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{julho 16, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

– Andrey! Andrey, querido? – Maysa procurava pelo sobrinho.

Já havia olhado por todo o quarto do garoto e vistoriado quase a casa toda, cozinha, quartos, banheiros, salas, lavanderia e até no escritório de Thadeu. Onde mais ele poderia estar?

– Andrey, cadê você? – faltava apenas dar uma olhada no jardim da frente e nos fundos da casa.

Maysa passou pela porta que dava passagem para os fundos. Deu uma rápida e minuciosa olhada pelo lugar, mas não viu sinal de seu sobrinho. Ele não poderia ter desobedecido Thadeu, ao menos não depois de ela ter intercedido e pedido pela compreensão dos dois.

O lugar não era grande, mas ostentava um ar reconfortante e tranqüilo por causa de seis árvores plantadas ali. Elas não eram muito maiores do que a casa, mas eram magnificamente lindas.

Suas sementes eram originais de seu planeta natal, trazidas com cuidado até a Terra e ali cultivadas. Por sorte, elas demoravam menos tempo do que as plantas terrestres para atingirem a maturidade e eram muito mais duráveis. Cada uma tinha uma característica específica e cores incomuns.

Olhando da menor para maior, via-se uma de um cedro quase branco, com folhas verdes claras e flores azul-bebê.

Outra tinha um cedro-terra, um marrom forte que lembrava barro, suas folhas eram verdes como a esmeralda e suas flores eram de um grená (um tom violeta puxado para o castanho) tão intenso e claro, que lembravam grãos de areia molhados pela água do mar, durante um final de tarde.

Havia uma de um cedro praticamente verde-mar, com folhas puxadas para o tom forte e misto do verde-acqua e flores mescladas com a cor turquesa e azul-marinho.

A seguinte tinha um cedro-rosa um tanto avermelhado, como um violeta pálido com vermelho-terra, suas folhas eram verdes-musgo com tons avermelhados e alaranjados, como folhas no outono, suas flores eram vermelhas rubras, como rubis, algumas com sutis tons magenta e violeta.

A segunda maior tinha um cedro quase negro, era de um rútilo (um tom marrom muito escuro) quase preto, suas folhas eram verdes muito escuras e suas flores eram de um roxo mais denso do que o tom de ameixas mais do que maduras, com fortes tons cor de vinho.

Por ultimo, a maior, com um cedro-amarelo, um amarelo açafrão, puxado para o bronze, suas folhas eram de um verde lima bem claro, com tons dourados e suas flores eram amareladas como o âmbar, com fortes pigmentações de maná-gelo (um tom dourado muito claro, quase branco, puxado para a tonalidade fria do gelo).

Ela fechou os olhos e deixou que seus outros sentidos falassem mais alto do que sua visão. Em poucos segundos ela conseguiu captar um cheiro diferente no ar.

Um aroma tão sutil que ela não o teria percebido, se não tivesse parado e prestado mais atenção ás coisas ao seu redor. Era uma fragrância amadeirada e com uma sutil caracteriza amentolada, fortemente marcada por um aroma similar ao do cravo.

Com um sorriso no rosto por ter reconhecido aquele singular aroma, Maysa andou até a árvore com tons avermelhados e olhou para o alto, procurando por algo oculto nas ramificações da copa.

– Andrey, meu querido… Eu sei que você está aí… Por que não desce? Preciso conversar um pouquinho com você… – anunciou com um clamor sutil e delicado.

Seu tom de voz era quase baixo. Ela conhecia a boa audição do sobrinho característica da raça, portanto, ela não via motivo para se expressar em um timbre mais alto.

– Como me descobriu aqui tia? – a voz masculina vinha de algum lugar do topo daquela árvore. O garoto ainda estava oculto pela densa concentração de folhas e flores.

– Você tem um cheiro muito peculiar e característico, sabia? – um sorriso terno e alegre brincava em seus lábios.

– Huh… Acho que sim… – sua voz estava com um distinguível tom divertido e satírico.

Em apenas alguns segundos, Andrey saltou do alto daquela esplêndida árvore, caindo com graciosidade ao lado da tia.

– O que você fazia aqui? – perguntou enquanto retirava algumas folhas presas nos fios de cabelo do sobrinho.

– Apenas pensando… Gosto de vir aqui de vez em quando… – lançou um olhar nostálgico para aquelas formosas árvores e suspirou diante de alguma lembrança que cruzava sua memória.

