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{agosto 30, 2011}   Figuras da Literatura Brasileira

Olá, leitores queridos!

Somente retomando…

Esse post se tornou uma espécie de “coluna” aqui. Toda semana, entre terça e quinta-feira, estarei colocando uma entrevista com alguns escritores brasileiros!

Essas entrevistas se pautarão em cima dos mais variados temas, os quais serão escolhidos pelo próprio escritor.

Podemos discutir desde ficção até problemas políticos, sendo que o intuito é ajudá-los a conhecer melhor essas figuras de nossa literatura!

E não se esqueçam: qualquer dúvida ou sugestão, não hesitem em me dizer! Manifestem-se à vontade!

Então… Vamos para entrevista dessa semana?

Nelson Magrini falando de Física

Nelson Magrini é Engenheiro Mecânico, estudioso e pesquisador em Física, com ênfase em Mecânica Quântica e Cosmologia.

Escritor, professor e consultor em Gestão Empresarial e Cadeira Logística, além de Agente Cultural e de Cidadania, com os projetos Novos Autores Literários e Mobilidade Automotiva para Deficientes Físicos.

É autor de ANJO A Face do Mal (2004) e Relâmpagos de Sangue (2006); do conto Isabella, na coletânea Amor Vampiro (2008) e Os Guardiões do Tempo (2009). Além de elaborador e colaborador do Fontes da Ficção, onde foi publicada a minissérie, em dez partes, O Portador da Luz.

 

 

Entrevista:

01) Nelson, percebemos que em seus livros você usa bastante a física durante o enredo. De onde veio esse seu gosto pela física?

Tudo aconteceu há muito tempo, quando eu era uma criança de colo. Lembro-me de um dia, estando no colo de meu pai, à noite, e olhar para cima e ver o céu estrelado. Aquela visão foi simplesmente indescritível para mim, e desde lá, o Universo sempre me fascinou. Conhecê-lo, entendê-lo e desvendá-lo se tornou quase uma obsessão e a Física veio naturalmente, já que a Cosmologia era o ramo de Ciência que estudava o Universo. Nesse sentido, ao longo do tempo eu evoluí muito, sempre estudando por conta própria, mesmo antes de ter conhecimento suficiente para entender as equações.

Com o passar do tempo, descobri a ligação que existe entre a Física de Partículas com a evolução do Universo e, a partir daí, mergulhei de cabeça no mais espantoso modelo da Física, a Mecânica Quântica e suas derivações.

02) Como é desenvolver um enredo de ficção/fantasia, usando teorias da Física Quântica?

Não vejo dificuldades. Claro que meus livros são para entretenimento, então, se vou usar algum conceito de Ciência, ele deve estar dentro do contexto e, sempre que necessário, procuro algum tipo de explicação simples e breve. Contudo, nem sempre isso se faz necessário. Às vezes, é apenas uma citação ou reverência.

De qualquer modo, já há tempos tenho planos de desenvolver um verdadeiro livro de terror com a idéia: pode a Mecânica Quântica ser assustadora? E aqui, não me refiro às suas equações que, por si só, já assustam muita gente!

03) Em qual de suas obras você usou mais leis da física?

Creio que até agora foi no conto Isabella, de Amor Vampiro. Para essa trama, a premissa é mostrar que uma vampira, Isabella, no caso, não é um ser sobrenatural, mas tão real quanto qualquer um. Para tanto, tive que encontrar explicações razoáveis para as características sobrenaturais que ela apresentava, e aí há Física de verdade, como por exemplo, os comentários em relação ao Sol e sua radiação.

Claro que, por escrever ficção, algumas coisas têm de ser romanceadas e inventadas, afinal, estamos tratando de um personagem folclórico e não de um ser real. Mas, creio que o resultado ficou muito bom e os leitores gostaram bastante.

04) Já que é um apaixonado por física, poderia nos explicar o que é a Mecânica Quântica e Vigarices Quânticas? E como seria a concepção de mundo através delas?

Tá aí uma boa questão que, infelizmente, será impossível de se responder em poucas palavras. E vale a pena alertar que, a título de melhor explicar, tentarei ser o mais didático possível, mesmo que em detrimento da exatidão da resposta. Vamos ver o que eu consigo.

Bom, pela própria alcunha, Vigarices Quânticas são vigarices, bobagens, crendices e toda uma série de absurdos apregoados por aí como reais e comprovados e validados pela Mecânica Quântica, e que normalmente são “vendidos” através de livros, coisas do tipo “você cria sua própria realidade com os pensamentos”; “somos ondas e influenciamos em nossa vida como bem queremos”; “existe uma mente universal ou um ser universal onipotente que criou o Universo”; “curas quântica e curas milagrosas”, e por aí vai.

