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{outubro 30, 2013}   Oito dicas de escrita de Neil Gaiman

Olá, queridos e queridas!

Estamos de volta com mais algumas dicas de escrita para aqueles que aspiram se tornar ícones do mundo da literatura. E, para tanto, o WorldFabiBooks está trazendo oito dicas ótimas do consagrado e premiado escritor Neil Gaiman!

O jornal britânico The Guardian pediu a alguns dos autores mais célebres da atualidade que compartilhassem com o público seus mandamentos de redação e foi daí que nós pegamos essas tais dicas.

Tal inspiração do The Guardian veio das dez regras de escrita de Elmore Leonard publicadas no The New York Times e posteriormente no Explore, “essas regras eu compilei ao longo do caminho para me ajudar a continuar invisível enquanto escrevo um livro, para mostrar em vez de apenas dizer o que está acontecendo na história, disse o autorInfelizmente, Elmore John Leonard Jr., mais conhecido como Elmore Leonard mesmo, faleceu há alguns meses, no dia 20 de agosto deste ano.

elmore-leonard

 

Ele faleceu com 87 anos e foi um excelente escritor e um ótimo roteirista estadunidense, sendo que as primeiras novelas foram publicadas nos anos 50 e eram do gênero western. Mas,apesar de Leonard fazer muito sucesso com o estilo, ele se especializou em romances policiais e thrillers, muitos dos quais foram adaptados para o cinema. Ao todo, o autor lançou 45 livros, entre faroestes, romances policiais e de suspense.

Entre alguns dos trabalhos mais conhecidos (que foram parar no cinema) estão Get ShortyOut of Sight, HombreMr. Majestyk e Rum Punch, este último adaptado para o cinema por Quentin Tarantino como Jackie Brown. Alguns de seus contos também se tornaram filmes, como Three-Ten to Yuma e The Tall T, assim como Justified que até hoje é uma conhecida série de televisão exibida no canal FX.

Leonard estava trabalhando em seu 46º livro quando sofreu um derrame há três semanas, que acabou o vitimando.

Bom…

Voltando ao Gaiman, aqui estão as oito dicas que ele ofereceu ao The Guardian e nós estamos “repassando” para vocês:

 

neil_gaiman_dicas

 

  1. Escreva.
  2. Escreva uma palavra depois da outra. Encontre a palavra certa, escreva-a.
  3. Termine o que você está escrevendo. Faça o que for preciso para terminar, e termine.
  4. Coloque o texto de lado. Leia fingindo que você nunca leu antes. Mostre-o a amigos cuja opinião você respeita e que gostem daquele tipo de coisa.
  5. Lembre-se: quando as pessoas dizem que algo está errado ou não funciona para elas, estão quase sempre certas. Quando dizem exatamente o que você está fazendo de errado e como corrigir, estão quase sempre erradas.
  6. Corrija. Lembre que, mais cedo ou mais tarde, antes que o texto fique perfeito, você precisa seguir em frente e começar a escrever a próxima coisa. Perfeição é como perseguir o horizonte. Continue escrevendo.
  7. Ria de suas próprias piadas.
  8. A principal regra da escrita é que, se escrever com segurança e confiança suficientes, você pode fazer o que quiser. (Essa pode ser uma regra para a vida, assim como para a escrita.) Então, escreva a sua história como ela precisa ser escrita. Escreva-a com honestidade e conte-a da melhor forma que você puder. Eu não sei com certeza se existem outras regras. Pelo menos, não as que importem…

 

E então?

As oito dicas valeram?

E para quem ficou curioso, aqui vai as dez dicas de Elmore Leonard:

  1. Nunca abra um livro com o clima: Se for apenas para criar uma atmosfera, e não a reação de um personagem ao clima, você não deve se alongar muito. O leitor vai ficar tentado a folhear as próximas páginas à procura de pessoas. Há exceções. Se acontecer de você ser Barry Lopez, que tem mais maneiras de descrever gelo e neve do que um esquimó, você pode fazer todos os relatórios de tempo que você quiser.
  2. Evite prólogos: Eles podem ser irritantes, especialmente um prólogo depois de uma introdução que vem após um prefácio. Mas estes são normalmente encontrados em não-ficção. Um prólogo num romance é história de bastidores e você pode encaixá-las em qualquer lugar que você queira. Há um prólogo em “Doce quinta-feira”, de John Steinbeck, mas ele é ok. porque um personagem do livro toca num ponto em comum com as minhas regras. Ele diz: “Eu gosto de muita conversa em um livro e eu não gosto de ter alguém me falando com o que o cara que está falando se parece. Eu quero descobrir como é pela maneira com que ele fala… descobrir o que o cara está pensando pelo que ele fala. Eu gosto de alguma descrição, mas não muita…”
  3. Nunca use um verbo além de “disse” para relatar o diálogo: A linha de diálogo pertence ao personagem: o verbo é o escritor metendo seu nariz. Mas “disse” é muito menos invasivo do que “resmungou”, “engasgou”, “advertiu”, “mentiu”. Uma vez, eu notei Mary McCarthy terminando uma linha de diálogo com “ela asseverou” e tive que parar de ler para consultar o dicionário.
  4. Nunca use um advérbio para modificar o verbo “disse”: “… ele admoestou gravemente”. Usar um advérbio desta maneira (ou de quase qualquer outro jeito) é um pecado mortal. O escritor está agora expondo-se seriamente, usando uma palavra que distrai e pode interromper o ritmo da troca com o leitor. Uma personagem de um dos meus livros conta como ela costumava escrever romances históricos “cheios de estupros e advérbios”.
  5. Mantenha os pontos de exclamação sob controle: Você não tem permissão para usar mais de dois ou três a cada 100 mil palavras em uma prosa. Se você tem a destreza para brincar com exclamações como o Tom Wolfe faz, você pode jogá-las aos punhados.
  6. Nunca use as expressões “de repente” ou “o mundo desabou”: Esta regra não requer uma explicação. Eu tenho notado que os escritores que usam “de repente” tendem a exercer menos controle na aplicação dos pontos de exclamação.
  7. Use dialeto regional, gírias, com moderação: Uma vez que você começa a soletrar foneticamente as palavras dos diálogos e de encher a página com apóstrofos, você não será capaz de parar. Observe a forma como Annie Proulx capta o sabor das vozes do Wyoming em seu livro de contos “Curto alcance”.
  8. Evite descrições detalhadas dos personagens: Essas, Steinbeck dominou. Em “Colinas parecendo elefantes brancos”, de Ernest Hemingway, como o “americano e a menina com ele” se parecem? “Ela tirou o chapéu e o colocou sobre a mesa”. Esta é a única referência a uma descrição física na história e, ainda assim, vemos o casal e reconhecemos o tom de suas vozes, com nenhum advérbio à vista.
  9. Não entre em muitos detalhes descrevendo lugares e coisas: A menos que você seja Margaret Atwood e possa pintar cenas com a linguagem, ou consiga descrever paisagens com o estilo de Jim Harrison. Mas, mesmo que você seja bom nisso, você não vai querer que as descrições levem a ação, o fluxo da história, a uma pausa.
  10. Tente deixar de fora a parte que os leitores tendem a pular: Uma regra que me veio à mente em 1983. Pense no que você pula quando lê um romance: parágrafos grossos de prosa em que você vê palavras demais. O que o escritor está fazendo: ele está escrevendo, talvez recorrendo mais uma vez ao clima, ou então está na cabeça do personagem. O leitor não quer saber o que esse cara está pensando ou não se importa com isso. Aposto que você não pula os diálogos.

E para finalizar, Leonard complementou as dicas/regras, com uma simples frase: “Minha regra mais importante é uma que resume todas essas dez: se soa como escrita, eu reescrevo.”



piscies says:

Ótimo artigo! Gostei de todas as dicas, tanto as dicas irreverentes do Gaiman (como sempre), como as do Elmore.



Caramba, eu vou salvar essas dicas aqui.



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