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{junho 25, 2013}   Conto de Dragões

(outra parte do capítulo…)

Capítulo 05

Dias diferentes…

Fantasias as mesmas…

 

 

Mariane abriu os olhos e deu uma rápida olhada ao seu redor. O quarto estava escuro e extremamente silencioso. Ela nem ao menos conseguia ouvir o barulho do vento do lado de fora. Espreguiçou-se e levantou da cama. Pegou o celular e viu que eram 2 horas da madrugada.

– Ah, não acredito!  – colocou o celular de volta na sua cabeceira. – Por que eu fui acordar agora? Odeio acordar no meio da madrugada. – foi até o banheiro e ficou se olhando no espelho. Estava sem sono e não tinha idéia do que fazer para conseguir voltar a dormir.

Pegou a escova e ficou penteando o cabelo sem muito ânimo. Só queria fazer as horas passarem rápido ou tentar ficar entediada. O tédio sempre ajudava nesses momentos. Ele fazia o sono vir mais rápido.

– Não tá adiantando… – largou a escova na pia e olhou pela janelinha do banheiro. A noite lá fora parecia clara.

Voltou para o quarto e saiu na sua sacada. A lua estava linda! Ela estava enorme e alta no céu. Iluminava tudo e até as estrelas pareciam estar opacas perto do brilho dela.

– Nossa… – sussurrou admirada com a beleza do satélite.

Enquanto se distraia observando os astros da noite, um vulto passou por cima da sua casa sem que o percebesse. Mariane sentiu um repentino vento acertá-la e estremeceu. Estava usando uma camisola e, portanto, não tinha proteção nenhuma contra o frio daquela imprevista ventania.

Uma sombra passou correndo por trás dela e sumiu na escuridão da noite. Mariane sentiu a presença e virou-se bruscamente, procurando por alguém ou por algo, mas não viu nada. Uma brisa leve e quente esquentou sua nuca e fez sua camisola esvoaçar. O que estava acontecendo ali?

A brisa voltou mais uma vez, duas vezes, três vezes… Ela ia e voltava em intervalos curtos e regulares. Algo estava atrás dela, alguma coisa estava provocando aquele ar quente que atingia suas costas diretamente e passava por seu corpo, provocando um forte arrepio.

Fechou os olhos e apertou os punhos. Estava assustada, mas também estava curiosa. Precisava ver o que tinha atrás de si. Abriu os olhos, respirou fundo e começou a se virar lentamente.

A brisa brevemente periódica também fazia seus cabelos esvoaçarem toda vez que atingia o seu corpo e os fios de cabelo lhe atrapalhavam a visão toda vez que eram jogados em seu rosto.

O suspense a estava matando mais do que o medo. Respirou profundamente mais uma vez e prendeu o fôlego antes de se virar rapidamente. Quando já estava de frente para a escuridão da noite, seu corpo congelou no lugar.

Uma sombra negra gigantesca estava parada na frente da sua sacada, em cima do seu jardim.

Mariane sentiu seu corpo amolecer como se fosse desmaiar, agarrou uma das madeiras que compunham o parapeito e obrigou-se a permanecer firme e lúcida no lugar. Sua respiração estava descontrolada e o seu coração disparado, mas isso não importava. O que era aquela coisa?

Forçou a vista, tentando enxergar melhor na escuridão da noite. A luz forte da lua facilitava as coisas, a enorme sombra estava começando a ficar mais clara. Aquela forma… Mariane a estava reconhecendo. Já a havia visto uma vez!

– Não pode ser… – sussurrou para si mesma.

Assim que o seu sussurro ecoou sutilmente pelo ar, duas admiráveis e imensas luzes brilharam na noite. Elas pareciam lindas bolas de cristal verdes, flutuando a menos de um metro da sua sacada. Aquele formidável brilho cristalizado a encarava de uma maneira que, para ela, parecia gentil.

– Você voltou! – Mariane se apoiou no parapeito e estendeu os braços na escuridão até suas mãos tocarem algo quente e áspero.

Seus dedos acariciavam uma pele dura, que parecia ter grossas placas de pedra. Pedras que eram mais macias do que as que estava acostumada a ver nas ruas e campos, mas, que ainda assim, agrediam um pouco a sua pele delicada.

– Devo estar sonhando novamente… – Mariane não se importava com aquela sutil agressão, só queria poder tocar seu dragão mais uma vez.

Ele estava sentado no jardim e tinha curvado um pouco suas costas e o seu pescoço, abaixado seu rosto até a altura certa da sacada. Aquela posição não era uma das mais confortáveis, mas ele não ligava. O que importava era que eles haviam se encontrado mais uma vez.

– Com certeza devo estar sonhando… – Mariane não piscava com medo que aquela linda criatura sumisse da sua frente durante os poucos milésimos de segundo em que suas pálpebras estivessem fechadas. – Você veio me ver novamente… – conversava com o dragão como se fosse um humano, como se ele fosse responder a qualquer momento.

Ela não dava importância ao fato de ele ser um animal e ela uma humana, sabia que ele a entendia e tinha certeza de que conseguia compreender as respostas daquele ser fantástico pelos olhares que lhe lançava a cada frase.

Os braços de Mariane estavam começando a doer, estavam estendidos para o dragão há muito tempo. A noite avançava para o dia com uma velocidade incrível. Para aqueles dois, humana e dragão, nunca haviam visto uma noite tão rápida! Logo o sol nasceria e ele precisaria partir, mas nenhum deles desejava aquela separação. Queriam ficar o tempo todo assim, se tocando e conversando com palavras, gestos e olhares.

O dragão olhou com agonia para o horizonte, em direção a Serra do Japi. Mariane acompanhou o olhar e entendeu a aflição no olhar de sua tão amada criatura, a noite estava clareando, a lua quase já não existia no céu e o sol estava começando a nascer.

– Ah não… – por um breve momento, Mariane apoiou as mãos no rosto, para controlar o descontentamento e a amargura por ver as poucas horas noturnas com seu dragão acabarem. – Você precisa mesmo ir…? – voltou a olhar para ele, mas não estava mais lá. O dragão havia desaparecido. – Não, não… Não vá… – seus olhos se encheram de dor.

Ele havia ido embora e ela nem tivera a oportunidade de se despedir. Fechou os olhos e contraiu as mãos e os braços na altura do peito. Se aquilo fosse um sonho, queria acordar naquele momento ou, se possível, tentar trazer o seu dragão de volta.

– Volte… Por favor…

Um vulto atravessou sua sacada a uma velocidade incrível e parou atrás de Mariane. Antes que ela pudesse perceber sua presença, abraçou-a com força pelas costas. Era um abraço carinhoso, um abraço de despedida, mas que prometia um reencontro.

Mariane abriu os olhos com o susto e tentou se virar para ver quem era. Mas aqueles braços não a permitiam sair do lugar. Um perfume delicado e inebriante passou por ela, fazendo-a suspirar diante de um aroma tão delicioso e familiar.

O corpo do misterioso visitante era forte, o abraço era intenso e ao mesmo tempo delicado. Mariane começou a relaxar, estava se sentindo confortável ali.

O calor e a fragrância que ele emanava a embalavam e acalmavam. Ela não estava mais assustada, sentia-se segura nos braços daquele desconhecido.

– Quem é você? – conseguiu sussurrar depois de muito esforço para se manter lúcida.

– Pensei que já soubesse… – o garoto sussurrou em resposta. O tom sutil da sua voz parecia divertido.

– Andrey! – Mariane havia reconhecido a voz e tinha despertado completamente do torpor que aqueles calor e perfume estavam provocando em seu corpo e em sua mente.

– Mariane… – ele continuava sussurrando, mas desta vez em seu ouvido. – Mariane… Que falta você me faz…

Ela tentava se virar de frente para ele, sem se soltar daquele delicioso abraço. Queria vê-lo, queria saber como era o dono daquela voz.

– Não, não, minha querida… – ele apertou um pouco mais o abraço, impedindo-a de se mexer.

– Por quê? – estava desapontada.

– Não fique com essa carinha chateada… – ele colou seu rosto ao dela, esfregando-o levemente na bochecha corada e quente de Mariane. – Você só não pode me ver assim, porque ainda não é o momento. Tenha um pouco de paciência meu amor…

Mariane sentiu seu corpo inteiro arrepiar. Os sussurros em seu ouvido, o toque da pele dele na sua e agora, frases com “minha querida” e “meu amor” eram demais para ela. Ele a estava deixando completamente perdida em suspiros e sensações apaixonantes.

– Por que você está aqui…? – tinha voltado a sussurrar. Sua voz falhava, traindo seus sentimentos que tentavam, em vão, permanecer ocultos.

– Porque eu preciso de você… – ele também tinha voltado a sussurrar em seu ouvido, deliciando-se com os freqüentes arrepios que percorriam o corpo de Mariane e com os incontáveis suspiros que irrompiam dela.

Mariane deixou-se levar e apoiou completamente seu corpo no de Andrey. Fechou seus olhos, tentando aproveitar ao máximo todas as sensações. Já que não podia vê-lo, ela iria usufruir de todos os outros sentidos que fossem possíveis usar naquele momento.

– Mariane… Tenho que ir… – Andrey sussurrou, trazendo-o de volta do seu estado de hipnose.

– Não… – Mariane abriu os olhos, com o choque da noticia sussurrada por ele. Mas assim que abriu os olhos, a luz do sol que já havia saído de trás da serra, a cegou temporariamente. – Andrey! – chamou em uma tentativa vã de tentar fazê-lo ficar.

O entorpecimento começou a esvair completamente de seu corpo. Mariane piscou algumas vezes e se percebeu sentada em sua cama, olhando para a porta de sua suíte. A luz de seu quarto estava acesa e sua mãe estava parada de pé, ao lado do interruptor.

– Não ouviu o seu celular despertar, não? – Lívia analisava a filha, estranhando a maneira brusca que ela havia despertado. – Tá tudo bem? Teve um pesadelo?

Mariane olhou ao redor e depois voltou a encarar a mãe. Fez uma cara de desanimo e se jogou na cama, puxando o travesseiro sobre o rosto.

– Eu estou tendo um pesadelo agora… – respondeu desapontada com a realidade. Então tudo aquilo realmente tinha sido apenas um sonho.  Que decepção…

– Como você é dramática! – puxou o travesseiro do rosto da filha e o jogou em outro canto da cama. – Corre se trocar senão você não vai chegar na PUC hoje.

– É sexta… Não vai ter nenhuma matéria nova hoje… Eu bem que poderia faltar…

-Você quem sabe… É você quem paga a sua faculdade mesmo. A consciência é sua. – deu um sorrisinho torto para ela e saiu do quarto.

– Ok… Você venceu. Eu vou… – levantou-se da cama e começou a se arrumar. Precisaria se distrair se quisesse esquecer o sonho e ter um dia tranqüilo, afinal, apesar de tudo, um novo dia de uma garota “normal” começava…

 

 

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