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{agosto 22, 2013}   O Destino da Escolha

5º Capítulo

Não sigas por este luar, minha criança…

 

 

Mayara acelerou sua moto. Não se importava mais com multas ou acidentes, apenas queria esquecer, fugir daquela dor em seu peito.

– Maldito! Por que me tortura tanto? – a cada palavra, acelerava um pouco mais a moto. – Por que eu… O que? – brecou bruscamente, quase tinha em outra moto que saia do parque.

– Ei, ei, ei! Calma madame! Para quê a pressa? – o motoqueiro parou e desceu de sua moto, encarando Mayara.

– Meu Deus… Perdoe-me… Juro que não o vi senhor! – também desceu de sua moto e foi até o motoqueiro. – Sinto muito! O senhor está bem? – tirou o capacete.

– Estou perfeitamente bem. Não se preocupe senhorita. – quando também tirou o capacete, pôde sentir o perfume que ela emanava e logo o reconheceu. – Por favor, não me chame mais de senhor, chame-me de Bruno!

– Oh! Sim, sen… Quero dizer… Bruno. – deu um sorriso constrangido. – E se desejar, pode me chamar de Mayara. – estendeu a mão para cumprimentá-lo.

– Vejo que o quase acidente valeu a pena… – comentou sorrindo ao apertar a mão dela e olha-la de cima a baixo. – Diga-me Mayara… Aceitaria beber algo com a sua quase vítima?

– Bom eu… – estava relutante. Não conhecia aquele homem e sentia um alerta incomodando dentro de si, impedindo-a de aceitar. – Não sei se devo… – deu um sorrisinho em desculpa. – Se sóbria quase o acertei, imagine o que poderei fazer se beber algo! – ambos riram do comentário.

– Oras… Podemos apenas beber um suco. Que acha? – Bruno deu um sorriso sedutor e colocou o capacete debaixo do braço.

Antes de responder, Mayara retribuiu o sorriso com menos animação do que ele. Aquele motoqueiro a estava deixando sem desculpas. E agora? Diria o que? Que tinha um compromisso? Não era de totalmente mentira, mas ele poderia perceber a hesitação que estava sentindo. Talvez… Uma bebida rápida não faria mal…

– Se é apenas um suco… Não vejo problema.

– Ótimo! – apoiou-se em sua moto. – Mas… Sinto informar que quem escolherá o lugar será você. – deu um sorrisinho culpado, enquanto erguia os ombros. – Não sou daqui.

– Tudo bem… – voltou a colocar o capacete. – Basta me seguir sem se perder.

– Não se preocupe… Não a perderei de vista… – respondeu cheio de segundas intenções. Também já estava colocando o seu capacete.

Mayara subiu na moto, deu a partida e ficou esperando que ele fizesse o mesmo com a dele. A sensação de alerta ainda persistia e resolveu não a ignoraria, apenas tentaria descobrir o porquê dela. Ouviu o motor da outra moto e acelerou a sua. Enquanto Mayara guiava sua preciosidade de estimação até uma boa lanchonete para tomarem suco, Bruno a acompanhava praticamente lado a lado. E assim que cruzaram a avenida, viu um bom lugar para pararem e estacionou sua moto próxima da calçada. Sem esperar muito, Mayara entrou e sentou em um banco no balcão, vendo que Bruno logo aparecia e fazia o mesmo.

– Hm… Até que o lugar é bem acolhedor… Você costuma vir sempre aqui? – o caçador analisava o ambiente ao seu redor.

– Costumava vir bastante para cá, mas parei. – ela também olhava ao redor, mas ao contrário de Bruno, ela não olhava para tudo com olhos analíticos e sim, nostálgicos.

– E por que parou? – pegou o cardápio de cima do balcão e dava uma olhada na variedade de sucos do lugar. – O ambiente daqui é ótimo e os preços são excelentes. Por acaso não tinha mais tempo para vir?

– Não exatamente… – ela havia pegado outro cardápio que estava ao seu lado e o olhava. – Apenas… Tinha algo mais interessante para fazer…

– Entendo… – encarou-a um pouco desconfiado e deu um sorriso. – Por acaso esse “algo interessante” seria alguém?

– O que quer dizer com isso? – Mayara desviou o olhar do cardápio e olhou-o nos olhos com intimidação.

– Apenas quero saber se desperdiçou o seu valioso tempo com algum homem… – fingiu um ar de inocência.

– Não sou obrigada a satisfazer a sua curiosidade… – respondeu seca, já totalmente desconfiada dele.

– É… Tem razão… Você não é obrigada a satisfazer a minha curiosidade… – deu um sorriso malicioso e aproximou-se dela. – Mas a questão é… Você não é obrigada, mas eu POSSO obrigá-la… – sussurrou em seu ouvido.

Mayara se levantou no mesmo instante. Agora o encarava com olhos diferentes, não era o seu antigo olhar de caçadora, mas também não era um olhar desconfiado “comum”. Eram olhos ameaçadores.

– Tente… – sussurrou, afastando-se devagar.

– O que pretende? Fugir? – perguntou com sarcasmo, sorrindo ao vê-la afastar-se aos poucos.

– Seria um desrespeito ao meu orgulho fugir de um caçador… – respondeu com um leve sorriso maroto e maldoso nos lábios.

– Você sabia? – aquilo o havia impressionado por alguns segundos.

– Suspeitava… Mas, confesso que não foi nada difícil confirmar a minha suspeita… – deu de ombros.

Bruno sorriu. Adorava ver mulheres como Mayara agirem, mostrar sua mente audaz. Não se atraia por mulheres fracas e ignorantes, que se deixavam levar facilmente por sua lábia… Sempre se aproveitava ao máximo que quisesse delas e logo partia. Mas mulheres como aquela que se encontrava á sua frente, eram diferentes. Não a esqueceria e nem a largaria tão fácil. Agora era uma presa almejada, não desistiria dela.

– Você é o caçador que vaio atrás de Marcos, não é? – seus olhos eram sérios e seu tom revelava um tom protetor, que despertou um pouco de ciúmes do caçador pelo vampiro.

– Você é rápida… – Bruno olhou-a de baixo para cima, demorando-se nos detalhes curvilíneos daquele corpo tão feminino. – Esperta… Uma ótima caçadora também…

– Não sou caçadora… – respondeu friamente.

– Impossível! Posso ver em seus olhos e… – parou no meio da frase. Algo lhe vinha à memória. – Diga-me seu sobrenome!

Mayara apenas sorriu provocadora e nada disse.

– Diga-me! Vamos! – ficou a encará-la ansioso. Mas logo percebeu, assim que ela lhe deu as costas para sair do lugar, que seria inútil continuar a esperar por uma resposta. – Você é a famosa Mayara Campelli, não é mesmo? – Mayara nada respondeu. Continuou a andar em direção à saída. – Como não percebi isso antes? – sussurrou para si mesmo, apressando-se em ir atrás dela.

Mayara foi até a sua moto e deu partida. Não tinha tempo a perder com ele agora. Tinha que descobrir uma maneira de evitar o encontro de Bruno com Marcos. Não podia entrar em guerra com o caçador ali em público e sem preparo algum. Teria que levá-lo a um lugar mais reservado para um duelo, ou encontrar uma maneira de combate-lo facilmente, como uma cilada. Ela preferia a segunda opção, pois se perdesse no duelo, deixaria Marcos à mercê daquele inescrupuloso caçador.

– Um momentinho madame! – posicionou-se no caminho dela, sem temer que ela o atropelasse. – Acha mesmo que eu a deixarei partir assim tão fácil? Quero informações!

Mayara abaixou a proteção do capacete, escondendo o seu rosto por completo e acelerou a moto sem sair do lugar. Deu um breve aceno com a cabeça, virou e partiu, deixando-o para trás, parado, completamente indignado.

– Então é esse o jogo que pretende fazer? – sussurrou, olhando-a sumir entre os carros. – Pois então jogarei com o maior prazer… – deu seu costumeiro sorriso de diversão. Adorava jogar com mulheres ardilosas. – Mas não serei mais paciente como fui hoje senhorita Campelli… Não serei mesmo… – seu sorriso mudou drasticamente para algo mais demoníaco, mais mefistofélico.

 

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