World Fabi Books











{abril 18, 2012}   As Guardiãs da Fênix – O Começo!

(continuação do segundo capítulo…)

 

 

 

 

Vila Dragon.

– Mãe, aquilo da roupa vai acontecer comigo também? – Elyandro ajudava a mãe e a irmã a carregarem as sacolas com trocas de vestidos vermelhos, acessórios, peças de roupa diversas, sapatos, apetrechos, aparatos, materiais entre outras coisas.

– Sim, meu filho. – sorriu para o garoto. – Mas, no seu caso, vai precisar escolher entre outros três clãs: o do leão, o da serpente e o do dragão.

– Posso fazer mais uma pergunta? – ajeitou uma parte das sacolas nos ombros, para diminuir o peso em uma das palmas.

– Pode, filho… – mexeu os braços, ajeitando melhor as compras.

– Então, me diz uma coisa… – bufou mal humorado. – Por que eu tenho que carregar tudo isso, se não tem nada meu?

– Ora, porque você é um garoto educado e muito bem criado que está ajudando sua mãe e sua irmã, duas lindas damas, a carregarem suas compras. – piscou jocosa. – Vamos lá, filho! Seja um cavalheiro e continue nos ajudando.

Elyandro bufou mais uma vez e revirou os olhos diante da expressão falsamente suplicante de sua mãe. No entanto, continuou a carregar as sacolas sem reclamar.

Suélen puxou a bolsa para mais perto e abriu o zíper, retirando de dentro uma pequena lista dobrada em quatro partes.

– Vejamos… Já compramos o caldeirão de estanho resistente que a senhorita queria… – olhou de soslaio para a filha, relembrando-a do quão caro sairá o apetrecho.

– Mas, estanho é o melhor material para caldeirões!

– Você diz isso só porque o vendedor disse. – Elyandro retrucou.

– É claro que não! – Lilith fuzilou-o com o olhar.

– Até parece! – riu. – Você nunca precisou se preocupar com esse tipo de coisa antes.

– Mas, não quer dizer que eu já não soubesse.

– Você entrou na primeira loja em que viu caldeirões expostos! – continuou a zombar da irmã. – Nem mesmo fez uma pesquisa por outras lojas, antes de pedir para a mamãe comprar aquele de estanho.

– Você nunca foi tão racional assim com dinheiro e compras. – provocou. – Está com inveja, é?

– Chega! Parem de brigar! – Suélen se impôs na discussão. – De qualquer forma, o caldeirão já foi comprado. – voltou a analisar a lista. – As roupas também já estão aqui, o pentagrama para convocações, a colher de pau para as receitas mágicas, o cálice para rituais… – foi passando os olhos pelos itens e murmurando. – Buril, ok. Sino, ok. Vassoura, ok. Balança, ok. Livros, ok… – suspirou. – Parece que falta comprarmos um telescópio, um conjunto de frascos, uma chave mágica, um cetro, um espelho mágico, uma varinha e, finalmente, uma espada cerimonial!

– Mais lojas? – Elyandro quase deixou o corpo amolecer em desanimo.

– Bem… Podemos conseguir a maioria dessas coisas naquela loja ali. – apontou para um chalé largo e amplo, com uma simpática placa de madeira pendurada na fachada. Entalhado nela estava o nome do estabelecimento: Artefatos e Fatos de Magia.

Uma vez dentro da tal loja, os três passaram algum tempo escolhendo um telescópio que fosse bom e capaz de ver além do universo visível aos olhos de pessoas comuns; um conjunto de frascos que não explodissem com as poções a serem preparadas; uma chave mágica própria para ser enfeitiçada para abrir portais entre dimensões paralelas; um espelho mágico parecido com o da história de Branca de Neve; e um cetro de ótima qualidade, capaz de auxiliá-la nas proezas mais complicadas que aprenderia em Fantasy.

