World Fabi Books











{abril 11, 2012}   O Destino da Escolha

(capítulo inteiro…)

 

 

2º Capítulo

Lua do caçador mostre teu escolhido!

 

 

 

– Ô Tomé! Vem logo me ajudar, cara! – Leonardo tentava tirar a maca com o corpo de dentro da ambulância.

– Nem morto eu vou chegar perto desse defunto aí… – Tomé se benzeu pela décima vez naquele dia. – Se quiser eu chamo o pessoal daqui do necrotério para te ajudar! Mas eu não vou chegar perto disto aí não!

– Quê é isso cara! Larga a mão de ser maricas e vem me ajudar. Esse presunto é muito pesado! – Leandro tentava puxar a maca sozinho, mas não estava conseguindo ter muito sucesso em suas tentativas.

– Eu já disse! Não chego perto deste homem aí não! – deu meia volta. – Eu vou entrar e chamar alguém para te ajudar! – saiu correndo para dentro do necrotério, ignorando os resmungos do colega.

– Ô… Tomé! – tentou chamar o amigo de volta, mas ao levantar uma das mãos, acabou derrubando a maca, fazendo um barulho enorme. – Mas que droga!!! Por que o Tomé tem que ter esses chiliques e me largar aqui sozinho com esse morto? – abaixou-se para erguer a maca novamente. – Ah Tomé… Aguarde-me companheiro… Aguarde-me… Terei a minha vingança… – colocou-a de volta na ambulância e sentou no chão, encostando-se na roda do veículo.

Enquanto aguardava o amigo chegar com ajuda, Leonardo viu um homem alto, vestido com um sobretudo negro e grandes coturnos, passar indiferente pela ambulância, indo na direção da entrada no necrotério.

– Hei! Amigo! – levantou-se. – Aqui é o necrotério… O que você quer aqui?

O homem parou de andar, virou-se para Leonardo e lhe lançou um olhar frio ao e ameaçador. Não estava com muita paciência para ser barrado por um reles motorista de ambulância, tinha coisas mais importantes a fazer.

– Sinto muito, mas não tenho tempo a perder com você! Tenho urgência em examinar um corpo… – o homem se virou e novamente caminhou para a entrada do necrotério. – Tenha um bom dia… – desejou ao motorista, sem muito entusiasmo e sinceridade.

– E você tem autorização para examinar um corpo? – começou a seguir o homem, ignorando o estranho frio na espinha que sentia toda vez que o encarava.

– Não preciso de autorização para fazer o meu trabalho! – não parava de andar por nem um segundo. Nem ao menos diminuía o passo.

– Então você é um legista? Nunca o vi por aqui antes… Posso ver credenciais?

– Desculpe, mas não sou um legista e não preciso de credenciais para provar nada! – o motorista estava irritando-o.

– Mas que arrogância! E eu ainda estou sendo educado com você! – Leonardo pegou no ombro do homem, tentando, em vão, fazer com que parasse de andar. – Por que não me trata com mais respeito?

– E por que eu deveria tratar com mais respeito o homem que interfere em meu caminho? – diminuiu o passo e lançou um olhar sinistro ao pobre motorista. Leonardo sentiu um forte arrepio na espinha e largou o homem. Quem, diabos, era ele?

O rapaz sombrio entrou no necrotério, sem encontrar mais nenhum obstáculo a sua frente. Dava passos decididos e firmes, estava muito determinado a cumprir aquilo que viera fazer ali.

– Com licença… Quem é o senhor? – perguntou um homem com os cabelos já grisalhos, parado na porta da sala de autopsia.

– Sou Bruno… Bruno Lispector… E estou aqui para examinar um corpo. – encarou-o com um ar de autoridade, enquanto se anunciava.

– É legista? – perguntou um pouco intimidado com a postura autoritária daquele rapaz de vestes negras.

– Não.

– Hum… Então por que você quer examinar um corpo?

– Porque é a minha obrigação! – Bruno passou pelo homem e entrou na sala. – Onde está o último corpo?

– Lá fora… Um dos caras que trouxe o corpo levou um pessoal para ajudar a tirar o finado da ambulância!

– Obrigado… – virou-se, fazendo o sobretudo esvoaçar e voltou para a ambulância.

Ele ignorou as perguntas que o homem lhe fazia, não queria perder seu precioso tempo com as coisas que considerava insignificante. Assim que chegou perto da ambulância e viu os homens retirando o corpo, acelerou o passo. Iria examinar o cadáver ali mesmo!

– Podem deixar esse corpo aí no chão, mesmo! – ordenou, tirando luvas negras de dentro dos bolsos. – Irei examiná-lo aqui mesmo. – calçou as luvas e parou ao lado do cadáver.

– Você de novo, cara? – Leonardo largou a maca, nervoso com a nova intervenção presunçosa de Bruno. – Dessa vez você terá que mostrar algo que lhe autorize mexer nesse cidadão morto, senão seremos obrigados a despachá-lo!

– Muito bem… – com um ar cansado, Bruno arrancou um papel amassado de dentro do bolso. – Tenho a autorização do Papa… Serve? – colocou-o na mão de Leandro. Ele não queria mais confusão, essas burocracias só pioravam as coisas. Mas se ele se recusasse a fazê-lo, sabia que acabaria se atrasando ainda mais. Não liga para brigas, pois na certa os venceria de olhos fechados, porém, ele se importava com o tempo. Odiava demorar-se mais do que o necessário em uma missão.

