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{abril 18, 2012}   Conto de Dragões

(metade do capítulo…)

 

 

Capítulo 03

Quem já viu um Príncipe?

 

 

 

 

 

– Andrey, o que você estava fazendo?

– Estava no meu quarto. Algum problema com isso?

– Fazendo o que? A luz estava apagada e tive impressão de ouvi-lo conversar com alguém…

– Não preciso de luz. Aliás, nenhum de nós precisa de luzes acesas. É um desperdício de dinheiro com eletricidade, sabia?

– Você sabe que nós precisamos nos ambientar neste planeta. E se os humanos precisam de luzes acesas quase o dia todo, precisamos fingir que também precisamos.

– Quem vai notar se estamos ou não com a luz acesa? Estamos em casa e está super claro lá fora.

– É bom recebermos uma conta de luz “normal”, com uma quantidade de energia normalmente utilizada por um ser humano. Assim, não levantamos suspeitas.

– E me diga quem vai ficar prestando atenção em uma conta de luz?

– Andrey… Pare de me questionar! – o pai de Andrey encostou-se na parede com os braços cruzados. – Ainda falta uma resposta! Com quem você estava conversando?

– Eu estava no telefone…

– Por que e com quem?

– Ué… Você não se preocupa com a conta de luz? Então, eu me preocupei em criar uma conta de telefone “normal”. – deu um sorriso sarcástico.

– Andrey, com quem? – Thadeu se desencostou da parede e descruzou os braços.

Sem desviar o olhar dos olhos do filho, se aproximou do garoto com um ar imponente e ameaçador.

– Com ela…

– O QUÊ? Como… Como se atreveu a me desobedecer? – havia assumido uma postura tensa. Estava nervoso demais com o filho e tentava ao máximo se controlar.

– E como você espera que eu agüente? Sempre a observamos, a analisamos, pesquisamos a sua vida ao máximo… COMO eu ia agüentar ficar mais seis meses assim? Quero vê-la pessoalmente, quero senti-la, quero conversar com ela, ouvi-la conversar diretamente comigo. Vocês me torturam sabia?

Andrey deu um leve murro na parede. Tentava controlar sua força e raiva para não destruir nada da casa.

– Fui EU quem a escolheu! Ela é MINHA escolhida! Não pertence a nenhum de vocês! Sou eu quem deveria decidir como e quando aparecer para ela e não você ou qualquer um dos outros!

– Andrey! – Thadeu agarrou um dos braços do filho com força. – Você sabe que estamos em uma situação delicada aqui. Eles chegarão em oito meses, ou menos, e ainda precisamos encontrar companheiros compatíveis para todos nós, para aumentar nossa força. Ela foi a única que encontramos até agora e se der algo errado, no final ela e você serão nossa arma surpresa. Não estrague as coisas! – diminuiu o aperto no braço de Andrey. – Se a descobrem… Se acontecer algo a ela… Se Mariane se assustar com você ou com qualquer um de nós, você sabe que a compatibilidade será prejudicada e não alcançará o nível desejado de força.

– Eu sei de tudo isso pai! – puxou o braço com força, se livrando completamente da mão forte do pai. – Eu não cometerei nenhum erro! Eu apenas quero… Saciar a minha curiosidade e trazê-la para o nosso lado o mais rápido possível.

– Curiosidade? Pelo o que eu ouvi você dizer até agora, não parece apenas curiosidade. Me pareceu que você está apaixonado por ela!

Andrey vacilou e abaixou a guarda por alguns instantes, tempo suficiente para Thadeu perceber um leve rubor no rosto do filho.

– Andrey! Você sabe que não deve ter nenhum tipo de relacionamento com humanos exceto a compatibilidade!

– Eu também sei disso… – sussurrou Andrey completamente desanimado. – Eu não estou apaixonado pai. É apenas curiosidade mesmo. – respondeu em uma voz mais alta, disfarçando o desanimo. – Vou dar uma volta. – e antes que seu pai pudesse dizer ou fazer algo, Andrey saiu da casa.

