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{julho 10, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

Aos poucos, uma caricatura do professor de Antropologia Cultural começava a aparecer na folha do caderno.

Matheus estava completamente entediado. Aquela não era nem de longe a sua matéria predileta. Ele não se dava bem com o professor e não conseguia se interessar pelo assunto, só estava ali para receber presença e mais nada.

– Hum… – um sorrisinho apareceu em seu rosto.

A caricatura estava pronta e era completamente hilária. Ele havia exagerado na barriga saliente, feito uma careca mais reluzente e redonda do que o normal, caprichou nos olhos esbugalhados e conseguiu enquadrar o desenho ao perfil do famoso Homer Simpson.

Puxou a folha do fichário e olhou para os lados a procura de algo. Observava atentamente cada cabeça na sala até localizá-la. Mariane estava sentada a duas fileiras na frente, em diagonal com a sua carteira. Dobrou o papel, fez mira e o jogou, acertando em cheio a cabeça da amiga.

Mariane olhou para trás um pouco mal humorada com a investida. Viu Matheus gesticular algo e apontar para o papel que havia acertado a sua cabeça. Ela o pegou do chão, cedendo o lugar do mau humor para a curiosidade e o abriu. Assim que viu a divertida caricatura do professor, segurou o riso. Estava perfeita!

Ficou comparando a figura com a pessoa e, mais uma vez, veio-lhe uma intensa vontade de rir. Respirou fundo e dobrou o papel. Se ela continuasse olhando para o desenho, com certeza não conseguiria se controlar e teria um ataque de riso.

Olhou para o lado e viu os olhares curiosos das amigas a observá-la. Mariane deu um sorriso divertido e passou o papel para que também pudesse ver a “obra de arte” de Matheus.

Não demorou muito e começou a ouvir risinhos abafados. Também tentou se controlar para não recordar da figura hilária e começar a rir.

Olhou para o lado mais uma vez e viu duas de suas amigas se levantando com a mão na boca, segurando o riso, e saindo da sala. Com certeza elas não tinham aguentado e precisaram sair para não ter a atenção chamada pelo professor.

Mariane pegou o papel de volta e começou a escrever no canto da folha um recado. Voltou a redobrá-lo e o jogou para Matheus.

Sem rodeios, Matheus pegou o papel e o abriu. Começou a sorrir feliz enquanto lia o bilhete.

 

Matheus, só você mesmo para me fazer rir em uma aula tão chata! Como você adivinhou que eu estava precisando me distrair? Adorei a caricatura! Estava PERFEITA! Você tem um dom, sabia? Estou orgulhosa de ter um amigo tão talentoso… rs… Você deveria desenhar mais vezes.

Bem que você poderia fazer mais caricaturas para me distrair né? Aliás, por que você não faz uma caricatura minha? Estou curiosa! Quero saber como você me retrataria em uma folha de papel…                              

Beijos da sua amiga que quase chorou de rir por sua causa, Mari!

Ps:… Te adoro!

 

Guardou o bilhete dentro de um plástico no fichário e puxou outra folha para respondê-lo. Escreveu alguma coisa no papel, tentando fazer uma letra que considerasse a mais legível feita por ele e o jogou na direção da amiga.

Mariane pegou o papel todo dobrado e o leu um pouco desconfiada. A resposta não era exatamente livre de segundas intenções por parte dele.

 

Má, fiquei feliz em saber que você gostou. Eu fiz só um desenho simples para passar o tempo, nem caprichei muito. Só queria me distrair dessa aula chata.

Falando em distrair… Saiba que, sempre que você precisar, eu a distrairei de todas as formas possíveis e permitidas por você. E quanto ao seu pedido, farei quantas caricaturas quiser! Basta você me presentear com o seu sorriso, assim como você fez quando viu a minha caricatura do professor… rs… Mas, em relação ao pedido de fazer uma caricatura sua, não sei se eu seria capaz de retratar toda a sua beleza e graça em um mero desenho em uma simples folha de papel. Se quiser me ajudar com isso, poderia ficar algumas tardes comigo aqui na PUC e posar para mim… O que acha? Sem malicias, por favor… rs…

Muitos e muitos beijos somente para você!

Também te adoro DEMAIS!

Ass: Math

 

Olhou disfarçadamente para as amigas, certificando-se de que nenhuma estava lendo e respondeu. Jogou o papel de volta e deu um suspiro. Mariane gostava muito do amigo, mas não queria que ele tivesse esperanças em ter algo a mais do que amizade com ela.

Matheus abriu o bilhete rapidamente, mas sua animação diminuía a cada linha que lia do bilhete. Terminou de lê-lo e o guardou, sem se preocupar em dar uma resposta. Ele estava desanimado mais uma vez.

 Matheus… Não me entenda mal, mas eu não tô muito a fim de ficar ALGUNS DIAS na PUC e eu não presto para ser modelo, não! Eu não gosto de ficar posando, é meio entediante, sabe?

