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{outubro 25, 2011}   Figuras da Literatura Brasileira

Olá, leitores!

Bem vindos a mais um “Figuras da Literatura Brasileira”!!

Acredito que a essa altura, quem costuma ler o “figuras” já sabe o que é… Contudo, vamos supor que novos leitores tenham aberto o meu blog… Então… Para quem ainda não sabe o que é, eis o resuminho:

Esse post é uma espécie de “coluna”, toda terça-feira coloco uma entrevista com alguns escritores brasileiros, as quais se pautam em cima dos mais variados temas escolhidos pelo próprio escritor.

Podemos discutir desde ficção até problemas políticos, sendo que o intuito é ajudá-los a conhecer melhor essas figuras de nossa literatura!

E não se esqueçam: Manifestem-se à vontade!

Então… Vamos para entrevista dessa semana?

James Andrade falando sobre O Futuro dos Livros (e-books, tablets, etc…)

 

 

James Andrade nasceu em 1967, na cidade de Aparecida d´Oeste no Paraná.

Desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura.

Fã de cinema, HQs e literatura de terror, sempre teve predileção por histórias que se aventuravam pelos tortuosos caminhos da religião e do misticismo.

É historiador e pesquisador de história antiga e medieval.

E é o autor do livro Getsêmami a Verdade Oculta e participou do livro Anjos Rebeldes.

 

 

 

Entrevista:

1. Nesse “novo mundo moderno”, digitalizado e virtual, já se proclamou muitas “mortes”, uma delas foi a morte do livro convencional, ou seja, do livro impresso. Você acredita nisso?

Sim. E não.

O livro continuará existindo, tal como conhecemos hoje, talvez até mesmo melhor acabado; o que estamos assistindo é o nascimento de algo novo, uma nova mídia, que poderíamos chamar de “papel virtual”, e esta novidade, a meu ver, veio para ficar, mas não será a Nêmesis do livro.

O que tem que ficar esclarecido é que livro é um produto de editora, não de autor – assim como o CD, e o jurássico vinil, eram produtos de gravadoras, não de músicos – o “livro digital” se propõe a matar esta relação, injusta, onde a editora, mera atravessadora de um produto, detém poderes régios, que extrapolam, em muito, o monstro chamado mercado.

Um exemplo disso é pensar que a editora, ou o senso comum delas (caso tenham), ao escolher (ao puro gosto – duvidoso – pessoal) aquilo que publicarão definem o que o leitor irá consumir.

Onde está a liberdade já que você não lê aquilo que gosta, mas sim aquilo que está disponível?

O livro digital será, em breve, uma overdose de liberdade que condenará ao limbo o tal mercado editorial.

2. A Internet é um recurso interessante, muitas vezes extremamente importante. E hoje, com os e-books, e-readers e tablets espalhados por aí, você acredita que ela, juntamente com esses avanços tecnológicos e virtuais, poderia substituir a emoção de folhar páginas e páginas em uma leitura envolvente?

Isso é algo que tenho ouvido muito, que sugere que o livro não é só a história nele contida, mas uma soma entre esta e o papel (algo que não acredito), livro é só seu conteúdo enquanto leitura, tanto que um livro esquecido na estante não é um livro, é mero alimento de traça. O que nos envolve é a obsessão do Ahab e não a edição de Moby Dick que estamos lendo.

Quanto à pergunta, você se lembra da superfície brilhante e do cheiro inebriante de um LP novo?

Do ritmo hipnótico das teclas de uma máquina de escrever escavando o papel enquanto dava vida a um texto? Não?

Eu me lembro, mesmo assim o prazer de produzir uma obra continua inalterado, e faço isso digitando e ouvindo mp3.

3. Se os livros estarão disponíveis na íntegra na web como e-books, sendo que poderão ser facilmente transportados em tablets, como ficarão as vendas dos impressos se, futuramente, qualquer um poderá baixar os livros que quer ler?

A venda de impressos continuará como sempre deveria ter sido: uma questão de escolha. O consumidor que quiser um objeto de desejo pagará caro por ele e ficará feliz com seu “precioso”.

O que não pode continuar é a situação que temos hoje, na qual temos que pagar caro pelo conteúdo, sem opções. Livro é caro, se queremos ler temos que pagar o preço estipulado, isso é um absurdo.