– Agora, só falta a espada e a varinha! – Suélen respirou fundo ao sair da loja, carregando ainda mais sacolas.

– A escolha da minha varinha será como no filme de Harry Potter? – Lilith entusiasmou-se.

– Não exatamente. – tentou ponderar. – Você precisa se identificar com sua varinha e não o contrário, como praticamente foi com suas roupas.

– Bom… Acho que estou fazendo comparações demais desse mundo com a série, não é? – sorriu sem graça.

– Digamos que tem muita coisa parecida entre os dois. – Suélen sorriu. – Acho que a autora deve ser uma wiccaniana! – brincou, recordando-se da suspeita que Selso levantaram naquela manhã. – Vai que ela quis escrever sobre nosso mundo, porém, sem ser exata demais para não prejudicar ninguém.

– Sabe, dadas as circunstancias em que nos encontramos, não duvidaria da sua hipótese! – Lilith olhou ao redor. – Aparentemente, tudo é possível agora.

– De qualquer forma… – deu de ombros. – Vamos até à Artesã e Ferreiro fazer as ultimas compras do dia?

Não foi preciso caminha muito entre uma loja e outra. Alguns passos depois, já podiam avistar uma casa baixa e comprida, a aparência lembrava um pequeno galpão extenso, com uma pequena chaminé de inverno.

Ao se aproximarem da construção, perceberam que os tijolos vermelhos pareciam estralar e a chaminé, aparentemente, não parava de exalar fumaça, ora branca, ora preta. Do lado de fora, o lugar dava a impressão de ser como uma sauna por dentro e isso não animou nenhum dos dois irmãos.

– Posso esperar do lado de fora? – Elyandro apoiou as sacolas no chão, recostando-as na parede.

-Malandro… – Lilith sussurrou para o irmão.

– Você quem sabe. – Suélen colocou suas compras ao lado das que o filho havia depositado no chão. – Mas, terá que ficar de olho em tudo.

– Por mim, tudo bem! – deu de ombros.

Lilith também colocou as sacolas que carregava no chão e ajudou Elyandro a ajeitá-las em um canto. Viu-o se sentar ao lado delas e tirar o celular do bolso do shorts.

– Mãe, aqui tem sinal de celular? – balançou o aparelho nas mãos.

– Tem sim. – apontou para as pessoas ao redor, as quais pareciam praticar magia. – Só tome cuidado com a interferência. Algumas pessoas gostam de pregar peças, usando ondas eletromagnéticas e tecnologia.

– Ok… – ligou o aparelho e começou a mexer em um jogo online.

Lilith revirou os olhos diante da indiferença do irmão. Se fosse ela, estaria analisando cada detalhe do lugar.

– Isso só pode ser ciúmes… – resmungou.

– O que disse, filha? – Suélen passou o braços pelos ombros da garota, enquanto entravam na loja.

– Nada não, mãe. – suspirou e se preparou para as surpresas que encontraria ali dentro.

———————————————————————————————

Assim que as porta se fecharam atrás delas, colocando-as definitivamente para dentro de um mundo repleto de varinhas e espadas, tudo das mais varias formas, tamanhos e cores.

O ambiente era um tanto escuro, porém, repleto de detalhes surpreendentes, como miniaturas de dragões perambulando por entre as lâminas, pequeninos grifos brincando por entre as hastes de madeira entalhada, entre outras mini criaturas mitológicas que perambulavam livremente pelo lugar.

Antes que pudessem dar mais algum passo, foram abordada por uma simpática senhora, a qual, aparentemente, havia surgido de algum canto escuro da loja.

– Sejam bem vindas, minhas queridas!

Lilith estreitou os olhos para analisá-la melhor. Ele lhe era extremamente familiar. Observou-a por mais alguns segundos até conseguir se lembrar de onde poderia conhecê-la. E se sentiu uma parva por não conseguir recordar de um acontecimento tão recente.

