World Fabi Books











Olá, leitores queridos que eu adoro!!

Voltei para postar aqui um trechinho de cada uma das minhas obras, para que vocês possam votar na que mais lhes agradam. Sendo que as quatro mais votadas terão um pedaço postado a cada semana aqui no blog! (ao menos tentarei!)

Mesmo não sendo as mais votadas, as demais ainda aparecerão por aqui, no entanto, com uma frequência menor para rara. Portanto, escolham sabiamente!

 

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CONTO DE DRAGÕES

– O que está acontecendo? – Mariane, uma garota no auge de seus 20 anos olhava ao redor sem entender nada.

Não sabia como havia parado na cozinha, tentava vasculhar na memória o porquê de estar parada de pé, mas não adiantava. Sem lembrar como ou o motivo, estava ali, usando as roupas que mais gostava – um shorts e uma camiseta larga – mas nem mesmo quando havia se trocado conseguia se lembrar.

Começou a andar pela casa. Quem sabe sua mãe ou alguém fizesse idéia do que ela pretendia fazer? Quem sabe tinha ido comer ou beber algo? Não… Ela não sentia fome ou sede. Talvez tivesse ido atender ao pedido de alguém? Provavelmente.

Foi até a sala, ninguém.

Dirigiu-se até o escritório, ninguém.

Subiu para os quartos, todos vazios.

Resolveu dar uma espiada nos banheiros. Era difícil que todos da família estivessem usando o banheiro, mas não impossível. Mais uma vez, nem vestígio de sua família.

Parou para prestar atenção aos sons da casa. Se conseguisse ouvir as vozes de sua mãe, de seu pai ou de seu irmão, saberia onde estariam. Mas estava tudo, irritantemente, quieto. Nem o som de suas mascotes ela conseguia ouvir.

Será que aquela casa era mesmo a sua?

Será que simplesmente não havia entrado na casa errada e ainda não tinha percebido?

Olhou ao redor e tudo indicava que ali era o seu lar, mas queria ter certeza absoluta. Era impossível não haver ninguém ali daquele jeito! Entrou no quarto que supostamente seria o seu. E sim. A casa era sua. Aquele, definitivamente era o seu quarto cheio de bibelôs, livros e roupas espalhadas por todo lado.

– Estou em casa mesmo. Mas cadê todo mundo? – a casa estava completamente vazia e silenciosa. Ninguém, nem suas cadelinhas, estavam ali dentro, em nenhum cômodo, tudo vazio.

– Será que saíram? Me largaram sozinha aqui? – falar consigo mesma parecia idiotice, porém a tranqüilizava. Foi até a garagem, os carros ainda estavam ali.

Abriu o portão e foi até a rua. Não havia ninguém por perto. Não havia nem sequer o som de carros ou de pessoas andando pela cidade. Nem ao menos algum cachorro passando pela rua ou algum passarinho cantando. Estava tudo deserto e silencioso.

– O que está acontecendo? Cadê todo mundo? – começou a correr pela rua, sem se preocupar em fechar o portão. – MÃEEEE! PAAAII! WIIILL! CADÊ VOCÊS? – enquanto corria, ouviu um som estranho, parecia-se com um rugido ao longe.

Parou de correr, olhou ao redor e não viu nada. Provavelmente o pânico de estar sozinha a estivesse levando a ouvir coisas.

– EEEEIII!! ALGUÉM ME ESTÁ OUV… – antes que terminasse a frase, ouviu outro rugido e dessa vez mais forte, como se estivesse se aproximando. O som vinha de cima e com certeza não era a sua imaginação! Não estava apenas ouvindo coisas. Algo vinha pelo céu.

– Mas o que diabos é isso? – olhou para cima procurando por algo. O som se repetiu ainda mais forte, mais próximo. E dessa vez ela pôde ouvir outros rugidos. O que quer que fosse, não estava sozinho.

Começou a ventar e o som estava ficando cada vez mais alto. Sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Mariane não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha e algo estranho se aproximava.

Obrigou suas pernas a correrem de volta para casa, mas na metade do caminho ouviu o rugido novamente. Estava bem acima de sua cabeça! Ela congelou no lugar, não conseguia mais se mover. Com muito custo olhou para o céu e, naquele momento, viu a imagem mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora e bizarra que já havia visto em sua vida.

Sobre sua cabeça um grupo enorme de dragões, das mais diversas cores, formatos e tamanhos, voava pelo céu.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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A DEUSA DAS BATALHAS

– Nããããoooo!! – berrou Rinka enquanto sentia se levantar bruscamente. Ela estava de pé há poucos instantes, como é que agora estava se levantando? Olhou ao redor e percebeu que estava em sua cama. – Foi… Foi apenas um sonho! – ela enxugou o suor de sua testa e soltou um suspiro aliviado. Aquele sonho, por mais simples que tivesse sido, havia mexido muito com ela. Era como se ela estivesse perdendo algo de real importância, mas não conseguia descobrir o que.

Após ter acordado por causa do sonho, Rinka não conseguiu dormir facilmente. Ela ainda se sentia dentro dele. Como se ainda não houvesse acabado, como se ainda estivesse sonhando. Agarrou o travesseiro, tentando se obrigar a dormir, enquanto uma pergunta ainda a atormentava… Aquele sonho fora verdadeiramente real ou apenas mais um fruto de sua imaginação?

 

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– HAAAAAAAA! TÔ ATRASADA!! – gritou enquanto se levantava da cama rapidamente e saiu correndo do quarto.

– Oi, maninha!! – Miriam alegrou-se ao esbarrar com sua irmã mais velha no corredor. Ela amava Rinka. Era como uma segunda mãe para ela. Miriam sabia que sua idolatria por Rinka as vezes chegava a ser ridícula, mas não conseguia evitar de se sentir assim perto dela, por mais que tentasse disfarçar quando estavam fora de casa.

– Bom dia, Mi! – respondeu com um sorriso, passando pela irmãzinha e entrando na cozinha. – Bom dia mãe, bom dia pai! – cumprimentou enquanto pegava apenas um bolinho de cima da mesa e saía pela porta dos fundos.

– Não vai tomar o café, filha? – Nadia se preocupava com a saúde da filha. Ela tinha acabado de se recuperar de um resfriado e quase todas as manhãs eram daquele jeito. Nadia queria que a filha se alimentasse direito para não ter uma recaída e ficar gripada novamente.

– Não! Eu tô atrasada!! – gritou em resposta, já abrindo o portão de casa e saindo para a rua.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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A PROTEGIDA E O PRÍNCIPE

– Katherine, se comporte! – irmã Madalena puxava a garota pela mão, impedindo que ela se distanciasse muito do grupo. – Pare de tentar correr para todo lugar garota! Mais parece uma criança desobediente do que uma mulher madura!

– Desculpe, irmã! Mas é que tudo parece tão novo para mim… Há anos não saio do convento. Havia me esquecido de como é o mundo aqui fora! – Katherine olhava extasiada para as barracas de feira ao seu redor. Tudo parecia tão simples e ao mesmo tempo tão cheio de detalhes que ela se sentia impelida a absorver o máximo daquela experiência.

– Este é o mesmo mundo que te maltratou, Katherine… – Madalena a deixara mais próxima de si. – Esse mundo pode ser cruel minha jovem. – apontou para os becos escuros, onde grupos de pessoas se reuniam para apostar dinheiro, contrabando e jovens garotas da vida. – Vê? Há luxúria, violência, ganância, vaidade, abuso, corrupção… Não posso deixá-la se aproximar disso! – apertou a mão da garota com força. – Frei Heitor me deixou como sua responsável! Não permitirei que caia em tentação e que se perca pelo seu caminho.

– Meu caminho… – murmurou a jovem, tomando cuidado para que a freira não ouvisse o pouco caso em sua voz.

Até onde Katherine sabia, ela era dona de sua própria vida e por isso, trilharia o seu próprio caminho. No entanto, todos naquele convento pareciam querer acertar o rumo dela, conduzindo-a por uma estrada por onde não queria caminhar. Ela acreditava em destino, porém, ela não conseguia crer que viver daquela forma era mesmo uma obra do divino acaso. Suspirou e seguiu andando ao lado da irmã, sem mais se aventurar a se afastar dela. A mão já estava vermelha com o aperto forte de Madalena e, aparentemente, mesmo que conseguisse se livrar dela, as demais irmãs que as acompanhavam não permitiriam que ela fosse muito longe. Mesmo um tanto afastadas dela, todas à observavam e tomavam o cuidado de não deixar nada e nem ninguém se aproximar demais. Katherine se sentia como um animal emboscado, sem um lugar por onde fugir.

– Irmã Madalena! – uma jovem freira, de aparentemente 25 anos, aproximou-se da freira mais velha e segurou-lhe os ombros com força. – Há um tumulto logo adiante! Eu vi pessoas voltarem correndo e ouvi algumas comentando de uma briga feroz entre dois cavalheiros. O que devemos fazer, irmã? – soltou os ombros de Madalena e apertou as próprias mãos com o nervosismo. – Eu sei que é o nosso dever ajudá-los, mas estamos com Katherine aqui! – passou os olhos pela garota parada ao lado da freira.

– Eu sei. – olhou para Katherine e depois voltou a encarar com determinação a jovem freira. – Irmã Kátia, vamos impedir que aqueles pobres coitados se matem! Ajude-me a chamar as outras irmãs!

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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AS ESCOLHIDAS

– Poderia saber o que as donzelas tanto têm para conversar? – perguntou o professor parado logo atrás delas com uma feição séria e, ao mesmo tempo, desafiadora.

– Desculpa! – com o susto, as três se desculparam em uníssono.

– Tudo bem! – começou a caminhar de volta para a frente da sala e parou, olhando-as com um sorriso pequeno nos lábios. – Mas se eu as pegar conversando novamente, terei que comunicar essa falta de atenção à coordenação! – se voltou para a lousa, fazendo com que as três amigas respirassem fundo de alívio.

Durante a aula, Trinix ficou olhando pela janela, entediada com a aula de física. Ela estava procurando algo que a distraísse, quando viu a imagem de um garoto lindo, aparentemente de sua idade. Ele tinha cabelos curtos e escuros e seus olhos eram de um azul magnífico e extremamente escuro. Estava vestido com roupas estranhas, pareciam roupas medievais de algum arqueiro ou caçador, cheia de panos e detalhes. Se tivessem algum bordado brilhante, dourado ou prateado, ele seria facilmente atribuído à imagem de um príncipe.

Ele a estava encarando fixamente, como se ela fosse a estranha ali, como se fosse algo novo e ao mesmo tempo ameaçador. Apesar da aparência linda dele, aquele olhar firme e intimidante a estava aborrecendo. No momento em que o viu, ela se espantou, depois, ficou aborrecida com o afronto do garoto, mas, no final, acabou ficando intrigada em saber quem era.

Trinix pensou em mostrá-lo a suas amigas e olhou para o lado para tentar chamá-las, contudo, ela se lembrou da advertência que o professor dera e desistiu. Quando olhou pela janela novamente o estranho havia desaparecido. Ela tentou procurá-lo com o olhar, porém, foi inútil. Ele havia realmente desaparecido!

– Que estranho… Para onde será que ele foi? – comentou em sussurros para si mesma, como se, ao fazer isso, ela pudesse encontrar a resposta dentro da própria mente.

Assim que o sinal bateu, Trinix correu para a janela, à procura do seu estranho garoto de olhos azuis-escuros, mas não obteve sucesso. Quem, afinal, era ele?

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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AS GUARDIÃS DA FÊNIX

O COMEÇO

– Ok… Certo… – concordou, balanço a cabeça para tentar afastar os demais pensamentos. – Voltando ao raciocínio… Como você disse, filha, Harry Potter tem muita coisa a ver com o nosso mundo. E Fantasy seria como aquela escola que eles vão no filme…

– Hogwarts?

– É… Isso… – não sabia se esse era mesmo o nome certo, pois não era muito fã de literatura, mas, ele sabia que a filha o era e por isso, tudo o que ela dissesse referente à livros e palavras, provavelmente estaria certo. – Só que Fantasy é mais como uma universidade ao invés de escola, sabe? Lá, você vai aprender o básico no primeiro ano e depois, as coisas começam a se complicar…

– Vou ter que entregar algum TCC no final do curso? – Lilith perguntou pesarosa.

Pelo o que ela sempre ouviu falar, os TCC’s eram os responsáveis pelos piores pesadelos de jovens universitários. E se eles já eram ruins em cursos “normais”, não queria nem imaginar como eles seriam em cursos que envolvessem magias.

– TC… O quê?

– TCC, pai. – revirou os olhos, impaciente. – Você sabe… Trabalho de Conclusão de Curso. Aqueles trabalhos monstruosos e complicados que universitários são obrigados a entregar no final do curso, para conseguir se graduar.

– Ah sei… – mordeu o lábio.

Selso não gostava de abreviações. Sempre se atrapalhava com elas, a menos que fossem termos voltados para política. Ele gostava de política e por isso, considerava fácil guardar as siglas.

– Bom… Você será avaliada na prática.

– Na prática? – arregalou os olhos assustada e confusa com a resposta do pai. – E o que seria essa “na prática”?

– Conjurar feitiços, preparar poções, quebrar maldições, defender-se de ataques mágicos. Essas coisas… – respondeu como se tudo aquilo fossem coisas naturais de se fazer.

– Hum… – agora Lilith considerava os TCC’s as coisas mais fáceis do mundo de se lidar.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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ERA DE LODOSS

Samantha abriu os olhos, esforçou-se para levantar o corpo, sentou em sua cama, colocou uma das mãos sobre o rosto e com a outra puxou o relógio para ver as horas. Assim que a latência do sono diminuiu um pouco e os números ficaram mais legíveis, a garota decidiu se levantar.

– Que sonho mais estranho… – devagar e ainda sentindo-se sonolenta, ela colocou o uniforme e caminhou até a cozinha. – Bom dia mamãe… Bom dia papai… – pegou o lanche que sua mãe havia deixado em cima da mesa e o colocou na mochila com delicadeza, para não amassar e nem derramar nada.

– Não vai tomar café, filha? – a Silvia, mãe de Samantha, serviu-se de uma xícara de café enquanto observava a filha guardar o lanche que havia preparado.

– Estou sem fome, mãe! – abriu a porta e ajeitou o uniforme.

– É hoje a sua apresentação de teatro? – Luis, pai da garota, virava as páginas do jornal matinal da cidade, atrás de alguma matéria que o interessasse.

– Sim! – olhou para os pais e os viu começarem a fazer aquela fisionomia com a qual estava tão familiarizada. Era a fisionomia que faziam sempre que iriam lhe dar uma desculpa. – Mas… Vocês não precisam ir se não quiserem, ninguém é obrigado a comparecer! – ensaiou um sorriso no rosto para tentar tranqüilizá-los e colocou a mochila nas costas.

– Sinto muito, filhinha, mas… Hoje eu vou ter que ficar até mais tarde na loja…  – Silvia terminou de beber o café e encheu a xícara com o chá que estava no bule a sua frente.

– E eu vou ter uma sessão hoje no escritório… – Luis colocou o jornal de lado e ofereceu um sorriso singelo para a filha.

Esta cena já havia se tornado algo comum dentro da família. Não significava que os pais de Samantha não a amassem, ao contrário, eles a amavam demais, mas precisavam seguir a rotina de seus empregos para conseguir continuar levando o dinheiro que pagaria as despesas necessárias para o futuro da querida filha. Eles julgavam ser necessário fazer alguns sacrifícios em troca de um bem maior, o amanhã de Samantha.

– Tudo bem… – retribuiu o sorriso do pai e atravessou a porta. – Tchau! – fechou-a, tentando não pensar na falta que seus pais fariam em sua apresentação e saiu correndo para não chegar atrasada ao colégio.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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KANITE WORLD

Há muitos séculos, em uma Era diferente de todas as que já vimos em livros de história ou que já tenham sido presenciadas por qualquer ser vivo…

Muitas criaturas, que seriam fictícias para nós, pertenceram àquele tempo, ou melhor, nasceram e morreram naquela Era, muitos, perdendo a oportunidade de prosseguir com a espécie.

Youkais (demônios animais), vampiros, druidas, feiticeiros, fadas, dragões, duendes, anjos, mutantes, demônios, sereias, elfos, deuses,… Ou seja, humanos, criaturas e animais com poderes ou com qualquer outra característica que não possa ser explicada pela ciência dos simples mortais, conseguiram mudar a história, com uma simples frase, a qual era proferida como um mantra durante a tal Era: “Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!”

(“Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!”).

Ela era uma Era Mágica, mas não só por causa de seus seres, mas por causa de sua essência! Esta a qual lhes falo é a Era de Kanite! (Kanite !)

Kanite nasceu da união entre quatro grandes Deuses. Estes representavam os quatro elementos que sustentavam a vida e grande parte do universo: água, fogo, terra e ar.

Os deuses da água e do ar eram conhecidos como os Deuses Celestes, e os da terra e do fogo, como os Deuses Terrestres. Os seres de Kanite acreditavam, de forma correta, que o ar e a água podem alcançar os céus, enquanto que a terra e o fogo não conseguem tal feito, apesar de serem imensamente poderosos em terra firme.

Com o passar dos tempos, alguns desses deuses entregaram seus corações, assim, os Deuses Celestes, Elgards e Medina casaram-se. E, logo após, os Deuses Terrestres, Golbery e Liandra também se uniram em matrimonio. E destes casamentos originaram-se seus filhos: os seres que habitavam Kanite World.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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O DESTINO DA ESCOLHA

– Com licença, senhor! – Jorge, que estava fazendo uma ronda na praça, encontrou o homem no banco, sem reação alguma. – Com licença, senhor, desculpe, mas… Não pode ficar dormindo aqui! É… – parou rapidamente de falar quando tocou a pele daquele senhor e a sentiu totalmente fria. – O senhor está bem? – Jorge o sacudiu levemente com uma das mãos. Enquanto o chacoalhava, percebeu um ligeiro filete de sangue escapando da boca e do pescoço. – Senhor? – resolveu pegar seu pulso, mas isso já era desnecessário. O homem estava morto! – Droga! Tinha que ser justo no meu turno? – pegou o rádio e pediu que enviassem uma ambulância até a Praça das Águas. Olhou, novamente, para o homem e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, benzeu-se. O que poderia ter matado aquele homem?

Alguns minutos após o chamado, a ambulância chegou ao local e recolheu o corpo. Apesar de seu trabalho ser recolher pessoas quase mortas e não mortos, não podiam largar o corpo daquele pobre senhor lá na praça até que o furgão do IML chegasse. Somente hoje, dariam uma ajudinha aos amigos e levariam o corpo ao necrotério.

Mayara acordou após o meio dia, estava de férias no serviço, não precisava acordar cedo por enquanto. Poderia dormir e acordar quando quisesse. Teria algum tempo para poder esperar por seu tão misterioso “amigo”. Onde será que ele estaria?

Foi até a cozinha, pegou um suco de laranja na geladeira, serviu-se de um farto copo da bebida e foi novamente até a sacada. A porta permanecia aberta, mas nenhum vestígio de que tivessem passado por ela.

Que desapontamento!

Será que nutria um desejo impossível de se realizar?

– É… Você não apareceu… Mais uma vez… Você não pareceu… – voltou ao quarto, abriu a janela e ficou a admirar as lindas árvores que a Praça das Águas tinha.

Reparou em uma ambulância saindo de lá. O que havia acontecido? Algum acidente envolvendo assaltantes? Ou a pessoa foi apenas mais uma vitima do acaso? Não tinha tempo para tentar descobrir o que era, tinha que ir buscar sua linda sobrinha na escola, havia prometido à irmã que pegaria Laura na escola de inglês, já que Beatriz não podia mais sair de carro ou andar longas distâncias por causa do oitavo mês de gravidez.

Olhou para o relógio. Á que horas a sobrinha saia da aula, mesmo? Apoiou-se na parede enquanto pensava. Sentiu como se algo passasse como um fleche por sua memória e se lembrou. Ela sairia à uma da tarde! Olhou para o relógio mais uma vez… Estava atrasada!

Trocou-se rapidamente, saiu do apartamento sem se importar muito em fechar a janela e a porta da sacada. Tinha que correr. Não queria deixar a querida sobrinha esperando.

Foi até a garagem e pegou a sua moto. Uma Honda preta, linda, sempre brilhante por causa dos muitos cuidados que Mayara dedicava a ela. Aquela moto era como se fosse de estimação.

