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{junho 5, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo…)

Capítulo 05

Dias diferentes…

Fantasias as mesmas…

 

 

– Mestre… – Luara, uma giant de corpo escultural, pele negra e reluzente, longuíssimos cabelos azuis escuros e olhos da mesma cor, sentara-se no chão ao lado do trono e apoiou em uma das pernas de Giulian.

Giulian acariciava os longos cabelos da serva. Ela era a única criatura em todo aquele complexo que ele permitia ter tanta intimidade com ele. Aquela giant havia crescido com ele.

Ambos tiveram os mesmos treinamentos, os mesmos ensinamentos… Só tinham separado seus caminhos quando seu pai morreu. Ele fora nomeado rei e Luara fora nomeada governadora de toda a nação. Se acontecesse alguma coisa com ele, seria ela quem cuidaria das coisas em seu lugar.

– Minha querida Luara… – Giulian colocou a mão sob o queixo da amiga de infância e levantou sua cabeça delicadamente, até que seus olhos estivessem presos nos dele. – Logo, logo chegaremos à Terra. – acariciou carinhosamente o rosto dela com as costas da mão. – Acredito que você, como a boa governadora que eu nomeei, já saiba a qualidade da força que iremos usufruir daquele lugar…

– Claro meu mestre! – Luara ajoelhou e se apoiou no trono. – A qualidade é altíssima! Aliás, acredito que seja uma das energias mais poderosas que iremos usufruir até agora! Será de grande proveito para nós, visto que, em breve, nós enfrentaremos os…

– Só um momento! – colocou o dedo indicador sobre os lábios dela, impedindo-a de continuar falando. – Como assim “uma das energias mais poderosas”? Eu sei que eles são muito poderosos com a mente e o espírito, mas a grande maioria não sabe usar e nem desenvolver esse poder. E quanto á força física, acredito que não vamos conseguir aproveitar muito dela…

– Eu sei, meu rei! – puxou a mão dele até sua bochecha e apoiou levemente a sua cabeça sobre ela. – Mas eu descobri que mesmo eles não tendo consciência e nem controle, o poder deles ainda é forte! Digamos que ele fica “armazenado” em uma parte inconsciente deles e essa parte representa grande parte da essência dos humanos. Portanto, conseguiremos usufruir bastante! Basta sabermos o que fazer para aproveitar ao máximo…

– Interessante… – Giulian levantou do trono e caminhou com passos animados pela sala. – Essa é uma ótima notícia!

– Sim, sim. – Luara também havia levantado. – Meu senhor, também descobri que as mulheres são a espécime que mais armazena poder. – aproximou-se de Giulian e ofereceu-lhe um de seus admiráveis sorrisos. – E as mulheres estão aumentando em número… Elas já se tornaram mais de 50% da população terrestre.

– PERFEITO!! – agarrou-a e prendeu-a em seus braços enquanto se perdia no sorriso daquela adorável giant. – Mais alguma boa noticia?

– Sim… – encostou sua cabeça no peito de Giulian e fechou os olhos. – Eu já sei o que teremos que fazer para usufruir completamente deste poder…

– BRILHANTE! – Giulian a abraçou mais forte. – Vamos! Vamos! Me diga!

– Hm… Quem sabe mais tarde… Depois que você me recompensar pelas boas notícias… – Luara lhe lançou um olhar malicioso e começou a puxá-lo para fora da sala real.

– Claro. Mas, para onde esta me levando? – a encarou com cumplicidade.

– Não acha essa sala desconfortável demais, meu mestre?

Giulian deu uma gargalhada e se deixou levar pela magnífica giant para onde ela quisesse ir.

– Como queira, minha queria…

–\\–//–

Alguém batia na porta da sua sala. Tenente Nunes colocou uma pilha de papeis de lado, virou a sua cadeira e deu um suspiro cansado.

– Entre! – ordenou.

– Tenente, senhor! – um soldado abriu a porta e bateu continência para o seu superior.

– À vontade, soldado! – o soldado baixou a mão e se aproximou da mesa de Nunes. O tenente estralou os dedos e ficou observando. – Então… Que noticia você traz?

– Tenente, nossos radares encontraram um O.V.N.I. no espaço aéreo brasileiro, mas este desapareceu em apenas 7 segundos!

– Soldado, você tem certeza de que era realmente um O.V.N.I.?

– Sim senhor! – o soldado Mirella parecia um pouco mais nervoso com a pergunta. – Não conseguimos identificar o objeto voador detectado. Ele estava a uma velocidade incrível. Desapareceu assim como apareceu, repentinamente!

– Estranho… – Nunes alisava o queixo com as pontas de seus dedos enquanto pensava.

– E senhor…

– Diga.

– Acreditamos que talvez seja algum tipo de jato novo estrangeiro.

– Um protótipo do exterior?

– Sim senhor!

– Mas isso não faz sentido… – levantou da cadeira e andou ao redor da mesa, até se aproximar do soldado. – Por que viriam testar um protótipo aqui, no Brasil?

– Não sei, senhor… – Mirella encarava o seu superior com certa angustia nos olhos. – Devemos considerá-lo uma ameaça?

– Não teria motivo para isso… Se fossem nos atacar, já o teriam feito e nós nem estaríamos conversando aqui… – o tenente olhou para baixo, divagando. – E também… Não há pretextos para nos atacarem no atual momento…

Nunes voltou a andar pela sala. Enquanto pensava, esfregava a testa com os dedos. Se haviam mandado aquele soldado até ele, era porque realmente estavam com dificuldades na identificação do objeto. Mas também, não era para menos! O que quer que fosse aquilo, havia ficado apenas sete segundos no radar. Com esse pouco tempo, qualquer um seria incapaz de identificar algo.

– Quem o enviou até mim?

– O Cabo Smithison, senhor!

– O Tenente Andrade está sabendo de algo?

– Sim senhor! O próprio Cabo Smithison foi informá-lo.

– Mais algum superior foi informado?

– Ainda não, senhor! – o soldado deu uma pausa, tentando recordar algo. Sua memória sempre falhava quando ficava nervoso. – Mas… Pretendemos informar o Capitão Luca.

– Capitão Luca… – Nunes não gostava de Luca. O achava intrometido demais. Sempre interferia em seus negócios, nunca o deixava terminar nada a sua maneira. Parecia que o capitão o achava incompetente demais para terminar qualquer serviço. – E o Major Romero?

– Achamos que talvez ainda não seja preciso informar o Major… – o soldado apertou as mãos para conter o nervosismo. – Se o Capitão Luca achar necessário, nesse caso nós… – Mirella interrompeu a fala e engoliu em seco depois de ver a expressão de raiva do Tenente quando ele havia dito o nome do Capitão Luca. – Se,se,senhor… Algum pro,problema?

– Não soldado! – Nunes deu um murro na mesa para se controlar.

– Se,se,senhor?

– Está dispensado soldado! Pode ir! – Nunes ficou de costas para Mirella. – E dê um jeito nessa sua gagueira! – aconselhou ao soldado de maneira ríspida quando o percebeu bater continência.

– Sim, senhor! – Mirella sentiu seu rosto ficar quente e mais do que depressa saiu daquela sala. Achava que se ficasse ali mais alguns segundos, iria ser uma vítima da raiva repentina do tenente.

Nunes se jogou em sua cadeira e fechou os olhos. Precisava controlar a sua raiva, caso contrário, poderia fazer alguma besteira…

 

 

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{junho 3, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

Capítulo 04

Amigos e Família… Sonhos e Tramas à parte!

 

 

– Mariane… Mariane… Acorda! – alguém a chacoalhava.

– Hm…?  Que…? – Mariane lutava contra o sono.

– Já chegamos. – Matheus já segurava seu material e o dela, esperando que ela levantasse logo.

– Já? – abriu os olhos e deu um pulo. – Nossa! – ela não havia percebido que tinha dormido tanto. Mais do que depressa se levantou, pegou o seu material com Matheus e saiu do ônibus, seguida de perto pelo amigo.

Os dois andaram lado a lado até o prédio no qual teriam aula. Mariane e Matheus estava no 2º ano de jornalismo. Em dois anos, Mariane tinha conseguido fazer amizade com quase a sala toda e com mais alguns universitários espalhados pela PUC.

Já Matheus, era um garoto extremamente introvertido, exceto com Mariane. Ele não ligava se não tinha muitos amigos, não precisava deles. Matheus julgava precisar apenas de Mariane e ninguém mais naquela universidade.

– Mariane, você parece mais cansada do que o normal. Aconteceu algo? – Matheus analisava o andar zumbificado da amiga.

– Matheus… Hoje é segunda, lembra? – esfregou os olhos de leve, tentando despertar um pouco mais. – Toda segunda eu estou mais cansada do que o normal.

– Não é isso. – ajeitou a mochila nas costas. – É que hoje, você parece mais cansada do que nas outras segundas.

– Hum… – aquela conversa a estava irritando. Não queria falar sobre o seu final de semana. Será que ele não percebia que ela estava evitando o assunto?

– Aconteceu algo?

– Ah… Sei lá Matheus. – ajeitou a alça da bolsa que estava escorregando do ombro. – Eu ajudei a minha mãe a faxinar a casa e fui no mercado… Deve ser por isso que pareço tão cansada assim. – estava cansada porque não tinha dormido bem.

Mariane havia pensado no garoto do mercado e no misterioso moço do telefonema durante boa parte de sua noite. E como se isso não bastasse, tinha voltado a sonhar com dragões.

– Virou doméstica, é?

– Não me zoa, Matheus! – acelerou o passo, tentando se afastar do amigo e assim fazê-lo desistir da conversa. – Não estou com um humor muito bom hoje…

– É… percebi… – Matheus ficou observando a amiga acelerar, deixando-o para trás e indo cumprimentar as outras garotas da sala.

– MARIANEEE!!! – uma garota de longos cabelos lisos e castanhos extremamente claros, cheios de mechas naturais loiras, corria na direção de Mariane com os braços abertos.

– Oi, Karen! – Mariane deu um passo para trás, se preparando para o impacto.

Quando estava próxima de Mariane, Karen deu um salto, caindo em cima da amiga, dando-lhe um enorme abraço. Mariane se firmou nas pontas dos pés, para evitar que as duas fossem ao chão e retribuiu o abraço exagerado.

– Boooom diiiiaaaa!!!!

– Bom dia… – Mariane soltou-se do abraço e colocou o material no banco mais próximo. – Você parece bem animada hoje. Fazia tempo que você não me cumprimentava assim. Ultimamente você anda tão sonolenta quanto eu de manhã… O que aconteceu Karen?

– Ah, Mariane… Meu final de semana foi PER-FEI-TO!! – Karen puxou a amiga pela mão e a fez sentar-se com ela no banco onde estavam os materiais. – Eu FINALMENTE consegui ir assistir ao filme que queria, fiz compras com algumas amigas, almocei e jantei fora todos os dias e o melhor é que eu conheci um garoto MA-RA-VI-LHO-SO no clube de Itatiba!

– Uau! Nossa! – era muita informação despejada de uma só vez e rápido demais para ela. – Eu pensei que você tivesse uma queda pelo Math… – Karen tampou a sua boca antes que conseguisse terminar de dizer o nome.

– Não fala alto! – sussurrou.

– Ué… Por que não? Se você já encontrou um garoto maravilhoso. Já deve ter se esquecido do Math… Digo… Dele, não é?

– Hum… Não! – deu um sorrisinho culpado. – Eu disse que encontrei um garoto maravilhoso, mas não perfeito! – deu um suspiro e colocou a mão sobre o peito. – E o seu amigo é o garoto mais perfeito que já conheci na vida! Alto, forte, pele bronzeada, cabelos negros, olhos azuis, musculoso, não é metido, gentil, inteligente, ah… Tudo de bom!