Há também os “objetos mágicos”, como as recentes pulseiras de equilíbrio, onde era apregoado que um holograma emitia “ondas quânticas” – seja lá que diabos isso for – com capacidade medicinal! Claro que o fabricante sequer pensou em explicar como um holograma emite ondas!

Infelizmente, o número de vigarices se apropriando do nome Quântica só aumenta e, pior ainda, têm como alvo uma esmagadora população crédula, que acredita em qualquer bobagem e não pensa, não questiona, não se preocupa em procurar saber se aquilo que é dito tem sentido.

Em um país como o nosso, onde o ensino fundamental e médio é medíocre, de modo geral, isso não é tão de se admirar. É mais fácil crer em qualquer bobagem que promete milagres do que estudar, pesquisar e ser crítico.

Em relação à visão de mundo da Vigarice Quântica, a visão vendida é de um  mundo de milagres, onde qualquer um conseguirá qualquer coisa somente pensando e desejando, e também se curará de qualquer doença. Como a maioria das vigarices, promete dinheiro e felicidade. Quer apelo maior?

Já a Mecânica Quântica é o ramo da Física que estuda o “mundo das coisas pequenas”, como átomos e seus componentes, as partículas subatômicas. É Ciência de verdade, sendo o modelo mais comprovado da História, em alguns  casos, com um erro de uma parte em bilhões de bilhões… Uma discordância entre a previsão teórica e o resultado obtido na ordem de um dividido por dez elevado a catorze! Isso é absurdamente preciso!

Contudo, por mais que os cálculos sejam compreendidos e aplicados comtamanha eficiência, interpretar a visão de mundo que a Mecânica Quântica implica é bastante complicado e controverso, pelo simples fato de que os experimentos mostram que nossas concepções de senso comum não são válidas.

A Mecânica Quântica implica em muitas interpretações ou visões de mundo diferentes. A mais comumente aceita chama-se Interpretação de Copenhague, por influência de Niels Bohr, um dos pais da Mecânica Quântica.

Aqui, a explicação se torna bastante difícil, pois não existem palavras específicas para descrever esse tipo de evento.

De modo resumido, tal visão de mundo nos diz que a realidade, ao nível fundamental, não é algo concreto, como imaginamos as coisas à nossa volta, nem única, e sim, uma sobreposição de possibilidades, cada qual com sua devida probabilidade de ocorrer.

Todavia, essas possibilidades são, em si, “alguma coisa concreta”, pois interferem umas com as outras (notem a dificuldade de expressar tal descrição).

Ou seja, não são simplesmente possibilidades, como quando jogamos uma moeda para o alto e temos a probabilidade de resultar em cara ou coroa. Tudo se passa como se ambos os resultados coexistissem ao mesmo tempo, um interferindo com o outro. E essa interferência pode ser medida e demonstrada! Isso é que é fantástico. Tal visão não é apenas filosófica, como alguns preferem, mas, algo que pode ser demonstrado fisicamente.

Lógico que apenas um resultado se evidenciará (depois que a moeda cai no chão, temos cara ou coroa e não as duas coisas), normalmente, aqueles de maiores probabilidades. São esses resultados todos que “constroem” o mundo “concreto” à nossa volta. As aspas utilizadas são exatamente para chamar a atenção, porque depois do advento da Mecânica Quântica, eles deixam de ser algo exato para se tornarem nebulosos.

Por fim, da mesma maneira que a Mecânica Clássica de Newton é uma aproximação da Mecânica Quântica, o mundo que vemos à nossa volta, nosso cotidiano ou nossa realidade, se preferirem, é apenas uma aproximação de uma realidade mais fundamental, onde possibilidades concorrentes  e excludentes coexistem e se interferem mutuamente.

05) Na sua opinião, todas as teorias que envolvem a Mecânica Quântica estão corretas? Quais seriam as mais “absurdas”?

Na realidade, as teorias desenvolvidas depois da MQ (Mecânica Quântica) envolvem conceitos quânticos, como foi o caso da nova Eletrodinâmica, a chamada Eletrodinâmica Quântica, que substituiu a Eletrodinâmica Clássica de Maxwell e por aí vai.

Sim, até hoje, todos os modelos desenvolvidos, que em conjunto é chamado de Modelo Padrão das Partículas Elementares, se tem mostrado correto. Há outras teorias, que procuram avanças além do Modelo Padrão, mas essas ainda não foram devidamente confirmadas. Entre elas, há bons modelos e candidatos a se tornarem teorias comprovamos. Quais serão, apenas o tempo dirá.

Em relação a mais “absurda”, ao meu ver, nenhuma delas. A Mecânica Quântica padrão já foi, em início, absurda o suficiente e, até hoje, choca a todos que são confrontados com ela pela primeira vez.

