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{maio 21, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

 

Capítulo 04

Amigos e Família… Sonhos e Tramas à parte!

 

 

– Aaah não… Hm… – Mariane tateava o criado mudo da cama, procurando pelo celular para desligar aquela irritante música que havia colocado para despertá-la.

Assim que o encontrou, ela logo o desligou e voltou a abraçar o travesseiro. Como toda segunda-feira, para ela era um tormento acordar.

Gostava de ir à universidade e até gostava de ir trabalhar no final da tarde, mas acordar às 5:30 da manhã era a pior parte do dia. Dificilmente acontecia algo que a aborrecesse mais do que isso.

– Mariane! Vá se trocar logo, senão vai perder o ônibus para a Puc. – Lívia estava acendendo a luz do quarto da filha, para obrigá-la a despertar. – Se você perder esse ônibus fretado, nem eu e nem o seu pai vamos levá-la para Campinas ou emprestar o carro.

Lívia não falava sério. Se precisasse, ela mesma levaria a própria filha para a universidade. Mas, não queria vê-la atrasada. Precisava ameaçá-la um pouco, para que Mariane aprendesse a lidar melhor com horários e responsabilidades.

– Então, trate de levantar se não quiser pegar um ônibus de linha. – quando viu que a filha começava a se sentar na cama, deu um sorriso e fechou a porta para que ela pudesse ter privacidade na hora de se trocar.

 

–\\\\–//–//–

– Andrey! Aonde você pensa que vai? – Thadeu bloqueava a passagem do filho, impedindo-o de sair da casa.

– Vou para a faculdade… – encarou o pai sem muito humor. – Você não disse que precisamos parecer com humanos normais? Então…

– Mas você não está inscrito em nenhuma universidade! – Thadeu se aproximou do filho de maneira intimidadora. – Você está indo atrás daquela humana novamente, não é mesmo?

– O que vou fazer não é da sua conta…

– Andrey! – sua voz estava assustadoramente mais grossa.

– O que vai fazer? Vai me impedir? – Andrey deu um sorriso ameaçador para o pai, enquanto um brilho estranho passava por seus olhos.

– Se for preciso… – Thadeu fechou as mãos com força.

Pai e filho estavam prontos para se enfrentar. Naquele momento, o que importava eram os objetivos de cada um e não a relação sanguínea.

Se fosse preciso, Thadeu deixaria o filho impossibilitado de ir para qualquer lugar e Andrey derrubaria violentamente o pai para conseguir passar.

– Ok… Já está bom, não acham? – uma mulher de cabelos negros azulados se colocava entre os dois. – Apreciamos pela distração que vocês garotos estão nos dando, mas, acredito que esteja perdendo a graça. – Ela colocou as mãos no peito de cada um e aplicou um pouco de pressão. – Aposto que a minha irmã não ficaria nem um pouco feliz com essa discussão.

Ao falar da irmã, o brilho nos olhos dos dois diminuiu. Andrey deu um passo para trás e cruzou os braços. Thadeu relaxou a musculatura e olhou para Maysa.

– Ótimo, ótimo… – ela baixou os braços e deu um sorriso. – Thadeu, meu querido cunhado… – colocou uma das mãos no ombro daquele enorme homem. – Seja mais paciente com o Andrey! Até parece que você já não passou por essa faze na sua vida… – deu um sorriso divertido. – Pelo o que eu me lembro, o seu amor pela minha irmã era proibido, e mesmo assim você enfrentou todos da sua família e da minha para poder ficar com ela…

Thadeu ficou vermelho e deu um sorriso sem graça para a cunhada. Depois respirou fundo e encarou o filho.

– Certo… Faça o que quiser… Mas, eu não me responsabilizarei pelas conseqüências de seus atos… – virou-se e sumiu na escuridão da casa.

– E você Andrey? – Maysa o encarou com um pequeno sorriso apelativo no rosto. – Será que você não poderia ouvir e obedecer ao seu pai só um pouquinho? Ele só quer o seu bem e o de todos nós…

– Tá tia… – Andrey descruzou os braços e rumou para o seu quarto. Abandonando, momentaneamente a idéia de sair atrás de Mariane.