– A senhora por acaso é irmã da Loren da loja de roupas? – perguntou de pronto, sem vergonha.

– Não, não… – sorriu em resposta. – Não sou irmã da Loren da Se vista com Mágica.

– É que vocês duas são tão parecidas… – comentou surpresa.

– Não sou irmã dela, mas sou prima. – riu diante da expressão de esclarecimento no rosto de Lilith. – Agora, faz mais sentido, não é? – continuou a rir enquanto caminhava pela loja, fazendo gestos para que a seguissem.

As duas seguiram a senhora, indo se embrenhar em um canto abafado e com um forte cheiro de fomo, onde as paredes eram repletas de estantes com caixas, papéis, alguns livros e estatuetas de homens e mulheres, aparentemente, praticando magia.

– Como está o seu marido, Suélen? – a senhora parou de andar e apontou para dois bancos de madeira, onde podiam se sentar.

– Está bem, obrigada! – sentou-se com delicadeza, ajeitando o vestido ao fazê-lo.

– Ainda me lembro da primeira vez que você e Selso pisaram em minha loja. – sorriu saudosa. – Sem foram boas crianças…

– Obrigada, Edna. – Suélen retribuiu o sorriso, transparecendo muito carinho pela vendedora. – Dessa vez, eu trouxe meus filhos. O caçula, Elyandro, está lá fora cuidando das compras. – apontou para um espaço qualquer atrás de si. – E esta daqui é a minha primogênita, Lilith. – passou a mão pelos cabelos da filha. – Ela acabou de receber uma carta de Fantasy.

– Você parece ter o poder da sua mãe! – Edna beliscou levemente o queixo da garota.

– Como assim? – Lilith olhou tanto para a senhora quanto para sua mãe.

– Aqui, dizer isso é tão comum quanto dizer que você é parecida comigo, ou que tem os meus olhos… – Suélen balançou uma das mãos em movimentos repetitivos e lentos. – Coisas do gênero.

– Certo… – murmurou. – Entendi.

– Querida, tente experimentar essa varinha. – colocou-a na mão da garota.

– Experimentar? – com o olhar buscou pela ajuda da mãe.

– É só mover. – disse Suélen, fazendo gesto de incentivo a filha.

– Assim? – começou a balançar a mão.

– Sente algo diferente, querida? – Edna observava com atenção.

– Sinceramente, não…

– E com essa? – trocou a varinha.

– O que eu supostamente devo sentir?

– Você saberá. – entregou-lhe outra. – Se ainda não sabe, é porque não sentiu.

– Interessante, mas… Também não é essa.

Ao todo, Lilith experimentará quase vinte varinhas diferentes. Balançava-as de um lado para outro, brincava com os movimentos e até arriscava algumas palavrinhas, porém… Nada!

– Será que essa luva atrapalha? – começou a retirar as luvas vermelhas que cobriam parcialmente suas mãos e deixavam os dedos de fora.

– Atrapalhar, não atrapalha. Mas… – algo chamara a atenção da senhora. – O que é isso na sua mão? – delicadamente, segurou a mão esquerda da garota e a puxou para mais perto de sua vista. – É uma cicatriz em forma de olho?

– Hm… é! – lançou um breve olhar na direção da mãe e continuou. – Quando eu era mais nova presenciei o assassinato de meu primo. – engoliu em seco. – Eu não me lembro como as coisas aconteceram. Todos me contam que um psicopata entrou em nossa casa e atacou minha família e a mim. – prendeu a respiração. – Só consigo me lembrar da dor e do desespero. Mais nada…

– Lilith conseguiu nos defender. – pousou a mão sobre o colo da filha, dando-lhe apoio. – Desde pequena, ela sempre foi um prodígio na magia, mas, o assassino conseguiu feri-la. – apertou a coxa de Lilith. – Ela salvou a todos nós.

– Menos meu primo… – sussurrou. – E a última lembrança que me restou dele, foi essa cicatriz bizarra, feita no dia de seu assassinato. – puxou a mão de volta para si.

– Então, quer dizer que a história de que você o derrotou, era verdade? – a vendedora arregalou os olhos.

– Derrotei quem? – Lilith ergueu os olhos e a encarou surpresa.

– Oh, não! – Edna levou as mãos à boca e lançou um olhar culpado a Suélen. – Ela não sabia!

– Eu não sabia o que? – sentia-se perdida.

– Desculpe por isso, Suélen! – a senhora parecia realmente arrepender-se de algo.

– Mãe, o que está acontecendo aqui? – encarou-a exasperadamente.

– Calma, filha! – a abraçou. – O assassino que você derrotou, era um grande rival de minha família. – apertou-a mais forte contra si. – Digamos que ele é um wiccaniano das trevas.

– E por acaso há alguma profecia que eu deva saber?

Lilith não sentia vontade alguma de comparar a própria realidade com as obras de J. K. Rolling, como vinha fazendo. No entanto, fora inevitável fazer a pergunta, pois, se havia tanta coisa similar, o que a impedia de imaginar que a ficção fora baseada em alguma realidade obscura, na qual ela estava envolvida?

– Não sabemos ainda… – Suélen fora sincera. – A única coisa que sabemos é que o cretino do Trivon foi o responsável pelo assassinato do seu e do meu primo! – trincou os dentes.

– Me desculpem por isso, queridas! – a vendedora aproximou-se solidaria ao momento.

– Tudo bem, Edna! – a mulher endireitou-se, soltando a filha do abraço. – Uma hora ou outra eu precisaria contar a verdade para Lilith. – continuava a manter a mão na perna da garota. – Desculpe por esconder tanta coisa de você, querida.

– Eu entendo, mãe. – respirou fundo. – Não estou brava, apenas um pouco chateada. Mas, logo passa. – arriscou um sorriso. – Por que não deixamos as lembranças ruins de lado, assim como o papai recomendou hoje de manhã, e não continuamos com as varinhas?

– Claro! – Suélen sentiu-se agradecida pela filha ter sido compreensiva.

– Ótimo! – Edna depositou uma varinha de madeira avermelhada e lindos entalhes dourados. – Bem… Esta que lhe entreguei é uma das varinhas originárias da Fênix – apontou para os desenhos entalhados. – E esta daqui é aquela que representa o poder da mente que esse ser possui. – sorriu. – Ela é única! Aí dentro estão gravados todos os poderes dela, juntamente com a sabedoria acumulada por todos os donos anteriores e pela própria ave que se doou para a confecção da varinha.

– Como assim “se doou”? – Lilith arregalou os olhos.

– Essa Fênix em específico preferiu doar suas penas, poderes e lembranças um pouco antes de falecer. – passou um dos dedos pelos detalhes da varinha, demorando-se em um que se assemelhava muito com a forma da cicatriz da garota a sua frente. – Mas, não se preocupe. Toda Fênix renasce e não foi diferente para essa. – afastou-se um pouco. – Você quer tentar usá-la?

– Uhum… – Lilith sentia a mão formigar e seu corpo todo parecia ter se tornado numa corrente elétrica.

Enquanto movimentava a mão, percebeu que uma delicada fumaça dourada se desprendia da ponta da varinha e ia se acumular no chão, ao redor dos pés dela.

– Incrível! – comentou espantada. – Sinto como se cada uma de minhas terminações nervosas estivessem mais do que desperta, totalmente agitadas! – começou a brincar com o objeto. – E olha só isso! – fazia a fumaça se espalhar pelo ambiente. – É simplesmente lindo!

– Parece que já temos a varinha certa! – Edna sorria, assim como as outras duas wiccanianas. – Deixe-me colocá-la na caixa para você. – guardou a varinha e depositou a caixa dentro de uma sacola, antes de devolver ás mãos de Lilith.

– Parece que agora só falta a espada! – Suélen se levantou, juntamente com a filha.

– Claro, claro! – a senhora voltou a andar pela loja. – Venham! Vou levá-las até o meu marido. Ele cuidará disso para vocês. – e conduziu-as até a outra extremidade do estabelecimento, para um lugar quente e com paredes repletas de armas brancas.

Lilith observava tudo com fascínio, pois sempre fora uma apreciadora de armas brancas, em especial espadas e adagas.

– Ruy! – Edna chamou. – Ruy, querido!

– Edna? – ao fundo do lugar havia uma fornalha e Lilith reparou em um vulto curvado sobre ela. – Estou aqui atrás. – a voz grossa avisou, enquanto o tal vulto se mexia.

– Temos visitas. – o tom alegre de Edna era contagiante. – A filha de Suélen, a Lilith, veio fazer a sua primeira compra conosco.

O homem virou a cabeça e analisou as duas mulheres paradas ao lado da esposa. Depositou em um canto o que tinha nas mãos e se levantou, espanando com as mãos um pouco da fuligem grudada na roupa.

– Muito bem… – dirigiu-se até elas. E Lilith pode reparar que o senhor atravessara um tipo de barreira quase invisível ao se afastar da fornalha.

– O que foi aquilo? – perguntou á mãe.

– A redoma mágica que ele acabou de atravessar? – Suélen viu a filha concordar com a cabeça. – É uma magia que serve para isolar um ambiente do outro, como uma espécie de bolha de sabão beeeeem resistente.

– Que interessante… – continuou a analisar aquela magia. – Eu só percebi que estava ali, depois que ele a atravessou e eu pude reparar nas ondulações que o corpo dele causou na tal bolha.

– O meu marido a usa para isolar boa parte do calor e da fuligem ali. – sorriu.

– E isso não o incomoda? – Lilith desviou os olhos para Edna. – Se aqui já é abafado, imagine ali dentro!

– Eu uso outra magia que me ajuda a resfriar o corpo. – respondeu assim que se aproximou delas. – Olhe… – virou as mangas da roupa e mostrou um manto fino que se assemelhava ao gelo. – É como uma roupa especial que não deixa o meu corpo superaquecer.

– Queridas, esse daqui é o meu marido Ruy! – Edna resolver começar com as apresentações, antes que a conversa se estendesse por demais. – Ele é o melhor ferreiro de nosso mundo! – comentou orgulhosa, recebendo em troca, um beijo terno do marido.

– Prazer. – Lilith estendeu a mão para o senhor, contudo, assim que ambos repararam no qual suja estava, desistiram do cumprimento e apenas acenaram com a cabeça.

– E essa é a Suélen e sua filha, Lilith. – apontou respectivamente.

– Eu me lembro da Suélen. – cruzou os braços. – E como vai o Selso? Ainda consegue mantê-lo na linha?

– O Selso vai bem, mas agora, quem eu preciso manter na linha não é ele. – sorriu. – Mas, os meus filhos! Essa daqui e o meu caçula são de deixar qualquer mãe grisalha antes da hora! – o comentário arrancou gargalhadas estridentes do ferreiro.

– E então, malandrinha… – passou a encarar Lilith. – Qual tipo de espada lhe agrada mais?

– Sinceramente, não consigo me decidir! – suspirou.

– Querido, a varinha que deu certo com ela foi uma das da Fênix – interveio a artesã.

– Qual delas? – perguntou surpreso.

– Olhe a cicatriz que ela tem na mão e você já vai descobrir. – apontou para a mão esquerda da garota.

Inicialmente, Lilith sentiu-se incomodada por ter pessoas apontando e observando a sua afamada marca. Contudo, convenceu-se de que aquilo não era nada demais e estendeu o braço, permitindo que Ruy a analisasse melhor.

– Interessante… – o senhor virou-se e começou a vasculhar por entre um grupo de espadas penduradas na parede a sal direita. – Realmente surpreendente… – murmurava durante a busca.

