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{abril 15, 2012}   Uma vida de Herói

(continuação do primeiro capítulo…)

 

 

Um dia daqueles…

 

 

 

– Aline. – ouvi meu nome ser chamado. Olhei ao redor, mas não vi ninguém.

– Luka? – relutantemente me afastei da fogueira. Caminhei ao redor do acampamento improvisado, estreitando os olhos para tentar enxergar melhor na escuridão da noite. – Você me chamou?

Luka havia saído para caçar e, pelo o que eu podia ver pela posição da lua, já havia se passado mais de duas horas.

Eu podia sentir o meu coração martelando dentro do peito. A adrenalina, com certeza, já estava circulando por minhas veias. A respiração estava mais pesada e as pupilas dilatadas.

Normalmente ele não demora em conseguir abater dois coelhos ou um veado. No entanto, dessa vez…

Eu estava apreensiva.

– Luka! – chamei mais alto.

Será que ele havia sido apanhado?

O que eu faria? Obviamente, precisava salvá-lo, mas como e de quem?

– Não devia ter o deixado sair… – resmunguei, voltando até a fogueira, apenas para pegar minha adaga e alguns materiais para tornar minhas magias mais poderosas, caso fosse preciso. – Da próxima vez, ou caçamos junto ou nada de janta… – reclamei, enquanto começava a me embrenhar pelas árvores, seguindo a direção de onde julguei vir a voz.

Caminhei em silêncio, tomando o cuidado para não pisar em muitos gravetos e folhas secas.

Ouvi um ruído baixo vir em minha direção e depois parar. Estagnei e prendi a respiração. Olhei cautelosa ao meu redor, porém, mais uma vez, não vi nada.

A tensão aumentava, a adrenalina não passava e eu podia jurar que conseguia ouvir a minha pulsação forte e acelerada.

Mais um ruído!

Virei-me.

Outro ruído!

Dei um passo a frente.

Novamente outro e mais outro e mais outro! Todos vinham de direções diferentes. Ou eu estava ficando paranóica ou estavam brincando comigo!

Resolvi dar o braço a torcer, não queria convocar a luz, pois temia chamar a atenção de algum suposto inimigo. Contudo, precisava admitir que daquele jeito eu não iria muito longe. Era praticamente impossível enxergar algo por entre as árvores.

Fiz a conjuração o mais baixo que pude. O tempo todo fiquei agarrada a minha adaga, inclusive podia jurar que em breve a circulação pararia na minha mãe direita, por causa do tamanho da força que eu fazia.

Uma espiral de luz surgiu, me rodeando. Respirei fundo e fiz com que aquela linha iluminada se expandisse e percorresse o espaço todo ao meu redor.

Acompanhei o movimento de minha conjuração, buscando por algo ou alguém que fosse responsável por todos aqueles ruídos e, talvez, pelo desaparecimento de Luka.

Foi quando eu vi uma sombra se mover por entre as árvores. Esquivou-se da luz e escondeu-se atrás de um tronco.

– Luz, volte! – ordenei, apontando para o espaço em que vira alguma coisa.

Minha conjuração me obedeceu e circundou o local indicado, no entanto, não havia nada ali.

Eu não poderia ter imaginado aquilo! Ou poderia…?

Senti um frio percorrer minha espinha e minha pressão caiu quando senti algo respirando em minha nuca.

Não houve tempo para qualquer tipo de reação da minha parte! Antes que eu conseguisse me defender, uma mão forte tampou minha boca, enquanto que um braço circundava minha cintura, me prendendo e me arrastando para algum lugar.

Durante o desespero, me desconcentrei e perdi minha conjuração. A luz se apagou e me vi envolta em trevas novamente!

 

 

 ………………………………………………………………………

 

Luka! Luka! Luka!

Chamava freneticamente. Eu estava impedida de gritar, contudo, ainda estava consciente e rezava para que Luka não estivesse bravo demais comigo. Ele não poderia ter desfeito a nossa conexão, eu precisava desesperadamente que ele recebesse o meu chamado.

