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{abril 9, 2012}   As Guardiãs da Fênix – O Começo!

(um pedacinho…)

 

 

Vila Dragon.

 

 

 

Pelo o que sua mãe havia lhe contado, o lugar, aparentemente, era um pequeno vilarejo escondido por magia dentro de uma fazenda.

No começo, Lilith se perguntava se aquilo também seria como no livro de Harry Potter e procurava por uma parede de tijolinhos ou algo parecido. Porém, logo que chegaram à fazenda “Recanto Mágico”, na parte rural da cidade de Jundiaí, ela descartou a idéia da parede e começou a procurar por uma passagem secreta em alguma pedra gigante, ou por algum túnel subterrâneo…

Assim que Suélen estacionou o carro, conduziu os dois filhos até uma parte remota do lugar. Lilith achou que a mãe enlouquecera quando a viu ficar parada olhando para o próprio reflexo em um pequeno lago no meio do nada.

– Ô… Mãe? A gente não estava indo para o tal de Vila Dragon? – parou ao lado da mãe e ficou encarando-a, assim como seu irmão mais novo que também não estava entendendo nada do que Suélen estava fazendo.

– Xiiiiiuuuu… – reclamou, pedindo silêncio enquanto levantava uma das mãos e puxava um fio de cabelo. – Não fale muito alto… Os ventos daqui propagam o som muito facilmente… Essa fazenda aqui funciona como restaurante e também é visitada por pessoas normais… – jogou o fio de cabelo dentro do lago.

– Tá… Mas, por que você ARRANCOU o próprio cabelo?

– Eu não pedi para você falar mais baixo? – viu a filha fazer um gesto simples, como pedido de desculpa. – E eu não arranquei o meu cabelo! Eu só puxei um fiozinho…

– E por quê? – Elyandro retomou a pergunta da irmã.

– Vocês vão ver… – apontou para o fio boiando nas águas calmas e inabaladas.

Lilith e Elyandro pararam de encarar a mãe e passaram a observar o lago. Por alguns segundos, nada de diferente havia acontecido. Contudo, quando a primogênita da família foi abrir a boca para comentar o “nada” que estava acontecendo, ela ouviu o irmão dar um sibilo baixo de surpresa e voltou a prestar atenção na água.

No momentoem que Lilithfocalizou melhor o cabelo boiando, ela viu um brilho vir do fundo do lago para a superfície, indo em direção ao fio. A garota se agachou para ver melhor e viu uma garra, cheia de escamas em forma de plaquetas, surgir de dentro da água e agarrar o fino cabelo.

– Ai, caramba… – sussurrou assustada enquanto voltava a ficar de pé, ao lado da mãe.

Aos poucos, ligado àquela garra, começou a surgir um lindo dragão translúcido e belo como a água do lago. Ele olhou para o cabelo em suas garras e depois encarou as três pessoas paradas na margem.

– Quem jogou isto em meu lago? – a sua voz era surreal. Parecia como um sussurro alto, um som que vinha de um mundo paralelo. Lilith se arrepiou quando a frase “vozes do além” lhe veio à mente.

– Fui eu… – Suélen levantou delicadamente a mão. Ela tinha um sorriso simpático no rosto.

– Hum… – a criatura fechou a garra e o fio de cabelo desapareceu. – Senhora Suélen Pontlagua… Certo? – ela confirmou com um aceno de cabeça. – É um prazer recebê-la mais uma vez! – ele olhou para os outros dois parados ao lado de Suélen. – E quem são esses jovens ao seu lado, minha senhora? São parentes?

– Sim! São meus filhos! – ela passou os braços ao redor da cintura dos dois. – Esse é o Elyandro e essa é a Lilith, que por sinal, acabou de ingressar em Fantasy! – anunciou orgulhosa.

– Meus parabéns, jovem Lilith! – pela primeira vez o dragão sorriu. – Então, vieram fazer as compras? – desta vez, foi Lilith quem consentiu.

Ela achava que precisava fazer alguma coisa para não parecer uma estatua na frente daquele dragão que começara a se tornar gentil com ela.

– Nesse caso, senhora Suélen, é melhor você fazer o registro dos dois. Assim, eles poderão voltar quando desejarem!

– Sim, sim! – Suélen empurrou os filhos para mais próximos da beirada do lago.

