World Fabi Books











Olááááááá, Leitoreeeeees queridoooooos!

Eiiiis mais alguns capítulos de Conto de Dragões, que eu coloquei no Wattpad!

E adivinhem!! O livro está chegando ao fim!!!

Portanto, acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa oficial, mas a imagem que uso é uma montagem mais do que linda que a minha amiga Beatriz, da Bemax Publicidade, fez para mim!

Mas, se alguém quiser me ajudar e fazer um desenho para a minha marida Bia poder colocar na capa, eu ficaria muito feliz, mesmo!!

(se quiserem ir direto para o primeiro capítulo do livro, basta clicar na imagem abaixo)

wattpad - conto de dragões

Texto by Fabi

IMG_20140915_112932



Leitoreeeeees queridoooooos!

Eiiiis mais alguns capítulos de Conto de Dragões, que eu coloquei no Wattpad!

Acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa oficial, mas a imagem que uso é uma montagem mais do que linda que a minha amiga Beatriz, da Bemax Publicidade, fez para mim!

Mas, se alguém quiser me ajudar e fazer um desenho para a minha marida Bia poder colocar na capa, eu ficaria muito feliz, mesmo!!

(se quiserem ir direto para o primeiro capítulo do livro, basta clicar na imagem abaixo)

wattpad - conto de dragões

 

 

Texto by Fabi

IMG_20140915_112932



Genteeeeeeeeeee….

Eiiiis o terceiro e o quarto capítulos de Conto de Dragões, que eu coloquei no Wattpad!

Sempre li livros e acompanhei o trabalho de várioooos escritores nacionais, mas, nunca, de fato, me envolvi com essa “rede social”.

E depois de alguns pedidos, de ler umas coisas ali e aqui e dar o braço a torcer, chutei a preguiça e comecei postando o primeiro capítulo de um dos meus livros, o Conto de Dragões!  E agora, eis a continuação! 😉

Acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa e tals, então, estou usando uma “montagem” para introduzi-lo… hehe

Se alguém quiser me ajudar com isso, eu ficaria muito feliz mesmo!! (pois, sou uma negação nisso!)

conto_dragoes

Sinopsinha:

O que você faria se o seu mundo se transformasse?

Se tudo o que é real tornasse fantasia e a imaginação tomasse conta da realidade?

Se tudo aquilo em que acreditava ser ficção urrasse em sua cara e tudo em que tinha certeza esvaísse por seus dedos?

O que você faria se os seus mais belos e nefastos sonhos se tornassem protagonistas marcantes do mundo que todos nós conhecemos?

Mariane corre de uma realidade para outra, em busca de um futuro. Andrey arriscaria a própria vida e a de todos de seu clã por ela. Giulian quer simplesmente a morte, mas não a sua própria…

Uma guerra, um amor, um futuro. Qual coração continuará batendo no final?

Texto by Fabi

IMG_20140915_112932



Genteeeeeeeeeee….

Eiiiis o segundo capítulo de Conto de Dragões, que eu coloquei no Wattpad!

Sempre li livros e acompanhei o trabalho de várioooos escritores nacionais, mas, nunca, de fato, me envolvi com essa “rede social”.

E depois de alguns pedidos, de ler umas coisas ali e aqui e dar o braço a torcer, chutei a preguiça e comecei postando o primeiro capítulo de um dos meus livros, o Conto de Dragões!  E agora, eis o segundo! 😉

Acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa e tals, então, estou usando uma “montagem” para introduzi-lo… hehe

Se alguém quiser me ajudar com isso, eu ficaria muito feliz mesmo!! (pois, sou uma negação nisso!)

conto_dragoes

Sinopsinha:

O que você faria se o seu mundo se transformasse?

Se tudo o que é real tornasse fantasia e a imaginação tomasse conta da realidade?

Se tudo aquilo em que acreditava ser ficção urrasse em sua cara e tudo em que tinha certeza esvaísse por seus dedos?

O que você faria se os seus mais belos e nefastos sonhos se tornassem protagonistas marcantes do mundo que todos nós conhecemos?

Mariane corre de uma realidade para outra, em busca de um futuro. Andrey arriscaria a própria vida e a de todos de seu clã por ela. Giulian quer simplesmente a morte, mas não a sua própria…

Uma guerra, um amor, um futuro. Qual coração continuará batendo no final?

Texto by Fabi

IMG_20140915_112932



Genteeeeeeeeeee….

Me rendi ao Wattpad!

Sempre li livros e acompanhei o trabalho de várioooos escritores nacionais, mas, nunca, de fato, me envolvi com essa “rede social”.

E depois de alguns pedidos, de ler umas coisas ali e aqui e dar o braço a torcer, chutei a preguiça e comecei postando o primeiro capítulo de um dos meus livros, o Conto de Dragões!

Acessem o link abaixo e, se quiserem, podem dar uma lidinha!

LINK!! 😉

Aliás…

O livro AINDA não tem capa e tals, então, estou usando uma “montagem” para introduzi-lo… hehe

Se alguém quiser me ajudar com isso, eu ficaria muito feliz mesmo!! (pois, sou uma negação nisso!)

conto_dragoes

Sinopsinha:

O que você faria se o seu mundo se transformasse?

Se tudo o que é real tornasse fantasia e a imaginação tomasse conta da realidade?

Se tudo aquilo em que acreditava ser ficção urrasse em sua cara e tudo em que tinha certeza esvaísse por seus dedos?

O que você faria se os seus mais belos e nefastos sonhos se tornassem protagonistas marcantes do mundo que todos nós conhecemos?

