World Fabi Books











{julho 19, 2015}   Mais um projeto: Sem Nome

Você devia ler ” Sem Nome ” no Wattpad. http://w.tt/1JaxR0Z

Eis mais um projeto meu (Fabi).
E este é o livro chamado “Sem Nome“.
É um romance um tanto pesado e às vezes sombrio. E nesta semana postei mais um capítulo.

Se quiserem ler, ficaria honrada em tê-los como leitores! 🙂

Wattpad - Sem Nome



Povo querido do meu coração!!!

Eiiiis os dois primeiros capítulos de Sem Nome (isso mesmo, esse é o nome do livro! hehehe…), que eu coloquei no Wattpad!

Bom…

Basicamente, eu entrei no Wattpad depois de receber algumas solicitações, de ler umas coisas por aí e dar o braço a torcer. Então, chutei a preguiça e comecei postando o primeiro capítulo de um dos meus livros, o Conto de Dragões!

E agora, eis mais uma de minhas obras!

Se ficaram interessados, acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa oficial, então, estou usando uma “montagem” para introduzi-lo…

Mas, se alguém quiser me ajudar e fazer um desenho para que eu possa colocar na capa, ficaria muito feliz, mesmo!!

(se quiserem ir direto para o primeiro capítulo do livro, basta clicar na imagem abaixo)

 

Wattpad - Sem Nome

Texto by Fabi

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Olá, olá, readers!

Estamos de volta com mais uma resenha!

E o livro da vez, ou melhor, os livros da vez são as três obras da série Matched (Destino, Travesseia e Conquista), da  escritora Ally Condie! Os volumes foram publicados aqui no Brasil pela Editora Suma de Letras, selinho da Editora Objetiva.

Série Matched - Ally Condie

Bom…

Matched é uma trilogia de livros sobre uma sociedade distópica (o que ainda permanece em alta e na “moda literária” atualmente), onde tudo é controlado pela tal “Sociedade“. E quando digo TUDO, é praticamente TUDO mesmo! Eles controlam desde o seu nascimento, o que você come, quando come, com quem irá se casar, quantos filhos terá, onde morará… até o momento da sua morte!

Basicamente, a Sociedade cuida de todos os momentos de sua vida!

Aos 17 anos, você comparece à uma cerimônia especial chamada Banquete do Par, ela é o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro, ou melhor dizendo… É o banquete onde, através de um sistema, você descobre com quem irá se casar por meio de uma combinação que seleciona genes a fim de criar filhos com a melhor formação genética possível.

Quando nasce o seu primeiro filho (sendo que você pode ter apenas dois), os Funcionários da Sociedade vão até sua casa registrá-lo de acordo com os padrões já determinados que são extremamente bizarros. Portanto, exatamente uma semana após o nascimento do bebê, a Sociedade faz questão de realizar as Celebrações de Boas-vindas, nas quais, o rebento é registrado, recebe todas as vacinas e vitaminas (tornando-o imune e resistente a quase toda moléstia) e ganha as três pilulas que precisará carregar junto consigo para o resto da vida: uma verde, uma azul e uma vermelha. Cada uma com uma função diferente, o que permite à Sociedade um controle ainda maior sobre os indivíduos.

E ao fim da vida, ganhamos outro banquete, um de despedia dessa vez, o Banquete Final. E nesse momento gravamos nossas melhores recordações e lembranças junto aos nossos familiares queridos e, caso você tenha sido um cidadão exemplar, que nunca tenha infligido as regras, poderá ter algumas partes do seu corpo guardadas como amostras de DNA para que, um dia, você possa a vir ser clonado!

Afinal, a morte não é mais um mistério dentro da Sociedade! Graças á ela, podemos saber precisamente quando será o nosso dia fatídico, onde estaremos e ter a garantia de que conseguiremos nos despedir de quem amamos. É uma oportunidade para planejar uma despedida dos familiares e amigos (claro que do modo que parecer melhor e mais adequado para a Sociedade), ter uma última reunião, uma última chance para deixar a vida de forma digna. Violência, doenças, acidentes… Estas causas de morte imprevisíveis são ocorrências extremamente raras e os Funcionários da Sociedade trabalham para garantir a saúde, a longevidade e a segurança a todos.

Destino - série Matched - Ally Condie

E é diante deste cenário, encontramos a nossa personagem principal, a gentil Cassia Reyes!

O primeiro contato que temos com Cassia é quando está à caminho do Banquete do Par. E vemos que é exatamente ali que o seu mundo começa a se transformar!

Ela deveria ter sido pareada com seu amigo de infância, o Xander Carrow, mas, por algum motivo, acaba vendo, por breves segundos, o rosto de um garoto completamente diferente e misterioso, o Ky Markhan!

Como a Sociedade nunca erra, a nossa protagonista fica assustada, porém com a pulga atrás da orelha. Ela esconde de todos o acontecimento, mas começa a se questionar sobre algumas coisas.

E não é surpresa alguma dizer que no primeiro livro, cujo título é Destino (em inglês o título é Matched – tradução livre: Destinada, ou Pareada, ou Combinada, ou Correspondida), todo o enredo se desenrola através do ponto de vista de Cassia.

Então, durante a leitura, nós sentimos o que ela sente, questionamos o que ela questiona e nos pegamos juntando as peças da trama, nos apegando às Aberrações, e até desenvolvendo planos de como “burlar” a Sociedade.

Também é nesta parte da estória que nos deparamos com o triângulo amoroso entre Cassia, Ky e Xander, algo que não rouba completamente a cena e é conduzido paralelamente com toda a problemática distópica da obra. Ou seja, o romance funciona bem, não é forçado e não rouba o foco de todo o embate contra a Sociedade.

Admito que neste primeiro volume, achei que Ally Condie deixou o desenvolvimento interessante e gostei dos mistérios que deixou, pois foram o suficiente para que me desse vontade de ler a continuação.

(aliás, se você ainda não leu a série toda, recomendo que não continue lendo este post e volte depois!)

Travessia - série Matched - Ally Condie

Já no segundo livro, as coisas mudam um pouquinho…

Em Travessia (em inglês o título é Crossed – tradução livre: Cruzado, ou Atravessado) a narrativa deixa de ser somente pela visão de Cassia e passa a ser intercalada pelo ponto de vista de Ky. E devo dizer que colocar o enredo desta forma foi algo que me deixou bastante satisfeita, pois assim fica mais fácil se deparar com mais aspectos da estória, afinal, quantos mais “olhos”, mais vemos!

Além disso, as vozes dos dois personagens, mesmo em primeira pessoa, são bem diferentes. Mesmo sem a discriminação no topo do livro, é facilmente possível perceber de quem é a vez de narrar. Esta característica da leitura me agradou muito, pois pude me aproximar mais da personalidade de Cassia e Ky, conhecê-los melhor e ter emoções variadas.

Nesse livro, o leitor já passa da fase de apenas questionamentos e rebeldias leves, para algo um pouco mais maduro e intenso. É aqui que conhecemos outros personagens (alguns muito importantes para o desenrolar da trama), aprendemos sobre o passado de Ky e sabemos mais sobre as três pílulas, algo que, sinceramente, pode surpreender muito, já que vemos que elas não são simples mecanismos de manipulação ou de “cuidado” para com os indivíduos da Sociedade.

No entanto, senti que o ritmo deste livro caiu um pouco. No primeiro livro, a pulsação da leitura é medida através da curiosidade e das descobertas, vamos nos deparamos com conspirações e dramas.

Ficamos seduzidos por perceber, com obviedade, que o “buraco é mais embaixo” e a nossa personagem foi arremessada em direção ao fundo. Mas, no segundo, ficamos estagnados naquela calmaria que antecede a tempestade.

As novidades das descobertas ficaram quase todas no primeiro, deixando o segundo sem muita coisa para “desvendar”, sendo que os mistérios que ficaram em aberto no volume anterior, nem todos são revelados e respondidos neste.

Os conflitos, principalmente os com relação entre a Sociedade e os Rebeldes, são deixados em hiato, aguardando para serem usados no desfecho da trama, ou seja, no terceiro livro. O clímax cai um pouco e nos pegamos desejando que a continuação seja lida logo!

Contudo, apesar da falta de atividade e das voltas e mais voltas que o enredo dá, é interessante ver o desenvolvimento do triângulo amoroso. Além disso, depois percebemos que Ally Condie deixou que boa parte da “ladainha” deste livro, é importante para a introdução do próximo.

(se você ainda não leu o último livro, recomendo que pare de ler este post aqui e volte quando terminar!)

Conquista - série Matched - Ally Condie

O terceiro volume, mais uma vez, é bem diferente do primeiro e do segundo!

Além de as coisas “acontecerem” em Conquista (em inglês o título é Reached – tradução livre: Atingido ou Alcançado), temos o ponto de vista de Cassia, Ky, e Xander, sendo que novamente é possível se surpreender pela forma como a autora diferenciou suas vozes na narrativa!

Nesta obra, tudo finalmente é explicado. E sinceramente? Eu temia que Ally Condie houvesse deixado mistérios demais em branco, algo que ela realmente deixa e muito durante a saga, e que não fosse responder todos (ou melhor, se esquecesse de respondê-los), contudo, AINDA BEM, é possível ver que o enredo é bem amarrado e fechado, sem pontas soltas.

Aqui, nos deparamos com a revolução acontecendo e ficamos na expectativa para descobrir quem, raios, é o tal do Piloto, a pessoa destinada a guiar todos durante a rebelião e levar a um novo, transformado e livre futuro. O triangulo amoroso passa por uma reviravolta e ficamos aflitos com o turbilhão de ânimos para o qual somos arrastados durante a trama, afinal, além da reviravolta, estamos em contato direto com os sentimentos dos personagens principais envolvidos.

Contudo, ao contrário do que aconteceu no segundo, o romance volta a andar de mãos dadas com o desenvolvimento político distópico da estória, assim como acontece no primeiro volumes, mas, com mais intensidade desta vez. E graças à mudança que esta acontecendo na trama, conseguimos ver muito mais ação do que vimos nas duas obras anteriores e temos mais do conflito entre Sociedade e Rebeldes, algo que agradeci imensamente.

Porééééém… Senti, admito, que o final não ficou muito bem resolvido… Apesar de ter sido conclusivo, ainda assim, senti que poderia haver uma continuação ou, então, que poderia ter sido melhor encerrado. Há a satisfação por terminar uma série, contudo, não me senti órfã, portanto… Fiquei com este gostinho de quero mais na boca.

De qualquer forma…

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Digo que a escrita é bem poética e a leitura é fácil, as obras são leves e rápidas, mesmo quando a trama demora a se desenvolver.