O Dragão puxou a mão de Lilith e a beijou delicadamente, deixando-a molhada onde ele havia beijado. Ela se afastou sem enxugar a mão e sem desgrudar os olhos daquela criatura fantástica. Depois, foi a vez de seu irmão, mas, ao invés de beijar-lhe a mão, ele simplesmente a segurou firme e depois a soltou.

– Pronto! Já tenho os dados genéticos e teor de magia de vocês! – sorriu para os dois. – Elyandro Pontlagua e Lilith Pontlagua, vocês já fazem parte do meu banco de dados. Toda vez que desejarem entrar, basta jogarem neste lago, algo que tenha uma informação genética de vocês, assim como sua mãe fez, está bem? – ambos balançaram as cabeças afirmativamente.

– Só uma coisa… – Elyandro ergueu a mão discretamente, para chamar a atenção para si. – Por que você beijou a mão da minha irmã? – como irmão caçula de Lilith, ele havia sentido um pouco de ciúmes por ela, mesmo que a pessoa que a tenha beijado fosse um dragão.

Esse sentimento fazia parte do carinho que ele sentia por ela, mas que fazia questão de esconder. Afinal, era mais divertido implicar com Lilith do que ser atencioso com ela.

– Porque ela é uma dama…

– Então, você beijou minha mãe também! – acusou.

– Não… – respondeu tranqüilo. – Eu só beijei a mão de sua irmã, porque ela é uma dama especial para todos nós!

– Como assim? – perguntaram os dois irmãos ao mesmo tempo, surpreendendo o dragão, deixando-o sem fala por alguns instantes.

– Ora! Por que não deixamos isso para depois? Está ficando tarde! – interrompeu Suélen, assim que viu uma brecha na conversa.

Ela sabia muito bem o que o dragão queria dizer, mas, acreditava que ainda não fosse o momento certo para revelar tudo aos filhos.

– O senhor poderia abrir a passagem, por favor?

– Com prazer! – o dragão sorriu cúmplice, entendendo a tentativa da mãe em esconder aquele fato.

Ele baixou sua garra até a água do lago e passou suas unhas afiadas, abrindo um talho que foi aumentando cada vez mais, até revelar uma larga rampa que levava a um descampado ao… Céu aberto?

Lilith piscou duas vezes para clarear a visão e ter certeza do que via. Realmente, havia um céu sob o lago! Só podia ser mágica mesmo. A garota desceu a rampa acompanha por sua mãe e pelo seu irmão que estava tão fascinado quanto ela.

Lilith olhava ao redor encantada. O lugar era maravilhoso! Como ela nunca havia visto o Vila Dragon antes? O lugar era um imenso campo florido com diversas flores sortidas e brilhantes que ela não conhecia.

No meio deste campo, havia uma larga vila, apinhada de pessoas, mas todas estavam a pé. Não havia carroças, charretes, cavalos e muito menos carros ou motos. As casinhas, que logo Lilith descobriu serem lojas, eram construções parecidas com as que eram feitas na parte tradicional da Holanda.

Não havia nuvens no céu e ele era de um azul parecido com a cor escura do lago. Talvez, o que ela estivesse vendo, não fosse de fato o céu, mas o próprio lago. Tudo ali era mágico e extraordinário demais para ela.

– Está bem… A primeira coisa é… Deixa eu ver aqui… Hum…

A senhora Pontlagua parou no meio de uma das ruas da vila e pegou um pedaço de papel de dentro da bolsa e o desdobrou. Ela analisava a lista, lendo cada um dos itens e depois olhando ao redor, procurando pela loja mais próxima que venderia algum daqueles produtos.

– Olha! Vamos começar pelas suas vestimentas!

– Tá! – entusiasmou-se.

Ela adorava comprar roupas e sapatos. Não eram os seus produtos prediletos. A garota apenas se deliciava com as novas vestimentas. Não era todo dia que se sentia disposta para experimentá-las e comprá-las. Aquele, no entanto, era um dia excepcional! Seguiu a mãe até a loja sem pestanejar.