Mariane corre de uma realidade para outra, em busca de um futuro. Andrey arriscaria a própria vida e a de todos de seu clã por ela. Giulian quer simplesmente a morte, mas não a sua própria…

Uma guerra, um amor, um futuro. Qual coração continuará batendo no final?

Texto by Fabi

IMG_20140915_112932



{agosto 21, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 07

Entre A Surpresa e a Dona Morte!

 

 

Mariane não conseguia se mover. Seus olhos estavam presos naquela figura. Estava completamente chocada em vê-lo ali. Não conseguia desviar seus olhos, não conseguia emitir som algum. Estava petrificada e ignorava completamente as conversas que aconteciam ao seu redor.

Aquele garoto, de pele bronzeada, camiseta vermelha, corpo definido, jeans escuro, tênis da Adidas, cabelos escuros com brilhos ruivos, olhos verdes-oceano e sorriso maroto.

Sentado à duas fileiras na sua frente, em uma carteira que ficava na diagonal da sua, para a direita, estava o garoto que tinha esbarrado com ela no mercado.

Ele estava apoiado no braço da cadeira, segurando a cabeça com uma das mãos, enquanto observava Mariane com um sorriso divertido.

Por mais que tentasse virar o rosto, não conseguia. Sentia-se incomodada em estar revidando o olhar dele, mas não via escolha. Sentia-se incapacitada de desviar o olhar ou disfarçar o nervosismo e o interesse que estava sentindo.

O que ele faz ali?

Por que ele está na PUC?

Perguntas e mais perguntas cruzavam sua mente em alta velocidade.

Meu Deus! Ele é LINDO!

Não conseguia refrear seus pensamentos, ela os deixava vagarem livres por sua cabeça. Só tentava impedi-los de escaparem por seus lábios. Se ela acabasse falando em voz alta o que estava pensando, corria o risco que ele a ouvisse.

Apesar de Mariane acreditar que seria quase impossível de ele entendê-la no meio do barulho e da baderna em que a sala se encontrava, mas, mesmo assim, ela não queria arriscar.

Por que fica encarando?

Será que reconheceu?

Ela meditava sobre o porquê de ele continuar a olhá-la tão fixamente. Queria descobrir se ele a havia reconhecido. Fazia muito tempo desde aquele dia em que haviam se trombado no mercado. Será que ele se lembrava dela?

Por que está sorrindo tanto?

Tenho cara de palhaça é?

– Fiquem quietos! Vou fazer a chamada! – anunciou o professor, puxando a lista de presença para mais perto.

O garoto sorriu ainda mais e piscou para ela antes de se virar para frente, para poder olhar o professor. Mariane sentiu seu rosto arder e tinha certeza que suas bochechas estavam vermelhas de vergonha. Abaixou o rosto, tentando disfarçar o seu nervosismo e evitar que alguém visse o seu rubor.

– Ao menos vou saber como ele se chama… – sussurrou para si mesma, tentando distrair-se e acalmar os batimentos de seu coração.

– Adilson Campos!

– Eu!

– Agatha Sousa!

– Eu!

– Aídia Leite!

– Aqui!

– Alessandro Freitas!

– Eu!

– Amanda Lupani!

– Faltou!

– Amarildo Salles!

– Aqui!

– Anderson Remo!

– Aqui!

– Andréia Nunes!

– Faltou!

– Andrey… Ah… Esse daqui deve ser novo… – comentou quando viu que aquele nome era a única coisa de diferente naquela lista. – Andrey Strijder Draak! – anunciou o nome completo, ao invés de dizer apenas o primeiro sobrenome depois do nome, como sempre fez. Já que aquele era um aluno novo, não custava chamá-lo pelo nome todo uma única vez.

– Aqui! – o garoto que ela tinha reconhecido como “aquele que havia esbarrado nela no mercado”, levantou a mão enquanto respondia. Andrey se virou e a encarou novamente com um sorriso audacioso e culpado.

Mariane sentiu-se abobalhada. Ele era o Andrey de seus sonhos? O Andrey do telefonema? Não podia ser… Estava pasma. A voz dele era a mesma voz do Andrey que supostamente conhecia.

Portanto, o Andrey e o garoto do mercado eram a mesma pessoa! Os garotos que mais tinham mexido com o seu coração em toda a sua vida… Eram um só! E estava ali, agora, sentado na sua frente, achando a expressão abobalhada dela divertida!

Mariane sentia-se completamente confusa. Não sabia se ficava feliz por finalmente ter descoberto quem eram, ou melhor, quem era. Ou se ficava com raiva por tê-la enganado durante todo esse tempo.

– Mariane… Daqui a pouco é você… – Karen havia percebido que a amiga estava completamente distraída e decidiu avisá-la para que prestasse atenção na chama.

– Hã? Quê? – ao ouvir a voz da amiga, chamando-a, Mariane sentiu como se estivesse saindo de um tranze. Era como se Karen a tivesse puxado do meio de seus pensamentos para o mundo real.

– Olha… – apenas apontou para o professor.

– Maria Gringh!

– Aqui!

– Mariana Dalma!

– Faltou!

– Mariana dos Santos!

– Eu!

– Nossa… Obrigada, Ká… – sussurrou em agradecimento, quando percebeu que o seu nome estava chegando e que quase perdera a chamada por causa de seus devaneios. A amiga apenas deu um sorriso e voltou a desenhar algo no caderno.

– Mariana Polis!

– Aqui!

– Mariane L’acqua!

– Aqui! – levantou a mão e depois se acomodou em sua cadeira.

Sentia-se um pouco mais calma, agora que havia se distraído com a chamada. Mas ainda queria esclarecer algumas coisas sobre Andrey.