– São realmente magníficas! – Maysa também olhou para as incomuns plantas e sorriu. – Tanya também gostava de passar as tardes nelas… – olhou para o sobrinho rindo. – Lembro que ela me arrastava todo o santo dia até um bosque repleto delas, para brincarmos juntas. Ficávamos a tarde toda correndo envolta dos troncos, nos prendendo em galhos… E ela parecia NUNCA se cansar! – fez uma careta incrédula. – Antes do final da tarde eu já estava exaustada, querendo me arrastar de volta para casa, mas Tanya sempre choramingava, pedindo para ficar um pouco mais… – suspirou cansada e saudosa. – E eu sempre cedia… Sempre ficava lá com ela um pouco mais… – tocou o tronco da árvore mais próxima e sorriu com ternura. – Ah… Minha irmã amava demais a nossa terra natal…

– Amava… – Andrey concordou em um sussurro, tentando esconder a dor que seus olhos refletiam do seu âmago. – Elas me lembram da época em que mamãe me levava para brincar nessas árvores… – também tocou o mesmo tronco que sua tia havia tocado. – Essa daqui… Era o meu tipo predileto… – alisou o cedro-rosa avermelhado. – E mamãe… – andou até a que possuía tons azulados. – Gostava mais desse… – bateu levemente as pontas do dedo, no cedro verde-mar. – E para ser sincero, eu também gosto bastante dessa árvore!

Ele analisou as duas árvores e passou uma das mãos pelo queixo. Uma mania que tinha, quando refletia sobre algo frívolo ou cotidiano.

– Se eu for analisar bem, acredito que a minha admiração por esses dois tipos acaba em empate… – encarou a tia com um meio sorriso. – Acho que é o meu pai quem gosta mais da avermelhada e não eu…

– É compreensível… Até que é fácil explicar os gostos de vocês três.

Maysa deu de ombros e ficou a observar cada uma delas. Encarou o sobrinho por um breve instante e voltou a observar as árvores.

– É como se elas representassem cada um de nossos clãs… Aliás, acho que elas REALMENTE representam os seis clãs! – ela começou a apontar para cada uma delas. – A clarinha, de cedro quase branco, representa o Clã do Ar. A de cedro mais marrom representa o Clã da Terra. Essa daí, cheia de tons azuis, representa o Clã da Água. Essa daqui, bem avermelhada, representa o Clã do Fogo. A praticamente negra, representa o Clã das Sombras. E aquela ali, a de aparência mais luminosa, representa o Clã da Luz. – andou até Andrey com um sorriso simples no rosto. – Sua mãe e eu, pertencíamos ao Clã da Água. O seu pai ao do Fogo. Conseqüentemente, você é uma miscigenação dos dois. Tá aí a explicação do gosto de vocês!

– Tia… Eu já fazia uma idéia disso… – Andrey ofereceu um sorriso singelo para Maysa. – Mamãe já havia me dito essa teoria quando pequeno. E ainda explicou que eu era uma “semente” diferente. Metade árvore do Fogo, metade árvore da Água. – baixou o olhar quando sentiu a dor crescer ainda mais. – Ela disse que estava ansiosa para ver em que árvore eu me tornaria quando crescesse… – sua voz não passava de um sussurro triste.

– Andrey… – abraçou o sobrinho. – Tenho certeza de que ela o está vendo crescer e ficando maravilhada com o que está se tornando. – deu um sorriso. – Falando em crescer… Isso me lembra responsabilidades… Que por sua vez me lembra do porquê de querer conversar com você!

Maysa tentava mudar de assunto antes que Andrey entrasse em depressão com a, ainda recente, morte de Tanya.

– Hum… – o garoto levantou a cabeça e olhou para a tia com o canto dos olhos.

– Nossa! Que interesse todo é esse, ein? – perguntou irônica, fingindo estar ofendida com a falta de curiosidade do sobrinho. – O assunto é importante, sabia?

– Tá… Desculpa tia… – ficou frente a frente com ela, respirou fundo e atuou um olhar curioso. – Diga-me! Agora estou curioso. O que precisa conversar comigo?

Andrey não estava realmente interessado, mas fingiu estar, apenas para agradar à tia que tanto amava.

– Ora… Você é um fingido! Que curiosidade nada! Você não me soa como um curioso.

