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{abril 10, 2012}   Conto de Dragões

(capítulo inteiro…)

 

 

 

Capítulo 02

Mamãe disse: Nunca fale com estranhos!

 

 

 

 

– Mariane, limpe a sala para mim?

– Claro, mãe!

Já era meio dia, estava morrendo de fome e ainda não sabia a que horas iria comer. Estava desde cedo ajudando a sua mãe a limpar a casa.

– Mariane, chama o seu irmão para mim? Quero que ele vá buscar pão para fazermos um lanche.

– Lanche? Mas, mãe eu quero comida! Arroz, feijão, um bife… Ou até uma lasanha ou uma macarronada! Mas lanche? Lanche não me enche quando estou morrendo de fome!

– Eu e você estamos sem tempo para cozinhar. E o seu pai está lavando os carros e a garagem. Um lanche é melhor que nada!

– Ah, mãe! Então, manda o Will cozinhar! Ele já tem 18 anos, deveria saber fazer pelo menos um arroz e um bifinho, né?

– Você sabe que o seu irmão ainda não sabe cozinhar. Não pega no pé dele…

– Não pegar no pé dele? Mas, ele não tá ajudando em nada! Aliás, nunca ajuda! Só sabe sair com os amigos e ficar no computador! Não dá para ele fazer algo de útil de vez em quando, não?

– Ele já vai fazer. O seu irmão vai pegar o pão na padaria e quem sabe uns frios também. – ela deu um sorrisinho para a filha e foi limpar o escritório.

– Eu mereço… – colocou o pano, que usava para tirar pó, em cima da televisão e foi até o quarto do irmão. – Will! A mamãe quer que você vá até a padaria pegar pão e frios.

– Agora? Eu tô no meio de uma batalha aqui no jogo. Não tem como esperar mais meia horinha?

– Não! Eu, a mamãe e o papai estamos com fome.

– Então, cozinhem algo.

– Não dá! Estamos ocupados! – aquilo a irritava. Não gostava de trabalhar e ver o irmão folgado, retrucando tudo o que pedia. – Vai logo pegar o pão!

– Com que dinheiro? – não desgrudava os olhos da tela do computador.

– Pega com a mãe.

– E como eu vou até lá? Alguém vai me dar carona?

– Deixa de ser preguiçoso! Vai andando! Você é magro e não está ajudando em nada aqui em casa! Tem disposição de sobra para ir a pé até a padaria.

– Ah…

– WILLIAM! – ela virou o rosto do irmão para que a olhasse cara a cara. – Vá logo pegar aquele pão!

– Tá, tá, tá… Já tô indo! – levantou-se rápido da cadeira. – Que menina chata… – resmungava enquanto saia do quarto.

– Moleque irritante! – retrucou enquanto voltava para a sala. – Por que EU tenho que ajudar em tudo e ele pode ficar vagabundeando no computador?

– Mariane, coloca o lixo lá fora para a mamãe?

– Mas, mãe! O pai já está lá fora e eu ainda não terminei de limpar a sala. Não é mais fácil pedir para o papai?

– Mariane! EU estou TE pedindo um FAVOR! – ela já havia parado o que estava fazendo para encarar a filha seriamente.

Lívia fazia aquele olhar que só mãe sabe fazer para os filhos, quando estes tentam arranjar alguma desculpa e fugir de algum pedido.

– Então, POR FAVOR, você poderia levar o lixo lá fora para a mamãe?

– Hupf… Claro, mãe… – jogou o pano sobre a televisão mais uma vez e foi pegar o lixo. – Já estou levando mamãe… – abriu a porta e saiu tentando carregá-lo nas mãos.

– Brigadão, filha! – deu um sorriso de vitória e voltou a varrer a casa.

– De nada, mãe… – respondeu enquanto fechava a porta.

– Ah… Então, a sua mãe te pegou de ajudante hoje? – o pai de Mariane, Leonardo, ria da cara da filha enquanto jogava água sobre o carro para tirar o sabão. – Final de semana passado, eu fui o escolhido. – olhou para a filha e a viu tentando carregar as sacolas de lixo até a lixeira do lado de fora do portão. – Parece pesado… Quer ajuda?

– Não pai. Obrigada. Eu me viro… – arrastou as sacolas até o portão, o abriu e depois, uma por uma, foi colocando-as no cesto. – E você? Faz um booom tempo que está ai limpando os carros e a garagem. Geralmente você faz isso mais rápido. Quer ajuda ou você está simplesmente enrolando para fugir da faxina?

– Se a sua mãe perguntar, diga que hoje os carros e a garagem estão difíceis de limpar. Tem muitaaa sujeira… – deu um sorriso suspeito, confirmando para a filha que tudo aquilo não passava de uma embolação e voltou a limpar o carro.

– Tá… entendi… – Mariane deu um suspiro. Ela queria poder escapar da faxina também, mas alguém tinha que ajudar a sua mãe, não é? E com certeza, esse alguém não seria o seu irmão Will.

– Mariane, telefone para você!

Mariane correu até o aparelho mais próximo. Era um telefone preto e sem fio, que sempre ficava jogado pela casa. Dificilmente ele tinha um lugar especifico para ficar, a não ser quando ficava sem bateria. Nesse caso, era fácil encontrá-lo em seu carregador na sala de televisão.

Ela olhou para o identificador de chamadas do aparelho, mas não conseguiu ver o número, somente aparecia a frase “restrito”. Esperou mais alguns segundos e o ligou.

– Já atendi mãe! – foi até a cozinha e sentou em uma cadeira. – Alô?

– Mariane? – era a voz de um garoto, que pelo tom grave e aparentemente maduro, parecia ser mais ou menos de sua idade.

