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{junho 4, 2013}   As Guardiãs da Fênix – O Começo!

(parte do terceiro capítulo…)

 

Fantasy, aqui vão eles!

 

 

– Tchau, mãe! – Lilith a abraçou com ternura, contendo as lágrimas que lhe ardiam os olhos. – Tchau, pai! – a garota foi envolvida por braços fortes e o ouviu limpar a garganta, um fracassado disfarce para a emoção que sentia.

– Tchau, meu amor! Se cuida, viu! – Suélen já estava chorando silenciosamente.

– Tchau, filhota! Até as férias ou antes! – Selso colocou as mãos no bolso.

– E tchau, Ely! – deu um singelo beijo na testa do irmão. Respirou fundo e engoliu o choro a seco. Não fazia sentido ceder à choradeira, afinal, ficaria apenas um ano fora. Parecia muito tempo, contudo, ela continuaria mantendo contato com a família e, se quisesse, poderia ir visitá-los nos feriados prolongados.

– Vocês vão ver, o tempo vai passas rapidinho! – deu mais um último beijo em todos e se dirigiu para a área de embarque enquanto gritava. – Vejo vocês em novembro do ano que vem!

– Lilith, vê se trás uma lembrancinha de lá para mim! – berrou Elyando antes que ela sumisse de vista.

Uma vez dentro da área de embarque, Lilith se dirigiu ao portão descrito em sua passagem. Aparentemente, o lugar era tão comum quanto os demais ao lado. O último aviso para que embarcasse soou e ela apertou o passo até as funcionárias.

– Bom dia! – cumprimentou, entregando a passagem.

– Bom dia, senhoria Pontlagua! – uma bela mulher loira conferiu suas passagens. – Você é a nossa última tripulante. Bem vinda à aviação Fantasy! – disse, devolvendo tudo à garota.

– Fantasy? – olhou para o nome da empresa escrito nos papeis de embarque. – Mas, essa não é a…

– É Fantasy mesmo. – a morena sorriu solicita. – Esse nome que você está lendo é registrado e enfeitiçado, ou seja, a aviação Fantasy existe em ambos os mundos, contudo, toda a sua documentação foi enfeitiçada para enganar as pessoas normais.

– E se alguém decidir viajar por essa viação aqui, o que acontece?

– Bom… Nós trabalhamos em ambos os mundos mesmo. Portanto, podem viajar conosco sem problemas.

– Nunca houveram passagens trocadas ou algum problema no sistema que acabasse levando pessoas normais ao mundo wiccaniano?

– Já houveram sim…

– Mas, todos foram concertados imediatamente e sem consequências desastrosas para nenhum dos lados. – interviu a funcionária loira. – Por favor, senhorita Pontlagua, está atrasando o vôo. Poderia se apressar?

Lilith olhou torto para a mulher e despediu-se brevemente de ambas, sendo mais gentil com a morena. E enquanto corria pelo corredor que a levava direto para as portas de seu avião, sentiu um estranho formigamento pelo corpo, algo que a impulsionava seguir adiante e lhe dava ânimo para enfrentar o desconhecido.

Uma vez dentro do avião, a garota foi recebida com toda a pompa e glamour que as aeromoças wiccanianas poderiam oferecer: taças de champagne flutuantes, tulipas de gelo com um chopp tão brilhante quanto ouro, taças de diamante com vinho tão reluzente quanto rubis, canecas cheias do m ais puro hidromel rodopiavam ao redor dela, embriagando-a com o aroma adocicado.

– Seja bem vinda, senhorita! Aceita algo para beber antes da decolagem? – uma das aeromoças, a mais alta de esguia, apontou para os copos, taças e canecas flutuantes.

– Não estou com vontade de beber nada alcoólico no momento, muito obrigada! – ficou sem jeito diante de tanta atenção. – Mas, se vocês tiverem água, eu aceito.

– Aqui está! – uma mulher de baixa estatura, cabelos ruivos e sardas no rosto lhe entregou um copo de cristal, cheio até a borda com água gelada e cristalina.

– Que copinho pesado, ein! – comentou ao segurá-lo.

– É feito de uma mistura especial, juntamos vários tipos de pedras preciosas na sua confecção como rubis, esmeraldas, turmalinas, lapis lazuli, diamantes e assim por diante.

– Mas, é tão transparente quanto o cristal! – observou abismada.

– É uma magia especial que usamos durante a confecção. Mas, se você girar o copo em suas mãos e contra a luz, poderá ver as cores dos materiais que usamos. – delicadamente, a mulher pegou a mão de Lilith que segurava o copo e a ergueu contra a luz. – Vê?

Os olhos da garota arregalaram diante das cores vibrantes e cheias de luz que iam aparecendo a medida que a aeromoça movia sua mão. O objeto era tão lindo e de aparência tão delicada que chegava a dar um “gostinho” especial e puro para a água contida ali.

Lilith agradeceu pela atenção e bebeu todo o liquido de uma vez, apreciando a sensação refrescante que lhe descia pela garganta.

– Gostaria de se acomodar em uma de nossas cabines agora, ou deseja mais alguma coisa?

A garota sentia um pouco de fome, contudo, sabia que com o frio na barriga que estava sentido, não conseguiria comer nada sem passar mal depois. E de forma delicada, negou a oferta, devolveu o copo à uma das aeromoças e respirou fundo.

– No momento, temos apenas uma cabine com um lugar vago. Todas as outras estão lotadas. – uma mulher de cabelos coloridos analisava um pequeno dispositivo eletrônico, o qual era um pouco menor do que seu antebraço. Assemelhava-se a um tablet, contudo, extremamente fino e transparente como vidro. – Isso pode ser um problema para a senhorita?