– Karen! Menos! – Mariane deu um tapa leve na nuca da amiga. – Primeiro, ele não tem cabelos negros. Eles são castanhos escuros. – fez o número dois com a mão. – Segundo… Ele não é tão musculoso assim não! E terceiro… – respirou fundo, como se tivesse acabado de expor uma lista gigantesca para a amiga. – Desde quando ele é gentil?

– Ah… Mas ele é gentil, Mariane!

– Nos seus sonhos…

– Não vai me dizer que ele não é gentil com você, né? – cruzou os braços, um tanto emburrada. – Ele só conversa com você, só faz favores para você, só brinca com você. Aliás… Ele faz TUDO por VOCÊ!

– Karen… Não exagera, por favor!

– É sério Mariane! Se ele fosse tão obcecado por mim quanto é por você… Com certeza eu seria a mulher mais feliz do mundo! E não estou exagerando!

– Você está exagerando sim!

– Tá,tá! É inútil discutir essas coisas com você.– Karen se aproximou da amiga. – Viu… Mudando de assunto… – apoiou-se no ombro de Mariane. – Você está meio estranha hoje. O que aconteceu?

– Nada demais… – deu um suspiro cansado. – Eu só estou cansada pela faxina que a minha mãe me obrigou a fazer em casa ontem.

– Certo… Certo… Se você não quer falar sobre isso, não vou insistir.

– Não é isso Kar…

– Vamos logo! – Karen se levantou bruscamente, interrompendo a amiga no meio da frase. – A aula já vai começar… Vamos ou perderemos a chamada! – puxou Mariane pela mão e as duas foram de mãos dadas até a porta da sala de aula. Karen tinha um sorriso alegre e animado no rosto, enquanto que Mariane tinha uma visível careta mal-humorada.

–\\\\–//–//–

– Andrey, o que você está fazendo? – uma garota de no máximo 20 anos entrava no quarto de Andrey sem ter se preocupado em bater na porta antes.

– Oi para você também, Pandora! – Andrey a encarou com um olhar hostil enquanto desligava o telefone e guardava alguns papeis na primeira gaveta de sua escrivaninha.

– Com quem você estava conversando? – sentou-se espalhafatosamente na cama.

– Não é da sua conta. – virou a cadeira para ficar frente a frente com ela, para se certificar que a garota não xeretaria nada do seu quarto.

– Que hostilidade! É assim que você trata a sua querida prima? – deu um sorriso cínico.

– Pandora, diz logo! O que você quer?

– Eu não posso ficar perto do meu priminho sem que ele pense que eu tenho segundas intenções? – fez um beicinho, fazendo-se de inocente.

– Pandora… Não estou com bom humor hoje.

– Está mal humorado porque te proibiram de ver a sua queridinha é?

– Pandora. – Andrey adotara um tom agressivo na voz.

– Tá, tá… – Pandora levantou da cama e caminhou pelo quarto. – Eu só vim aqui porque o tio me mandou… Sabe como é… – deu uma olhada furtiva para o primo. – Para certificar de que você não havia fugido ou… – ficou alternando o olhar entre o telefone e a gaveta da escrivaninha. – Se não estava aprontando nada…

– Se era isso, acho que você já pode ir embora! – Andrey levantou da cadeira e andou até a prima com a intenção de empurrá-la até a porta. – Você já se certificou de tudo o que precisava se certificar, não é?

– Não exatamente… – desviou dele e correu até a escrivaninha. Ela queria ver que papeis eram aqueles que ele tinha guardado tão furtivamente naquela gaveta.

– Pandora! – Andrey agarrou o braço da prima e a puxou para longe da gaveta.

– É sobre ela, não é?

– Não exatamente… – repetiu revirando os olhos. Não queria ficar dando explicações para ninguém.

– Andrey! – Pandora se jogou estrategicamente nos braços do primo, fazendo ambos caírem na cama. – O que ela tem que eu não tenho? – prensou-o no colchão com o próprio corpo, para evitar que ele conseguisse sair dali facilmente.

– Pandora… – Andrey colocou uma das mãos na testas, inconformado com a atitude infantil da prima. – Não é questão de quem tem o quê ou não tem. Não dá para comparar vocês duas. Seria o mesmo que comparar um morango com um gengibre.

Sem delicadeza alguma em seus gestos, Andrey colocou as duas mãos nos ombros da prima, empurrando-a, sem dificuldade, para longe do seu corpo.

– Eu não sei exatamente como ou o porquê. A única coisa que eu posso dizer é que ela me conquistou completamente. Estou mais do que fascinado por ela!

– Mas e eu?

– Eu também gosto de você…

– Tanto quanto gosta dela? – Pandora voltou a se jogar em Andrey. – Você gosta de mim do mesmo jeito que gosta dela?

– Claro que não! – Andrey fez uma cara incrédula. – Pandora, você é minha PRIMA!

– E daí? – ela fez uma cara emburrada. – Você sabe que na nossa raça é comum primos casarem entre si, para manter o poder da família forte no sangue durante as gerações.

– Eu não sou antiquado, nem tradicionalista. E realmente NÃO me agrada a idéia de me casar com a minha prima! – fez outra careta e a empurrou para longe novamente.

– Mas, Andrey, eu era a sua prometida antes dessa humana aparecer. – fez uma cara de nojo quando pronunciou a palavra “humana”.

– Você o era porque meu pai queria assim. – levantou do colchão e se afastou, antes que ela se jogasse para cima dele novamente. – Você sempre soube que eu era totalmente contra! Sempre nutri um carinho especial por você, mas jamais cheguei a amá-la mais do que como prima.

– Tá… E no futuro?

– Não Pandora. Nem no futuro eu conseguiria te amar assim…

Pandora suspirou cansada e se levantou da cama. Andou até a porta e ficou parada olhando para a maçaneta.

– Sabe… Eu também nunca cheguei a te amar desse jeito, mas não me importaria de me casar com você. – olhou para trás e deu um sorrisinho divertido para o primo. – Até que você é bonitinho, sabia? Não é de se jogar fora! Conseguir segurar você, não é tarefa fácil. Tenho pena daquela humanazinha. – riu do próprio comentário e saiu do quarto, sem encarar o rosto sério do primo.

– Humanazinha? Mariane jamais seria uma “humanazinha”! – sussurrava para si mesmo, com raiva da provocação da prima. – Ela é muito mais do que você será um dia. O caráter dela nem se compara ao seu, sua cobra venenosa! – continuava segredando enquanto ia até a porta fechá-la.

Andrey voltou a sentar na cadeira e ficou olhando para o telefone na sua frente. Queria ouvir a voz dela mais uma vez. Queria vê-la novamente. Queria senti-la de novo…

– Queria, queria, queria… São tantos queria! – deu um leve murro na escrivaninha, tomando cuidado para não quebrar nada e nem chamar a atenção de ninguém pelo barulho. – Eu quero tanto, mas não posso nada! Como isso me irrita! – mordeu o lábio, tentando controlar o tom de sua voz.

Não queria ultrapassar o som de um sussurro. Se desabafasse mais alto, alguém poderia escutá-lo e isso poderia lhe render mais um dia preso em casa.

Para tentar se acalmar, ele abriu a gaveta onde havia jogado todos aqueles papeis e os pegou. Deu uma olhada em tudo e deu um sorriso maroto.

Aqueles papéis eram documentos seus. RG, certidão de nascimento, CPF, titulo de eleitor, diploma de conclusão do ensino médio… Dados, dados e mais dados. Todos falsificados para tentar encobrir o seu verdadeiro eu e camuflá-lo como um humano comum.

– Pelo menos já resolvi tudo. – continuava a olhar todos aqueles dados. – Ainda bem que meu pai já havia providenciado esses documentos falsos para todos nós. Isso me poupou muito tempo, dinheiro e dor de cabeça. Facilitou bastante as coisas. – sussurrava feliz, lembrando-se de seu ultimo telefonema naquele dia. – Veremos quem irá me impedir agora… – e um sorriso esperançoso e ao mesmo tempo desafiador surgiu através de seus lábios.

 

 

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{maio 21, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

 

Capítulo 04

Amigos e Família… Sonhos e Tramas à parte!

 

 

– Aaah não… Hm… – Mariane tateava o criado mudo da cama, procurando pelo celular para desligar aquela irritante música que havia colocado para despertá-la.

Assim que o encontrou, ela logo o desligou e voltou a abraçar o travesseiro. Como toda segunda-feira, para ela era um tormento acordar.

Gostava de ir à universidade e até gostava de ir trabalhar no final da tarde, mas acordar às 5:30 da manhã era a pior parte do dia. Dificilmente acontecia algo que a aborrecesse mais do que isso.

– Mariane! Vá se trocar logo, senão vai perder o ônibus para a Puc. – Lívia estava acendendo a luz do quarto da filha, para obrigá-la a despertar. – Se você perder esse ônibus fretado, nem eu e nem o seu pai vamos levá-la para Campinas ou emprestar o carro.

Lívia não falava sério. Se precisasse, ela mesma levaria a própria filha para a universidade. Mas, não queria vê-la atrasada. Precisava ameaçá-la um pouco, para que Mariane aprendesse a lidar melhor com horários e responsabilidades.

– Então, trate de levantar se não quiser pegar um ônibus de linha. – quando viu que a filha começava a se sentar na cama, deu um sorriso e fechou a porta para que ela pudesse ter privacidade na hora de se trocar.

 

–\\\\–//–//–

– Andrey! Aonde você pensa que vai? – Thadeu bloqueava a passagem do filho, impedindo-o de sair da casa.

– Vou para a faculdade… – encarou o pai sem muito humor. – Você não disse que precisamos parecer com humanos normais? Então…

– Mas você não está inscrito em nenhuma universidade! – Thadeu se aproximou do filho de maneira intimidadora. – Você está indo atrás daquela humana novamente, não é mesmo?

– O que vou fazer não é da sua conta…

– Andrey! – sua voz estava assustadoramente mais grossa.

– O que vai fazer? Vai me impedir? – Andrey deu um sorriso ameaçador para o pai, enquanto um brilho estranho passava por seus olhos.

– Se for preciso… – Thadeu fechou as mãos com força.

Pai e filho estavam prontos para se enfrentar. Naquele momento, o que importava eram os objetivos de cada um e não a relação sanguínea.

Se fosse preciso, Thadeu deixaria o filho impossibilitado de ir para qualquer lugar e Andrey derrubaria violentamente o pai para conseguir passar.

– Ok… Já está bom, não acham? – uma mulher de cabelos negros azulados se colocava entre os dois. – Apreciamos pela distração que vocês garotos estão nos dando, mas, acredito que esteja perdendo a graça. – Ela colocou as mãos no peito de cada um e aplicou um pouco de pressão. – Aposto que a minha irmã não ficaria nem um pouco feliz com essa discussão.

Ao falar da irmã, o brilho nos olhos dos dois diminuiu. Andrey deu um passo para trás e cruzou os braços. Thadeu relaxou a musculatura e olhou para Maysa.

– Ótimo, ótimo… – ela baixou os braços e deu um sorriso. – Thadeu, meu querido cunhado… – colocou uma das mãos no ombro daquele enorme homem. – Seja mais paciente com o Andrey! Até parece que você já não passou por essa faze na sua vida… – deu um sorriso divertido. – Pelo o que eu me lembro, o seu amor pela minha irmã era proibido, e mesmo assim você enfrentou todos da sua família e da minha para poder ficar com ela…

Thadeu ficou vermelho e deu um sorriso sem graça para a cunhada. Depois respirou fundo e encarou o filho.

– Certo… Faça o que quiser… Mas, eu não me responsabilizarei pelas conseqüências de seus atos… – virou-se e sumiu na escuridão da casa.