Luka! Por favor, Luka!

– Quer parar de me chamar? – aquilo me surpreendeu.

Senti o aperto sobre minha boca diminuir e o braço ao redor da minha cintura afrouxar um pouco, apenas o suficiente para me permitir virar o corpo e ficar frente a frente com meu raptor.

– Luka! – exclamei surpresa demais para poder dizer qualquer outra coisa.

– Oi, querida! – com a mão livre, ele começou a brincar com os meus fios ruivos. – Sentiu minha falta? – deslizou os dedos até o meu queixo e puxou meu rosto para mais perto. – Por que você demorou tanto?

– Demorei? – a pergunta me despertou daquela letargia. – Como assim demorei? – tentei me afastar dele, porém, Luka sempre fora muito mais forte do que eu. – Seu cretino! Sabe o quanto estive preocupada com você? – comecei a bater nele, sem me importar se estava usando força demais ou não. – Sabe o quanto fiquei assustada?

– Calma, calma… – ele segurou meus pulsos com apenas uma mão, o que me deixou ainda mais irritada.

Em minha opinião, é totalmente injusto ele ser tão forte a ponto de conseguir me deter com tão pouco!

– Me solta, Luka! – adverti.

– Mas, que gatinha mais selvagem e arredia temos aqui! – ele começou a roçar os lábios por minha bochecha.

– Já falei para me soltar! – comecei a murmurar algo. – Fogo, vinde a mim! – fiz a conjuração e comecei a aquecer minhas mãos lentamente. – Vai me soltar, agora?

– Não! – seu olhar estava obstinado demais para o meu gosto.

– Luka… – tentei usar o meu melhor tom de ameaçar, enquanto me aquecia ainda mais. – Então, vai acabar se queimando.

– Pode me queimar se quiser. – seus olhos não perdiam os meus. – Mas, eu não vou soltá-la. – apertou-me ainda mais.

– Luka! – me surpreendi com a atitude dele. – Estou falando sério!

– Eu também estou. – grudou meu corpo ao dele, reforçando a mensagem.

Bufei e me dei por vencida. Desfiz a conjuração e deixei que meu corpo voltasse a temperatura normal.

– Melhorou… – ele voltou a roçar os lábios pelo meu rosto. – Aline… – passou a mordiscar meu beiço. – Você precisa parar de me repelir tanto.

– Mas, temos inimigos que poderiam… – fui calada por um beijo.

– Esqueça-os só por um segundo, por favor. – continuou me beijando. – Eu lhe imploro para que os esqueça por um instante. – eu sempre amei vê-lo implorando a mim. – Me faz muito mal ficar tanto tempo sem você, sabia?

– Mas, não foi você mesmo quem antes mencionou a estalagem de ontem à noite? – provoquei.

– Ontem para hoje já é tempo demais para mim. – a voz dele se tornou rouca e carregada. Podia sentir a tensão aumentar nos músculos de Luka e aquilo me fez arrepiar completamente.

O momento estava ótimo, aliás, perfeito! No entanto, sempre há uma força cretina que deve se divertir em frustrar as pessoas.

Eu estava me derretendo nos braços dele, totalmente alheia ao mundo ao nosso redor, quando um barulho me trouxe de volta à realidade.

Passos!

Estavam distantes, mas, de qualquer forma, não o suficiente.

Abri um dos olhos para espionar o ambiente e percebi que a fumaça que vinha de nosso acampamento aumentou por alguns segundos e depois diminuiu drasticamente, se tornando quase “inexistente” no ar.

– Luka. – chamei, tentando infelizmente separar meus lábios dos dele.

– Aline… – ele sussurrou, não entendendo o verdadeiro motivo de ter chamado seu nome antes.

– Não. – afastei-o um pouco. – Luka, não é isso.

– Não é o que? – os olhos dele estavam desfocados e suas pupilas dilatadas.

– Luka, tem alguém em nosso acampamento! – resolvi encerrar com aquela ladainha sem sentido e ir direto ao assunto.