– Filha… – segurou-a pelo braço antes que entrasse no lugar. – Deixa eu te avisar uma coisa. – puxou-a para perto e sorriu. – No nosso mundo, algumas roupas especiais não são escolhidas por nós, são elas quem nos escolhem, meio que se enquadram ás nossas personalidades. Este é o caso das roupas que veremos aqui. Elas são como uniformes de Fantasy, portanto, por nós, são consideradas roupas especiais. – Voltou a andar, puxando a filha consigo. – Agora podemos ir!

– Mãe! Espera! O que vai acontecer comigo? Como assim ela vai se enquadrar comigo? – o entusiasmo transformara-se em nervosismo.

– Você vai ver!

Uma vez dentro da loja, toda a insegurança de Lilith sumiu, novamente dando lugar a um sentimento extasiante. As roupas flutuavam de um cabide para outro, pareciam dançar no ar. Os sapatos sapateavam ou simplesmente andavam por todo o piso liso.

Pedaços de pano zuniam de um lado para outro, integrando-se uns aos outros, formando novas vestimentas. O chão de madeira bem encerado dava o toque especial, assim como os espelhos nas paredes e no teto, refletindo toda aquela dança e movimentação estranha e fascinante.

Caminhou pela loja, tomando o cuidado de não esbarrarem nada. Viua mãe ir até o balcão e bater um uma divertida campainha em forma de cabide. Assim que o som agudo se propagou por todo o ambiente, uma mulher atarracada, de cabelos grisalhos e com óculos de fundo de garrafa surgiu de baixo de um amontoado de tecidos. Ela piscou algumas vezes e ajeitou os óculos antes de sair da montanha de pano. Encarou Suélen por alguns instantes e abriu um largo sorriso quando a reconheceu.

– Suélen Pontlagua! – andou até ela de braços abertos, passando reto por Lilith e Elyandro. – Há quanto tempo minha querida! Veio atrás de roupas novas para você?

– Na verdade… – apontou para os filhos depois de abraçar a pequena senhora. – Eu trouxe os meus filhos e estou atrás de roupas novas para a minha filha.

A vendedora mexeu nos óculos novamente e apertou os olhos, tentando enxergar melhor. Arrastou os pezinhos pela madeira e aproximou-se dos dois, analisando-os de cima a baixo.

– Como se chamam? – perguntou com um sorriso singelo no rosto.

– Elyandro… – o caçula adiantou-se para responder.

– Lilith… – disse no tom mais educado que pôde.

O receio voltava a crescer, pois ela sabia que o momento da escolha estava se aproximando e a garota ainda não fazia a mínima idéia de como seria. As suas roupas iriam selecioná-la dependendo de sua personalidade? Ou seria mais pelo seu porte físico? Talvez fosse por afinidade?Em Harry Potternão havia nada daquilo. Não fazia idéia de como seria a seleção.

– Hm… Lilith… Essas serão as suas primeiras roupas? – cruzou os braços, sem tirar o diminuto sorriso dos lábios.

– É… – o sorriso daquela mulher começava a lhe dar calafrios.

Lilith começava a desconfiar se aquele “sorrisinho” servia para tentar, fracassadamente, criar um clima de simpatia entre elas, ou se simplesmente aquela senhora sabia de algo estranho que aconteceria com a garota e já estava se divertindo por antecipação.

– Então, venha comigo, minha jovem! – começou a andar rumo ao fundo da loja.

Sem muitas alternativas, a garota seguiu a senhora, sentindo-se um tanto inquieta a cada passo que dava. Elas iam se aproximando de um espaçoso provador, onde várias roupas em diversas tonalidades encontravam-se penduradas nos cabides. Diferente das demais vestimentas do recinto, aquelas não se moviam. Continuavam inertes no lugar como roupas normais.

– Venha, querida! – a senhora esticou o seu braço de pele enrugada e branca. – Venha, Lilith! – agarrou o braço de Lilith e a arrastou até um dos provadores.

– Calma, senhora… – endireitou-se após ser arrastada. – Como a senhora disse que se chamava mesmo?

– Mas, eu não disse, minha querida. – os dentes surpreendentemente brancos da senhora surgiram um pouco mais. – Se quiser, pode me chamar de Loren.

– Está bem, senhora Loren. – levou os braços para trás. – Poderia me explicar como tudo isso irá funcionar?

– Seus pais não lhe disseram o que iria acontecer?

