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{setembro 20, 2011}   Figuras da Literatura Brasileira

Olá, leitores!

Lembrando…

Aqui podemos discutir desde ficção até problemas políticos, sendo que o intuito é ajudá-los a conhecer melhor os escritores brasileiros!

E não se esqueçam: Manifestem-se à vontade!

Então… Vamos para entrevista dessa semana?

Leonardo Brum falando de Diamantes Azuis

Leonardo Brum é mineiro de Belo Horizonte, tem 35 anos e reside atualmente no Rio de Janeiro.

É autor de “Um Mundo Perfeito” e, nas horas vagas, vem dedicando-se à conclusão do seu segundo livro, uma história de vampiros envolvente e fora do comum.

Em suas obras ele explora as limitações humanas ante a situações incomuns e a coragem de superar os próprios medos e frustrações.

Em suma, a irrealidade que gera uma reflexão para o mundo cotidiano.


Entrevista:

1. No seu livro, “Um Mundo Perfeito”, em Pedra-Luz ansiava-se encontrar uma jóia rara, pois essa poderia realizar desejos. No mundo real, você saberia nos dizer quais são as lendas ao redor dos Diamantes Azuis? Ou quais os maiores motivos por ele despertar tanto desejo nos seres humanos em possuí-lo?

Os diamantes azuis estão entre os mais raros dentre todos os diamantes, e está, portanto, entre os mais valiosos. A razão de sua raridade está no fato de que ele possui traços de boro, o que dá a ele esta cor característica.

Em Um Mundo Perfeito, existia a lenda de que um diamante azul estaria enterrado em algum lugar na ilha, entesourado pelos piratas na virada do século passado.

Ninguém sabia dizer onde estaria esse diamante, ou se ele realmente existia. Mas veremos que a sua descoberta fez revelar a existência de anseios egoístas, amparados em inveja e ambição, trazendo às pessoas conseqüências terríveis. Ou seja, a maldição histórica do diamante também se faz presente entre os habitantes de Pedra-Luz.

Entre as lendas históricas acerca dos diamantes azuis, a mais surpreendente é a que relata a maldição do diamante Hope, com uma macabra série de coincidências que resultaram em 20 mortes até hoje a seus infelizes detentores, deixando atrás de si um rasto de sangue e morte.

Na Internet existem diversas versões a respeito do tema. Vou apresentar pra vocês um resumo dessa pesquisa que tenho feito nos últimos anos.

No ano de 1600, quando foi extraído na mina de Kollur em Golconda, índia, o Hope ainda não tinha esse nome. Era um diamante de impressionantes 112,1875 quilates. Foi roubado por um sacerdote hindu, que logo depois foi apanhado e torturado até a morte.

Em 1668, foi comprado pelo Rei Luís XIV, da França, que mandou lapidá-lo, resultando numa pedra de 67,125 quilates. Luis XIV morreu arruinado e odiado, ao mesmo tempo em que uma serie de catástrofes militares destroçaram o seu império.

O rei Luis XVI  e Maria Antonieta, que o herdaram, morreram mais tarde na guilhotina. Conta-se que um joalheiro francês, obcecado pela beleza da jóia, enlouqueceu e matou-se.

Um príncipe Russo, ofereceu-a a sua amante, mas depois a matou com um tiro. Algum tempo depois ele próprio teria sido vítima de assassinato. Roubado durante a Revolução Francesa, a jóia tornou a aparecer em Londres.

Em 1830 foi comprado por Henry Philip Hope, razão pela qual atualmente tem esse nome. Mas, toda a família morreu na pobreza. Já em1911, ajóia foi adquirida pelo magnata norte-americano Ned MClean. Nos 40 anos seguintes, o seu filho Vincent foi atropelado por um automóvel e McLean ficou financeiramente arruinado. Morreu num manicômio onde fora internado, e a sua filha faleceu em 1946, intoxicada por barbitúricos.

O diamante reapareceu na Europa em 1964, nas mãos de um contrabandista francês de nome Jean Batista, que com a sua venda obteve dinheiro suficiente para adquirir titulo e uma grande propriedade, porém o filho endividou-se tanto que Jean Batista teve que voltar á Índia para refazer a sua fortuna, onde encontrou uma morte trágica – foi despedaçado por uma matilha de cães vadios.

Somente o joalheiro americano Harry Winston, que adquiriu a pedra azul dos herdeiros da família McLean, escapou ao destino trágico. Ofereceu em1958 ajoia à Instituição Smithsonian em Washington, e lá se encontra até então.

Ainda nos dias de hoje, a produção de diamantes é controlada no mundo inteiro por alguns poucos fabricantes, o que contribui para a valorização cada vez maior da jóia e da imagem de riqueza e poder a ele atribuído ao longo dos anos.

2. Você precisou fazer alguma pesquisa a cerca dessas jóias raras antes de escrever o seu livro? Como foi?
Sim, eu criei em Um Mundo Perfeito um diamante poderoso e também traiçoeiro, mas, confesso que só depois de concluir o livro é que eu vim a saber a história do diamante Hope ou de outros grandes diamantes e suas proezas lendárias.

A partir daí é que eu comecei a estudá-los, tendo inclusive criado um Portal dos Diamantes no site, que está disponível a todos os leitores que quiserem conhecer as curiosidades sobre diamantes.

