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{outubro 18, 2011}   Figuras da Literatura Brasileira

Olá, queridíssimos leitores!

Bem vindos a mais um “Figuras da Literatura Brasileira”!!

Quem ainda não sabe o que é, eis o resuminho:

Esse post é uma espécie de “coluna”, toda terça-feira coloco uma entrevista com alguns escritores brasileiros, as quais se pautam em cima dos mais variados temas escolhidos pelo próprio escritor.

Podemos discutir desde ficção até problemas políticos, sendo que o intuito é ajudá-los a conhecer melhor essas figuras de nossa literatura!

E não se esqueçam: Manifestem-se à vontade!

Encerrando e começando com a pergunta de praxe…

Então… Vamos para entrevista dessa semana?

 

Sílvia Andreotti falando de Livros que viram Filmes

 

 

A Sílvia… Uma acadêmica do Curso Superior de Cinema que sempre gostou de escrever.

É dona de uma imaginação incrível, teve sua primeira publicação em 1997, com o poema “Palavras“, no livro Divina Poesia Vol – 3 quando era aluna do Colégio Divina Providência.

Em 2005, como ex-aluna, publicou seu segundo poema no livro Divina Poesia vol – 5, com o poema “Flor de Maio“, homenageando sua mãe.

No ano de 2010, por indicação de uma amiga, publicou seu primeiro conto, entitulado “Reflexos“, na antologia “Tratado Secreto de Magia” pela Andross Editora. E em 2011 publicou seu segundo conto, “O Titereiro“, na antologia “Histórias Envenenadas“.

Atualmente está escrevendo seus futuros livros.

 

 

 

Entrevista:

 

1. Sabe-se que, além de escritora e ótima cozinheira, você também é uma dubladora. Como é a experiência de dublar uma série e/ou um filme?

Bom, Fabi. Primeiramente, agradeço o interesse no meu trabalho como escritora e como dubladora. Espero poder esclarecer algumas dúvidas.

Bem… Infelizmente, ainda não posso dizer, com certeza, como é dublar uma série, pois ainda não fui escalada para nada mais longo que um filme.

Dublar um filme, um desenho, uma animação é simplesmente mágico, pois você dá a vida a um determinado personagem, você dá as características dele com a sua voz. Você ri com ele, chora com ele, experimenta todas as suas emoções. Tanto que em muitos casos você não consegue imaginar que aquele personagem tenha outra voz, senão a sua. Eu não consigo pensar que a Hanna Montana tenha outra voz, que não seja da Tati Keplmair, por exemplo.

Então, entrar em um estúdio e dar a sua voz a um personagem épico, ou a uma princesa, ou até aos ratinhos que fazem os seus vestidos, é algo, de certo modo, indescritível. Eu saio realizada de um estúdio. É simplesmente fabuloso. Fico triste quando alguém fala que filme dublado é ruim, porque não entende toda a complexidade do ato de dublar um filme. Não sabe como é o processo de escalação, ou por que temos que falar “traseiro” em vez de “bunda”, não sabem por que mudamos determinadas frases, apesar de na legenda estar completamente diferente (aliás, é a reclamação que eu mais ouço). Não sabem que temos que bater de frente com diretores malas que acham que estão sempre com a razão, temos que encarar com a censura de tal maneira, que, infelizmente, muitos filmes acabam perdendo o sentido.

Ainda assim, dublar é fantástico.

 

2. Hoje em dia, os áudio-livros estão em alta no gosto popular. As técnicas de dublagem de um filme, na sua opinião,
são as mesmas usadas para gravar um áudio livro? Em quais das experiências você acredita que exija mais “expressão” na voz de quem dubla/lê?

Bom, serei sincera. Nunca escutei um áudio-livro. O mais próximo que eu cheguei de um, foram os comercias na TV que eu ouvi do Cid Moreira narrando a bíblia.

Bom. Não são as mesmas técnicas propriamente ditas. Pense em quando você era pequena e como a sua mãe lia uma história para você dormir. Ela fazia uma narração neutra e até dava uma entonação um pouco mais forte quando lia as falas dos personagens. No áudio-livro é basicamente a mesma coisa.