– De jeito nenhum! – respondeu de pronto.

– Então, queira me acompanhar, por favor. – a mulher baixou o dispositivo e a guiou por entre as cortinas vermelhas do hall do avião, levando-a por um corredor largo cercado por portas de plástico coloridas. – Aqui está, cabine dez vermelha. – parou, dando passagem a garota. – Em cinco minutos decolaremos. Fique à vontade, senhorita. – com um sorriso simpático se despediu e voltou para as outras.

Lilith ficou encarando a porta vermelha, sem saber ao certo como deveria passar por ela, afinal, havia pessoas ali dentro que nunca vira na vida, como poderia simplesmente abrir a porta e ir entrando? Será que deveria bater antes?

Ela respirou fundo, deu duas batidas leves e entrou usando o seu melhor sorriso simpático para as cinco pessoas que a encaravam com o mesmo tipo de fisionomia para as boas-vindas.

– Oi! Será que eu podia me sentar com vocês? – pediu tímida. – É que o avião já está lotado e…

– Mas é claro que pode! – antes que Lilith pudesse terminar de falar, uma menina sentada perto da janela, respondeu.  – Meu nome é Beatrice Celanit e o seu? – ela tinha lindos olhos verdes, cabelos ondulados que caiam até próximo à cintura e exibia orgulhosa a vestimenta da Ave. Lilith também pode reparar, pelo reflexo na janela, que o vestido possuía um belo rendado com a imagem da Fênix.

– Eu me chamo Lilith Pontlagua! – se apresentou enquanto terminava de se acomodar no acento disponível.

– Não acredito você é a famosa Lilith! – uma garota sentada ao lado da Beatrice quase gritou surpresa. – A mesma que derrotou o wiccaniano Trivan? – espantada com a reação dela, Lilith apenas a encarou abobalhada e observou que ela estava vestida com a Fada, e pelo pedacinho do bordado que ela conseguia ver, talvez fosse uma Fênix também.

– Eu não sei… – conseguiu responder.

– Mas, você não é a Lilith Pontlagua? – Beatrice perguntou educada.

– Sim, sou sim. Mas, este está sendo um dos meus primeiros contatos com o mundo wiccaniano. Eu apenas descobri a minha origem há alguns dias. – explicou.

– Então, você sabe quase nada do nosso mundo? – Lilith confirmou com a cabeça. – Bom… Vou ter que fazer um intensivo com você! A começar pela história que a transformou em uma celebridade por aqui! – balançou os longos cabelos loiros, enquanto se mexia no banco para poder estender a mão para a novata. – Eu me chamo Karoline Delaflor!

– E eu sou o Hugues Wilker. – apresentou-se um garoto de cabelos castanhos claros, sentado de frente com Karoline. – Prazer em conhecê-la! – ele possuía a vestimenta da Serpente, com esforço, Lilith pode notar um Pégasos bordado atrás.

– Oi! – cumprimentou outro menino, sentado ao lado de Hugues. – Eu sou o Paullu Logan! – ele era bem parecido com Beatrice e trajava a roupa do Leão, que pelo detalhe escuro e mais grosso da parte de trás, Lilith supôs, ter um Pégasos bordado também.

– Nossa, eu não a imaginava assim… – comentou um garoto sentado ao lado de Paullu. Ele a analisava dos pés à cabeça. – Um o sonho de garota! – sorriu sedutor e lhe estendeu a mão. – Eu me chamo Gautry Stafre, ao seu dispor! – apesar do estupor causado pela surpresa e a timidez, Lilith notou que ele tinha a roupa do Dragão, provavelmente com um Pégasos bordado atrás. – Meu nome é complicado, mas pode me chamar de Gu, ou da forma como preferir.

– Oi para todos! – sentia-se quente e totalmente sem graça. A garota poderia jurar que estava mais vermelha do que a porta ou as cortinas daquela cabine.

– Atenção, senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante do vôo 1089, com destino a Fantasy. Vamos decolar em alguns minutos, estamos aguardando a autorização da torre. Obrigado por escolherem a nossa companhia e tenha uma ótima viagem.

Lilith sentiu o avião começar a andar pela pista, posicionando-se para a decolagem. Respirou fundo e sentiu a ansiedade dominar seu corpo novamente.

– Tem alguma outra companhia fazendo essa ponte entre São Paulo e Fantasy? – ouviu Beatrice perguntar.

– Até onde eu sei, não tem não. – Karoline respondeu em um tom incerto.

– Madames, por favor… – Paullu sorriu. – Não se iludam. Não há outra companhia. Não temos outra opção. Essa é somente uma fala padrão de todos os pilotos.

Logo em seguida o grupo começou um burburinho, onde um tirava sarro do outro. Até Lilith, apesar de toda a timidez e nervosismo, sentiu-se confortável e entrou no meio da brincadeira.

– Senhoras e senhores, recebemos a autorização para a decolagem. Por favor, apertem os seus cintos e mantenho as poltronas na posição vertical. Tenham todos um ótimo vôo.

Assim que o anuncio terminou, os tripulantes sentiram aquele frio na barriga característico. O avião começou a correr pela pista e em segundos já estava sem contato algum com o solo. A pressão e os chacoalhões iniciais fizeram com que tudo ficasse silencioso por alguns instante, sendo que apenas o som metálico do avião e das turbinas fosse ouvido.

O sorriso de ansiedade no rosto daqueles seis jovens, compartilhando a cabine vermelha, era a imagem mais marcante da primeira viagem de um wiccaniano para Fantasy.

 

 

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