– Ela mesma… Quem está falando?

– Segredo. – quem quer que fosse, estava dando risada. E era uma risada deliciosa e agradável – Foi você quem sonhou com dragões, não foi? – a voz havia adquirido um tom mais suave.

– Como…? – Mariane sentia seu corpo ficar tenso. Ela não havia tido a oportunidade de contar sobre o seu sonho para ninguém. Como é que aquela pessoa sabia? – Quem é você? Eu o conheço?

– Não… Não pessoalmente pelo menos… – voltou a ficar com um tom mais divertido, como se estivesse para contar algo engraçado. – Mas, quem sabe, em breve não nos vemos por aí? A cidade é tão pequena que com certeza nos esbarraremos em algum lugar.

– Nos vermos? – ela não conseguia entender nada. Como ele saberia reconhecê-la? Eles já haviam se visto? Ele realmente a conhecia?

– Eu já o vi alguma vez?

– Aham… – deu mais uma risada. – Digamos que você já viu o meu… hum… verdadeiro eu uma vez.

– Onde e quando? Nesse dia, chegamos a conversar e eu te passei o meu telefone por acaso? Ou você conhece algum parente ou amigo meu? Sabe… Alguém com quem você possa ter conseguido o meu número? – Mariane tentava descobrir qual era a sua relação com aquele garoto. O seu lado jornalista estava à mil. – Porque… eu não vejo como você…

– Onde e quando? Nossa! Você já se esqueceu? Foi tão recente… – o garoto ria cada vez mais divertido com a situação. – Bom… Nós não chegamos a ter um diálogo, mas, posso dizer que houve uma certa comunicação entre você e eu. E ninguém relacionado a você me conhece, eu apenas… hum… adivinhei o seu número de telefone.

– Você adivinhou? Que brincadeira é essa? – Mariane estava prestes a desligar o telefone. Aquela conversa a estava assustando. Provavelmente estava conversando com um psicopata.

– Espera! Não desliga ainda.  – pediu apressado, quando percebeu que ela pretendia desligar. – Eu tenho mais uma mensagem para te dar antes de desligarmos.

A voz do garoto ficou mais séria. Havia perdido o tom de brincadeira. Parecia mais suave e ao mesmo tempo desafiadora. Mariane chegou até a se sentir atraída e fascinada pela voz nesse momento. Sentiu-se extremamente curiosa para tentar descobrir quem era o dono daquela voz misteriosa.

– Mariane… Dragões são mais reais do que você pode imaginar! Quando você menos esperar, estará esbarrando em um no meio da rua. – ela sentiu que o dono da voz dava um sorriso, pois o tom parecia mais tranqüilo e risonho. – E não se preocupe… Esse dragão não vai estar a fim de te devorar! – deu mais uma risada jovial, e desta vez, foi uma que ela própria considerou contagiante.

– Eu… – não sabia como responder, como reagir.

O que aquele garoto havia acabado de dizer a tinha deixado completamente desnorteada. E o seu medo sendo dominado por um fascínio crescente por aquela voz, não a estava ajudando em nada.

“Será que é possível se apaixonar por alguém, somente ouvindo a sua voz?” era a pergunta que lhe passava pela cabeça.

– Eu… – Mariane respirou fundo, tentando se acalmar. – Eu posso saber o seu nome?

– Meu nome? – do outro lado da linha, um garoto de olhos verdes que brilhavam na escuridão do quarto – como olhos de um gato – sorria deliciado com a conversa. – Meu nome é… Andrey.

– Andrey… – degustou o nome. – Bonito nome. – pela primeira vez na conversa ela deu um sorriso. – Bom… Ao menos agora eu sei o nome do dono da voz misteriosa.

– Huuum… Então eu sou um mistério para você? – Andrey fingiu um tom de decepção. – E eu que pensava que você fosse a pessoa que mais me conhecesse.

– E como eu posso ser a pessoa que mais te conhece, se eu nem sei quem é você?

– Acredite Mariane, você conhece muito sobre mim. – Andrey deixou sua voz mais sedutora, tentando brincar com os sentimentos de sua ouvinte. – E é por me conhecer tão bem… Mais do que todos deste imenso planeta, que eu a escolhi como minha futura companheira. – sua voz ficou ainda mais atraente com um leve tom dominador. – Como minha humana… Minha frágil, delicada e divertida humana…

– Como SUA frágil, delicada e divertida humana?

O garoto não agüentou o tom incrédulo de Mariane e começou a rir enquanto ela falava.

– Em primeiro lugar, QUEM disse que sou SUA?

– Quem? Claro que fui eu, oras! – Andrey ouviu alguém chamá-lo do lado de fora de seu escuro quarto. – Desculpe minha princesa, mas, eu preciso ir…

– Espera! Só me responde mais uma pergunta!

– Então, pergunte logo!

– Andrey…

– Eu?

– O que é você?

Tanto Mariane quanto Andrey estavam com as feições sérias por causa da pergunta. Aquela poderia ser uma parte da conversa bastante reveladora.

– Imaginei que você já soubesse… Que já houvesse descoberto o que sou! – Andrey deu um suspiro longo. – Até mais Mariane. – e desligou sem esperar uma resposta para sua despedida.

– Andrey? Andrey? – ela olhou para o telefone e fez uma careta. – Mas que mal educado! – desligou o telefone e mostrou a língua, como se a pessoa que estava do outro lado da linha pudesse ver. – Desligou na minha cara! Que… Que… Arrogante!

– Mariane! Se você já terminou de falar ao telefone, dá para ir ajudar o seu irmão a preparar os lanches? Estou muito ocupada para ir ajudá-lo.

– Já estou indo mamãe!

 

 



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