 

–\\\\–//–//–

– Hei, Mariane! Quase atrasada novamente? – Douglas, o motorista do ônibus dava um sorriso divertido, enquanto fechava a porta do veiculo atrás dela.

– Pois é, Douglas… É difícil de acordar nas segundas-feiras… – Mariane retribuiu o sorriso e foi procurar por um lugar para se sentar enquanto o motorista dava a partida. – Bom dia, Matheus! – deu um sorriso simpático para o garoto sentado no banco ao lado de um vazio. – Posso sentar?

– Claro, Mariane! – mais que depressa, Matheus pulou para o banco vazio para que Mariane pudesse se sentar sem dificuldades. – Como está o seu humor nesta segunda?

– Hm… melhorando… – ela encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.

– E como foi o seu final de semana?

– Matheus… Eu quero dormir… – resmungou, dando um sorrisinho torto para o amigo.

Ela não queria falar sobre o seu final de semana. Se ela contasse tudo o que havia acontecido, com certeza a tomariam como louca, afinal, que pessoa normal recebe telefonemas misteriosos, sonha com dragões e esbarra em um garoto que desaparece? E o pior… Que pessoa normal se apaixonaria pela voz de alguém, ou diria que o olhar de outro alguém se parece com um oceano VERDE?

– Ok… Bons sonhos então… – respondeu meio chateado com a resposta um tanto grosseira da amiga.

– Desculpa Matheus! Não fica chateado comigo não… É que eu estou muito cansada. – virou-se para ele e se ajeitou no banco. – Quando eu estiver mais disposta, conversamos sobre o final de semana, tá?

– Certo… Eu já deveria ter me acostumado com o seu mau-humor de toda segunda… – deu um sorriso e também se ajeitou no banco.

Se eles não iam conversar, então também dormiria. Eram praticamente cinqüenta minutos de Jundiaí para Campinas. Uma soneca não faria mal a ninguém.

– Até a Puc, Má!

– Até… – e adormeceu.

Matheus ficou mais alguns minutos observando-a dormir. Achava Mariane linda. Seus cabelos longos e castanhos, seu rosto em forma de morango, suas bochechas sempre rosadas, os lábios carnudos, os olhos castanhos e levemente puxados… Ele gostava até do cheiro dela…

Ele fechou os olhos enquanto recordava de alguns momentos com aquela garota. Lembranças doces e divertidas o envolviam até o sono chegar.

 

–\\\\–//–//–

– Mestre! – uma criatura gigantesca e negra, com olhos vermelhos e longos cabelos da mesma cor, se ajoelhou perante o trono. – Estamos nos aproximando de nosso alvo.

– E o nosso inimigo? – sentado no trono, estava uma criatura igualmente negra e musculosa, mas um pouco menor do que a que estava ajoelhada na sua frente. Ele tinha olhos e cabelos prateados.

– Já se encontra lá…

– Desde quando?

– Eles estão lá há seis meses terrestres, meu mestre…

– Hm… Há bastante tempo até… – a criatura se levantou do trono e começou a caminhar pelo aposento. – Me diga, Cacio… – encarou o guarda, ainda ajoelhado e de cabeça baixa. – Já tiveram alguma compatibilidade?

– Telonius, o conselheiro, descobriu que eles encontraram uma garota compatível com um deles, mas que até agora não houve nenhuma compatibilidade efetuada, meu senhor!

– Uma garota? – Giulian riu. – Você saberia me dizer se o meu conselheiro conseguiu alguma imagem dela, ou se ele sabe qual é o nosso inimigo compatível à ela?

– Eu… Eu não sei meu senhor… – Cacio ficou tenso. – Deseja que eu chame Telonius aqui para lhe responder?

– Faça isso… – Cacio, mais que depressa se levantou. – E… Cacio… – chamou quando o guarda já estava próximo da porta. – Jamais se levante sem que eu o tenha permitido! – raios se espalharam pela sala e atingiram o guarda-costas real.

Cacio se contorceu de dor e suplicou pela misericórdia de seu rei. Giulian deu um sorriso sádico e cessou os raios.

– Acho que já é o bastante… – sussurrou vendo o servo caído no chão, ainda choramingando de dor. – Rápido! Levante-se e vá chamar o meu conselheiro, antes que eu deseje substituir a minha guarda e me livrar de você!

– Si… Sim meu mestre! – Cacio, ainda sentindo uma dor forte e aguda pelo corpo, conseguiu se levantar e se retirou da sala real.

– Ai, ai… Não fazem mais servos como antigamente… – Giulian gargalhava enquanto retornava para seu trono. – Uma GAROTA HUMANA? Háháháhá… – jogou o corpo em seu trono e ficou brincando com o próprio cabelo. – O que eles estão pensando? Os humanos já são criaturas extremamente fracas fisicamente e ainda por cima pegaram uma mulher?

Giulian continuava a mexer em seus cabelos prateados, mas a sua feição havia mudado de uma cara divertida para, agora, uma face pensativa e obscura.

– Eu sei que os humanos são uma das criaturas mais poderosas mentalmente e… Espiritualmente… Mas uma compatibilidade com eles, não afetaria a força física durante uma batalha…? – se ajeitou no trono. – Ou será que descobriram algo que eu ainda não sei…?

Naquele instante alguém bateu na enorme e grossa porta de acesso à sala, fazendo um som pesado ecoar pelo lugar.

– Entre…

– Meu senhor… Deseja me ver? – uma criatura negra, mas mirrada, com longuíssimos cabelos amarelos e olhos da mesma cor, entrou na sala de cabeça baixa e reverenciando seu rei.

– Sim, desejo! – Giulian desencostou suas costas do acento e apoiou a cabeça em uma das mãos. – Diga-me, Telonius… Você tem alguma imagem da garota humana?

– Não meu senhor! – Telonius mordeu os lábios, apreensivo. – Mas eu tenho informações sobre ela.

– Que tipo de informações?

– Eu descobri que ela mora em uma região terrestre chamada Jundiaí e possui 20 anos terráqueos…

– Hm… Quando chegarmos, você saberá localizar essa região? Quero fazer uma visitinha à ela…

– Sim, meu senhor!

– Ótimo… – Giulian deu um sorriso malicioso e cruzou as pernas. – Mais alguma informação sobre ela?

– Infelizmente não meu senhor… Eu ainda não consegui ir mais à fundo em minhas descobertas…

– É uma pena… – levantou-se do trono e aproximou-se de seu conselheiro. – E… Telonius, você sabe quem é o ser compatível a ela? – Giulian brincava com alguns fios de cabelo de Telonius, ignorando a tremedeira apavorada do servo.

– Eu… Eu… – engoliu em seco. – Eu ainda não descobri meu mestre…

– E o que você está esperando para retomar suas pesquisas e descobrir? – puxou com força os fios de cabelo loiro que estavam em sua mão.

– Perdoe a minha lerdeza, meu rei! – Telonius levou às mãos até a cabeça, tentando controlar a dor que Giulian lhe estava infligindo. – Se me der a sua licença, gostaria de retomá-la agora mesmo! – lágrimas de dor escorriam pelo seu rosto.

– Você é mesmo um fraco, não é? Cacio agüentou bem mais do que isso… – Giulian largou os longos cabelos de Telonius. – Vá! Pode ir! Suma logo da minha frente, criatura insignificante…

Giulian viu Telonius fazer uma reverencia exagerada e se retirar rapidamente da sala, sem nem ao menos hesitar um segundo sequer.

– Estou rodeado por incompetentes… – levou uma das mãos à testa, como se estivesse tendo uma dor de cabeça e respirou fundo. – Acho melhor voltar para as minhas divagações… – voltou a se sentar e encostou a cabeça no trono. – Uma humana… Estou curioso… – sussurrou enquanto meditava. – E ansioso para encontrá-la…

 

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