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{março 5, 2012}   Causos de um nascimento

Causos de um nascimento…

…do meu Nascimento!

 

 

 

Este causo aconteceu há 23 anos. Eu não me lembro dele e nem poderia! Mas, me contaram e confirmaram que de fato aconteceu.

No final de 1988, mais especificamente no dia 18 de novembro, eu nasci. Era uma ótima noite de sexta-feira. E quando vim ao mundo já era por volta das 22h30min.

Ainda bem que a minha mãe nunca foi uma “baladeira”. Sorte a minha!

Ou melhor…

Sorte nisso e azar no fato de ela ser uma incorrigível viciada em limpeza e faxina!

Minha amada mamãe, como uma boa e exemplar administradora do lar, resolveu, justamente naquele dia do oitavo mês de gravidez, fazer uma arrumação geral na casa.

Nossa antiga residência era pequena, porém grande demais para uma mulher grávida limpar!

A faxina, pelo o que me parece, durou quase o dia inteiro, sendo que minha mãe se colocou no direito de também lavar a parte externa das janelas do segundo andar, para desespero de nossa antiga vizinha.

A altura era fatal para ela e principalmente para mim, um feliz bebê no ventre de sua mamãe. Contudo, mesmo a ameaça sendo obvia, ela continuou a ficar sentada no parapeito, inclinando-se perigosamente ao passar o pano em todos os cantos do vidro.

E a aventura não parou por ali. Naquele dia ela fez questão de limpar e lavar cada canto daquela casa; de carregar cadeiras, baldes e afins; de andar para cima e para baixo em escadas… Não é a toa que a bolsa amniótica, onde eu me encontrava, estourou!

Após toda aquela faxina pesada, a minha mãe tomou um refrescante banho e foi se deitar em um descanso revigorante no sofá, diante da televisão, na qual estava passando a sua tão merecida novela “das 8”.

Assim que se deitou, sentiu algo escorrer pelas pernas. Em sua inocência, acreditou se tratar de xixi!

– Nossa! Eu estava tão apertada assim e nem percebi? – comentou, indo até o banheiro para se limpar.

Enxugada e sequinha, voltou para a sala. Estava ansiosa para ver o último tão esperado episódio de sua novela.

Foi quando voltou a sentir algo molhado entre as pernas. Estranhando a frequência com que escorria, passou a mão e percebeu que aquele líquido era um pouco espesso e com alguns pedaços translúcidos e viscosos.

– Acho que a minha bolsa rompeu! – pensou, levantando-se devagar e indo até a janela da sala de jantar, a qual dava de frente para uma das janelas da casa de minha tia, na época, uma de nossas vizinhas.

Naquele tempo, não tínhamos telefone em casa e a única forma de se comunicar com o meu pai era pedindo para que um de nossos vizinhos telefonasse por nós.

– Sônia! Sônia! – minha mãe chamava.

Após alguns minutos, minha tia apareceu.

– O que foi, Solange? – parecia, segundo minha mãe, um tanto surpresa. Afinal, todos ali sabiam da gravidez avançada e um chamado tão insistente vindo dela nessa ocasião sempre surpreendia a quem ouvia.

– Minha bolsa estourou, você pode ligar para o Sérgio e avisar?

– Mas, você está bem?

– Estou sim. Só pede para ele vir me levar para o hospital e avisar para a médica também.

– Já volto! – deu-se por encerrada a conversa entre janelas.

Não sei ao certo se foi exatamente essa a conversa que me foi narrada, contudo, acredito ter sido bem parecida.

Enquanto minha tia telefonava, minha mãe andava tranquila pela casa, buscando os apetrechos, acessórios e roupas para a ida e saída do hospital.

– O Serginho já está vindo! – avisou minha tia, após entrar esbaforida dentro de casa.

– Tá bom. – continuava a arrumar as malinhas do bebê e dela.

– Solange, como você pode ficar tão calma numa hora dessas? – minha tia estava mais do que pasma com a tranqüilidade da minha mãe, diante da situação que já a deixava tão ansiosa!

Depois de um tempo, não me recordo quanto, meu pai chegou em casa. Pegou minha mãe, se despediu de minha tia e correu para o hospital.

Visto que eu era a primogênita e, portanto, a primeira experiência paternal, meus pais se encontravam relativamente calmos demais!

Assim que chegaram ao hospital, deram de cara com uma médica preocupada e toda uma equipe já pronta para realizar o parto.

Inicialmente, a minha mãe queria me oferecer um parto normal, porém, assim que a doutora lhe explicou os riscos de eu supostamente estar com o cordão umbilical enrolado ao redor de meu pescocinho, minha mãe logo mudou de idéia. Seria uma operação cesariana!

Afinal, imaginem um inocente bebê, pacificamente boiando em fluídos amnióticos e protegido dentro de sua mãe; de repente passar por movimentos tão bruscos que poderiam lhe parecer como terremotos; e ter seu precioso espaço alterado para algo menos liquido e totalmente estranho… Não ficariam agitados e confusos?

Pois bem… Foi assim que eu fiquei!

E por esse motivo, dentre meus movimentos erráticos, poderia ter me enroscado em meu próprio cordão umbilical.

Dentro da sala de cirurgia, era o anestesista quem fotografava os procedimentos de meu parto. Os cortes, os cuidados, os meus primeiros vestígios pelo mundo…

Contudo, a sessão fotográfica precisou ser interrompida por devido a um fato importantíssimo. Havia algo de errado na anestesia que estavam aplicando em minha mãe.

E entre a vida dela e as fotos, obviamente, o especialista optou por minha mãe. Ainda bem, não é?

No fim, tudo ocorreu bem. Minha mãe, um “tanto” grogue, ouviu meus primeiros choros, me segurou nos braços e sentiu como era se sentir drogada! O anestesista voltara a bater algumas fotografias e depois ajudará com os procedimentos finais da cesárea.

Assim que saiu da sala e foi para o quarto, minha mãe ouviu o meu pai perguntar: “pode abrir?”

Ela o viu com a câmera fotográfica já em mãos e, ainda se sentindo torpe e chapada, respondeu um inocente e impensado “pode”.

Meu pai realmente abriu a máquina e, consequentemente, queimou todo o filme que registrava o meu nascimento.

Naquela época, era preciso rebobinar os filmes fotográficos que eram colocados dentro da máquina, antes de abri-la, pois, caso contrário, expostos a luz eles queimavam todos os registros ali gravados.

No fim das contas, eu nasci como uma saudável garotinha, um pouco prematura, de um parto precocemente causado por uma grande faxina doméstica, de uma consequente bolsa rompida, de um procedimento cirúrgico abarrotado de anestésico, e sem registro algum do nascimento.

E ainda me perguntam o porquê de eu não gostar de fazer faxina em casa, de viver sonolenta e gostar de fazer tantos registros fotográficos de quase cada momento da minha vida!

Essa sou eu!

Essa sou eu!

 



solange says:

minha querida e amada filha, adorei…te amo…esse momento ficará em meu coração.



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