– Não… – balançou a cabeça devagar, apenas para não perder nenhuma mudança na fisionomia daquela mulher. – Minha mãe apenas me explicou que a roupa vai se enquadrar a mim.

– Ora, ora… – ela esfregou as diminutas e secas mãozinhas – Então, você verá, meu bem…. Você verá… – empurrou-a para dentro do provador.

A garota suspirou desgostosa. Aquela senhora poderia parecer um ser frágil e fraco, contudo, possui muita força nos braços e nas mãos. Talvez, mexer com roupas fizesse bem para o tônus muscular dos membros superiores.

Lilith começou a avaliar o espaço. Era um tanto apertado, contudo, aconchegante. Ao invés do costumeiro banquinho depositado em um dos cantos do provador, ali havia um pequeno puffe vermelho. Os cabides eram feitos de galhos negros firmes e retorcidos. O chão era revestido por um carpete macio e de um tom vinho. A cortina era grossa e aparentemente aveludada, mas, ao tocá-la, sentia-se a flexibilidade gélida da seda.

Havia um espelho alto e todo adornadoem ouro. Lilitho achou lindo, contudo, antes que pudesse analisar a própria silhueta refletida naquele objeto, precisou desviar dos pedaços de pano que começaram a bombardeá-la repentinamente.

– Senhora Loren! – reclamou, apanhando-os do chão. – Cuidado com isso!

– Desculpe querida! – gritou do outro lado. – Mas, quero que vá experimentando essas roupas que lhe passei!

– Passou… – resmungou desdenhosa. – Você as arremessou em mim!

– O que disse?

– Disse que tudo bem! Vou experimentar. – revirou os olhos e acomodou as vestimentas nos cabides. – Há somente vestidos?

– Não… – mais roupas foram arremessadas. – Para os garotos temos calças e blusas.

– Tá, mas, todos são assim? De corte reto? – analisou o que havia pendurado nos cabides. – Não tem nada cinturado, ou com um corte diferente?

– Depois que encontrar a sua roupa, veremos acessórios que a tornem mais confortável e atraente para você.

Lilith deu de ombros e começou a se trocar. Inicialmente, os vestidos pareciam vestimentas normais, no entanto, assim que terminava de ajustá-los ao corpo, algo surpreendentemente estranho e incomodo acontecia.

Primeiramente, havia experimentado um vermelho com um bordado delicado de fada, próximo ao ombro esquerdo. O vestido era bonito, porém a fez começar a flutuar até o ponto de precisar se agarrar à cortina para não bater no teto.

– Senhora Loren! – gritou. – Como eu faço essa coisa parar?

– Calma, querida!

– Lilith? – Suélen ouvira a filha gritar. – Tudo bem, meu bem?

– É claro que não! – a cortina se tornara uma âncora.

– Que demais! – Elyandro entusiasmou-se com a cena. – Mãe, quero flutuar também!

– Filho, você não pode flutuar… ainda.

– Dá para vocês me tirarem daqui de cima! – gritou nervosa.

– Calma… – a vendedora se aproximou dela. E a ajudou a descer um pouco mais. – Você só precisa tirar a roupa.

– Ah sim… – fez uma careta. – Algo extremamente fácil de se fazer, quando se está flutuando loucamente! – olhou para o irmão. – Elyandro, sai daqui!

O garoto retirou-se sem reclamar, o tom de voz da irmã revelava muito bem o grau de revolta. E não seria prudente contrariá-la naquele momento, já que, era extremamente vingativa.

Suélen e Loren a ajudaram a se trocar, mas nenhuma das outras cores das vestimentas com bordados de fada pareciam se “enquadrar” com Lilith, todas a faziam flutuar descontroladamente.

– Muito bem… – a senhora pegou todas nos braços e as depositou, gentilmente, em um canto da sala. – Por que não testamos essas? – pegou a mesma variedade de cores e as colocou sobre o puffe do provador.

– De novo? – Lilith bufou.

– Calma, criança! – ergueu uma delas. – Viu? Essas daqui possuem uma ave de rapina bordada no canto.

– Grande diferença… – resmungou, começando a se trocar mais uma vez.

Mais uma vez, a escolha da criatura também não fora afortunada. Assim que Lilith experimentou a primeira, sentiu algo espetar-lhe o corpo, como se a vestimenta houvesse criado pequenas garras internas que a beliscavam e arranhavam sem parar.