Lá podemos ver, por exemplo, que a palavra diamante vem do grego “adamas”, que significa “indomável”.

Vocês sabiam que o diamante é o mineral mais duro encontrado na natureza? Um diamante é uma estrutura maciça que, por causa da disposição tetraédrica de seus átomos, é tão duro que pode cortar até ferro. E, no entanto, é feito apenas de carbonos, por isso o chamo, no site, de “um arranjo espetacular de carbonos”. Para se ter uma idéia, o grafite também é feito apenas de carbono, e é um mineral extremamente maleável.

3. Você sabe como é o processo de valorização desse diamante? Qual você acredita que seria “o porquê e o como” de alguns serem mais valiosos do que os outros, mesmo quando comparados um diamante azul de outro?

Na avaliação de um diamante lapidado, além da cor (color, em Inglês), limpidez (clarity, em Inglês) e do peso em quilates (carat weight, em Inglês), também é analisada a igualdade de forma entre as facetas, dos ângulos entre as mesmas, da proporções entre as partes constituintes da gema e da qualidade do acabamento. Estes parâmetros são genericamente incluídos no termo lapidação (cut, em Inglês). Das iniciais em Inglês destas propriedades é formada a expressão “Os 4C da qualidade do diamante”, que denomina o tipo de avaliação mais utilizada atualmente no comércio de diamantes lapidados.

Lapidações que desviem das proporções ideais, com facetas da mesma família desiguais ou que apresentem marcas de lapidação e de polimento, perdem muito de seu valor. Quanto mais desviarem dos padrões, maior é a perda de valor.

O diamante “Amsterdan”, por exemplo, é um belo exemplo de jóia extremamente valiosa. Ele é inteiramente negro. A belíssima pedra negra tem um formato de uma pêra e possui 145 faces e pesa atualmente 33.74 quilates.

4. É complicado envolver uma jóia tão rara dentro do enredo de uma obra de literatura fantástica? E por quê?

Pelo contrário. O diamante azul é uma jóia rara, e, portanto, não está acessível à maioria das pessoas. Por isso, tal como o realismo fantástico nos proporciona, uma jóia especial como essa tem condição de criar em nós um encantamento imediato, pois percorre o imaginário sobre o que se poderia fazer com a posse de uma jóia tão rara.

Em princípio, poderíamos comprar qualquer coisa. Seríamos milionários… Mas, será que a posse de tal riqueza seria capaz de nos trazer realmente felicidade?

5. De onde veio o seu interesse por Diamantes Azuis? E de onde surgiu a ideia de colocá-los dentro de um livro? Aliás, por que Diamantes Azuis e não qualquer outro tipo de jóia?

A minha intenção era tratar sobre a questão dos desejos, e, mais particularmente, de desejos realizados. Mas, eu não queria voltar a velhos clichês como gênios e de lâmpadas mágicas.

Como a história se passa numa ilha, pensei em vincular a história de piratas mercenários que pilhavam joias de navios na virada do século passado. A escolha de um diamante e, particularmente o diamante azul, por ser mais raro que os outros diamantes, veio como uma conseqüência natural das coisas. Sua posse é o símbolo maior da pujança e do consumismo capitalista, a crença de que a propriedade traz o poder.

Nossos desejos são indomáveis como o diamante, mas, muitas vezes nos perdemos em ambições egoístas e caprichos volúveis, e acabamos pagando um preço pelas escolhas erradas que fazemos em nossa vida.

6. Poderia nos contar alguma história envolvendo diamantes azuis, ou qualquer outra jóia rara, com a qual se deparou durante a sua pesquisa e achou a mais interessante?

Uma das coisas que mais me intrigaram nas minhas pesquisas foi o fato de que a valorização do diamante vem de uma antiga e bem-sucedida campanha da empresa DeBeers, associada à limitação proposital da produção para fixar o preço da jóia e tornar o diamante uma jóia rara.

A De Beers é uma holding que detém a maior participação na produção de diamantes a nível global. Eles ainda detém a participação mais relevante nas principais minas como as da África do Sul, terrenos onde disputas sanguinárias foram travadas pela propriedade das jóias encontradas (Para mais detalhes sobre o assunto, consultar a seção “Diamantes de Sangue” do site www.leonardobrum.com.br).

Há muitos anos, a empresa idealizou uma campanha de que o “diamante é para sempre” (Diamonds are forever), ou seja, um diamante era uma forma de conservar sua riqueza para a vida inteira, e até mesmo para seus herdeiros.

Outras campanhas da mesma empresa incentivaram a consolidação do anel de diamante como anel de noivado, e, a partir disso tudo, a DeBeers criou um império vasto que até hoje controla a produção de diamantes no mundo inteiro. Grande parte dessa história pode ser conferida num livro intitulado The Diamond Invention, de Edward Jay Epstein, ainda sem tradução para o português.

Gostaria de parabenizar a você, Fabiane, pela excelente iniciativa de veicular uma reportagem sobre um assunto tão interessante e curioso. Convido os leitores a conhecer o site do livro Um Mundo Perfeito, cujo endereço é www.leonardobrum.com.br, onde se encontra o Portal dos Diamantes, um relatório sobre as pesquisas efetuadas por mim sobre esse fascinante mundo dos diamantes.

Um cordial abraço do autor

Leonardo Brum.

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