– Ótimo! Então, você avisa quando se aproximarem demais. – ele continuava a ignorar o proposital distanciamento dela.

A imagem da garota evitando seu olhar, evitando encará-lo frente a frente o irritava mais do que poderia imaginar. Mas, quando sentiu a voz dela vacilar por sua causa, sentiu-se um pouco mais animado. Um pouco mais incentivado a continuar puxando conversa com ela.

– Desculpe por ter te colocado no meio de tudo isso… – Kayra realmente se sentia culpada por aquilo.

Não queria ter envolvido Lantis naquela confusão com Lucius. Não queria que ele se machucasse por sua causa. Ele era perfeito demais para ser submetido aos acontecimentos loucos de sua vida. Ela era um imã de catástrofes, atraía o azar. Não queria que seu príncipe sofresse transtornos somente por a estar acompanhando.

– Tudo bem… – sussurrou ainda a encarando.

Apesar de não conseguir ver os olhos envolventes da garota, ele conseguia sentir o perfume inebriante que vinha dela. Já se sentia extasiado somente em poder sentir aquela fragrância tão agradável.

Não agüentando mais conversar com ele sem encará-lo, Kayra virou o seu rosto. Mesmo que aquele olhar a deixasse aturdida, parecia que era pior ficar sem ele.

Será que já havia ficado viciada por ele, ficando apenas algumas horas ao lado daquele príncipe?

No entanto, acabou deixando a pergunta de lado, quando se percebeu admirando os lindos olhos de Lantis, os quais estavam completamente voltados para ela.

Kayra sentiu um calor imenso crescer dentro de seu âmago e um arrepio subir-lhe a espinha. Tentava, em vão, controlar as batidas aceleradas de seu coração.

– O que foi? – Lantis a sentia agitada. Como se algo estivesse prestes a explodir dentro dela.

Viu-a ruborizar e percebeu aquele frágil corpo ficar mais quente. Como se aquele rubor a estivesse fazendo irradiar mais calor.

– É que eu… – mas, antes que ela pudesse terminar de responder, um dos “capangas” de Lucius se aproximou do local onde estavam escondidos. E por puro reflexo, Kayra prendeu a respiração, colocou uma das mãos sobre a boca de Lantis e aproximou mais o seu corpo ao dele, tentando se infiltrar mais nas sombras e evitar que aquele gorila os visse.

Seus corpos estavam próximos demais. Um podia sentir o ritmo do coração do outro. Kayra sentiu o subir e descer do peito de Lantis descompassado com o seu e finalmente percebeu o quão próximo eles estavam. Naquele momento os olhares dos dois se cruzaram. Lantis a olhava com ternura nos olhos e ela sentia um calor imenso alastrar-se dentro de si mais uma vez.

Enquanto o “garoto-gorila” se afastava, Lantis tirou a mão de Kayra de sua boca e a ficou segurando próxima de seu rosto.

Ela sentiu uma sensação estranha e forte dominá-la. Ainda não entendia o porquê de aceitá-lo tanto. Se fosse qualquer outro garoto, já o teria empurrado para longe e saído dali. Mas, com ele, não sentia a mínima vontade de fazer isso. Na verdade, sentia-se impelida a se envolver cada vez mais.

Com a mão livre, Lantis acariciou os lindos cabelos ruivos de Kayra, admirando as ondulações suaves que se derramavam por seus ombros. E sem tirar os olhos dos dela, ele puxou aquela mão pequena e delicada para perto de sua boca e a beijou com carinho. Nesse momento, ela sentiu uma incrível felicidade e uma inexplicável paixão explodir dentro de si.

Aquilo tudo só podia ser um sonho!

Ela provavelmente estava sonhando mais uma vez. Era praticamente impossível que um garoto tão perfeito estivesse com ela, compartilhando de um momento tão terno e intenso como aquele.

Devagar, ele desceu a mão que acariciava os ruivos e macios cabelos até a nuca e aproximou o rosto dela ao seu.

Ele a sentiu tremer levemente sob seu toque. Ficou com medo que ela se assustasse com a investida e ficou imóvel por algum tempo, apenas observando-a. Cuidadoso para não perdê-la.

Porém, não conseguia ficar tanto tempo apenas observando aquela delicada e sedutora garota, sem nem ao menos poder tocar com seus lábios aquelas rosadas bochechas.

– Minha princesa… Minha amada princesa. – sussurrou, tentando distrair sua ansiedade com aquelas sucintas palavras. – Eu esperei tanto por este momento! – mas, era inevitável. Seu desejo podia ser controlado, mas, não aplacado. E os rostos de ambos se aproximavam cada vez mais.

Kayra estava nervosa, aquela cena estava ficando muito familiar a de seu sonho. Ela sentia como se o amasse há muito tempo. Como se eles já tivessem tido um forte relacionamento no passado. Mas, isso era impossível!

Aquele era o primeiro dia que passava ao lado dele. Nunca o havia visto antes. Apesar de ter a forte impressão de que Lantis era o garoto de seu sonho, não tinha como ter tido um caso com ele. Tinha acabado de conhecê-lo!

E sem ainda entender, ela foi aceitando aquela sedutora aproximação, foi sentindo o calor dele mais forte em seu corpo, foi fechando os olhos…

– Minha Kayra… – segredou antes de finalmente beijá-la de maneira delicada e suave. Como se estivesse bebendo do mais doce mel, jamais experimentado em toda sua vida.

(primeiro capítulo do livro: Um Mundo Novo / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

et cetera
Amor literário

Resenhas de Livros 📖 💻 📝

devaneiosdalua.wordpress.com/

Sobre tudo e ao mesmo tempo nada

Crônicas da Gaveta

Relatos amadores por Blair Pttsn

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Writing and Film Festival Review

Feature Screenplay, TV Screenplay, Short Screenplay, Novel, Stage Play, Short Story, Poem, Film, Festival and Contest Reviews

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

• powersx3

' in your mind,i have all power #

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

%d blogueiros gostam disto: