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{abril 8, 2012}   O Destino da Escolha

1º Capítulo

Doce luar…

Já era noite. Mayara estava na sacada de seu apartamento. Seus olhos negros, apáticos, sem emoção, vagavam pela escuridão. Buscavam uma resposta. Buscavam algo.

– Onde está você…? – respirou fundo. – Será… Que nunca em minha vida… Conseguirei ao menos ver a cor de seus olhos? – abaixou a cabeça e passou a observar o pouco movimento que havia na rua.

Mayara olhou para o horizonte, viu uma rala luminosidade surgindo. O amanhecer estava próximo e nada de seu tão esperado “amigo”.

Entrou em seu apartamento, deixou a porta da sacada aberta. Quem sabe ele não apareceria e entrasse para buscar aconchego e abrigo para descansar? Foi até o seu quarto e se jogou na cama, abraçou seu travesseiro e fechou os olhos. Ainda nutria o desejo de poder encontrá-lo…

Longe dali… Há uma praça totalmente deserta, exceto por um homem dormindo no banco… Mas… Ele realmente apenas dorme?

– Droga! Me distrai demais! – um jovem corria, parecia fugir de algo. – Preciso encontrar algum lugar para me esconder… – avistou ao longe, um saguão abandonado. – Perfeito! – correu até lá e somiu dentro da escuridão que a velha construção gerava.

 

 

O tempo passa, amanhece, e ninguém parece se importar com o homem dormindo no banco, até que…

 

 

– Com licença, senhor! – Jorge, que estava fazendo uma ronda na praça, encontrou o homem no banco, sem reação alguma. – Com licença, senhor, desculpe, mas… Não pode ficar dormindo aqui! É… – parou rapidamente de falar quando tocou a pele daquele senhor e a sentiu totalmente fria. – O senhor está bem? – Jorge o sacudiu levemente com uma das mãos. Enquanto o chacoalhava, percebeu um ligeiro filete de sangue escapando da boca e do pescoço. – Senhor? – resolveu pegar seu pulso, mas isso já era desnecessário. O homem estava morto! – Droga! Tinha que ser justo no meu turno? – pegou o rádio e pediu que enviassem uma ambulância até a Praça das Águas. Olhou, novamente, para o homem e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, benzeu-se. O que poderia ter matado aquele homem?

Alguns minutos após o chamado, a ambulância chegou ao local e recolheu o corpo. Apesar de seu trabalho ser recolher pessoas quase mortas e não mortos, não podiam largar o corpo daquele pobre senhor lá na praça até que o furgão do IML chegasse. Somente hoje, dariam uma ajudinha aos amigos e levariam o corpo ao necrotério.

Mayara acordou após o meio dia, estava de férias no serviço, não precisava acordar cedo por enquanto. Poderia dormir e acordar quando quisesse. Teria algum tempo para poder esperar por seu tão misterioso “amigo”. Onde será que ele estaria?

Foi até a cozinha, pegou um suco de laranja na geladeira, serviu-se de um farto copo da bebida e foi novamente até a sacada. A porta permanecia aberta, mas nenhum vestígio de que tivessem passado por ela.

Que desapontamento!

Será que nutria um desejo impossível de se realizar?

– É… Você não apareceu… Mais uma vez… Você não pareceu… – voltou ao quarto, abriu a janela e ficou a admirar as lindas árvores que a Praça das Águas tinha.

Reparou em uma ambulância saindo de lá. O que havia acontecido? Algum acidente envolvendo assaltantes? Ou a pessoa foi apenas mais uma vitima do acaso? Não tinha tempo para tentar descobrir o que era, tinha que ir buscar sua linda sobrinha na escola, havia prometido à irmã que pegaria Laura na escola de inglês, já que Beatriz não podia mais sair de carro ou andar longas distâncias por causa do oitavo mês de gravidez.