Quando se dubla um documentário (desses que passam no “The history Channel” ou no “National Geografic”) é preciso usar um tom de voz neutro, sem muitas expressões carregadas, como as que usamos nos filmes, pois não há a interpretação da personagem. É uma história real e os protagonistas estão explicando o que está acontecendo, sem qualquer emoção exagerada. A diferença é gritante entre um e outro.

 

3. O que você acha dos filmes dublados? Dê-nos a sua opinião tanto como dubladora, quanto como espectadora.


Não sei se você sabe, mas a lei diz que todo filme que vem para o Brasil DEVE SER DUBLADO E OS CRÉDITOS DAS VOZES DEVEM SER COLOCADOS NO FINAL DO FILME. Mas infelizmente não é bem assim que tem acontecido. Há filmes que vêm para cá e não passam pelo processo de dublagem, como “O Labirinto do Fauno”, por exemplo. Isso é deveras triste, pois uma pessoa analfabeta que quer ver o filme, fará só isso. Assistira a um filme em língua estrangeira sem saber o que estão falando. Eu acho que a dublagem é uma coisa boa.

Eu sempre gostei de filmes dublados, desde pequenininha. Lembro que o primeiro “filme filme” que eu assisti mesmo, com pessoas de verdade, foi “O Jardim Secreto”. Eu sempre pedia para minha mãe alugar desenhos, e um dia ela apareceu com esse filme, dublado, claro (sim, as famigeradas fitas para vídeo-cassete). E eu me apaixonei por ele, pelas vozes… E alugava toda semana. Até um dia que minha mãe levou esse filme legendado para casa. Foi horrível assistir a um filme cujas falas eu conhecia melhor que os próprios atores, em outra língua. E aquelas letrinhas que estragavam a paisagem… E o som era horrendo. Os atores falavam cantado, de um modo irritante, e as vozes eram feias. Não combinavam com eles. Foi quando eu percebi que filme foi feito para ser ouvido e assistido. Se eu quisesse ler alguma coisa, abriria um livro!

Claro que, há dublagens e dublagens! No dia em que você me ouvir dizendo “Veja esse filme LEGENDADO!” é porque a dublagem é péssima!

Infelizmente o mercado da dublagem anda cada vez mais rápido. As coisas chegam nos estúdios para serem dubladas, literalmente para ontem, então muitas vezes a escalação do profissional é infeliz, a interpretação é ruim e o diretor não sabe o que está fazendo. Juntando tudo isso resulta, por exemplo, em “Letra e Música”. Um filme que eu assisti dublado, chorando de desgosto, e assim que terminou, eu vi legendado, para ver por que estava tão ruim assim (o que faz com que as pessoas torçam o nariz para a dublagem e falem mal de um trabalho digno que, por vezes, é mal compreendido). Sem contar que, muitas vezes, o filme dublado consegue ficar muito melhor do que o original. Gilmore Girls, por exemplo (aqui traduzido como “Tal Mãe, Tal Filha”), não consigo achar a menor graça nessa série legendada, pois a Sheila Dorfman (dubladora da Lorelai, da Xena, da Monica de Friends) consegue dar entonações tão hilariantes para a personagem, que ela chega a perder a graça quando assistida em seu áudio original.

 

4. Ainda sobre filmes… O que você acha das adaptações de sucessos da literatura para as telas do cinema e da televisão? Elas ainda deixam a desejar?

Olha… algumas ainda deixam a desejar. Muitas vezes é por causa do estúdio que grava, ou do diretor, ou da verba… mas acredito que a real culpa dos filmes ruins é do escritor do livro cujo filme foi baseado, pois é ele quem dá o voto de minerva para que o filme seja rodado ou não, do jeito que foi roteirizado.

Um filme que eu achei que teve uma excelente adaptação foi a trilogia d’O Senhor dos Anéis. Eu não havia lido os livros quando os filmes foram lançados. Então, os assisti e saí do cinema satisfeita, pois o filme conseguiu transmitir as informações necessárias para um ótimo entendimento do filme. Bilbo tem o anel do mal, dá a Frodo, ele e uma galera têm de atravessar um longo caminho para destruir o anel. Ele é tentado várias vezes, o grupo se separa por alguns motivos, mas depois se junta novamente, eles destroem o anel e voltam para casa! Pronto! Não preciso saber de mais nada! Ta tudo ali!