Saiu apressada. Provavelmente Laura já estivesse saindo da aula. Passou correndo pela praça, sem se importar muito em tentar descobrir o porquê de a ambulância ter parado por ali. Afinal… Estava com pressa, não podia mais perder tempo!

Após alguns minutos de exasperação e muita corrida, passando por sinais já amarelos e cruzando os espaços vazios entre os carros para evitar congestionamentos, Mayara conseguiu chegar até a escola de inglês.

Mas, apesar de toda a correria, não conseguiu chegar antes que a aula acabasse e Laura já a esperava no portão.

– Desculpe o atraso Lá! Perdi a hora! – desculpou-se enquanto retirava o capacete e estendia outro para a sobrinha.

– Tudo bem tia May… Eu saí faz pouco tempo! – Laura, colocou o capacete e subiu na moto, deixando o material entre ela e a tia, para que não caísse.

Mayara esperou a sobrinha terminar de se ajeitar e saiu com a moto. Agora não estava mais com tanta pressa, não precisava correr ou fazer todas aquelas loucuras que havia feito para tentar chegar a tempo. Precisava dar um bom exemplo e zelar pela segurança da sobrinha que agora a acompanhava.

– Lá… O que você acha de pararmos em uma sorveteria, pegar um sorvetinho e dar uma volta por aí? – perguntou enquanto esperava o sinal abrir.

– Acho legal! – pegou o celular e o colocou com uma das mãos por baixo do capacete. – Só me deixa avisar a minha mãe que vou sair com você… – enquanto ligava para a mãe, com a mão que estava livre do celular, ela segurava a cintura da tia, para que não caísse quando Mayara desse a partida na moto.

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– Como será que esse homem morreu? – Tomé olhava de tempos em tempos pela janelinha que ficava dentro da ambulância. Queria vigiar o corpo, estava apreensivo.

– Deve ter sido assaltado, tentou revidar e os canalhas deram cabo da vida do infeliz… – respondeu Leandro, batucando as mãos no volante enquanto esperava o sinal abrir.

– Tem certeza? – fechou a janelinha. – Você viu as marcas no pescoço do cara? Até parece coisa de… Vampiro… – Tomé benzeu-se.

– Ha, ha, ha, ha… Vampiro? Tá doido Tomé? Desde quando este tipo de coisa existe? – Leandro ria enquanto dava partida no carro. – Andou assistindo muitos filmes de terror, ein!

– Não tô de brincadeira, não! – abriu novamente a janelinha e ficou a observar o defunto, como se esperasse que ele levantasse a qualquer momento. – Você não viu as marcas no pescoço? São dois buraquinhos, que nem aqueles que dizem que os vampiros fazem no pescoço da gente quando mordem… O maldito deve ter-lhe sugado a vida!

– Ora Tomé… Deixa de paranóia… – Leandro deu uma breve olhada na direção do amigo. – E vê se deixa o cidadão em paz! Ninguém gosta de ser observado. Respeite a morte do infeliz! Dá-lhe o descanso merecido, homem! – com uma das mãos fechou a janelinha. – Você vai ver… Quando fizerem a autópsia, vão dizer que o pobre coitado morreu devido a um golpe certeiro na nuca, ou por overdose de alguma droga injetada diretamente na artéria dele. Não vai haver nada sobre ter sido sugado até a morte…

– Sei não Andro… Tomara… – se acomodou no banco, ligou o rádio e fechou os olhos. Queria tentar dar razão ao amigo e esquecer aquele defunto.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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OS ANJOS DA GUERRA

Em um lugar onde anjos descansam e meros humanos não entram…

Um Anjo chamado Yuri estava em frente a um lindo quadro, o qual retratava, com delicadas cores e sutis pinceladas, a paz que havia entre mortais e celestes.

– Lindo, não? – um anjo com magníficas asas, havia se aproximado delicadamente de Yuri.

– É o meu preferido, Kaory… – respondeu Yuri sem se virar para encará-la. Ela estava parada ao seu lado, mas ele referia continuar a admirar a bela pintura a sua frente.

Kaory era magnífica! Suas asas eram formidáveis, de um tom gelo com sutis mesclas arroxeadas. Alguns anjos, assim que são convocados a participar do paraíso celeste, preferem abdicar de suas antigas formas e adotar o aspecto andrógeno, comum entre eles. Mas Kaory ainda mantinha a aparência de quando era humana, mesmo que isso diminuísse seus poderes angelicais, ela preferia assim. Já era considera suficientemente forte e não via necessidade de abdicar de seu corpo torneado e sua impressionante cabeleira ruiva. Não o fazia por vaidade e sim por apego por uma vida que sentia saudade.

– Ele me faz lembrar o motivo de nossa missão… – ela colocou a mão sobre ombro do formoso anjo.

– Restabelecer o elo entre humanos e anjos! – lembrou-se o anjo.

Assim como Kaory, Yuri também mantinha sua antiga aparência. Ele era tão forte quanto a companheira e sentia tanta falta quanto ela de sua vida passada. Suas asas eram maiores do que as de Kaory e possuíam um leve tom prateado sobre o branco brilhante. Seu corpo era resistente, com salientes músculos. Seus cabelos eram curtos e ruivos como os de Kaory.

– Esse motivo, nós nunca esqueceremos, não é irmão… – Kaory encarou os olhos azuis e cintilantes que haviam acabado de se voltar para ela.

– Naomi e Toya! – Yuri sua voz havia saído pesada. Seu amargurado olhar estava preso aos olhos azuis esverdeados, cheios de brilho de sua irmã.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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OS CAÇADORES

– Posto seis, pronto!

– Posto quatro e três, preparadas!

– Posto cinco, tudo certo!

– No posto dois tá tudo preparado também! – apenas baixa estática se ouvia pelo fone do walk tok. – E no posto um? – silêncio novamente. – Lariane! – chamou em um tom imponente.

– Estou prontinha, meu amor! – ouviram-se risadas abafadas depois da resposta inesperada. – Quando você mandar! – avisou quando percebeu que o som de risos diminuía.

– Então, no três começamos! – um suspiro se fez ouvir através da ceve interferência da estática. – E vê se não me assusta garota…

– Eu sei me cuidar, querido… – sorriu, deliciando-se com a preocupação dele. – Câmbio e desligo! – ela não desligara o walk tok, mas simplesmente avisara que a conversa deveria acabar por ali. Todos fizeram o mesmo, mantiveram seus aparelhos ligados e, mais uma vez, o silêncio permanecia quase absoluto.

Além da falta de vozes, também havia a ausência de sons pela mata. Parecia como se toda criatura viva que estivesse por ali soubesse o que eles estavam prestes a fazer. Até o vento havia se aquietado e para Lariane isso era uma vantagem na operação, desta forma, o cheiro deles não seria espalhado e os flagraria.

– Um… – ouviu-se a mesma voz de antes. – Dois… – a expectativa crescia. – Três!

Uma explosão, ensurdecedora para os mais sensíveis, atingiu a calmaria tensa do lugar. E mais outra se seguiu depois desta, cada vez mais perto de um buraco grande, cavado no solo.

Em resposta à explosões cada vez mais próximas de sua toca, uma criatura gigantesca saiu correndo buraco a fora, procurando por algum responsável pelo suposto ataque. A sua velocidade e os movimentos ágeis chegavam a ser impressionantes, transformando-a em um enorme vulto por alguns segundos.

Lariane observava tudo do alto de uma árvore, próxima à aparente cratera no chão. Assim que viu seu alvo sair da toca, preparou a arma com os dardos tranqüilizantes. Ela percebeu a velocidade incrível e também viu os dardos dos companheiros errarem a mira. A garota precisava retardá-la.

Contou os segundos precisos e preparou para saltar do galho. Ficou em uma posição em que tornasse o peso de seu corpo ainda mais favorável durante a investida.

No tempo exato, ela saltou sobre a criatura, a qual, surpresa com a ousadia inesperada, tropeçou nas próprias patas e retardou a corrida.

Lariane se posicionou nas costas daquele estranho animal e aproximou o cano da arma do pescoço do alvo, disparando duas vezes seguidas. A criatura tombou e a garota se posicionou ao seu lado.

– Foi mal… – sussurrou enquanto retirava os dardos vazios daquele grosso pescoço. Olhou com cuidado para um dos responsáveis pela missão do grupo ali. Agora que estava imóvel, estatelado pelo chão, ela podia realmente ver o quão grande era. Se fosse para compará-lo com algo, seria com o abominável homem das neves. Mas, Lariane nunca havia visto algo daquele tipo em toda a sua vida.

O animal tinha pêlos espessos e negros, com várias mechas avermelhadas que se acumulavam principalmente ao redor do dorso. A criatura podia andar sobre as duas patas traseiras normalmente se quisesse. Não possuía orelhas, apenas pequenos ouvidos escondidos sob a pelagem. Sem mencionar que era um ser vigoroso, com músculos rígidos e garras enormes, extremamente afiadas. Lariane não conseguia ver as presas e os olhos, pois o pobre animal caíra de cara no chão.

Tentou se aproximar mais e arriscar virar a cabeça dele. Queria realmente ver como era. Caso alguém reclamasse, ela diria que não queria que o alvo sufocasse com a boa enfiada na grama e o fofinho enterrado na terra.

Assim que conseguiu virara cabeça, ouviu o barulho de passos se aproximando. Levantou-se em alerta, deixando o rosto da criatura virado para o lado. Nem ao menos tivera tempo de dar uma olhada decente naquele rosto.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UM MUNDO NOVO

– Quem era aquele garoto? – ligou o chuveiro enquanto esfregava os olhos, novamente pesados de sono. – E por que eu não reagia? Era tão natural… – despiu-se e entrou debaixo da água quente que caia do chuveiro, deixando que ela escorresse pelo seu corpo. – Parecia que eu o conhecia e que nós já… – um arrepio percorreu-lhe a espinha e resolveu tentar desviar o pensamento.

Kayra já estava debaixo do chuveiro há mais de meia hora. A água lhe dava tranqüilidade e a ajudava a pensar melhor. Sem mencionar que ela estava em férias e não precisava se preocupar com horários, apenas com o fato de não passar o mês todo dormindo.

Pegou o sabonete e se ensaboou, colocou seu corpo na água e tirou todo o sabão. Depois fez o mesmo processo com o shampo e com o condicionador no cabelo. Quando decidiu que havia ficado tempo suficiente ali, desligou o chuveiro. Já sentia-se satisfeita e com uma sensação ótima de leveza.

Pegou a toalha, se enxugou, olhou para o espelho e viu uma garota no auge de seus 18 anos, com cabelos ondulados e ruivos que lhe caiam sobre os ombros.

O busto não era avantajado, mas também não era pequeno. Sua cintura era fina e seus quadril e coxas eram fatos.

Sua pele era sedosa e macia, com leves marcas de biquínis. Virou-se de lado para o espelho e enrolou-se na toalha. Pegou a pasta de dentes, os escovou e colocou água na boca, enxaguando-a. Terminou de se secar e voltou a se olhar no espelho.

– Eu não sou mais uma criança. Eu não sou mais a mesma garotinha inocente. – colocou a mão sobre o espelho. O que ou quem ela estava tentando convencer?  – Eu já sou uma… – mas, antes que pudesse completar a frase, a imagem que observava tinha se tornado diferente no espelho.

No reflexo ela não estava mais de toalha e com os cabelos bagunçados e molhados, mas vestida com um magnífico vestido branco, cheio de bordados roxos e delicados. Em sua cabeça descansava uma esplêndida coroa e sua desgrenhada cabeleira tinha se transformado em cachos lindo e perfeitos.

– O quê? – estava incrivelmente impressionada e pasma. – Mas essa… – arregalou os olhos assustada. – Sou eu!? – quando tentou se aproximar mais para ver melhor, a imagem voltou ao que era antes e o seu reflexo com uma toalha reapareceu.

Kayra sacudiu a cabeça e olhou para o espelho novamente, no entanto, nada havia mudado. Convenceu-se de que aquilo era apenas um fruto de sua imaginação e saiu do banheiro com a toalha no corpo.

– Acho que estou vendo coisas! Tenho definitivamente que parar de pensar naquele sonho. – ela jogou a toalha sobre a cama. – Isso está me deixando louca!! – fechou a porta, andou até o armário e o abriu. – Vejamos… O que vou vestir hoje?

Estava um dia quente, então ignorou as roupas pesadas e compridas, passando os olhos por uma saia e uma blusinha de alça.

– Já sei! – pegou aquelas peças de roupa e as vestiu.

Logo depois foi até a cozinha, olhou para a mesa do café sem muita fome. Sentou em sua cadeira de costume, pegou um pouco de leite e meio pedaço de pão.

Enquanto arrumava a mesa, viu um bilhete na geladeira. Deixou um pouco de lado o que estava fazendo e foi até ele, tirando-o de lá e lendo-o.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UMA GRANDE AVENTURA

Além do som natural de passaros cantando pela manhã, no quarto de uma garota havia o som de algo mais… O som irritante de um despertador.

– Ah não… – Fabiula procurava pelo despertado sem tirar a cabaça debaixo do travesseiro. Ela estava morrendo de sono e odiava acordar cedo aquela campainha irritante sempre a irritava pelas manhãs.

– Vamos filha… Levanta! Você não quer chegar atrasada na escola, ou quer? – a voz de sua mãe, a qual havia acabado de entrar no quarto, por algum motivo, a fazia sentir-se mais desperta.

– Ta, mãe! Já estou indo! – se levantou devagar, desligou o irritante despertador, pegou o uniforme guardado da gaveta e foi até o banheiro.

Durante o seu habitual banho matinal, o qual a acordava completamente, ela pensava no sonho que tivera. Nele, ela, finalmente, se encontrava com amor de sua vida, com o garoto ideal. Mas, infelizmente, assim que acordou, além do sonho ter acabado, o rosto daquele maravilhoso menino havia desaparecido de sua memória. Por mais que ela se esforçasse para lembrar, não conseguia ter nenhum avanço.

– Filha! Vai logo nesse banho!

– Já estou saindo!

Desligou o chuveiro e começou a se secar. Segundos depois, enquanto se trocava, ela sonhava com as aventuras que nunca tivera em sua vida, com perseguições, assassinatos, mistérios e tudo mais que há de impressionante em filmes e livros de ação e suspense.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UMA VIDA DE HERÓI

Essa história começa de uma maneira um pouco diferente das demais! Aqui, eu não vou começar contando como foi o inicio da nossa dupla. Vou começar pela metade.

Já passamos por diversas dificuldades e por inúmeras situações bizarras. Já presenciamos nascimentos e chacinas. Já choramos muito e rimos o dobro.

É…

Já vivemos quase tudo que um ser humano normal poderia viver.

Mas…

AHÁ! Eu e o meu companheiro não somos normais! Aliás, o Luka não é nem um pouco normal!

Sabe…

Ele é do tipo de mago que se considera o mais poderoso do mundo.

Se alguém disser que é bom em alguma coisa, ele tentará ser ótimo, independendo do que quer que seja essa coisa.

Como certa vez em que a irmã dele comentou que eu seria uma boa mãe, caso algum dia eu viesse a ter filhos.

Como um bom homem, ele deveria ter entendido a indireta da Loren e ter vindo conversar comigo, ou até mesmo ter ignorado a conversa e fingido não ter ouvido nada, o que seria uma reação comum masculina.

No entanto, ao invés de ter essas reações banais e corriqueiras, ele correu procurar por alguma magia que o permitisse engravidar, somente para provar a nós duas que ele seria uma “mãe” muito melhor do que eu!

Ah deuses…

Dêem-me MUITA paciência!

E é claro que nessa ocasião, assim como em muitos outros casos, eu o explodi algumas vezes com encantamentos leves, até que desistisse da idéia e me prometesse parar de ser tão… Tão… Extremista!

Mas, como sempre, ele promete, mas dificilmente cumpre. Ele ainda não tem uma noção muito boa de limites.

Apesar de tudo, eu realmente amo o Luka! Acho-o um homem perfeito para mim, salvo alguns probleminhas que impedem de nos amarmos abertamente.

Bem…

Como já deve ser dedutivo a essa altura da narrativa, nós somos uma dupla de heróis e, como tais, temos muitos inimigos.

Se eles já tentam nos separar sem saber de nossos verdadeiros sentimentos um pelo outro, tente imaginar se descobrissem que nos amamos!

Seria uma informação de prato cheio para se vingarem de nós! Seria maravilhoso para eles nos verem sofrer longe um do outro e nos torturarem.

Sem mencionar que, se nós finalmente ficarmos… Hm… Intimamente juntos e eu engravidar?

O Luka segue o código do bom Paladino. Ele não me permitiria lutar e continuaria da mesma forma cavalheira de brigar, sem atacar mulheres.

Portanto, se aparecer uma vilã e eu estou grávida, como fica a situação? Quem acabaria com a raça dela?

Tá aí o problema!

Ninguém!

Assim, sem ninguém para derrotá-la, ela fica super poderosa e tenta destruir ou “redecorar” o mundo a seu gosto.

Consegue ver a complicação do caso?

Não é difícil acabar com um super vilão. Destruímos um a cada ano!

O complicado e frustrante da história toda é ter que SEMPRE salvar a Terra e, por causa disso, eu não consigo tirar umas férias com o Luka. E sem férias não há descanso. Sem descanso não há oportunidade quentes para o amor.

Isso realmente me deprime às vezes…

Contudo, são ossos do ofício, não é?

Quem mandou eu me apaixonar pelo meu companheiro de batalhas e aventuras?

Mas chega de introdução!

Vou começar a narrar a partir do agora, deste ano, deste instante!

Com vocês…

E para você…

A história de uma fantástica e atrapalhada dupla de heróis; de uma feiticeira chamada Aline e de um mago chamado Luka!

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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SHOCK OF WORLDS

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Você já se perguntou de onde surgem as histórias fantásticas que lemos nos bilhões de livros pelo mundo? Como os escritores conseguem criar algo tão surpreendente?

Pois é… Eu já!

E descobri que os escritores, na verdade, são os receptáculos dessa realidade para com as outras.

Se não entendeu, vou explicar melhor.

Conhece a teoria da Quinta Dimensão?

Bem… Ela basicamente diz que existe uma dimensão “escondida”, a qual não se enquadraria dentro das quatro que conhecemos (a altura, a largura, o volume e o tempo).

Mesmo que não haja provas para tornar a teoria real, para boa parte dos físicos teóricos, a quinta dimensão existe, sim. Só que, simplesmente, não podemos detectá-la. Ou melhor, nem todos podem detectá-la.

Algumas pessoas acreditam que essa quinta dimensão refira-se ao mundo espiritual, outras a um universo paralelo ao nosso em que realidades alternativas acontecem. E as mais ousadas acreditam que ela seja um mundo criado através de desejos e pensamentos fortes o bastante para dar vida a alguma coisa.

Enfim… Pelo pouco que presenciei, devo dizer que todos estão certos.

Sim, existe a Quinta Dimensão.

Sim, ela se refere ao mundo espiritual.

Sim, ela é um universo paralelo com realidades alternativas.

Sim, é um mundo criado por desejos e pensamentos poderosos.

E… Também devo admitir que não existe somente ela. A coisa se expande muito além da quinta, indo a algo inimaginavelmente expandido.

Digamos que em cada dimensão existe um mundo diferente vivendo. São realidades incríveis que vão muito além de nossa imaginação. Tudo fora de nossas quatro dimensões é possível!

Quando Shakespeare escreveu que “há mais coisas entre o céu e a Terra do que sonha nossa vã filosofia”, com certeza ele deve ter captado a essência básica da situação.

No entanto, o que, diabos, os escritores têm a ver com toda essa loucura?

É aí que entra aquela informaçãozinha sobre eles serem receptáculos.

Nós, escritores, somos os famosos contadores de história. Podemos contar aquilo que vemos e ouvimos, ou, então, falar sobre algo aparentemente intangível, porém excitante.

As “ideias” surgem de sonhos, histórias que lemos, situações que presenciamos, lugares que vimos, enfim… A coisa funciona mais ou menos assim “Caraca! Isso poderia dar uma bela história!” e KABUM as palavrinhas começam a se formar magicamente e começamos a ver cenários e personagens como se fossem reais. Tudo surge num passe de mágica!

Contudo, não é bem assim que funciona. Essas “ideias” são, na verdade, deslumbres de outras realidades. Nós contamos as histórias do nosso e de outros mundos.

Ás vezes, recebemos algo durante um sonho, quando estamos divagando ou até mesmo fazendo compras em lojas dentro de um mega shopping lotado e agitado! Nesse ultimo exemplo podemos ver um receptáculo extremamente avançado na arte de vislumbrar realidades, mesmo que a pessoa não saiba disso.

Sabe quando dizem: “nossa! Você é exatamente como eu imaginava a minha personagem!”? Pois bem… Talvez você realmente seja a personagem! Podem ter vislumbrado o seu outro ser em outra dimensão. Pode acontecer! Não sei ao certo como isso funciona exatamente, mas acho que é aquele lance de uma realidade paralela acontecendo ou do nosso espirito estar dividido em diversos mundos por aí.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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TEMPOS DE APOCALIPSE

Tempos de Apocalipse

– Lara, querida! – escutei alguém gritar.

Girei sobre os calcanhares e procurei pela dona da voz. Encontrei uma mulher de cabelos loiros e cacheados acenando entusiasmadamente para mim. Acenei de volta, um tanto encabulada.

Percebi que havia um homem de cabelos castanhos ao lado dela. Ele era alto e parecia tão animado quanto a mulher. Mordi os lábios. Eu acabara de encontrar os meus tios.

– Lara! Larinha! – minha tia correu até mim como se estivesse correndo por um campo florido, prestes a encontrar a pessoa amada.

– Há quanto tempo, pequena! – meu tio apenas caminhou rápido. As pernas suficientemente compridas dele já davam conta da distancia, sem que ele precisasse correr como minha tia.

– Oi, Rebeca. – retribui o famoso abraço “quebra ossos” dela. – Oi, Marcelo. – reprimi uma careta quando ele bagunçou o meu cabelo.

– O que aconteceu com “tia Beca” e “tio Má”? – Rebeca colocou as mãos sobre os quadris, como se estivesse me repreendendo por algo.

– Rê, ela tinha apenas cinco anos quando nos chamava assim. – Marcelo piscou na minha direção. – A Larinha está bem grandinha para essas coisas.

– Pois eu não acho! – Rebeca me encarou de uma forma tão ameaçadora que acho que acabei dando um passo para trás involuntariamente.

– Desculpa, eu estava meio desacostumada, Rebe… Digo, Tia Beca! – puxei minha mochila para mais perto.

– E onde estão suas malas? – Marcelo olhou ao redor de mim, onde, obviamente, não havia mala alguma.

– Meus pais vão mandar depois… – vi Rebeca me lançar aquele olhar assustador novamente. – Tio Má. – caramba! Quando eu iria me acostumar com isso?

– Então, venha Larinha. – Rebeca me puxou pela cintura e foi me conduzindo para a saída do lugar. – Temos muita coisa para lhe mostrar aqui em Campos do Jordão.

– Você vai amar o lugar, como sempre. – o meu tio pegou minha mochila e foi andando ao meu lado, tentando diminuir as passadas de suas grandes pernas para nos acompanhar.

O dia estava nublado e absurdamente frio. Eu sempre amei dias frios, mas não estava adequadamente vestida para a temperatura baixa.

Maldita previsão do tempo! Preciso aprender que quando dizem que haverá sol quente, com certeza, acontecerá uma chuva de granizo!

Abracei meu próprio corpo e não me incomodei quando tia Rebeca me puxou para mais perto dela. Qualquer tipo de calor era bem vindo naquele momento. Baixei a cabeça para me proteger do vento e por isso não os vi parados diante da caminhonete vermelha de meus tios.

Senti que alguém me observava e reparei em cinco pares de pés parados diante de mim. Ergui a cabeça, afastando o cabelo, que voava direto para minha cara, chicoteando minhas bochechas.

Diante de mim estavam os garotos mais lindos e estranhos que já vira. Um ruivo, um moreno, um loiro e os outros dois últimos de cabelos bizarramente negros e brancos. Eu teria gargalhado diante da cena, se ela não fosse tão peculiar a ponto de me deixar sem ação alguma. Sem mencionar o fato de que eles eram realmente maravilhosos.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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PRESA AO FUTURO

Presa ao Futuro

Sinceramente? Nunca fui muito boa em matemática… Sempre me dei melhor com as palavras do que com os números. Fato que julgo engraçado dadas as circunstâncias em que me encontro desde que me conheço por gente…

Lembro vagamente que aos cinco anos de idade acordei assustada e despertei a casa inteira com os meus berros. Quando minha mãe me pegou nos braços e me perguntou o que estava acontecendo, disse que havia visto números malvados que não paravam de me atormentar. Na época, eu não conhecia direito a ordem numérica, apenas o suficiente que me era ensinado na escola, contudo, reconhecerá as contas que surgiram em meus sonhos.

Minha mãe, surpresa com o que eu dizia, tentou me acalmar dizendo que eu estava sonhando com aquilo por causa do que eu vinha aprendendo de novo e, aparentemente, coisas novas me assustavam.

– Mas, mamãe! – agarrei o pijama dela. – Os números malvados não paravam de me sussurrar coisas assustadoras!

– Que coisas minha filha? – disse sorrindo.

– Que o titio e mais outras cinco pessoas serão os únicos sobreviventes de um acidente muito feio de trem amanhã!

– Ora essa… – ela me colocou de volta na cama com um olhar desconfiado. – Primeiro, números não sussurram e segundo… – mordeu os lábios. – Você é muito pequena para se preocupar com coisas tão ruins assim!

– Mãe! Os números sussurram sim! Eles ficam dançando na minha cabeça, vão se misturando e formando números novos até que começo a ver alguma coisa… – apertei minhas mãozinhas contra o colo. – Só que é tudo tão embaralhado que eles ficam sussurrando e explicando tudo com vozinhas finas e irritantes!

– Já chega! – ela começou a me deitar e colocar a coberta pesada sobre mim. – Está tarde e amanhã você tem aula!

– Tá… – resmunguei. – Mas… Mamãe…

– O que? – perguntou antes de apagar a luz do meu quarto.

– O titio pega trem?

– Todos os dias para ir trabalhar… – me respondeu um tanto contrariada.

– Então, pede para ele não ir trabalhar amanhã, por favor! – tentei pedir com a minha melhor voz angelical.

– Não posso fazer isso. – ela apagou a luz. – Seu tio é um adulto e precisa ir para o trabalho. Você é uma criança ainda, Megan. Não precisa ter medo. Sonhos assim não acontecem! – jogou um beijo na minha direção. – Boa noite, meu amor.

Quando o acidente aconteceu, minha mãe deixou de me chamar de “meu amor” por um longo tempo, porém, nunca mais deixou de me olhar desconfiada sempre que meu olhar fica perdido ou quando deixo claro que tive um pesadelo.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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NO WONDERLAND

No Wonderland

A história de Alice no País das Maravilhas sempre me encantou. Eu achava incrível ela ir parar em outro mundo mais fantástico do que o nosso, porém com os mesmo problemas sociais e políticos.

Nunca imaginei que eu fosse vivenciar algo ainda mais surpreendente do que a Alice vivenciou! Mas, foi o que aconteceu.

Recentemente descobri que algumas pessoas possuem criaturas mágicas que se auto intitulam seus protetores.

Essas criaturinhas são animais que, à primeira vista, parecem comuns: um coelho, um grilo, um cão, um gato, um pássaro,…

Quando o humano escolhido está preparado para a travessia, os animais se transformam em seres falantes, maiores e cobertos de armaduras, que se tornam os responsáveis por levar os seus protegidos ao mundo fantástico de onde realmente vieram.

Os protetores apenas se separam de seus escolhidos quando estes têm filhos, pois, assim são transferidos ao primogênito ou à primogênita. Dessa forma, as criaturinhas nunca morrem e continua intacta a tradição de levar seres humanos ao mundo das maravilhas para defendê-lo.

Ninguém sabe ao certo quando estará pronto, porém, os protetores sabem. Eles simplesmente sentem que a energia dentro da pessoa aumentou o suficiente para que se aguente a travessia e também para que eles possam usufruir dela durante a transformação.

Aparentemente, os protetores não conseguem armazenar muita energia no mundo em que vivemos e, por isso, precisam pegar a nossa emprestada para poder se transformar.

E foi assim que aconteceu comigo.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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Aviso: os trechos expostos foram copiados e colados de forma QUASE aleatória, sempre pegando algo do primeiro capítulo de cada livro. Portanto, é normal não fazer tanto sentido quanto deveria! rs…



(parte do terceiro capítulo…)

 

Fantasy, aqui vão eles!

 

 

– Tchau, mãe! – Lilith a abraçou com ternura, contendo as lágrimas que lhe ardiam os olhos. – Tchau, pai! – a garota foi envolvida por braços fortes e o ouviu limpar a garganta, um fracassado disfarce para a emoção que sentia.

– Tchau, meu amor! Se cuida, viu! – Suélen já estava chorando silenciosamente.

– Tchau, filhota! Até as férias ou antes! – Selso colocou as mãos no bolso.

– E tchau, Ely! – deu um singelo beijo na testa do irmão. Respirou fundo e engoliu o choro a seco. Não fazia sentido ceder à choradeira, afinal, ficaria apenas um ano fora. Parecia muito tempo, contudo, ela continuaria mantendo contato com a família e, se quisesse, poderia ir visitá-los nos feriados prolongados.

– Vocês vão ver, o tempo vai passas rapidinho! – deu mais um último beijo em todos e se dirigiu para a área de embarque enquanto gritava. – Vejo vocês em novembro do ano que vem!

– Lilith, vê se trás uma lembrancinha de lá para mim! – berrou Elyando antes que ela sumisse de vista.

Uma vez dentro da área de embarque, Lilith se dirigiu ao portão descrito em sua passagem. Aparentemente, o lugar era tão comum quanto os demais ao lado. O último aviso para que embarcasse soou e ela apertou o passo até as funcionárias.

– Bom dia! – cumprimentou, entregando a passagem.

– Bom dia, senhoria Pontlagua! – uma bela mulher loira conferiu suas passagens. – Você é a nossa última tripulante. Bem vinda à aviação Fantasy! – disse, devolvendo tudo à garota.

– Fantasy? – olhou para o nome da empresa escrito nos papeis de embarque. – Mas, essa não é a…

– É Fantasy mesmo. – a morena sorriu solicita. – Esse nome que você está lendo é registrado e enfeitiçado, ou seja, a aviação Fantasy existe em ambos os mundos, contudo, toda a sua documentação foi enfeitiçada para enganar as pessoas normais.

– E se alguém decidir viajar por essa viação aqui, o que acontece?

– Bom… Nós trabalhamos em ambos os mundos mesmo. Portanto, podem viajar conosco sem problemas.

– Nunca houveram passagens trocadas ou algum problema no sistema que acabasse levando pessoas normais ao mundo wiccaniano?

– Já houveram sim…

– Mas, todos foram concertados imediatamente e sem consequências desastrosas para nenhum dos lados. – interviu a funcionária loira. – Por favor, senhorita Pontlagua, está atrasando o vôo. Poderia se apressar?

Lilith olhou torto para a mulher e despediu-se brevemente de ambas, sendo mais gentil com a morena. E enquanto corria pelo corredor que a levava direto para as portas de seu avião, sentiu um estranho formigamento pelo corpo, algo que a impulsionava seguir adiante e lhe dava ânimo para enfrentar o desconhecido.

Uma vez dentro do avião, a garota foi recebida com toda a pompa e glamour que as aeromoças wiccanianas poderiam oferecer: taças de champagne flutuantes, tulipas de gelo com um chopp tão brilhante quanto ouro, taças de diamante com vinho tão reluzente quanto rubis, canecas cheias do m ais puro hidromel rodopiavam ao redor dela, embriagando-a com o aroma adocicado.

– Seja bem vinda, senhorita! Aceita algo para beber antes da decolagem? – uma das aeromoças, a mais alta de esguia, apontou para os copos, taças e canecas flutuantes.

– Não estou com vontade de beber nada alcoólico no momento, muito obrigada! – ficou sem jeito diante de tanta atenção. – Mas, se vocês tiverem água, eu aceito.

– Aqui está! – uma mulher de baixa estatura, cabelos ruivos e sardas no rosto lhe entregou um copo de cristal, cheio até a borda com água gelada e cristalina.

– Que copinho pesado, ein! – comentou ao segurá-lo.

– É feito de uma mistura especial, juntamos vários tipos de pedras preciosas na sua confecção como rubis, esmeraldas, turmalinas, lapis lazuli, diamantes e assim por diante.

– Mas, é tão transparente quanto o cristal! – observou abismada.

– É uma magia especial que usamos durante a confecção. Mas, se você girar o copo em suas mãos e contra a luz, poderá ver as cores dos materiais que usamos. – delicadamente, a mulher pegou a mão de Lilith que segurava o copo e a ergueu contra a luz. – Vê?

Os olhos da garota arregalaram diante das cores vibrantes e cheias de luz que iam aparecendo a medida que a aeromoça movia sua mão. O objeto era tão lindo e de aparência tão delicada que chegava a dar um “gostinho” especial e puro para a água contida ali.

Lilith agradeceu pela atenção e bebeu todo o liquido de uma vez, apreciando a sensação refrescante que lhe descia pela garganta.

– Gostaria de se acomodar em uma de nossas cabines agora, ou deseja mais alguma coisa?

A garota sentia um pouco de fome, contudo, sabia que com o frio na barriga que estava sentido, não conseguiria comer nada sem passar mal depois. E de forma delicada, negou a oferta, devolveu o copo à uma das aeromoças e respirou fundo.

– No momento, temos apenas uma cabine com um lugar vago. Todas as outras estão lotadas. – uma mulher de cabelos coloridos analisava um pequeno dispositivo eletrônico, o qual era um pouco menor do que seu antebraço. Assemelhava-se a um tablet, contudo, extremamente fino e transparente como vidro. – Isso pode ser um problema para a senhorita?

– De jeito nenhum! – respondeu de pronto.

– Então, queira me acompanhar, por favor. – a mulher baixou o dispositivo e a guiou por entre as cortinas vermelhas do hall do avião, levando-a por um corredor largo cercado por portas de plástico coloridas. – Aqui está, cabine dez vermelha. – parou, dando passagem a garota. – Em cinco minutos decolaremos. Fique à vontade, senhorita. – com um sorriso simpático se despediu e voltou para as outras.

Lilith ficou encarando a porta vermelha, sem saber ao certo como deveria passar por ela, afinal, havia pessoas ali dentro que nunca vira na vida, como poderia simplesmente abrir a porta e ir entrando? Será que deveria bater antes?

Ela respirou fundo, deu duas batidas leves e entrou usando o seu melhor sorriso simpático para as cinco pessoas que a encaravam com o mesmo tipo de fisionomia para as boas-vindas.

– Oi! Será que eu podia me sentar com vocês? – pediu tímida. – É que o avião já está lotado e…

– Mas é claro que pode! – antes que Lilith pudesse terminar de falar, uma menina sentada perto da janela, respondeu.  – Meu nome é Beatrice Celanit e o seu? – ela tinha lindos olhos verdes, cabelos ondulados que caiam até próximo à cintura e exibia orgulhosa a vestimenta da Ave. Lilith também pode reparar, pelo reflexo na janela, que o vestido possuía um belo rendado com a imagem da Fênix.

– Eu me chamo Lilith Pontlagua! – se apresentou enquanto terminava de se acomodar no acento disponível.

– Não acredito você é a famosa Lilith! – uma garota sentada ao lado da Beatrice quase gritou surpresa. – A mesma que derrotou o wiccaniano Trivan? – espantada com a reação dela, Lilith apenas a encarou abobalhada e observou que ela estava vestida com a Fada, e pelo pedacinho do bordado que ela conseguia ver, talvez fosse uma Fênix também.

– Eu não sei… – conseguiu responder.

– Mas, você não é a Lilith Pontlagua? – Beatrice perguntou educada.

– Sim, sou sim. Mas, este está sendo um dos meus primeiros contatos com o mundo wiccaniano. Eu apenas descobri a minha origem há alguns dias. – explicou.

– Então, você sabe quase nada do nosso mundo? – Lilith confirmou com a cabeça. – Bom… Vou ter que fazer um intensivo com você! A começar pela história que a transformou em uma celebridade por aqui! – balançou os longos cabelos loiros, enquanto se mexia no banco para poder estender a mão para a novata. – Eu me chamo Karoline Delaflor!

– E eu sou o Hugues Wilker. – apresentou-se um garoto de cabelos castanhos claros, sentado de frente com Karoline. – Prazer em conhecê-la! – ele possuía a vestimenta da Serpente, com esforço, Lilith pode notar um Pégasos bordado atrás.

– Oi! – cumprimentou outro menino, sentado ao lado de Hugues. – Eu sou o Paullu Logan! – ele era bem parecido com Beatrice e trajava a roupa do Leão, que pelo detalhe escuro e mais grosso da parte de trás, Lilith supôs, ter um Pégasos bordado também.

– Nossa, eu não a imaginava assim… – comentou um garoto sentado ao lado de Paullu. Ele a analisava dos pés à cabeça. – Um o sonho de garota! – sorriu sedutor e lhe estendeu a mão. – Eu me chamo Gautry Stafre, ao seu dispor! – apesar do estupor causado pela surpresa e a timidez, Lilith notou que ele tinha a roupa do Dragão, provavelmente com um Pégasos bordado atrás. – Meu nome é complicado, mas pode me chamar de Gu, ou da forma como preferir.

– Oi para todos! – sentia-se quente e totalmente sem graça. A garota poderia jurar que estava mais vermelha do que a porta ou as cortinas daquela cabine.

– Atenção, senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante do vôo 1089, com destino a Fantasy. Vamos decolar em alguns minutos, estamos aguardando a autorização da torre. Obrigado por escolherem a nossa companhia e tenha uma ótima viagem.

Lilith sentiu o avião começar a andar pela pista, posicionando-se para a decolagem. Respirou fundo e sentiu a ansiedade dominar seu corpo novamente.

– Tem alguma outra companhia fazendo essa ponte entre São Paulo e Fantasy? – ouviu Beatrice perguntar.

– Até onde eu sei, não tem não. – Karoline respondeu em um tom incerto.

– Madames, por favor… – Paullu sorriu. – Não se iludam. Não há outra companhia. Não temos outra opção. Essa é somente uma fala padrão de todos os pilotos.

Logo em seguida o grupo começou um burburinho, onde um tirava sarro do outro. Até Lilith, apesar de toda a timidez e nervosismo, sentiu-se confortável e entrou no meio da brincadeira.

– Senhoras e senhores, recebemos a autorização para a decolagem. Por favor, apertem os seus cintos e mantenho as poltronas na posição vertical. Tenham todos um ótimo vôo.

Assim que o anuncio terminou, os tripulantes sentiram aquele frio na barriga característico. O avião começou a correr pela pista e em segundos já estava sem contato algum com o solo. A pressão e os chacoalhões iniciais fizeram com que tudo ficasse silencioso por alguns instante, sendo que apenas o som metálico do avião e das turbinas fosse ouvido.

O sorriso de ansiedade no rosto daqueles seis jovens, compartilhando a cabine vermelha, era a imagem mais marcante da primeira viagem de um wiccaniano para Fantasy.

 

 

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(continuação do segundo capítulo…)

 

 

 

 

Vila Dragon.

– Mãe, aquilo da roupa vai acontecer comigo também? – Elyandro ajudava a mãe e a irmã a carregarem as sacolas com trocas de vestidos vermelhos, acessórios, peças de roupa diversas, sapatos, apetrechos, aparatos, materiais entre outras coisas.

– Sim, meu filho. – sorriu para o garoto. – Mas, no seu caso, vai precisar escolher entre outros três clãs: o do leão, o da serpente e o do dragão.

– Posso fazer mais uma pergunta? – ajeitou uma parte das sacolas nos ombros, para diminuir o peso em uma das palmas.

– Pode, filho… – mexeu os braços, ajeitando melhor as compras.

– Então, me diz uma coisa… – bufou mal humorado. – Por que eu tenho que carregar tudo isso, se não tem nada meu?

– Ora, porque você é um garoto educado e muito bem criado que está ajudando sua mãe e sua irmã, duas lindas damas, a carregarem suas compras. – piscou jocosa. – Vamos lá, filho! Seja um cavalheiro e continue nos ajudando.

Elyandro bufou mais uma vez e revirou os olhos diante da expressão falsamente suplicante de sua mãe. No entanto, continuou a carregar as sacolas sem reclamar.

Suélen puxou a bolsa para mais perto e abriu o zíper, retirando de dentro uma pequena lista dobrada em quatro partes.

– Vejamos… Já compramos o caldeirão de estanho resistente que a senhorita queria… – olhou de soslaio para a filha, relembrando-a do quão caro sairá o apetrecho.

– Mas, estanho é o melhor material para caldeirões!

– Você diz isso só porque o vendedor disse. – Elyandro retrucou.

– É claro que não! – Lilith fuzilou-o com o olhar.

– Até parece! – riu. – Você nunca precisou se preocupar com esse tipo de coisa antes.

– Mas, não quer dizer que eu já não soubesse.

– Você entrou na primeira loja em que viu caldeirões expostos! – continuou a zombar da irmã. – Nem mesmo fez uma pesquisa por outras lojas, antes de pedir para a mamãe comprar aquele de estanho.

– Você nunca foi tão racional assim com dinheiro e compras. – provocou. – Está com inveja, é?

– Chega! Parem de brigar! – Suélen se impôs na discussão. – De qualquer forma, o caldeirão já foi comprado. – voltou a analisar a lista. – As roupas também já estão aqui, o pentagrama para convocações, a colher de pau para as receitas mágicas, o cálice para rituais… – foi passando os olhos pelos itens e murmurando. – Buril, ok. Sino, ok. Vassoura, ok. Balança, ok. Livros, ok… – suspirou. – Parece que falta comprarmos um telescópio, um conjunto de frascos, uma chave mágica, um cetro, um espelho mágico, uma varinha e, finalmente, uma espada cerimonial!

– Mais lojas? – Elyandro quase deixou o corpo amolecer em desanimo.

– Bem… Podemos conseguir a maioria dessas coisas naquela loja ali. – apontou para um chalé largo e amplo, com uma simpática placa de madeira pendurada na fachada. Entalhado nela estava o nome do estabelecimento: Artefatos e Fatos de Magia.

Uma vez dentro da tal loja, os três passaram algum tempo escolhendo um telescópio que fosse bom e capaz de ver além do universo visível aos olhos de pessoas comuns; um conjunto de frascos que não explodissem com as poções a serem preparadas; uma chave mágica própria para ser enfeitiçada para abrir portais entre dimensões paralelas; um espelho mágico parecido com o da história de Branca de Neve; e um cetro de ótima qualidade, capaz de auxiliá-la nas proezas mais complicadas que aprenderia em Fantasy.

– Agora, só falta a espada e a varinha! – Suélen respirou fundo ao sair da loja, carregando ainda mais sacolas.

– A escolha da minha varinha será como no filme de Harry Potter? – Lilith entusiasmou-se.

– Não exatamente. – tentou ponderar. – Você precisa se identificar com sua varinha e não o contrário, como praticamente foi com suas roupas.

– Bom… Acho que estou fazendo comparações demais desse mundo com a série, não é? – sorriu sem graça.

– Digamos que tem muita coisa parecida entre os dois. – Suélen sorriu. – Acho que a autora deve ser uma wiccaniana! – brincou, recordando-se da suspeita que Selso levantaram naquela manhã. – Vai que ela quis escrever sobre nosso mundo, porém, sem ser exata demais para não prejudicar ninguém.

– Sabe, dadas as circunstancias em que nos encontramos, não duvidaria da sua hipótese! – Lilith olhou ao redor. – Aparentemente, tudo é possível agora.

– De qualquer forma… – deu de ombros. – Vamos até à Artesã e Ferreiro fazer as ultimas compras do dia?

Não foi preciso caminha muito entre uma loja e outra. Alguns passos depois, já podiam avistar uma casa baixa e comprida, a aparência lembrava um pequeno galpão extenso, com uma pequena chaminé de inverno.

Ao se aproximarem da construção, perceberam que os tijolos vermelhos pareciam estralar e a chaminé, aparentemente, não parava de exalar fumaça, ora branca, ora preta. Do lado de fora, o lugar dava a impressão de ser como uma sauna por dentro e isso não animou nenhum dos dois irmãos.

– Posso esperar do lado de fora? – Elyandro apoiou as sacolas no chão, recostando-as na parede.

-Malandro… – Lilith sussurrou para o irmão.

– Você quem sabe. – Suélen colocou suas compras ao lado das que o filho havia depositado no chão. – Mas, terá que ficar de olho em tudo.

– Por mim, tudo bem! – deu de ombros.

Lilith também colocou as sacolas que carregava no chão e ajudou Elyandro a ajeitá-las em um canto. Viu-o se sentar ao lado delas e tirar o celular do bolso do shorts.

– Mãe, aqui tem sinal de celular? – balançou o aparelho nas mãos.

– Tem sim. – apontou para as pessoas ao redor, as quais pareciam praticar magia. – Só tome cuidado com a interferência. Algumas pessoas gostam de pregar peças, usando ondas eletromagnéticas e tecnologia.

– Ok… – ligou o aparelho e começou a mexer em um jogo online.

Lilith revirou os olhos diante da indiferença do irmão. Se fosse ela, estaria analisando cada detalhe do lugar.

– Isso só pode ser ciúmes… – resmungou.

– O que disse, filha? – Suélen passou o braços pelos ombros da garota, enquanto entravam na loja.

– Nada não, mãe. – suspirou e se preparou para as surpresas que encontraria ali dentro.

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Assim que as porta se fecharam atrás delas, colocando-as definitivamente para dentro de um mundo repleto de varinhas e espadas, tudo das mais varias formas, tamanhos e cores.

O ambiente era um tanto escuro, porém, repleto de detalhes surpreendentes, como miniaturas de dragões perambulando por entre as lâminas, pequeninos grifos brincando por entre as hastes de madeira entalhada, entre outras mini criaturas mitológicas que perambulavam livremente pelo lugar.

Antes que pudessem dar mais algum passo, foram abordada por uma simpática senhora, a qual, aparentemente, havia surgido de algum canto escuro da loja.

– Sejam bem vindas, minhas queridas!

Lilith estreitou os olhos para analisá-la melhor. Ele lhe era extremamente familiar. Observou-a por mais alguns segundos até conseguir se lembrar de onde poderia conhecê-la. E se sentiu uma parva por não conseguir recordar de um acontecimento tão recente.

– A senhora por acaso é irmã da Loren da loja de roupas? – perguntou de pronto, sem vergonha.

– Não, não… – sorriu em resposta. – Não sou irmã da Loren da Se vista com Mágica.

– É que vocês duas são tão parecidas… – comentou surpresa.

– Não sou irmã dela, mas sou prima. – riu diante da expressão de esclarecimento no rosto de Lilith. – Agora, faz mais sentido, não é? – continuou a rir enquanto caminhava pela loja, fazendo gestos para que a seguissem.

As duas seguiram a senhora, indo se embrenhar em um canto abafado e com um forte cheiro de fomo, onde as paredes eram repletas de estantes com caixas, papéis, alguns livros e estatuetas de homens e mulheres, aparentemente, praticando magia.

– Como está o seu marido, Suélen? – a senhora parou de andar e apontou para dois bancos de madeira, onde podiam se sentar.

– Está bem, obrigada! – sentou-se com delicadeza, ajeitando o vestido ao fazê-lo.

– Ainda me lembro da primeira vez que você e Selso pisaram em minha loja. – sorriu saudosa. – Sem foram boas crianças…

– Obrigada, Edna. – Suélen retribuiu o sorriso, transparecendo muito carinho pela vendedora. – Dessa vez, eu trouxe meus filhos. O caçula, Elyandro, está lá fora cuidando das compras. – apontou para um espaço qualquer atrás de si. – E esta daqui é a minha primogênita, Lilith. – passou a mão pelos cabelos da filha. – Ela acabou de receber uma carta de Fantasy.

– Você parece ter o poder da sua mãe! – Edna beliscou levemente o queixo da garota.

– Como assim? – Lilith olhou tanto para a senhora quanto para sua mãe.

– Aqui, dizer isso é tão comum quanto dizer que você é parecida comigo, ou que tem os meus olhos… – Suélen balançou uma das mãos em movimentos repetitivos e lentos. – Coisas do gênero.

– Certo… – murmurou. – Entendi.

– Querida, tente experimentar essa varinha. – colocou-a na mão da garota.

– Experimentar? – com o olhar buscou pela ajuda da mãe.

– É só mover. – disse Suélen, fazendo gesto de incentivo a filha.

– Assim? – começou a balançar a mão.

– Sente algo diferente, querida? – Edna observava com atenção.

– Sinceramente, não…

– E com essa? – trocou a varinha.

– O que eu supostamente devo sentir?

– Você saberá. – entregou-lhe outra. – Se ainda não sabe, é porque não sentiu.

– Interessante, mas… Também não é essa.

Ao todo, Lilith experimentará quase vinte varinhas diferentes. Balançava-as de um lado para outro, brincava com os movimentos e até arriscava algumas palavrinhas, porém… Nada!

– Será que essa luva atrapalha? – começou a retirar as luvas vermelhas que cobriam parcialmente suas mãos e deixavam os dedos de fora.

– Atrapalhar, não atrapalha. Mas… – algo chamara a atenção da senhora. – O que é isso na sua mão? – delicadamente, segurou a mão esquerda da garota e a puxou para mais perto de sua vista. – É uma cicatriz em forma de olho?

– Hm… é! – lançou um breve olhar na direção da mãe e continuou. – Quando eu era mais nova presenciei o assassinato de meu primo. – engoliu em seco. – Eu não me lembro como as coisas aconteceram. Todos me contam que um psicopata entrou em nossa casa e atacou minha família e a mim. – prendeu a respiração. – Só consigo me lembrar da dor e do desespero. Mais nada…

– Lilith conseguiu nos defender. – pousou a mão sobre o colo da filha, dando-lhe apoio. – Desde pequena, ela sempre foi um prodígio na magia, mas, o assassino conseguiu feri-la. – apertou a coxa de Lilith. – Ela salvou a todos nós.

– Menos meu primo… – sussurrou. – E a última lembrança que me restou dele, foi essa cicatriz bizarra, feita no dia de seu assassinato. – puxou a mão de volta para si.

– Então, quer dizer que a história de que você o derrotou, era verdade? – a vendedora arregalou os olhos.

– Derrotei quem? – Lilith ergueu os olhos e a encarou surpresa.

– Oh, não! – Edna levou as mãos à boca e lançou um olhar culpado a Suélen. – Ela não sabia!

– Eu não sabia o que? – sentia-se perdida.

– Desculpe por isso, Suélen! – a senhora parecia realmente arrepender-se de algo.

– Mãe, o que está acontecendo aqui? – encarou-a exasperadamente.

– Calma, filha! – a abraçou. – O assassino que você derrotou, era um grande rival de minha família. – apertou-a mais forte contra si. – Digamos que ele é um wiccaniano das trevas.

– E por acaso há alguma profecia que eu deva saber?

Lilith não sentia vontade alguma de comparar a própria realidade com as obras de J. K. Rolling, como vinha fazendo. No entanto, fora inevitável fazer a pergunta, pois, se havia tanta coisa similar, o que a impedia de imaginar que a ficção fora baseada em alguma realidade obscura, na qual ela estava envolvida?

– Não sabemos ainda… – Suélen fora sincera. – A única coisa que sabemos é que o cretino do Trivon foi o responsável pelo assassinato do seu e do meu primo! – trincou os dentes.

– Me desculpem por isso, queridas! – a vendedora aproximou-se solidaria ao momento.

– Tudo bem, Edna! – a mulher endireitou-se, soltando a filha do abraço. – Uma hora ou outra eu precisaria contar a verdade para Lilith. – continuava a manter a mão na perna da garota. – Desculpe por esconder tanta coisa de você, querida.

– Eu entendo, mãe. – respirou fundo. – Não estou brava, apenas um pouco chateada. Mas, logo passa. – arriscou um sorriso. – Por que não deixamos as lembranças ruins de lado, assim como o papai recomendou hoje de manhã, e não continuamos com as varinhas?

– Claro! – Suélen sentiu-se agradecida pela filha ter sido compreensiva.

– Ótimo! – Edna depositou uma varinha de madeira avermelhada e lindos entalhes dourados. – Bem… Esta que lhe entreguei é uma das varinhas originárias da Fênix – apontou para os desenhos entalhados. – E esta daqui é aquela que representa o poder da mente que esse ser possui. – sorriu. – Ela é única! Aí dentro estão gravados todos os poderes dela, juntamente com a sabedoria acumulada por todos os donos anteriores e pela própria ave que se doou para a confecção da varinha.

– Como assim “se doou”? – Lilith arregalou os olhos.

– Essa Fênix em específico preferiu doar suas penas, poderes e lembranças um pouco antes de falecer. – passou um dos dedos pelos detalhes da varinha, demorando-se em um que se assemelhava muito com a forma da cicatriz da garota a sua frente. – Mas, não se preocupe. Toda Fênix renasce e não foi diferente para essa. – afastou-se um pouco. – Você quer tentar usá-la?

– Uhum… – Lilith sentia a mão formigar e seu corpo todo parecia ter se tornado numa corrente elétrica.

Enquanto movimentava a mão, percebeu que uma delicada fumaça dourada se desprendia da ponta da varinha e ia se acumular no chão, ao redor dos pés dela.

– Incrível! – comentou espantada. – Sinto como se cada uma de minhas terminações nervosas estivessem mais do que desperta, totalmente agitadas! – começou a brincar com o objeto. – E olha só isso! – fazia a fumaça se espalhar pelo ambiente. – É simplesmente lindo!

– Parece que já temos a varinha certa! – Edna sorria, assim como as outras duas wiccanianas. – Deixe-me colocá-la na caixa para você. – guardou a varinha e depositou a caixa dentro de uma sacola, antes de devolver ás mãos de Lilith.

– Parece que agora só falta a espada! – Suélen se levantou, juntamente com a filha.

– Claro, claro! – a senhora voltou a andar pela loja. – Venham! Vou levá-las até o meu marido. Ele cuidará disso para vocês. – e conduziu-as até a outra extremidade do estabelecimento, para um lugar quente e com paredes repletas de armas brancas.

Lilith observava tudo com fascínio, pois sempre fora uma apreciadora de armas brancas, em especial espadas e adagas.

– Ruy! – Edna chamou. – Ruy, querido!

– Edna? – ao fundo do lugar havia uma fornalha e Lilith reparou em um vulto curvado sobre ela. – Estou aqui atrás. – a voz grossa avisou, enquanto o tal vulto se mexia.

– Temos visitas. – o tom alegre de Edna era contagiante. – A filha de Suélen, a Lilith, veio fazer a sua primeira compra conosco.

O homem virou a cabeça e analisou as duas mulheres paradas ao lado da esposa. Depositou em um canto o que tinha nas mãos e se levantou, espanando com as mãos um pouco da fuligem grudada na roupa.

– Muito bem… – dirigiu-se até elas. E Lilith pode reparar que o senhor atravessara um tipo de barreira quase invisível ao se afastar da fornalha.

– O que foi aquilo? – perguntou á mãe.

– A redoma mágica que ele acabou de atravessar? – Suélen viu a filha concordar com a cabeça. – É uma magia que serve para isolar um ambiente do outro, como uma espécie de bolha de sabão beeeeem resistente.

– Que interessante… – continuou a analisar aquela magia. – Eu só percebi que estava ali, depois que ele a atravessou e eu pude reparar nas ondulações que o corpo dele causou na tal bolha.

– O meu marido a usa para isolar boa parte do calor e da fuligem ali. – sorriu.

– E isso não o incomoda? – Lilith desviou os olhos para Edna. – Se aqui já é abafado, imagine ali dentro!

– Eu uso outra magia que me ajuda a resfriar o corpo. – respondeu assim que se aproximou delas. – Olhe… – virou as mangas da roupa e mostrou um manto fino que se assemelhava ao gelo. – É como uma roupa especial que não deixa o meu corpo superaquecer.

– Queridas, esse daqui é o meu marido Ruy! – Edna resolver começar com as apresentações, antes que a conversa se estendesse por demais. – Ele é o melhor ferreiro de nosso mundo! – comentou orgulhosa, recebendo em troca, um beijo terno do marido.

– Prazer. – Lilith estendeu a mão para o senhor, contudo, assim que ambos repararam no qual suja estava, desistiram do cumprimento e apenas acenaram com a cabeça.

– E essa é a Suélen e sua filha, Lilith. – apontou respectivamente.

– Eu me lembro da Suélen. – cruzou os braços. – E como vai o Selso? Ainda consegue mantê-lo na linha?

– O Selso vai bem, mas agora, quem eu preciso manter na linha não é ele. – sorriu. – Mas, os meus filhos! Essa daqui e o meu caçula são de deixar qualquer mãe grisalha antes da hora! – o comentário arrancou gargalhadas estridentes do ferreiro.

– E então, malandrinha… – passou a encarar Lilith. – Qual tipo de espada lhe agrada mais?

– Sinceramente, não consigo me decidir! – suspirou.

– Querido, a varinha que deu certo com ela foi uma das da Fênix – interveio a artesã.

– Qual delas? – perguntou surpreso.

– Olhe a cicatriz que ela tem na mão e você já vai descobrir. – apontou para a mão esquerda da garota.

Inicialmente, Lilith sentiu-se incomodada por ter pessoas apontando e observando a sua afamada marca. Contudo, convenceu-se de que aquilo não era nada demais e estendeu o braço, permitindo que Ruy a analisasse melhor.

– Interessante… – o senhor virou-se e começou a vasculhar por entre um grupo de espadas penduradas na parede a sal direita. – Realmente surpreendente… – murmurava durante a busca.

As três mulheres ficaram paradas, apenas vendo o ferreiro retirar várias espadas e colocá-las no chão, aparentemente, a que ele procurava deveria estar pendurara debaixo de todas aquelas.

– Curiosamente, hoje pela manhã eu peguei essa daqui para polir. – Ruy pegou uma espada longa e reta, cuja bainha assemelhava-se a varinha de Lilith: vermelha e com entalhes dourados. – Há anos que está aqui. Não sei por que, mas hoje quis poli-la juntamente com as outras do mesmo estilo.

– Mesmo estilo? – a garota não desviava os olhos da arma.

– Sim. – Ruy retirou-a da bainha, revelando uma lâmina brilhante e com os mesmo detalhes dourados da bainha. – As outras são tipos diferentes, mas tão raras quanto essa daqui. – entregou-a para a wiccaniana, que a pegou com avidez.

– Nossa… – surpreendeu-se ao movê-la. – É extremamente leve e fácil de movimentar. – olhou confusa para Ruy. – Essa daqui não é uma espada reta Jian, ou algo parecido?

– Exatamente! – voltou a cruzar os braços. O senhor estava impressionado por ver que a garota entendia do assunto.

– Esse estilo de espada até que é leve e requer muita disciplina e treino para usá-la. – voltou a analisá-la. – Mas, não era para ser tão leve assim para mim. E muito menos tão fácil de se executar os golpes e defesas. – comentou, enquanto testava alguns movimentos que conhecia.

– Isso quer dizer que ela é sua! – Ruy descruzou os braços e entregou a bainha para a wiccaniana. – Vocês duas simplesmente se completam! – sorriu.

– Muito obrigada! – Lilith guardou a espada na bainha e colocou-a na sacola, junto com a varinha. Sentia-se extasiada! Simplesmente amara suas aquisições.

Com espada e varinha em mãos, as duas mulheres saíram de dentro da loja. Lilith agradecera imensamente ao casal de senhores e prometera voltar ali sempre que possível.

Reuniram-se ao seu irmão e, a pedido do mesmo, contaram-lhe toda a história da compra dos dois itens.

– Me deixa ver? – pediu, lançando um olhar desejo á sacola que a irmã carregava.

– Só um pouquinho! – e sem hesitar, Lilith mostrou os dois artefatos mágicos com empolgação. – Agora eu tenho a melhor roupa, a melhor espada, a melhor varinha e os melhores utensílios e matérias mágicos que uma garota como eu poderia ter! – comentou, enquanto voltava a guardar tudo e a pegar algumas sacolas para carregar, fazendo questão de levar as duas recentes aquisições e o vestido com a Fênix.

– Mãe, isso vai acontecer comigo também?

Elyandro tentou chamar a atenção de sua mãe, puxando-a pela blusa, porém a tentativa dera errado, pois as compras o impediam de fazer isso.

– Sabe… Quando for a minha vez de comprar tudo isso… – insistiu em um tom mais alto, já que Suélen parecia distraída com a lista de compras.

– Claro, filho! – a impressão que dava era que ela havia acabado de sair de um transe. – Claro, que isso vai acontecer! De forma um pouco diferente, mas vai.

Logo após que a senhora Pontlagua terminou de responder ao garoto, reparou que a filha havia parado na frente da vitrine de uma loja de animais. Fez sinal para que Elyandro parasse também e ambos foram até Lilith, a qual admirava um belo gato, cuja pelagem lembrava uma pequena onça brasileira.

– Filha… – Suélen também observava o jovem felino. – O seu pai e eu lhe deixamos ficar com a Luka e, portanto, você já possui um animal de estimação. – através do reflexo da vitrine, viu a filha ficar desanimada. – E até já lhe demos os seus presentes de aniversário. Mas… – continuou, com um sorriso maroto – Se me lembro bem, ainda não lhe demos um presente por ter conseguido ir para Fantasy. – virou-se de frente para Lilith. – E que tal esse gato?

– Sério, mãe? – controlou-se para não sair pulando de alegria. – Que legal! Obrigada! – deu-lhe um abraço apertado em agradecimento. – Mas, eu posso levar mais de um animal para Fantasy? Ou melhor, eu posso levar qualquer tipo de animal para lá?

– Na minha época, eu cheguei a ver gente levando quatro animais de estimação! – viu a garota encará-la surpresa.

– Em Harry Potter, acho que só podiam levar um, não é Li? – Elyandro buscou pela confirmação da irmã, a qual deu de ombros.

– Não me lembro desse detalhe direito.

– Bom… Acho que já deu em comparações, não é? – Suélen bufou. – Desde manhã vocês vêm comparando quase tudo com essa tal série do Harry Potter! Acho que já deu, né? – os dois concordaram com a cabeça, não desejando discordar da mãe. – De qualquer forma, acho que você pode levá-los desde que cuide muito bem deles por lá.

– É lógico que eu vou cuidar! – Lilith voltou a se animar.

– Então, entre logo aí dentro, antes que eu desista de comprá-lo para você!

E sem mais delongas, Lilith correu para dentro da loja e, mais depressa do que qualquer ser humano normal poderia falar, pediu ao vendedor que pegasse o “gato-onça” que estava na vitrine, pois ela o levaria para casa.

———————————————————————————————

– Mãe, você também vai me dar dois animais, quando eu for para Fantasy? – todos já estavam acomodados dentro do carro e Elyandro já estava se sentindo um tanto sonolento.

– Tem tempo ainda, filho. – respondeu com um sorriso cansado no rosto. – Quem sabe até lá, você já não ganhou algum animalzinho de estimação ou encontrou um só para você?

– É… Tem razão… – bocejou e parou por alguns minutos para observar o gato cochilando no colo da irmã. – Que nome você vai dar para ele, Li?

– Bom… – acariciou o animal. – Eu pensei em chamá-lo de Edgar, o que acham?

– É um bom nome. – Suélen comentou.

– Uhum… Aprovado! – Elyandro apenas ergueu uma das mãos para fazer um sinal de positivo e, logo após, apagou de sono.

– Mãe, como vou para Fantasy?

– Você vai de avião.

– Sério? Nossa… – inconscientemente estalou a língua no céu da boca, como que reforçando a palavra “nossa”.

– Uhum… E o seu vôo partirá após a passagem de ano. – suspirou, já se sentindo saudosa. – No segundo dia de janeiro, você parte para Fantasy, assim como o seu pai e eu fizemos por quatro anos.

– Como é por lá? E o avião? – sentia-se ansiosa. – Em qual aeroporto vamos pegá-lo? Será que vou conseguir me adaptar?

– Calma, filha… – riu diante das perguntas. – Logo você verá como é tudo. E quanto ao medo de se adaptar, tenho certeza de que você se dará muito bem! – levou uma das mãos até o gato e o afagou por alguns segundos, antes de ter que usar a mesma mão para mudar a marcha do carro. – Além disso, você terá a Luka e o Edgar para lhe dar apoio no começo.

Lilith sorriu para a mãe, acariciou Edgar por mais alguns minutos e logo se entregou ao sono, assim como seu irmão havia feito.

 

 

 

 



(um pedacinho…)

 

 

Vila Dragon.

 

 

 

Pelo o que sua mãe havia lhe contado, o lugar, aparentemente, era um pequeno vilarejo escondido por magia dentro de uma fazenda.

No começo, Lilith se perguntava se aquilo também seria como no livro de Harry Potter e procurava por uma parede de tijolinhos ou algo parecido. Porém, logo que chegaram à fazenda “Recanto Mágico”, na parte rural da cidade de Jundiaí, ela descartou a idéia da parede e começou a procurar por uma passagem secreta em alguma pedra gigante, ou por algum túnel subterrâneo…

Assim que Suélen estacionou o carro, conduziu os dois filhos até uma parte remota do lugar. Lilith achou que a mãe enlouquecera quando a viu ficar parada olhando para o próprio reflexo em um pequeno lago no meio do nada.

– Ô… Mãe? A gente não estava indo para o tal de Vila Dragon? – parou ao lado da mãe e ficou encarando-a, assim como seu irmão mais novo que também não estava entendendo nada do que Suélen estava fazendo.

– Xiiiiiuuuu… – reclamou, pedindo silêncio enquanto levantava uma das mãos e puxava um fio de cabelo. – Não fale muito alto… Os ventos daqui propagam o som muito facilmente… Essa fazenda aqui funciona como restaurante e também é visitada por pessoas normais… – jogou o fio de cabelo dentro do lago.

– Tá… Mas, por que você ARRANCOU o próprio cabelo?

– Eu não pedi para você falar mais baixo? – viu a filha fazer um gesto simples, como pedido de desculpa. – E eu não arranquei o meu cabelo! Eu só puxei um fiozinho…

– E por quê? – Elyandro retomou a pergunta da irmã.

– Vocês vão ver… – apontou para o fio boiando nas águas calmas e inabaladas.

Lilith e Elyandro pararam de encarar a mãe e passaram a observar o lago. Por alguns segundos, nada de diferente havia acontecido. Contudo, quando a primogênita da família foi abrir a boca para comentar o “nada” que estava acontecendo, ela ouviu o irmão dar um sibilo baixo de surpresa e voltou a prestar atenção na água.

No momentoem que Lilithfocalizou melhor o cabelo boiando, ela viu um brilho vir do fundo do lago para a superfície, indo em direção ao fio. A garota se agachou para ver melhor e viu uma garra, cheia de escamas em forma de plaquetas, surgir de dentro da água e agarrar o fino cabelo.

– Ai, caramba… – sussurrou assustada enquanto voltava a ficar de pé, ao lado da mãe.

Aos poucos, ligado àquela garra, começou a surgir um lindo dragão translúcido e belo como a água do lago. Ele olhou para o cabelo em suas garras e depois encarou as três pessoas paradas na margem.

– Quem jogou isto em meu lago? – a sua voz era surreal. Parecia como um sussurro alto, um som que vinha de um mundo paralelo. Lilith se arrepiou quando a frase “vozes do além” lhe veio à mente.

– Fui eu… – Suélen levantou delicadamente a mão. Ela tinha um sorriso simpático no rosto.

– Hum… – a criatura fechou a garra e o fio de cabelo desapareceu. – Senhora Suélen Pontlagua… Certo? – ela confirmou com um aceno de cabeça. – É um prazer recebê-la mais uma vez! – ele olhou para os outros dois parados ao lado de Suélen. – E quem são esses jovens ao seu lado, minha senhora? São parentes?

– Sim! São meus filhos! – ela passou os braços ao redor da cintura dos dois. – Esse é o Elyandro e essa é a Lilith, que por sinal, acabou de ingressar em Fantasy! – anunciou orgulhosa.

– Meus parabéns, jovem Lilith! – pela primeira vez o dragão sorriu. – Então, vieram fazer as compras? – desta vez, foi Lilith quem consentiu.

Ela achava que precisava fazer alguma coisa para não parecer uma estatua na frente daquele dragão que começara a se tornar gentil com ela.

– Nesse caso, senhora Suélen, é melhor você fazer o registro dos dois. Assim, eles poderão voltar quando desejarem!

– Sim, sim! – Suélen empurrou os filhos para mais próximos da beirada do lago.

O Dragão puxou a mão de Lilith e a beijou delicadamente, deixando-a molhada onde ele havia beijado. Ela se afastou sem enxugar a mão e sem desgrudar os olhos daquela criatura fantástica. Depois, foi a vez de seu irmão, mas, ao invés de beijar-lhe a mão, ele simplesmente a segurou firme e depois a soltou.

– Pronto! Já tenho os dados genéticos e teor de magia de vocês! – sorriu para os dois. – Elyandro Pontlagua e Lilith Pontlagua, vocês já fazem parte do meu banco de dados. Toda vez que desejarem entrar, basta jogarem neste lago, algo que tenha uma informação genética de vocês, assim como sua mãe fez, está bem? – ambos balançaram as cabeças afirmativamente.

– Só uma coisa… – Elyandro ergueu a mão discretamente, para chamar a atenção para si. – Por que você beijou a mão da minha irmã? – como irmão caçula de Lilith, ele havia sentido um pouco de ciúmes por ela, mesmo que a pessoa que a tenha beijado fosse um dragão.

Esse sentimento fazia parte do carinho que ele sentia por ela, mas que fazia questão de esconder. Afinal, era mais divertido implicar com Lilith do que ser atencioso com ela.

– Porque ela é uma dama…

– Então, você beijou minha mãe também! – acusou.

– Não… – respondeu tranqüilo. – Eu só beijei a mão de sua irmã, porque ela é uma dama especial para todos nós!

– Como assim? – perguntaram os dois irmãos ao mesmo tempo, surpreendendo o dragão, deixando-o sem fala por alguns instantes.

– Ora! Por que não deixamos isso para depois? Está ficando tarde! – interrompeu Suélen, assim que viu uma brecha na conversa.

Ela sabia muito bem o que o dragão queria dizer, mas, acreditava que ainda não fosse o momento certo para revelar tudo aos filhos.

– O senhor poderia abrir a passagem, por favor?

– Com prazer! – o dragão sorriu cúmplice, entendendo a tentativa da mãe em esconder aquele fato.

Ele baixou sua garra até a água do lago e passou suas unhas afiadas, abrindo um talho que foi aumentando cada vez mais, até revelar uma larga rampa que levava a um descampado ao… Céu aberto?

Lilith piscou duas vezes para clarear a visão e ter certeza do que via. Realmente, havia um céu sob o lago! Só podia ser mágica mesmo. A garota desceu a rampa acompanha por sua mãe e pelo seu irmão que estava tão fascinado quanto ela.

Lilith olhava ao redor encantada. O lugar era maravilhoso! Como ela nunca havia visto o Vila Dragon antes? O lugar era um imenso campo florido com diversas flores sortidas e brilhantes que ela não conhecia.

No meio deste campo, havia uma larga vila, apinhada de pessoas, mas todas estavam a pé. Não havia carroças, charretes, cavalos e muito menos carros ou motos. As casinhas, que logo Lilith descobriu serem lojas, eram construções parecidas com as que eram feitas na parte tradicional da Holanda.

Não havia nuvens no céu e ele era de um azul parecido com a cor escura do lago. Talvez, o que ela estivesse vendo, não fosse de fato o céu, mas o próprio lago. Tudo ali era mágico e extraordinário demais para ela.

– Está bem… A primeira coisa é… Deixa eu ver aqui… Hum…

A senhora Pontlagua parou no meio de uma das ruas da vila e pegou um pedaço de papel de dentro da bolsa e o desdobrou. Ela analisava a lista, lendo cada um dos itens e depois olhando ao redor, procurando pela loja mais próxima que venderia algum daqueles produtos.

– Olha! Vamos começar pelas suas vestimentas!

– Tá! – entusiasmou-se.

Ela adorava comprar roupas e sapatos. Não eram os seus produtos prediletos. A garota apenas se deliciava com as novas vestimentas. Não era todo dia que se sentia disposta para experimentá-las e comprá-las. Aquele, no entanto, era um dia excepcional! Seguiu a mãe até a loja sem pestanejar.

– Filha… – segurou-a pelo braço antes que entrasse no lugar. – Deixa eu te avisar uma coisa. – puxou-a para perto e sorriu. – No nosso mundo, algumas roupas especiais não são escolhidas por nós, são elas quem nos escolhem, meio que se enquadram ás nossas personalidades. Este é o caso das roupas que veremos aqui. Elas são como uniformes de Fantasy, portanto, por nós, são consideradas roupas especiais. – Voltou a andar, puxando a filha consigo. – Agora podemos ir!

– Mãe! Espera! O que vai acontecer comigo? Como assim ela vai se enquadrar comigo? – o entusiasmo transformara-se em nervosismo.

– Você vai ver!

Uma vez dentro da loja, toda a insegurança de Lilith sumiu, novamente dando lugar a um sentimento extasiante. As roupas flutuavam de um cabide para outro, pareciam dançar no ar. Os sapatos sapateavam ou simplesmente andavam por todo o piso liso.

Pedaços de pano zuniam de um lado para outro, integrando-se uns aos outros, formando novas vestimentas. O chão de madeira bem encerado dava o toque especial, assim como os espelhos nas paredes e no teto, refletindo toda aquela dança e movimentação estranha e fascinante.

Caminhou pela loja, tomando o cuidado de não esbarrarem nada. Viua mãe ir até o balcão e bater um uma divertida campainha em forma de cabide. Assim que o som agudo se propagou por todo o ambiente, uma mulher atarracada, de cabelos grisalhos e com óculos de fundo de garrafa surgiu de baixo de um amontoado de tecidos. Ela piscou algumas vezes e ajeitou os óculos antes de sair da montanha de pano. Encarou Suélen por alguns instantes e abriu um largo sorriso quando a reconheceu.

– Suélen Pontlagua! – andou até ela de braços abertos, passando reto por Lilith e Elyandro. – Há quanto tempo minha querida! Veio atrás de roupas novas para você?

– Na verdade… – apontou para os filhos depois de abraçar a pequena senhora. – Eu trouxe os meus filhos e estou atrás de roupas novas para a minha filha.

A vendedora mexeu nos óculos novamente e apertou os olhos, tentando enxergar melhor. Arrastou os pezinhos pela madeira e aproximou-se dos dois, analisando-os de cima a baixo.

– Como se chamam? – perguntou com um sorriso singelo no rosto.

– Elyandro… – o caçula adiantou-se para responder.

– Lilith… – disse no tom mais educado que pôde.

O receio voltava a crescer, pois ela sabia que o momento da escolha estava se aproximando e a garota ainda não fazia a mínima idéia de como seria. As suas roupas iriam selecioná-la dependendo de sua personalidade? Ou seria mais pelo seu porte físico? Talvez fosse por afinidade?Em Harry Potternão havia nada daquilo. Não fazia idéia de como seria a seleção.

– Hm… Lilith… Essas serão as suas primeiras roupas? – cruzou os braços, sem tirar o diminuto sorriso dos lábios.

– É… – o sorriso daquela mulher começava a lhe dar calafrios.

Lilith começava a desconfiar se aquele “sorrisinho” servia para tentar, fracassadamente, criar um clima de simpatia entre elas, ou se simplesmente aquela senhora sabia de algo estranho que aconteceria com a garota e já estava se divertindo por antecipação.

– Então, venha comigo, minha jovem! – começou a andar rumo ao fundo da loja.

Sem muitas alternativas, a garota seguiu a senhora, sentindo-se um tanto inquieta a cada passo que dava. Elas iam se aproximando de um espaçoso provador, onde várias roupas em diversas tonalidades encontravam-se penduradas nos cabides. Diferente das demais vestimentas do recinto, aquelas não se moviam. Continuavam inertes no lugar como roupas normais.

– Venha, querida! – a senhora esticou o seu braço de pele enrugada e branca. – Venha, Lilith! – agarrou o braço de Lilith e a arrastou até um dos provadores.

– Calma, senhora… – endireitou-se após ser arrastada. – Como a senhora disse que se chamava mesmo?

– Mas, eu não disse, minha querida. – os dentes surpreendentemente brancos da senhora surgiram um pouco mais. – Se quiser, pode me chamar de Loren.

– Está bem, senhora Loren. – levou os braços para trás. – Poderia me explicar como tudo isso irá funcionar?

– Seus pais não lhe disseram o que iria acontecer?

– Não… – balançou a cabeça devagar, apenas para não perder nenhuma mudança na fisionomia daquela mulher. – Minha mãe apenas me explicou que a roupa vai se enquadrar a mim.

– Ora, ora… – ela esfregou as diminutas e secas mãozinhas – Então, você verá, meu bem…. Você verá… – empurrou-a para dentro do provador.

A garota suspirou desgostosa. Aquela senhora poderia parecer um ser frágil e fraco, contudo, possui muita força nos braços e nas mãos. Talvez, mexer com roupas fizesse bem para o tônus muscular dos membros superiores.

Lilith começou a avaliar o espaço. Era um tanto apertado, contudo, aconchegante. Ao invés do costumeiro banquinho depositado em um dos cantos do provador, ali havia um pequeno puffe vermelho. Os cabides eram feitos de galhos negros firmes e retorcidos. O chão era revestido por um carpete macio e de um tom vinho. A cortina era grossa e aparentemente aveludada, mas, ao tocá-la, sentia-se a flexibilidade gélida da seda.

Havia um espelho alto e todo adornadoem ouro. Lilitho achou lindo, contudo, antes que pudesse analisar a própria silhueta refletida naquele objeto, precisou desviar dos pedaços de pano que começaram a bombardeá-la repentinamente.

– Senhora Loren! – reclamou, apanhando-os do chão. – Cuidado com isso!

– Desculpe querida! – gritou do outro lado. – Mas, quero que vá experimentando essas roupas que lhe passei!

– Passou… – resmungou desdenhosa. – Você as arremessou em mim!

– O que disse?

– Disse que tudo bem! Vou experimentar. – revirou os olhos e acomodou as vestimentas nos cabides. – Há somente vestidos?

– Não… – mais roupas foram arremessadas. – Para os garotos temos calças e blusas.

– Tá, mas, todos são assim? De corte reto? – analisou o que havia pendurado nos cabides. – Não tem nada cinturado, ou com um corte diferente?

– Depois que encontrar a sua roupa, veremos acessórios que a tornem mais confortável e atraente para você.

Lilith deu de ombros e começou a se trocar. Inicialmente, os vestidos pareciam vestimentas normais, no entanto, assim que terminava de ajustá-los ao corpo, algo surpreendentemente estranho e incomodo acontecia.

Primeiramente, havia experimentado um vermelho com um bordado delicado de fada, próximo ao ombro esquerdo. O vestido era bonito, porém a fez começar a flutuar até o ponto de precisar se agarrar à cortina para não bater no teto.

– Senhora Loren! – gritou. – Como eu faço essa coisa parar?

– Calma, querida!

– Lilith? – Suélen ouvira a filha gritar. – Tudo bem, meu bem?

– É claro que não! – a cortina se tornara uma âncora.

– Que demais! – Elyandro entusiasmou-se com a cena. – Mãe, quero flutuar também!

– Filho, você não pode flutuar… ainda.

– Dá para vocês me tirarem daqui de cima! – gritou nervosa.

– Calma… – a vendedora se aproximou dela. E a ajudou a descer um pouco mais. – Você só precisa tirar a roupa.

– Ah sim… – fez uma careta. – Algo extremamente fácil de se fazer, quando se está flutuando loucamente! – olhou para o irmão. – Elyandro, sai daqui!

O garoto retirou-se sem reclamar, o tom de voz da irmã revelava muito bem o grau de revolta. E não seria prudente contrariá-la naquele momento, já que, era extremamente vingativa.

Suélen e Loren a ajudaram a se trocar, mas nenhuma das outras cores das vestimentas com bordados de fada pareciam se “enquadrar” com Lilith, todas a faziam flutuar descontroladamente.

– Muito bem… – a senhora pegou todas nos braços e as depositou, gentilmente, em um canto da sala. – Por que não testamos essas? – pegou a mesma variedade de cores e as colocou sobre o puffe do provador.

