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{abril 8, 2012}   Uma vida de Herói

Preparando o leitor

 

 

 

Essa história começa de uma maneira um pouco diferente das demais! Aqui, eu não vou começar contando como foi o inicio da nossa dupla. Vou começar pela metade.

Já passamos por diversas dificuldades e por inúmeras situações bizarras. Já presenciamos nascimentos e chacinas. Já choramos muito e rimos o dobro.

É…

Já vivemos quase tudo que um ser humano normal poderia viver.

Mas…

AHÁ! Eu e o meu companheiro não somos normais! Aliás, o Luka não é nem um pouco normal!

Sabe…

Ele é do tipo de mago que se considera o mais poderoso do mundo.

Se alguém disser que é bom em alguma coisa, ele tentará ser ótimo, independendo do que quer que seja essa coisa.

Como certa vez em que a irmã dele comentou que eu seria uma boa mãe, caso algum dia eu viesse a ter filhos.

Como um bom homem, ele deveria ter entendido a indireta da Loren e ter vindo conversar comigo, ou até mesmo ter ignorado a conversa e fingido não ter ouvido nada, o que seria uma reação comum masculina.

No entanto, ao invés de ter essas reações banais e corriqueiras, ele correu procurar por alguma magia que o permitisse engravidar, somente para provar a nós duas que ele seria uma “mãe” muito melhor do que eu!

Ah deuses…

Dêem-me MUITA paciência!

E é claro que nessa ocasião, assim como em muitos outros casos, eu o explodi algumas vezes com encantamentos leves, até que desistisse da idéia e me prometesse parar de ser tão… Tão… Extremista!

Mas, como sempre, ele promete, mas dificilmente cumpre. Ele ainda não tem uma noção muito boa de limites.

Apesar de tudo, eu realmente amo o Luka! Acho-o um homem perfeito para mim, salvo alguns probleminhas que impedem de nos amarmos abertamente.

Bem…

Como já deve ser dedutivo a essa altura da narrativa, nós somos uma dupla de heróis e, como tais, temos muitos inimigos.

Se eles já tentam nos separar sem saber de nossos verdadeiros sentimentos um pelo outro, tente imaginar se descobrissem que nos amamos!

Seria uma informação de prato cheio para se vingarem de nós! Seria maravilhoso para eles nos verem sofrer longe um do outro e nos torturarem.

Sem mencionar que, se nós finalmente ficarmos… Hm… Intimamente juntos e eu engravidar?

O Luka segue o código do bom Paladino. Ele não me permitiria lutar e continuaria da mesma forma cavalheira de brigar, sem atacar mulheres.

Portanto, se aparecer uma vilã e eu estou grávida, como fica a situação? Quem acabaria com a raça dela?

Tá aí o problema!

Ninguém!

Assim, sem ninguém para derrotá-la, ela fica super poderosa e tenta destruir ou “redecorar” o mundo a seu gosto.

Consegue ver a complicação do caso?

Não é difícil acabar com um super vilão. Destruímos um a cada ano!

O complicado e frustrante da história toda é ter que SEMPRE salvar a Terra e, por causa disso, eu não consigo tirar umas férias com o Luka. E sem férias não há descanso. Sem descanso não há oportunidade quentes para o amor.

Isso realmente me deprime às vezes…

Contudo, são ossos do ofício, não é?

Quem mandou eu me apaixonar pelo meu companheiro de batalhas e aventuras?

Mas chega de introdução!

Vou começar a narrar a partir do agora, deste ano, deste instante!

Com vocês…

E para você…

A história de uma fantástica e atrapalhada dupla de heróis; de uma feiticeira chamada Aline e de um mago chamado Luka!

 

 

 

 

Um dia daqueles…

 

 

– Luka! Pula! – berrei o mais alto que pude, tentando ser ouvida através do som ensurdecedor de uma debandada, correndo atrás de nós.

Corremos até alcançar o início de um desfiladeiro. Saltamos sem hesitar. Àquela altura, eu esperava que Luka já houvesse recordado a conjuração do ar, a qual nos faria voar. Já que, estávamos em queda livre rumo a um agitadíssimo rio, cheio de pedras nem um pouco macias e arredondadas!

– Luka? – berrei mais uma vez. A queda estava ficando cada vez mais curta.

– Calma! Tô quase lá! – ele fechou os olhos com força, como que buscando por algo no fundo da mente.

– Calma? – comecei a rir histericamente.

– Mais um minutinho! – pediu enquanto seus lábios se moviam em algo semelhante a uma prece silenciosa.