A meu ver o conteúdo tem que ser barato, se alguém quiser o conteúdo embalado em páginas trabalhadas e capa dura que pague por isso, mas aquele que deseje somente a história merece a opção de pagar menos, o “livro digital” é esta opção. Digo isso não por ser um crítico do Capitalismo ou outra baboseira dessas, mas sim por um senso prático, o livro hoje, como disse antes, pertence à editora, que junto com a livraria ficam com cerca de 90% do valor de capa de um livro.

Para o autor o livro (ou seu conteúdo) vale apenas algo em torno de 10% do valor de capa. Agora imagine uma situação em que o autor possa eliminar os atravessadores e vender seu produto diretamente ao consumidor por, digamos, 20% do valor. O leitor pagaria bem menos e mesmo assim o autor ainda estaria lucrando 10% a mais do que antes, ou seja, o dobro.

Percebe agora a quem o “livro digital” ameaça?

E olha que ainda não toquei na ferida que é a máfia dos livros escolares, hoje temos os didáticos, paradidáticos, jornais, revistas, literários, apostilas, cadernos e um sem fim de ralos (mais deles) por onde escoa o dinheiro público, que desaparecerão como num passe de mágica ao se introduzir os tablets nas escolas. Um tablet por aluno no início do curso, o resto é só downloads.

4. E James, como ficariam os escritores com o avanço da Internet? Ela seria um futuro perigo para a profissão? Ou
seria apenas uma alternativa a mais para os leitores ao invés de uma ameaça aos escritores?

A Internet é uma ameaça a qualquer stablishment, uma nova esfinge com a velha questão: decifra-me ou pereça.

Poucas coisas resistirão à investida dos novos paradigmas criados pela rede mundial.

Particularmente acho a Internet uma invenção maravilhosa (livre e caótica tal como era antes, repudio qualquer tipo de normatização de rede, ela deve continuar a ser “terra de ninguém”), gosto dela porque, em sendo uma mídia de comunicação underground, é e continuará sendo o lugar do grátis, do barato e da cópia. Por mais que se busque transformá-la em “mais uma mídia a serviço do mercado” não conseguirão.

A essência da Internet é a distribuição gratuita ou, quando muito, barata. Nada muito caro sobrevive na rede. Assim sendo ela ameaça muito mais o mercado do que a produção.

Para os atravessadores é sempre ruim, todos serão obrigados a mudar radicalmente suas estratégias de vendas, sob risco de saírem do mercado. Para aqueles envolvidos na produção a Internet é uma faca de dois gumes, onde os “pró” levam ligeira vantagem sobre os “contra”.

Foi assim com a música, o mercado de CDs foi deveras abalado com o mp3, por outro lado muitos músicos, que antes nunca poderiam sair do anonimato puderam mostrar seu trabalho, tirando das gravadoras o poder de decidir sobre o que é “bom”. Creio que este seja um aspecto positivo, a rede mundial abriu um universo de possibilidades e deu abertura a uma infinidade de novas pessoas mostrarem sua produção.

Para o consumidor isso foi ótimo, “nunca antes na história do mercado musical” ele teve tanta opção de escolha. Já para quem produz nem tanto, se de um lado a divulgação na rede era mais democrática, por outro a concorrência aumentou, e muito. Pois é lógico que a abertura cobrou um alto preço, que foi justamente a fragmentação do mercado.

Como sobreviver em meio a tanta opção?

Eis a questão.

Cabe a cada um responder.

Na Literatura, que sofrerá do mesmo mal quando da popularização do “livro digital”, aposto naquilo que sempre fez a diferença: o talento. E uma boa dose de sorte. Em suma a Internet é para mim uma incógnita, nem boa nem ruim, só nova.

5. Livros impressos e e-books… Você acredita que seria possível dizer que muitos vêem essa relação como uma “guerra” entre dois meios de literatura, que disputam espaço entre os leitores no mercado? Ou que já se tornou uma relação amigável, onde um se torna “uma opção do outro”?

Não há nada de amigável na disputa entre livros impressos e e-books, pelo menos não do lado das editoras e livrarias. A guerra é sangrenta, mesquinha e torpe, pois está em disputa o próprio mercado e o e-book leva uma vantagem imensa. É barato.

O único trabalho na produção de um e-book é o do autor em escrever o livro, o resto é infinitamente mais barato que o livro impresso. E é justamente neste ponto que a disputa assume ares de vilania. Editoras e livrarias, sem nenhuma justificativa, insistem em manter os preços de “livros digitais” nos mesmos patamares dos impressos, em média o e-book é vendido por 90% do valor do impresso. A meu ver um abuso. Quando muito um e-book deve custar em torno de 20% de um impresso.

O preço abusivo praticado pelos livreiros é justamente para desacreditar a nova mídia, tentando criar a imagem de que é algo caro e “virtual”. O e-book é tão virtual como a música e a fotografia o são hoje em dia, agora dizer que é caro só pode ser brincadeira. No mundo todo a disputa está nestes termos, sem esquecer o martelar insistente por parte dos livreiros na idéia do prazer de “sentir as páginas”. A disputa é acirrada, mas acho que está perdida, num futuro próximo o “digital” será o padrão, e o impresso a opção cara.

6. Você acha que alguns escritores conseguem ver a internet e seus novos recursos como uma escolha a mais para publicar suas obras? E quanto aos acessórios (ex.: tablets)?

A Internet é algo relativamente novo, e que muda a cada dia, portanto a nova geração está mais familiarizada com ela, para os mais antigos ela ainda é “uma cria de um forno de microondas com uma TV”.

No geral a Internet é uma ferramenta indispensável, de infinitas possibilidades, acredito que inclusive para a Literatura, pena que ainda não descobri uma maneira de usufruir deste potencial. NetMarketing é uma palavra vazia, redes sociais estão agonizando e o Twitter (fora os jornais) é uma chatice.

Espero que com o “livro digital”, um produto barato e de grande apelo de distribuição, a rede deixe de ser um potencial para se tornar uma realidade.

Quanto ao tablet acredito que seja uma revolução, algo como a re-invenção do próprio computador, ele significa a concretização da promessa de conectividade.

A viabilidade do e-book está diretamente relacionada com a popularização destes equipamentos. Estamos vivendo um daqueles momentos ímpares da história, acredito que o tablet seja tão relevante quanto a imprensa de Gutemberg, e que aliado a uma Internet livre represente a verdadeira democratização da informação, algo de que a sociedade brasileira não pode abrir mão, sob o risco de perder, mais uma vez, o bonde da história.

Obvio que no Brasil é uma promessa parcialmente atendida devido aos inúmeros gargalos existentes, nós temos uma Internet medíocre e uma telefonia fuleira, que oferece serviços de quinta categoria com preços de excelência, junte a isso nenhum incentivo a inovações tecnológicas e impostos escorchantes e teremos uma realidade onde um tablet é uma ferramenta futurística em plena Idade Média, mas o tablet, assim como o “livro digital”, são promessas de futuro.

Bom é que na velocidade em que o mundo avança o futuro é amanhã. Quando o tablet for tão comum quanto o celular é hoje o livro impresso será coisa do passado.

7. E quanto aos novos escritores? Acha que eles ganham alguma vantagem com as novas tecnologias?  E a internet pode vir como uma ajudinha a mais na hora de publicar livros?

Vantagens propriamente ditas eu diria que não, já que as inovações tecnológicas estão disponíveis para todos, o que posso afirmar é que hoje é muito mais viável a publicação de um livro do que era a 10 ou 15 anos atrás.

A sofisticação das gráficas nos últimos tempos barateou sobremaneira o custo de produção do produto livro, pena que esta redução de preços não chegou ao consumidor final, o livro continua tão caro quanto antes. Se por um lado ficou mais simples ter sua obra publicada, por outro a concorrência aumentou, na média pouco mudou.

Publicar ficou mais fácil, vender continua difícil. Para alguém comprar um livro é necessário, no mínimo, que ela saiba que ele exista. A divulgação é, e continuará sendo, o maior problema de um escritor em início de carreira. O escritor novato fica a mercê de um mercado que tem uma lógica toda própria, que vai desde a escolha do que será publicado até a criação de uma “moda literária”: bruxinhos adolescentes, vampirinhos sensíveis, anjos burgueses, etc.

No caso do Brasil a tal moda nem é criada aqui, vem de fora, junto com uma maciça máquina de propaganda já testada, que já se pagou no país de origem, e que muitas vezes incluem até mesmo filmes hollywoodianos, contra a qual a disputa é impossível, uma vez que não há no país veículos de divulgação de cultura de grande porte capazes de fazer frente a este aculturamento selvagem.

Resta ao escritor novato acreditar que a Internet seja uma ferramenta capaz de divulgar sua obra adequadamente, sem esquecer que a rede mundial é uma janela aberta para um universo.