Leonardo encarou-o com um olhar surpreso, pegou o papel e o leu. Percebeu que ali havia a assinatura do Papa, só não sabia se era verdadeira. Mas quando olhou para a cara de Bruno mais uma vez, sentiu novamente um frio percorrer-lhe a espinha e deixou o homem examinar o corpo. Fez sinal com a cabeça, e os homens que Tomé havia chamado para ajudar a carregar o pobre coitado, o colocaram no chão.

Bruno se ajoelhou do lado do corpo e começo a examiná-lo.

– Sem hematomas nos pulsos… No corpo… – virou um pouco o pescoço do cidadão. – He… Marcas de dentes… No pescoço… – se levantou. – Isso já é o suficiente para mim! – olhou para Leonardo. – Onde vocês o encontraram?

– Lá na Praça das Águas… – Leonardo colocou as mãos no bolso e evitou encarar os olhos de Bruno. – Algum marginal o atacou e largou o corpo do coitado em um dos bancos…

– Obrigado! – Bruno despediu-se dos homens um pouco mais animado do que quando havia chego ali e foi rumo à Praça das Águas.

Ele estava agitado. Tinha certeza absoluta de que estava no caminho certo… Bruno iria encontrar a sua presa de qualquer maneira, custasse o que custasse.

– Pô… Cara estranho esse daí, ein! – Leonardo voltou a ajudar os colegas a levantar a maca.

– Sei não Leo… Você viu como ele ficou depois que viu as marcas no pescoço do homem? – Tomé acompanhava o amigo, porém mantendo uma distância razoável do corpo.

– Agora você vai querer inventar que o canalha que matou este homem é um vampiro e que o homem que estava aqui era um caça vampiros? É seriado da Buffy agora? – riu alto. – Me poupe Tomé… – e desapareceram necrotério adentro, levando o corpo.

Bruno dirigia sua moto em alta velocidade. Queria chegar o mais rápido possível a Praça das Águas. Nada o faria perder a ansiedade de encontrar sua presa, Exceto…

– Nossa… Você viu aquele cara ali? – comentava uma garota loira para sua amiga, apontando para Bruno. – Gostei da moto!

– Hum… E eu do motoqueiro! – brincou a amiga aos cochichos. – Vamos chamá-lo aqui? – a outra concordou com a cabeça. – HEIII! MOTOQUEIRO!

Bruno olhou para o lado e viu duas lindas e charmosas garotas paradas na calçada acenando para ele. Ele sabia que deveria continuar a sua caçada, mas seu ego e desejo masculinos o fez parar de maneira exageradamente elegante na frente das garotas. Precisava exercer sua outra função de “caçador”!

– Como vão as donzelas? – desceu da moto e tirou o capacete.

– Nossa… Donzelas?! – as amigas entreolharam-se, trocando sorrisinhos marotos. – Vamos bem…

– E por acaso poderiam me dizer os seus nomes? – ele as examinava dos pés a cabeça com certa malicia e desejo.

– Sou a Letícia! – a garota jogou seus cabelos lisos e loiros para trás.

– E eu sou a Anna! – a outra ficou a mexer em seus cabelos castanhos e cacheados. – E você? Como se chama?

– Bruno! – lançou-lhes um olhar sedutor e cheio de volúpia. – Gostariam de dar uma volta de moto?

– Como? – Anna apontou para a moto. – Aí só cabe mais uma de nós e você fez o convite para as duas!

– Bom… – olhou para a própria moto e depois voltou a encará-las, nutrindo no rosto um sorriso simpático, cheio de segundas intenções. – Uma de vocês vai ter que ir na minha frente, enquanto a outra vai atrás de mim… O que acham? É um pouco perigoso, mas eu garanto que cuidarei muito bem das senhoritas.

As garotas entreolharam-se novamente. Por acaso aquele homem REALMENTE havia acabado de chamar as duas para sair ao mesmo tempo? Pelo visto ele deveria ser muito confiante e experiente nesses tipos de convite para ter certeza de que iria dar conta de duas garotas em um mesmo compromisso.

– Hum… Está bem… – Letícia olhou para a amiga com um olhar animado e ao mesmo tempo curioso. – Mas eu vou atrás!

Anna sentou-se na moto, enquanto Bruno se acomodava logo atrás dela, passando os braços rentes ao corpo da garota para que pudesse guiar a moto. E Letícia sentara logo atrás, segurando com firmeza e vontade a cintura do motoqueiro.

– Prontas? – esperou até que confirmassem e deu partida. Iria dar uma longa volta de moto com elas e… Se suas investidas fossem um sucesso… Poderia ganhar algo além de números de telefones.

A noite já estava chegando, começando a expulsar o brilho radiante do Sol do céu. Bruno parecia ter se esquecido totalmente de sua outra caça… Agora tinha olhos apenas para suas novas presas!

 

 



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

et cetera
Crônicas da Gaveta

Relatos amadores de um coração cardisplicente...

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Writing and Film Festival Review

Feature Screenplay, TV Screenplay, Short Screenplay, Novel, Stage Play, Short Story, Poem, Film, Festival and Contest Reviews

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

• powersx3

' in your mind,i have all power #

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

nicoleravinos

"Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado"

Action Nerds

Bonecos, tirinhas e nerdices. Aqui você encontra tudo isso!

%d blogueiros gostam disto: