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{abril 2, 2012}   As Guardiãs da Fênix – O Começo!

Um tipo de… Começo

 

 

Os Pontlagua sentiam-se, se possível, as pessoas mais felizes no mundo naquela estrelada e iluminada noite, pois, sob a benção do luar, nascera a tão esperada e especial garotinha.

Viera à vida mais uma mulher capaz de fazer a ligação entre dois fantásticos mundos. O mundo humano e o mágico. O nome desta pequenina?

Lilith Pontlagua.

Esta especial criança, com certeza, será a responsável por levar muita alegria e novidade para aquela incomum família e muita aventura e confusão para esta história.

Dia 18 de Novembro de 1988.

 

 

 

 

 

Sempre aos Dezoito Anos…

 

 

 

– A nossa pequena garotinha está fazendo aniversário! Já tem 18 anos! PARABÉNS! – Suélen Pontlagua transmitia um ar de alegria contagiante. – Já é uma adulta… – comentou com nostalgia.

– É… Como o tempo passa rápido! Parece que foi ontem que ela deu seu primeiro suspiro para o mundo! – Selso Pontlagua, ao contrário do ar alegre da esposa, apresentava um de desdém.

No entanto, isso não significava que ele não se sentisse feliz pelo aniversário da filha, ao contrário, ele estava deslumbrado com o evento. O único problema era que Selso parecia estar anestesiado por causa da breve noção que tivera da rápida passagem do tempo.

– Ei, pai! E eu? Quando foi o MEU primeiro suspiro para o mundo? Por que você e a mamãe não falam esse tipo de coisa quando EU faço aniversário? – o pequeno Elyandro Pontlagua, de apenas treze anos, sentia-se enciumado pela irmã. Contudo, ele não sentia ciúmes somente por causa da atenção dos pais, mas por causa de outro motivo também.

E antes que Selso pudesse dizer algo, uma magnífica e elegante águia voou janela á dentro e pousou no ombro de Lilith com toda a graça que este animal é capaz de ter. Ela era o animal de estimação da família. Lilith a havia encontrado quando ainda era um filhote, durante as férias de julho com sua família no Canadá. O ninho do pobre animalzinho havia sido destruído por causa de um terrível vendaval e não havia sinal dos pais do filhote. A garota o adotara e Suélen e Selso a ajudaram a criar. Elyandro a ajudará a brincar e dar um nome ao animal: Luka.

_ Veja, papai! A Luka voltou! – o pássaro estava sumido há uma semana e reencontrá-lo no dia de seu aniversário, deixou Lilith extasiada. – Ué… Mas… – puxou uma pequena fita do pé do animal. – O que é isso aqui? – havia algo escrito na tira de pano roxa. – Aqui ta dizendo que eu fui aprovada em Fantasy… – olhou com curiosidade para os pais. – Que lugar é esse?

Selso e Suélen se entreolharam cúmplices e sorriram maravilhados para a filha.

– Querida… Você sabe o que uma wiccaniana? – Suélen passou o braço pelos ombros da filha e os apertou, tomando cuidado para não assustar Luka.

– Wiccaniana? Não… Eu sei o que é uma Wicca… – estava confusa. – Por acaso você não quis dizer Wicca ao invés de Wiccaniana, mãe?

– Não filha… Sua mãe disse certo… – Selso sentou-se no sofá e sorriu para a garota. – Você sabe que desde pequena é diferente das demais crianças, não é uma garota qualquer… – continuou a sorrir. – Você sabe que a nossa família tem um dom especial… É mágica!

– Ok… Certo… Vocês piraram? – Lilith sorriu em deboche.

– Se estamos loucos? Quem é que acabou de receber uma carta, vinda de uma águia, que tem como remetente uma universidade chamada Fantasy? – Selso retribuiu o sorriso da filha. – Quem está pirando mais? Eu e sua mãe quem apenas mencionamos a palavra mágica, ou você que anda recebendo coisas bizarras?

– Isso tá parecendo coisa de Harry Potter. Tem certeza que vocês não andaram assistindo muito aos filmes não?

Suélen e Selso lançaram-lhe um olhar mais sério e Lilith ficou quieta. Qualquer que fosse o rumo daquela história, pelo visto, não iria terminar em uma brincadeira.

– Tá… Então continuem a explicação. – sentou-se ao lado do pai.

– Como eu e sua mãe dizíamos… – acomodou-se no sofá. – Somos uma família especial, diferente das demais que possuem apenas o mínimo de mágica.

– E o que seria esse mínimo de mágica?

– Ah… Seriam aquelas coisas de paranormais, sexto sentido, espiritismo, e afins… – Suélen passava os delicados dedos sobre os cabelos bagunçados do filho. – Coisas que hoje em dia, até que são consideradas normais, aceitáveis pela maioria…

– Então, de um certo modo, nós não somos normais e nem aceitáveis pelo visto… – Lilith acariciava Luka, que parecia começar a ficar impaciente em seu ombro.

– Eu disse que somos especiais e não anormais! – Selso sorriu divertido com a análise. – Pois, então… Pessoas que possuem mais mágica do que a maioria são chamados de wiccanianos.

-Em Harry Pottereles são chamados de bruxos mesmo…

– Quer parar de falar de filmes, por favor? – Suélen encarou a filha da maneira autoritária que somente as mães conseguem fazer.

– E se eu estiver falando dos livros? – provocou. Mas, assim que viu a mãe começar a abrir a boca para lhe dar uma bronca, a garota ergueu as mãos em sinal de trégua e voltou a olhar para o pai. – Mas, to errada em comparar a nossa vida com a dos livros de J.K.Rolling?

– Até que não… – cedeu pensativo. – A escritora conseguiu, de alguma maneira, incorporar nas obras dela parte do nosso estilo de vida… – Selso relaxou o corpo e passou a mão sob o queixo. – Me pergunto se ela pode ter ligação com o mundo wiccaniano… – sussurrou ainda absorto.

– Selso, acho que isso não vem ao caso agora… Essa explicação esta demorando muito, não esta? – comentou, tentando apressá-lo e tirá-lo de seus devaneios.

– Ok… Certo… – concordou, balanço a cabeça para tentar afastar os demais pensamentos. – Voltando ao raciocínio… Como você disse, filha, Harry Potter tem muita coisa a ver com o nosso mundo. E Fantasy seria como aquela escola que eles vão no filme…

– Hogwarts?

– É… Isso… – não sabia se esse era mesmo o nome certo, pois não era muito fã de literatura, mas, ele sabia que a filha o era e por isso, tudo o que ela dissesse referente à livros e palavras, provavelmente estaria certo. – Só que Fantasy é mais como uma universidade ao invés de escola, sabe? Lá, você vai aprender o básico no primeiro ano e depois, as coisas começam a se complicar…

– Vou ter que entregar algum TCC no final do curso? – Lilith perguntou pesarosa.

Pelo o que ela sempre ouviu falar, os TCC’s eram os responsáveis pelos piores pesadelos de jovens universitários. E se eles já eram ruins em cursos “normais”, não queria nem imaginar como eles seriam em cursos que envolvessem magias.

– TC… O quê?

– TCC, pai. – revirou os olhos, impaciente. – Você sabe… Trabalho de Conclusão de Curso. Aqueles trabalhos monstruosos e complicados que universitários são obrigados a entregar no final do curso, para conseguir se graduar.

– Ah sei… – mordeu o lábio.

Selso não gostava de abreviações. Sempre se atrapalhava com elas, a menos que fossem termos voltados para política. Ele gostava de política e por isso, considerava fácil guardar as siglas.

– Bom… Você será avaliada na prática.

– Na prática? – arregalou os olhos assustada e confusa com a resposta do pai. – E o que seria essa “na prática”?

– Conjurar feitiços, preparar poções, quebrar maldições, defender-se de ataques mágicos. Essas coisas… – respondeu como se tudo aquilo fossem coisas naturais de se fazer.

– Hum… – agora Lilith considerava os TCC’s as coisas mais fáceis do mundo de se lidar.

– Mãe, pai… Por que vocês nunca falaram nada disso antes, nem para mim e nem para a Li? – manifestou-se Elyandro, que até então, vinha prestando atenção à conversa.

– Aaah, filhinho… É porque nós havíamos optado por educá-los no mundo humano e não queríamos que vocês criassem complexos por serem de um mundo diferente dos seus amigos… – Suélen abraçou o caçula da família. – Então, esperamos até o momento em que um de vocês dois tivesse um contato mais marcante e irreversível com o nosso mundo… O que foi o caso da Lilith. – olhou para a filha com um sorriso divertido no rosto. – Não tem como ignorar e dispensar uma carta vinda de Fantasy!

– Pois é… – concordou a garota, ainda tentando digerir toda a informação que seus pais havia lhe dado sobre a sua verdade identidade.

– E por que vocês decidiram nos criar assim? – o caçula continuava intrigado.

– Bom… Digamos que o que aconteceu com o primo de vocês, já havia acontecido antes com um primo meu. Foi muito traumatizante para todos nós e… Eu e o seu pai decidimos nos afastar um pouco de nosso mundo por causa disso. – sua voz estava baixa e pesarosa.

Lilith sentiu a amargura da mãe e se juntou ao clima tenso que havia impregnado a sala. Ela amava seu primo. Os dois, praticamente, eram unha e carne. O assassinato misterioso de Bruno a havia derrubado em um abismo sem fim. A wiccaniana ficara presa por anos em terapias para tentar se conformar e controlar a dor que sentia. E, mesmo depois de tanto tempo e de tanto tratamento, Lilith ainda sentia uma agonia aguda no peito, sempre que mencionavam seu falecido primo.

– Chega de tristeza. O que passou, passou… – Selso levantou abruptamente do sofá, assustando Luka e fazendo com que ela saísse voando pela janela da sala. – Opa… Desculpa filha. – olhou para a janela. – Espero que ela volte… – Lilith, simplesmente, lhe lançou um olhar enviesado como resposta.

– Seu pai tem razão! Chega de choro! – soltou o filho e começou a andar pela sala, indo para seu quarto pegar a bolsa. – Vamos já ao Vila Dragon comprar o seu material!

– Vila Dragon? – Elyandro havia se interessado pelo nome, assim como Lilith.

– Deve ser algo parecido com o Beco Diagonal de Harry Potter. – respondeu Lilith, dando um palpite.

– É… Deve ser… – concordou o irmão. Nem Selso e nem Suélen haviam prestado atenção à duvida do filho.

– Ham… Querido será que você poderia liberar um dinheirinho? É que estou dura! – pediu enquanto voltava do quarto, já com a bolsa à tira-colo e analisando a carteira em suas mãos.

– Está bem… – cedeu o senhor Pontlagua melancoso. Ainda não lhe agradava a idéia de gastar o próprio dinheiro em coisas que ele sabia que iriam sair caras.  – De quanto vocês vão precisar? Afinal está indo comprar no local mais caro da região, não é?

– Acho que uns… Mil está bom! – disse dando uma lida na lista em forma de carta que tirava de dentro da bolsa. Suélen se preparara para aquele momento há alguns anos. Aquilo estava sendo empolgante demais para ela. – E não me culpe, pois apesar de lá ser caro é o lugar com produtos da mais alta qualidade. – defendeu-se enquanto estendia a mão para pegar algumas notas e um pequeno cheque em branco assinado, que o seu marido lhe oferecia.

– Mãe, deixa eu ver isto dai? – perguntou Elyandro tentando arrancar a lista da mão da mãe – Eu vou com você e a Li para este tal de Vila Dragon. – anunciou após ler o papel e sair da sala para pegar a própria carteira.

Lilith simplesmente suspirou e foi para o próprio quarto pegar a bolsa. Se iria mesmo estudar em um mundo tão fantástico assim, então, ela iria começar a aproveitá-lo desde o começo. Compraria tudo o que fosse preciso e um pouco mais. Exploraria tudo que seus olhos vissem e que seu corpo tocasse e sentisse.

 

 



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