Aliás…

A parte poética me cativou, pois Ally Condie copnseguiu dar vivacidade às imagens que se formavam em minha mente durante a leitura e deu uma certa beleza ao enredo (só desejaria que a escritora não houvesse errado um pouco a mão no uso deste recurso em alguns momentos da estória).

No entanto, admito, gostei mais de Conquista, no entanto, não o achei melhor do que Travessia que, por sua vez, também não é, de forma alguma, melhor do que Destino.

Esta é uma série repleta de altos e baixos, tanto na narrativa e no enredo, quanto na leitura e na qualidade da trama. De toda forma, a temática em si e a própria trama são fascinantes. Eu realmente gostei da estória e de toda a problemática empregada na concepção de um futuro da humanidade que a autora criou! (pena que ela se perdeu um pouco na forma como abordar e desenvolver o enredo)

De fato…

É uma saga que recomendo para ser lida de forma descompromissada (sem muita expectativa), para matar o tempo livre ou no intervalo que ás vezes damos entre um livro ou outro para prolongar a leitura de uma série ou dar um tempo entre obras do mesmo gênero, para não saturar rápido (se é que vocês me entendem).

Se seguirem esta recomendação que dei, então, com certeza, poderão desfrutar melhor da leitura da série Matched!

série matched - ally condie 2

E caso você queira saber um pouco mais sobre os livros, eis as sinopses oficiais e algumas informações sobre as obras!

DESTINO

  • Volume: 1º livro da série
  • Título Original: Matched

  • Ano de Lançamento: 2010 nos E.U.A. e 2011 no Brasil
  • Número de Páginas: a versão americana tem 384 e a brasileira tem 240 páginas
  • Editora: nos E.U.A. a editora é a Dutton Juvenile e aqui é a Suma de Letras (selinho da Objetiva)
  • Tradutora: Livia Almeida

Sinopse: “Em “Destino”, primeiro livro de uma trilogia, a protagonista Cassia tem absoluta confiança nas escolhas que a Sociedade lhe reserva. Ter o futuro definido pelo sistema é um preço aparentemente pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável e pela escolha do companheiro perfeito para formar uma família. Como a maioria das meninas, aos 17 anos, ela já está pronta para conhecer seu Par. Após o anúncio oficial, a menina sente-se mais segura do que nunca. Romântica, sonhava há anos com o momento do Banquete do Par, a cerimônia em que a Sociedade aponta aos jovens com quem irão casar. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.”

TRAVESSIA

  • Volume: 2º Livro da série
  • Título Original: Crossed
  • Ano de Lançamento: 2011 nos E.U.A. e 2012 no Brasil
  • Número de Páginas: a versão americana tem 384 e a brasileira tem 280 páginas
  • Editora: nos E.U.A. a editora é a Dutton Juvenile e aqui é a Suma de Letras (selinho da Objetiva)
  • Tradutor: Renato Marques

Sinopse: “Cassia vai para as Províncias Exteriores em busca de Ky. Quando chega lá, descobre que ele fugiu para os imponentes e perigosos cânions. Ao partir em sua nova jornada, fica sabendo de um plano de rebelião contra a Sociedade (Insurreição) e de um inesperado segredo envolvendo Xander.”

 

CONQUISTA

  • Volume: 3º Livro da série
  • Título Original: Reached
  • Ano de Lançamento: 2012 nos E.U.A. e 2013 no Brasil
  • Número de Páginas: a versão americana tem 384 e a brasileira tem 260 páginas
  • Editora: nos E.U.A. a editora é a Dutton Juvenile e aqui é a Suma de Letras (selinho da Objetiva)
  • Tradutora: Elise Olimpio

Sinopse: “Em uma Sociedade que não permite escolhas nem imperfeições, um pequeno erro pode ser o elemento que faltava para iniciar uma revolução. Volume final da trilogia distópica de Ally Condie, Conquista é a continuação de Destino e Travessia.No livro, a autora retoma a história de Cassia Reyes, jovem que pertence a uma sociedade controlada por um Estado totalitário ainda que nele não haja pobreza e a população tenha acesso a direitos básicos, como alimentação, moradia e emprego.O futuro de Cassia não poderia ser mais incerto agora que ela resolveu seguir para as sombrias Províncias Exteriores, campo de extermínio dos cidadãos banidos pela Sociedade. Ela está à procura de Ky Markham, com quem desenvolveu uma relação proibida, e que havia sido aprisionado, com um destino que se encaminhava para a morte certa.”

 

 

Texto by Fabi

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{agosto 22, 2013}   O Destino da Escolha

5º Capítulo

Não sigas por este luar, minha criança…

 

 

Mayara acelerou sua moto. Não se importava mais com multas ou acidentes, apenas queria esquecer, fugir daquela dor em seu peito.

– Maldito! Por que me tortura tanto? – a cada palavra, acelerava um pouco mais a moto. – Por que eu… O que? – brecou bruscamente, quase tinha em outra moto que saia do parque.

– Ei, ei, ei! Calma madame! Para quê a pressa? – o motoqueiro parou e desceu de sua moto, encarando Mayara.

– Meu Deus… Perdoe-me… Juro que não o vi senhor! – também desceu de sua moto e foi até o motoqueiro. – Sinto muito! O senhor está bem? – tirou o capacete.

– Estou perfeitamente bem. Não se preocupe senhorita. – quando também tirou o capacete, pôde sentir o perfume que ela emanava e logo o reconheceu. – Por favor, não me chame mais de senhor, chame-me de Bruno!

– Oh! Sim, sen… Quero dizer… Bruno. – deu um sorriso constrangido. – E se desejar, pode me chamar de Mayara. – estendeu a mão para cumprimentá-lo.

– Vejo que o quase acidente valeu a pena… – comentou sorrindo ao apertar a mão dela e olha-la de cima a baixo. – Diga-me Mayara… Aceitaria beber algo com a sua quase vítima?

– Bom eu… – estava relutante. Não conhecia aquele homem e sentia um alerta incomodando dentro de si, impedindo-a de aceitar. – Não sei se devo… – deu um sorrisinho em desculpa. – Se sóbria quase o acertei, imagine o que poderei fazer se beber algo! – ambos riram do comentário.

– Oras… Podemos apenas beber um suco. Que acha? – Bruno deu um sorriso sedutor e colocou o capacete debaixo do braço.

Antes de responder, Mayara retribuiu o sorriso com menos animação do que ele. Aquele motoqueiro a estava deixando sem desculpas. E agora? Diria o que? Que tinha um compromisso? Não era de totalmente mentira, mas ele poderia perceber a hesitação que estava sentindo. Talvez… Uma bebida rápida não faria mal…

– Se é apenas um suco… Não vejo problema.

– Ótimo! – apoiou-se em sua moto. – Mas… Sinto informar que quem escolherá o lugar será você. – deu um sorrisinho culpado, enquanto erguia os ombros. – Não sou daqui.

– Tudo bem… – voltou a colocar o capacete. – Basta me seguir sem se perder.

– Não se preocupe… Não a perderei de vista… – respondeu cheio de segundas intenções. Também já estava colocando o seu capacete.

Mayara subiu na moto, deu a partida e ficou esperando que ele fizesse o mesmo com a dele. A sensação de alerta ainda persistia e resolveu não a ignoraria, apenas tentaria descobrir o porquê dela. Ouviu o motor da outra moto e acelerou a sua. Enquanto Mayara guiava sua preciosidade de estimação até uma boa lanchonete para tomarem suco, Bruno a acompanhava praticamente lado a lado. E assim que cruzaram a avenida, viu um bom lugar para pararem e estacionou sua moto próxima da calçada. Sem esperar muito, Mayara entrou e sentou em um banco no balcão, vendo que Bruno logo aparecia e fazia o mesmo.

– Hm… Até que o lugar é bem acolhedor… Você costuma vir sempre aqui? – o caçador analisava o ambiente ao seu redor.

– Costumava vir bastante para cá, mas parei. – ela também olhava ao redor, mas ao contrário de Bruno, ela não olhava para tudo com olhos analíticos e sim, nostálgicos.

– E por que parou? – pegou o cardápio de cima do balcão e dava uma olhada na variedade de sucos do lugar. – O ambiente daqui é ótimo e os preços são excelentes. Por acaso não tinha mais tempo para vir?

– Não exatamente… – ela havia pegado outro cardápio que estava ao seu lado e o olhava. – Apenas… Tinha algo mais interessante para fazer…

– Entendo… – encarou-a um pouco desconfiado e deu um sorriso. – Por acaso esse “algo interessante” seria alguém?

– O que quer dizer com isso? – Mayara desviou o olhar do cardápio e olhou-o nos olhos com intimidação.

– Apenas quero saber se desperdiçou o seu valioso tempo com algum homem… – fingiu um ar de inocência.

– Não sou obrigada a satisfazer a sua curiosidade… – respondeu seca, já totalmente desconfiada dele.

– É… Tem razão… Você não é obrigada a satisfazer a minha curiosidade… – deu um sorriso malicioso e aproximou-se dela. – Mas a questão é… Você não é obrigada, mas eu POSSO obrigá-la… – sussurrou em seu ouvido.

Mayara se levantou no mesmo instante. Agora o encarava com olhos diferentes, não era o seu antigo olhar de caçadora, mas também não era um olhar desconfiado “comum”. Eram olhos ameaçadores.

– Tente… – sussurrou, afastando-se devagar.

– O que pretende? Fugir? – perguntou com sarcasmo, sorrindo ao vê-la afastar-se aos poucos.

– Seria um desrespeito ao meu orgulho fugir de um caçador… – respondeu com um leve sorriso maroto e maldoso nos lábios.

– Você sabia? – aquilo o havia impressionado por alguns segundos.

– Suspeitava… Mas, confesso que não foi nada difícil confirmar a minha suspeita… – deu de ombros.

Bruno sorriu. Adorava ver mulheres como Mayara agirem, mostrar sua mente audaz. Não se atraia por mulheres fracas e ignorantes, que se deixavam levar facilmente por sua lábia… Sempre se aproveitava ao máximo que quisesse delas e logo partia. Mas mulheres como aquela que se encontrava á sua frente, eram diferentes. Não a esqueceria e nem a largaria tão fácil. Agora era uma presa almejada, não desistiria dela.

– Você é o caçador que vaio atrás de Marcos, não é? – seus olhos eram sérios e seu tom revelava um tom protetor, que despertou um pouco de ciúmes do caçador pelo vampiro.

– Você é rápida… – Bruno olhou-a de baixo para cima, demorando-se nos detalhes curvilíneos daquele corpo tão feminino. – Esperta… Uma ótima caçadora também…

– Não sou caçadora… – respondeu friamente.

– Impossível! Posso ver em seus olhos e… – parou no meio da frase. Algo lhe vinha à memória. – Diga-me seu sobrenome!

Mayara apenas sorriu provocadora e nada disse.