Não é por você não, viu? Nem fica chateado comigo, por favor! Mas, sinceramente, esse não é o tipo de programa que eu gostaria de fazer com alguém. Sem contar que eu trabalho… Não daria para ficar assim de bobeira pela PUC, né?

Quem sabe a gente combina outra coisa, algum dia? Sei lá… Ir com o pessoal no cinema, ou passear com o povo da sala no shopping. Aposto que você se divertiria muito no fliperama com os meninos e eu adoraria fazer compras com as meninas… rs… Típico, né?  (clube do Bolinha e da Luluzinha)

Mas ainda fico esperando as caricaturas que você disse que faria. Não adianta fugir! Disse que faria e agora vai ter que fazer… rs…

Beijos! 

Até mais…

 

Ninguém mais havia percebido, mas um clima um pouco tenso apareceu entre os dois amigos. Mesmo a distancia, Mariane podia sentir a chateação dele e ficou um pouco incomodada com aquilo, não gostava de deixá-lo assim, mas às vezes era preciso.

Matheus também podia perceber o incomodo que a sua reação havia causado a amiga, mas não estava se importando muito com aquilo. Ela o havia chateado e agora merecia se sentir mal por aquilo. Para ele, a Mariane não precisava ter sido tão direta assim. Ela poderia ter sido um pouco mais flexível com ele.

Por mais que desejassem o contrário, aquela aula parecia que nunca ia acabar para os dois.

 

\\–//–\\–//

– Informaremos o Coronel Falcker agora mesmo! – Capitão Luca andava pelo corredor com passos duros e decididos.

Estava rodeado por alguns companheiros militares, que, assim como ele, haviam se envolvido diretamente com o estranho O.V.N.I. que tinha aparecido por ligeiros segundos nos radares da base.

A sua esquerda estava o Tenente Andrade, à direita estava o mal humoradíssimo Tenente Nunes, logo atrás estavam o Cabo Smithison e o inseguro Soldado Mirella.

– E quanto ao Major Romero? Passaremos direto por ele? – Andrade dava breves olhadas nos papeis que carregava na mão.

Os arquivos continham fotos de vários pontos negros parados sobre o céu brasileiro e alguns poucos dados que alguns radares haviam conseguido fazer.

– Eu já o informei. Mandei o Cabo Walter até ele com uma cópia dessa papelada. – Luca não diminuiu o passo em nenhum momento. – Inclusive… Acredito que o Major já esteja no gabinete do Coronel agora mesmo…

Sem se preocupar com formalidades, o Capitão Luca abriu a porta do gabinete e foi entrando. Ele não se importava com protocolos que julgava ser meramente etiquetas ao invés de burocracias. Aliás, ele nunca gostou muito de burocracias, as considerava perda de tempo, mas sabia que elas eram necessárias para manter a ordem e o respeito pelas hierarquias.

Como ele havia previsto, o Major Romero já se encontrava na sala, mostrando todos os dados sobre os O.V.N.I’s que havia recebido. Logo atrás de Luca vinham aqueles que o acompanharam durante o percurso todo até ali. Com exceção dele, todos os outros estavam preocupados com a reação do coronel e do major perante a entrada invasiva do capitão.

– Capitão Luca, o que significa essas fotos? – o coronel ignorava a brusca entrada de Luca em seu gabinete. Já conhecia o estilo direto do militar. E ao invés de um sermão, Falcker preferiu apenas encarar seu subordinado com uma expressão séria no rosto, enquanto aguardava por uma resposta.

– Senhor, essas fotos são O.V.N.I’s encontrados no espaço aéreo brasileiro. Não conseguimos estabelecer um contato com eles e não sabemos ainda se são inimigos.

– Isso eu já percebi… – sussurrou analisando os dados. – Desde quando estão aqui? – voltou a falar em seu habitual tom de voz forte.

– O primeiro caso aconteceu há três semanas, portanto, acreditamos que ficaram por aqui durante todo esse tempo. Apesar de apenas os percebermos parados sobre o Brasil há apenas duas horas. Supomos que eles tenham uma tecnologia especial para se camuflarem de nosso radares quando desejam, senhor.

– DUAS HORAS? – Falcker ergueu a cabeça junto com o tom de voz. Ele estava quase berrando. – Vocês demoraram DUAS HORAS para vir me informar? Ou pior… – encarou cada um dos presentes ali antes de continuar. – TRÊS SEMANAS, para ser mais preciso…

Todos na sala permaneceram calados depois que o Coronel Falcker havia terminado de falar. Nem ao menos se aventuravam a encarar um ao outro, apenas o Capitão Luca desafiava a sorte, encarando o coronel, o qual sustentava o seu olhar, aceitando o desafio.

Ele respeitava o Capitão Luca. Nem todos tinham a audácia de enfrentá-lo, ainda mais quando o seu humor se alterava negativamente por causa de alguma desagradável notícia.

– Você e você! – Falcker apontou para o Soldado Mirella e o Cabo Smithison. – Apresentem-se!

– Cabo Smithison apresentando-se, senhor! – aproximou-se da mesa e bateu continência.

– Soldado Mirella apresentando-se, senhor! – permaneceu alguns centímetros atrás do Cabo e também bateu continência.

– Quero que vocês convoquem o Tenente Almeida e a Aspirante Limeira para uma reunião em 30 minutos no meu gabinete!

– Senhor, sim senhor! – ambos responderam ao comando, bateram continência e se retiraram da sala o mais rápido possível.

– Você, Tenente Nunes! – apontou para o tenente enquanto a porta da sala ainda estava sendo fechada pelo Soldado Mirella. – Convoque a Tenente-Coronel Sebastian e não se esqueça de solicitar ao Subtenente Domingues para também vir á reunião e mandar convocar os integrantes desta lista. – escreveu rapidamente alguns nomes em uma folha de papel e a entregou a Nunes.

– Senhor, sim senhor! – pegou o papel, bateu continência e saiu da sala, não antes de lançar um discreto olhar enjoado e invejoso para o Capitão Luca.

– Com licença… – depois que Luca e os demais militares haviam entrado no gabinete, aquela era a primeira que o Major Romero falava. – Mas o senhor realmente acredita que uma reunião com apenas os demais poderes militares da junta de São Paulo, vai resolver alguma coisa?

– Não, Major Romero… Não… – o coronel suspirou. – Para tentar resolver algo… era preciso entrar em contato com os maiores…

– Mas então… Por que a pressa?

– Como sou maior oficial por aqui. É meu dever informá-los. – encarava o major com um olhar cansado. – E eu quero fazer isso logo! Não quero deixar nada acumular. Quero resolver tudo logo e depois discutir o assunto com meus superiores. Com certeza eles já estão informados dos O.V.N.I.’s.

– Seus superiores… O senhor teria que viajar para isso. – Capitão Luca havia se aproximado ainda mais da mesa do coronel. – Terá que deixar tudo por aqui nas mãos do Major Romero. – o coronel concordou com a cabeça. – O senhor faz idéia da bomba que estará colocando nas mãos de seu subordinado? – Luca lançava alguns olhares para Romero. O major era um amigo de infância. Haviam crescido juntos e a pessoa em quem ele mais confiava lá dentro era ele.

Luca sabia o quanto o amigo era competente em seu trabalho, até mais do que ele. Mas, o Major Romero tinha família agora. Estava casado a menos de um ano com Luiza, outra colega de infância dos dois. E a esposa tinha acabado de dar a luz a uma garotinha linda, faziam apenas dois meses! Sem mencionar que Luiza não andava muito bem de saúde.

Várias vezes o capitão precisou cobrir as faltas inesperadas do amigo, quando este precisava acompanhar a esposa em alguma consulta ou cuidar da filha quando Luiza ficava internada. As coisas não estavam bem para o major e se o coronel colocasse mais aquela responsabilidade nas mãos dele, Luca temia que o amigo se sobrecarregasse e acabasse se prejudicando.

– E que alternativa eu tenho? – Coronel Falcker continuava com o olhar desanimado. – Eu já estou vendo que as coisas vão piorar mil vezes mais a partir de agora, se eu não for e resolver algumas coisas, com certeza acabaremos mais prejudicados do que as demais juntas…

– Mas, Coronel…

– Tudo bem, Capitão Luca! – o Major o havia interrompido. – Agradeço pela sua preocupação, mas o Coronel está certo. Eu vou assumir a responsabilidade! – e encarou o amigo com um olhar obstinado. Luca já conhecia aquele olhar e sabia que não adiantaria nada tentar convencê-lo de desistir da idéia.

– Então, senhor Coronel, solicito que permita que eu divida a responsabilidade de sua ausência com o Major Romero! – aquela era a única solução que havia encontrado até o momento. Ele não deixaria Romero sem apoio.

– Tá, tá… Autorizo. – Falcker conhecia muito bem aqueles dois militares parados na sua frente. Eram competentes e, acima de tudo, obstinados.

Ele já teria problemas demais pela frente e não queria arranjar mais alguns, portanto, decidiu permitir que Luca ajudasse Romero. Que mal haveria nisso? Provavelmente, aquela permissão resolveria alguns problemas futuros. Ele confiava na capacidade daquela dupla.

– Agora, senhores… – levantou-se da sua mesa e estralou o pescoço. – Preparem-se para a reunião. Em menos de 2 minutos, os convocados estarão aqui e uma verdadeira guerra vai começar. – major e capitão assentiram com a cabeça.

Os três militares naquela sala sabiam que a junta de São Paulo possuía muitas rixas internas. Todos tinham seus problemas pessoais uns com os outros. Quando eram reunidos, sempre saiam discussões que consideravam desnecessárias, mas que pareciam ser impossíveis de se evitar.

– Divirtam-se com os duelos rapazes. – resmungou com desanimo, enchendo o “divirtam-se” de ironia.

– Então, que comece a batalha! – sussurrou o capitão, assim que a porta do gabinete começou a se abrir.

 

 

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