– Esse Andrey… – sussurrou enquanto observava pela janela o filho virar o quarteirão. – E todos vocês! O show acabou, chega de espionar! – e vários olhos brilhantes, espalhados pelos cantos escuros da casa, se dispersaram.

 

—————————————————————————————-

 

– Mariane! – Lívia procurava pela filha com um pedaço de papel nas mãos. – Filha, vem aqui na cozinha!

– Diga mãe… – Mariane parecia um pouco mais desanimada.

Além do cansaço pela limpeza da casa, ela sentia uma imensa ansiedade em descobrir quem era aquele tal de Andrey. No entanto, sabia que essa descoberta era praticamente impossível.

Não tinha pista nenhuma de quem ou o que era ele. Nem ao menos sabia o número de telefone do garoto. Era frustrante sentir-se atraída por alguém que nunca vira e nem sabia se algum dia poderia ver.

– Tem como você ir até o mercado para mim? Eu percebi que tá acabando alguns produtos de limpeza aqui em casa. – entregou o papel na mão da filha. – Aí tem o nome das coisas que você precisa comprar.

– Mãe… Arroz, pelo o que eu saiba, não é produto de limpeza.

– Eu sei… Mas, eu também percebi que tá faltando muita coisa por aqui. Então, já que você vai para lá comprar os produtos, dá para aproveitar e comprar o resto também, não é? – deu um sorriso, tentando encorajar a filha para as compras.

– Certo… Entendi… Você quer que eu faça as compras do mês, né? – Mariane deu uma breve olhada com os cantos dos olhos para a mãe, enquanto checava o resto dos itens na lista. – Ok… Então, posso pegar o carro?

– Claro que pode! Não sou uma mãe tão exigente e má assim! – fingiu estar chateada com a filha. – Você realmente achou que eu fosse fazer você voltar a pé, carregando todas as compras?

– Confesso que sim. – brincou.

– Ai, Mariane! Como você é maldosa com a sua mamãe! – Lívia deu um tapa leve na filha e depois lhe entregou as chaves do Celta. – Eu ia te deixar ir com o Corolla, mas já que foi malvada comigo, você vai de Celta!

– Bom… Celta é melhor que nada! Tchau, mãe. – pegou as chaves e saiu.

– Aonde você vai?

– Vou ao mercado… – entrou no carro dando um sorriso torto para Leonardo e fechou a porta.

Olhou pelo retrovisor e o portão já estava aberto. Seu pai estava lavando a calçada. Deu ré, tomando cuidado para não acertar a cesta de lixo, parou o carro ao lado de Leonardo e abriu a janela.

– Volto daqui a pouco. Tchau, pai. – olhou para os lados e saiu com o carro.

Enquanto dirigia até o mercado, ligou o som e colocou um cd do Sonata Ártica. Aumentou o volume e tentou tirar aquela voz sedutora de Andrey da cabeça. Precisava se distrair, tinha que tirar aquele garoto arrogante da cabeça.

Onde já se viu?

Dizer que adivinhou seu telefone. Ficar mudando o tom da voz, só para jogar com ela. Se manter no mistério durante o telefonema todo. E mais! Dizer que ela era DELE!

– “Sua”… Háhá! Eu nem sequer o conheço! Como ele pode dizer que sou dele?

Ela entrou em uma rua deserta e aproveitou para acelerar um pouco mais o carro, tentando acalmar um pouco seus sentimentos, ao som de Full Moon.

– Eu não pertenço a ninguém! Como um cara que eu nunca vi pode vir me dizendo que é meu dono? Ridículo! – apertou um pouco mais o volante. – AAAAAH se ele não tivesse aquela voz… – respirou fundo.

Não adiantava… Não conseguia esquecê-lo.

A conversa pelo telefone ainda ecoava em sua cabeça. Sentia raiva por ele ter desligado sem antes dar nenhuma satisfação ou dica de quem era.

– Ao menos sei o nome dele… Andrey… – respirou fundo mais uma vez.

Já estava chegando ao mercado e não queria que a vissem transtornada e a tomassem como louca.

– Louca… Se é que eu já não sou uma! – resmungou.

Era realmente possível se apaixonar ouvindo somente a voz de alguém?