– Diga-me! Vamos! – ficou a encará-la ansioso. Mas logo percebeu, assim que ela lhe deu as costas para sair do lugar, que seria inútil continuar a esperar por uma resposta. – Você é a famosa Mayara Campelli, não é mesmo? – Mayara nada respondeu. Continuou a andar em direção à saída. – Como não percebi isso antes? – sussurrou para si mesmo, apressando-se em ir atrás dela.

Mayara foi até a sua moto e deu partida. Não tinha tempo a perder com ele agora. Tinha que descobrir uma maneira de evitar o encontro de Bruno com Marcos. Não podia entrar em guerra com o caçador ali em público e sem preparo algum. Teria que levá-lo a um lugar mais reservado para um duelo, ou encontrar uma maneira de combate-lo facilmente, como uma cilada. Ela preferia a segunda opção, pois se perdesse no duelo, deixaria Marcos à mercê daquele inescrupuloso caçador.

– Um momentinho madame! – posicionou-se no caminho dela, sem temer que ela o atropelasse. – Acha mesmo que eu a deixarei partir assim tão fácil? Quero informações!

Mayara abaixou a proteção do capacete, escondendo o seu rosto por completo e acelerou a moto sem sair do lugar. Deu um breve aceno com a cabeça, virou e partiu, deixando-o para trás, parado, completamente indignado.

– Então é esse o jogo que pretende fazer? – sussurrou, olhando-a sumir entre os carros. – Pois então jogarei com o maior prazer… – deu seu costumeiro sorriso de diversão. Adorava jogar com mulheres ardilosas. – Mas não serei mais paciente como fui hoje senhorita Campelli… Não serei mesmo… – seu sorriso mudou drasticamente para algo mais demoníaco, mais mefistofélico.

 

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{agosto 16, 2013}   O Destino da Escolha

(parte do capítulo…)

 

4º Capítulo

Busque pelo Sol, querida Lua…

 

 

 

– Mayara… May… Má… Maya… Yara… Aya… – o vampiro brincava com o nome da mulher, enquanto tentava pegar no sono.

– Ac’Daro… Ac’Daro… Já ouvi esse sobrenome antes. – Mayara buscava em alguns livros de lendas e mitos encontrar aquele sobrenome tão familiar para ela. – Eu já o li em algum lugar, mas onde?

Passadas algumas horas, Marcos já se encontrava em seu mais profundo sono e Mayara se encontrava exausta. Sua pesquisa não havia sido bem sucedida e estava cansada por ter acordado muito cedo. Decidiu tirar um cochilo no sofá da sala, mas assim que se deitou começou a sentir frio. A manhã estava fria e não conseguiria dormir um pouco se estivesse passando frio.

Mordeu os lábios de leve e olhou na direção da porta de seu quarto. Se quisesse descansar um pouco para aproveitar o resto do dia, iria precisar de um cobertor ou ao menos uma manta. Mas eles se encontravam apenas em seu quarto e Marcos estava lá.

Respirou fundo, levantou-se do sofá e silenciosamente foi até o seu quarto. Estava muito escuro, mas não iria acender a luz para não acordá-lo. Cautelosamente foi até o armário e, mesmo na penumbra, ela conseguiu pegar seu cobertor. Mas Quando já estava quase na porta…

– Ai!! – havia tropeçado nos sapatos que Marcos tinha deixado por ali e caído no chão. – Droga… – sussurrou tentando se erguer.

– Quer ajuda Mayara? – uma forte mão envolveu sua cintura e começou a erguê-la delicadamente. – Você está bem?

– Marcos?! – impressionou-se Mayara ao encarar aqueles olhos vermelhos na escuridão. – Desculpe… Eu… Eu não queria acordá-lo. Acabei tropeçando em algo. Desculpa pelo barulho. – recuava aos poucos para a porta. Estava assustada, pois além de não perceber a aproximação dele, ela não sabia o porquê de seu coração estar tão acelerado.

– Você não me acordou. Foi o meu sapato o culpado. – sorriu carinhosamente. – Por que entrou aqui? Esqueceu algo?

– Eu só estava com um pouco de frio! – mostrou o cobertor nas mãos. – Pode voltar a dormir. Eu vou voltar para a sala e descansar um pouco.

– Espere! – ele havia atravessado a distancia entre eles com incrível velocidade e já segurava levemente o braço delicado de Mayara. – Por que você não descansa um pouco aqui? Aposto que a sua cama é bem mais confortável do que o sofá e… Poderá me fazer companhia. Que tal?

– Eu… – Mayara se sentia perdida. Tinha esperado por tanto tempo aquele vampiro e agora que finalmente estava tão próxima dele, ela se sentia inibida. – Eu não acho que devo. Já consegui acorda-lo de seu sono, provavelmente não conseguirá dormir direito comigo ao seu lado.

Sem se importar com a insegurança e hesitação da ex-caçadora, Marcos, gentilmente, começou a puxa-la até a cama. Prendendo o olhar da humana nos seus, como se a estivesse hipnotizando. Ele a queria em seus braços. Desde o momento em que a vira nutria algo estranho por ela. Sentia como se já a conhecesse. E agora que finalmente tinha a chance de poder estar junto dela, sentia que faria de tudo para não perdê-la.

– Marcos!? O que você…? – ela se deixava levar, por mais que tentasse, sabia que não conseguiria resistir por muito tempo.

– Calma Mayara… – lentamente começou a deitá-la na cama com delicadeza incrível. – Eu apenas a estou acomodando em seu próprio leito. – pegou o cobertor e a cobriu como se estivesse cobrindo uma criança que estava colocando para dormir.

Sem pressa, Marcos ajeitou-se sobre ela, apoiando-se sobre um dos braços, enquanto que com o outro, acariciava a pele delicada daquela que desejava para si. Aos poucos, aproximou o seu rosto, esfregando a sua face na dela.

– Mayara… Poderia me perdoar pela descortesia que demonstrei até agora? – ele havia parado de acariciá-la e tinha afastado um pouco o seu rosto para poder olhá-la nos olhos.

– Não há pelo o que pedir perdão… Você não foi descortês comigo. Fui eu quem o amolei. – sabia que havia se entregado totalmente aos caprichos e agrados dele.

O vampiro deu um sorriso e antes que ela pudesse dizer algo mais, pô-se a beijar-la, começando pela testa e indo até o pescoço. Ao sentir os lábios frios do vampiro em seu pescoço, Mayara saiu do encanto de Marcos, empurrou-o para longe de si e levantou-se rapidamente da cama.

– O que há Mayara? Por acaso eu lhe fiz algo que não foi de seu agrado? – sentou-se na cama para observá-la melhor. – Desculpe se fui benevolente demais… – estendeu os braços, convidando-a para que voltasse à suas caricias.

– Não é você quem deve se desculpar. Sou eu! – pegou o cobertor e o segurou próximo ao corpo, como se aquele gesto ajudasse a evitar o convite irresistível. – Desculpe pela minha indelicadeza, mas prefiro ir descansar sozinha, vampiro. – precisava eliminar aquele clima de intimidade antes que cedesse às seduções.

– Por que me rejeita tanto? – levantou-se com um ar decepcionado por ela o ter chamado de vampiro novamente. – Por acaso me rejeita por ser um vampiro e você uma humana? – ao vê-la recuar, aproximou-se rapidamente. – Me poupe desse racismo, Mayara! – segurou-a pelo braço novamente.

– Me largue! – tentava se libertar daquelas mãos fortes.

– Não vê que eu a desejo? E será que também não enxergar que me deseja da mesma maneira? – ele a sacudia de leve, como se as chacoalhadas a fizessem acordar para alguma realidade ignorada.

– Já mandei me largar! – Mayara o empurrou com força, pegando-o desprevenido e derrubando-o. Mas antes que pudesse alcançar a porta, o vampiro prendeu-lhe os pés, fazendo-a ir ao chão.

– Além de afoita e cega, você é muito insolente, sabia? – posicionou-se sobre ela, impedindo-a de fugir.

– E você é um arrogante! – debatia-se tentando escapar. – Me largaaaaaa!

– Não! Eu a desejo Mayara Campelli! – e antes que ela pudesse escapar de suas garras, Marcos beijou-a a força, machucando de leve os lábios da mulher com os seus caninos.

– Atrevido maldito! – deu-lhe um tapa na cara, deixando seus dedos marcados em seu rosto. –Agora eu o temo e não o desejo!. – mesmo contra a sua vontade, os seus olhos encontravam-se cheios de lágrimas.

– Mayara! Eu… – afastou-se dela, assustado com a imagem chorosa da mulher que tanto desejava. – Eu… Sinto muito, não queria… – sentia-se completamente arrependido por ser o culpado daquela cena tão arrasadora para o seu coração. – Não queria deixa-la assim. Perdi o controle. Perdoe-me!

– Eu achava que você era alguém completamente diferente, senhor Ac’Daro… – comentou com raiva ao se levantar. Enxugava as lágrimas com as costas da mão. Sentia-se explorada e fraca. – Mas, me parece que estava enganada. – passou a mão pelos lábios machucados, tentando avaliar no escuro o dano causado. Felizmente não era nada sério, era apenas um corte pequeno e superficial, praticamente um arranhão que ardia.

– Eu… – levantou do chão, tentando se aproximar dela. – Eu a machuquei muito?

– Externamente não. Mas… – colocou a mão sobre o peito, como se tentasse tocar seu coração e acalmar a dor que sentia ali. Aquele aperto e aquela angústia eram sentimentos de dor, maiores do que o ardido que sentia nos lábios. – Esqueça! Volte a dormir senhor Ac’Daro. – foi até a porta, parando de costas para o vampiro antes de sair.

– Eu a decepcionei? – suas palavras estavam cheias de dor e arrependimento.

– Sim… – saiu do quarto sem dizer mais nada.

– INÚTIL! DESPREZÍVEL! – gritava consigo mesmo ao se jogar novamente na cama.

Mayara sentou no sofá. Ainda estava abatida e lutava contra algumas lágrimas que teimavam em escapar de seus olhos. Olhou para o relógio, ainda eram oito e meia da manhã, mas sentia a necessidade de sair dali. Não queria mais ficar naquele lugar, tão perto dele e das lembranças recentes que ainda queimavam seu coração.

Pegou as chaves da moto, o celular e saiu, tomando cuidado para manter tudo fechado em seu apartamento.

 

 

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{maio 28, 2013}   O Destino da Escolha

(parte do capítulo…)

 

4º Capítulo

Busque pelo Sol, querida Lua…

 

 

Já passavam das três horas da madrugada, logo o sol apareceria no horizonte. Marcos achou melhor ir acordar Mayara para que esta o ajudasse a se esconder, já que o apartamento era dela e ele não saberia onde poderia se proteger dos raios solares.

Bateu na porta do quarto, mas ninguém respondeu. Bateu novamente, mas obteve a mesma resposta: o silêncio… Virou a maçaneta e viu que a porta não estava trancada. Hesitou por alguns segundos, olhando o vão aberto e a sua mão firme na maçaneta. Deu um longo suspiro e decidiu entrar.

O quarto estava escuro, mas isso não era um obstáculo para Marcos. Ele acendeu seus olhos com um brilho vampiresco e viu a imagem de Mayara deitada na cama dormindo tranquilamente. Olhou em volta e notou que ela já havia tirado a roupa jogada de cima da cama, deveria ter guardado ou colocado em algum outro lugar para poder lavar depois. Mas o que lhe chamou mais a atenção foi a janela do quarto. Ela estava totalmente vedada, de maneira considerada quase profissional, como se a pessoa que a tivesse vedado já houvesse feito aquilo muitas e muitas vezes na vida. A janela bloqueava qualquer feixe de luz noturna que tentasse entrar, deixando o quarto extremamente escuro. Provavelmente o bloqueio funcionaria para a luz solar também. Quando ela havia feito isso?

Sentou-se na beirada da cama, ao lado da mulher e começou a acariciar o seu rosto. Ela estava tão linda dormindo, não queria acorda-la, mas devido à situação, ele se sentia obrigado a despertá-la. Continuou a acariciá-la, de vez enquanto passando a mão pelo seu cabelo escuro e liso. Aproximou-se de seu ouvido e começou a chamá-la. Mayara finalmente abriu os olhos, despertando de um sono profundo e sem sonhos, e viu a silhueta do vampiro ao seu lado.

– O que você está fazendo? – sentou-se na cama tentando espantar o sono e passou a encará-lo um pouco surpresa com a presença dele ali.

– Desculpa, mas eu precisava te acordar. – ele apontou para o relógio digital ao lado da cama.

– Hum… – olhou para o relógio e depois se espreguiçou, dessa vez, espantando completamente a preguiça que ainda estava impregnada em seu corpo e mente.

– Bom… Aonde eu vou passar a manhã? – ficou de pé, evitando encarar o corpo delineado da mulher. Quando ela havia se espreguiçado, o pijama havia se aproximado mais da pele de Mayara, contornando seus traços e ele pôde perceber com maior clareza as curvas acentuadas do busto.

– Aqui mesmo no meu quarto. – ela levantou devagar, se acostumando mais com a escuridão do quarto e olhou para a cama. – Você quer que eu arrume a cama para você ou não se incomoda em dormir nela desarrumada?

– No seu quarto? Tem certeza? – ele havia deixado a imagem do pijama colado ao corpo de Mayara de lado e se aproximou dela ainda um pouco surpreso com o fato de que, realmente, ela havia preparado o quarto para ele.

– Por acaso consegue supor algum outro cômodo mais adequado, vampiro? – cruzou os braços e passou a encará-lo, esperando por alguma resposta.

– Não… – ele não gostava de ouvi-la chamá-lo de vampiro. Odiava vê-la fria com ele. – E não se preocupe. Pode deixar a cama exatamente como está!

– Então tá! – descruzou os braços e ajeitou o cabelo ainda bagunçado pelas horas de sono. – Precisa de alguma coisa?

– Não. Já tenho o suficiente. – deitou-se na cama. – Obrigado, humana! – colocou os braços para trás da cabeça e fechou os olhos.

Mayara sentiu um leve desconforto. Odiou ser chamada daquele jeito pelo Marcos. Havia percebido o quanto era duro para ele quando ela o chamava de vampiro. Mas, resolveu fingir que nada Havaí sentido com aquilo, como se aquele tratamento já fosse normal entre eles. Ela não daria o braço a torcer. Era orgulhosa demais!

– O que foi? Vai ficar aí parada me encarando, é? – Marcos a espiava com apenas um dos olhos.

– Não seja grosso comigo! – aproximou da cama o encarando nervosa. – Estou arriscando a minha vida e a vida de todos que me conhecem ajudando você! Mostre ao menos um pouco de respeito para com a minha pessoa, vampiro! – assim que terminou de ouvi-la, Marcos sentou-se rapidamente na cama e a encarou irritado.

– E você acha que já não faltou com respeito comigo, humana? – ficou de pé e se aproximou dela, andando em círculos ao redor de Mayara. – Aliás, se você sabia que correria tantos riscos assim e envolveria pessoas inocentes. Por que, diabos, você foi atrás de mim para me ajudar?

– Porque eu quis! – aumentou o tom de voz, exasperada com a situação. – Ou ainda não conseguiu perceber isso? – se afastou do vampiro e encostou na janela toda vedada. Fechou os olhos e tentou controlar as batidas do seu coração. Respirou fundo e voltou a encará-lo um pouco mais confiante. – Melhor deixarmos isso de lado… – desencostou-se da janela, pegou algumas peças de roupa e foi até o banheiro, batendo a porta.

Marcos voltou a se deitar e aproveitou o momento de solidão para pensar um pouco. Havia várias coisas que o estavam deixando intrigado… Ele não entendia o porquê que Mayara se arriscava tanto por ele, o porquê que ela já tinha tudo planejado para a chegada dele e por que aquela mulher o deixava assim… tão alterado.

– Aaaaaaaah!! Mas que mulher mais complicada! – socou o travesseiro. – Maldita seja Mayara Campelli!!!

– Maldito seja você, Marcos Ac’Daro. – disse calmamente em resposta quando saiu do banheiro já trocada. – Se precisar de algo é só me chamar. Estarei na sala até o meio dia, depois desse horário terá que se virar.

– Aonde vai? – estreitou os olhos enquanto a encarava.

– Almoçar com minha irmã. E tenha uma boa manhã, vampiro! – saiu do quarto e fechou a porta. Deixando Marcos sozinho em seu quarto, protegido dos raios solares que, dentro de alguns instantes, apareceriam.

 

 

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{maio 14, 2013}   O Destino da Escolha

(outra parte do capítulo…)

 

3º Capítulo

Vejas teu próprio âmago sob a luz da lua.

 

Bruno viu o céu já escuro através da janela do quarto de Anna.

– Droga… – levantou-se da cama meio atordoado por causa do sono. – Perdi a noção do tempo e me esqueci da caçada… – sussurrou levando as mãos ao rosto e esfregando-o em uma tentativa de despertar mais rápido.

Olhou para a cama onde estivera deitado e viu as duas lindas garotas, cobertas apenas pelo lençol e dormindo tranqüilamente. Deu um leve sorriso de satisfação e vitória, espreguiçou-se, colocou agilmente a roupa e saiu do apartamento antes que alguém desse por sua falta.

Já na rua com sua moto, decidiu ir até a Praça das Águas. Tinha quase certeza de que a presa já estaria em movimento e, portanto, seria mais difícil encontrá-la. Mas ainda tinha a esperança de poder “esbarrar” com o seu alvo.

– Vejamos… – disse para si mesmo ao parar e descer de sua moto, olhando para a praça à sua frente. – Indícios… Pistas… Preciso de algo para caçar! – começou a andar pelo lugar em busca de algo que lhe fosse peculiarmente estranho ou que pudesse facilmente relacionar à sua presa.

Enquanto passava pelos bancos sentiu um leve cheiro que se assemelhava ao de ferrugem. Estava quase que imperceptível por causa do vento. Era um cheiro familiar… Um cheiro que, praticamente, já estava acostumado a sentir por causa de sua profissão. Cheiro de sangue!

Procurou de onde vinha e esbarrou num banco de madeira, o qual possuía uma estranha mancha avermelhada. Um sorriso maroto brincou em seus lábios. Havia encontrado uma excelente pista!

Passou a seguir os mesmos passos que antes Mayara havia utilizado para encontrar o vampiro. Porém, a diferença era que agora havia pegadas a mais. Havia pegadas de mais alguém além das que pertenciam à presa.

– Hum… Estranho… Vejo outras pegadas, mas não parecem pegadas de alguém que foi levado à força, ou que estava com a mesma pressa da minha vitima… – começou a segui-las. – Parece que essa pessoa o estava seguindo ou até acompanhando… – olhou envolta enquanto seguia os rastros e viu outras pegadas, porém estas estavam na direção contrária. – E pelo o que vejo… Também saíram juntos… – esboçou um sorrisinho. – Acho que tenho mais rivais…

Seguiu as pistas até o saguão abandonado. Entrou no lugar, mas não encontrou nada que os denunciasse… Exceto um tênue perfume feminino, doce e delicado, o qual se destacava e não tinha nada em comum com o cheiro de mofo característico do lugar.

– Uma mulher… – encostou na parede e deu um sorriso malandro. – Pelo visto…   A minha caça está se dando bem… – foi até o lado de fora e olhou para o céu escuro e estrelado. – Aproveite enquanto pode… – saiu andando calmamente na direção de sua moto.

 

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{abril 18, 2012}   O Destino da Escolha

(uma parte do capítulo…)

 

 

3º Capítulo

Vejas teu próprio âmago sob a luz da lua.

 

 

 

Mayara entrou no apartamento em silêncio. Apesar de não aparentar, sentia-se cansada. Havia ficado algumas noites sem dormir e agora que finalmente encontrara o seu “amigo” tão esperado, parecia ter permitido que seu corpo relaxasse e se deixou dominar pela fadiga. Esperou Marcos entrar e fechou a porta, tomando o dobro de precaução do que o costume. Afinal, agora ela estava escondendo um vampiro em seu apartamento.

– Fique à vontade vampiro. – jogou as chaves na mesa e massageou o couro cabeludo, tentando acalmar a necessidade que sentia, ansiava por um pouco de alivio que somente a massagem lhe proporcionava. – Irei ao meu quarto… Preciso dormir um pouco… – e sem encarar seu incomum hospede, rumou em direção ao aposento.

– Espere! – Marcos a segurou pelo braço, aquele tratamento informal e aquela indiferença, por algum motivo que ainda desconhecia, o estava incomodando. – Quando parará de me chamar de vampiro?

– Quando recuperar minha simpatia por você! – virou-se e encarou o vampiro com um olhar diligente.

– Não gosto de vê-la tratar-me deste jeito! – afrouxou um pouco as mãos para não machucá-la. – Já não me desculpei?

– Estou cansada… – ignorou os apelos dele e virou o rosto. – Boa noite! – tentou voltar a andar na direção do quarto.

– Será que não percebe? – Marcos a puxou com mais força, prendendo-a perto de seu corpo. – Inexplicavelmente, eu não gosto de vê-la tão distante assim de mim. Além de ter me encantado com a sua beleza e coragem, sei que sinto algo especial por você. Não sei direito como, porquê ou o que sinto… Mas, é como se já a conhecesse!