Mas, entenda-se, absurda quando a olhamos através de nosso senso comum que, como disse na resposta anterior, falha totalmente quando olhamos a realidade a esse nível.

Hoje em dia, depois de conviver tantos anos com a Relatividade e a MQ, absurda me parece a Mecânica de Newton!

06) Vimos em seu último livro lançado que você explorou outros planetas e mundos. Acredita que seja possível existirem outras dimensões e/ou outros universos além deste?

Ah, você se refere ao “Os Guardiões do Tempo”, onde além de explorar a galáxia, os personagens ainda viajam no tempo.

Eu diria que há fortes indícios, conforme alguns modelos mais avançados, como o do Universo Inflacionário, que parte da premissa de que, em seus “microlésimos” de segundos iniciais, nosso Universo sofreu uma expansão exponencial, uma inflação. Bom, esse modelo, dependendo da abordagem, traz uma inflação perpétua, onde nosso universo seria apenas um entre outros infinitos.

Além desse modelo, existem outros que trazem tal possibilidade, mas, nada ainda foi comprovado, nem implica de que haverá possibilidade de explorar tais universos.

O mesmo se dá com dimensões extras, as quais podem ser inacessíveis a nós pelos mais diversos motivos. Um deles, porque elas poderiam estar curvadas sobre si próprias e serem muito menores que o diâmetro de um próton!

Seja como for, esses modelos predizem alguns tipos de influência que tais universos ou dimensões extras teriam sobre nosso mundo e isso poderia ser medido, comprovando, assim, sua existência. É uma questão de tempo e técnica para sabermos se existem ou não.

07) Você acredita em vida “além Terra”? Se sim, acha que haveria uma ligação entre esses seres “extraterraqueos”, com as teorias que explicam que existem outras dimensões e realidades?

Bom, embora ainda não se observou qualquer indício, pelo próprio tamanho do Universo observável, seria muito difícil não existir vida em outros planetas propícios. Claro que isso não significa vida inteligente ou desenvolvida.

Poderíamos aplicar o mesmo raciocínio, e concluir que é provável que haja outras civilizações, o que não deixa de ser correto. A questão é o número provável dessas civilizações.

Há décadas, alguém propôs uma equação onde tal número era calculado, mas muita coisa mudou de lá para cá. Se as condições necessárias à vida já são inúmeras e bastante restritivas; ao desenvolvimento da evolução e o nascimento de uma civilização são maiores ainda.

De minha parte, diria que a possibilidade de civilizações existirem em nossa galáxia seria de uma a três, obviamente, a nossa inclusa. E nada implica em que tais possíveis civilizações estivessem mais evoluídas do que nós. Poderiam estar ou não.

Quanto a ligações de ET’s e outras dimensões, cabe aqui uma explicação. O termo “dimensões” é bastante deturpado, quando se fala em “habitantes de outras dimensões”.

As outras dimensões que os alguns modelos da Física se referem são dimensões espaciais similares às conhecidas, comprimento, largura e altura. Portanto, dizer que há habitantes em alguma dessas dimensões é tão estapafúrdio como afirmar que existem habitantes no comprimento ou na largura!

Quando se faz tal referência, o termo “dimensão” é sinônimo de “outro lugar”, algo similar a um universo paralelo.

Supondo que tais universos existissem, eles abrigariam vida? Pode ser que sim. Vida inteligente? Pode ser também.

Agora, quanto a nos visitar, bem, para mim, isso não cabe como acreditar, como crença, e a pergunta a ser feita deveria ser: há evidência de visita de formas de vida alienígenas, inteligentes e desenvolvidas?

A resposta oficial é um sonoro não, e eu particularmente não creio em teorias da conspiração, acobertamento em escala mundial, etc.

Se já fomos visitados? Pode ser que sim, afinal, há alguns poucos casos bastante complicados que envolvem os ditos ÓVNIS e que não foram explicados. Seja como for, para se ter uma posição concreta, é necessário maiores e mais claras evidências. Até lá, penso que ainda ninguém nos bateu à porta da frente.

Bom, é isso. Obrigado, Fabi, pelo espaço em seu blog. Espero que todos gostem da entrevista. E para aqueles que quiserem me contactar, basta escrever para nelson_magrini@yahoo.com.br .

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Gostei 😉 papo de doido..resrse
Sucessos!!



Nelson querido, homem culto e gentil, que união perfeita ^^

Não sabia que você, além de simpático e bom com as palavras, é também aplicado no conhecimento das complexidades lógicas!

Excelentes explanações, também sou fascinada pelo Cosmos…

Agora fiquei ainda mais interessada em adquirir seu novo livro xD

Abraços desta que o estima e admira cada vez mais,

Amanda Reznor



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