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{maio 13, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

Capítulo 03

Quem já viu um Príncipe?

 

– Azeitonas… Azeitonas… Onde estão essas azeitonas? – Mariane olhava atentamente uma imensa prateleira de conservas.

Passava levemente os dedos pelos rótulos dos produtos enquanto os lia, apenas para se certificar que não havia passado pelo o que queria comprar.

– Ah! Achei! – pegou um pote de vidro cheio de azeitonas fatiadas e olhou a validade antes de colocá-lo no carrinho junto com os demais produtos.

Ela andava pelos corredores do mercado sem muito entusiasmo. Gostava de fazer comprar, mas mercados a entediavam. Quando arrastava alguma amiga junto, conseguia se distrair fazendo comentários irônicos e divertidos sobre os produtos que viam na frente.

Achava engraçado fazer brincadeiras com os nomes de empresas e fornecedoras, mas não encontrava graça quando tentava fazê-lo sozinha. Precisava de uma companhia para complementar os comentários ou dizer algo que ainda não havia pensado. Era uma troca de brincadeiras que deixava as compras chatas, divertidas.

– Deixa ver… – dava mais uma olhada na lista. – O próximo… – caminhava enquanto lia o que faltava pegar.

Estava distraída quando sentiu algo passar por ela. Parou de ler no mesmo instante e olhou ao redor. Mas não havia ninguém por perto, estava sozinha naquele corredor. Continuou a andar, ainda procurando por algo ou alguém.

– Ué…  Eu podia jurar que alguma coisa passou por aq… Ai! – como não estava prestando atenção, não viu o garoto se aproximar e não conseguiu evitar que se trombassem.

Ele vinha de um dos corredores que cruzavam com o dela e trazia uma pequena cesta de compras em uma das mãos. Os dois bateram corpo a corpo e com o choque, Mariane caiu para o lado e ele derrubou a cesta, espalhando todos os produtos pelo chão.

– Ei! Você não olha por onde anda? Isso me machu… – Mariane olhou para cima e ficou muda.

O garoto era maravilhoso! Tinha cabelos castanhos escuros com alguns fios ruivos que reluziam a cada movimento de cabeça. Era um tanto alto e Mariane julgava que ele deveria medir um metro e oitenta e três. Usava uma calça jeans rasgada em um dos joelhos e uma regata preta que não disfarçava o abdômen definido. Seus braços morenos de sol estavam cruzados na altura do peito, o que salientava os músculos.

Ele não era o tipo de garoto considerado “bombado”, mas com certeza não tinha um corpo qualquer. Porém, para Mariane, o que mais lhe prendia a atenção e lhe roubava o fôlego eram os lindos olhos verdes escuros que brilhavam com a luz e transmitiam uma sensação de profundidade e mistério, como um oceano.

– Como um oceano verde…? – ela sussurrou sem se dar conta que aquelas palavras estavam escapando por seus lábios.

O garoto deu um sorriso travesso e descruzou os braços. Com o sorriso, Mariane percebeu o que havia acabado de dizer e levou uma das mãos à boca, como se esse gesto fosse apagar as palavras ditas.

– Aah… Eu… – sentia sua voz falhar e a culpa era daquele olhar. Aqueles olhos… Ela já os tinha visto em algum lugar. Eles lhe lembravam alguém, mas não conseguia recordar quem

Mariane virou o rosto, em uma tentativa inútil de fugir daquele olhar, e começou a levantar-se do chão. Mas, enquanto se apoiava nas próprias pernas para conseguir levantar, sentiu algo se aproximar de seu rosto e olhou para cima mais uma vez. O garoto lhe estendia a mão para ajudá-la a se erguer.

– Obrigada… – quando segurou em sua mão, sentiu um calor agradável e incrivelmente familiar. O garoto sorriu novamente para ela e Mariane sentiu o rosto corar.

Assim que segurou com força naquela mão, o sentiu puxá-la e em segundos já estava de pé. Ele tinha uma força incrível! Ela não havia feito força alguma. Aquele garoto a havia levantado com apenas uma mão.

– Nossa! Você é forte, ein! – ficou parada, olhando-o, esperando por alguma resposta ou comentário pelo o que havia acabado de dizer, mas ele simplesmente continuou a encará-la com aquele sorriso sedutor nos lábios.

Mariane começou a sentir-se desorientada novamente e virou o rosto. Olhou para baixo e viu todos aqueles produtos que ele estava carregando espalhados pelo chão.

– Quer ajuda para pegar tudo is… – quando se virou para olhá-lo novamente, não viu ninguém. O garoto havia desaparecido. – Mas o quê? – deu uma volta no mesmo lugar, olhando ao redor. Mas nem sinal dele. – Que rude! Me largou aqui falando sozinha e com tudo isso para recolher! – abaixou-se e começou a jogar aquelas compras dentro da cesta largada no chão. – E ele nem ao menos se desculpou por ter me derrubado… – fez uma careta enquanto tentava controlar a raiva. – Um verdadeiro grosseiro!

Mariane suspirou e começou a pegar todos aqueles produtos espalhados pelo chão, jogando-os dentro da cesta do mercado. Assim que terminou, colocou- a em um canto e retomou às próprias compras.

Ainda faltava pegar metade das mercadorias que estavam na lista e se ela quisesse chegar em casa antes de anoitecer, precisaria se apressar.

Enquanto passava de prateleira para prateleira, sem dar muita atenção às pessoas ao seu redor, aquele mesmo garoto que a derrubara, estava parado em um canto, observando cada um de seus passos.

Ele sorria… Vê-la assim, tão distraída fazendo compras, o divertia. Ela realmente era uma figura única e extremamente interessante.

Seus gestos despreocupados, o sorriso simpático em seu rosto, os olhos sonhadores, o corpo… Andrey colocou uma das mãos sob o queixo e substituiu o sorriso admirado por um malicioso. Seus olhos analisavam com cuidadosa minúcia todas as linhas e curvas do corpo de Mariane.

– Realmente… Meras humanas podem ser sem graça para nós, mas você Mariane… Ah… Que deleite para os meus olhos… – ele suspirava.

Aquela analise o lembrava do desejo louco por tê-la em seus braços e poder sentir o calor dela aquecer o seu.

– Ao menos eu pude tocá-la hoje. Mesmo que só um pouco, eu a toquei… – fechou os olhos, recordando do proposital esbarrão que havia dado nela.

Levantou a mão que estava no queixo até a frente de seu rosto e sentiu aquele aroma tão delicioso para ele. O cheiro dela ainda estava impregnado na palma de sua mão.

Mariane pegou uma presilha de dentro de sua bolsa e prendeu o cabelo em um coque. Assim que sua nuca ficou exposta, Andrey conseguiu sentir o seu perfume mais forte. Além do cheiro tentador dela, ele podia sentir um outro aroma misturado.

– Hm… Que perfume você passou? – sussurrava enquanto tentava distinguir os cheiros. – Ahá! Descobri! É o perfume Glamour… da Boticário, não é? – sorriu para si mesmo, comemorando a descoberta.

Meses antes, ele havia passado em várias lojas Boticário, apenas tentando descobrir qual fragrância aderiria melhor aos traços típicos e únicos de Mariane. Desde o inicio ele havia ficado entre aquele perfume Glamour e um outro chamado Accordes Harmonica.

– Combina muito com a sua personalidade minha querida…

Durante as compras de Mariane, Andrey ficou espiando-a e analisando-a. E em algumas horas, ela já havia terminado de pegar todos os produtos da lista e já os tinha pago no caixa.

Ele a olhava colocar as pesadas sacolas no carro e lutava com o ímpeto de ir ajudá-la. Se aparecesse novamente em tão curto tempo, poderia deixá-la desconfiada, e isso arruinaria as coisas para ele.

Mariane terminou de passar todas as mercadorias para o Celta e entrou no carro. Antes de dar a partida, encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Algo a estava incomodando.

– Aqueles olhos… Eu já os vi, mas onde… Onde eu posso tê-los visto? – colocou uma das mãos sobre a testa, como se esse gesto a fizesse recordar algo. – Eu tenho certeza de que nunca vi aquele garoto antes, então como é possível isso? – ficou ali, naquela posição, meditando por alguns minutos, até que desistiu e deu um enorme suspiro enquanto ligava o carro.

Muita coisa estranha estava acontecendo com ela em apenas um dia. Se ficasse pensando sobre tudo aquilo, enlouqueceria. Ligou o som, trocou o cd do Sonata Ártica pelo cd orquestrado do Metallica e deixou a música Master of Puppets a envolver totalmente enquanto voltava para casa.

 

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