Coraline, obra homônima de Neil Gaiman, foi uma adaptação que mexeu comigo. Apesar de partes absurdamente diferentes do livro, a animação ficou excelente. É um filme que eu não canso de ver, assim como é um livro que eu não canso de ler. Sempre que termino de ver o filme, desejo ler o livro para comparar, e vice-versa. Já perdi a conta de quantas vezes li/assisti.

Eu acho que as empresas estão se esforçando bastante para fazer uma superprodução cinematográfica digna de um Oscar, mas se esquecem do principal para muita gente, que é a história! Vamos pegar como exemplo o filme “Prince of Persia”. Os efeitos são ótimos, mas a história é completamente básica; O menino de rua que foi adotado pelo rei (apesar de essa ser a essência do jogo). Seu pai morre e ele é acusado e perseguido. Seu tio, seu confidente, (que pelas roupas, maquiagem e inclusive o nome, você já percebe que tem alguma coisa errada) tenta ajudá-lo de alguma forma que possa incriminá-lo mais ainda, e depois se revela como o vilão da história; será que mais alguém aqui notou uma semelhança com outras histórias básicas como “O Rei Leão”, “Hércules” ou “Crônicas de Nárnia – Príncipe Caspian”? O irmão / filho / pessoa-com-cargo-de-confiança invejar o trono é uma coisa batida.

 

5. Sílvia, para você quais são os pontos positivos e os negativos de se transformar um livro em filme e vice-versa?

Você lê um livro com o maior entusiasmo. Fica pensando “Noooossa, como será que vão fazer essa cena aqui? Impossível!”. Daí descobre que ele já está sendo filmado. É aí que você pira! E depois morre de medo; “O que é que vão fazer com o meu livro preferido?”

Quando você lê, você imagina mil coisas que podem acontecer. Você adoraria ser o diretor e fazer o livro minuciosamente, do jeito que você imaginou.

A balança simplesmente não vira. A cena que você imaginou pode ter ficado maravilhosa, como pode ter sido transformada no ponto alto do Top 5 do CQC.

Às vezes tem aquela cena que você lê e não consegue imaginar como pode ter acontecido e pensa que o filme irá tirar a sua dúvida (como a lendária cena das poções em “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, até hoje eu xingo o diretor por não ter colocado a cena mais esperada do livro.)

Ou, uma coisa que, mesmo fazendo faculdade de cinema, eu nunca vou conseguir entender por que os personagens acabam mudando tanto do livro para o filme. No livro a personagem tem pele negra, cabelos cacheados e olhos amarelos e quando vai para as telas, de repente ela empalidece, alisa o cabelo e ganha olhos azuis. Isso para mim é uma coisa ruim, pois te deixa perdido e faz com que você reclame mais ainda do filme.

 

 

6. Quais as obras literárias que melhor foram adaptadas para o cinema? Por quê?

Bom, como eu disse anteriormente, gostei bastante de Senhor dos Anéis, Coraline, porque mesmo sendo modificados, conseguiram se fazer entender a quem não leu os livros. Gostei muito de A Princesinha e O Jardim Secreto, apesar seguirem um rumo totalmente diferente, chegando ao mesmo final.

 

7. Quando alguém lhe pergunta: “vale mais a pena ler o livro ou ver o filme?”, o que você normalmente responde? Alguma vez você já chegou a dar uma resposta diferente?

Olha, isso é relativo. Tem gente que não tem tempo de se prender a uma leitura, então o filme é um “bom” resumo, mas eu sempre digo a mesma coisa: “Leia o livro! É mais completo, é mais interessante, o personagem principal não tem cara de banana e isso estimula a sua imaginação!”

Mas, sim, eu me lembro de três momentos em que disse o contrário. Quando assisti ao filme “O Segredo do Vale da Lua” achei muito fraco, um roteiro muito mal escrito e cheio de furos, então pensei que o livro seria melhor. Nunca estive tão errada.

Uma série de suspense que eu gosto bastante chamada “Pretty Little Liars” vem de uma coleção de livros homônimos que me foi apresentada pela minha irmã. Concordo com ela, quando diz que milagrosamente, a série é mil vezes melhor que o livro. Já no caso de Crepúsculo… Quando me perguntam, eu digo “Os dois são ruins, mas no filme o tempo de sofrimento é menor.”