Isso era o que chamam de amor platônico? Não, não… Não chegava a ser amor… Talvez… Uma paixão platônica?

E se fosse um assassino, estuprador, um maníaco?

Perguntas e mais perguntas passavam por sua mente. Ela realmente estava enfeitiçada por aquela voz. Sentia-se perdida.

Queria odiá-lo, mas não conseguia. Queria adorá-lo, mas se impedia de fazê-lo. Precisava conhecê-lo, mas como? Em seus pensamentos, Mariane se viu em um beco sem saída.

Sua razão e o seu coração não entravam em um acordo. Suas vontades se dividiam. Aquele garoto a havia transtornado.

– Maldito seja este tal de Andrey! – retrucou enquanto estacionava em uma vaga próxima da entrada do mercado. Desligou o som e pela terceira vez, respirou fundo antes de sair do carro.

 

—————————————————————————————-

 

– Nossa… Você viu os olhos dele?

– Vi! Que olhos eram aqueles? Que lindos!

– É… Lindos mesmo!Aliás… Não apenas os olhos.

Duas amigas suspiravam e cochichavam uma com a outra, enquanto davam risadas e olhadinhas furtivas para trás.

Andrey gostava de ser o centro das atenções sem precisar fazer esforço algum. Bastava um olhar ou uma palavra e pronto! A maioria dos olhares se voltavam para ele.

Aquelas duas amiguinhas, pelas quais havia acabado de passar, foram somente uma distração. Estava imerso em pensamentos, a maioria sobre Mariane, e quando viu aquelas garotas, decidiu que precisava se divertir um pouquinho.

Ele esperou que elas se aproximassem e adotou uma postura soberba, colocou um sorriso sedutor nos lábios e as encarou com seus olhos maravilhosamente verdes.

E voilá!

Não conhecia uma garota humana que já houvesse resistido àquele charme.

– Será que ela resistiria? – um sorriso maroto surgiu. Agora, estava realmente com vontade de testar Mariane. Ver se ela sofreria de amores como todas as outras ou conseguiria se controlar.

Para ele, a garota era diferente das demais. Mesmo que os outros de sua espécie dissessem que não viam diferença alguma entre ela e as outras milhares de humanas. Ele sabia que ela o era.

– Jamais entenderão como me sinto… – e seu sorriso maroto transformou-se em um sorriso amuado, sem graça.

Quem olhasse para Andrey naquele momento, sentiria um ar de solidão e ao mesmo tempo de raiva. Uma mistura de sentimentos que seriam capazes de despertar compaixão e medo em qualquer um.

Enquanto caminhava, sentiu um aroma diferente no ar. Era um cheiro um pouco amadeirado, um tanto doce… Uma mistura de Dama da Noite, rosas com Acqua Flor. Essa fragrância lhe lembrava algo… Ou melhor, alguém!

– Mariane! – sentiu seu corpo acordar, despertar daquele desanimo que o havia dominado segundos atrás. – Ah Mariane… Somente você. – seu sorriso maroto estava de volta.

Olhou ao redor para se certificar que ninguém estivesse por perto. Agachou-se levemente, deixando a maior parte do peso de seu corpo nas pontas dos pés e antes que alguém aparecesse, saltou.

Andrey saltava de rua em rua, de poste em poste, de telhado em telhado sem que ninguém o percebesse. Para os distraídos, ele era somente uma repentina brisa forte, para os que tentavam prestar mais atenção ao mundo, ele não passava de um estranho e veloz borrão.

Ele seguia o cheiro no ar e tinha pressa em encontrar a dona do perfume. E em segundos, Andrey estava parado no estacionamento de um Supermercado chamado Russi, em um bairro de nome Vila Hortolândia.

Olhou ao redor e viu um Celta preto estacionado próximo da entrada. Aproximou-se do carro e deu uma espiada no seu interior.

– Definitivamente ela o usou! O cheiro dela está impregnado em todo o veiculo. – olhou para o mercado. – Acho que vou fazer compras hoje… – passou uma das mãos pelo cabelo, apenas para manter a vaidade e entrou calmamente.

 

 

 



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