Viu o sobrinho começar a abri a boca para discordar de sua analise e segurou-lhe os lábios unidos com as pontas de seus dedos.

– Shhh… Não adianta discordar. Eu sei que estou certa! Aliás,… Você já perguntou sobre o que eu queria conversar, então, agora, vou ter que responder, não é? – soltou os lábios de Andrey e cruzou os braços. – Se você ficar tagarelando, não vai me deixar papaguear. – deu um sorriso divertido.

– Papaguear? – riu com a sonoridade da palavra. – É… Esse verbo, COM CERTEZA, foi feito para você! – ele ainda não havia visto alguém que falasse mais do que tia. A expressão “tagarela como um papagaio” encaixava-se perfeitamente na personalidade dela.

– Que seja… – bufou com a brincadeira. – Posso continuar?

– Claro. Vá em frente! – selou os lábios e fez sinal para que ela continuasse a falar.

– Obrigada. – descruzou os braços e sorriu em resposta aos gestos do sobrinho. – Andrey, seja sincero comigo, por favor…

Apoiou-se no ombro dele e aproximou sua boca ao ouvido de Andrey, para que apenas ele ouvisse o que ela iria cochichar, caso houvesse alguém bisbilhotando a conversa deles.

– O quanto você realmente gosta da humana? O que você verdadeiramente sente por Mariane?

– Maysa! – sentiu o sangue borbulhar em suas bochechas e suas orelhas arderem com o espanto da pergunta. – Isso… – viu a tia fazer sinal para que falasse mais baixo e diminuiu seu tom de voz para um sussurro. – Isso é um assunto bem delicado e complexo, tia! Não sei se posso responder…

– Ah… Você pode sim, meu querido… – continuou apoiada nele. – Eu sei que você pode! Você já sabe o que sente, basta que reflita só um pouquinho sobre isso…

– Mas por que você quer saber?

– Lídia teve uma visão… – segredou com um ar trivial e tranqüilo. – E você sabe que as chances de ela estar certa são de praticamente 95%, não é?

– Que visão? – Andrey conhecia muito bem as visões de Lídia.

Ela era uma descendente direta do Clã da Luz. Assim como ele, seus pais eram de clãs diferentes, e, portanto, ela era uma filha mestiça. Pai das Sombras, mãe da Luz…

Uma união mais complicada do que a de seus próprios pais. E talvez, por ser herdeira dessas duas tribos, ela tenha despertado um dom, proveniente da mistura dos poderes. Lídia era capaz de ter visões sobre o futuro, como premonições e muito dificilmente ela errava nelas.

– Ela viu sua Mariane aqui em casa…

– QUÊ? – sua voz saiu como um brado de sua garganta.

Maysa fez um sinal histérico para que ele diminuísse o tom de voz novamente. Ele olhou ao redor por alguns segundos, certificando-se que seu grito não houvesse chamado a atenção de ninguém de dentro da casa. Quando teve certeza de que ainda estavam sozinhos ali, ele voltou a sussurrar.

– Mariane? Aqui? Como? Quando? Por quê? Eu… Eu acho que não me atreveria a trazê-la para cá… Ao menos não com tantos de nós aglomerados nessa casa… Não é?

– Calma… Calma… Você faz perguntas demais para alguém que tem respostas de menos! – Maysa desgrudou-se do sobrinho e deu de ombros. – Eu não sei de nada, além do que Lídia me disse. Quem vai trazê-la até aqui é você! Não sou eu quem tem as respostas… Se eu soubesse, acha que estaria aqui te questionando?

– Tá, tá… – cruzou os braços, ainda preocupado com a hipótese de que no futuro ele venha a fazer uma loucura daquelas. – Mas, a Lídia ainda pode estar errada, não é? Você sabe… As visões dela não são 100% corretas… – um olhar esperançoso surgiu em seu rosto.

– Bom… – refletiu um pouco. – Isso é verdade… – mas logo descartou a esperança do sobrinho. – Mas a visão era realista demais para não acontecer…

– Realista? – não conseguia disfarçar o tom incrédulo da voz. – Eu jamais a traria para cá! Posso desobedecer às ordens de meu pai, mas eu sei os limites! Nunca a colocaria em um lugar cheio dos nossos. Ainda mais quando a maioria se sente tão fraca… Ela seria um belo banquete revigorante!! – Andrey sentiu pânico ao cogitar a idéia de deixar Mariane a mercê dos famintos.