– E você Andrey? – Maysa o encarou com um pequeno sorriso apelativo no rosto. – Será que você não poderia ouvir e obedecer ao seu pai só um pouquinho? Ele só quer o seu bem e o de todos nós…

– Tá tia… – Andrey descruzou os braços e rumou para o seu quarto. Abandonando, momentaneamente a idéia de sair atrás de Mariane.

 

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– Hei, Mariane! Quase atrasada novamente? – Douglas, o motorista do ônibus dava um sorriso divertido, enquanto fechava a porta do veiculo atrás dela.

– Pois é, Douglas… É difícil de acordar nas segundas-feiras… – Mariane retribuiu o sorriso e foi procurar por um lugar para se sentar enquanto o motorista dava a partida. – Bom dia, Matheus! – deu um sorriso simpático para o garoto sentado no banco ao lado de um vazio. – Posso sentar?

– Claro, Mariane! – mais que depressa, Matheus pulou para o banco vazio para que Mariane pudesse se sentar sem dificuldades. – Como está o seu humor nesta segunda?

– Hm… melhorando… – ela encostou a cabeça no banco e fechou os olhos.

– E como foi o seu final de semana?

– Matheus… Eu quero dormir… – resmungou, dando um sorrisinho torto para o amigo.

Ela não queria falar sobre o seu final de semana. Se ela contasse tudo o que havia acontecido, com certeza a tomariam como louca, afinal, que pessoa normal recebe telefonemas misteriosos, sonha com dragões e esbarra em um garoto que desaparece? E o pior… Que pessoa normal se apaixonaria pela voz de alguém, ou diria que o olhar de outro alguém se parece com um oceano VERDE?

– Ok… Bons sonhos então… – respondeu meio chateado com a resposta um tanto grosseira da amiga.

– Desculpa Matheus! Não fica chateado comigo não… É que eu estou muito cansada. – virou-se para ele e se ajeitou no banco. – Quando eu estiver mais disposta, conversamos sobre o final de semana, tá?

– Certo… Eu já deveria ter me acostumado com o seu mau-humor de toda segunda… – deu um sorriso e também se ajeitou no banco.

Se eles não iam conversar, então também dormiria. Eram praticamente cinqüenta minutos de Jundiaí para Campinas. Uma soneca não faria mal a ninguém.

– Até a Puc, Má!

– Até… – e adormeceu.

Matheus ficou mais alguns minutos observando-a dormir. Achava Mariane linda. Seus cabelos longos e castanhos, seu rosto em forma de morango, suas bochechas sempre rosadas, os lábios carnudos, os olhos castanhos e levemente puxados… Ele gostava até do cheiro dela…

Ele fechou os olhos enquanto recordava de alguns momentos com aquela garota. Lembranças doces e divertidas o envolviam até o sono chegar.

 

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– Mestre! – uma criatura gigantesca e negra, com olhos vermelhos e longos cabelos da mesma cor, se ajoelhou perante o trono. – Estamos nos aproximando de nosso alvo.

– E o nosso inimigo? – sentado no trono, estava uma criatura igualmente negra e musculosa, mas um pouco menor do que a que estava ajoelhada na sua frente. Ele tinha olhos e cabelos prateados.

– Já se encontra lá…

– Desde quando?

– Eles estão lá há seis meses terrestres, meu mestre…

– Hm… Há bastante tempo até… – a criatura se levantou do trono e começou a caminhar pelo aposento. – Me diga, Cacio… – encarou o guarda, ainda ajoelhado e de cabeça baixa. – Já tiveram alguma compatibilidade?

– Telonius, o conselheiro, descobriu que eles encontraram uma garota compatível com um deles, mas que até agora não houve nenhuma compatibilidade efetuada, meu senhor!

– Uma garota? – Giulian riu. – Você saberia me dizer se o meu conselheiro conseguiu alguma imagem dela, ou se ele sabe qual é o nosso inimigo compatível à ela?

– Eu… Eu não sei meu senhor… – Cacio ficou tenso. – Deseja que eu chame Telonius aqui para lhe responder?

– Faça isso… – Cacio, mais que depressa se levantou. – E… Cacio… – chamou quando o guarda já estava próximo da porta. – Jamais se levante sem que eu o tenha permitido! – raios se espalharam pela sala e atingiram o guarda-costas real.

Cacio se contorceu de dor e suplicou pela misericórdia de seu rei. Giulian deu um sorriso sádico e cessou os raios.

– Acho que já é o bastante… – sussurrou vendo o servo caído no chão, ainda choramingando de dor. – Rápido! Levante-se e vá chamar o meu conselheiro, antes que eu deseje substituir a minha guarda e me livrar de você!

– Si… Sim meu mestre! – Cacio, ainda sentindo uma dor forte e aguda pelo corpo, conseguiu se levantar e se retirou da sala real.

– Ai, ai… Não fazem mais servos como antigamente… – Giulian gargalhava enquanto retornava para seu trono. – Uma GAROTA HUMANA? Háháháhá… – jogou o corpo em seu trono e ficou brincando com o próprio cabelo. – O que eles estão pensando? Os humanos já são criaturas extremamente fracas fisicamente e ainda por cima pegaram uma mulher?

Giulian continuava a mexer em seus cabelos prateados, mas a sua feição havia mudado de uma cara divertida para, agora, uma face pensativa e obscura.

– Eu sei que os humanos são uma das criaturas mais poderosas mentalmente e… Espiritualmente… Mas uma compatibilidade com eles, não afetaria a força física durante uma batalha…? – se ajeitou no trono. – Ou será que descobriram algo que eu ainda não sei…?

Naquele instante alguém bateu na enorme e grossa porta de acesso à sala, fazendo um som pesado ecoar pelo lugar.

– Entre…

– Meu senhor… Deseja me ver? – uma criatura negra, mas mirrada, com longuíssimos cabelos amarelos e olhos da mesma cor, entrou na sala de cabeça baixa e reverenciando seu rei.

– Sim, desejo! – Giulian desencostou suas costas do acento e apoiou a cabeça em uma das mãos. – Diga-me, Telonius… Você tem alguma imagem da garota humana?

– Não meu senhor! – Telonius mordeu os lábios, apreensivo. – Mas eu tenho informações sobre ela.

– Que tipo de informações?

– Eu descobri que ela mora em uma região terrestre chamada Jundiaí e possui 20 anos terráqueos…

– Hm… Quando chegarmos, você saberá localizar essa região? Quero fazer uma visitinha à ela…

– Sim, meu senhor!

– Ótimo… – Giulian deu um sorriso malicioso e cruzou as pernas. – Mais alguma informação sobre ela?

– Infelizmente não meu senhor… Eu ainda não consegui ir mais à fundo em minhas descobertas…

– É uma pena… – levantou-se do trono e aproximou-se de seu conselheiro. – E… Telonius, você sabe quem é o ser compatível a ela? – Giulian brincava com alguns fios de cabelo de Telonius, ignorando a tremedeira apavorada do servo.

– Eu… Eu… – engoliu em seco. – Eu ainda não descobri meu mestre…

– E o que você está esperando para retomar suas pesquisas e descobrir? – puxou com força os fios de cabelo loiro que estavam em sua mão.

– Perdoe a minha lerdeza, meu rei! – Telonius levou às mãos até a cabeça, tentando controlar a dor que Giulian lhe estava infligindo. – Se me der a sua licença, gostaria de retomá-la agora mesmo! – lágrimas de dor escorriam pelo seu rosto.

– Você é mesmo um fraco, não é? Cacio agüentou bem mais do que isso… – Giulian largou os longos cabelos de Telonius. – Vá! Pode ir! Suma logo da minha frente, criatura insignificante…

Giulian viu Telonius fazer uma reverencia exagerada e se retirar rapidamente da sala, sem nem ao menos hesitar um segundo sequer.

– Estou rodeado por incompetentes… – levou uma das mãos à testa, como se estivesse tendo uma dor de cabeça e respirou fundo. – Acho melhor voltar para as minhas divagações… – voltou a se sentar e encostou a cabeça no trono. – Uma humana… Estou curioso… – sussurrou enquanto meditava. – E ansioso para encontrá-la…

 

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{maio 13, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

Capítulo 03

Quem já viu um Príncipe?

 

– Azeitonas… Azeitonas… Onde estão essas azeitonas? – Mariane olhava atentamente uma imensa prateleira de conservas.

Passava levemente os dedos pelos rótulos dos produtos enquanto os lia, apenas para se certificar que não havia passado pelo o que queria comprar.

– Ah! Achei! – pegou um pote de vidro cheio de azeitonas fatiadas e olhou a validade antes de colocá-lo no carrinho junto com os demais produtos.

Ela andava pelos corredores do mercado sem muito entusiasmo. Gostava de fazer comprar, mas mercados a entediavam. Quando arrastava alguma amiga junto, conseguia se distrair fazendo comentários irônicos e divertidos sobre os produtos que viam na frente.

Achava engraçado fazer brincadeiras com os nomes de empresas e fornecedoras, mas não encontrava graça quando tentava fazê-lo sozinha. Precisava de uma companhia para complementar os comentários ou dizer algo que ainda não havia pensado. Era uma troca de brincadeiras que deixava as compras chatas, divertidas.

– Deixa ver… – dava mais uma olhada na lista. – O próximo… – caminhava enquanto lia o que faltava pegar.

Estava distraída quando sentiu algo passar por ela. Parou de ler no mesmo instante e olhou ao redor. Mas não havia ninguém por perto, estava sozinha naquele corredor. Continuou a andar, ainda procurando por algo ou alguém.

– Ué…  Eu podia jurar que alguma coisa passou por aq… Ai! – como não estava prestando atenção, não viu o garoto se aproximar e não conseguiu evitar que se trombassem.

Ele vinha de um dos corredores que cruzavam com o dela e trazia uma pequena cesta de compras em uma das mãos. Os dois bateram corpo a corpo e com o choque, Mariane caiu para o lado e ele derrubou a cesta, espalhando todos os produtos pelo chão.

– Ei! Você não olha por onde anda? Isso me machu… – Mariane olhou para cima e ficou muda.

O garoto era maravilhoso! Tinha cabelos castanhos escuros com alguns fios ruivos que reluziam a cada movimento de cabeça. Era um tanto alto e Mariane julgava que ele deveria medir um metro e oitenta e três. Usava uma calça jeans rasgada em um dos joelhos e uma regata preta que não disfarçava o abdômen definido. Seus braços morenos de sol estavam cruzados na altura do peito, o que salientava os músculos.

Ele não era o tipo de garoto considerado “bombado”, mas com certeza não tinha um corpo qualquer. Porém, para Mariane, o que mais lhe prendia a atenção e lhe roubava o fôlego eram os lindos olhos verdes escuros que brilhavam com a luz e transmitiam uma sensação de profundidade e mistério, como um oceano.

– Como um oceano verde…? – ela sussurrou sem se dar conta que aquelas palavras estavam escapando por seus lábios.

O garoto deu um sorriso travesso e descruzou os braços. Com o sorriso, Mariane percebeu o que havia acabado de dizer e levou uma das mãos à boca, como se esse gesto fosse apagar as palavras ditas.

– Aah… Eu… – sentia sua voz falhar e a culpa era daquele olhar. Aqueles olhos… Ela já os tinha visto em algum lugar. Eles lhe lembravam alguém, mas não conseguia recordar quem

Mariane virou o rosto, em uma tentativa inútil de fugir daquele olhar, e começou a levantar-se do chão. Mas, enquanto se apoiava nas próprias pernas para conseguir levantar, sentiu algo se aproximar de seu rosto e olhou para cima mais uma vez. O garoto lhe estendia a mão para ajudá-la a se erguer.

– Obrigada… – quando segurou em sua mão, sentiu um calor agradável e incrivelmente familiar. O garoto sorriu novamente para ela e Mariane sentiu o rosto corar.

Assim que segurou com força naquela mão, o sentiu puxá-la e em segundos já estava de pé. Ele tinha uma força incrível! Ela não havia feito força alguma. Aquele garoto a havia levantado com apenas uma mão.

– Nossa! Você é forte, ein! – ficou parada, olhando-o, esperando por alguma resposta ou comentário pelo o que havia acabado de dizer, mas ele simplesmente continuou a encará-la com aquele sorriso sedutor nos lábios.

Mariane começou a sentir-se desorientada novamente e virou o rosto. Olhou para baixo e viu todos aqueles produtos que ele estava carregando espalhados pelo chão.

– Quer ajuda para pegar tudo is… – quando se virou para olhá-lo novamente, não viu ninguém. O garoto havia desaparecido. – Mas o quê? – deu uma volta no mesmo lugar, olhando ao redor. Mas nem sinal dele. – Que rude! Me largou aqui falando sozinha e com tudo isso para recolher! – abaixou-se e começou a jogar aquelas compras dentro da cesta largada no chão. – E ele nem ao menos se desculpou por ter me derrubado… – fez uma careta enquanto tentava controlar a raiva. – Um verdadeiro grosseiro!

Mariane suspirou e começou a pegar todos aqueles produtos espalhados pelo chão, jogando-os dentro da cesta do mercado. Assim que terminou, colocou- a em um canto e retomou às próprias compras.

Ainda faltava pegar metade das mercadorias que estavam na lista e se ela quisesse chegar em casa antes de anoitecer, precisaria se apressar.

Enquanto passava de prateleira para prateleira, sem dar muita atenção às pessoas ao seu redor, aquele mesmo garoto que a derrubara, estava parado em um canto, observando cada um de seus passos.

Ele sorria… Vê-la assim, tão distraída fazendo compras, o divertia. Ela realmente era uma figura única e extremamente interessante.

Seus gestos despreocupados, o sorriso simpático em seu rosto, os olhos sonhadores, o corpo… Andrey colocou uma das mãos sob o queixo e substituiu o sorriso admirado por um malicioso. Seus olhos analisavam com cuidadosa minúcia todas as linhas e curvas do corpo de Mariane.

– Realmente… Meras humanas podem ser sem graça para nós, mas você Mariane… Ah… Que deleite para os meus olhos… – ele suspirava.

Aquela analise o lembrava do desejo louco por tê-la em seus braços e poder sentir o calor dela aquecer o seu.

– Ao menos eu pude tocá-la hoje. Mesmo que só um pouco, eu a toquei… – fechou os olhos, recordando do proposital esbarrão que havia dado nela.

Levantou a mão que estava no queixo até a frente de seu rosto e sentiu aquele aroma tão delicioso para ele. O cheiro dela ainda estava impregnado na palma de sua mão.

Mariane pegou uma presilha de dentro de sua bolsa e prendeu o cabelo em um coque. Assim que sua nuca ficou exposta, Andrey conseguiu sentir o seu perfume mais forte. Além do cheiro tentador dela, ele podia sentir um outro aroma misturado.

– Hm… Que perfume você passou? – sussurrava enquanto tentava distinguir os cheiros. – Ahá! Descobri! É o perfume Glamour… da Boticário, não é? – sorriu para si mesmo, comemorando a descoberta.

Meses antes, ele havia passado em várias lojas Boticário, apenas tentando descobrir qual fragrância aderiria melhor aos traços típicos e únicos de Mariane. Desde o inicio ele havia ficado entre aquele perfume Glamour e um outro chamado Accordes Harmonica.

– Combina muito com a sua personalidade minha querida…

Durante as compras de Mariane, Andrey ficou espiando-a e analisando-a. E em algumas horas, ela já havia terminado de pegar todos os produtos da lista e já os tinha pago no caixa.

Ele a olhava colocar as pesadas sacolas no carro e lutava com o ímpeto de ir ajudá-la. Se aparecesse novamente em tão curto tempo, poderia deixá-la desconfiada, e isso arruinaria as coisas para ele.

Mariane terminou de passar todas as mercadorias para o Celta e entrou no carro. Antes de dar a partida, encostou a cabeça no banco e fechou os olhos. Algo a estava incomodando.

– Aqueles olhos… Eu já os vi, mas onde… Onde eu posso tê-los visto? – colocou uma das mãos sobre a testa, como se esse gesto a fizesse recordar algo. – Eu tenho certeza de que nunca vi aquele garoto antes, então como é possível isso? – ficou ali, naquela posição, meditando por alguns minutos, até que desistiu e deu um enorme suspiro enquanto ligava o carro.

Muita coisa estranha estava acontecendo com ela em apenas um dia. Se ficasse pensando sobre tudo aquilo, enlouqueceria. Ligou o som, trocou o cd do Sonata Ártica pelo cd orquestrado do Metallica e deixou a música Master of Puppets a envolver totalmente enquanto voltava para casa.

 

conto_dragões



{abril 18, 2012}   Conto de Dragões

(metade do capítulo…)

 

 

Capítulo 03

Quem já viu um Príncipe?

 

 

 

 

 

– Andrey, o que você estava fazendo?

– Estava no meu quarto. Algum problema com isso?

– Fazendo o que? A luz estava apagada e tive impressão de ouvi-lo conversar com alguém…

– Não preciso de luz. Aliás, nenhum de nós precisa de luzes acesas. É um desperdício de dinheiro com eletricidade, sabia?

– Você sabe que nós precisamos nos ambientar neste planeta. E se os humanos precisam de luzes acesas quase o dia todo, precisamos fingir que também precisamos.

– Quem vai notar se estamos ou não com a luz acesa? Estamos em casa e está super claro lá fora.

– É bom recebermos uma conta de luz “normal”, com uma quantidade de energia normalmente utilizada por um ser humano. Assim, não levantamos suspeitas.

– E me diga quem vai ficar prestando atenção em uma conta de luz?

– Andrey… Pare de me questionar! – o pai de Andrey encostou-se na parede com os braços cruzados. – Ainda falta uma resposta! Com quem você estava conversando?

– Eu estava no telefone…

– Por que e com quem?

– Ué… Você não se preocupa com a conta de luz? Então, eu me preocupei em criar uma conta de telefone “normal”. – deu um sorriso sarcástico.

– Andrey, com quem? – Thadeu se desencostou da parede e descruzou os braços.

Sem desviar o olhar dos olhos do filho, se aproximou do garoto com um ar imponente e ameaçador.

– Com ela…

– O QUÊ? Como… Como se atreveu a me desobedecer? – havia assumido uma postura tensa. Estava nervoso demais com o filho e tentava ao máximo se controlar.

– E como você espera que eu agüente? Sempre a observamos, a analisamos, pesquisamos a sua vida ao máximo… COMO eu ia agüentar ficar mais seis meses assim? Quero vê-la pessoalmente, quero senti-la, quero conversar com ela, ouvi-la conversar diretamente comigo. Vocês me torturam sabia?

Andrey deu um leve murro na parede. Tentava controlar sua força e raiva para não destruir nada da casa.

– Fui EU quem a escolheu! Ela é MINHA escolhida! Não pertence a nenhum de vocês! Sou eu quem deveria decidir como e quando aparecer para ela e não você ou qualquer um dos outros!

– Andrey! – Thadeu agarrou um dos braços do filho com força. – Você sabe que estamos em uma situação delicada aqui. Eles chegarão em oito meses, ou menos, e ainda precisamos encontrar companheiros compatíveis para todos nós, para aumentar nossa força. Ela foi a única que encontramos até agora e se der algo errado, no final ela e você serão nossa arma surpresa. Não estrague as coisas! – diminuiu o aperto no braço de Andrey. – Se a descobrem… Se acontecer algo a ela… Se Mariane se assustar com você ou com qualquer um de nós, você sabe que a compatibilidade será prejudicada e não alcançará o nível desejado de força.

– Eu sei de tudo isso pai! – puxou o braço com força, se livrando completamente da mão forte do pai. – Eu não cometerei nenhum erro! Eu apenas quero… Saciar a minha curiosidade e trazê-la para o nosso lado o mais rápido possível.

– Curiosidade? Pelo o que eu ouvi você dizer até agora, não parece apenas curiosidade. Me pareceu que você está apaixonado por ela!

Andrey vacilou e abaixou a guarda por alguns instantes, tempo suficiente para Thadeu perceber um leve rubor no rosto do filho.

– Andrey! Você sabe que não deve ter nenhum tipo de relacionamento com humanos exceto a compatibilidade!

– Eu também sei disso… – sussurrou Andrey completamente desanimado. – Eu não estou apaixonado pai. É apenas curiosidade mesmo. – respondeu em uma voz mais alta, disfarçando o desanimo. – Vou dar uma volta. – e antes que seu pai pudesse dizer ou fazer algo, Andrey saiu da casa.

– Esse Andrey… – sussurrou enquanto observava pela janela o filho virar o quarteirão. – E todos vocês! O show acabou, chega de espionar! – e vários olhos brilhantes, espalhados pelos cantos escuros da casa, se dispersaram.

 

—————————————————————————————-

 

– Mariane! – Lívia procurava pela filha com um pedaço de papel nas mãos. – Filha, vem aqui na cozinha!

– Diga mãe… – Mariane parecia um pouco mais desanimada.

Além do cansaço pela limpeza da casa, ela sentia uma imensa ansiedade em descobrir quem era aquele tal de Andrey. No entanto, sabia que essa descoberta era praticamente impossível.

Não tinha pista nenhuma de quem ou o que era ele. Nem ao menos sabia o número de telefone do garoto. Era frustrante sentir-se atraída por alguém que nunca vira e nem sabia se algum dia poderia ver.

– Tem como você ir até o mercado para mim? Eu percebi que tá acabando alguns produtos de limpeza aqui em casa. – entregou o papel na mão da filha. – Aí tem o nome das coisas que você precisa comprar.

– Mãe… Arroz, pelo o que eu saiba, não é produto de limpeza.

– Eu sei… Mas, eu também percebi que tá faltando muita coisa por aqui. Então, já que você vai para lá comprar os produtos, dá para aproveitar e comprar o resto também, não é? – deu um sorriso, tentando encorajar a filha para as compras.

– Certo… Entendi… Você quer que eu faça as compras do mês, né? – Mariane deu uma breve olhada com os cantos dos olhos para a mãe, enquanto checava o resto dos itens na lista. – Ok… Então, posso pegar o carro?

– Claro que pode! Não sou uma mãe tão exigente e má assim! – fingiu estar chateada com a filha. – Você realmente achou que eu fosse fazer você voltar a pé, carregando todas as compras?

– Confesso que sim. – brincou.

– Ai, Mariane! Como você é maldosa com a sua mamãe! – Lívia deu um tapa leve na filha e depois lhe entregou as chaves do Celta. – Eu ia te deixar ir com o Corolla, mas já que foi malvada comigo, você vai de Celta!

– Bom… Celta é melhor que nada! Tchau, mãe. – pegou as chaves e saiu.

– Aonde você vai?

– Vou ao mercado… – entrou no carro dando um sorriso torto para Leonardo e fechou a porta.

Olhou pelo retrovisor e o portão já estava aberto. Seu pai estava lavando a calçada. Deu ré, tomando cuidado para não acertar a cesta de lixo, parou o carro ao lado de Leonardo e abriu a janela.

– Volto daqui a pouco. Tchau, pai. – olhou para os lados e saiu com o carro.

Enquanto dirigia até o mercado, ligou o som e colocou um cd do Sonata Ártica. Aumentou o volume e tentou tirar aquela voz sedutora de Andrey da cabeça. Precisava se distrair, tinha que tirar aquele garoto arrogante da cabeça.

Onde já se viu?

Dizer que adivinhou seu telefone. Ficar mudando o tom da voz, só para jogar com ela. Se manter no mistério durante o telefonema todo. E mais! Dizer que ela era DELE!

– “Sua”… Háhá! Eu nem sequer o conheço! Como ele pode dizer que sou dele?

Ela entrou em uma rua deserta e aproveitou para acelerar um pouco mais o carro, tentando acalmar um pouco seus sentimentos, ao som de Full Moon.

– Eu não pertenço a ninguém! Como um cara que eu nunca vi pode vir me dizendo que é meu dono? Ridículo! – apertou um pouco mais o volante. – AAAAAH se ele não tivesse aquela voz… – respirou fundo.

Não adiantava… Não conseguia esquecê-lo.

A conversa pelo telefone ainda ecoava em sua cabeça. Sentia raiva por ele ter desligado sem antes dar nenhuma satisfação ou dica de quem era.

– Ao menos sei o nome dele… Andrey… – respirou fundo mais uma vez.

Já estava chegando ao mercado e não queria que a vissem transtornada e a tomassem como louca.

– Louca… Se é que eu já não sou uma! – resmungou.

Era realmente possível se apaixonar ouvindo somente a voz de alguém?

Isso era o que chamam de amor platônico? Não, não… Não chegava a ser amor… Talvez… Uma paixão platônica?

E se fosse um assassino, estuprador, um maníaco?

Perguntas e mais perguntas passavam por sua mente. Ela realmente estava enfeitiçada por aquela voz. Sentia-se perdida.

Queria odiá-lo, mas não conseguia. Queria adorá-lo, mas se impedia de fazê-lo. Precisava conhecê-lo, mas como? Em seus pensamentos, Mariane se viu em um beco sem saída.

Sua razão e o seu coração não entravam em um acordo. Suas vontades se dividiam. Aquele garoto a havia transtornado.

– Maldito seja este tal de Andrey! – retrucou enquanto estacionava em uma vaga próxima da entrada do mercado. Desligou o som e pela terceira vez, respirou fundo antes de sair do carro.

 

—————————————————————————————-

 

– Nossa… Você viu os olhos dele?

– Vi! Que olhos eram aqueles? Que lindos!

– É… Lindos mesmo!Aliás… Não apenas os olhos.

Duas amigas suspiravam e cochichavam uma com a outra, enquanto davam risadas e olhadinhas furtivas para trás.

Andrey gostava de ser o centro das atenções sem precisar fazer esforço algum. Bastava um olhar ou uma palavra e pronto! A maioria dos olhares se voltavam para ele.

Aquelas duas amiguinhas, pelas quais havia acabado de passar, foram somente uma distração. Estava imerso em pensamentos, a maioria sobre Mariane, e quando viu aquelas garotas, decidiu que precisava se divertir um pouquinho.

Ele esperou que elas se aproximassem e adotou uma postura soberba, colocou um sorriso sedutor nos lábios e as encarou com seus olhos maravilhosamente verdes.

E voilá!

Não conhecia uma garota humana que já houvesse resistido àquele charme.

– Será que ela resistiria? – um sorriso maroto surgiu. Agora, estava realmente com vontade de testar Mariane. Ver se ela sofreria de amores como todas as outras ou conseguiria se controlar.

Para ele, a garota era diferente das demais. Mesmo que os outros de sua espécie dissessem que não viam diferença alguma entre ela e as outras milhares de humanas. Ele sabia que ela o era.

– Jamais entenderão como me sinto… – e seu sorriso maroto transformou-se em um sorriso amuado, sem graça.

Quem olhasse para Andrey naquele momento, sentiria um ar de solidão e ao mesmo tempo de raiva. Uma mistura de sentimentos que seriam capazes de despertar compaixão e medo em qualquer um.

Enquanto caminhava, sentiu um aroma diferente no ar. Era um cheiro um pouco amadeirado, um tanto doce… Uma mistura de Dama da Noite, rosas com Acqua Flor. Essa fragrância lhe lembrava algo… Ou melhor, alguém!

– Mariane! – sentiu seu corpo acordar, despertar daquele desanimo que o havia dominado segundos atrás. – Ah Mariane… Somente você. – seu sorriso maroto estava de volta.

Olhou ao redor para se certificar que ninguém estivesse por perto. Agachou-se levemente, deixando a maior parte do peso de seu corpo nas pontas dos pés e antes que alguém aparecesse, saltou.

Andrey saltava de rua em rua, de poste em poste, de telhado em telhado sem que ninguém o percebesse. Para os distraídos, ele era somente uma repentina brisa forte, para os que tentavam prestar mais atenção ao mundo, ele não passava de um estranho e veloz borrão.

Ele seguia o cheiro no ar e tinha pressa em encontrar a dona do perfume. E em segundos, Andrey estava parado no estacionamento de um Supermercado chamado Russi, em um bairro de nome Vila Hortolândia.

Olhou ao redor e viu um Celta preto estacionado próximo da entrada. Aproximou-se do carro e deu uma espiada no seu interior.

– Definitivamente ela o usou! O cheiro dela está impregnado em todo o veiculo. – olhou para o mercado. – Acho que vou fazer compras hoje… – passou uma das mãos pelo cabelo, apenas para manter a vaidade e entrou calmamente.

 

 

 



{abril 10, 2012}   Conto de Dragões

(capítulo inteiro…)

 

 

 

Capítulo 02

Mamãe disse: Nunca fale com estranhos!

 

 

 

 

– Mariane, limpe a sala para mim?

– Claro, mãe!

Já era meio dia, estava morrendo de fome e ainda não sabia a que horas iria comer. Estava desde cedo ajudando a sua mãe a limpar a casa.

– Mariane, chama o seu irmão para mim? Quero que ele vá buscar pão para fazermos um lanche.

– Lanche? Mas, mãe eu quero comida! Arroz, feijão, um bife… Ou até uma lasanha ou uma macarronada! Mas lanche? Lanche não me enche quando estou morrendo de fome!

– Eu e você estamos sem tempo para cozinhar. E o seu pai está lavando os carros e a garagem. Um lanche é melhor que nada!

– Ah, mãe! Então, manda o Will cozinhar! Ele já tem 18 anos, deveria saber fazer pelo menos um arroz e um bifinho, né?

– Você sabe que o seu irmão ainda não sabe cozinhar. Não pega no pé dele…

– Não pegar no pé dele? Mas, ele não tá ajudando em nada! Aliás, nunca ajuda! Só sabe sair com os amigos e ficar no computador! Não dá para ele fazer algo de útil de vez em quando, não?

– Ele já vai fazer. O seu irmão vai pegar o pão na padaria e quem sabe uns frios também. – ela deu um sorrisinho para a filha e foi limpar o escritório.

– Eu mereço… – colocou o pano, que usava para tirar pó, em cima da televisão e foi até o quarto do irmão. – Will! A mamãe quer que você vá até a padaria pegar pão e frios.

– Agora? Eu tô no meio de uma batalha aqui no jogo. Não tem como esperar mais meia horinha?

– Não! Eu, a mamãe e o papai estamos com fome.

– Então, cozinhem algo.

– Não dá! Estamos ocupados! – aquilo a irritava. Não gostava de trabalhar e ver o irmão folgado, retrucando tudo o que pedia. – Vai logo pegar o pão!

– Com que dinheiro? – não desgrudava os olhos da tela do computador.

– Pega com a mãe.

– E como eu vou até lá? Alguém vai me dar carona?

– Deixa de ser preguiçoso! Vai andando! Você é magro e não está ajudando em nada aqui em casa! Tem disposição de sobra para ir a pé até a padaria.

– Ah…

– WILLIAM! – ela virou o rosto do irmão para que a olhasse cara a cara. – Vá logo pegar aquele pão!

– Tá, tá, tá… Já tô indo! – levantou-se rápido da cadeira. – Que menina chata… – resmungava enquanto saia do quarto.

– Moleque irritante! – retrucou enquanto voltava para a sala. – Por que EU tenho que ajudar em tudo e ele pode ficar vagabundeando no computador?

– Mariane, coloca o lixo lá fora para a mamãe?

– Mas, mãe! O pai já está lá fora e eu ainda não terminei de limpar a sala. Não é mais fácil pedir para o papai?

– Mariane! EU estou TE pedindo um FAVOR! – ela já havia parado o que estava fazendo para encarar a filha seriamente.

Lívia fazia aquele olhar que só mãe sabe fazer para os filhos, quando estes tentam arranjar alguma desculpa e fugir de algum pedido.

– Então, POR FAVOR, você poderia levar o lixo lá fora para a mamãe?

– Hupf… Claro, mãe… – jogou o pano sobre a televisão mais uma vez e foi pegar o lixo. – Já estou levando mamãe… – abriu a porta e saiu tentando carregá-lo nas mãos.

– Brigadão, filha! – deu um sorriso de vitória e voltou a varrer a casa.

– De nada, mãe… – respondeu enquanto fechava a porta.

– Ah… Então, a sua mãe te pegou de ajudante hoje? – o pai de Mariane, Leonardo, ria da cara da filha enquanto jogava água sobre o carro para tirar o sabão. – Final de semana passado, eu fui o escolhido. – olhou para a filha e a viu tentando carregar as sacolas de lixo até a lixeira do lado de fora do portão. – Parece pesado… Quer ajuda?

– Não pai. Obrigada. Eu me viro… – arrastou as sacolas até o portão, o abriu e depois, uma por uma, foi colocando-as no cesto. – E você? Faz um booom tempo que está ai limpando os carros e a garagem. Geralmente você faz isso mais rápido. Quer ajuda ou você está simplesmente enrolando para fugir da faxina?

– Se a sua mãe perguntar, diga que hoje os carros e a garagem estão difíceis de limpar. Tem muitaaa sujeira… – deu um sorriso suspeito, confirmando para a filha que tudo aquilo não passava de uma embolação e voltou a limpar o carro.

– Tá… entendi… – Mariane deu um suspiro. Ela queria poder escapar da faxina também, mas alguém tinha que ajudar a sua mãe, não é? E com certeza, esse alguém não seria o seu irmão Will.

– Mariane, telefone para você!

Mariane correu até o aparelho mais próximo. Era um telefone preto e sem fio, que sempre ficava jogado pela casa. Dificilmente ele tinha um lugar especifico para ficar, a não ser quando ficava sem bateria. Nesse caso, era fácil encontrá-lo em seu carregador na sala de televisão.

Ela olhou para o identificador de chamadas do aparelho, mas não conseguiu ver o número, somente aparecia a frase “restrito”. Esperou mais alguns segundos e o ligou.

– Já atendi mãe! – foi até a cozinha e sentou em uma cadeira. – Alô?

– Mariane? – era a voz de um garoto, que pelo tom grave e aparentemente maduro, parecia ser mais ou menos de sua idade.

– Ela mesma… Quem está falando?

– Segredo. – quem quer que fosse, estava dando risada. E era uma risada deliciosa e agradável – Foi você quem sonhou com dragões, não foi? – a voz havia adquirido um tom mais suave.

– Como…? – Mariane sentia seu corpo ficar tenso. Ela não havia tido a oportunidade de contar sobre o seu sonho para ninguém. Como é que aquela pessoa sabia? – Quem é você? Eu o conheço?

– Não… Não pessoalmente pelo menos… – voltou a ficar com um tom mais divertido, como se estivesse para contar algo engraçado. – Mas, quem sabe, em breve não nos vemos por aí? A cidade é tão pequena que com certeza nos esbarraremos em algum lugar.

– Nos vermos? – ela não conseguia entender nada. Como ele saberia reconhecê-la? Eles já haviam se visto? Ele realmente a conhecia?

– Eu já o vi alguma vez?

– Aham… – deu mais uma risada. – Digamos que você já viu o meu… hum… verdadeiro eu uma vez.

– Onde e quando? Nesse dia, chegamos a conversar e eu te passei o meu telefone por acaso? Ou você conhece algum parente ou amigo meu? Sabe… Alguém com quem você possa ter conseguido o meu número? – Mariane tentava descobrir qual era a sua relação com aquele garoto. O seu lado jornalista estava à mil. – Porque… eu não vejo como você…

– Onde e quando? Nossa! Você já se esqueceu? Foi tão recente… – o garoto ria cada vez mais divertido com a situação. – Bom… Nós não chegamos a ter um diálogo, mas, posso dizer que houve uma certa comunicação entre você e eu. E ninguém relacionado a você me conhece, eu apenas… hum… adivinhei o seu número de telefone.

– Você adivinhou? Que brincadeira é essa? – Mariane estava prestes a desligar o telefone. Aquela conversa a estava assustando. Provavelmente estava conversando com um psicopata.

– Espera! Não desliga ainda.  – pediu apressado, quando percebeu que ela pretendia desligar. – Eu tenho mais uma mensagem para te dar antes de desligarmos.

A voz do garoto ficou mais séria. Havia perdido o tom de brincadeira. Parecia mais suave e ao mesmo tempo desafiadora. Mariane chegou até a se sentir atraída e fascinada pela voz nesse momento. Sentiu-se extremamente curiosa para tentar descobrir quem era o dono daquela voz misteriosa.

– Mariane… Dragões são mais reais do que você pode imaginar! Quando você menos esperar, estará esbarrando em um no meio da rua. – ela sentiu que o dono da voz dava um sorriso, pois o tom parecia mais tranqüilo e risonho. – E não se preocupe… Esse dragão não vai estar a fim de te devorar! – deu mais uma risada jovial, e desta vez, foi uma que ela própria considerou contagiante.

– Eu… – não sabia como responder, como reagir.

O que aquele garoto havia acabado de dizer a tinha deixado completamente desnorteada. E o seu medo sendo dominado por um fascínio crescente por aquela voz, não a estava ajudando em nada.

“Será que é possível se apaixonar por alguém, somente ouvindo a sua voz?” era a pergunta que lhe passava pela cabeça.

– Eu… – Mariane respirou fundo, tentando se acalmar. – Eu posso saber o seu nome?

– Meu nome? – do outro lado da linha, um garoto de olhos verdes que brilhavam na escuridão do quarto – como olhos de um gato – sorria deliciado com a conversa. – Meu nome é… Andrey.

– Andrey… – degustou o nome. – Bonito nome. – pela primeira vez na conversa ela deu um sorriso. – Bom… Ao menos agora eu sei o nome do dono da voz misteriosa.

– Huuum… Então eu sou um mistério para você? – Andrey fingiu um tom de decepção. – E eu que pensava que você fosse a pessoa que mais me conhecesse.

– E como eu posso ser a pessoa que mais te conhece, se eu nem sei quem é você?

– Acredite Mariane, você conhece muito sobre mim. – Andrey deixou sua voz mais sedutora, tentando brincar com os sentimentos de sua ouvinte. – E é por me conhecer tão bem… Mais do que todos deste imenso planeta, que eu a escolhi como minha futura companheira. – sua voz ficou ainda mais atraente com um leve tom dominador. – Como minha humana… Minha frágil, delicada e divertida humana…

– Como SUA frágil, delicada e divertida humana?

O garoto não agüentou o tom incrédulo de Mariane e começou a rir enquanto ela falava.

– Em primeiro lugar, QUEM disse que sou SUA?

– Quem? Claro que fui eu, oras! – Andrey ouviu alguém chamá-lo do lado de fora de seu escuro quarto. – Desculpe minha princesa, mas, eu preciso ir…

– Espera! Só me responde mais uma pergunta!

– Então, pergunte logo!

– Andrey…

– Eu?

– O que é você?

Tanto Mariane quanto Andrey estavam com as feições sérias por causa da pergunta. Aquela poderia ser uma parte da conversa bastante reveladora.

– Imaginei que você já soubesse… Que já houvesse descoberto o que sou! – Andrey deu um suspiro longo. – Até mais Mariane. – e desligou sem esperar uma resposta para sua despedida.

– Andrey? Andrey? – ela olhou para o telefone e fez uma careta. – Mas que mal educado! – desligou o telefone e mostrou a língua, como se a pessoa que estava do outro lado da linha pudesse ver. – Desligou na minha cara! Que… Que… Arrogante!

– Mariane! Se você já terminou de falar ao telefone, dá para ir ajudar o seu irmão a preparar os lanches? Estou muito ocupada para ir ajudá-lo.

– Já estou indo mamãe!

 

 



{abril 3, 2012}   Conto de Dragões

Um tipo de…

Prefácio.

 

 

O que você faria se descobrisse…

que aquilo que te ensinaram como sendo o real…

não passasse de um sonho?

·

                                                                                                                                                                                               ·

                                                                                                                                                                                               ·

Sveglia bella,

perché il sogno si

è transformato

in realtà…

 

 

 

Capítulo 01

Tudo é real?

 

 

 

– O que está acontecendo? – Mariane, uma garota no auge de seus 20 anos olhava ao redor sem entender nada.

Não sabia como havia parado na cozinha, tentava vasculhar na memória o porquê de estar parada de pé, mas não adiantava. Sem lembrar como ou o motivo, estava ali, usando as roupas que mais gostava – um shorts e uma camiseta larga – mas nem mesmo quando havia se trocado conseguia se lembrar.

Começou a andar pela casa. Quem sabe sua mãe ou alguém fizesse idéia do que ela pretendia fazer? Quem sabe tinha ido comer ou beber algo? Não… Ela não sentia fome ou sede. Talvez tivesse ido atender ao pedido de alguém? Provavelmente.

Foi até a sala, ninguém.

Dirigiu-se até o escritório, ninguém.

Subiu para os quartos, todos vazios.

Resolveu dar uma espiada nos banheiros. Era difícil que todos da família estivessem usando o banheiro, mas não impossível. Mais uma vez, nem vestígio de sua família.

Parou para prestar atenção aos sons da casa. Se conseguisse ouvir as vozes de sua mãe, de seu pai ou de seu irmão, saberia onde estariam. Mas estava tudo, irritantemente, quieto. Nem o som de suas mascotes ela conseguia ouvir.

Será que aquela casa era mesmo a sua?

Será que simplesmente não havia entrado na casa errada e ainda não tinha percebido?

Olhou ao redor e tudo indicava que ali era o seu lar, mas queria ter certeza absoluta. Era impossível não haver ninguém ali daquele jeito! Entrou no quarto que supostamente seria o seu. E sim. A casa era sua. Aquele, definitivamente era o seu quarto cheio de bibelôs, livros e roupas espalhadas por todo lado.

– Estou em casa mesmo. Mas cadê todo mundo? – a casa estava completamente vazia e silenciosa. Ninguém, nem suas cadelinhas, estavam ali dentro, em nenhum cômodo, tudo vazio.

– Será que saíram? Me largaram sozinha aqui? – falar consigo mesma parecia idiotice, porém a tranqüilizava. Foi até a garagem, os carros ainda estavam ali.

Abriu o portão e foi até a rua. Não havia ninguém por perto. Não havia nem sequer o som de carros ou de pessoas andando pela cidade. Nem ao menos algum cachorro passando pela rua ou algum passarinho cantando. Estava tudo deserto e silencioso.

– O que está acontecendo? Cadê todo mundo? – começou a correr pela rua, sem se preocupar em fechar o portão. – MÃEEEE! PAAAII! WIIILL! CADÊ VOCÊS? – enquanto corria, ouviu um som estranho, parecia-se com um rugido ao longe.

Parou de correr, olhou ao redor e não viu nada. Provavelmente o pânico de estar sozinha a estivesse levando a ouvir coisas.

– EEEEIII!! ALGUÉM ME ESTÁ OUV… – antes que terminasse a frase, ouviu outro rugido e dessa vez mais forte, como se estivesse se aproximando. O som vinha de cima e com certeza não era a sua imaginação! Não estava apenas ouvindo coisas. Algo vinha pelo céu.

– Mas o que diabos é isso? – olhou para cima procurando por algo. O som se repetiu ainda mais forte, mais próximo. E dessa vez ela pôde ouvir outros rugidos. O que quer que fosse, não estava sozinho.

Começou a ventar e o som estava ficando cada vez mais alto. Sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Mariane não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha e algo estranho se aproximava.

Obrigou suas pernas a correrem de volta para casa, mas na metade do caminho ouviu o rugido novamente. Estava bem acima de sua cabeça! Ela congelou no lugar, não conseguia mais se mover. Com muito custo olhou para o céu e, naquele momento, viu a imagem mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora e bizarra que já havia visto em sua vida.

Sobre sua cabeça um grupo enorme de dragões, das mais diversas cores, formatos e tamanhos, voava pelo céu.

– Eu… não… acredito… – ela caiu de joelhos, sem tirar os olhos daquele espetáculo surreal. – São… são… DRAGÕES!!!! – desde pequena tinha uma paixão por essas criaturas fantásticas.

Sempre soube que eram ficção, uma história que não existia na vida real, mas mesmo assim, não conseguia deixar de se sentir atraída por esses seres. E, de repente, em seus 20 anos de vida, ela estava ali, vendo um bando inteiro e gigantesco voando sobre sua cabeça.

Quando estava começando a recuperar as forças que havia perdido com o choque, o maior de todos eles, o que parecia liderar o bando, deu um urro extremamente intenso, mais potente do que os rugidos que ouvira antes. E todos os demais, obedecendo a alguma ordem que ela não conseguiu entender, se separaram e se espalharam pelo céu sobre sua cabeça.

– Acho melhor eu voltar para casa… – ela conversava consigo mesma, tentando se acalmar, como se quisesse dizer para seu próprio corpo que estava na hora de sair dali. – Eles parecem meio nervosos agora…

Enquanto se apoiava no chão e no joelho direito para conseguir levantar, sentiu o vento aumentar de força. Ele havia ficado muito forte e vinha pelas suas costas, empurrando-a. Mal estava conseguindo ficar em pé, sentia seu corpo vacilar perante a força daquele vendaval.

– O que é isso agora? – ela estava protegendo o rosto, bloqueando o vento com os braços enquanto tentava andar na direção de sua casa. No entanto, sentiu um baque súbito que fez o chão tremer, impedindo-a de prosseguir a caminhada de volta.

Logo depois, o vento parou e ela começou a sentir uma brisa quente atingir o seu corpo por inteiro. Sentiu um novo arrepio percorrer suas costas. Mas não conseguia saber se o arrepio era consequência da brisa quente ou da gigantesca sombra que via projetada na rua.

Mariane não queria olhar para trás, mas ao mesmo tempo, sentia uma estranha necessidade de ver com os próprios olhos o senhor daquela sombra e, talvez, daquela brisa. E aos poucos, invocando toda a sua coragem, ela começou a se virar.

– Ah, meu Deus… – sentiu-se congelar novamente.

Bem na sua frente estava um dragão imenso parado, olhando para ela com olhos interrogativos e ao mesmo tempo ameaçadores.

– Ah… Meu… DEUS! – a criatura havia aproximado o rosto gigantesco de seu corpo e parecia tentar sentir seu cheiro. – Não me coma, não me coma, não me coma, não me coma, por favor, não me coma… – implorou silenciosamente, enquanto a criatura se aproximava ainda mais dela, chegando a tocar parte do focinho em sua barriga.

Mariane fechou fortemente os olhos, temendo o pior, mas nada aconteceu. Não sentiu as pontas afiadas de nenhum dente e não ouviu mais os rugidos dos outros dragões. Abriu os olhos novamente e viu que todos, ou ao menos a maioria deles, estavam parados ao redor, observando.

Ninguém se movia ou emitia qualquer som. O único que ainda se movimentada, de vez em quando e com movimentos que pareciam ser leves e calculados para não assustá-la, era aquele dragão que permanecia com o focinho colado em sua barriga.

– Perfeito… – foi a única palavra que ela conseguiu emitir quando criou coragem e acariciou a criatura. – Você só queria um pouco de atenção? – ela continuou a acariciá-lo e desta vez com as duas mãos.

Não tinha mais medo. Parecia que todo o pavor, que a havia dominado alguns segundos atrás, havia desaparecido por completo.

– Desde o inicio, você não pretendia me assustar e nem me devorar, né? – ele mexeu levemente a cabeça, como se estivesse confirmando.

Para Mariane, tudo aquilo era fantástico! Como, ela podia estar tocando e conversando com uma criatura que habitava somente os seus mais agitados sonhos? Ela queria que aquele momento se congelasse no tempo, se tornasse eterno…

De repente tudo ficou branco, um clarão irritante. Ela fechou os olhos e quando os abriu novamente estava deitada em sua cama. Não havia dragões, apenas a sua mãe abrindo a janela do quarto e mandando-a acordar.

– Vamos Mariane! Acorda! Hoje é domingo, mas ainda tem que me ajudar a limpar a casa.

– Mãeee… Por favor! Você me acordou no meio de um sonho ótimo. – enfiou a cabeça debaixo do travesseiro e puxou as cobertas.

– Não interessa se você sonhou com o príncipe encantado ou com a solução para a corrupção brasileira! Você disse que ia me ajudar e agora estou cobrando a sua palavra. Trate de levantar garota! – puxou todas as cobertas e pegou o travesseiro. – Você tem trinta minutos para tomar um banho, se trocar, arrumar tudo e descer. E depois quero vê-la tomando um café da manhã reforçado. Temos muita coisa para fazer hoje! Vamos, vamos! – saiu do quarto carregando as cobertas e o travesseiro da filha.

– Aaaah… Eu mereço? – sentou-se na cama, ainda meio sonolenta. – Que sono… – não entendia o porquê de ser acordada tão cedo. O sonho estava perfeito!

Levantou se espreguiçando. Foi até a sacada e ficou a observar os movimentos daquela manhã.

– Um dragão… – olhou para as próprias mãos. Acariciar um dragão… Somente em seus sonhos mesmo. Voltou a entrar e foi até o banheiro. – Quem sabe um banho me trás de volta para a realidade?

Assim que entrou no banheiro, uma sombra passou por sua sacada velozmente.

 

 



{julho 22, 2011}   Contos Continuados

(Ainda Precisamos de um título para o capítulo e um nome para a história)

Eu não sabia exatamente o que fazer. Ele estava ali, parado na minha frente, bloqueando minha fuga. Ele era um deus, e eu o amava. Ele era, agora, meu inimigo, e eu tinha que enfrentá-lo…

Como atacar parte de si mesmo? Meu coração já era dois, e a outra metade batia dentro do homem prestes a me destruir. Mesmo sabendo o quanto iria doer, eu tinha que detê-lo, ou o resto do mundo pagaria por minha covardia. No instante em que ele disparou em minha direção, invoquei meu anjo protetor, e senti as asas se abrindo dolorosamente nas cicatrizes antigas das minhas omoplatas.

Ele me olhou sobressaltado. Sabia o que eu estava prestes a fazer. Meu coração disparou dentro de mim. Um movimento dele. Um olhar pesaroso de minha parte. Silêncio.

Um trovão retumbou no ar e eu o senti dentro de mim. Fechei os olhos e puxei o poder que me fora concedido. Toda aquela força agora pulsava sob minha pele e então encarei o deus paralisado de medo diante de mim.

Ele podia ser um deus. Ele podia pensar que o meu amor iria me pacificar. Seu único erro foi esquecer quem era Eu.

Uma brisa leve passou por nós, trazendo consigo o agradável aroma das Damas da Noite. O céu estrelado estava aberto sobre nós. Sorri com a melodia natural das folhas se arrastando com o vento e agradeci a penumbra, ela facilitaria a minha sina. Vi que ele retribuía meu sorriso, no entanto, diferente de mim, ele começava a sorrir travesso, confiante… Entrei no jogo.

Relaxei os músculos por breves segundos, antecipando o meu impulso para a batalha. Ri como em uma atuação divertida, e joguei-lhe um beijo. Assim que ele piscou, confuso com minha atitude antagônica ao meu olhar sofrido, eu ataquei!

Lancei-lhe uma lufada de ar com minhas asas. Ele foi atingido em cheio e tombou para trás. Eu só queria assustá-lo um pouco.  Ainda tinha esperança, mesmo que ínfima e quase nula, de não ter de enfrentá-lo.

Ele olhou para mim e sorriu. Sabia o que eu estava pensando. Eu podia ver em seus olhos claros, que ele pensava o mesmo. Nossas mentes estavam em sintonia. Uma só mente, um só coração.

Ele não podia ignorar este sentimento! Não era possível que só eu percebesse o quanto estávamos conectados.

– Theon! Pára! – eu exclamei, com mais esperança do que certeza sobre o que aconteceria. – Sabe que eu vou ter que impedir você! Não percebe que isto vai nos destruir?

– Não se você não deixar de ser tão… Tão…

– Correta?! – perguntei, impaciente.

– Anti-progressista.

– Escravizar os humanos não é progresso!

– Retrocesso é que não é!

Então ele baixou a cabeça, passando os dedos pelos cachos loiros, com certa frustração. E com um suspiro ele sussurrou:

– Eu amo você. Mas não posso ir contra a minha missão… – seus olhos eram ao mesmo tempo assassinos e esperançosos – É a sua última chance! Ou você sai do meu caminho, ou eu acabo com você!

– Então, venha! – o enfrentei com mais confiança na voz do que eu realmente sentia. – Vamos ver quem acaba com quem. – apesar da falsa coragem, eu sentia dor. Meu coração sangrava a cada palavra que eu pronunciava.

Theon pareceu assustado, perdido com a minha resposta. Eu sempre o surpreendia. No entanto, ele também sempre me desvendava depois. Ele viu que eu me manteria determinada a impedi-lo, assim como ele, não desistiria da missão.

O meu Deus me atacou! Sem chance alguma de me defender, ele me atingiu no estômago e o impacto de seu golpe de luz me jogou longe. Cuspi o sangue que havia se acumulado em minha boca e ergui a mão, invocando dois dos quatro elementos que eu controlava.

Fiz brotar pilares grandes e pontiagudos de terra sob seus pés e joguei sobre ele agulhas de água que acabara de invocar do rio próximo dali.

Ele me encarou contrariado. Estava sem guarda contra meu ataque e conseguiu se desviar de minhas agulhas de água. Mas não dos pilares de terra. Notei que seu braço direito sangrava. Aquilo doeu. Se mais em mim, do que nele, não saberia dizer.

Ele lançou outro raio de luz, do qual me desviei com dificuldade.

– Que ninja. – ele zombou orgulhoso.

– Você nem faz idéia. – respondi arrogante.

Queria acabar logo com aquilo. Essa contrariedade em mim, amor e ódio, me machucava mais que os golpes violentos que ele lançava sobre mim.

Um raio de luz atingiu minha perna esquerda com tanta força que senti o golpe por todo o corpo e caí de joelhos no chão.

Ainda tentava me por de pé quando, de repente, ele disparou na minha direção. Eu estava completamente indefesa.  Ouvia o ar sibilando conforme ele voava até mim. Meu coração disparou e senti medo, por mais que não quisesse admitir.

Num baque, nossos corpos se chocaram e, quando voltei à consciência, ele estava montado sobre mim, imobilizando-me completamente.

Um de seus braços segurava a minha cabeça contra o chão.

Era isso. Era o fim.

Um raio de luz era o bastante para evaporar meu crânio.

Fechei os olhos, mas ao invés de dor, senti seus lábios nos meus, num beijo intenso.

– Ainda não consigo… – ouvi-o sussurrar, bravo consigo mesmo.

Uma pancada na cabeça e tudo ficou escuro.

Uma luz forte e irritante fazia meus olhos doerem. Era agora o meu fim? Ele iria me atacar? Mas, por que a demora? Abri meus olhos por puro instinto curioso. Me vi deitada na grama, sob a luminosidade intensa do sol à pino. E tudo me veio à cabeça em uma avalanche de lembranças da luta de ontem à noite.

Há quanto tempo estive desacordada? E como ele pôde me deixar ali largada ao relento? Suspirei cansada. Ao menos ele me permitira viver… Sentei-me devagar, meu corpo doía. Olhei ao redor. Tudo estava diferente.

A paisagem estava mais bela, praticamente perfeita. Tentei ver mais detalhes do lugar, mas minha cabeça latejou em protesto. Não estava completamente curada do golpe. Levei uma das mãos à testa, como se isso fosse controlar a dor…

– Dor de cabeça, Alicia?

Aquela voz fez meu coração acelerar freneticamente.

– Tomei a liberdade de trazê-la para cá. Não podia largá-la naquele lugar. Além disso, é mais seguro para os meus planos tê-la por perto.

– Onde estou, Theon? – sussurrei sem ousar encará-lo ainda.

– Bem vinda ao meu lar! Bem vinda ao meu Éden, ao Olimpo dos Deuses! – ouvi-o rir com a minha surpresa.

Levantei-me ainda em choque. Não era possível! O Olimpo dos Deuses era proibido aos outros que não eram, como o próprio nome diz, Deuses.

– Mas você vai se encrencar por isso! – comentei receosa.

– Vale à pena. – ele sorriu e piscou para mim. Veio em minha direção e me abraçou forte. Senti seus lábios entre os meus.

Puxei-o mais para perto, com ímpeto. Esqueci a batalha anterior, esqueci onde estávamos. Só queria estar com ele. Ele me tornava completa.

Alguma coisa nele me prendia totalmente! O desejo por ele era quase incontrolável, como se suprimisse toda a minha capacidade de pensar em outra coisa que não seus braços fortes prendendo-me tão maravilhosamente contra seu corpo.

A pressão do beijo aumentou, ritmada pelas batidas aceleradas dos dois corações.

Pulso. Arrepio.

Então, por um segundo, nos afastamos ofegantes. Eu sorri, olhando-o nos olhos, meio desfocados pela intensidade do beijo.

Seu sorriso era tão lindo.

Então, de repente, vi algo que mudou tudo.

Apenas um reflexo de alma contida naqueles olhos azuis. Uma lasca, somente.

Mas uma lasca que revelou presunção, como se aquilo fosse uma vitória para ele. Não era uma expressão de amor.

Afastei-me bruscamente, quase assustada com o ser que se transmutava diante dos meus olhos. E completamente frustrada com a minha burrice.

Ele me olhou atordoado num primeiro momento, e eu lhe dei as costas. Eu pulsava de raiva. Bombas explodiam em minha garganta querendo sair em palavras.

Quando o encarei novamente, sua expressão já se tornara furiosa.

– Você é completamente maluca! – ele atirou, frustrado.

– Eu sou prisioneira! – gritei.

Toda fúria se transformou em compreensão, e ele disse:

– Não tive outra escolha. – sua voz era quase um sussurro. Ele estava envergonhado do que tinha feito, mas, com certeza, não o bastante para desfazer.

– E imagino que este beijo foi um prêmio de consolação pela perda da minha liberdade? – disse sarcástica.

– Foi só um bônus pessoal… – ele respondeu com um sorriso travesso. – Mas não ouvi suas reclamações…

– Vai se ferrar! – sibilei.

E antes que pudesse fazer qualquer coisa, eu já lhe dera um soco na boca, e ele caiu no chão.

Atordoado com o golpe, Theon permaneceu sentado por mais alguns segundos, com a mão direita estancando o ralo sangue que saia de um corte nos lábios. Vi em seus olhos que ele estava incrédulo com o que eu havia feito.