Olhou para o relógio. Á que horas a sobrinha saia da aula, mesmo? Apoiou-se na parede enquanto pensava. Sentiu como se algo passasse como um fleche por sua memória e se lembrou. Ela sairia à uma da tarde! Olhou para o relógio mais uma vez… Estava atrasada!

Trocou-se rapidamente, saiu do apartamento sem se importar muito em fechar a janela e a porta da sacada. Tinha que correr. Não queria deixar a querida sobrinha esperando.

Foi até a garagem e pegou a sua moto. Uma Honda preta, linda, sempre brilhante por causa dos muitos cuidados que Mayara dedicava a ela. Aquela moto era como se fosse de estimação.

Saiu apressada. Provavelmente Laura já estivesse saindo da aula. Passou correndo pela praça, sem se importar muito em tentar descobrir o porquê de a ambulância ter parado por ali. Afinal… Estava com pressa, não podia mais perder tempo!

Após alguns minutos de exasperação e muita corrida, passando por sinais já amarelos e cruzando os espaços vazios entre os carros para evitar congestionamentos, Mayara conseguiu chegar até a escola de inglês.

Mas, apesar de toda a correria, não conseguiu chegar antes que a aula acabasse e Laura já a esperava no portão.

– Desculpe o atraso Lá! Perdi a hora! – desculpou-se enquanto retirava o capacete e estendia outro para a sobrinha.

– Tudo bem tia May… Eu saí faz pouco tempo! – Laura, colocou o capacete e subiu na moto, deixando o material entre ela e a tia, para que não caísse.

Mayara esperou a sobrinha terminar de se ajeitar e saiu com a moto. Agora não estava mais com tanta pressa, não precisava correr ou fazer todas aquelas loucuras que havia feito para tentar chegar a tempo. Precisava dar um bom exemplo e zelar pela segurança da sobrinha que agora a acompanhava.

– Lá… O que você acha de pararmos em uma sorveteria, pegar um sorvetinho e dar uma volta por aí? – perguntou enquanto esperava o sinal abrir.

– Acho legal! – pegou o celular e o colocou com uma das mãos por baixo do capacete. – Só me deixa avisar a minha mãe que vou sair com você… – enquanto ligava para a mãe, com a mão que estava livre do celular, ela segurava a cintura da tia, para que não caísse quando Mayara desse a partida na moto.

 

……………………………

– Como será que esse homem morreu? – Tomé olhava de tempos em tempos pela janelinha que ficava dentro da ambulância. Queria vigiar o corpo, estava apreensivo.

– Deve ter sido assaltado, tentou revidar e os canalhas deram cabo da vida do infeliz… – respondeu Leandro, batucando as mãos no volante enquanto esperava o sinal abrir.

– Tem certeza? – fechou a janelinha. – Você viu as marcas no pescoço do cara? Até parece coisa de… Vampiro… – Tomé benzeu-se.

– Ha, ha, ha, ha… Vampiro? Tá doido Tomé? Desde quando este tipo de coisa existe? – Leandro ria enquanto dava partida no carro. – Andou assistindo muitos filmes de terror, ein!

– Não tô de brincadeira, não! – abriu novamente a janelinha e ficou a observar o defunto, como se esperasse que ele levantasse a qualquer momento. – Você não viu as marcas no pescoço? São dois buraquinhos, que nem aqueles que dizem que os vampiros fazem no pescoço da gente quando mordem… O maldito deve ter-lhe sugado a vida!

– Ora Tomé… Deixa de paranóia… – Leandro deu uma breve olhada na direção do amigo. – E vê se deixa o cidadão em paz! Ninguém gosta de ser observado. Respeite a morte do infeliz! Dá-lhe o descanso merecido, homem! – com uma das mãos fechou a janelinha. – Você vai ver… Quando fizerem a autópsia, vão dizer que o pobre coitado morreu devido a um golpe certeiro na nuca, ou por overdose de alguma droga injetada diretamente na artéria dele. Não vai haver nada sobre ter sido sugado até a morte…

– Sei não Andro… Tomara… – se acomodou no banco, ligou o rádio e fechou os olhos. Queria tentar dar razão ao amigo e esquecer aquele defunto.