– O quê? – finalmente seu olhar ganhou foco. – Sério? – ele se virou e o vi arfar quando percebeu que a nossa fogueira havia sido apagada.

– Espero que sejam saqueadores… – murmurei. – São mais fáceis de lidar.

– Fique aqui! – o vi arrumar as vestes e erguer sua jambia, uma espécie de adaga árabe.

– Claro que não! – orgulhosa e teimosa, procurei por minha adaga.

– Você virá de qualquer jeito, não é? – afirmei veemente com a cabeça. – Então, ao menos arrume suas vestes. – apontou para mim. – Não quero nenhum outro homem olhando para você.

Senti meu rosto esquentar. Baixei o olhar e percebi que minhas vestes estavam quase que completamente abertas e totalmente desalinhadas. Quando foi que isso aconteceu? Percebi o rubor e o calor aumentarem a cada detalhe que eu arrumava em minha roupa.

– Muito bem… – Luka me deu um terno beijo no topo de minha testa. – Tome cuidado, Aline.

– Sempre tomo. – sussurrei, beijando-lhe uma das bochechas. – E você deve fazer o mesmo.

Luka me jogou mais um de seus sorrisos tortos e ladinos. Sorri de volta, não conseguindo resistir à cena. Ele nunca perdia a oportunidade de bancar o herói galã.

Armados e preparados caminhamos sorrateiramente até o acampamento. Com uma conjuração do ar, Luka ia afastando as folhas e os gravetos de nosso caminho, tornando o trajeto o mais silencioso possível para nós.

O local estava escuro e as nossas coisas estavam reviradas, porém, aparentemente nada havia sido levado. Escondemos-nos, usando a noite e a vegetação nativa ao nosso favor e esperamos, analisando um pouco mais a cena.

Notei que a fogueira fora apagada com água, contudo, ainda havia algumas fagulhas vivas. Também havia pequeninas poças de água misturadas com as cinzas. O que era ótimo, eu poderia fazer a conjuração para aqueles dois elementos, caso precisasse.

– Olhe! – Luka sussurrou em meu ouvido, apontando para um vulto vagando de um lado para outro. Parecia procurar por algo ou tentar se certificar de que não havia alguém por perto. – Vou conjurar as trevas e apagar qualquer fonte de luz que ele esteja usando.

– Ok. – analisei a situação. – E eu vou chamar pela luz para ofuscá-lo quando formos atacar.

– Perfeito! – ele sorriu para mim. – Fique pronta.

Respiramos fundo e num gesto simples, Luka indicou o momento do ataque. Ele transformou o local ao redor do invasor em escuridão total.

Levantamos-nos e corremos. Quando estávamos a alguns centímetros, conjurei a luz e a joguei sobre o rosto da pessoa, tomando o cuidado de pedir para que ela não se tornasse intensa demais a ponto de nos ofuscar também.

– Uma mulher? – Luka se refreou completamente e quase prendeu a jambia em suas vestes em uma tentativa brusca de baixá-la.

– Você? – também parei surpresa.

– Hã? – Luka me encarou. Acredito que a pergunta que estava presa em sua garganta era: “você a conhece?”.

– Aline? – a mulher perguntou, reconhecendo minha voz, já que não conseguia me enxergar direito.

– O que você está fazendo aqui, Kate? – fiz minha conjuração diminuir a intensidade e se afastar do rosto dela.

– Há quanto tempo, querida! – ela pousou as mãos sobre a cintura e tentou me encarar de forma jocosa.

– Quem é ela? – Luka passava os olhos de mim para ela e vice-versa.

Bufei irritada e arremessei minha adaga ao chão, cravando a lâmina na terra, tamanha a força que empreguei.

Passei as mãos pelos cabelos e à Kate lancei um olhar que julguei ser realmente ameaçador, a julgar pela reação assustada de Luka ao me observar.

– Luka… – preferi suspirar desgostosa a prender a respiração em aborrecimento. – Essa é a minha prima e maior tormento em minha vida! Lhe apresento Katherine, a golpista!

 

 

 



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