Mas apesar disso tudo, como eu disse na pergunta anterior, sempre tem aquela cena que é mais visual do que literária, que fica melhor na prática do que na teoria.

 

8. Sílvia, poderia nos contar de onde veio o seu gosto por livros? E pelo mundo cinematográfico?

Olha… eu nunca gostei de ler, só queria saber de ver TV. A maioria das crianças é assim.

Um belo dia, não sei o que aconteceu, que minha mãe me deixou de castigo, sem poder assistir televisão. Eu sempre obedeci, mesmo que ficasse sozinha em casa, minha consciência não me permitiria desobedecer. Mas esse dia ia passar um episódio de uma série que eu amava e pensei “Ah, mas é só por meia horinha…”, depois eu continuaria o meu castigo. Mas alguém devia estar pensando em alguma coisa maior para mim, porque a casa estava sem energia aquela tarde, logo, eu não poderia ver o meu programa…

Quando se é criança, a escola sempre sugere um livro para a classe ler, pois fazem provas em cima da obra escolhida. Lembro-me de que o livro em questão era “A Ilha Perdida” (Maria José Dupré).

Como eu não podia assistir ao meu programa, pensei em ler o livro pedido pela escola. Sentei-me em minha cama e comecei a ler.

Três horas depois eu fechei o livro, pensando em tudo o que eu perdi por ter preguiça de ler. Foi quando eu descobri que ler é fantástico. Meu pai me deu o meu primeiro livro, chamado “Grandes Vidas, Grandes Obras”, lindo. Antigo, capa dura, papel acetinado, quinhentas e quarenta páginas. O livro era dele e ele passou para mim, e eu me arrependo profundamente por não ter conseguido lê-lo, pois ele ficava guardado na edícula da minha casa. Um dia choveu muito forte e lá acabou inundando e estragou o livro. Não tinha salvação. Agora eu não acho mais esse livro para vender.

Depois disso eu passei a gostar mais e mais de leitura e decidi que teria uma biblioteca em minha casa. E agora eu tenho, inclusive, há quatro livros lá com coisas que eu escrevi. Dois contos e dois poemas. Estou muito feliz com o rumo que as coisas estão tomando.

 

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Sílvia says:

Ai que orgulho de mim!! *-*
Eu reparei que você deu uma podadinha no que eu falei… Ainda bem que eu parei de falr ahiauhuehaiu 😄
Mas se deixasse, teria varado umas 5 ou 6 laudas 😄
Obrigada, amor…. adorei fazer a entrevista.^^
Espero ter sanado algumas dúvidas a respeito de filmes, livros e dublagem^^
Se cuida
=********



Minha amiguinha mais preciosa! Adorei essa entrevista! 😀



Entrevista realmente muito boa…
A Sílvia é incrível…
Parabens pelo ótimo trabalho…



Bárbara says:

Realmente são poucas coisas que consigo assistir dubladas, mas “Tal mãe, Tal filha” tenho que concordar com a Sil, gosto daquela dublagem e assistir o legendado é bem diferente. Outro ponto que se destaca é que realmente deveriam dar mais valor aos dubladores, não deve ser fácil mesmo.
Parabéns Sil e espero que continue transmitindo a importância da dublagem e um dia assistirei a um filme/série da qual você dublou!



Bela entrevista, e me motivou mais ainda para ser dublador, obrigado Silvia.



Saudades de moca linda! i.i



Dricca says:

Linda, linda, linda!!! Minha irmã toda divosa na entrevista e… e… Síl falou de mim *o*



curioso constatar que kratos busca nada menos que o assassinato de figuras imortais dentro da mitologia grega.



Brigiida *0* says:

Silvia, parabéns *0*, seu português é impecável , coisa que não vemos hoje em dia, não sabia que tu tinha feito livros *0* estou louca pra ler um *-*



Di Acordi says:

“(…)no caso de Crepúsculo… Quando me perguntam, eu digo ‘Os dois são ruins, mas no filme o tempo de sofrimento é menor.’ ”

*APLAUSOS EUFÓRICOS*

Adoreeeei a entrevista, Silvia, parabéns!! bjs



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