As três mulheres ficaram paradas, apenas vendo o ferreiro retirar várias espadas e colocá-las no chão, aparentemente, a que ele procurava deveria estar pendurara debaixo de todas aquelas.

– Curiosamente, hoje pela manhã eu peguei essa daqui para polir. – Ruy pegou uma espada longa e reta, cuja bainha assemelhava-se a varinha de Lilith: vermelha e com entalhes dourados. – Há anos que está aqui. Não sei por que, mas hoje quis poli-la juntamente com as outras do mesmo estilo.

– Mesmo estilo? – a garota não desviava os olhos da arma.

– Sim. – Ruy retirou-a da bainha, revelando uma lâmina brilhante e com os mesmo detalhes dourados da bainha. – As outras são tipos diferentes, mas tão raras quanto essa daqui. – entregou-a para a wiccaniana, que a pegou com avidez.

– Nossa… – surpreendeu-se ao movê-la. – É extremamente leve e fácil de movimentar. – olhou confusa para Ruy. – Essa daqui não é uma espada reta Jian, ou algo parecido?

– Exatamente! – voltou a cruzar os braços. O senhor estava impressionado por ver que a garota entendia do assunto.

– Esse estilo de espada até que é leve e requer muita disciplina e treino para usá-la. – voltou a analisá-la. – Mas, não era para ser tão leve assim para mim. E muito menos tão fácil de se executar os golpes e defesas. – comentou, enquanto testava alguns movimentos que conhecia.

– Isso quer dizer que ela é sua! – Ruy descruzou os braços e entregou a bainha para a wiccaniana. – Vocês duas simplesmente se completam! – sorriu.

– Muito obrigada! – Lilith guardou a espada na bainha e colocou-a na sacola, junto com a varinha. Sentia-se extasiada! Simplesmente amara suas aquisições.

Com espada e varinha em mãos, as duas mulheres saíram de dentro da loja. Lilith agradecera imensamente ao casal de senhores e prometera voltar ali sempre que possível.

Reuniram-se ao seu irmão e, a pedido do mesmo, contaram-lhe toda a história da compra dos dois itens.

– Me deixa ver? – pediu, lançando um olhar desejo á sacola que a irmã carregava.

– Só um pouquinho! – e sem hesitar, Lilith mostrou os dois artefatos mágicos com empolgação. – Agora eu tenho a melhor roupa, a melhor espada, a melhor varinha e os melhores utensílios e matérias mágicos que uma garota como eu poderia ter! – comentou, enquanto voltava a guardar tudo e a pegar algumas sacolas para carregar, fazendo questão de levar as duas recentes aquisições e o vestido com a Fênix.

– Mãe, isso vai acontecer comigo também?

Elyandro tentou chamar a atenção de sua mãe, puxando-a pela blusa, porém a tentativa dera errado, pois as compras o impediam de fazer isso.

– Sabe… Quando for a minha vez de comprar tudo isso… – insistiu em um tom mais alto, já que Suélen parecia distraída com a lista de compras.

– Claro, filho! – a impressão que dava era que ela havia acabado de sair de um transe. – Claro, que isso vai acontecer! De forma um pouco diferente, mas vai.

Logo após que a senhora Pontlagua terminou de responder ao garoto, reparou que a filha havia parado na frente da vitrine de uma loja de animais. Fez sinal para que Elyandro parasse também e ambos foram até Lilith, a qual admirava um belo gato, cuja pelagem lembrava uma pequena onça brasileira.

– Filha… – Suélen também observava o jovem felino. – O seu pai e eu lhe deixamos ficar com a Luka e, portanto, você já possui um animal de estimação. – através do reflexo da vitrine, viu a filha ficar desanimada. – E até já lhe demos os seus presentes de aniversário. Mas… – continuou, com um sorriso maroto – Se me lembro bem, ainda não lhe demos um presente por ter conseguido ir para Fantasy. – virou-se de frente para Lilith. – E que tal esse gato?