– Bobagem! – Mayara o empurrou para que pudesse se soltar. – Se não queria me ver distante, então não zombasse de minha generosidade! – assim que conseguiu se ver livre do vampiro, correu até o seu quarto para que não corresse o risco de ser impedida por ele novamente. – Mais uma vez… Boa noite, vampiro! – bateu a porta.

– Aaaaah!! Mas que mulherzinha temperamental e impossível! – se jogou no sofá, completamente irritado e chateado.

– Mas que vampiro impertinente! – Mayara praticamente arrancou o sobretudo do corpo e o jogou na cama, tamanho era o seu aborrecimento. – Por que ele simplesmente não me agradece ao invés de ficar fazendo brincadeirinhas idiotas e falando coisas sem sentido? – foi até a janela e colocou a mão sobre o peito. Seu coração estava disparado. – Hupf… Como ele se atreveu a me deixar assim? – resmungou ao afastar-se da janela.

– Eu deveria imaginar que essa humana é uma cabeça-dura! – levantou do sofá e foi até a sacada para tentar acalmar a mente perturbada. – A culpa é minha por me abrir com uma ignorante! – sentiu um leve perfume passar por ele. Sua fisionomia mudou, ficou mais calma. – Mayara… – olhou para a janela acesa próxima a sacada. Era o quarto da humana. – Por que você me deixa tão irracional? Eu só a conheci esta noite…

– Por que eu levo tudo o que ele fala a sério? – se despiu e jogou toda a roupa sobre a cama, em cima do sobretudo. – Nem o conheço direito e já sinto meus sentimentos oscilantes com suas palavras. Devo estar louca! Só pode ser isso… – foi até o banheiro, encostou a porta e ligou o chuveiro. Um bom banho quente a ajudaria apaziguar seus sentimento e faria com que seu corpo agradecesse pela terapêutica e relaxante água que caia e levemente massageava seus músculo.

Marcos ficou observando a janela por alguns minutos, perdido em um turbilhão de pensamentos. A falta de harmonia entre seus desejos e sua razão estava começando a deixá-lo impaciente. Sentia uma enigmática vontade incontrolável de ir até aquele quarto, de espioná-la…

Aquele conflito interno era novo e misterioso para ele. Nunca havia se sentido assim antes, ainda mais por uma humana que havia acabado de conhecer.

Mayara fechou seus olhos debaixo da tranqüilizante e revigorante água e deixou escapar um sorriso. Apesar de tudo sentia-se feliz. Finalmente ela havia encontrado o seu tão esperado “alguém”!

Sem saber direito como e porquê, o vampiro se viu dentro do quarto dela. Olhou ao redor cauteloso, não queria se envolver em mais conflitos. Certificou-se de que realmente não havia ninguém ali e sentou na cama. Pegou a blusa que a mulher estava usando e a colocou perto do nariz. Como aquela humana cheirava bem…

Analisou o quarto mais uma vez para ter certeza. Realmente não havia ninguém ali. Fechou os olhos e aguçou seus outros sentidos. Ouviu o barulho do chuveiro e, sem conseguir se controlar, foi silenciosamente até a porta do banheiro. Ficou a espionar pela fresta que Mayara havia deixado acidentalmente ao apenas encostar a porta ao invés de fechá-la totalmente. Marcos deu um sorriso de triunfo e satisfação. Estava vendo a silhueta de Mayara atrás do boxe, tomando banho. Aquela imagem parecia ser o verdadeiro paraíso para seus olhos.

A mulher sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Alguém a estava espionando! Olhou em volta e viu a fresta. Desligou o chuveiro e puxou a toalha, cobrindo seu corpo nu. Ao perceber a reação da humana, o vampiro se colocou em alerta. Precisava fugir dali antes que ela o descobrisse! Correu até a janela. Mayara saiu do banheiro e cuidadosamente vasculhou o quarto com o olhar, havia ninguém ali, exceto ela.

– Parece que estou realmente cansada… – murmurou – Meus sextos sentidos não estão funcionando como deveriam. – enxugou-se e colocou o pijama.

Marcos, mais do que depressa, se jogou no sofá novamente. Se tivesse demorado mais um segundo, Mayara o teria pegado! Olhou em volta e começou a rir com gosto. Pela primeira vez em sua vida havia fugido de uma humana ao invés do contrário!

Mayara arrumou o seu quarto para ir dormir. Sentiu o estômago vazio e lembrou-se de ter apenas tomado um suco e um sorvete durante o dia todo. Nada a mais!

Colocou as mãos sobre a barriga e a ouviu roncar. Pelo visto o seu estômago não queria ir dormir sem nada para digerir. Suspirou e decidiu ir até a cozinha comer algo antes de se deitar.

O vampiro estava deitado no sofá, tinha os seus olhos fechados e parecia ligeiramente alegre. Quando saiu de seu quarto e deparou-se com essa cena, a mulher ficou curiosa. Por que ele parecia tão feliz assim? Resolveu ignorar e foi até a cozinha.

Marcos, ao sentir o perfume da humana se intensificar, aprumou a audição e ouviu um barulho vindo de perto. Abriu os olhos, olhando na direção de onde julgava vir o cheiro e o barulho e viu Mayara sair da cozinha, carregando uma xícara e um potinho com frutas.

– Hum… Fazendo um lanchinho antes de dormir?

– Fiquei com fome. – sentou na poltrona ao lado do sofá, tomando cuidado para não derramar o conteúdo da xícara. – E… Desculpa por ter sido arrogante com você, mas quando estou cansada eu fico meio chata mesmo. – deu um gole em seu chá, evitando os olhos envolventes de Marcos.

– Quem tem que pedir desculpas aqui, sou eu. – sentou no sofá, ficando de frente para ela e a encarou com olhos de remorso. – Fui meio criança e… Sonhador demais…

– Sabe… – suspirou. – Pensando bem… – colocou a xícara no chão e cruzou as pernas, ficando sentada sobre a poltrona. – Você não foi tão infantil ou sonhador assim…

– Não fui? – não tinha conseguido conter a surpresa com o comentário.

– Não… – mordeu uma maçã.

O vampiro deu um largo sorriso. Afinal, parecia que ele estava finalmente recuperando a simpatia dela!

– Está com fome? – perguntou enquanto olhava para a marca da mordida que havia acabado de dar na fruta.

– Bom… Estou um pouco. – confessou com um sorriso torto. – Mas, como você já deve saber, a única coisa que me sacia é sangue e… – olhou-a de maneira duvidosa. – Eu acho que você não me deixará ir caçar sozinho, não é?

– Mas, quem disse que você terá que caçar?

– Então, é você quem me dará sangue? – perguntou em tom de brincadeira.

– Sim… Tecnicamente, serei eu! – levantou do sofá, ignorando a reação de Marcos com a sua resposta.

– Sério?! – o vampiro estava espantado e com uma expressão de desacreditado.

– Vem comigo. – Mayara foi até a cozinha sendo seguida de perto por Marcos que havia levantado em um pulo do sofá assim que ela o chamou.

Quando entraram na cozinha, a humana colocou seu potinho em cima da pia, abriu a geladeira e tirou de dentro um saquinho contendo algo viscoso e liquido, de  uma cor vermelho vivo.

– Toma! – jogou o saquinho para ele.

– O que é isso? – pegou-o no ar e a encarou confuso e com um ar questionatívo. Aquilo era realmente o que parecia ser?

– Oras… É sangue!

– Mas, é sangue mesmo?! Não tá de brincadeira não? – cheirou o saquinho para ter certeza. – Nossa… O pior é que aqui dentro tem mesmo sangue. – disse para si mesmo, tentando fazer seu próprio cérebro acreditar naquilo. A humana o estava alimentando?

– Pode comer. – encostou-se na parede e ficou a observá-lo. – Tenho um amigo que trabalha no banco de sangue de um hospital aqui perto e como ele me devia um favor… Consegui alguns desses para você.

– Obrigado. – olhou para o saquinho e ficou brincando com ele, fazendo o conteúdo balançar de uma ponta a outra. – Quando foi que você conseguiu isso daqui?

– Faz um tempinho que estou com eles… – admitiu. Mayara sentiu seu rosto dar uma leve esquentada enquanto respondia.

– Antes de me encontrar? – voltou a encará-la, mas fingiu não perceber o suave e meigo rubor que aparecia no rosto dela.

Mayara ficou calada, não queria responder. Se respondesse, deixaria muito obvio que estivera esperando por ele e se isso acontecesse, ela teria que explicar o porquê e, por enquanto, queria evitar aquele assunto constrangedor e estranho o máximo possível.

– Vamos! Tome isso logo! Preciso ir dormir.

– Então, por que não vai dormir? Eu sei me alimentar sozinho. Não preciso de supervisão! – respondeu sem evitar o mau humor. Tinha ficado aborrecido com o fato de ela ter fugido da sua pergunta. Mayara realmente precisava ter evitado sua pergunta? Aquilo o levava a uma curiosidade que talvez fosse impossível de ser saciada até que a mulher resolvesse falar. Esse tipo de situação que o deixava sem alternativas, a não ser conviver com uma questão sem resposta o irritava.

– Não precisava ser tão grosso. – lançou-lhe um olhar de censura, completamente chateada com a reação seca e mal humorada do vampiro. Ele tinha mesmo que estragar tudo quando as coisas estavam começando a ir tão bem entre eles? Estava realmente chateada e não iria disfarçar isso. – Estava apenas preocupada, mas já que a minha preocupação de nada lhe agrada… Vou me retirar daqui. – saiu da cozinha com passos rápidos e nervosos. – Boa noite, vampiro! – bateu novamente a porta do quarto. Jogou-se em sua cama, resmungou algumas coisas e logo o cansaço a fez adormecer.

– Eu e a minha boca grande… – sentia-se revoltado consigo mesmo e cravou seus dentes no saquinho sugando todo o seu conteúdo. – Droga! – voltou para o sofá, se jogou nele e ficou a meditar sobre tudo o que estava acontecendo desde o momento em que ela havia pisado naquele saguão.

 

 

 



{abril 11, 2012}   O Destino da Escolha

(capítulo inteiro…)

 

 

2º Capítulo

Lua do caçador mostre teu escolhido!

 

 

 

– Ô Tomé! Vem logo me ajudar, cara! – Leonardo tentava tirar a maca com o corpo de dentro da ambulância.

– Nem morto eu vou chegar perto desse defunto aí… – Tomé se benzeu pela décima vez naquele dia. – Se quiser eu chamo o pessoal daqui do necrotério para te ajudar! Mas eu não vou chegar perto disto aí não!

– Quê é isso cara! Larga a mão de ser maricas e vem me ajudar. Esse presunto é muito pesado! – Leandro tentava puxar a maca sozinho, mas não estava conseguindo ter muito sucesso em suas tentativas.

– Eu já disse! Não chego perto deste homem aí não! – deu meia volta. – Eu vou entrar e chamar alguém para te ajudar! – saiu correndo para dentro do necrotério, ignorando os resmungos do colega.

– Ô… Tomé! – tentou chamar o amigo de volta, mas ao levantar uma das mãos, acabou derrubando a maca, fazendo um barulho enorme. – Mas que droga!!! Por que o Tomé tem que ter esses chiliques e me largar aqui sozinho com esse morto? – abaixou-se para erguer a maca novamente. – Ah Tomé… Aguarde-me companheiro… Aguarde-me… Terei a minha vingança… – colocou-a de volta na ambulância e sentou no chão, encostando-se na roda do veículo.

Enquanto aguardava o amigo chegar com ajuda, Leonardo viu um homem alto, vestido com um sobretudo negro e grandes coturnos, passar indiferente pela ambulância, indo na direção da entrada no necrotério.

– Hei! Amigo! – levantou-se. – Aqui é o necrotério… O que você quer aqui?

O homem parou de andar, virou-se para Leonardo e lhe lançou um olhar frio ao e ameaçador. Não estava com muita paciência para ser barrado por um reles motorista de ambulância, tinha coisas mais importantes a fazer.

– Sinto muito, mas não tenho tempo a perder com você! Tenho urgência em examinar um corpo… – o homem se virou e novamente caminhou para a entrada do necrotério. – Tenha um bom dia… – desejou ao motorista, sem muito entusiasmo e sinceridade.

– E você tem autorização para examinar um corpo? – começou a seguir o homem, ignorando o estranho frio na espinha que sentia toda vez que o encarava.

– Não preciso de autorização para fazer o meu trabalho! – não parava de andar por nem um segundo. Nem ao menos diminuía o passo.

– Então você é um legista? Nunca o vi por aqui antes… Posso ver credenciais?

– Desculpe, mas não sou um legista e não preciso de credenciais para provar nada! – o motorista estava irritando-o.

– Mas que arrogância! E eu ainda estou sendo educado com você! – Leonardo pegou no ombro do homem, tentando, em vão, fazer com que parasse de andar. – Por que não me trata com mais respeito?

– E por que eu deveria tratar com mais respeito o homem que interfere em meu caminho? – diminuiu o passo e lançou um olhar sinistro ao pobre motorista. Leonardo sentiu um forte arrepio na espinha e largou o homem. Quem, diabos, era ele?

O rapaz sombrio entrou no necrotério, sem encontrar mais nenhum obstáculo a sua frente. Dava passos decididos e firmes, estava muito determinado a cumprir aquilo que viera fazer ali.

– Com licença… Quem é o senhor? – perguntou um homem com os cabelos já grisalhos, parado na porta da sala de autopsia.

– Sou Bruno… Bruno Lispector… E estou aqui para examinar um corpo. – encarou-o com um ar de autoridade, enquanto se anunciava.

– É legista? – perguntou um pouco intimidado com a postura autoritária daquele rapaz de vestes negras.

– Não.

– Hum… Então por que você quer examinar um corpo?

– Porque é a minha obrigação! – Bruno passou pelo homem e entrou na sala. – Onde está o último corpo?

– Lá fora… Um dos caras que trouxe o corpo levou um pessoal para ajudar a tirar o finado da ambulância!

– Obrigado… – virou-se, fazendo o sobretudo esvoaçar e voltou para a ambulância.

Ele ignorou as perguntas que o homem lhe fazia, não queria perder seu precioso tempo com as coisas que considerava insignificante. Assim que chegou perto da ambulância e viu os homens retirando o corpo, acelerou o passo. Iria examinar o cadáver ali mesmo!

– Podem deixar esse corpo aí no chão, mesmo! – ordenou, tirando luvas negras de dentro dos bolsos. – Irei examiná-lo aqui mesmo. – calçou as luvas e parou ao lado do cadáver.

– Você de novo, cara? – Leonardo largou a maca, nervoso com a nova intervenção presunçosa de Bruno. – Dessa vez você terá que mostrar algo que lhe autorize mexer nesse cidadão morto, senão seremos obrigados a despachá-lo!

– Muito bem… – com um ar cansado, Bruno arrancou um papel amassado de dentro do bolso. – Tenho a autorização do Papa… Serve? – colocou-o na mão de Leandro. Ele não queria mais confusão, essas burocracias só pioravam as coisas. Mas se ele se recusasse a fazê-lo, sabia que acabaria se atrasando ainda mais. Não liga para brigas, pois na certa os venceria de olhos fechados, porém, ele se importava com o tempo. Odiava demorar-se mais do que o necessário em uma missão.

Leonardo encarou-o com um olhar surpreso, pegou o papel e o leu. Percebeu que ali havia a assinatura do Papa, só não sabia se era verdadeira. Mas quando olhou para a cara de Bruno mais uma vez, sentiu novamente um frio percorrer-lhe a espinha e deixou o homem examinar o corpo. Fez sinal com a cabeça, e os homens que Tomé havia chamado para ajudar a carregar o pobre coitado, o colocaram no chão.

Bruno se ajoelhou do lado do corpo e começo a examiná-lo.

– Sem hematomas nos pulsos… No corpo… – virou um pouco o pescoço do cidadão. – He… Marcas de dentes… No pescoço… – se levantou. – Isso já é o suficiente para mim! – olhou para Leonardo. – Onde vocês o encontraram?

– Lá na Praça das Águas… – Leonardo colocou as mãos no bolso e evitou encarar os olhos de Bruno. – Algum marginal o atacou e largou o corpo do coitado em um dos bancos…

– Obrigado! – Bruno despediu-se dos homens um pouco mais animado do que quando havia chego ali e foi rumo à Praça das Águas.

Ele estava agitado. Tinha certeza absoluta de que estava no caminho certo… Bruno iria encontrar a sua presa de qualquer maneira, custasse o que custasse.

– Pô… Cara estranho esse daí, ein! – Leonardo voltou a ajudar os colegas a levantar a maca.

– Sei não Leo… Você viu como ele ficou depois que viu as marcas no pescoço do homem? – Tomé acompanhava o amigo, porém mantendo uma distância razoável do corpo.

– Agora você vai querer inventar que o canalha que matou este homem é um vampiro e que o homem que estava aqui era um caça vampiros? É seriado da Buffy agora? – riu alto. – Me poupe Tomé… – e desapareceram necrotério adentro, levando o corpo.

Bruno dirigia sua moto em alta velocidade. Queria chegar o mais rápido possível a Praça das Águas. Nada o faria perder a ansiedade de encontrar sua presa, Exceto…

– Nossa… Você viu aquele cara ali? – comentava uma garota loira para sua amiga, apontando para Bruno. – Gostei da moto!

– Hum… E eu do motoqueiro! – brincou a amiga aos cochichos. – Vamos chamá-lo aqui? – a outra concordou com a cabeça. – HEIII! MOTOQUEIRO!

Bruno olhou para o lado e viu duas lindas e charmosas garotas paradas na calçada acenando para ele. Ele sabia que deveria continuar a sua caçada, mas seu ego e desejo masculinos o fez parar de maneira exageradamente elegante na frente das garotas. Precisava exercer sua outra função de “caçador”!

– Como vão as donzelas? – desceu da moto e tirou o capacete.

– Nossa… Donzelas?! – as amigas entreolharam-se, trocando sorrisinhos marotos. – Vamos bem…

– E por acaso poderiam me dizer os seus nomes? – ele as examinava dos pés a cabeça com certa malicia e desejo.

– Sou a Letícia! – a garota jogou seus cabelos lisos e loiros para trás.

– E eu sou a Anna! – a outra ficou a mexer em seus cabelos castanhos e cacheados. – E você? Como se chama?

– Bruno! – lançou-lhes um olhar sedutor e cheio de volúpia. – Gostariam de dar uma volta de moto?

– Como? – Anna apontou para a moto. – Aí só cabe mais uma de nós e você fez o convite para as duas!

– Bom… – olhou para a própria moto e depois voltou a encará-las, nutrindo no rosto um sorriso simpático, cheio de segundas intenções. – Uma de vocês vai ter que ir na minha frente, enquanto a outra vai atrás de mim… O que acham? É um pouco perigoso, mas eu garanto que cuidarei muito bem das senhoritas.

As garotas entreolharam-se novamente. Por acaso aquele homem REALMENTE havia acabado de chamar as duas para sair ao mesmo tempo? Pelo visto ele deveria ser muito confiante e experiente nesses tipos de convite para ter certeza de que iria dar conta de duas garotas em um mesmo compromisso.

– Hum… Está bem… – Letícia olhou para a amiga com um olhar animado e ao mesmo tempo curioso. – Mas eu vou atrás!

Anna sentou-se na moto, enquanto Bruno se acomodava logo atrás dela, passando os braços rentes ao corpo da garota para que pudesse guiar a moto. E Letícia sentara logo atrás, segurando com firmeza e vontade a cintura do motoqueiro.

– Prontas? – esperou até que confirmassem e deu partida. Iria dar uma longa volta de moto com elas e… Se suas investidas fossem um sucesso… Poderia ganhar algo além de números de telefones.

A noite já estava chegando, começando a expulsar o brilho radiante do Sol do céu. Bruno parecia ter se esquecido totalmente de sua outra caça… Agora tinha olhos apenas para suas novas presas!

 

 



{abril 8, 2012}   O Destino da Escolha

1º Capítulo

Doce luar…

Já era noite. Mayara estava na sacada de seu apartamento. Seus olhos negros, apáticos, sem emoção, vagavam pela escuridão. Buscavam uma resposta. Buscavam algo.

– Onde está você…? – respirou fundo. – Será… Que nunca em minha vida… Conseguirei ao menos ver a cor de seus olhos? – abaixou a cabeça e passou a observar o pouco movimento que havia na rua.

Mayara olhou para o horizonte, viu uma rala luminosidade surgindo. O amanhecer estava próximo e nada de seu tão esperado “amigo”.

Entrou em seu apartamento, deixou a porta da sacada aberta. Quem sabe ele não apareceria e entrasse para buscar aconchego e abrigo para descansar? Foi até o seu quarto e se jogou na cama, abraçou seu travesseiro e fechou os olhos. Ainda nutria o desejo de poder encontrá-lo…

Longe dali… Há uma praça totalmente deserta, exceto por um homem dormindo no banco… Mas… Ele realmente apenas dorme?

– Droga! Me distrai demais! – um jovem corria, parecia fugir de algo. – Preciso encontrar algum lugar para me esconder… – avistou ao longe, um saguão abandonado. – Perfeito! – correu até lá e somiu dentro da escuridão que a velha construção gerava.

 

 

O tempo passa, amanhece, e ninguém parece se importar com o homem dormindo no banco, até que…

 

 

– Com licença, senhor! – Jorge, que estava fazendo uma ronda na praça, encontrou o homem no banco, sem reação alguma. – Com licença, senhor, desculpe, mas… Não pode ficar dormindo aqui! É… – parou rapidamente de falar quando tocou a pele daquele senhor e a sentiu totalmente fria. – O senhor está bem? – Jorge o sacudiu levemente com uma das mãos. Enquanto o chacoalhava, percebeu um ligeiro filete de sangue escapando da boca e do pescoço. – Senhor? – resolveu pegar seu pulso, mas isso já era desnecessário. O homem estava morto! – Droga! Tinha que ser justo no meu turno? – pegou o rádio e pediu que enviassem uma ambulância até a Praça das Águas. Olhou, novamente, para o homem e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, benzeu-se. O que poderia ter matado aquele homem?

Alguns minutos após o chamado, a ambulância chegou ao local e recolheu o corpo. Apesar de seu trabalho ser recolher pessoas quase mortas e não mortos, não podiam largar o corpo daquele pobre senhor lá na praça até que o furgão do IML chegasse. Somente hoje, dariam uma ajudinha aos amigos e levariam o corpo ao necrotério.

Mayara acordou após o meio dia, estava de férias no serviço, não precisava acordar cedo por enquanto. Poderia dormir e acordar quando quisesse. Teria algum tempo para poder esperar por seu tão misterioso “amigo”. Onde será que ele estaria?

Foi até a cozinha, pegou um suco de laranja na geladeira, serviu-se de um farto copo da bebida e foi novamente até a sacada. A porta permanecia aberta, mas nenhum vestígio de que tivessem passado por ela.

Que desapontamento!

Será que nutria um desejo impossível de se realizar?

– É… Você não apareceu… Mais uma vez… Você não pareceu… – voltou ao quarto, abriu a janela e ficou a admirar as lindas árvores que a Praça das Águas tinha.

Reparou em uma ambulância saindo de lá. O que havia acontecido? Algum acidente envolvendo assaltantes? Ou a pessoa foi apenas mais uma vitima do acaso? Não tinha tempo para tentar descobrir o que era, tinha que ir buscar sua linda sobrinha na escola, havia prometido à irmã que pegaria Laura na escola de inglês, já que Beatriz não podia mais sair de carro ou andar longas distâncias por causa do oitavo mês de gravidez.

Olhou para o relógio. Á que horas a sobrinha saia da aula, mesmo? Apoiou-se na parede enquanto pensava. Sentiu como se algo passasse como um fleche por sua memória e se lembrou. Ela sairia à uma da tarde! Olhou para o relógio mais uma vez… Estava atrasada!

Trocou-se rapidamente, saiu do apartamento sem se importar muito em fechar a janela e a porta da sacada. Tinha que correr. Não queria deixar a querida sobrinha esperando.

Foi até a garagem e pegou a sua moto. Uma Honda preta, linda, sempre brilhante por causa dos muitos cuidados que Mayara dedicava a ela. Aquela moto era como se fosse de estimação.

Saiu apressada. Provavelmente Laura já estivesse saindo da aula. Passou correndo pela praça, sem se importar muito em tentar descobrir o porquê de a ambulância ter parado por ali. Afinal… Estava com pressa, não podia mais perder tempo!

Após alguns minutos de exasperação e muita corrida, passando por sinais já amarelos e cruzando os espaços vazios entre os carros para evitar congestionamentos, Mayara conseguiu chegar até a escola de inglês.

Mas, apesar de toda a correria, não conseguiu chegar antes que a aula acabasse e Laura já a esperava no portão.

– Desculpe o atraso Lá! Perdi a hora! – desculpou-se enquanto retirava o capacete e estendia outro para a sobrinha.

– Tudo bem tia May… Eu saí faz pouco tempo! – Laura, colocou o capacete e subiu na moto, deixando o material entre ela e a tia, para que não caísse.

Mayara esperou a sobrinha terminar de se ajeitar e saiu com a moto. Agora não estava mais com tanta pressa, não precisava correr ou fazer todas aquelas loucuras que havia feito para tentar chegar a tempo. Precisava dar um bom exemplo e zelar pela segurança da sobrinha que agora a acompanhava.

– Lá… O que você acha de pararmos em uma sorveteria, pegar um sorvetinho e dar uma volta por aí? – perguntou enquanto esperava o sinal abrir.

– Acho legal! – pegou o celular e o colocou com uma das mãos por baixo do capacete. – Só me deixa avisar a minha mãe que vou sair com você… – enquanto ligava para a mãe, com a mão que estava livre do celular, ela segurava a cintura da tia, para que não caísse quando Mayara desse a partida na moto.

 

……………………………

– Como será que esse homem morreu? – Tomé olhava de tempos em tempos pela janelinha que ficava dentro da ambulância. Queria vigiar o corpo, estava apreensivo.

– Deve ter sido assaltado, tentou revidar e os canalhas deram cabo da vida do infeliz… – respondeu Leandro, batucando as mãos no volante enquanto esperava o sinal abrir.

– Tem certeza? – fechou a janelinha. – Você viu as marcas no pescoço do cara? Até parece coisa de… Vampiro… – Tomé benzeu-se.

– Ha, ha, ha, ha… Vampiro? Tá doido Tomé? Desde quando este tipo de coisa existe? – Leandro ria enquanto dava partida no carro. – Andou assistindo muitos filmes de terror, ein!

– Não tô de brincadeira, não! – abriu novamente a janelinha e ficou a observar o defunto, como se esperasse que ele levantasse a qualquer momento. – Você não viu as marcas no pescoço? São dois buraquinhos, que nem aqueles que dizem que os vampiros fazem no pescoço da gente quando mordem… O maldito deve ter-lhe sugado a vida!

– Ora Tomé… Deixa de paranóia… – Leandro deu uma breve olhada na direção do amigo. – E vê se deixa o cidadão em paz! Ninguém gosta de ser observado. Respeite a morte do infeliz! Dá-lhe o descanso merecido, homem! – com uma das mãos fechou a janelinha. – Você vai ver… Quando fizerem a autópsia, vão dizer que o pobre coitado morreu devido a um golpe certeiro na nuca, ou por overdose de alguma droga injetada diretamente na artéria dele. Não vai haver nada sobre ter sido sugado até a morte…

– Sei não Andro… Tomara… – se acomodou no banco, ligou o rádio e fechou os olhos. Queria tentar dar razão ao amigo e esquecer aquele defunto.


……………………………

Depois de terem passado na sorveteria e pego uma casquinha cada uma, foram até a Praça das Águas darem uma volta.

– Nossa… Faz tempo que não ando por aqui. A ultima vez… Foi quando eu fiz treze anos! – encarou a tia e deu um sorriso. – E foi você quem me trouxe! Pegamos um sorvete e curtimos o meu aniversário no seu estilo… Sem muita frescura! Acho que aquele foi um dos melhores.

– É… – suspirou e olhou para a sobrinha. – Eu digo para sua mãe não encher as suas festas de frufrus e frescurinhas. Mas ela nunca me ouve… Sempre diz a mesma coisa.  “Festa de filha minha tem que ser sofisticada!” – fez uma imitação perfeita da irmã, arrancando risos de Laura e deu uma bela lambida no sorvete. – É mesmo… Há muito tempo que não vínhamos aqui juntas. Faz praticamente dois anos!

Mayara e Laura andavam tranquilamente pela praça e, apesar de não ser intencional, ambas atraiam os olhares de muitos rapazes, pois esbanjavam beleza e feminilidade a cada passo que davam ou gesto que faziam.

Laura estava no auge de seus 15 anos, dona de um corpo bem escultural para sua idade e de um brilho vivo e fascinante nos olhos. Mayara já estava com seus 23 anos e tinha um corpo belamente esculpido e sedutor, um rosto belo, encantador e aparentemente jovem para a sua idade.

Mesmo que não quisessem admitir, sabiam que eram atrativas. Sabiam que eram fuziladas por olhares ávidos aonde quer que passassem, mas tentavam ignorá-los e continuar seguindo seus caminhos como se aqueles observadores jamais existissem.

– Tia… O que você acha de nos sentarmos um pouquinho? Estou começando a ficar cansada… – Laura havia terminado seu sorvete e já procurava por um banco vazio.

– Tá bom… – Mayara olhou em volta e viu um banco vago. – Vamos sentar ali! –foram até ele com passos apressados, para evitar que ninguém mais sentasse nele antes delas e lhes roubassem o lugar. Assim que sentaram no banco, se acomodaram como queriam, sem se importarem com olhares críticos e com opiniões alheias. Não estavam acomodadas de modo indecente, apenas não estavam sentadas de maneira “tradicional”, com braços e pernas espalhados espalhafatosamente.

Enquanto conversavam e observavam o movimento de pessoas e animais pela praça, inexplicavelmente, Mayara começou a sentir um cheiro forte e rançoso. Sem se dar conta do que fazia, instintivamente, começou a procurar de onde ele vinha, mas não encontrava a sua fonte. O cheiro estava começando a deixá-la atordoada.

– Laura… Você está sentindo esse cheiro forte?

– Cheiro forte? De que?

– Um cheiro forte de… – parou para tentar distinguir o cheiro. Assim que conseguiu reconhecer o odor, arregalou os olhos. – Sangue! – ela havia dito mais para si mesma em surpresa do que como resposta para a sobrinha.

– Ai! Credo tia! Sangue?

– É… É sangue! Você não está sentindo?

– Eu não! – torceu o nariz e levantou as mãos, fazendo um movimento de negativa. – E nem quero sentir!

– Estranho… Mas eu estou sentindo e muito bem! – olhou em volta. – Está aqui perto e parece ainda estar um pouco fresco.

– Fresco?! Cheiro de sangue fresco?! – fez uma careta de horror e asco. – Credo tia! Que nojo!

Mayara resolveu se levantar para procurar melhor. Foi neste momento, enquanto se levantava que viu uma mancha de sangue impregnada no encosto do banco onde estavam acomodadas.

– Olha! Acho que é daqui! – apontou para a mancha. – Deve ser recente!

– Ai… – Laura se arrepiou e deu um pulo do banco, ficando de pé ao lado da tia. – A pessoa deve ter se machucado feio. – comentou ao ver o tamanho da mancha.

– É… – ficou observando o sangue por alguns longos minutos. Estava desconfiada.

Após mais algumas horas na praça, caminhando e especulando sobre a origem do sangue, resolveram voltar antes que ficasse tarde demais.

Mayara levou sua querida sobrinha até a casa de sua irmã e depois, sem paradas, voltou para o seu apartamento. Assim que entrou, foi até a sacada e ficou a admirar o pôr do sol.