– De novo? – Lilith bufou.

– Calma, criança! – ergueu uma delas. – Viu? Essas daqui possuem uma ave de rapina bordada no canto.

– Grande diferença… – resmungou, começando a se trocar mais uma vez.

Mais uma vez, a escolha da criatura também não fora afortunada. Assim que Lilith experimentou a primeira, sentiu algo espetar-lhe o corpo, como se a vestimenta houvesse criado pequenas garras internas que a beliscavam e arranhavam sem parar.

E por insistência de sua mãe e da vendedora, acabou por experimentar todas as cores, passando várias vezes por aquela experiência desagradável.

– Chega! – jogou no chão a última, um vestido de cor azul.

– Calma, filha! – Suélen passou carinhosamente a mão pelo braço da menina. – A roupa nem lhe machucou de verdade.

– Mas, doeu!

– Tudo bem, querida! – Loren tirou aquela pilha de vestimentas e a trocou por outra. – Experimente essas.

– Não! Novamente não! – afastou-se inconscientemente dos vestidos.

– São as últimas! – a senhora pegou uma das peças e começou a passa-la por cima da cabeça da garota.

– Ei! Ei! – Lilith se debatia em protesto. – O que você está colocando em mim dessa vez?

– Pare de se mexer tanto, garota! – Loren usou a força remanescente em seus braços para vesti-la. – Pronto! – afastou-se para observá-la melhor.

– Uma borboleta? – questionou após analisar o bordado no vestido verde que a senhora havia colocado nela.

– Uhum… – a vendedora a analisava dos pés a cabeça. – Está sentindo algo, minha querida?

– Não exatamente… – Lilith parou para se auto-analisar. Não estava flutuando e nem era arranhada por garras invisíveis. – Esse vestido é bem confortável.

– Que bom! – Suélen sorriu animada. – Então, quer dizer que estamos chegando lá. – e apressou-se em ajudar a filha a se trocar.

Verde, amarelo, azul e vermelho. Lilith experimentou todas as quatro cores e, para seu alívio, não foi atacada por nenhum tecido revoltado ou jocoso.

– E então? – as duas mulheres perguntaram ansiosas.

– Bom… – retirou o último vestido. – Não me senti desconfortável e o vermelho foi o melhor até agora. Senti-me muito bem dentro dele.

– Mas, não sentiu nada mais do que isso? – Suélen olhava para a filha como se esperasse que algo de extraordinário fosse acontecer.

– Não… – sentia-se confusa. – Por quê? Era para sentir o que?

– Hum… – Loren suspirou. – Pelo visto teremos que retomar as trocas. – virou-se para pegar todos os vestidos que Lilith já havia experimentado.

– Ah não! De jeito nenhum! – enrolou-se na cortina do provador.

– Vamos experimentar essa daqui mais uma vez? – a senhora estendeu uma das roupas.

– Nem pensar! – disse enérgica. – Já cansei de bater a cabeça no teto ou de pular de dor!

– Mas, querida… – sua mãe olhava-a com olhos suplicantes.

– Mas nada! – com essa última reprimenda, as duas mulheres se calaram. Loren chegou a baixar o vestido que segurava, quase o arrastando no chão.

Lilith percebeu que decepcionara sua mãe e a dona da loja, portanto, respirou fundo, tentou se controlar e admitiu a si mesma que deveria estar mais do que louca para concordar com a birutagem das duas.

– Está bem! Vou experimentar. – ergueu as mãos quando as viu se aproximarem com os vestidos. – Mas, vou experimentar apenas mais UMA! E serei eu quem vai escolher, certo? – as duas começaram a abrir as bocas para protestarem. – Ou isso, ou me visto com minhas roupas e desisto de toda essa loucura! – interrompeu-as.

– Se é assim que você quer… – Suélen deu de ombros, assim como a filha normalmente costuma fazer.

– E qual você vai vestir, minha querida? – Loren apontou para os vários vestidos já experimentados e espalhados pelo local.

– Eu quero… – passou os olhos por todo o local e acabou reparando em uma vestimenta de um lindo tom de vermelho, a qual estava guardada dentro de um estreito armarinho, o qual deixava apenas a barra do vestido a mostra. – Aquela roupa ali!

– Qual? – a senhora acompanhou a direção para a qual o dedo indicador de Lilith apontava.

– Aquele vestido vermelho guardado naquele armarinho ali.

– Mas, aquele vestido… – a dona da loja arregalou os olhos depois de perceber qual ela escolhera para experimentar.

– Aquele vestido o que?

– Filha… – Suélen segurou-a pela mão e a levou até o armarinho. – Esse vestido está neste lugar desde quando o seu pai e eu viemos aqui pela primeira vez. – puxou o vestido e o abriu para a filha. – Lilith, ela nunca se “enquadrou” a ninguém. – colocou-o nos braços da garota, para que ela pudesse apreciar os detalhes por si só. – Ele possui o bordado da borboleta na frente e atrás… – virou-o para ela. – Possui uma magnífica renda, desenhando uma fênix nas costas.

Os olhos de Lilith brilhavam radiantes. A renda possui um degrade lindo em tons vermelhos com as cores vinho e laranja mescladas, sendo que era toda contornada com um delicado aplique preto.

– Além dessa, existem apenas mais quatro vestidos com a fênix desenhada nas costas. – Loren pegou a vestimenta com cuidado dos braços de Lilith. – Mas, se não me falha a memória, essa é a única que pertence ao clã da borboleta.

– Falando nisso, por que vocês estavam me dando apenas três tipos de criaturas bordadas para vestir?

– Por que, as mulheres são divididas em três tipos de clãs. As borboletas, as fadas e as aves de rapina. – a senhora passou a mão pelo tecido enquanto explicava. – E você é escolhida a partir da sua personalidade. A partir do momento que se veste, o vestido sentirá se você se enquadra ou não ao perfil do bordado.

– Entendi, por isso a fada e a ave me repeliam daquela forma, não é? – cruzou os braços irritada. – Mas, não existe um clã da fênix? Da borboleta fênix ou algo do gênero? – apontou para o vestido que havia escolhido.

– Não. – Suélen brincava com os cabelos longos da filha. – Não existe, por isso que é uma vestimenta rara essa que você escolheu.

– De qualquer forma… – Loren começou a dobrar a vestimenta. – Esse vestido é único! Até hoje, ninguém se enquadrou ao perfil dele! É preciso satisfazer tanto as características da borboleta quanto da fênix

– E daí? – descruzou os braços e colocou uma das mãos sobre a roupa. – Eu quero experimentá-la.

– E se ela queimá-la? – Suélen preocupou-se.

– Me queimar? Como assim?

– Não sabemos como ela irá reagir. Ninguém nunca ousou experimentá-la antes. – Loren colocou o vestido sobre uma cadeirinha de madeira. – Ou melhor, ninguém nunca realmente se interessou por ela.

– Isso é verdade. – a mulher soltou o cabelo da filha. – Eu me lembro de me sentir encantada pelo vestido, mas o meu interesse se prendeu no meu primeiro vestido do clã da fada. – sorriu saudosa. – Por mais que esse daqui fosse encantador, o meu vestido parecia me chamar. Não havia como superar!

– Pois bem… – voltou a pegar o vestido nos braços. – Essa roupa aqui está me chamando. Posso sentir! – passou o olhar de Suélen para Loren. – E se for ela? E se eu me enquadrar a ela? – disse teimosa. – Nunca saberemos até que eu experimente, não é?

– Está bem… – a senhora balançou as mãos, desistindo da discussão. – Experimente, então!

– É o que vou fazer! – respondeu no mesmo tom.

Passou os braços por dentro do vestido e permitiu que ele deslizasse sem problemas por seu corpo, encaixando-se perfeitamente. Terminou de se arrumar e voltou a encará-las.

– Podem parar de prender a respiração. – brincou. – Eu me vesti, não me queimei e me sinto extremamente bem!

– Não estamos mais prendendo a respiração por causa do suspense. – Loren parecia pasma.

– Como assim?

– Filha, você está literalmente radiante! – Suélen levou uma das mãos a boca.

Lilith girou sobre os calcanhares e foi em busca do seu próprio reflexo. Agitada, empurrou a cortina do provador que usara antes, desobstruindo sua visão.

– Oh, nossa… – murmurou diante da imagem.

A garota estava envolta em um brilho suave, porém marcante. O vestido parecia dançar em seu corpo. Seus cabelos emitiam uma cálida luminosidade rubra e sua pele parecia possuir luz própria.

Aos poucos a imagem radiante começou a se apagar, voltando à cena habitual. Lilith suspirou desgostosa pelo momento durar por tão pouco tempo.

– É…  – virou-se para as duas mulheres. – Parece que acabei escolhendo o vestido certo. – comentou para aqueles rostos sorridentes.

 

 

 



Um tipo de… Começo

 

 

Os Pontlagua sentiam-se, se possível, as pessoas mais felizes no mundo naquela estrelada e iluminada noite, pois, sob a benção do luar, nascera a tão esperada e especial garotinha.

Viera à vida mais uma mulher capaz de fazer a ligação entre dois fantásticos mundos. O mundo humano e o mágico. O nome desta pequenina?

Lilith Pontlagua.

Esta especial criança, com certeza, será a responsável por levar muita alegria e novidade para aquela incomum família e muita aventura e confusão para esta história.

Dia 18 de Novembro de 1988.

 

 

 

 

 

Sempre aos Dezoito Anos…

 

 

 

– A nossa pequena garotinha está fazendo aniversário! Já tem 18 anos! PARABÉNS! – Suélen Pontlagua transmitia um ar de alegria contagiante. – Já é uma adulta… – comentou com nostalgia.

– É… Como o tempo passa rápido! Parece que foi ontem que ela deu seu primeiro suspiro para o mundo! – Selso Pontlagua, ao contrário do ar alegre da esposa, apresentava um de desdém.

No entanto, isso não significava que ele não se sentisse feliz pelo aniversário da filha, ao contrário, ele estava deslumbrado com o evento. O único problema era que Selso parecia estar anestesiado por causa da breve noção que tivera da rápida passagem do tempo.

– Ei, pai! E eu? Quando foi o MEU primeiro suspiro para o mundo? Por que você e a mamãe não falam esse tipo de coisa quando EU faço aniversário? – o pequeno Elyandro Pontlagua, de apenas treze anos, sentia-se enciumado pela irmã. Contudo, ele não sentia ciúmes somente por causa da atenção dos pais, mas por causa de outro motivo também.

E antes que Selso pudesse dizer algo, uma magnífica e elegante águia voou janela á dentro e pousou no ombro de Lilith com toda a graça que este animal é capaz de ter. Ela era o animal de estimação da família. Lilith a havia encontrado quando ainda era um filhote, durante as férias de julho com sua família no Canadá. O ninho do pobre animalzinho havia sido destruído por causa de um terrível vendaval e não havia sinal dos pais do filhote. A garota o adotara e Suélen e Selso a ajudaram a criar. Elyandro a ajudará a brincar e dar um nome ao animal: Luka.

_ Veja, papai! A Luka voltou! – o pássaro estava sumido há uma semana e reencontrá-lo no dia de seu aniversário, deixou Lilith extasiada. – Ué… Mas… – puxou uma pequena fita do pé do animal. – O que é isso aqui? – havia algo escrito na tira de pano roxa. – Aqui ta dizendo que eu fui aprovada em Fantasy… – olhou com curiosidade para os pais. – Que lugar é esse?

Selso e Suélen se entreolharam cúmplices e sorriram maravilhados para a filha.

– Querida… Você sabe o que uma wiccaniana? – Suélen passou o braço pelos ombros da filha e os apertou, tomando cuidado para não assustar Luka.

– Wiccaniana? Não… Eu sei o que é uma Wicca… – estava confusa. – Por acaso você não quis dizer Wicca ao invés de Wiccaniana, mãe?

– Não filha… Sua mãe disse certo… – Selso sentou-se no sofá e sorriu para a garota. – Você sabe que desde pequena é diferente das demais crianças, não é uma garota qualquer… – continuou a sorrir. – Você sabe que a nossa família tem um dom especial… É mágica!

– Ok… Certo… Vocês piraram? – Lilith sorriu em deboche.

– Se estamos loucos? Quem é que acabou de receber uma carta, vinda de uma águia, que tem como remetente uma universidade chamada Fantasy? – Selso retribuiu o sorriso da filha. – Quem está pirando mais? Eu e sua mãe quem apenas mencionamos a palavra mágica, ou você que anda recebendo coisas bizarras?

– Isso tá parecendo coisa de Harry Potter. Tem certeza que vocês não andaram assistindo muito aos filmes não?

Suélen e Selso lançaram-lhe um olhar mais sério e Lilith ficou quieta. Qualquer que fosse o rumo daquela história, pelo visto, não iria terminar em uma brincadeira.

– Tá… Então continuem a explicação. – sentou-se ao lado do pai.

– Como eu e sua mãe dizíamos… – acomodou-se no sofá. – Somos uma família especial, diferente das demais que possuem apenas o mínimo de mágica.

– E o que seria esse mínimo de mágica?

– Ah… Seriam aquelas coisas de paranormais, sexto sentido, espiritismo, e afins… – Suélen passava os delicados dedos sobre os cabelos bagunçados do filho. – Coisas que hoje em dia, até que são consideradas normais, aceitáveis pela maioria…

– Então, de um certo modo, nós não somos normais e nem aceitáveis pelo visto… – Lilith acariciava Luka, que parecia começar a ficar impaciente em seu ombro.

– Eu disse que somos especiais e não anormais! – Selso sorriu divertido com a análise. – Pois, então… Pessoas que possuem mais mágica do que a maioria são chamados de wiccanianos.

-Em Harry Pottereles são chamados de bruxos mesmo…

– Quer parar de falar de filmes, por favor? – Suélen encarou a filha da maneira autoritária que somente as mães conseguem fazer.

– E se eu estiver falando dos livros? – provocou. Mas, assim que viu a mãe começar a abrir a boca para lhe dar uma bronca, a garota ergueu as mãos em sinal de trégua e voltou a olhar para o pai. – Mas, to errada em comparar a nossa vida com a dos livros de J.K.Rolling?

– Até que não… – cedeu pensativo. – A escritora conseguiu, de alguma maneira, incorporar nas obras dela parte do nosso estilo de vida… – Selso relaxou o corpo e passou a mão sob o queixo. – Me pergunto se ela pode ter ligação com o mundo wiccaniano… – sussurrou ainda absorto.

– Selso, acho que isso não vem ao caso agora… Essa explicação esta demorando muito, não esta? – comentou, tentando apressá-lo e tirá-lo de seus devaneios.

– Ok… Certo… – concordou, balanço a cabeça para tentar afastar os demais pensamentos. – Voltando ao raciocínio… Como você disse, filha, Harry Potter tem muita coisa a ver com o nosso mundo. E Fantasy seria como aquela escola que eles vão no filme…

– Hogwarts?

– É… Isso… – não sabia se esse era mesmo o nome certo, pois não era muito fã de literatura, mas, ele sabia que a filha o era e por isso, tudo o que ela dissesse referente à livros e palavras, provavelmente estaria certo. – Só que Fantasy é mais como uma universidade ao invés de escola, sabe? Lá, você vai aprender o básico no primeiro ano e depois, as coisas começam a se complicar…

– Vou ter que entregar algum TCC no final do curso? – Lilith perguntou pesarosa.

Pelo o que ela sempre ouviu falar, os TCC’s eram os responsáveis pelos piores pesadelos de jovens universitários. E se eles já eram ruins em cursos “normais”, não queria nem imaginar como eles seriam em cursos que envolvessem magias.

– TC… O quê?

– TCC, pai. – revirou os olhos, impaciente. – Você sabe… Trabalho de Conclusão de Curso. Aqueles trabalhos monstruosos e complicados que universitários são obrigados a entregar no final do curso, para conseguir se graduar.

– Ah sei… – mordeu o lábio.

Selso não gostava de abreviações. Sempre se atrapalhava com elas, a menos que fossem termos voltados para política. Ele gostava de política e por isso, considerava fácil guardar as siglas.

– Bom… Você será avaliada na prática.

– Na prática? – arregalou os olhos assustada e confusa com a resposta do pai. – E o que seria essa “na prática”?

– Conjurar feitiços, preparar poções, quebrar maldições, defender-se de ataques mágicos. Essas coisas… – respondeu como se tudo aquilo fossem coisas naturais de se fazer.

– Hum… – agora Lilith considerava os TCC’s as coisas mais fáceis do mundo de se lidar.

– Mãe, pai… Por que vocês nunca falaram nada disso antes, nem para mim e nem para a Li? – manifestou-se Elyandro, que até então, vinha prestando atenção à conversa.

– Aaah, filhinho… É porque nós havíamos optado por educá-los no mundo humano e não queríamos que vocês criassem complexos por serem de um mundo diferente dos seus amigos… – Suélen abraçou o caçula da família. – Então, esperamos até o momento em que um de vocês dois tivesse um contato mais marcante e irreversível com o nosso mundo… O que foi o caso da Lilith. – olhou para a filha com um sorriso divertido no rosto. – Não tem como ignorar e dispensar uma carta vinda de Fantasy!

– Pois é… – concordou a garota, ainda tentando digerir toda a informação que seus pais havia lhe dado sobre a sua verdade identidade.

– E por que vocês decidiram nos criar assim? – o caçula continuava intrigado.

– Bom… Digamos que o que aconteceu com o primo de vocês, já havia acontecido antes com um primo meu. Foi muito traumatizante para todos nós e… Eu e o seu pai decidimos nos afastar um pouco de nosso mundo por causa disso. – sua voz estava baixa e pesarosa.

Lilith sentiu a amargura da mãe e se juntou ao clima tenso que havia impregnado a sala. Ela amava seu primo. Os dois, praticamente, eram unha e carne. O assassinato misterioso de Bruno a havia derrubado em um abismo sem fim. A wiccaniana ficara presa por anos em terapias para tentar se conformar e controlar a dor que sentia. E, mesmo depois de tanto tempo e de tanto tratamento, Lilith ainda sentia uma agonia aguda no peito, sempre que mencionavam seu falecido primo.

– Chega de tristeza. O que passou, passou… – Selso levantou abruptamente do sofá, assustando Luka e fazendo com que ela saísse voando pela janela da sala. – Opa… Desculpa filha. – olhou para a janela. – Espero que ela volte… – Lilith, simplesmente, lhe lançou um olhar enviesado como resposta.

– Seu pai tem razão! Chega de choro! – soltou o filho e começou a andar pela sala, indo para seu quarto pegar a bolsa. – Vamos já ao Vila Dragon comprar o seu material!

– Vila Dragon? – Elyandro havia se interessado pelo nome, assim como Lilith.

– Deve ser algo parecido com o Beco Diagonal de Harry Potter. – respondeu Lilith, dando um palpite.

– É… Deve ser… – concordou o irmão. Nem Selso e nem Suélen haviam prestado atenção à duvida do filho.

– Ham… Querido será que você poderia liberar um dinheirinho? É que estou dura! – pediu enquanto voltava do quarto, já com a bolsa à tira-colo e analisando a carteira em suas mãos.

– Está bem… – cedeu o senhor Pontlagua melancoso. Ainda não lhe agradava a idéia de gastar o próprio dinheiro em coisas que ele sabia que iriam sair caras.  – De quanto vocês vão precisar? Afinal está indo comprar no local mais caro da região, não é?

– Acho que uns… Mil está bom! – disse dando uma lida na lista em forma de carta que tirava de dentro da bolsa. Suélen se preparara para aquele momento há alguns anos. Aquilo estava sendo empolgante demais para ela. – E não me culpe, pois apesar de lá ser caro é o lugar com produtos da mais alta qualidade. – defendeu-se enquanto estendia a mão para pegar algumas notas e um pequeno cheque em branco assinado, que o seu marido lhe oferecia.

– Mãe, deixa eu ver isto dai? – perguntou Elyandro tentando arrancar a lista da mão da mãe – Eu vou com você e a Li para este tal de Vila Dragon. – anunciou após ler o papel e sair da sala para pegar a própria carteira.

Lilith simplesmente suspirou e foi para o próprio quarto pegar a bolsa. Se iria mesmo estudar em um mundo tão fantástico assim, então, ela iria começar a aproveitá-lo desde o começo. Compraria tudo o que fosse preciso e um pouco mais. Exploraria tudo que seus olhos vissem e que seu corpo tocasse e sentisse.

 

 



{março 30, 2012}   Resultado da Enquete dos livros!

Bom…

Desculpem-me a demora em passar o resultado. É que quatro livros empataram em primeiro lugar e eu fiquei cogitando – entre um tempo livre e outro – o que fazer.

Resolvi que não abrirei outra enquete!

São fáceis de se fazer, porém chatas…

Portanto, irei postar trechos semanais de cada um dos livros empatados!

Assim sendo, espero poder analisar, através do número de visualizações, qual está conquistando mais o público!

Vejam aqui a ordem e o dia em que serão postadas as partes de cada uma das obras.

 

 

As Guardiãs da Fênix – O Começo  >> Postagem toda segunda-feira >> A partir do dia 02/04/2012
Conto de Dragões >> Postagem toda terça-feira >> A partir do dia 03/04/2012
O Destino da Escolha >> Postagem toda quarta-feira >> A partir do dia 04/04/2012
Uma Vida de Herói >> Postagem toda quinta-feira >> A partir do dia 05/04/2012

 

 

Lembrando que podem surgir imprevistos no meio do caminho e as publicações atrasarem um pouco. Mas, quando isso ocorrer, prometo avisar!

Além disso, caso um de meus livros vá ser publicado, eu os informarei, para que saibam que as postagens do mesmo estarão fadadas a terminar…

Acho que é isso!

 

 

 

 

 

 



{fevereiro 21, 2012}   Votação do livro! – Enquete

Eis uma enquetezinha para facilitar!

 

Beijos



{fevereiro 14, 2012}   Votação de livro!

Olá, leitores queridos que eu adoro!!

Como prometido, voltei para postar aqui um trechinho de cada uma das minhas obras, para que vocês possam votar na que mais lhes agradam.

A mais votada terá um pedaço postado a cada semana aqui no blog! (postarei toda quinta ou sexta-feira).

Então…

Vamos à votação?

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CONTO DE DRAGÕES

– O que está acontecendo? – Mariane, uma garota no auge de seus 20 anos olhava ao redor sem entender nada.

Não sabia como havia parado na cozinha, tentava vasculhar na memória o porquê de estar parada de pé, mas não adiantava. Sem lembrar como ou o motivo, estava ali, usando as roupas que mais gostava – um shorts e uma camiseta larga – mas nem mesmo quando havia se trocado conseguia se lembrar.

Começou a andar pela casa. Quem sabe sua mãe ou alguém fizesse idéia do que ela pretendia fazer? Quem sabe tinha ido comer ou beber algo? Não… Ela não sentia fome ou sede. Talvez tivesse ido atender ao pedido de alguém? Provavelmente.

Foi até a sala, ninguém.

Dirigiu-se até o escritório, ninguém.

Subiu para os quartos, todos vazios.

Resolveu dar uma espiada nos banheiros. Era difícil que todos da família estivessem usando o banheiro, mas não impossível. Mais uma vez, nem vestígio de sua família.

Parou para prestar atenção aos sons da casa. Se conseguisse ouvir as vozes de sua mãe, de seu pai ou de seu irmão, saberia onde estariam. Mas estava tudo, irritantemente, quieto. Nem o som de suas mascotes ela conseguia ouvir.

Será que aquela casa era mesmo a sua?

Será que simplesmente não havia entrado na casa errada e ainda não tinha percebido?

Olhou ao redor e tudo indicava que ali era o seu lar, mas queria ter certeza absoluta. Era impossível não haver ninguém ali daquele jeito! Entrou no quarto que supostamente seria o seu. E sim. A casa era sua. Aquele, definitivamente era o seu quarto cheio de bibelôs, livros e roupas espalhadas por todo lado.

– Estou em casa mesmo. Mas cadê todo mundo? – a casa estava completamente vazia e silenciosa. Ninguém, nem suas cadelinhas, estavam ali dentro, em nenhum cômodo, tudo vazio.

– Será que saíram? Me largaram sozinha aqui? – falar consigo mesma parecia idiotice, porém a tranqüilizava. Foi até a garagem, os carros ainda estavam ali.

Abriu o portão e foi até a rua. Não havia ninguém por perto. Não havia nem sequer o som de carros ou de pessoas andando pela cidade. Nem ao menos algum cachorro passando pela rua ou algum passarinho cantando. Estava tudo deserto e silencioso.

– O que está acontecendo? Cadê todo mundo? – começou a correr pela rua, sem se preocupar em fechar o portão. – MÃEEEE! PAAAII! WIIILL! CADÊ VOCÊS? – enquanto corria, ouviu um som estranho, parecia-se com um rugido ao longe.

Parou de correr, olhou ao redor e não viu nada. Provavelmente o pânico de estar sozinha a estivesse levando a ouvir coisas.

– EEEEIII!! ALGUÉM ME ESTÁ OUV… – antes que terminasse a frase, ouviu outro rugido e dessa vez mais forte, como se estivesse se aproximando. O som vinha de cima e com certeza não era a sua imaginação! Não estava apenas ouvindo coisas. Algo vinha pelo céu.

– Mas o que diabos é isso? – olhou para cima procurando por algo. O som se repetiu ainda mais forte, mais próximo. E dessa vez ela pôde ouvir outros rugidos. O que quer que fosse, não estava sozinho.

Começou a ventar e o som estava ficando cada vez mais alto. Sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Mariane não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha e algo estranho se aproximava.

Obrigou suas pernas a correrem de volta para casa, mas na metade do caminho ouviu o rugido novamente. Estava bem acima de sua cabeça! Ela congelou no lugar, não conseguia mais se mover. Com muito custo olhou para o céu e, naquele momento, viu a imagem mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora e bizarra que já havia visto em sua vida.

Sobre sua cabeça um grupo enorme de dragões, das mais diversas cores, formatos e tamanhos, voava pelo céu.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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A DEUSA DAS BATALHAS

Nããããoooo!! – berrou Rinka enquanto sentia se levantar bruscamente. Ela estava de pé há poucos instantes, como é que agora estava se levantando? Olhou ao redor e percebeu que estava em sua cama. – Foi… Foi apenas um sonho! – ela enxugou o suor de sua testa e soltou um suspiro aliviado. Aquele sonho, por mais simples que tivesse sido, havia mexido muito com ela. Era como se ela estivesse perdendo algo de real importância, mas não conseguia descobrir o que.

Após ter acordado por causa do sonho, Rinka não conseguiu dormir facilmente. Ela ainda se sentia dentro dele. Como se ainda não houvesse acabado, como se ainda estivesse sonhando. Agarrou o travesseiro, tentando se obrigar a dormir, enquanto uma pergunta ainda a atormentava… Aquele sonho fora verdadeiramente real ou apenas mais um fruto de sua imaginação?

 

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– HAAAAAAAA! TÔ ATRASADA!! – gritou enquanto se levantava da cama rapidamente e saiu correndo do quarto.

– Oi, maninha!! – Miriam alegrou-se ao esbarrar com sua irmã mais velha no corredor. Ela amava Rinka. Era como uma segunda mãe para ela. Miriam sabia que sua idolatria por Rinka as vezes chegava a ser ridícula, mas não conseguia evitar de se sentir assim perto dela, por mais que tentasse disfarçar quando estavam fora de casa.

– Bom dia, Mi! – respondeu com um sorriso, passando pela irmãzinha e entrando na cozinha. – Bom dia mãe, bom dia pai! – cumprimentou enquanto pegava apenas um bolinho de cima da mesa e saía pela porta dos fundos.

– Não vai tomar o café, filha? – Nadia se preocupava com a saúde da filha. Ela tinha acabado de se recuperar de um resfriado e quase todas as manhãs eram daquele jeito. Nadia queria que a filha se alimentasse direito para não ter uma recaída e ficar gripada novamente.

– Não! Eu tô atrasada!! – gritou em resposta, já abrindo o portão de casa e saindo para a rua.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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A PROTEGIDA E O PRÍNCIPE

– Katherine, se comporte! – irmã Madalena puxava a garota pela mão, impedindo que ela se distanciasse muito do grupo. – Pare de tentar correr para todo lugar garota! Mais parece uma criança desobediente do que uma mulher madura!

– Desculpe, irmã! Mas é que tudo parece tão novo para mim… Há anos não saio do convento. Havia me esquecido de como é o mundo aqui fora! – Katherine olhava extasiada para as barracas de feira ao seu redor. Tudo parecia tão simples e ao mesmo tempo tão cheio de detalhes que ela se sentia impelida a absorver o máximo daquela experiência.

– Este é o mesmo mundo que te maltratou, Katherine… – Madalena a deixara mais próxima de si. – Esse mundo pode ser cruel minha jovem. – apontou para os becos escuros, onde grupos de pessoas se reuniam para apostar dinheiro, contrabando e jovens garotas da vida. – Vê? Há luxúria, violência, ganância, vaidade, abuso, corrupção… Não posso deixá-la se aproximar disso! – apertou a mão da garota com força. – Frei Heitor me deixou como sua responsável! Não permitirei que caia em tentação e que se perca pelo seu caminho.

– Meu caminho… – murmurou a jovem, tomando cuidado para que a freira não ouvisse o pouco caso em sua voz.

Até onde Katherine sabia, ela era dona de sua própria vida e por isso, trilharia o seu próprio caminho. No entanto, todos naquele convento pareciam querer acertar o rumo dela, conduzindo-a por uma estrada por onde não queria caminhar. Ela acreditava em destino, porém, ela não conseguia crer que viver daquela forma era mesmo uma obra do divino acaso. Suspirou e seguiu andando ao lado da irmã, sem mais se aventurar a se afastar dela. A mão já estava vermelha com o aperto forte de Madalena e, aparentemente, mesmo que conseguisse se livrar dela, as demais irmãs que as acompanhavam não permitiriam que ela fosse muito longe. Mesmo um tanto afastadas dela, todas à observavam e tomavam o cuidado de não deixar nada e nem ninguém se aproximar demais. Katherine se sentia como um animal emboscado, sem um lugar por onde fugir.

– Irmã Madalena! – uma jovem freira, de aparentemente 25 anos, aproximou-se da freira mais velha e segurou-lhe os ombros com força. – Há um tumulto logo adiante! Eu vi pessoas voltarem correndo e ouvi algumas comentando de uma briga feroz entre dois cavalheiros. O que devemos fazer, irmã? – soltou os ombros de Madalena e apertou as próprias mãos com o nervosismo. – Eu sei que é o nosso dever ajudá-los, mas estamos com Katherine aqui! – passou os olhos pela garota parada ao lado da freira.

– Eu sei. – olhou para Katherine e depois voltou a encarar com determinação a jovem freira. – Irmã Kátia, vamos impedir que aqueles pobres coitados se matem! Ajude-me a chamar as outras irmãs!

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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AS ESCOLHIDAS

– Poderia saber o que as donzelas tanto têm para conversar? – perguntou o professor parado logo atrás delas com uma feição séria e, ao mesmo tempo, desafiadora.

– Desculpa! – com o susto, as três se desculparam em uníssono.

– Tudo bem! – começou a caminhar de volta para a frente da sala e parou, olhando-as com um sorriso pequeno nos lábios. – Mas se eu as pegar conversando novamente, terei que comunicar essa falta de atenção à coordenação! – se voltou para a lousa, fazendo com que as três amigas respirassem fundo de alívio.

Durante a aula, Trinix ficou olhando pela janela, entediada com a aula de física. Ela estava procurando algo que a distraísse, quando viu a imagem de um garoto lindo, aparentemente de sua idade. Ele tinha cabelos curtos e escuros e seus olhos eram de um azul magnífico e extremamente escuro. Estava vestido com roupas estranhas, pareciam roupas medievais de algum arqueiro ou caçador, cheia de panos e detalhes. Se tivessem algum bordado brilhante, dourado ou prateado, ele seria facilmente atribuído à imagem de um príncipe.

Ele a estava encarando fixamente, como se ela fosse a estranha ali, como se fosse algo novo e ao mesmo tempo ameaçador. Apesar da aparência linda dele, aquele olhar firme e intimidante a estava aborrecendo. No momento em que o viu, ela se espantou, depois, ficou aborrecida com o afronto do garoto, mas, no final, acabou ficando intrigada em saber quem era.

Trinix pensou em mostrá-lo a suas amigas e olhou para o lado para tentar chamá-las, contudo, ela se lembrou da advertência que o professor dera e desistiu. Quando olhou pela janela novamente o estranho havia desaparecido. Ela tentou procurá-lo com o olhar, porém, foi inútil. Ele havia realmente desaparecido!

– Que estranho… Para onde será que ele foi? – comentou em sussurros para si mesma, como se, ao fazer isso, ela pudesse encontrar a resposta dentro da própria mente.

Assim que o sinal bateu, Trinix correu para a janela, à procura do seu estranho garoto de olhos azuis-escuros, mas não obteve sucesso. Quem, afinal, era ele?

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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AS GUARDIÃS DA FÊNIX

O COMEÇO

– Ok… Certo… – concordou, balanço a cabeça para tentar afastar os demais pensamentos. – Voltando ao raciocínio… Como você disse, filha, Harry Potter tem muita coisa a ver com o nosso mundo. E Fantasy seria como aquela escola que eles vão no filme…

– Hogwarts?

– É… Isso… – não sabia se esse era mesmo o nome certo, pois não era muito fã de literatura, mas, ele sabia que a filha o era e por isso, tudo o que ela dissesse referente à livros e palavras, provavelmente estaria certo. – Só que Fantasy é mais como uma universidade ao invés de escola, sabe? Lá, você vai aprender o básico no primeiro ano e depois, as coisas começam a se complicar…

– Vou ter que entregar algum TCC no final do curso? – Lilith perguntou pesarosa.

Pelo o que ela sempre ouviu falar, os TCC’s eram os responsáveis pelos piores pesadelos de jovens universitários. E se eles já eram ruins em cursos “normais”, não queria nem imaginar como eles seriam em cursos que envolvessem magias.

– TC… O quê?

– TCC, pai. – revirou os olhos, impaciente. – Você sabe… Trabalho de Conclusão de Curso. Aqueles trabalhos monstruosos e complicados que universitários são obrigados a entregar no final do curso, para conseguir se graduar.

– Ah sei… – mordeu o lábio.

Selso não gostava de abreviações. Sempre se atrapalhava com elas, a menos que fossem termos voltados para política. Ele gostava de política e por isso, considerava fácil guardar as siglas.

– Bom… Você será avaliada na prática.

– Na prática? – arregalou os olhos assustada e confusa com a resposta do pai. – E o que seria essa “na prática”?

– Conjurar feitiços, preparar poções, quebrar maldições, defender-se de ataques mágicos. Essas coisas… – respondeu como se tudo aquilo fossem coisas naturais de se fazer.

– Hum… – agora Lilith considerava os TCC’s as coisas mais fáceis do mundo de se lidar.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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ERA DE LODOSS

Samantha abriu os olhos, esforçou-se para levantar o corpo, sentou em sua cama, colocou uma das mãos sobre o rosto e com a outra puxou o relógio para ver as horas. Assim que a latência do sono diminuiu um pouco e os números ficaram mais legíveis, a garota decidiu se levantar.

– Que sonho mais estranho… – devagar e ainda sentindo-se sonolenta, ela colocou o uniforme e caminhou até a cozinha. – Bom dia mamãe… Bom dia papai… – pegou o lanche que sua mãe havia deixado em cima da mesa e o colocou na mochila com delicadeza, para não amassar e nem derramar nada.

– Não vai tomar café, filha? – a Silvia, mãe de Samantha, serviu-se de uma xícara de café enquanto observava a filha guardar o lanche que havia preparado.

– Estou sem fome, mãe! – abriu a porta e ajeitou o uniforme.

– É hoje a sua apresentação de teatro? – Luis, pai da garota, virava as páginas do jornal matinal da cidade, atrás de alguma matéria que o interessasse.

– Sim! – olhou para os pais e os viu começarem a fazer aquela fisionomia com a qual estava tão familiarizada. Era a fisionomia que faziam sempre que iriam lhe dar uma desculpa. – Mas… Vocês não precisam ir se não quiserem, ninguém é obrigado a comparecer! – ensaiou um sorriso no rosto para tentar tranqüilizá-los e colocou a mochila nas costas.

– Sinto muito, filhinha, mas… Hoje eu vou ter que ficar até mais tarde na loja…  – Silvia terminou de beber o café e encheu a xícara com o chá que estava no bule a sua frente.

– E eu vou ter uma sessão hoje no escritório… – Luis colocou o jornal de lado e ofereceu um sorriso singelo para a filha.

Esta cena já havia se tornado algo comum dentro da família. Não significava que os pais de Samantha não a amassem, ao contrário, eles a amavam demais, mas precisavam seguir a rotina de seus empregos para conseguir continuar levando o dinheiro que pagaria as despesas necessárias para o futuro da querida filha. Eles julgavam ser necessário fazer alguns sacrifícios em troca de um bem maior, o amanhã de Samantha.

– Tudo bem… – retribuiu o sorriso do pai e atravessou a porta. – Tchau! – fechou-a, tentando não pensar na falta que seus pais fariam em sua apresentação e saiu correndo para não chegar atrasada ao colégio.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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KANITE WORLD

Há muitos séculos, em uma Era diferente de todas as que já vimos em livros de história ou que já tenham sido presenciadas por qualquer ser vivo…

Muitas criaturas, que seriam fictícias para nós, pertenceram àquele tempo, ou melhor, nasceram e morreram naquela Era, muitos, perdendo a oportunidade de prosseguir com a espécie.

Youkais (demônios animais), vampiros, druidas, feiticeiros, fadas, dragões, duendes, anjos, mutantes, demônios, sereias, elfos, deuses,… Ou seja, humanos, criaturas e animais com poderes ou com qualquer outra característica que não possa ser explicada pela ciência dos simples mortais, conseguiram mudar a história, com uma simples frase, a qual era proferida como um mantra durante a tal Era: “Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!”

(“Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!”).

Ela era uma Era Mágica, mas não só por causa de seus seres, mas por causa de sua essência! Esta a qual lhes falo é a Era de Kanite! (Kanite !)

Kanite nasceu da união entre quatro grandes Deuses. Estes representavam os quatro elementos que sustentavam a vida e grande parte do universo: água, fogo, terra e ar.

Os deuses da água e do ar eram conhecidos como os Deuses Celestes, e os da terra e do fogo, como os Deuses Terrestres. Os seres de Kanite acreditavam, de forma correta, que o ar e a água podem alcançar os céus, enquanto que a terra e o fogo não conseguem tal feito, apesar de serem imensamente poderosos em terra firme.

Com o passar dos tempos, alguns desses deuses entregaram seus corações, assim, os Deuses Celestes, Elgards e Medina casaram-se. E, logo após, os Deuses Terrestres, Golbery e Liandra também se uniram em matrimonio. E destes casamentos originaram-se seus filhos: os seres que habitavam Kanite World.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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O DESTINO DA ESCOLHA

– Com licença, senhor! – Jorge, que estava fazendo uma ronda na praça, encontrou o homem no banco, sem reação alguma. – Com licença, senhor, desculpe, mas… Não pode ficar dormindo aqui! É… – parou rapidamente de falar quando tocou a pele daquele senhor e a sentiu totalmente fria. – O senhor está bem? – Jorge o sacudiu levemente com uma das mãos. Enquanto o chacoalhava, percebeu um ligeiro filete de sangue escapando da boca e do pescoço. – Senhor? – resolveu pegar seu pulso, mas isso já era desnecessário. O homem estava morto! – Droga! Tinha que ser justo no meu turno? – pegou o rádio e pediu que enviassem uma ambulância até a Praça das Águas. Olhou, novamente, para o homem e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, benzeu-se. O que poderia ter matado aquele homem?

Alguns minutos após o chamado, a ambulância chegou ao local e recolheu o corpo. Apesar de seu trabalho ser recolher pessoas quase mortas e não mortos, não podiam largar o corpo daquele pobre senhor lá na praça até que o furgão do IML chegasse. Somente hoje, dariam uma ajudinha aos amigos e levariam o corpo ao necrotério.

Mayara acordou após o meio dia, estava de férias no serviço, não precisava acordar cedo por enquanto. Poderia dormir e acordar quando quisesse. Teria algum tempo para poder esperar por seu tão misterioso “amigo”. Onde será que ele estaria?