E por insistência de sua mãe e da vendedora, acabou por experimentar todas as cores, passando várias vezes por aquela experiência desagradável.

– Chega! – jogou no chão a última, um vestido de cor azul.

– Calma, filha! – Suélen passou carinhosamente a mão pelo braço da menina. – A roupa nem lhe machucou de verdade.

– Mas, doeu!

– Tudo bem, querida! – Loren tirou aquela pilha de vestimentas e a trocou por outra. – Experimente essas.

– Não! Novamente não! – afastou-se inconscientemente dos vestidos.

– São as últimas! – a senhora pegou uma das peças e começou a passa-la por cima da cabeça da garota.

– Ei! Ei! – Lilith se debatia em protesto. – O que você está colocando em mim dessa vez?

– Pare de se mexer tanto, garota! – Loren usou a força remanescente em seus braços para vesti-la. – Pronto! – afastou-se para observá-la melhor.

– Uma borboleta? – questionou após analisar o bordado no vestido verde que a senhora havia colocado nela.

– Uhum… – a vendedora a analisava dos pés a cabeça. – Está sentindo algo, minha querida?

– Não exatamente… – Lilith parou para se auto-analisar. Não estava flutuando e nem era arranhada por garras invisíveis. – Esse vestido é bem confortável.

– Que bom! – Suélen sorriu animada. – Então, quer dizer que estamos chegando lá. – e apressou-se em ajudar a filha a se trocar.

Verde, amarelo, azul e vermelho. Lilith experimentou todas as quatro cores e, para seu alívio, não foi atacada por nenhum tecido revoltado ou jocoso.

– E então? – as duas mulheres perguntaram ansiosas.

– Bom… – retirou o último vestido. – Não me senti desconfortável e o vermelho foi o melhor até agora. Senti-me muito bem dentro dele.

– Mas, não sentiu nada mais do que isso? – Suélen olhava para a filha como se esperasse que algo de extraordinário fosse acontecer.

– Não… – sentia-se confusa. – Por quê? Era para sentir o que?

– Hum… – Loren suspirou. – Pelo visto teremos que retomar as trocas. – virou-se para pegar todos os vestidos que Lilith já havia experimentado.

– Ah não! De jeito nenhum! – enrolou-se na cortina do provador.

– Vamos experimentar essa daqui mais uma vez? – a senhora estendeu uma das roupas.

– Nem pensar! – disse enérgica. – Já cansei de bater a cabeça no teto ou de pular de dor!

– Mas, querida… – sua mãe olhava-a com olhos suplicantes.

– Mas nada! – com essa última reprimenda, as duas mulheres se calaram. Loren chegou a baixar o vestido que segurava, quase o arrastando no chão.

Lilith percebeu que decepcionara sua mãe e a dona da loja, portanto, respirou fundo, tentou se controlar e admitiu a si mesma que deveria estar mais do que louca para concordar com a birutagem das duas.

– Está bem! Vou experimentar. – ergueu as mãos quando as viu se aproximarem com os vestidos. – Mas, vou experimentar apenas mais UMA! E serei eu quem vai escolher, certo? – as duas começaram a abrir as bocas para protestarem. – Ou isso, ou me visto com minhas roupas e desisto de toda essa loucura! – interrompeu-as.

– Se é assim que você quer… – Suélen deu de ombros, assim como a filha normalmente costuma fazer.

– E qual você vai vestir, minha querida? – Loren apontou para os vários vestidos já experimentados e espalhados pelo local.

– Eu quero… – passou os olhos por todo o local e acabou reparando em uma vestimenta de um lindo tom de vermelho, a qual estava guardada dentro de um estreito armarinho, o qual deixava apenas a barra do vestido a mostra. – Aquela roupa ali!

– Qual? – a senhora acompanhou a direção para a qual o dedo indicador de Lilith apontava.

– Aquele vestido vermelho guardado naquele armarinho ali.

– Mas, aquele vestido… – a dona da loja arregalou os olhos depois de perceber qual ela escolhera para experimentar.

– Aquele vestido o que?