Suspirou e olhou para baixo, ele não estava mais olhando para ela. Mariane sabia que não conseguiria conversar com ele durante a aula, ela teria que esperar até a hora do intervalo. Quando ele saísse da sala, ela o faria dar algumas explicações.

 

–\\–||–//–

 

– Para onde estamos indo, meu mestre? – Luara ainda era puxada pela mão.

Fazia algumas horas que ela e Giulian estavam andando pelo mundo humano. E em momento algum ele havia soltado de sua mão. Isso a deixava feliz, mas estava começando a ficar cansada de andar sem objetivo por aquele lugar.

– Calma querida… Logo chegaremos lá…

Giulian continuava a andar, olhando placas, pessoas, cães,… Ele caminhava como um humano. Parecia habituado com aquilo tudo, mas na verdade, todos os seus atos não passavam de imitação. Ele observava todos os homens ao seu redor e tentava fazer o mesmo.

– Telonius me fez um mapa do lugar… Sei para onde estamos indo. – o giant virou em uma esquina. – Parece que algumas autoridades de guerra dos humanos vieram para cá, para tentar bisbilhotar nossas naves. E eu resolvi poupar-lhes a viagem. – olhou para Luara e sorriu. – Vou até eles. Quem sabe não consigo um bom servo humano lá?

– Ás vezes o meu rei é muito precipitado, sabia? – Luara retribuiu o sorriso, mas logo depois olhou para seus próprios pés com um olhar cansado. – Essa forma é muito fraca… Já estou me sentindo cansada…

– Venha cá… – Giulian diminuiu o passo e a puxou para mais perto de si, passando o braço ao redor da cintura bem definida de Luara. – Pode ser fraca, mas… Sabia que você está incrivelmente atraente e irresistível? Estou começando a achar que a sua forma humana virou um fetiche para mim! – sorriu provocante, enquanto a devorava com os olhos.

Os cabelos azuis da giant agora eram castanhos muito escuros. Ela tinha diminuído de tamanho, mas suas curvas estavam mais acentuadas. Seus olhos continuavam azuis e seus lábios eram carnudos e rubros, incrivelmente convidativos.

– Quadris largos, busto farto, lábios tentadores, olhar penetrante, cabelos brilhantes… Até mesmo a sua pele, com esse tom… Como eles dizem mesmo? Ah é! Com esse tom bronzeado, é uma tentação para mim! – Giulian a apertou um pouco mais contra seu corpo, enquanto andavam com passos um pouco mais lentos do que antes. – Nunca imaginei que humanas tivessem esse tipo de efeito sobre mim…

– Se essa forma lhe agrada… Fico feliz! – Luara o abraçou sem parar de andar. – Talvez eu a use mais vezes para deixá-lo feliz…

– Aaah… Você faria isso por mim, minha queria? – Giulian abriu um incrível sorriso, cheio de ansiedade e satisfação.

– Claro, meu senhor! – Luara retribuiu o sorriso e passou a observar melhor a forma humana de seu rei. E sentiu-se quente enquanto olhava para aquele corpo espantosamente tão atrativo para ela.

Giulian também tinha ficado um pouco mais baixo, mas seu corpo parecia mais robusto, com vários músculos, mas sem exageros. Seus cabelos, antes prateados, agora estavam loiros bem claros, seus olhos estavam com um tom acinzentado, como um azul muito claro puxado para a cor cinza. Até a fisionomia dele estava mais vigorosa. Ele transmitia uma masculinidade incrível, que a dominava completamente.

– Ah Giulian… Acho que a sua forma humana também me seduziu! Sinto-me extasiada!

– PERFEITO! – Giulian gargalhava alto com a confissão de Luara. – Agora nós dois sabemos que formas usarmos para mudar um pouco a… Hm… Rotina e excitar um ao outro. – eles se encontravam em uma rua deserta.

Andaram mais um pouco e entraram em uma viela que ficava escondida por uma árvore plantada na sua frente. Por mais que o sol brilhasse alto no céu, aquela viela estava escura, por causa das paredes altas que bloqueavam a luz solar. O giant andou mais para o fundo do lugar, olhou ao redor e encostou-se na parede.

– Venha cá! – puxou Luara com força para mais perto, prendendo-a com seus fortes braços, deixando que seus corpos se tocassem espremidos um no outro.

– Meu senhor! – surpreendeu-se com o inesperado aperto. – O que…?

– Shh… – sussurrou próximo ao ouvido da giant, impedindo que ela continuasse a falar. – Fale mais baixo, senão pode chamar a atenção de alguém… – começou a roçar seus lábios no rosto dela.

– O que estamos fazendo? – sussurrou, enquanto fechava os olhos, aproveitando a caricia em seu rosto.

– Estamos prestes a descobrir como é a adrenalina e o prazer humanos… – começou a mordiscar-lhe o pescoço enquanto escorregava uma das mãos por debaixo da camiseta da giant e lhe tocava o farto busto. – Você sabe que faz muito tempo que estou me segurando… Não consigo mais me controlar…

Seus gestos ficaram mais impacientes, cheios de urgência e desejo. Luara entregou-se aos toques cobiçosos de seu querido Giulian e começou a tirar-lhe a blusa.

Duas senhoras caminhavam pela rua, passando próximas da entrada da viela, sem perceberem que dois giants, em suas formas humanas, faziam coisas que, de acordo com os princípios que aquelas senhoras haviam adquirido ao longo de seus anos, seriam completamente impuras e inescrupulosas.

 

conto_dragoes



{agosto 15, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 07

Entre A Surpresa e a Dona Morte!

 

 

– Mariane… Mariane…

– Espera… – estava tudo escuro. Mariane não conseguia enxergar nada. A voz parecia se distanciar. Ela precisava ver quem era. A voz lhe era familiar, mas não estava conseguindo descobrir a quem pertencia. Ela precisava saber quem a chamava.

– Mariane, vamos… – seu corpo estava tremendo, mas não sabia o porquê. Ela não sentia frio e nem medo. Não tinha motivo aparente para a tremedeira – Anda Mariane… – a voz estava começando a se aproximar novamente.

– Quem…? – estendeu a mão, tentando alcançar o dono da voz e sentiu alguém segurá-la. Era um calor, um toque que já havia sentido antes. Mas ainda não conseguia ver ninguém.

– Anda logo, Mariane. – agora a voz estava mais alta, mais próxima. Mariane conseguiu reconhecê-la. “Ah não…” foi o que ela pensou, assim que percebeu o que estava acontecendo. – Mariane!

– Quê? Me deixa quieta… – sussurrou cheia de sono, enquanto abria os olhos e via Matheus ao seu lado. – Não gosto quando me sacode… – disse irritada, tentando se acomodar no banco. Ela estava sonhando com o seu dragão novamente antes de tudo escurecer e perceber que Matheus estava tentando acordá-la.

– Tá na hora de descer, Mariane! Anda logo, senão o ônibus sai e a gente perde o ponto! – Matheus ainda segurava a mão da amiga e a puxava para fora do banco, enquanto carregava sua própria mochila nas costas e o material dela no braço disponível.

– QUÊ? AI MEU DEUS! – pulou do banco, completamente desperta pelo susto. Ela não queria chegar atrasada na aula. Não podia deixar de descer naquele ponto. Saiu correndo pelo corredor do ônibus, arrastando Matheus com ela.

– Tá louca, garota? – assim que já estavam fora do ônibus, mais tranqüilos por não terem perdido o ponto, Matheus olhou para a amiga enquanto tentava ajeitar sua mochila no ombro. – Numa hora tá apagadona no banco, pedindo para te deixar quieta… Noutra tá correndo pelo ônibus feito maluca, toda afobada e me arrastando junto!

– Desculpa. – Mariane começou a olhar para suas mãos. – Ai, meu Deus! – ela estava olhando desesperada ao redor e analisando a si mesma.

– Quê foi? – arregalou os olhos, assustado com a reação da amiga. Ele não duvidava que ela pudesse ter batido em alguma coisa enquanto corria para fora do ônibus e ter se machucado.

– Meu material! – quase gritou, olhando para o ônibus que já começava a sumir de vista.

– Calma. – deu um sorriso divertido com a situação. – Tá aqui, ô louca… – estendeu o material para ela.

– Nossa! Obrigada, Má! Valeu mesmo! – pegou suas coisas e deu um suspiro aliviado.

Ajeitou-se e viu o amigo dar de ombros, como se aquele gesto substituísse a frase “de nada”. Sorriu para ele e começou a andar para o prédio em que teriam aula. Ele simplesmente suspirou e limitou-se a apenas segui-la.

Matheus percebeu que Mariane andava evitando ficar muito próxima dele. Ele sabia que o motivo daquele distanciamento eram os bilhetes que eles haviam trocado naquela aula entediante.

Não deveria ter sido tão direto com ela, mas já não aguentava mais continuar bancando o amigo sem segundas intenções. Ele queria ter algo além de amizade com Mariane.

Queria que ela percebesse o quanto a desejava mais do que como amiga. Mas pelo o que Matheus via, a sua ideia não tinha dado muito certo. Por isso, tinha decidido ficar quieto, sem pressionar, para não acabar estragando muito mais do que já havia estragado. Mariane teria que parar com aquele distanciamento, ela própria.

Enquanto andava, Mariane sentiu algo estranho. Estava tendo a sensação de que alguém a estava observando. Olhou ao redor e não viu ninguém que parecesse estar olhando para ela. Virou-se para trás e se certificou que não era Matheus quem a observava.

Respirou fundo. Ela ainda deveria estar sonolenta e o sono estava lhe pregando peças. Causando-lhe sensações que não deveria ter. Segurou seu material com mais força e olhou para o céu, tentando se tranquilizar.

– MAARIIIIIIAAAANEEEEE!!!!! – gritou Karen, enquanto atravessava correndo o largo corredor do prédio, para pular na sua amiga que tinha acabado de chegar.

– Calma! – Mariane, como de costume, firmou seus pés no chão e evitou mais uma vez que a duas caíssem no corredor da universidade. – Meu Deus! O que aconteceu dessa vez, Ká?

– Ah. Nada demais… Só fiquei até tarde assistindo uns filmes de que gosto.

– E bebendo coca-cola, né? – revirou os olhos quando viu o sorriso culpado que a amiga tinha dado em resposta. – Karen! Você sabe que tem baixa tolerância á cafeína! Provavelmente você ficou acesa durante boa parte da noite.

– Nem tanto. – soltou-se de Mariane e a puxou para o banco mais próximo. – Vem cá! Mudando de assunto… Você tá sabendo do aluno novo da nossa sala, né?

– Aluno novo? Não… – ergueu uma sobrancelha. Não estava sabendo de nada sobre aquilo.

– NÃO? Como não, Mariane? – Karen parecia surpresa. – E você ainda se diz uma jornalista…

– Olha! A nossa sala tem mais de 70 alunos! As provas do final do semestre estão chegando! Eu trabalho a tarde toda! Acredito que eu não tenha tempo e nem interesse para saber algo sobre qualquer aluno novo! – respondeu irritada à provocação da amiga.

Ela odiava ser uma das poucas a não saber de algo e odiava ainda mais quando vinham com o clichê “ainda se diz jornalista”.

– Tá, Tá… Era brincadeira, não fica nervosa! – Karen ofereceu à amiga um de seus contagiantes sorrisos. E quando viu que a expressão de raiva dela havia amenizado, continuou com o assunto. – Continuando… Ele vai entrar hoje na nossa sala!

– Hoje? – ergueu sua sobrancelha mais uma vez. – Ué… Por que ele não esperou até o semestre que vem? Ou pelo menos até o final dessa semana? Que tipo de pessoa entra em uma universidade numa quinta-feira, durante o período de avaliações?

– Ah, sei lá… – deu de ombros. – Vai ver que ele precisou se mudar e para não perder o ritmo dos estudos, decidiu entrar o mais depressa possível na nova universidade que ia cursa. Pode acontecer, ué!

– É…

– Ai! Espero que ele seja gato! – soltou um suspiro, tentando imaginar como seria o garoto novo.

– Ah tá… Sei… – Mariane se levantou do banco e puxou a amiga pela mão. – Vamos! – as duas foram caminhando tranquilamente até a sala de aula.

–\\–//–

– Meu mestre, tem certeza disso? – suas mãos estavam tremendo de nervosismo.

– Você está ME questionando? – Giulian começou a andar na direção de Telonius. – Um mero SERVO está questionando os desejos de SEU REI? – sua voz estava impregnada por um tom ameaçador. Ele tinha um sorriso traiçoeiro brincando em seus lábios.

– Não, meu senhor, meu rei! – Telonius exagerou na reverencia, abaixando-se ainda mais. – Se é o seu desejo, não devo questioná-lo! – ele já conhecia os gostos de seu rei.

Ele sabia o quanto Giulian gostava de se sentir superior aos demais e o quanto ele se deleitava quando precisava torturar alguém que não atendesse aos seus caprichos. Dessa forma, ele preferia exagerar em seus gestos e demonstrar seu medo, mostrando-se como um ser inferior, do que sofrer pela tortura.

– Então, cale essa sua boca infame! – encarou seu serviçal com um olhar maldoso e perverso e percebeu que Telonius tremia descontroladamente diante de sua presença. Sorriu, divertindo-se com a situação. Ele amava ser respeitado e temido. Adorava ver seus servos com medo de sua autoridade. – Já está tudo pronto?

– Sim, meu senhor! – tentava, em vão, controlar ao menos um pouco de sua tremedeira.

– Ótimo. – ignorou Telonius e foi andando até a porta de entrada daquele imenso salão real.

– Giulian, meu senhor. – sussurrou uma voz feminina e delicada, assim que Giulian cruzou a porta. – Tem certeza que quer fazer isso? E se fizerem algo contra você, meu querido rei? – Luara estava encostada na parede, ao lado da entrada, encarando Giulian com olhos preocupados.

– Ah! Minha querida Luara! – andou até ela e segurou-lhe as mãos. – Fazerem algo contra mim? Eu? O que podem fazer? – deu uma risada alta. – Eu sou um giant! Ou melhor… Eu sou o REI dos giants! O que um reles humano pode fazer?

– Não é com os humanos que estou preocupada… – respondeu séria.

– Ah, sim! Nossos inimigos… – Giulian sorriu para ela. – Minha querida, eu não vou sair com essa forma. Vou ficar com a minha forma humana e me misturar. Não tem como eles me reconhecerem. – acariciou o rosto delicado de Luara, passando seus dedos pelos traços sérios da giant. – Ora, vamos! Sorria para mim! – ela ofereceu-lhe um sorriso, obedecendo ao pedido. – Viu? Não é bem melhor? – deu-lhe um beijo no rosto.

– Ainda estou preocupada com você, meu senhor! – Luara desencostou-se da parede e se aproximou dele. – Enquanto estiver lá fora, eu ficarei aqui, me remoendo de angustia pela sua segurança. Ao menos, me deixe ir junto!

– Se isso a fará mais feliz… Acabar-se-á com a sua preocupação! – sorriu para ela. – Pode vir! Venha comigo minha querida, visitar o mundo dos humanos!

– Muito obrigada meu senhor! – abraçou Giulian, sentindo-se mais aliviada. – Sinto-me mais tranquila. – beijou-o próximo da boca.

– Mas depois eu vou querer algo em troca por ter permitido que fosse comigo… – sussurrou no ouvido da giant, antes que ela distanciasse o rosto do seu.

Luara sentiu Giulian acariciar seus longos cabelos azuis escuros e descer a mão pelo seu corpo, delineando e tocando suas curvas e demorando-se nas partes mais salientes, aplicando uma leve pressão com seus dedos, tentando provocá-la. Percebeu seu corpo arder em desejo e tremer de excitação sob o toque de seu rei.

Ela o amava. Sentia um carinho especial por ele desde pequenos. E agora, que os corpos de ambos já haviam se desenvolvido por completo e a inocência da juventude abandonado suas mentes, Luara via o quão lindo e sedutor ele era. Ela o desejava cada vez mais, de corpo e alma.

Sentia-se feliz em saber que ela era a única quem ele permitia que o tocasse daquele jeito e também, era a única em quem ele tocava tão carinhosa e ardentemente.

Se algum dia ele desejasse fazer o mesmo com outra, Luara acreditava que não se importaria em compartilhá-lo, desde que ele mantivesse o relacionamento intimo dos dois.

Luara prensou-se ainda mais ao corpo de Giulian e aproximou seus lábios carnudos no ouvido de seu rei, sem deixar de agarrá-lo com sensualidade.

– Meu querido rei, quer mesmo deixar para depois? – sussurrou cheia de volúpia.

– Não me tente tanto minha querida! Estou tentando me segurar ao máximo aqui! – sorriu cheio de malicia, enquanto continuava a deslizar sua mão pelo corpo da giant.

– Mas foi o senhor quem me tentou primeiro! – sussurrou em protesto.

– Considero-me culpado. – afastou relutante o corpo dela do seu e segurou-lhe as mãos. – Querida, precisamos mesmo ir! Não quero adiar essa missão ainda mais. – começou a puxá-la para a saída daquele lugar. – Venha comigo. Vamos ludibriar alguns humanos…

 

conto_dragoes



{julho 16, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

– Andrey! Andrey, querido? – Maysa procurava pelo sobrinho.

Já havia olhado por todo o quarto do garoto e vistoriado quase a casa toda, cozinha, quartos, banheiros, salas, lavanderia e até no escritório de Thadeu. Onde mais ele poderia estar?

– Andrey, cadê você? – faltava apenas dar uma olhada no jardim da frente e nos fundos da casa.

Maysa passou pela porta que dava passagem para os fundos. Deu uma rápida e minuciosa olhada pelo lugar, mas não viu sinal de seu sobrinho. Ele não poderia ter desobedecido Thadeu, ao menos não depois de ela ter intercedido e pedido pela compreensão dos dois.

O lugar não era grande, mas ostentava um ar reconfortante e tranqüilo por causa de seis árvores plantadas ali. Elas não eram muito maiores do que a casa, mas eram magnificamente lindas.

Suas sementes eram originais de seu planeta natal, trazidas com cuidado até a Terra e ali cultivadas. Por sorte, elas demoravam menos tempo do que as plantas terrestres para atingirem a maturidade e eram muito mais duráveis. Cada uma tinha uma característica específica e cores incomuns.

Olhando da menor para maior, via-se uma de um cedro quase branco, com folhas verdes claras e flores azul-bebê.

Outra tinha um cedro-terra, um marrom forte que lembrava barro, suas folhas eram verdes como a esmeralda e suas flores eram de um grená (um tom violeta puxado para o castanho) tão intenso e claro, que lembravam grãos de areia molhados pela água do mar, durante um final de tarde.

Havia uma de um cedro praticamente verde-mar, com folhas puxadas para o tom forte e misto do verde-acqua e flores mescladas com a cor turquesa e azul-marinho.

A seguinte tinha um cedro-rosa um tanto avermelhado, como um violeta pálido com vermelho-terra, suas folhas eram verdes-musgo com tons avermelhados e alaranjados, como folhas no outono, suas flores eram vermelhas rubras, como rubis, algumas com sutis tons magenta e violeta.

A segunda maior tinha um cedro quase negro, era de um rútilo (um tom marrom muito escuro) quase preto, suas folhas eram verdes muito escuras e suas flores eram de um roxo mais denso do que o tom de ameixas mais do que maduras, com fortes tons cor de vinho.

Por ultimo, a maior, com um cedro-amarelo, um amarelo açafrão, puxado para o bronze, suas folhas eram de um verde lima bem claro, com tons dourados e suas flores eram amareladas como o âmbar, com fortes pigmentações de maná-gelo (um tom dourado muito claro, quase branco, puxado para a tonalidade fria do gelo).

Ela fechou os olhos e deixou que seus outros sentidos falassem mais alto do que sua visão. Em poucos segundos ela conseguiu captar um cheiro diferente no ar.

Um aroma tão sutil que ela não o teria percebido, se não tivesse parado e prestado mais atenção ás coisas ao seu redor. Era uma fragrância amadeirada e com uma sutil caracteriza amentolada, fortemente marcada por um aroma similar ao do cravo.

Com um sorriso no rosto por ter reconhecido aquele singular aroma, Maysa andou até a árvore com tons avermelhados e olhou para o alto, procurando por algo oculto nas ramificações da copa.

– Andrey, meu querido… Eu sei que você está aí… Por que não desce? Preciso conversar um pouquinho com você… – anunciou com um clamor sutil e delicado.

Seu tom de voz era quase baixo. Ela conhecia a boa audição do sobrinho característica da raça, portanto, ela não via motivo para se expressar em um timbre mais alto.

– Como me descobriu aqui tia? – a voz masculina vinha de algum lugar do topo daquela árvore. O garoto ainda estava oculto pela densa concentração de folhas e flores.

– Você tem um cheiro muito peculiar e característico, sabia? – um sorriso terno e alegre brincava em seus lábios.

– Huh… Acho que sim… – sua voz estava com um distinguível tom divertido e satírico.

Em apenas alguns segundos, Andrey saltou do alto daquela esplêndida árvore, caindo com graciosidade ao lado da tia.

– O que você fazia aqui? – perguntou enquanto retirava algumas folhas presas nos fios de cabelo do sobrinho.

– Apenas pensando… Gosto de vir aqui de vez em quando… – lançou um olhar nostálgico para aquelas formosas árvores e suspirou diante de alguma lembrança que cruzava sua memória.

– São realmente magníficas! – Maysa também olhou para as incomuns plantas e sorriu. – Tanya também gostava de passar as tardes nelas… – olhou para o sobrinho rindo. – Lembro que ela me arrastava todo o santo dia até um bosque repleto delas, para brincarmos juntas. Ficávamos a tarde toda correndo envolta dos troncos, nos prendendo em galhos… E ela parecia NUNCA se cansar! – fez uma careta incrédula. – Antes do final da tarde eu já estava exaustada, querendo me arrastar de volta para casa, mas Tanya sempre choramingava, pedindo para ficar um pouco mais… – suspirou cansada e saudosa. – E eu sempre cedia… Sempre ficava lá com ela um pouco mais… – tocou o tronco da árvore mais próxima e sorriu com ternura. – Ah… Minha irmã amava demais a nossa terra natal…

– Amava… – Andrey concordou em um sussurro, tentando esconder a dor que seus olhos refletiam do seu âmago. – Elas me lembram da época em que mamãe me levava para brincar nessas árvores… – também tocou o mesmo tronco que sua tia havia tocado. – Essa daqui… Era o meu tipo predileto… – alisou o cedro-rosa avermelhado. – E mamãe… – andou até a que possuía tons azulados. – Gostava mais desse… – bateu levemente as pontas do dedo, no cedro verde-mar. – E para ser sincero, eu também gosto bastante dessa árvore!

Ele analisou as duas árvores e passou uma das mãos pelo queixo. Uma mania que tinha, quando refletia sobre algo frívolo ou cotidiano.

– Se eu for analisar bem, acredito que a minha admiração por esses dois tipos acaba em empate… – encarou a tia com um meio sorriso. – Acho que é o meu pai quem gosta mais da avermelhada e não eu…

– É compreensível… Até que é fácil explicar os gostos de vocês três.

Maysa deu de ombros e ficou a observar cada uma delas. Encarou o sobrinho por um breve instante e voltou a observar as árvores.

– É como se elas representassem cada um de nossos clãs… Aliás, acho que elas REALMENTE representam os seis clãs! – ela começou a apontar para cada uma delas. – A clarinha, de cedro quase branco, representa o Clã do Ar. A de cedro mais marrom representa o Clã da Terra. Essa daí, cheia de tons azuis, representa o Clã da Água. Essa daqui, bem avermelhada, representa o Clã do Fogo. A praticamente negra, representa o Clã das Sombras. E aquela ali, a de aparência mais luminosa, representa o Clã da Luz. – andou até Andrey com um sorriso simples no rosto. – Sua mãe e eu, pertencíamos ao Clã da Água. O seu pai ao do Fogo. Conseqüentemente, você é uma miscigenação dos dois. Tá aí a explicação do gosto de vocês!

– Tia… Eu já fazia uma idéia disso… – Andrey ofereceu um sorriso singelo para Maysa. – Mamãe já havia me dito essa teoria quando pequeno. E ainda explicou que eu era uma “semente” diferente. Metade árvore do Fogo, metade árvore da Água. – baixou o olhar quando sentiu a dor crescer ainda mais. – Ela disse que estava ansiosa para ver em que árvore eu me tornaria quando crescesse… – sua voz não passava de um sussurro triste.

– Andrey… – abraçou o sobrinho. – Tenho certeza de que ela o está vendo crescer e ficando maravilhada com o que está se tornando. – deu um sorriso. – Falando em crescer… Isso me lembra responsabilidades… Que por sua vez me lembra do porquê de querer conversar com você!

Maysa tentava mudar de assunto antes que Andrey entrasse em depressão com a, ainda recente, morte de Tanya.

– Hum… – o garoto levantou a cabeça e olhou para a tia com o canto dos olhos.

– Nossa! Que interesse todo é esse, ein? – perguntou irônica, fingindo estar ofendida com a falta de curiosidade do sobrinho. – O assunto é importante, sabia?

– Tá… Desculpa tia… – ficou frente a frente com ela, respirou fundo e atuou um olhar curioso. – Diga-me! Agora estou curioso. O que precisa conversar comigo?

Andrey não estava realmente interessado, mas fingiu estar, apenas para agradar à tia que tanto amava.

– Ora… Você é um fingido! Que curiosidade nada! Você não me soa como um curioso.

Viu o sobrinho começar a abri a boca para discordar de sua analise e segurou-lhe os lábios unidos com as pontas de seus dedos.

– Shhh… Não adianta discordar. Eu sei que estou certa! Aliás,… Você já perguntou sobre o que eu queria conversar, então, agora, vou ter que responder, não é? – soltou os lábios de Andrey e cruzou os braços. – Se você ficar tagarelando, não vai me deixar papaguear. – deu um sorriso divertido.

– Papaguear? – riu com a sonoridade da palavra. – É… Esse verbo, COM CERTEZA, foi feito para você! – ele ainda não havia visto alguém que falasse mais do que tia. A expressão “tagarela como um papagaio” encaixava-se perfeitamente na personalidade dela.

– Que seja… – bufou com a brincadeira. – Posso continuar?

– Claro. Vá em frente! – selou os lábios e fez sinal para que ela continuasse a falar.

– Obrigada. – descruzou os braços e sorriu em resposta aos gestos do sobrinho. – Andrey, seja sincero comigo, por favor…

Apoiou-se no ombro dele e aproximou sua boca ao ouvido de Andrey, para que apenas ele ouvisse o que ela iria cochichar, caso houvesse alguém bisbilhotando a conversa deles.

– O quanto você realmente gosta da humana? O que você verdadeiramente sente por Mariane?

– Maysa! – sentiu o sangue borbulhar em suas bochechas e suas orelhas arderem com o espanto da pergunta. – Isso… – viu a tia fazer sinal para que falasse mais baixo e diminuiu seu tom de voz para um sussurro. – Isso é um assunto bem delicado e complexo, tia! Não sei se posso responder…

– Ah… Você pode sim, meu querido… – continuou apoiada nele. – Eu sei que você pode! Você já sabe o que sente, basta que reflita só um pouquinho sobre isso…

– Mas por que você quer saber?