Foi até a cozinha, pegou um suco de laranja na geladeira, serviu-se de um farto copo da bebida e foi novamente até a sacada. A porta permanecia aberta, mas nenhum vestígio de que tivessem passado por ela.

Que desapontamento!

Será que nutria um desejo impossível de se realizar?

– É… Você não apareceu… Mais uma vez… Você não pareceu… – voltou ao quarto, abriu a janela e ficou a admirar as lindas árvores que a Praça das Águas tinha.

Reparou em uma ambulância saindo de lá. O que havia acontecido? Algum acidente envolvendo assaltantes? Ou a pessoa foi apenas mais uma vitima do acaso? Não tinha tempo para tentar descobrir o que era, tinha que ir buscar sua linda sobrinha na escola, havia prometido à irmã que pegaria Laura na escola de inglês, já que Beatriz não podia mais sair de carro ou andar longas distâncias por causa do oitavo mês de gravidez.

Olhou para o relógio. Á que horas a sobrinha saia da aula, mesmo? Apoiou-se na parede enquanto pensava. Sentiu como se algo passasse como um fleche por sua memória e se lembrou. Ela sairia à uma da tarde! Olhou para o relógio mais uma vez… Estava atrasada!

Trocou-se rapidamente, saiu do apartamento sem se importar muito em fechar a janela e a porta da sacada. Tinha que correr. Não queria deixar a querida sobrinha esperando.

Foi até a garagem e pegou a sua moto. Uma Honda preta, linda, sempre brilhante por causa dos muitos cuidados que Mayara dedicava a ela. Aquela moto era como se fosse de estimação.

Saiu apressada. Provavelmente Laura já estivesse saindo da aula. Passou correndo pela praça, sem se importar muito em tentar descobrir o porquê de a ambulância ter parado por ali. Afinal… Estava com pressa, não podia mais perder tempo!

Após alguns minutos de exasperação e muita corrida, passando por sinais já amarelos e cruzando os espaços vazios entre os carros para evitar congestionamentos, Mayara conseguiu chegar até a escola de inglês.

Mas, apesar de toda a correria, não conseguiu chegar antes que a aula acabasse e Laura já a esperava no portão.

– Desculpe o atraso Lá! Perdi a hora! – desculpou-se enquanto retirava o capacete e estendia outro para a sobrinha.

– Tudo bem tia May… Eu saí faz pouco tempo! – Laura, colocou o capacete e subiu na moto, deixando o material entre ela e a tia, para que não caísse.

Mayara esperou a sobrinha terminar de se ajeitar e saiu com a moto. Agora não estava mais com tanta pressa, não precisava correr ou fazer todas aquelas loucuras que havia feito para tentar chegar a tempo. Precisava dar um bom exemplo e zelar pela segurança da sobrinha que agora a acompanhava.

– Lá… O que você acha de pararmos em uma sorveteria, pegar um sorvetinho e dar uma volta por aí? – perguntou enquanto esperava o sinal abrir.

– Acho legal! – pegou o celular e o colocou com uma das mãos por baixo do capacete. – Só me deixa avisar a minha mãe que vou sair com você… – enquanto ligava para a mãe, com a mão que estava livre do celular, ela segurava a cintura da tia, para que não caísse quando Mayara desse a partida na moto.

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– Como será que esse homem morreu? – Tomé olhava de tempos em tempos pela janelinha que ficava dentro da ambulância. Queria vigiar o corpo, estava apreensivo.

– Deve ter sido assaltado, tentou revidar e os canalhas deram cabo da vida do infeliz… – respondeu Leandro, batucando as mãos no volante enquanto esperava o sinal abrir.

– Tem certeza? – fechou a janelinha. – Você viu as marcas no pescoço do cara? Até parece coisa de… Vampiro… – Tomé benzeu-se.

– Ha, ha, ha, ha… Vampiro? Tá doido Tomé? Desde quando este tipo de coisa existe? – Leandro ria enquanto dava partida no carro. – Andou assistindo muitos filmes de terror, ein!

– Não tô de brincadeira, não! – abriu novamente a janelinha e ficou a observar o defunto, como se esperasse que ele levantasse a qualquer momento. – Você não viu as marcas no pescoço? São dois buraquinhos, que nem aqueles que dizem que os vampiros fazem no pescoço da gente quando mordem… O maldito deve ter-lhe sugado a vida!

– Ora Tomé… Deixa de paranóia… – Leandro deu uma breve olhada na direção do amigo. – E vê se deixa o cidadão em paz! Ninguém gosta de ser observado. Respeite a morte do infeliz! Dá-lhe o descanso merecido, homem! – com uma das mãos fechou a janelinha. – Você vai ver… Quando fizerem a autópsia, vão dizer que o pobre coitado morreu devido a um golpe certeiro na nuca, ou por overdose de alguma droga injetada diretamente na artéria dele. Não vai haver nada sobre ter sido sugado até a morte…

– Sei não Andro… Tomara… – se acomodou no banco, ligou o rádio e fechou os olhos. Queria tentar dar razão ao amigo e esquecer aquele defunto.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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OS ANJOS DA GUERRA

Em um lugar onde anjos descansam e meros humanos não entram…

Um Anjo chamado Yuri estava em frente a um lindo quadro, o qual retratava, com delicadas cores e sutis pinceladas, a paz que havia entre mortais e celestes.

– Lindo, não? – um anjo com magníficas asas, havia se aproximado delicadamente de Yuri.

– É o meu preferido, Kaory… – respondeu Yuri sem se virar para encará-la. Ela estava parada ao seu lado, mas ele referia continuar a admirar a bela pintura a sua frente.

Kaory era magnífica! Suas asas eram formidáveis, de um tom gelo com sutis mesclas arroxeadas. Alguns anjos, assim que são convocados a participar do paraíso celeste, preferem abdicar de suas antigas formas e adotar o aspecto andrógeno, comum entre eles. Mas Kaory ainda mantinha a aparência de quando era humana, mesmo que isso diminuísse seus poderes angelicais, ela preferia assim. Já era considera suficientemente forte e não via necessidade de abdicar de seu corpo torneado e sua impressionante cabeleira ruiva. Não o fazia por vaidade e sim por apego por uma vida que sentia saudade.

– Ele me faz lembrar o motivo de nossa missão… – ela colocou a mão sobre ombro do formoso anjo.

– Restabelecer o elo entre humanos e anjos! – lembrou-se o anjo.

Assim como Kaory, Yuri também mantinha sua antiga aparência. Ele era tão forte quanto a companheira e sentia tanta falta quanto ela de sua vida passada. Suas asas eram maiores do que as de Kaory e possuíam um leve tom prateado sobre o branco brilhante. Seu corpo era resistente, com salientes músculos. Seus cabelos eram curtos e ruivos como os de Kaory.

– Esse motivo, nós nunca esqueceremos, não é irmão… – Kaory encarou os olhos azuis e cintilantes que haviam acabado de se voltar para ela.

– Naomi e Toya! – Yuri sua voz havia saído pesada. Seu amargurado olhar estava preso aos olhos azuis esverdeados, cheios de brilho de sua irmã.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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OS CAÇADORES

– Posto seis, pronto!

– Posto quatro e três, preparadas!

– Posto cinco, tudo certo!

– No posto dois tá tudo preparado também! – apenas baixa estática se ouvia pelo fone do walk tok. – E no posto um? – silêncio novamente. – Lariane! – chamou em um tom imponente.

– Estou prontinha, meu amor! – ouviram-se risadas abafadas depois da resposta inesperada. – Quando você mandar! – avisou quando percebeu que o som de risos diminuía.

– Então, no três começamos! – um suspiro se fez ouvir através da ceve interferência da estática. – E vê se não me assusta garota…

– Eu sei me cuidar, querido… – sorriu, deliciando-se com a preocupação dele. – Câmbio e desligo! – ela não desligara o walk tok, mas simplesmente avisara que a conversa deveria acabar por ali. Todos fizeram o mesmo, mantiveram seus aparelhos ligados e, mais uma vez, o silêncio permanecia quase absoluto.

Além da falta de vozes, também havia a ausência de sons pela mata. Parecia como se toda criatura viva que estivesse por ali soubesse o que eles estavam prestes a fazer. Até o vento havia se aquietado e para Lariane isso era uma vantagem na operação, desta forma, o cheiro deles não seria espalhado e os flagraria.

– Um… – ouviu-se a mesma voz de antes. – Dois… – a expectativa crescia. – Três!

Uma explosão, ensurdecedora para os mais sensíveis, atingiu a calmaria tensa do lugar. E mais outra se seguiu depois desta, cada vez mais perto de um buraco grande, cavado no solo.

Em resposta à explosões cada vez mais próximas de sua toca, uma criatura gigantesca saiu correndo buraco a fora, procurando por algum responsável pelo suposto ataque. A sua velocidade e os movimentos ágeis chegavam a ser impressionantes, transformando-a em um enorme vulto por alguns segundos.

Lariane observava tudo do alto de uma árvore, próxima à aparente cratera no chão. Assim que viu seu alvo sair da toca, preparou a arma com os dardos tranqüilizantes. Ela percebeu a velocidade incrível e também viu os dardos dos companheiros errarem a mira. A garota precisava retardá-la.

Contou os segundos precisos e preparou para saltar do galho. Ficou em uma posição em que tornasse o peso de seu corpo ainda mais favorável durante a investida.

No tempo exato, ela saltou sobre a criatura, a qual, surpresa com a ousadia inesperada, tropeçou nas próprias patas e retardou a corrida.

Lariane se posicionou nas costas daquele estranho animal e aproximou o cano da arma do pescoço do alvo, disparando duas vezes seguidas. A criatura tombou e a garota se posicionou ao seu lado.

– Foi mal… – sussurrou enquanto retirava os dardos vazios daquele grosso pescoço. Olhou com cuidado para um dos responsáveis pela missão do grupo ali. Agora que estava imóvel, estatelado pelo chão, ela podia realmente ver o quão grande era. Se fosse para compará-lo com algo, seria com o abominável homem das neves. Mas, Lariane nunca havia visto algo daquele tipo em toda a sua vida.

O animal tinha pêlos espessos e negros, com várias mechas avermelhadas que se acumulavam principalmente ao redor do dorso. A criatura podia andar sobre as duas patas traseiras normalmente se quisesse. Não possuía orelhas, apenas pequenos ouvidos escondidos sob a pelagem. Sem mencionar que era um ser vigoroso, com músculos rígidos e garras enormes, extremamente afiadas. Lariane não conseguia ver as presas e os olhos, pois o pobre animal caíra de cara no chão.

Tentou se aproximar mais e arriscar virar a cabeça dele. Queria realmente ver como era. Caso alguém reclamasse, ela diria que não queria que o alvo sufocasse com a boa enfiada na grama e o fofinho enterrado na terra.

Assim que conseguiu virara cabeça, ouviu o barulho de passos se aproximando. Levantou-se em alerta, deixando o rosto da criatura virado para o lado. Nem ao menos tivera tempo de dar uma olhada decente naquele rosto.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UM MUNDO NOVO

– Quem era aquele garoto? – ligou o chuveiro enquanto esfregava os olhos, novamente pesados de sono. – E por que eu não reagia? Era tão natural… – despiu-se e entrou debaixo da água quente que caia do chuveiro, deixando que ela escorresse pelo seu corpo. – Parecia que eu o conhecia e que nós já… – um arrepio percorreu-lhe a espinha e resolveu tentar desviar o pensamento.

Kayra já estava debaixo do chuveiro há mais de meia hora. A água lhe dava tranqüilidade e a ajudava a pensar melhor. Sem mencionar que ela estava em férias e não precisava se preocupar com horários, apenas com o fato de não passar o mês todo dormindo.

Pegou o sabonete e se ensaboou, colocou seu corpo na água e tirou todo o sabão. Depois fez o mesmo processo com o shampo e com o condicionador no cabelo. Quando decidiu que havia ficado tempo suficiente ali, desligou o chuveiro. Já sentia-se satisfeita e com uma sensação ótima de leveza.

Pegou a toalha, se enxugou, olhou para o espelho e viu uma garota no auge de seus 18 anos, com cabelos ondulados e ruivos que lhe caiam sobre os ombros.

O busto não era avantajado, mas também não era pequeno. Sua cintura era fina e seus quadril e coxas eram fatos.

Sua pele era sedosa e macia, com leves marcas de biquínis. Virou-se de lado para o espelho e enrolou-se na toalha. Pegou a pasta de dentes, os escovou e colocou água na boca, enxaguando-a. Terminou de se secar e voltou a se olhar no espelho.

– Eu não sou mais uma criança. Eu não sou mais a mesma garotinha inocente. – colocou a mão sobre o espelho. O que ou quem ela estava tentando convencer?  – Eu já sou uma… – mas, antes que pudesse completar a frase, a imagem que observava tinha se tornado diferente no espelho.

No reflexo ela não estava mais de toalha e com os cabelos bagunçados e molhados, mas vestida com um magnífico vestido branco, cheio de bordados roxos e delicados. Em sua cabeça descansava uma esplêndida coroa e sua desgrenhada cabeleira tinha se transformado em cachos lindo e perfeitos.

– O quê? – estava incrivelmente impressionada e pasma. – Mas essa… – arregalou os olhos assustada. – Sou eu!? – quando tentou se aproximar mais para ver melhor, a imagem voltou ao que era antes e o seu reflexo com uma toalha reapareceu.

Kayra sacudiu a cabeça e olhou para o espelho novamente, no entanto, nada havia mudado. Convenceu-se de que aquilo era apenas um fruto de sua imaginação e saiu do banheiro com a toalha no corpo.

– Acho que estou vendo coisas! Tenho definitivamente que parar de pensar naquele sonho. – ela jogou a toalha sobre a cama. – Isso está me deixando louca!! – fechou a porta, andou até o armário e o abriu. – Vejamos… O que vou vestir hoje?

Estava um dia quente, então ignorou as roupas pesadas e compridas, passando os olhos por uma saia e uma blusinha de alça.

– Já sei! – pegou aquelas peças de roupa e as vestiu.

Logo depois foi até a cozinha, olhou para a mesa do café sem muita fome. Sentou em sua cadeira de costume, pegou um pouco de leite e meio pedaço de pão.

Enquanto arrumava a mesa, viu um bilhete na geladeira. Deixou um pouco de lado o que estava fazendo e foi até ele, tirando-o de lá e lendo-o.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UMA GRANDE AVENTURA

Além do som natural de passaros cantando pela manhã, no quarto de uma garota havia o som de algo mais… O som irritante de um despertador.

– Ah não… – Fabiula procurava pelo despertado sem tirar a cabaça debaixo do travesseiro. Ela estava morrendo de sono e odiava acordar cedo aquela campainha irritante sempre a irritava pelas manhãs.

– Vamos filha… Levanta! Você não quer chegar atrasada na escola, ou quer? – a voz de sua mãe, a qual havia acabado de entrar no quarto, por algum motivo, a fazia sentir-se mais desperta.

– Ta, mãe! Já estou indo! – se levantou devagar, desligou o irritante despertador, pegou o uniforme guardado da gaveta e foi até o banheiro.

Durante o seu habitual banho matinal, o qual a acordava completamente, ela pensava no sonho que tivera. Nele, ela, finalmente, se encontrava com amor de sua vida, com o garoto ideal. Mas, infelizmente, assim que acordou, além do sonho ter acabado, o rosto daquele maravilhoso menino havia desaparecido de sua memória. Por mais que ela se esforçasse para lembrar, não conseguia ter nenhum avanço.

– Filha! Vai logo nesse banho!

– Já estou saindo!

Desligou o chuveiro e começou a se secar. Segundos depois, enquanto se trocava, ela sonhava com as aventuras que nunca tivera em sua vida, com perseguições, assassinatos, mistérios e tudo mais que há de impressionante em filmes e livros de ação e suspense.

(trecho do primeiro capítulo do livro).

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UMA VIDA DE HERÓI

Essa história começa de uma maneira um pouco diferente das demais! Aqui, eu não vou começar contando como foi o inicio da nossa dupla. Vou começar pela metade.

Já passamos por diversas dificuldades e por inúmeras situações bizarras. Já presenciamos nascimentos e chacinas. Já choramos muito e rimos o dobro.

É…

Já vivemos quase tudo que um ser humano normal poderia viver.

Mas…

AHÁ! Eu e o meu companheiro não somos normais! Aliás, o Luka não é nem um pouco normal!

Sabe…

Ele é do tipo de mago que se considera o mais poderoso do mundo.

Se alguém disser que é bom em alguma coisa, ele tentará ser ótimo, independendo do que quer que seja essa coisa.

Como certa vez em que a irmã dele comentou que eu seria uma boa mãe, caso algum dia eu viesse a ter filhos.

Como um bom homem, ele deveria ter entendido a indireta da Loren e ter vindo conversar comigo, ou até mesmo ter ignorado a conversa e fingido não ter ouvido nada, o que seria uma reação comum masculina.

No entanto, ao invés de ter essas reações banais e corriqueiras, ele correu procurar por alguma magia que o permitisse engravidar, somente para provar a nós duas que ele seria uma “mãe” muito melhor do que eu!

Ah deuses…

Dêem-me MUITA paciência!

E é claro que nessa ocasião, assim como em muitos outros casos, eu o explodi algumas vezes com encantamentos leves, até que desistisse da idéia e me prometesse parar de ser tão… Tão… Extremista!

Mas, como sempre, ele promete, mas dificilmente cumpre. Ele ainda não tem uma noção muito boa de limites.

Apesar de tudo, eu realmente amo o Luka! Acho-o um homem perfeito para mim, salvo alguns probleminhas que impedem de nos amarmos abertamente.

Bem…

Como já deve ser dedutivo a essa altura da narrativa, nós somos uma dupla de heróis e, como tais, temos muitos inimigos.

Se eles já tentam nos separar sem saber de nossos verdadeiros sentimentos um pelo outro, tente imaginar se descobrissem que nos amamos!

Seria uma informação de prato cheio para se vingarem de nós! Seria maravilhoso para eles nos verem sofrer longe um do outro e nos torturarem.

Sem mencionar que, se nós finalmente ficarmos… Hm… Intimamente juntos e eu engravidar?

O Luka segue o código do bom Paladino. Ele não me permitiria lutar e continuaria da mesma forma cavalheira de brigar, sem atacar mulheres.

Portanto, se aparecer uma vilã e eu estou grávida, como fica a situação? Quem acabaria com a raça dela?

Tá aí o problema!

Ninguém!

Assim, sem ninguém para derrotá-la, ela fica super poderosa e tenta destruir ou “redecorar” o mundo a seu gosto.

Consegue ver a complicação do caso?

Não é difícil acabar com um super vilão. Destruímos um a cada ano!

O complicado e frustrante da história toda é ter que SEMPRE salvar a Terra e, por causa disso, eu não consigo tirar umas férias com o Luka. E sem férias não há descanso. Sem descanso não há oportunidade quentes para o amor.

Isso realmente me deprime às vezes…

Contudo, são ossos do ofício, não é?

Quem mandou eu me apaixonar pelo meu companheiro de batalhas e aventuras?

Mas chega de introdução!

Vou começar a narrar a partir do agora, deste ano, deste instante!

Com vocês…

E para você…

A história de uma fantástica e atrapalhada dupla de heróis; de uma feiticeira chamada Aline e de um mago chamado Luka!

(trecho do primeiro capítulo do livro).

.

.

.

Estes são os prontos e/ou os “praticamente” prontos!

Se quiserem, coloco os que acabaram de sair do forno também.

Podem votar por aqui (deixando um comentário), pelo meu Facebook e/ou pelo meu e-mail (fabi.rinka@gmail.com)!

Beijooooos



{fevereiro 13, 2012}   Revivendo o World.Fabi.Books!!

Olá para vocês que continuam acessando o meu blog, na esperança de verem algo novo!

Milhões de perdões!

Admito que negligenciei o meu Wold.Fabi.Books, mas prometo tentar retomá-lo! Começarei aos poucos, ressuscitando-o devagar, para que não tenha uma parada cardíaca imediata! Hehehe…

Assim sendo…

Resolvi voltar com um comunicadinho! Trarei aqui, toda semana, um pedaço de um de meus livros, para que vocês possam ir acompanhando e opinando!

Mas, antes…

Ainda essa semana postarei aqui um trechinho pequeno de cada um, para que escolham qual querem acompanhar!

 



et cetera
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