– Calma… – Maysa afagou o braço do sobrinho, tentando acalmá-lo. – Na visão da Lídia, você não era tão louco assim…

– Como assim?

– Você a trouxe para cá, mas… Não havia mais ninguém em casa. Você e ela estavam sozinhos aqui… – o encarou com um ar reprovador.

– Sozinhos? – ele sentiu o pânico desaparecer, dando lugar a uma sensação completamente quente, que transformava suas bochechas em brasas. Sua imaginação trabalhava rápido, oferecendo-lhe imagens que o faziam se arrepiar, mas aqueles arrepios não eram de medo ou frio. – E… o que estávamos fazendo?

– Huuuum… Que curiosidade é essa? – lançou um olhar malicioso sobre Andrey e sorriu, divertida com o embaraço dele. – Ficou interessado é?

– É sério Tia… – sentia-se completamente constrangido com aquele assunto. Ele costumava brincar com esse tipo de coisa, quando saia com seus amigos ou até mesmo com a sua prima. Mas na presença da tia, a conversa incomodava.

– Bom… Na visão da Lídia, você apenas mostrava para ela a casa… Essas árvores… E depois a deixou descansar em seu quarto… – Maysa substituiu o ar brincalhão por uma feição séria. – Vocês dois pareciam muito cansados… Estavam acabados… Você estava arranhado e machucado. Ela estava assustada e tinha um rasgo no braço direito.

– Um rasgo? – arregalou os olhos. Quando a tia dizia “um rasgo” em alguma parte do corpo, era porque alguém havia seriamente se cortado.

– Uhum. Ela tinha uma ferida grande. O corte atravessava quase o antebraço todo dela.

– Agora a visão da Lídia faz menos sentido ainda para mim! – começou a caminhar pelo lugar. – Por que eu a traria aqui, ao invés de levá-la a um médico?

– Não sei… Ela parecia muito assustada, por isso você mostrou a casa antes de curá-la, para tentar acalmar a humana… E também… Vai ver você imaginou que esse fosse o lugar mais seguro para tratá-la…

– Eu estava tratando dela? – ergueu uma sobrancelha.

Andrey sabia muito bem que alguém da raça dele, abatido como ele deveria estar e ainda ser herdeiro do Clã do Fogo, não agüentaria ficar perto de sangue. Somente o cheiro despertaria uma louca vontade de bebê-lo. Era como um instinto de sobrevivência. Aquele sangue regeneraria suas forças e aceleraria ainda mais o seu processo de cura.

– Uhum… – Maysa também tinha um ar descrente no rosto. Se não houvesse ouvido a história da própria boca de Lídia, com certeza ela estaria tão incrédulo quanto ele. – E você tomou uma medida bem drástica para curá-la…

– Drástica?

– Você jogou seu próprio sangue sobre a ferida dela… – a frase foi dita em um murmúrio tão baixo que, se Andrey não possuísse uma audição tão aguda, não conseguiria ouvir o que ela tinha acabado de lhe confidenciar.

– Meu sangue…? – ele também murmurou. Aquela parte da conversa era delicada e comprometedora demais para ir soar nos ouvidos de mais alguém. – Certeza…? – sentia-se completamente chocado.

– Certeza… – ela se aproximou dele, para que ficasse mais fácil continuar a sussurrar a conversa. – Você deveria estar bem desesperado ou… Preocupado com algo. Dar o seu sangue para uma humana assim… É… É… No mínimo, sinal de perigo a espreita…

Maysa e Andrey sabiam muito bem o que significava dar seu próprio sangue para uma raça diferente da sua e tão fraca. Seu D.N.A. possuía características muito especificas da espécie para ser doado daquela maneira.

Quando seu sangue se misturasse ao de outra criatura, ela passaria a compartilhar parte de seu próprio ser, de sua própria essência. A criatura passaria a ter uma ligação muito forte com o dono do sangue.

Nenhum segredo poderia ser mantido. Tudo o que um sabe, o outro ficará sabendo. Sem mencionar que essa ligação enfraquece os sentidos. O dono do D.N.A. fica mais fraco e vulnerável do que os demais de sua raça.