– Sério, mãe? – controlou-se para não sair pulando de alegria. – Que legal! Obrigada! – deu-lhe um abraço apertado em agradecimento. – Mas, eu posso levar mais de um animal para Fantasy? Ou melhor, eu posso levar qualquer tipo de animal para lá?

– Na minha época, eu cheguei a ver gente levando quatro animais de estimação! – viu a garota encará-la surpresa.

– Em Harry Potter, acho que só podiam levar um, não é Li? – Elyandro buscou pela confirmação da irmã, a qual deu de ombros.

– Não me lembro desse detalhe direito.

– Bom… Acho que já deu em comparações, não é? – Suélen bufou. – Desde manhã vocês vêm comparando quase tudo com essa tal série do Harry Potter! Acho que já deu, né? – os dois concordaram com a cabeça, não desejando discordar da mãe. – De qualquer forma, acho que você pode levá-los desde que cuide muito bem deles por lá.

– É lógico que eu vou cuidar! – Lilith voltou a se animar.

– Então, entre logo aí dentro, antes que eu desista de comprá-lo para você!

E sem mais delongas, Lilith correu para dentro da loja e, mais depressa do que qualquer ser humano normal poderia falar, pediu ao vendedor que pegasse o “gato-onça” que estava na vitrine, pois ela o levaria para casa.

———————————————————————————————

– Mãe, você também vai me dar dois animais, quando eu for para Fantasy? – todos já estavam acomodados dentro do carro e Elyandro já estava se sentindo um tanto sonolento.

– Tem tempo ainda, filho. – respondeu com um sorriso cansado no rosto. – Quem sabe até lá, você já não ganhou algum animalzinho de estimação ou encontrou um só para você?

– É… Tem razão… – bocejou e parou por alguns minutos para observar o gato cochilando no colo da irmã. – Que nome você vai dar para ele, Li?

– Bom… – acariciou o animal. – Eu pensei em chamá-lo de Edgar, o que acham?

– É um bom nome. – Suélen comentou.

– Uhum… Aprovado! – Elyandro apenas ergueu uma das mãos para fazer um sinal de positivo e, logo após, apagou de sono.

– Mãe, como vou para Fantasy?

– Você vai de avião.

– Sério? Nossa… – inconscientemente estalou a língua no céu da boca, como que reforçando a palavra “nossa”.

– Uhum… E o seu vôo partirá após a passagem de ano. – suspirou, já se sentindo saudosa. – No segundo dia de janeiro, você parte para Fantasy, assim como o seu pai e eu fizemos por quatro anos.

– Como é por lá? E o avião? – sentia-se ansiosa. – Em qual aeroporto vamos pegá-lo? Será que vou conseguir me adaptar?

– Calma, filha… – riu diante das perguntas. – Logo você verá como é tudo. E quanto ao medo de se adaptar, tenho certeza de que você se dará muito bem! – levou uma das mãos até o gato e o afagou por alguns segundos, antes de ter que usar a mesma mão para mudar a marcha do carro. – Além disso, você terá a Luka e o Edgar para lhe dar apoio no começo.

Lilith sorriu para a mãe, acariciou Edgar por mais alguns minutos e logo se entregou ao sono, assim como seu irmão havia feito.

 

 

 

 



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

et cetera
Crônicas da Gaveta

Relatos amadores de um coração cardisplicente...

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Writing and Film Festival Review

Feature Screenplay, TV Screenplay, Short Screenplay, Novel, Stage Play, Short Story, Poem, Film, Festival and Contest Reviews

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

• powersx3

' in your mind,i have all power #

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

nicoleravinos

"Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado"

Action Nerds

Bonecos, tirinhas e nerdices. Aqui você encontra tudo isso!

%d blogueiros gostam disto: