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{abril 3, 2012}   Conto de Dragões

Um tipo de…

Prefácio.

 

 

O que você faria se descobrisse…

que aquilo que te ensinaram como sendo o real…

não passasse de um sonho?

·

                                                                                                                                                                                               ·

                                                                                                                                                                                               ·

Sveglia bella,

perché il sogno si

è transformato

in realtà…

 

 

 

Capítulo 01

Tudo é real?

 

 

 

– O que está acontecendo? – Mariane, uma garota no auge de seus 20 anos olhava ao redor sem entender nada.

Não sabia como havia parado na cozinha, tentava vasculhar na memória o porquê de estar parada de pé, mas não adiantava. Sem lembrar como ou o motivo, estava ali, usando as roupas que mais gostava – um shorts e uma camiseta larga – mas nem mesmo quando havia se trocado conseguia se lembrar.

Começou a andar pela casa. Quem sabe sua mãe ou alguém fizesse idéia do que ela pretendia fazer? Quem sabe tinha ido comer ou beber algo? Não… Ela não sentia fome ou sede. Talvez tivesse ido atender ao pedido de alguém? Provavelmente.

Foi até a sala, ninguém.

Dirigiu-se até o escritório, ninguém.

Subiu para os quartos, todos vazios.

Resolveu dar uma espiada nos banheiros. Era difícil que todos da família estivessem usando o banheiro, mas não impossível. Mais uma vez, nem vestígio de sua família.

Parou para prestar atenção aos sons da casa. Se conseguisse ouvir as vozes de sua mãe, de seu pai ou de seu irmão, saberia onde estariam. Mas estava tudo, irritantemente, quieto. Nem o som de suas mascotes ela conseguia ouvir.

Será que aquela casa era mesmo a sua?

Será que simplesmente não havia entrado na casa errada e ainda não tinha percebido?

Olhou ao redor e tudo indicava que ali era o seu lar, mas queria ter certeza absoluta. Era impossível não haver ninguém ali daquele jeito! Entrou no quarto que supostamente seria o seu. E sim. A casa era sua. Aquele, definitivamente era o seu quarto cheio de bibelôs, livros e roupas espalhadas por todo lado.

– Estou em casa mesmo. Mas cadê todo mundo? – a casa estava completamente vazia e silenciosa. Ninguém, nem suas cadelinhas, estavam ali dentro, em nenhum cômodo, tudo vazio.

– Será que saíram? Me largaram sozinha aqui? – falar consigo mesma parecia idiotice, porém a tranqüilizava. Foi até a garagem, os carros ainda estavam ali.

Abriu o portão e foi até a rua. Não havia ninguém por perto. Não havia nem sequer o som de carros ou de pessoas andando pela cidade. Nem ao menos algum cachorro passando pela rua ou algum passarinho cantando. Estava tudo deserto e silencioso.

– O que está acontecendo? Cadê todo mundo? – começou a correr pela rua, sem se preocupar em fechar o portão. – MÃEEEE! PAAAII! WIIILL! CADÊ VOCÊS? – enquanto corria, ouviu um som estranho, parecia-se com um rugido ao longe.

Parou de correr, olhou ao redor e não viu nada. Provavelmente o pânico de estar sozinha a estivesse levando a ouvir coisas.

– EEEEIII!! ALGUÉM ME ESTÁ OUV… – antes que terminasse a frase, ouviu outro rugido e dessa vez mais forte, como se estivesse se aproximando. O som vinha de cima e com certeza não era a sua imaginação! Não estava apenas ouvindo coisas. Algo vinha pelo céu.

– Mas o que diabos é isso? – olhou para cima procurando por algo. O som se repetiu ainda mais forte, mais próximo. E dessa vez ela pôde ouvir outros rugidos. O que quer que fosse, não estava sozinho.

Começou a ventar e o som estava ficando cada vez mais alto. Sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Mariane não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha e algo estranho se aproximava.

Obrigou suas pernas a correrem de volta para casa, mas na metade do caminho ouviu o rugido novamente. Estava bem acima de sua cabeça! Ela congelou no lugar, não conseguia mais se mover. Com muito custo olhou para o céu e, naquele momento, viu a imagem mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora e bizarra que já havia visto em sua vida.

Sobre sua cabeça um grupo enorme de dragões, das mais diversas cores, formatos e tamanhos, voava pelo céu.

– Eu… não… acredito… – ela caiu de joelhos, sem tirar os olhos daquele espetáculo surreal. – São… são… DRAGÕES!!!! – desde pequena tinha uma paixão por essas criaturas fantásticas.

Sempre soube que eram ficção, uma história que não existia na vida real, mas mesmo assim, não conseguia deixar de se sentir atraída por esses seres. E, de repente, em seus 20 anos de vida, ela estava ali, vendo um bando inteiro e gigantesco voando sobre sua cabeça.

Quando estava começando a recuperar as forças que havia perdido com o choque, o maior de todos eles, o que parecia liderar o bando, deu um urro extremamente intenso, mais potente do que os rugidos que ouvira antes. E todos os demais, obedecendo a alguma ordem que ela não conseguiu entender, se separaram e se espalharam pelo céu sobre sua cabeça.

– Acho melhor eu voltar para casa… – ela conversava consigo mesma, tentando se acalmar, como se quisesse dizer para seu próprio corpo que estava na hora de sair dali. – Eles parecem meio nervosos agora…

Enquanto se apoiava no chão e no joelho direito para conseguir levantar, sentiu o vento aumentar de força. Ele havia ficado muito forte e vinha pelas suas costas, empurrando-a. Mal estava conseguindo ficar em pé, sentia seu corpo vacilar perante a força daquele vendaval.

– O que é isso agora? – ela estava protegendo o rosto, bloqueando o vento com os braços enquanto tentava andar na direção de sua casa. No entanto, sentiu um baque súbito que fez o chão tremer, impedindo-a de prosseguir a caminhada de volta.

Logo depois, o vento parou e ela começou a sentir uma brisa quente atingir o seu corpo por inteiro. Sentiu um novo arrepio percorrer suas costas. Mas não conseguia saber se o arrepio era consequência da brisa quente ou da gigantesca sombra que via projetada na rua.

Mariane não queria olhar para trás, mas ao mesmo tempo, sentia uma estranha necessidade de ver com os próprios olhos o senhor daquela sombra e, talvez, daquela brisa. E aos poucos, invocando toda a sua coragem, ela começou a se virar.

– Ah, meu Deus… – sentiu-se congelar novamente.

Bem na sua frente estava um dragão imenso parado, olhando para ela com olhos interrogativos e ao mesmo tempo ameaçadores.

– Ah… Meu… DEUS! – a criatura havia aproximado o rosto gigantesco de seu corpo e parecia tentar sentir seu cheiro. – Não me coma, não me coma, não me coma, não me coma, por favor, não me coma… – implorou silenciosamente, enquanto a criatura se aproximava ainda mais dela, chegando a tocar parte do focinho em sua barriga.

Mariane fechou fortemente os olhos, temendo o pior, mas nada aconteceu. Não sentiu as pontas afiadas de nenhum dente e não ouviu mais os rugidos dos outros dragões. Abriu os olhos novamente e viu que todos, ou ao menos a maioria deles, estavam parados ao redor, observando.

Ninguém se movia ou emitia qualquer som. O único que ainda se movimentada, de vez em quando e com movimentos que pareciam ser leves e calculados para não assustá-la, era aquele dragão que permanecia com o focinho colado em sua barriga.

– Perfeito… – foi a única palavra que ela conseguiu emitir quando criou coragem e acariciou a criatura. – Você só queria um pouco de atenção? – ela continuou a acariciá-lo e desta vez com as duas mãos.

Não tinha mais medo. Parecia que todo o pavor, que a havia dominado alguns segundos atrás, havia desaparecido por completo.

– Desde o inicio, você não pretendia me assustar e nem me devorar, né? – ele mexeu levemente a cabeça, como se estivesse confirmando.

Para Mariane, tudo aquilo era fantástico! Como, ela podia estar tocando e conversando com uma criatura que habitava somente os seus mais agitados sonhos? Ela queria que aquele momento se congelasse no tempo, se tornasse eterno…

De repente tudo ficou branco, um clarão irritante. Ela fechou os olhos e quando os abriu novamente estava deitada em sua cama. Não havia dragões, apenas a sua mãe abrindo a janela do quarto e mandando-a acordar.

– Vamos Mariane! Acorda! Hoje é domingo, mas ainda tem que me ajudar a limpar a casa.

– Mãeee… Por favor! Você me acordou no meio de um sonho ótimo. – enfiou a cabeça debaixo do travesseiro e puxou as cobertas.

– Não interessa se você sonhou com o príncipe encantado ou com a solução para a corrupção brasileira! Você disse que ia me ajudar e agora estou cobrando a sua palavra. Trate de levantar garota! – puxou todas as cobertas e pegou o travesseiro. – Você tem trinta minutos para tomar um banho, se trocar, arrumar tudo e descer. E depois quero vê-la tomando um café da manhã reforçado. Temos muita coisa para fazer hoje! Vamos, vamos! – saiu do quarto carregando as cobertas e o travesseiro da filha.

– Aaaah… Eu mereço? – sentou-se na cama, ainda meio sonolenta. – Que sono… – não entendia o porquê de ser acordada tão cedo. O sonho estava perfeito!

Levantou se espreguiçando. Foi até a sacada e ficou a observar os movimentos daquela manhã.

– Um dragão… – olhou para as próprias mãos. Acariciar um dragão… Somente em seus sonhos mesmo. Voltou a entrar e foi até o banheiro. – Quem sabe um banho me trás de volta para a realidade?

Assim que entrou no banheiro, uma sombra passou por sua sacada velozmente.

 

 



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