– Andrey… Você sabe que estamos para entrar em uma guerra. Enfraquecer-se assim, por tão pouco, pode prejudicar o nosso lado. Pode acabar entregando a vitória para eles!

– Eu sei… Eu sei…

Andrey estava começando a sentir dificuldades em manter o volume de sua voz baixo. O nervosismo já havia tomado grande parte da razão.

– Mas eu não faria uma coisa dessas por causa de uma situação banal! Com certeza deve ter acontecido alguma coisa! Provavelmente Mariane devesse estar em sério perigo. Talvez ela tivesse se metido em uma situação complicada. Um caso de vida ou morte. E para não dar chances, a quem quer que seja o inimigo nesse dia, de matá-la, eu devo ter feito aquilo, para fortalecê-la!

O dragão encarou a tia, para ter certeza de que ela estava acompanhando a sua linha de raciocínio.

– E você sabe que ela é uma peça importante para nossa vitória e que é extremamente especial e inestimável para mim! Não poderia deixá-la em perigo, deixá-la mais frágil nas mãos de alguém. Jamais!

– Sim, sim… Eu sei, Andrey! Agora abaixa esse tom! – disse séria, preocupada com a probabilidade de alguém ter conseguido ouvir alguma coisa.

– Tia… É por isso que eu preciso estar sempre ao lado dela! É por isso que eu preciso estar com ela! – ele pegou as mãos de Maysa, como se pedisse pela compreensão dela. – Para evitar que coisas assim aconteçam, ela precisa saber quem sou o mais rápido possível e ter certeza que poderá recorrer a mim sempre que precisar! Não posso mais dar ouvidos ao meu pai! Eu NECESSITO ficar com ela!

– Tá! Entendi Andrey! Mas pelo amor de sua mãe, abaixe esse tom de voz! – apertou as mãos dele com força, em sinal de repreensão. A idéia de terem ouvido a conversa a exasperava.

– Desculpe… – sussurrou em resposta, tentando acalmar a euforia, a vontade louca de continuar falando alto.

Ele sempre soube que era preciso ficar com Mariane, que seu pai estava errado em afastá-lo dela.  Sentia um incrível desejo de gritar aquilo e provar para todos o quão certo ele estava em seus atos e vontades.

– Mas tia… Você entende, não é? Você vê o quanto eu preciso protegê-la?

– Sim. Eu vejo… – suspirou, dando-se por vencida.

Não adiantava contestá-lo. Provavelmente Andrey estava certo. Ele precisava cuidar da humana para evitar maiores danos para o lado deles, quando a guerra chegasse.

– Mas não vou deixá-lo ir sozinho atrás dela. Vou ficar de olho em vocês dois. Se algo acontecer, talvez seja preciso mais do que um de nós para dar conta do recado. É melhor que eu esteja por perto…

– Ótimo! Vai bancar a espiã? – perguntou jocoso, tentando quebrar o clima tenso daquela conversa.

– E o que mais eu seria? Se eu tentar bancar a enxerida, talvez acabe atrapalhando alguma coisa entre vocês dois… – olhou para o sobrinho com um olhar malicioso e suspeito, entrando na brincadeira de bom grado. Assuntos tensos também não a agradavam.

– Engraçadinha… – comentou irônico e cético, totalmente encabulado diante da idéia de sua própria tia acabar presenciando alguma cena mais “romântica” entre ele e Mariane.

– Não se preocupe querido… Não vou ficar observando vocês o tempo todo. Vou dar mais atenção às coisas que acontecerão ao redor dos dois. – continuava a encará-lo maldosamente.

– Já que é assim… – deu de ombros, tentando disfarçar seu embaraço. – Vamos bancar os humanos!

– Ok! Mas, Andrey, não leve tudo isso somente na brincadeira. – Maysa tentava advertir o sobrinho. – Lembre-se que o principal motivo para fazermos isso não é a diversão e sim a segurança dela.

– Eu sei tia… Mas eu acho que um pouco de diversão não faz mal. Deixa o serviço mais fácil de ser feito. – respondeu com o seu costumeiro sorriso maroto nos lábios.

– Você não tem jeito mesmo, ein moleque? – bagunçou os lindos e perfumados cabelos de Andrey.

– Vamos lá tia! Vamos nos divertir! – disse enquanto arrumava o cabelo bagunçado sem reclamar. – Vamos brincar de humanos! – sentia-se muito bem humorado agora.

 

 

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