Nós não tínhamos um minuto sequer! Em instantes iríamos descobrir a dor de atingir uma daquelas pedras e depois teríamos os nossos corpos dilacerados, sendo arrastados pelo rio, até cada partícula nossa se encher de água!

Bufei irritada e posicionei as mãos juntas sob o corpo, apontando as palmas na direção do rio, mantendo os braços bem esticados.

– Água, vinde a mim! – gritei para logo depois murmurar a conjuração daquele elemento, sem deixar de mentalizar o que desejava que ele fizesse por mim.

– Lembrei! – Luka berrou alegre. – Ar, vin… Ãhn? – parou de falar assim que abriu os olhos e percebeu um turbilhão sair do rio e vir na nossa direção.

Ele me encarou desconfiado e eu apenas sorri culpada. A água nos envolveu com força, freando a nossa queda. Levou apenas alguns segundos até que ela nos impulsionasse para cima e nos colocasse do outro lado do desfiladeiro.

– Por que fez isso? Eu já estava conjurando o ar! – ele se levantou nervoso, torcendo as roupas molhadas.

– Desculpe ferir o seu orgulho, oh grande mago! – disse irônica enquanto também me levantava. – Mas, se eu houvesse esperado, já estaríamos trucidados, antes mesmo de você terminar essa bendita conjuração! – minha roupa pesava e grudava na pele, mesmo torcendo boa parte da água para fora dela, não parecia mudar muita coisa. – Já que você lembrou tudo, por que não chama um ventinho quente para nos ajudar a secar mais rápido?

– Além de tudo… – eu o ouvi resmungar, enquanto erguia as mãos para conjurar o vento que pedira. – Ainda vem me pedir coisa… – o resmungo deu lugar a uma reza baixa, que logo terminou em um vozeirão. – Vento, vinde a mim! – e o resto da conjuração ele fez questão de fazer em alto e bom som.

– Nossa! Que teatral! – zombei.

– Fica quieta e aproveita! – retrucou irritado.

Dei risada, me divertindo com a irritação de Luka. Controlei o riso quando senti a brisa morna atingir o meu corpo gelado. Afastei a imagem de meu companheiro como uma criança birrenta, e fiz o que ele havia me sugerido: aproveitei.

– Obrigada por isso! – disse estendendo os braços, permitindo que o vento leve tivesse mais acesso ao meu corpo, secando a mim e minhas roupas sem problemas. – Está ótimo!

– Se fosse eu quem tivesse conjurado a água, teria feito um trabalho melhor!

Estava demorando a receber uma punhalada daquelas!

Apenas o encarei com o canto dos olhos, transmitindo, assim, uma ameaça silenciosa.

Em resposta, ele franziu o cenho e me mostrou a língua.

Como ele era infantil!

Suspirei vencida.

Aquele seria um longo dia…

– Você sabe que não pode conjurar a água, a luz e nem o fogo, então, pára de me infernizar! – peguei um pedaço de couro dentro da minha bolsa e o usei para prender o cabelo. A maioria dos fios estava seca, porém, a água gelada e o vento quente os fizeram ficar rebeldemente espetados.

– Tá, tá… – eu o vi tirar a camiseta e colocá-la sobre uma pedra, secando-a ao sol. – Só estava ponderando, caso eu tivesse o poder de conjurar a água. – lançou um sorriso maroto para mim. – Você sabe que minhas magias são muito melhores que as suas, não é?

– Sei… – devo admitir que a visão daquele sorriso, juntamente com a imagem dos músculos abdominais dele, me fez perder qualquer vontade de retrucar e de continuar a brigar com ele.

– Que foi? – ele me olhou com daquela forma malandra dele.

Droga!

Ele percebeu que eu estava olhando para aquele corpo maravilhoso!

Espero não estar vermelha…

Aí, meus deuses!

– Nada… – me virei, ficando de costas para ele. – É que esse vento tá começando a ficar quente demais. – eu precisava de uma desculpa plausível, caso ele tivesse me visto virar um pimentão.

– Tem certeza? – escutei o som dos pés dele sobre a terra e percebi que ele se aproximava sorrateiramente de mim. – Você parecia meio vidrada…

Droga! Droga! Droga!

– É que toda aquela queda me fez ficar um tanto zonza… – minha cabeça trabalhava a mil, eu precisava de um plano de fuga o mais rápido possível.

– É mesmo? – ele parou a alguns centímetros de mim.

– Luka! – me esquivei assim que senti aqueles braços fortes tentarem me agarrar. – Você sabe que não devemos! – retruquei, tentando afastá-lo de mim, mesmo que eu não tendo a mínima vontade de evitá-lo.