……………………………

Depois de terem passado na sorveteria e pego uma casquinha cada uma, foram até a Praça das Águas darem uma volta.

– Nossa… Faz tempo que não ando por aqui. A ultima vez… Foi quando eu fiz treze anos! – encarou a tia e deu um sorriso. – E foi você quem me trouxe! Pegamos um sorvete e curtimos o meu aniversário no seu estilo… Sem muita frescura! Acho que aquele foi um dos melhores.

– É… – suspirou e olhou para a sobrinha. – Eu digo para sua mãe não encher as suas festas de frufrus e frescurinhas. Mas ela nunca me ouve… Sempre diz a mesma coisa.  “Festa de filha minha tem que ser sofisticada!” – fez uma imitação perfeita da irmã, arrancando risos de Laura e deu uma bela lambida no sorvete. – É mesmo… Há muito tempo que não vínhamos aqui juntas. Faz praticamente dois anos!

Mayara e Laura andavam tranquilamente pela praça e, apesar de não ser intencional, ambas atraiam os olhares de muitos rapazes, pois esbanjavam beleza e feminilidade a cada passo que davam ou gesto que faziam.

Laura estava no auge de seus 15 anos, dona de um corpo bem escultural para sua idade e de um brilho vivo e fascinante nos olhos. Mayara já estava com seus 23 anos e tinha um corpo belamente esculpido e sedutor, um rosto belo, encantador e aparentemente jovem para a sua idade.

Mesmo que não quisessem admitir, sabiam que eram atrativas. Sabiam que eram fuziladas por olhares ávidos aonde quer que passassem, mas tentavam ignorá-los e continuar seguindo seus caminhos como se aqueles observadores jamais existissem.

– Tia… O que você acha de nos sentarmos um pouquinho? Estou começando a ficar cansada… – Laura havia terminado seu sorvete e já procurava por um banco vazio.

– Tá bom… – Mayara olhou em volta e viu um banco vago. – Vamos sentar ali! –foram até ele com passos apressados, para evitar que ninguém mais sentasse nele antes delas e lhes roubassem o lugar. Assim que sentaram no banco, se acomodaram como queriam, sem se importarem com olhares críticos e com opiniões alheias. Não estavam acomodadas de modo indecente, apenas não estavam sentadas de maneira “tradicional”, com braços e pernas espalhados espalhafatosamente.

Enquanto conversavam e observavam o movimento de pessoas e animais pela praça, inexplicavelmente, Mayara começou a sentir um cheiro forte e rançoso. Sem se dar conta do que fazia, instintivamente, começou a procurar de onde ele vinha, mas não encontrava a sua fonte. O cheiro estava começando a deixá-la atordoada.

– Laura… Você está sentindo esse cheiro forte?

– Cheiro forte? De que?

– Um cheiro forte de… – parou para tentar distinguir o cheiro. Assim que conseguiu reconhecer o odor, arregalou os olhos. – Sangue! – ela havia dito mais para si mesma em surpresa do que como resposta para a sobrinha.

– Ai! Credo tia! Sangue?

– É… É sangue! Você não está sentindo?

– Eu não! – torceu o nariz e levantou as mãos, fazendo um movimento de negativa. – E nem quero sentir!

– Estranho… Mas eu estou sentindo e muito bem! – olhou em volta. – Está aqui perto e parece ainda estar um pouco fresco.

– Fresco?! Cheiro de sangue fresco?! – fez uma careta de horror e asco. – Credo tia! Que nojo!

Mayara resolveu se levantar para procurar melhor. Foi neste momento, enquanto se levantava que viu uma mancha de sangue impregnada no encosto do banco onde estavam acomodadas.