– Filha… – Suélen segurou-a pela mão e a levou até o armarinho. – Esse vestido está neste lugar desde quando o seu pai e eu viemos aqui pela primeira vez. – puxou o vestido e o abriu para a filha. – Lilith, ela nunca se “enquadrou” a ninguém. – colocou-o nos braços da garota, para que ela pudesse apreciar os detalhes por si só. – Ele possui o bordado da borboleta na frente e atrás… – virou-o para ela. – Possui uma magnífica renda, desenhando uma fênix nas costas.

Os olhos de Lilith brilhavam radiantes. A renda possui um degrade lindo em tons vermelhos com as cores vinho e laranja mescladas, sendo que era toda contornada com um delicado aplique preto.

– Além dessa, existem apenas mais quatro vestidos com a fênix desenhada nas costas. – Loren pegou a vestimenta com cuidado dos braços de Lilith. – Mas, se não me falha a memória, essa é a única que pertence ao clã da borboleta.

– Falando nisso, por que vocês estavam me dando apenas três tipos de criaturas bordadas para vestir?

– Por que, as mulheres são divididas em três tipos de clãs. As borboletas, as fadas e as aves de rapina. – a senhora passou a mão pelo tecido enquanto explicava. – E você é escolhida a partir da sua personalidade. A partir do momento que se veste, o vestido sentirá se você se enquadra ou não ao perfil do bordado.

– Entendi, por isso a fada e a ave me repeliam daquela forma, não é? – cruzou os braços irritada. – Mas, não existe um clã da fênix? Da borboleta fênix ou algo do gênero? – apontou para o vestido que havia escolhido.

– Não. – Suélen brincava com os cabelos longos da filha. – Não existe, por isso que é uma vestimenta rara essa que você escolheu.

– De qualquer forma… – Loren começou a dobrar a vestimenta. – Esse vestido é único! Até hoje, ninguém se enquadrou ao perfil dele! É preciso satisfazer tanto as características da borboleta quanto da fênix

– E daí? – descruzou os braços e colocou uma das mãos sobre a roupa. – Eu quero experimentá-la.

– E se ela queimá-la? – Suélen preocupou-se.

– Me queimar? Como assim?

– Não sabemos como ela irá reagir. Ninguém nunca ousou experimentá-la antes. – Loren colocou o vestido sobre uma cadeirinha de madeira. – Ou melhor, ninguém nunca realmente se interessou por ela.

– Isso é verdade. – a mulher soltou o cabelo da filha. – Eu me lembro de me sentir encantada pelo vestido, mas o meu interesse se prendeu no meu primeiro vestido do clã da fada. – sorriu saudosa. – Por mais que esse daqui fosse encantador, o meu vestido parecia me chamar. Não havia como superar!

– Pois bem… – voltou a pegar o vestido nos braços. – Essa roupa aqui está me chamando. Posso sentir! – passou o olhar de Suélen para Loren. – E se for ela? E se eu me enquadrar a ela? – disse teimosa. – Nunca saberemos até que eu experimente, não é?

– Está bem… – a senhora balançou as mãos, desistindo da discussão. – Experimente, então!

– É o que vou fazer! – respondeu no mesmo tom.

Passou os braços por dentro do vestido e permitiu que ele deslizasse sem problemas por seu corpo, encaixando-se perfeitamente. Terminou de se arrumar e voltou a encará-las.

– Podem parar de prender a respiração. – brincou. – Eu me vesti, não me queimei e me sinto extremamente bem!

– Não estamos mais prendendo a respiração por causa do suspense. – Loren parecia pasma.

– Como assim?

– Filha, você está literalmente radiante! – Suélen levou uma das mãos a boca.

Lilith girou sobre os calcanhares e foi em busca do seu próprio reflexo. Agitada, empurrou a cortina do provador que usara antes, desobstruindo sua visão.

– Oh, nossa… – murmurou diante da imagem.

A garota estava envolta em um brilho suave, porém marcante. O vestido parecia dançar em seu corpo. Seus cabelos emitiam uma cálida luminosidade rubra e sua pele parecia possuir luz própria.

Aos poucos a imagem radiante começou a se apagar, voltando à cena habitual. Lilith suspirou desgostosa pelo momento durar por tão pouco tempo.

– É…  – virou-se para as duas mulheres. – Parece que acabei escolhendo o vestido certo. – comentou para aqueles rostos sorridentes.

 

 

 



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