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{janeiro 23, 2015}   Resenha: Morte Súbita (J.K. Rowling)

Olá, olá, readers!

Estamos de volta com mais uma resenha!

E o livro da vez é o faladíssimo Morte Súbita da amada escritora J.K. Rowling (mãe da saga mais aclamada de todos os tempos: Harry Potter)! O volume foi publicado aqui no Brasil pela Editora Nova Fronteira (um selinho do Grupo Ediouro).

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Sinceramente, eu comecei a ler a obra com um pé atrás, afinal, quando pesquisei a opinião da galera por aí, vi muita gente odiando o enredo, assim como havia uma boa parte o estava adorando… Provavelmente, esta divisão tão clara de opiniões me fez enrolar e retardar a leitura o máximo possível. Mas, a curiosidade venceu e a indecisão foi vencida pela vontade! Então, eu li…

Já começo dizendo que este é um romance adulto! Não é como em Harry Potter, cujos primeiros livros são mais leves e, com o tempo, foram ficando cada vez mais maduros. A estória simplesmente começa chutando o balde e você percebe que a Rowling não veio para contar Os Contos de Beedle, o Bardo

A trama tem início após a morte súbita (ah, sério?) de Barry Fairbrother, o qual era o conhecido Concelheiro do distrito de Pagford, localizado na pequena cidade interiorana de Yarvil, na Inglaterra. A partir daí, a estória toda gira em torno das consequências que esse fato causa aos vários envolvidos. E, sinceramente? Depois deste ponto inicial, a leitura se torna um tanto arrastada e, admito, um pouco maçante, pois, ao meu ver, o que deveria ser o ápice do livro ocorre logo no começo, transformando o desenrolar do enredo em algo que é “só mais do mesmo”.

Contudo, eis uma dica valiosíssima: NÃO SE DESANIME COM A LEITURA!

Ela pode começar lenta e densa, como se você estivesse se arrastando em lama, no entanto, se você se manter firme e for até o final, receberá uma grande recompensa e não ficará desapontado por ter aguentado o inicio cansativo!

Bom…

Após a morte de Barry , alguns dos moradores de Pagford dão inicio as suas campanhas eleitorais, afim de ocupar o recente lugar vago no concelho. E, assim, Rowling vai nos conduzindo a uma disputa de poder, na qual, a cada página, percebemos o quão longe as pessoas podem chegar para saciar a sua sede!

Aliás, além do poder, os personagens são fortemente conduzidos por sentimentos de vingança e, até mesmo, pela necessidade de sobrevivência.

E, com maestria, vemos a autora amarrar a trama principal com outras secundárias, o que nos faz mergulhar ainda mais no amago dos personagens! Inicialmente percebemos que o livro retrata fortemente o cotidiano de qualquer cidade pequena, com sua vida pacata, com cada um sabendo tudo sobre a vida do outro, com moradores que tentam demonstrar o que não são (famílias com históricos complicados, que tentam se passar por perfeitas… E pessoas com fama “ruim”, que no final, eram meros peões ou bons cidadãos)

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E em algum momento, a escritora vai nos levando cada vez mais para dentro da vida e da cabeça dos moradores de Pagford e, sem que percebamos, nós, leitores, nos sentimos como o próprio personagem ou, no mínimo, como se fossem representações de reais conhecidos nossos.

Ela se aprofunda tanto em cada aspecto que chegou a dividir o romance em sete partes: Parte Um fala sobre a “Vacância do Mandato de um Conselheiro“; a Parte Dois mostra o “Comentário Fundamentado“; a Parte Três retrata a “Duplicidade“; a Parte Quatro descreve os “Lunáticos“; a Parte Cinco destaca o “Privilégio“; a Parte Seis apresenta os “Pontos Francos dos Grupos Voluntários“; e a Parte Sete revela o “Combate à Pobreza“.

Cada parte é iniciada por uma citação de “Administração dos Conselhos Locais“, de Charles Arnold-Baker, e todas elas contém vários capítulos, que vão contando as histórias dos vários personagens, por diferentes pontos de vista. E através da teia de tramas que Rowling criou, ela vai nos mostrando o quanto uma único indivíduo pode influenciar a vida de toda a comunidade! Todos os níveis sociais são apresentados e fica impossível rotularmos cada um como “o bonzinho” ou “o malvado”.

Assim como em Harry Potter, ela nos apresenta as duas faces da moeda, nos levando, em algum momento, a adorar e simpatizar com alguém e noutro, simplesmente culpá-la e odiá-la.

É uma confusão!

Ricos entram em conflitos com os pobres, adolescentes com seus pais, esposas com seus maridos… E Pagford não é mais o que parecia ser!  J.K. Rowling faz questão de esfrega os defeitos da sociedade na cara do leitor, expondo cenas de conflitos pesados e temas polêmicos, nos levando a meditar (e até a engolir atravessado) sobre problemas envolvendo sexo, drogas, bullying, preconceito, política, etc… E o sentimento de pandemônio começa a se instaurar! O que é ótimo para confundir o leitor e deixar ainda mais difícil a tarefa de responder “quem matou Barry Fairbrother“?

E toda essa desordem entre os personagens é o que nos salva (até certo momento, pois depois da primeira centena de páginas, começa a prejudicar um pouco o andamento da estória) de um enredo que mais se parece com um cão correndo atrás do próprio rabo, afinal, como eu já disse, o começo do livro é bem lento e sempre estamos andando em círculos, ao redor da morte do conselheiro, a qual acontece no começo da leitura.

Porém, como eu havia dito, a espera é recompensada, pois, achei o final é tocante e inesperado. Ele me deixou com aquela sensação de vazio, a qual normalmente sentimos quando um livro consegue mexer com nossas emoções.

Talvez, por nos prendermos tanto na vida dos personagens e no fato de a leitura ser devagar, não percebamos o quanto a escritora está gravando o enredo dentro de nossas cabeças, mexendo conosco sem que sintamos… Plantando uma bomba em nossos corações de forma bem sutil, que só é sentida quando de fato explode no momento em que chegamos ao final!

O fim da estória, devo dizer, é impecável!

Rowling amarra todos os fios soltos de forma fascinante, trazendo todos os personagens para uma única trama, ligando-os de uma forma perfeita e surpreendente.

De fato, este é um encerramento feito para que o leitor possa refletir a fundo sobre o enredo e venha a tirar lições de vida. Afinal, vemos que em nosso dia-a-dia do mundo real, muitas coisas podem ser evitadas por nós… Que podemos mudar aquilo que não está bem, ou, até mesmo, cuidar para que não se transforme em um mostro, cuidado tanto de nossas vidas, quanto das pessoas ao nosso redor (as que conhecemos ou não).

Nos vemos pensando em uma corrente do bem, que quando executada de acordo, traz consequências positivas para muitos, inclusive para nós mesmo, mas… Se transformada em algo ruim, poderá arruinar a vida de muita gente, principalmente a nossa (a qual, supostamente, sempre achamos que nunca será influenciada pelo o que os outros fazem ou deixam de fazer)

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Enfim…

O Morte Súbita (aliás, cujo título original é The Casual Vacancy – tradução livre: A Vaga Casual), para mim, não é o pior livro do mundo, como muitos pintam por aí, mas, também, não estão dentre os primeiros títulos que me vem á mente quando me perguntam quais os meus livros prediletos… Ou seja, não senti como se ele fosse a oitava maravilha do mundo, como tantos outros juram ser…

O fato é: eu gostei e ponto! Nada mais e nem menos do que isso.

Digamos que o desenvolvimento enrolado do enredo o tornou um pouco difícil de engolir, algo que, ao meu ver, prejudicou a dinâmica de leitura. Contudo, admito (com muita felicidade) que Morte Súbita aborda maravilhosamente bem o seu tema central: a política! Nos dando de bônus questões sociais e culturais que nos fazem meditar a respeito por horas a fio!

Com certeza, o mundo ganha uma perspectiva um pouco mais densa depois que você acaba de ler esta obra e isto, meus caros, eu não acho nem um pouquinho ruim, visto que, atualmente, vivemos em uma realidade totalmente banalizada e alienada, não?

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Texto by Fabi

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