– Olha! Acho que é daqui! – apontou para a mancha. – Deve ser recente!

– Ai… – Laura se arrepiou e deu um pulo do banco, ficando de pé ao lado da tia. – A pessoa deve ter se machucado feio. – comentou ao ver o tamanho da mancha.

– É… – ficou observando o sangue por alguns longos minutos. Estava desconfiada.

Após mais algumas horas na praça, caminhando e especulando sobre a origem do sangue, resolveram voltar antes que ficasse tarde demais.

Mayara levou sua querida sobrinha até a casa de sua irmã e depois, sem paradas, voltou para o seu apartamento. Assim que entrou, foi até a sacada e ficou a admirar o pôr do sol.

Era tão lindo e nostálgico…

Se ela pudesse, ficaria o resto da vida apreciando aquele espetáculo da natureza. Ficou ali até que o sol sumisse no horizonte, atrás das serras que rodeavam a cidade. E sem saber o porquê, a mancha de sangue repentinamente voltou-lhe à mente.

Alguma coisa a incomodava…

Algo estava estranho…

Por que ela havia sido a única a sentir aquele cheiro?

Será que estava retornando aos velhos tempos?

Não!

Isso jamais poderia acontecer!

Gostava de usar as habilidades remanescentes, mas não permitira retornar totalmente ao que era.

Olhou para a praça como se procurasse por algo e sentiu um leve arrepio percorrer-lhe a espinha. Fechou os olhos e uma sensação de formigamento e leveza parecia tomar-lhe o corpo todo. Deu um pequeno sorriso e abriu os olhos.

– Sabia! – entrou no apartamento e foi até o seu quarto. – Sabia que esta necessidade de encontrar alguém não era delírio! Eu tinha razão! Há um “alguém” por perto!

Ela colocou um shorts, uma blusinha leve, coturnos e um sobretudo roxo, quase preto. Todas as peças, com exceção do sobretudo, eram negras. Sem demoras, ela saiu de seu apartamento, pegou sua moto e passou a seguir seus instintos. Ela estava determinada a encontrar este “alguém”!

Decidiu voltar ao local do crime: o banco com a mancha de sangue na Praça das Águas! A partir desse ponto, ela iria seguir todos os rastros que encontrasse e que a levassem até a pessoa tão aguardada.

– Apesar do sangue já ter penetrado no banco, ainda é recente… – disse para si mesma ao passar a mão pela mancha.

Era como se fizesse anotações mentais a cada narrativa que fazia de seus passos. Olhou em volta e percebeu que não haviam sinais de briga. Nenhum galho quebrado, nenhuma marca no chão.

– Pelo visto a vitima foi surpreendida e não conseguiu revidar…

Olhou para o céu e viu a lua, depois olhou para o chão novamente e viu algumas pegadas marcadas na terra, passando entre as árvores.

– Pelo o que parece, perdeu a noção do tempo e ao ver que já iria amanhecer, correu velozmente dentre as árvores em busca de um abrigo, por isso deixou tanto sangue do homem se desperdiçar…

Começou a seguir as pegadas e em poucos minutos, viu um saguão abandonado, bem escondido pelas árvores da praça.

– Hum… Parece-me um ótimo lugar para se esconder… Escuro… Escondido… Abandonado… Perfeito! – entrou no saguão tomando cuidado para não fazer nenhum tipo de barulho, o menor ruído poderia arruinar tudo.

Mayara parou de andar, estava com a sensação de estar sendo observada. Fechou os olhos e se concentrou no ambiente ao redor. Sentiu algo se mover velozmente por suas costas, escondido pelas sombras.

Resolveu invocar apenas um pouco do seu “eu” antigo. Então, abriu os olhos e apurou os ouvidos, teve a impressão de estar ouvindo a respiração de mais alguém.

Deu um pequeno sorriso, voltou a fechar os olhos e apurou ainda mais os sentidos, tentando concentrar-se com maior tenacidade. Percebeu que algo iria passar novamente perto de seu corpo!

Abriu mais uma vez os olhos e rapidamente, numa velocidade surpreendente e inesperada, colocou o pé no caminho, fazendo com que a pessoa se espatifasse no chão.

– Quem é você? – Mayara se agachou ao lado da pessoa caída. – E o que faz aqui?

– Não é da sua conta mulher! Deixe-me em paz! – era a voz grave de um homem, com aparentemente 25 anos.

– Eu sou Mayara Campelli… – foi até a parede mais próxima e se apoiou nela.

– Uhum… E por que você acha que eu queria saber seu nome? – havia sarcasmo e irritação naquela voz.

– Que mau humor… – Mayara acendeu uma pequena lanterna e a deixou no chão apontada para o teto, dando uma rala luminosidade ao lugar. – É um estado emocional típico de um vampiro que acabou de cair em uma peça humana.

– Vampiro?! – ele se aproximou da luz, deixando que Mayara visse seu lindo rosto. Ele realmente aparentava ter quase a mesma idade que ela. – Então… Você sabe o que sou?

– Sim. Desde o começo. – respondeu tranquila, como se o fato de estar cara a cara com um verdadeiro vampiro fosse algo trivial e rotineiro.

– Não sente medo de mim? – aproximou-se perigosamente dela e colocou uma das mãos próxima ao pescoço de Mayara.

– Se eu o temesse, não teria vindo até aqui, não é mesmo? – deu um pequeno sorriso malandro, desafiando o predador.

– Vejo que é corajosa e… – desceu a mão, pelo corpo da mulher sem tocá-lo, e baixou o olhar, dando uma completa “escaneada” nas curvas que ela possuía. – Bela.

– Hupf… Obrigada! Mas, se você continuar a me azarar desta maneira, perderei minha compostura com você! – fechou o sobretudo e lhe lançou um olhar de ameaça e advertência. – Posso fazer coisas piores do que dar uma simples rasteira. Conheço muito bem sua raça e sei como feri-lo da maneira mais dolorosa possível.

– Ha,ha,ha… Desculpe! – o vampiro deu boas risadas por causa da intimidação da humana. Não estava levado nada a sério – Sou Marcos… Marcos Ac’Daro!

– Hum… – de inicio não havia gostado das risadas de deboche de Marcos, mas depois se deu por vencida e sorriu. – Pelo visto eu consegui quebrar um pouco o seu mau humor. Disse-me até o seu nome!

– Digo por que você é diferente! – Marcos se afastou um pouco. – Jamais uma pessoa ficou tão calma assim como você, depois de descobrir minha identidade. Jamais alguém veio ao meu encontro, sabendo que sou um vampiro!

– Sim… Sou diferente. Mais diferente do que você é capaz de imaginar. – Mayara abaixou o olhar e depois voltou a encarar o vampiro. – Já cacei muitos de tua espécie. Já fui uma assassina mais fria do que qualquer vampiro.

Marcos exibiu as presas, pulou para as sombras e deixou que seus olhos ficassem com um tom vermelho brilhante. Pareciam duas brasas flutuando na escuridão.

– Uma Caçadora! – apontou um dedo acusador para ela. – Então, você veio até aqui para me matar?

– Apesar de já ter matado muitos vampiros, lobisomens, bruxos, anjos caídos e demônios… – enquanto falava erguia os dedos, enumerando. – Enfim… Apensar de ter matado vários seres míticos à sangue frio, eu não vim te matar. Como disse antes, eu já FUI uma assassina de criaturas da noite, não sou mais! – se desencostou da parede e apagou a lanterna. – Pronto… Agora você tem uma grande vantagem sobre mim! Se sente mais seguro?

– O que quer comigo, então? – apagou seus olhos e escondeu suas presas.

– Quero ajudá-lo. – passou pelo local de onde vinha a voz, quase encostando seu braço no peito de Marcos. – Eu posso ter desistido de ser uma caçadora, mas ainda existem muitos que continuam no ramo. E um deles está aqui nesta cidade!

– Hupf… E você realmente espera que eu caía nesta ladainha?

– Bom… Se você não “cair nesta ladainha”, colocará sua existência em jogo! – Mayara foi até a entrada do saguão. – Você não pode rastreá-lo, mas ele pode rastrear você!

– Rastrear-me? Ha… Impossível!

– Impossível? Como você acha que eu o encontrei? – saiu do saguão, sem olhar para trás. – Se você não quer acreditar em mim, azar! Desejo-lhe muita sorte, pois vai precisar! – fez um pequeno aceno com a mão. – Bom… Até mais… Talvez!

– Espere! – Marcos correu até Mayara e pegou em sua mão. – Você me convenceu! – virou-a de frente para ele. – Peço que me ajude!

– Ajudarei… – Mayara ficou impressionada com as feições tão belas que Marcos possuía.

Ele era dono de olhos cor de mel, penetrantes e sedutores. Estava hipnotizada por aquele olhar intenso sobre sua pessoa.

– Então, o que faremos? – a pergunta a tirou do transe.

– Iremos para o meu apartamento. Você ficará mais seguro lá! – se virou e continuou a andar.

– Hum… Isso está me parecendo uma indireta. Tem certeza que só quer me levar até o seu apartamento apenas para me proteger, ou… Tem algo a mais em mente? – lançou um olhar malicioso e cobiçoso sobre ela.

– Claro! Com toda certeza! Desde o começo estava planejando levar um vampiro até a minha casa para ter uma “noitada” com ele! – respondeu sarcástica e grossa. Não gostava que tirassem segundas intenções de suas “boas” ações.

– Nossa… Desculpe! Não queria irrita-la! – Marcos colocou as mãos nos bolsos. – Seu apartamento fica muito longe daqui?

Mayara não respondeu, ainda estava irritada com a brincadeira do vampiro. Ela tinha certeza de que se ele fizesse mais alguma brincadeirinha do gênero, o largaria ali. Á mercê do caçador.

– Oras… Vamos Mayara! Foi só uma brincadeira. – o vampiro se colocou ao lado da humana. – Não precisa ficar assim tão irritada.

– Não me trate como se fossemos amigos, vampiro! – ela o fuzilou com o olhar. – Não o quero dirigindo-se a mim pelo nome! Perdi minha simpatia por você!

– Nossa! – o vampiro afastou-se alguns centímetros dela. – E quer que eu a trate como? Quer que a chame de humana?

– Pois bem! Chame-me de humana, só volte a me chamar pelo nome quando eu chamá-lo pelo seu! – Mayara avistou sua moto e acelerou um pouco o passo.

– Que seja como quer! Até acho justo, já que acabei de irritar a humana que me oferece ajuda! – comentou aborrecido com a grosseira dela.

Marcos estava tentando fazê-la sentir que ele realmente estava arrependido. Mas pela expressão séria no rosto da mulher, percebeu que sua tentativa havia fracassado. Chutou uma pedrinha que estava em seu caminho.

– Não tente me agradar agora! – Mayara pegou o seu capacete e estendeu outro para Marcos. – Tome! Coloque isso! – enquanto entregava o capacete, ela já começava a sentar em sua moto.

Ele pegou o capacete e o colocou sem dizer uma palavra. Sentou-se atrás dela e segurou em sua cintura com naturalidade.

– Tire as mãos daí!

Marcos soltou um ligeiro suspiro e colocou as mãos nas laterais traseiras da moto enquanto ela dava a partida e os tirava dali, rumando em direção ao seu apartamento. Por mais que não quisesse demonstrar, Mayara sabia e sentia que estava feliz por finalmente encontrar a pessoa que tanto aguardara.

 

 



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