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{junho 3, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

Capítulo 04

Amigos e Família… Sonhos e Tramas à parte!

 

 

– Mariane… Mariane… Acorda! – alguém a chacoalhava.

– Hm…?  Que…? – Mariane lutava contra o sono.

– Já chegamos. – Matheus já segurava seu material e o dela, esperando que ela levantasse logo.

– Já? – abriu os olhos e deu um pulo. – Nossa! – ela não havia percebido que tinha dormido tanto. Mais do que depressa se levantou, pegou o seu material com Matheus e saiu do ônibus, seguida de perto pelo amigo.

Os dois andaram lado a lado até o prédio no qual teriam aula. Mariane e Matheus estava no 2º ano de jornalismo. Em dois anos, Mariane tinha conseguido fazer amizade com quase a sala toda e com mais alguns universitários espalhados pela PUC.

Já Matheus, era um garoto extremamente introvertido, exceto com Mariane. Ele não ligava se não tinha muitos amigos, não precisava deles. Matheus julgava precisar apenas de Mariane e ninguém mais naquela universidade.

– Mariane, você parece mais cansada do que o normal. Aconteceu algo? – Matheus analisava o andar zumbificado da amiga.

– Matheus… Hoje é segunda, lembra? – esfregou os olhos de leve, tentando despertar um pouco mais. – Toda segunda eu estou mais cansada do que o normal.

– Não é isso. – ajeitou a mochila nas costas. – É que hoje, você parece mais cansada do que nas outras segundas.

– Hum… – aquela conversa a estava irritando. Não queria falar sobre o seu final de semana. Será que ele não percebia que ela estava evitando o assunto?

– Aconteceu algo?

– Ah… Sei lá Matheus. – ajeitou a alça da bolsa que estava escorregando do ombro. – Eu ajudei a minha mãe a faxinar a casa e fui no mercado… Deve ser por isso que pareço tão cansada assim. – estava cansada porque não tinha dormido bem.

Mariane havia pensado no garoto do mercado e no misterioso moço do telefonema durante boa parte de sua noite. E como se isso não bastasse, tinha voltado a sonhar com dragões.

– Virou doméstica, é?

– Não me zoa, Matheus! – acelerou o passo, tentando se afastar do amigo e assim fazê-lo desistir da conversa. – Não estou com um humor muito bom hoje…

– É… percebi… – Matheus ficou observando a amiga acelerar, deixando-o para trás e indo cumprimentar as outras garotas da sala.

– MARIANEEE!!! – uma garota de longos cabelos lisos e castanhos extremamente claros, cheios de mechas naturais loiras, corria na direção de Mariane com os braços abertos.

– Oi, Karen! – Mariane deu um passo para trás, se preparando para o impacto.

Quando estava próxima de Mariane, Karen deu um salto, caindo em cima da amiga, dando-lhe um enorme abraço. Mariane se firmou nas pontas dos pés, para evitar que as duas fossem ao chão e retribuiu o abraço exagerado.

– Boooom diiiiaaaa!!!!

– Bom dia… – Mariane soltou-se do abraço e colocou o material no banco mais próximo. – Você parece bem animada hoje. Fazia tempo que você não me cumprimentava assim. Ultimamente você anda tão sonolenta quanto eu de manhã… O que aconteceu Karen?

– Ah, Mariane… Meu final de semana foi PER-FEI-TO!! – Karen puxou a amiga pela mão e a fez sentar-se com ela no banco onde estavam os materiais. – Eu FINALMENTE consegui ir assistir ao filme que queria, fiz compras com algumas amigas, almocei e jantei fora todos os dias e o melhor é que eu conheci um garoto MA-RA-VI-LHO-SO no clube de Itatiba!

– Uau! Nossa! – era muita informação despejada de uma só vez e rápido demais para ela. – Eu pensei que você tivesse uma queda pelo Math… – Karen tampou a sua boca antes que conseguisse terminar de dizer o nome.

– Não fala alto! – sussurrou.

– Ué… Por que não? Se você já encontrou um garoto maravilhoso. Já deve ter se esquecido do Math… Digo… Dele, não é?

– Hum… Não! – deu um sorrisinho culpado. – Eu disse que encontrei um garoto maravilhoso, mas não perfeito! – deu um suspiro e colocou a mão sobre o peito. – E o seu amigo é o garoto mais perfeito que já conheci na vida! Alto, forte, pele bronzeada, cabelos negros, olhos azuis, musculoso, não é metido, gentil, inteligente, ah… Tudo de bom!

– Karen! Menos! – Mariane deu um tapa leve na nuca da amiga. – Primeiro, ele não tem cabelos negros. Eles são castanhos escuros. – fez o número dois com a mão. – Segundo… Ele não é tão musculoso assim não! E terceiro… – respirou fundo, como se tivesse acabado de expor uma lista gigantesca para a amiga. – Desde quando ele é gentil?

– Ah… Mas ele é gentil, Mariane!

– Nos seus sonhos…

– Não vai me dizer que ele não é gentil com você, né? – cruzou os braços, um tanto emburrada. – Ele só conversa com você, só faz favores para você, só brinca com você. Aliás… Ele faz TUDO por VOCÊ!

– Karen… Não exagera, por favor!

– É sério Mariane! Se ele fosse tão obcecado por mim quanto é por você… Com certeza eu seria a mulher mais feliz do mundo! E não estou exagerando!

– Você está exagerando sim!

– Tá,tá! É inútil discutir essas coisas com você.– Karen se aproximou da amiga. – Viu… Mudando de assunto… – apoiou-se no ombro de Mariane. – Você está meio estranha hoje. O que aconteceu?

– Nada demais… – deu um suspiro cansado. – Eu só estou cansada pela faxina que a minha mãe me obrigou a fazer em casa ontem.

– Certo… Certo… Se você não quer falar sobre isso, não vou insistir.

– Não é isso Kar…

– Vamos logo! – Karen se levantou bruscamente, interrompendo a amiga no meio da frase. – A aula já vai começar… Vamos ou perderemos a chamada! – puxou Mariane pela mão e as duas foram de mãos dadas até a porta da sala de aula. Karen tinha um sorriso alegre e animado no rosto, enquanto que Mariane tinha uma visível careta mal-humorada.

–\\\\–//–//–

– Andrey, o que você está fazendo? – uma garota de no máximo 20 anos entrava no quarto de Andrey sem ter se preocupado em bater na porta antes.

– Oi para você também, Pandora! – Andrey a encarou com um olhar hostil enquanto desligava o telefone e guardava alguns papeis na primeira gaveta de sua escrivaninha.

– Com quem você estava conversando? – sentou-se espalhafatosamente na cama.

– Não é da sua conta. – virou a cadeira para ficar frente a frente com ela, para se certificar que a garota não xeretaria nada do seu quarto.

– Que hostilidade! É assim que você trata a sua querida prima? – deu um sorriso cínico.

– Pandora, diz logo! O que você quer?

– Eu não posso ficar perto do meu priminho sem que ele pense que eu tenho segundas intenções? – fez um beicinho, fazendo-se de inocente.

– Pandora… Não estou com bom humor hoje.

– Está mal humorado porque te proibiram de ver a sua queridinha é?

– Pandora. – Andrey adotara um tom agressivo na voz.

– Tá, tá… – Pandora levantou da cama e caminhou pelo quarto. – Eu só vim aqui porque o tio me mandou… Sabe como é… – deu uma olhada furtiva para o primo. – Para certificar de que você não havia fugido ou… – ficou alternando o olhar entre o telefone e a gaveta da escrivaninha. – Se não estava aprontando nada…

– Se era isso, acho que você já pode ir embora! – Andrey levantou da cadeira e andou até a prima com a intenção de empurrá-la até a porta. – Você já se certificou de tudo o que precisava se certificar, não é?

– Não exatamente… – desviou dele e correu até a escrivaninha. Ela queria ver que papeis eram aqueles que ele tinha guardado tão furtivamente naquela gaveta.

– Pandora! – Andrey agarrou o braço da prima e a puxou para longe da gaveta.

– É sobre ela, não é?

– Não exatamente… – repetiu revirando os olhos. Não queria ficar dando explicações para ninguém.

– Andrey! – Pandora se jogou estrategicamente nos braços do primo, fazendo ambos caírem na cama. – O que ela tem que eu não tenho? – prensou-o no colchão com o próprio corpo, para evitar que ele conseguisse sair dali facilmente.

– Pandora… – Andrey colocou uma das mãos na testas, inconformado com a atitude infantil da prima. – Não é questão de quem tem o quê ou não tem. Não dá para comparar vocês duas. Seria o mesmo que comparar um morango com um gengibre.

Sem delicadeza alguma em seus gestos, Andrey colocou as duas mãos nos ombros da prima, empurrando-a, sem dificuldade, para longe do seu corpo.

– Eu não sei exatamente como ou o porquê. A única coisa que eu posso dizer é que ela me conquistou completamente. Estou mais do que fascinado por ela!

– Mas e eu?

– Eu também gosto de você…

– Tanto quanto gosta dela? – Pandora voltou a se jogar em Andrey. – Você gosta de mim do mesmo jeito que gosta dela?

– Claro que não! – Andrey fez uma cara incrédula. – Pandora, você é minha PRIMA!

– E daí? – ela fez uma cara emburrada. – Você sabe que na nossa raça é comum primos casarem entre si, para manter o poder da família forte no sangue durante as gerações.

– Eu não sou antiquado, nem tradicionalista. E realmente NÃO me agrada a idéia de me casar com a minha prima! – fez outra careta e a empurrou para longe novamente.

– Mas, Andrey, eu era a sua prometida antes dessa humana aparecer. – fez uma cara de nojo quando pronunciou a palavra “humana”.

– Você o era porque meu pai queria assim. – levantou do colchão e se afastou, antes que ela se jogasse para cima dele novamente. – Você sempre soube que eu era totalmente contra! Sempre nutri um carinho especial por você, mas jamais cheguei a amá-la mais do que como prima.

– Tá… E no futuro?

– Não Pandora. Nem no futuro eu conseguiria te amar assim…

Pandora suspirou cansada e se levantou da cama. Andou até a porta e ficou parada olhando para a maçaneta.

– Sabe… Eu também nunca cheguei a te amar desse jeito, mas não me importaria de me casar com você. – olhou para trás e deu um sorrisinho divertido para o primo. – Até que você é bonitinho, sabia? Não é de se jogar fora! Conseguir segurar você, não é tarefa fácil. Tenho pena daquela humanazinha. – riu do próprio comentário e saiu do quarto, sem encarar o rosto sério do primo.

– Humanazinha? Mariane jamais seria uma “humanazinha”! – sussurrava para si mesmo, com raiva da provocação da prima. – Ela é muito mais do que você será um dia. O caráter dela nem se compara ao seu, sua cobra venenosa! – continuava segredando enquanto ia até a porta fechá-la.

Andrey voltou a sentar na cadeira e ficou olhando para o telefone na sua frente. Queria ouvir a voz dela mais uma vez. Queria vê-la novamente. Queria senti-la de novo…

– Queria, queria, queria… São tantos queria! – deu um leve murro na escrivaninha, tomando cuidado para não quebrar nada e nem chamar a atenção de ninguém pelo barulho. – Eu quero tanto, mas não posso nada! Como isso me irrita! – mordeu o lábio, tentando controlar o tom de sua voz.

Não queria ultrapassar o som de um sussurro. Se desabafasse mais alto, alguém poderia escutá-lo e isso poderia lhe render mais um dia preso em casa.

Para tentar se acalmar, ele abriu a gaveta onde havia jogado todos aqueles papeis e os pegou. Deu uma olhada em tudo e deu um sorriso maroto.

Aqueles papéis eram documentos seus. RG, certidão de nascimento, CPF, titulo de eleitor, diploma de conclusão do ensino médio… Dados, dados e mais dados. Todos falsificados para tentar encobrir o seu verdadeiro eu e camuflá-lo como um humano comum.

– Pelo menos já resolvi tudo. – continuava a olhar todos aqueles dados. – Ainda bem que meu pai já havia providenciado esses documentos falsos para todos nós. Isso me poupou muito tempo, dinheiro e dor de cabeça. Facilitou bastante as coisas. – sussurrava feliz, lembrando-se de seu ultimo telefonema naquele dia. – Veremos quem irá me impedir agora… – e um sorriso esperançoso e ao mesmo tempo desafiador surgiu através de seus lábios.

 

 

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