– Ah, é? – ele riu da minha reação exagerada. Eu sempre me transformava em piada diante dele. – Eu não a escutei reclamar ontem à noite… – e lá vinha ele tentando me agarrar novamente.

Pelos deuses! Como ele tentador!

– Estávamos em uma estalagem! – me defendi o melhor que pude. Minha cabeça e o meu corpo estavam em um conflito irritante.

– E por que não podemos relaxar por aqui e repetir a dose? – eu me esquivei mais uma vez e usei a árvore mais próxima como escudo. – Aline… Pára com isso! – ele cruzou os braços e, com o olhar, me repreendeu pela minha fuga. – Acabamos de escapar de uma debandada que…

– Que você mesmo provocou. – fiz questão de lembrá-lo.

– Tanto faz! – ele se aproximou, fazendo questão de se apoiar na árvore que eu usava para me proteger de suas investidas.

– Tanto faz nada! – rebati. – Você não devia ter criado aqueles golens de pedra! – tentei usar a mesma tática que ele e o repreendi com um olhar meu. Porém, creio que não funcionou tão bem quanto costuma funcionar com ele. – O estardalhaço que eles fizeram foi o bastante para nos colocar em queda livre naquele desfiladeiro! – ralhei.

– Chega de drama e vem cá! – ele agarrou o meu pulso e me puxou para o lado dele da árvore. – Eu realmente quero passar um tempinho com você…

DEUSES!

Ele estava sussurrando em meu ouvido, me prensando contra a madeira áspera, deslizando as mãos quentes pelo meu corpo…

Foco! Eu preciso de foco!

– Mas, você já passa o tempo todo comigo. – péssima resposta!

Ele riu do meu nervosismo. Luka sabia o quanto eu o desejava. Esse mago maldito sempre soubera como fazer minhas pernas enfraquecerem e o meu coração chegar á mais de duzentos batimentos por segundo.

– E se alguém nos ver? – sussurrei, tentando controlar a vontade imensa de agarrá-lo. Eu clamava por cada pedacinho de força de vontade que eu ainda tinha dentro de mim.

– Chega de se preocupar tanto com isso… – ele começava a mordiscar o meu pescoço, o que era um tremendo golpe baixo!

– Luka… – o chamei, tentando afastá-lo um pouco de mim, mas ele me ignorou. – Luka! – falei mais alto e o empurrei com mais força. Isso fez com que ele voltasse a me olhar nos olhos. – E se resolvessem me seqüestrar para te atingir?

Finalmente ele me soltou. Não fiquei exatamente feliz com isso. Me senti um pouco aliviada por ter evitado algo que poderia trazer conseqüências horríveis para nós no futuro, contudo, estava decepcionada por Luka não ter insistido um pouco mais.

– Você venceu… – ele resmungou, arrastando os pés até onde havíamos largado nossas coisas.

– Desculpa… – murmurei sem graça. Eu queria aqueles amassos tanto quanto ele, no entanto, eu tinha que continuar a bancar a responsável da dupla.

– Assim que encontrarmos um lugar para passar a noite, vamos continuar o que você acabou de estragar! – estremeci diante do tom de voz dele. Não era pesado e nem ameaçador, contudo pude sentir a irritação dele através daquela tonalidade um tantinho alto demais.

– Grosso! – resmunguei pegando as minhas coisas.

Caminhamos por algumas horas. Há tempos não encontrávamos uma estrada para poder seguir ou algum mercador que pudesse nos guiar, quem dirá encontrar um estabelecimento para descansarmos. Pelo visto, teríamos que passar a noite ao relento.

Soltei um muxoxo. Odiava dormir no chão duro e cheio de insetos nojentos. A fogueira nunca me aquecia direito nas noites frias, apesar que…

Sorri diante da idéia.

O Luka poderia dormir abraçado comigo, caso esfriasse muito durante á noite. Não poderíamos aprofundar o ato ainda mais.

Não poderia passar de um abraço quem e, só um pouquinho, maldoso. A não ser que nos certificássemos muito bem de que não ter ninguém nos espionando. Se der tudo certo, até poderíamos continuar o que paramos, exatamente como Luka havia dito.

Senti arrepios tomarem o meu corpo e enrubesci quando vi meu companheiro me encarando com curiosidade.

– Pensando em mim? – ele sorriu maroto para mim e eu senti meu corpo borbulhar por dentro.

– Convencido! – dei-lhe um tapa no ombro dele e continuei a andar, tentando ignorá-lo da melhor forma possível.

 

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