8. Acredita que as editoras e livrarias deveriam se preocupar com o avanço da internet? E quanto ao controle sobre quem consegue baixar livros pela internet? Acha que pode ser preocupante? Afinal, direitos autorais sobre as próprias obras todos têm, no entanto, será que haverá um controle sobre quem baixa livros?

Da Internet não, já que estão bem adaptados a ela, principalmente as livrarias, o que deve sim tirar o sono deles é a popularização doa tablets, e conseqüentemente dos e-books, isso sim causa pesadelos.

Quanto ao controle dos livros baixados pela rede ela não existirá, como hoje não existe sobre as músicas, filmes, séries, imagens, programas e tudo o mais que está disponível na rede, portanto não me preocupo com isso. O compartilhamento de arquivos faz parte da essência da Internet e não mudará nunca (pelo menos torço para que não mude).

No caso de e-books acredito que o preço deva ser tão baixo que desestimule a pirataria. Se um DVD original custasse R$ 5,00, duvido que alguém pirateasse. Fato é que o DVD não pode custar só isso, sua rede de produção, distribuição e venda são por demais caros, elevando o preço final. Já o e-book não, é de baixíssimo custo de produção e a distribuição é por downloads, portando o custo final pode ser baixo e mesmo assim manter a margem de lucro do autor, afinal ele é o único que realmente produz em todo o processo.

Por outro lado é sempre bom lembrar que a rede mundial não é confiável, é uma terra sem lei, onde a ética de cada um é a única orientação.

Agora, imagine que você ficou sabendo, pelo seu tablet, que seu autor preferido acabou de lançar um livro que custa R$ 7,00 e que você pode comprá-lo ali mesmo onde está, digamos no ônibus, e recebê-lo no mesmo instante, você iria esperar até que alguém, não confiável, fizesse uma cópia, muitas vezes incompleta, e disponibilizasse de graça em um site suspeito? Eu não.

9. E quanto a você, James? Você usa a internet ao seu favor no que diz respeito ás suas obras? Como é a sua relação com ela?

Sou fascinado pela Internet, mesmo ela sendo uma droga na minha casa, a qualidade é péssima, mesmo assim considero uma ferramenta indispensável nos dias de hoje. Assim sendo posso dizer que nossa relação é de amor e ódio, ultimamente mais ódio.

Sempre que posso procuro divulgar meu trabalho e aproveito todas as oportunidades que aparecem para falar sobre ele, como esta entrevista, que, diga-se, adorei conceder, comentar sobre Literatura e os caminhos que o futuro reserva para esta nobre arte é sempre um prazer, compartilhar minha visão de um tempo onde não só o acesso à Literatura, mas a todo e qualquer tipo de informação é verdadeiramente democratizado renova minhas esperanças de que dias melhores virão. Que não demorem.

10. Você possui sites, blogs e a fins para divulgar seus trabalhos? Se sim, quais? E já possui algum livro em forma de e-book?

Como disse minha Internet é muito ruim, por isso não mantenho um blog pessoal, é mais fácil me encontrar nas redes sociais, estou no finado Orkut e no adoentado Facebook, também sigo algumas pessoas no Twitter (@andrade_james).

Quanto aos “digitais” meu livro “Getsêmani, a verdade oculta” (Giz – 2008) pode ser encontrado no site da Editora Giz (www.gizeditorial.com.br) em formato PDF, já o livro impresso está disponível na Saraiva e em outras livrarias, bem como nas livrarias virtuais. O livro de contos “Anjos Rebeldes” (Universo – 2011), do qual participo, ainda não teve lançamento em mídia digital, o livro impresso está disponível na Cultura e demais livrarias, bem como no site da editora (www.universoeditorial.com.br).

Para o início do ano que vem (2012) será lançado “Os 7 Portais” pela Editora DragonFly. O livro será lançado em formato impresso, e-book e demais mídias (sendo que as mídias digitais custarão no máximo 20% do valor de capa do impresso). E também terá lançamento simultâneo em inglês na Apple Store.

 

 

Agradeço por demais à Fabiane pela oportunidade de participar da coluna Figuras da Literatura Brasileira e falar sobre e-books, tablets, Internet, editoras, livrarias e demais envolvidos neste universo tão fabuloso que é a Literatura. Obrigadão Fabi, até a próxima.

James Andrade.

andrade.james@gmail.com


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