Aproveitei e corri para onde eu julgava ser a saída. Mas, tudo ali era igual! Fiz minhas asas trabalharem novamente e levantei vôo. Talvez eu tivesse mais chances se procurasse pelo alto.

Elevei-me o máximo que pude e vi, dentre uma névoa densa e baixa, ao norte do Éden, uma gigantesca porta dourada. Disparei em sua direção, mas algo me impediu! Theon flutuava no ar comigo e agarrava o meu tornozelo com força.

– Me larga! – gritei enquanto invocava lâminas de vento para atingi-lo. No entanto, ele percebeu o que eu estava fazendo.

– Ah não! Aqui no meu Éden, não Alicia! – e com força ele me puxou pelo tornozelo para baixo, me atirando com brutalidade em direção ao solo.

Não pude refrear minha queda. Não pude evitar o impacto…

Choquei-me com o chão e senti algumas costelas se partirem. Droga! Cuspi o sangue acumulado em minha boca e rolei para o lado, tentando me sentar.

– Desista! Você não pode me derrotar, Alicia! – pousou ao meu lado, olhando-me com olhos sérios.

– Eu te atinjo com água e terra, você me dá uma porrada na cabeça… – cuspi um pouco mais de sangue. – Eu te ataco com ar e você detona três costelas minhas… – sorri desdenhosa. – O que você fará comigo se eu usar o fogo? Vai mesmo me matar?

– Vou… – respondeu, aparentemente, sem muita confiança.

– Duvido! – ri e com todas as forças que eu ainda possuía, me atirei sobre ele, me engalfinhando com o Deus e, invocando o fogo do calor da luz. Eu o derrotaria com sua própria fonte de energia!

Theon urrou. Assutei-me ao pensar que poderia machucá-lo de verdade, mas era preciso. Continuei agarrada nele, enquanto meu corpo emanava o fogo revolto. Ele urrou mais uma vez e logo se calou.

Olhei para cima, tentando visualizar seu rosto a fim de perceber suas intenções. Ele me encarava sério. Nenhum sinal de dor.

– Pára com isso! – ele soltou meus braços de seu corpo, com facilidade.

Olhei para ele por inteiro. Nenhum sinal de queimaduras. Notando minha cara de espanto, ele se defendeu.

– Eu sou um Deus. Me curo extremamente rápido. – seu sorriso irônico me desmanchou por dentro.

– Então por que gritou?

– Porque me mata ter de lutar com você!

– Então não lute. Entregue-se

Ele me encarou de modo sombrio

– Você sabe que não é tão simples, Alicia!

– É só você querer…

– Não! Não é! Se eu não fizer isso, se não cumprir minha missão, eu morro!

– Como assim? – o medo tomou conta de mim. – Do que você está falando?

– Nada. Esquece. – seus olhos estavam tristes.

Ele se afastou, passando as duas mãos pelo cabelo.

– Não. Começou, termina! O que está acontecendo? Por que você está agindo assim?

– Porque eu sou assim!

– Não, não é! Você nunca foi um assassino.

– Mas se eu não me tornar um, o Zion me mata! – ele berrou descontrolado.

– Quê? – dessa vez, quem se descontrolou fui eu. – Caramba, Theon, me explica direito o que está acontecendo!

Silêncio. Ele se afastou mais, as mãos puxando os cabelos, desesperado. De repente, ele estacou e virou no lugar, me encarando. Em um só impulso, ele veio em minha direção e me agarrou. Seus braços passaram por trás das minhas costas e se fecharam com força.

– AAAI! – gritei ao sentir as costelas quebradas sendo pressionadas. – Minhas costelas…

– Cala a Boca! – Theon me deu um beijo apaixonado. Esqueci de onde estava. tudo que importava era seus braços musculosos me prendendo a ele, seus lábios viajando nos meus.

Em algum momento no meio do beijo, eu apaguei. Não sei o que Theon fez comigo, talvez um feitiço…

Mas quando acordei, estava deitada em cobertores macios a um canto da sala. E Theon havia desaparecido. Pelo menos, desta vez, ele me derrubara com um beijo, não com uma pancada.

Levantei-me determinada a sair dali antes que mais alguém aparecesse para me criar problemas. Eu precisava voltar logo à terra, meu elemento e fonte de energias. No Éden eu me sentia totalmente indefesa.

O único problema é que não havia mais portas na sala. Nem janelas. Estava tudo diferente.

E Theon não me deixara acordada para ver como ELE conseguia sair. Porque, até onde eu sabia, semi-deuses não podiam se teletransportar.

Mas ele sabia voar.

Olhei para cima pela primeira vez desde que acordara. Não havia teto, apenas uma névoa branca e densa.

Abri um sorriso e as asas e disparei para cima.

A névoa era fria e úmida, dificultando o trabalho das penas, que começavam a ficar encharcadas.

Mesmo assim continuei seguindo. Sem enxergar nada a minha volta e sem fazer idéia de para onde me dirigia…

Aquilo parecia não ter fim!

Eu já voava fazia quase uma hora e não agüentava mais. Estava com frio e cansada! E queria chegar logo em casa.

Parei um segundo para recuperar o fôlego e aproveitei o descanso olhando em volta e recalculando direções. Mas a minha volta e acima de mim, só existia branco.

Olhei então para baixo e meu coração disparou. De susto e decepção.

A sala que eu deixara havia quase uma hora estava a poucos metros de distância. Deixei-me flutuar até o chão e me encolhi assustada. Como faria para sair dali?

Foi então que ouvi um baque distante, como se alguém estivesse esmurrando uma parede à prova de som. Aproximei-me da parede que agora tremia no instante em que uma fina rachadura surgiu.

E então alguém se materializou a minha frente.

– Caliab! – exclamei, atirando-me em cima dele, extasiada por ver uma cara amiga.

Ele me envolveu nos seus braços, bastante preocupado. E, enquanto eu sentia a dor nas costelas me abandonar, ele disse:

– Oi Alicia. Pronta para ir embora?

Apenas sorri, sentindo-me deliciada com o som de liberdade que aquela pergunta produzia.

Ele pegou em minha mão e me conduziu, com certa velocidade, até a saída que havia criado. Assim que saímos do Éden, pude ver o estrago que meu amigo havia feito em todo o Olimpo.

Não pude deixar de rir diante da cena. Paredes arrebentadas, estátuas espatifadas e todos os Édens expostos por buracos e portas arrombadas. Com certeza, para me resgatar, o Caliab arranjara vários Deuses como inimigos! Que amigo dedicado eu tinha…

Enquanto divagava, senti que ele aumentava a pressão em minha mão. Apesar da força, o seu toque era delicado e carinhoso, totalmente diferente do aperto quente e possessivo de Theon.

Acabei me surpreendendo com a comparação que acabara de fazer. Caliab e Theon eram completamente diferentes! Um era o meu mais estimado amigo, o outro… Era atual inimigo, mas que eu amava… Não era justo compará-los!

Envergonhada pelos meus pensamentos bestas, desviei o olhar daquela mão terna sobre a minha e o encarei de relance. Foi neste instante que eu percebi.

Devido a minha negligente distração, eu não havia visto aquela fisionomia séria e dura no rosto de Calib. Notei, logo em seguida, que havíamos parado. Segui a direção do olhar de meu amigo e vi o que ele encarava com tanta raiva e preocupação.

Theon estava de pé, na nossa frente, de braços cruzados e nos observando com olhos irados de ciúmes.

– Para onde você pensa que via levá-la, Caliab?

– Para longe de você, com certeza! – respondeu no mesmo nível de afronta. Eu pude sentir o quanto cada palavra deles era agressiva no tom.

– De mim, você não a tira!

E o paraíso tornou-se, novamente, o inferno!   

Legenda:

  • Roxo: Fabi
  • Azul: Nara
  • Vermelho: Bia

(ainda não sabemos quando esta história será continuada. Enquanto isso, curtam como conto! hehe)



{março 17, 2011}   Contos: os signos

Donos de si…

Olhando pela janela do carro, eu os vi. Um tanto grandes e imponentes em seus portes.

Alguns deitados sob o sol quente de fim de tarde… Outros de pé observando a planície a sua frente como se lhe pertencesse… E poucos caminhavam com uma tranqüilidade contagiante…

Aproximei-me do vidro a fim de observar melhor aquelas criaturinhas tão calmas…

Calmas? Poderiam estar agora diante dos meus olhos, contudo, conhecia bem o mito de seus golpes… A história que circundavam àqueles que por infelicidade e criancice lhe arrancaram a característica pacifica e os levava a mais suprema irritação!

Passei o dedo sobre a imagem que analisava e contei o número em que estavam. Uma família um tanto grande eu diria!

O carro passou próximo de um deles e eu pude vê-lo de perto. Admirei a cor de tua pele… Como aquilo podia ser natural? Tão impressionante…

Também notei, naqueles olhos negros, um olhar calmo que aos poucos, com a aproximação do carro, se tornava arisco e dominador!

A única coisa que compartilhavam era o espaço. De resto, eram donos de si, sem se importarem muito com o fato de estarem em grupo! Não conversavam, não se olhavam… Simplesmente se acomodavam uns do lado dos outros…

Senti o banco do carro se mover com a mudança do peso. Eu não havia me mexido, mas ele sim!

Ele se aproximara de meu vidro, matando a curiosidade de saber o que eu tanto observava com interesse.

Seus olhos percorreram a planície, vendo aqueles singelos e imponentes animais. Riu das atitudes de alguns deles e os ignorou.

Aparentemente eles não eram tão atraentes assim para o meu irmão… Quando pequeno ele os adorava, porém agora… Dava-lhes pouca importância.

E eu ri daquela atitude de pouco caso dele.

Ele observara os touros e agira como sarrista para com eles… O meu irmão ignorara aqueles que lhe representavam perfeitamente no zodíaco. Um taurino ria da cara de touros!

(conto: Donos de si… / Signo: Touro / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



{março 17, 2011}   Contos: os signos

Dança sinuosa…


Água… Movimentos sutis… Como aquilo conseguia me entreter tanto?

Uma dança desenfreada e ás vezes delicada prendia meus olhos… Leves ondulações… Brilhos difusos e doces de reflexos…

O que eu estava fazendo ali? Tenho tarefas a cumprir e…Um rodopio!? Isso era possível?

Baile frágil. Um único movimento de meu dedo seria capaz de encerrá-lo por completo. Porém, eu não seria capaz de interromper tanta vivacidade e calma…

O brilho de meus olhos contra os reflexos de luz e sombras… Quem venceria? Em algum momento eu iria parar de olhar… Em algum momento aqueles movimentos precisariam cessar…

Quem desistiria primeiro? Não havia a mínima vontade dentro de mim de desviar o olhar e me afastar. No entanto… Eu não via e nem sentia qualquer cansaço naquelas ondulações e sinuosidades…

Contra minha própria vontade, os meus escuros fios de cabelo se movimentaram gentis até para frente de meus ombros. Não mexi a cabeça, mas percebi um reflexo pelo vidro que aprisionava a água e envidraçava a dança silenciosa.

Vi aqueles olhos me encararem por alguns instantes e o sorriso paterno se afastar junto com ele… Não me virara para olhá-lo e agora me via novamente á sós com o baile, para o qual não fora convidada.

Sentia-me intrusa, mas não me incomodava de todo. Lembrei-me daqueles olhos… E os comparei com os protagonistas do espetáculo aquático.

No aquário eu vi meu reflexo sorrir. Um pensamento infantil e inocente passara por minha cabeça… Peixes dançavam… E por alguns instantes… Aqueles peixes dançaram para um nascido daquele signo… Por segundos, foram deslumbrados por olhos de um piscianos…

(conto: Dança Sinuosa… / Signo: Peixes / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



et cetera
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