Era tão lindo e nostálgico…

Se ela pudesse, ficaria o resto da vida apreciando aquele espetáculo da natureza. Ficou ali até que o sol sumisse no horizonte, atrás das serras que rodeavam a cidade. E sem saber o porquê, a mancha de sangue repentinamente voltou-lhe à mente.

Alguma coisa a incomodava…

Algo estava estranho…

Por que ela havia sido a única a sentir aquele cheiro?

Será que estava retornando aos velhos tempos?

Não!

Isso jamais poderia acontecer!

Gostava de usar as habilidades remanescentes, mas não permitira retornar totalmente ao que era.

Olhou para a praça como se procurasse por algo e sentiu um leve arrepio percorrer-lhe a espinha. Fechou os olhos e uma sensação de formigamento e leveza parecia tomar-lhe o corpo todo. Deu um pequeno sorriso e abriu os olhos.

– Sabia! – entrou no apartamento e foi até o seu quarto. – Sabia que esta necessidade de encontrar alguém não era delírio! Eu tinha razão! Há um “alguém” por perto!

Ela colocou um shorts, uma blusinha leve, coturnos e um sobretudo roxo, quase preto. Todas as peças, com exceção do sobretudo, eram negras. Sem demoras, ela saiu de seu apartamento, pegou sua moto e passou a seguir seus instintos. Ela estava determinada a encontrar este “alguém”!

Decidiu voltar ao local do crime: o banco com a mancha de sangue na Praça das Águas! A partir desse ponto, ela iria seguir todos os rastros que encontrasse e que a levassem até a pessoa tão aguardada.

– Apesar do sangue já ter penetrado no banco, ainda é recente… – disse para si mesma ao passar a mão pela mancha.

Era como se fizesse anotações mentais a cada narrativa que fazia de seus passos. Olhou em volta e percebeu que não haviam sinais de briga. Nenhum galho quebrado, nenhuma marca no chão.

– Pelo visto a vitima foi surpreendida e não conseguiu revidar…

Olhou para o céu e viu a lua, depois olhou para o chão novamente e viu algumas pegadas marcadas na terra, passando entre as árvores.

– Pelo o que parece, perdeu a noção do tempo e ao ver que já iria amanhecer, correu velozmente dentre as árvores em busca de um abrigo, por isso deixou tanto sangue do homem se desperdiçar…

Começou a seguir as pegadas e em poucos minutos, viu um saguão abandonado, bem escondido pelas árvores da praça.

– Hum… Parece-me um ótimo lugar para se esconder… Escuro… Escondido… Abandonado… Perfeito! – entrou no saguão tomando cuidado para não fazer nenhum tipo de barulho, o menor ruído poderia arruinar tudo.

Mayara parou de andar, estava com a sensação de estar sendo observada. Fechou os olhos e se concentrou no ambiente ao redor. Sentiu algo se mover velozmente por suas costas, escondido pelas sombras.

Resolveu invocar apenas um pouco do seu “eu” antigo. Então, abriu os olhos e apurou os ouvidos, teve a impressão de estar ouvindo a respiração de mais alguém.

Deu um pequeno sorriso, voltou a fechar os olhos e apurou ainda mais os sentidos, tentando concentrar-se com maior tenacidade. Percebeu que algo iria passar novamente perto de seu corpo!

Abriu mais uma vez os olhos e rapidamente, numa velocidade surpreendente e inesperada, colocou o pé no caminho, fazendo com que a pessoa se espatifasse no chão.

– Quem é você? – Mayara se agachou ao lado da pessoa caída. – E o que faz aqui?

– Não é da sua conta mulher! Deixe-me em paz! – era a voz grave de um homem, com aparentemente 25 anos.

– Eu sou Mayara Campelli… – foi até a parede mais próxima e se apoiou nela.

– Uhum… E por que você acha que eu queria saber seu nome? – havia sarcasmo e irritação naquela voz.

– Que mau humor… – Mayara acendeu uma pequena lanterna e a deixou no chão apontada para o teto, dando uma rala luminosidade ao lugar. – É um estado emocional típico de um vampiro que acabou de cair em uma peça humana.

– Vampiro?! – ele se aproximou da luz, deixando que Mayara visse seu lindo rosto. Ele realmente aparentava ter quase a mesma idade que ela. – Então… Você sabe o que sou?

– Sim. Desde o começo. – respondeu tranquila, como se o fato de estar cara a cara com um verdadeiro vampiro fosse algo trivial e rotineiro.

– Não sente medo de mim? – aproximou-se perigosamente dela e colocou uma das mãos próxima ao pescoço de Mayara.

– Se eu o temesse, não teria vindo até aqui, não é mesmo? – deu um pequeno sorriso malandro, desafiando o predador.

– Vejo que é corajosa e… – desceu a mão, pelo corpo da mulher sem tocá-lo, e baixou o olhar, dando uma completa “escaneada” nas curvas que ela possuía. – Bela.

– Hupf… Obrigada! Mas, se você continuar a me azarar desta maneira, perderei minha compostura com você! – fechou o sobretudo e lhe lançou um olhar de ameaça e advertência. – Posso fazer coisas piores do que dar uma simples rasteira. Conheço muito bem sua raça e sei como feri-lo da maneira mais dolorosa possível.

– Ha,ha,ha… Desculpe! – o vampiro deu boas risadas por causa da intimidação da humana. Não estava levado nada a sério – Sou Marcos… Marcos Ac’Daro!

– Hum… – de inicio não havia gostado das risadas de deboche de Marcos, mas depois se deu por vencida e sorriu. – Pelo visto eu consegui quebrar um pouco o seu mau humor. Disse-me até o seu nome!

– Digo por que você é diferente! – Marcos se afastou um pouco. – Jamais uma pessoa ficou tão calma assim como você, depois de descobrir minha identidade. Jamais alguém veio ao meu encontro, sabendo que sou um vampiro!

– Sim… Sou diferente. Mais diferente do que você é capaz de imaginar. – Mayara abaixou o olhar e depois voltou a encarar o vampiro. – Já cacei muitos de tua espécie. Já fui uma assassina mais fria do que qualquer vampiro.

Marcos exibiu as presas, pulou para as sombras e deixou que seus olhos ficassem com um tom vermelho brilhante. Pareciam duas brasas flutuando na escuridão.

– Uma Caçadora! – apontou um dedo acusador para ela. – Então, você veio até aqui para me matar?

– Apesar de já ter matado muitos vampiros, lobisomens, bruxos, anjos caídos e demônios… – enquanto falava erguia os dedos, enumerando. – Enfim… Apensar de ter matado vários seres míticos à sangue frio, eu não vim te matar. Como disse antes, eu já FUI uma assassina de criaturas da noite, não sou mais! – se desencostou da parede e apagou a lanterna. – Pronto… Agora você tem uma grande vantagem sobre mim! Se sente mais seguro?

– O que quer comigo, então? – apagou seus olhos e escondeu suas presas.

– Quero ajudá-lo. – passou pelo local de onde vinha a voz, quase encostando seu braço no peito de Marcos. – Eu posso ter desistido de ser uma caçadora, mas ainda existem muitos que continuam no ramo. E um deles está aqui nesta cidade!

– Hupf… E você realmente espera que eu caía nesta ladainha?

– Bom… Se você não “cair nesta ladainha”, colocará sua existência em jogo! – Mayara foi até a entrada do saguão. – Você não pode rastreá-lo, mas ele pode rastrear você!

– Rastrear-me? Ha… Impossível!

– Impossível? Como você acha que eu o encontrei? – saiu do saguão, sem olhar para trás. – Se você não quer acreditar em mim, azar! Desejo-lhe muita sorte, pois vai precisar! – fez um pequeno aceno com a mão. – Bom… Até mais… Talvez!

– Espere! – Marcos correu até Mayara e pegou em sua mão. – Você me convenceu! – virou-a de frente para ele. – Peço que me ajude!

– Ajudarei… – Mayara ficou impressionada com as feições tão belas que Marcos possuía.

Ele era dono de olhos cor de mel, penetrantes e sedutores. Estava hipnotizada por aquele olhar intenso sobre sua pessoa.

– Então, o que faremos? – a pergunta a tirou do transe.

– Iremos para o meu apartamento. Você ficará mais seguro lá! – se virou e continuou a andar.

– Hum… Isso está me parecendo uma indireta. Tem certeza que só quer me levar até o seu apartamento apenas para me proteger, ou… Tem algo a mais em mente? – lançou um olhar malicioso e cobiçoso sobre ela.

– Claro! Com toda certeza! Desde o começo estava planejando levar um vampiro até a minha casa para ter uma “noitada” com ele! – respondeu sarcástica e grossa. Não gostava que tirassem segundas intenções de suas “boas” ações.

– Nossa… Desculpe! Não queria irrita-la! – Marcos colocou as mãos nos bolsos. – Seu apartamento fica muito longe daqui?

Mayara não respondeu, ainda estava irritada com a brincadeira do vampiro. Ela tinha certeza de que se ele fizesse mais alguma brincadeirinha do gênero, o largaria ali. Á mercê do caçador.

– Oras… Vamos Mayara! Foi só uma brincadeira. – o vampiro se colocou ao lado da humana. – Não precisa ficar assim tão irritada.

– Não me trate como se fossemos amigos, vampiro! – ela o fuzilou com o olhar. – Não o quero dirigindo-se a mim pelo nome! Perdi minha simpatia por você!

– Nossa! – o vampiro afastou-se alguns centímetros dela. – E quer que eu a trate como? Quer que a chame de humana?

– Pois bem! Chame-me de humana, só volte a me chamar pelo nome quando eu chamá-lo pelo seu! – Mayara avistou sua moto e acelerou um pouco o passo.

– Que seja como quer! Até acho justo, já que acabei de irritar a humana que me oferece ajuda! – comentou aborrecido com a grosseira dela.

Marcos estava tentando fazê-la sentir que ele realmente estava arrependido. Mas pela expressão séria no rosto da mulher, percebeu que sua tentativa havia fracassado. Chutou uma pedrinha que estava em seu caminho.

– Não tente me agradar agora! – Mayara pegou o seu capacete e estendeu outro para Marcos. – Tome! Coloque isso! – enquanto entregava o capacete, ela já começava a sentar em sua moto.

Ele pegou o capacete e o colocou sem dizer uma palavra. Sentou-se atrás dela e segurou em sua cintura com naturalidade.

– Tire as mãos daí!

Marcos soltou um ligeiro suspiro e colocou as mãos nas laterais traseiras da moto enquanto ela dava a partida e os tirava dali, rumando em direção ao seu apartamento. Por mais que não quisesse demonstrar, Mayara sabia e sentia que estava feliz por finalmente encontrar a pessoa que tanto aguardara.

 

 



et cetera
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