– Lídia teve uma visão… – segredou com um ar trivial e tranqüilo. – E você sabe que as chances de ela estar certa são de praticamente 95%, não é?

– Que visão? – Andrey conhecia muito bem as visões de Lídia.

Ela era uma descendente direta do Clã da Luz. Assim como ele, seus pais eram de clãs diferentes, e, portanto, ela era uma filha mestiça. Pai das Sombras, mãe da Luz…

Uma união mais complicada do que a de seus próprios pais. E talvez, por ser herdeira dessas duas tribos, ela tenha despertado um dom, proveniente da mistura dos poderes. Lídia era capaz de ter visões sobre o futuro, como premonições e muito dificilmente ela errava nelas.

– Ela viu sua Mariane aqui em casa…

– QUÊ? – sua voz saiu como um brado de sua garganta.

Maysa fez um sinal histérico para que ele diminuísse o tom de voz novamente. Ele olhou ao redor por alguns segundos, certificando-se que seu grito não houvesse chamado a atenção de ninguém de dentro da casa. Quando teve certeza de que ainda estavam sozinhos ali, ele voltou a sussurrar.

– Mariane? Aqui? Como? Quando? Por quê? Eu… Eu acho que não me atreveria a trazê-la para cá… Ao menos não com tantos de nós aglomerados nessa casa… Não é?

– Calma… Calma… Você faz perguntas demais para alguém que tem respostas de menos! – Maysa desgrudou-se do sobrinho e deu de ombros. – Eu não sei de nada, além do que Lídia me disse. Quem vai trazê-la até aqui é você! Não sou eu quem tem as respostas… Se eu soubesse, acha que estaria aqui te questionando?

– Tá, tá… – cruzou os braços, ainda preocupado com a hipótese de que no futuro ele venha a fazer uma loucura daquelas. – Mas, a Lídia ainda pode estar errada, não é? Você sabe… As visões dela não são 100% corretas… – um olhar esperançoso surgiu em seu rosto.

– Bom… – refletiu um pouco. – Isso é verdade… – mas logo descartou a esperança do sobrinho. – Mas a visão era realista demais para não acontecer…

– Realista? – não conseguia disfarçar o tom incrédulo da voz. – Eu jamais a traria para cá! Posso desobedecer às ordens de meu pai, mas eu sei os limites! Nunca a colocaria em um lugar cheio dos nossos. Ainda mais quando a maioria se sente tão fraca… Ela seria um belo banquete revigorante!! – Andrey sentiu pânico ao cogitar a idéia de deixar Mariane a mercê dos famintos.

– Calma… – Maysa afagou o braço do sobrinho, tentando acalmá-lo. – Na visão da Lídia, você não era tão louco assim…

– Como assim?

– Você a trouxe para cá, mas… Não havia mais ninguém em casa. Você e ela estavam sozinhos aqui… – o encarou com um ar reprovador.

– Sozinhos? – ele sentiu o pânico desaparecer, dando lugar a uma sensação completamente quente, que transformava suas bochechas em brasas. Sua imaginação trabalhava rápido, oferecendo-lhe imagens que o faziam se arrepiar, mas aqueles arrepios não eram de medo ou frio. – E… o que estávamos fazendo?

– Huuuum… Que curiosidade é essa? – lançou um olhar malicioso sobre Andrey e sorriu, divertida com o embaraço dele. – Ficou interessado é?

– É sério Tia… – sentia-se completamente constrangido com aquele assunto. Ele costumava brincar com esse tipo de coisa, quando saia com seus amigos ou até mesmo com a sua prima. Mas na presença da tia, a conversa incomodava.

– Bom… Na visão da Lídia, você apenas mostrava para ela a casa… Essas árvores… E depois a deixou descansar em seu quarto… – Maysa substituiu o ar brincalhão por uma feição séria. – Vocês dois pareciam muito cansados… Estavam acabados… Você estava arranhado e machucado. Ela estava assustada e tinha um rasgo no braço direito.

– Um rasgo? – arregalou os olhos. Quando a tia dizia “um rasgo” em alguma parte do corpo, era porque alguém havia seriamente se cortado.

– Uhum. Ela tinha uma ferida grande. O corte atravessava quase o antebraço todo dela.

– Agora a visão da Lídia faz menos sentido ainda para mim! – começou a caminhar pelo lugar. – Por que eu a traria aqui, ao invés de levá-la a um médico?

– Não sei… Ela parecia muito assustada, por isso você mostrou a casa antes de curá-la, para tentar acalmar a humana… E também… Vai ver você imaginou que esse fosse o lugar mais seguro para tratá-la…

– Eu estava tratando dela? – ergueu uma sobrancelha.

Andrey sabia muito bem que alguém da raça dele, abatido como ele deveria estar e ainda ser herdeiro do Clã do Fogo, não agüentaria ficar perto de sangue. Somente o cheiro despertaria uma louca vontade de bebê-lo. Era como um instinto de sobrevivência. Aquele sangue regeneraria suas forças e aceleraria ainda mais o seu processo de cura.

– Uhum… – Maysa também tinha um ar descrente no rosto. Se não houvesse ouvido a história da própria boca de Lídia, com certeza ela estaria tão incrédulo quanto ele. – E você tomou uma medida bem drástica para curá-la…

– Drástica?

– Você jogou seu próprio sangue sobre a ferida dela… – a frase foi dita em um murmúrio tão baixo que, se Andrey não possuísse uma audição tão aguda, não conseguiria ouvir o que ela tinha acabado de lhe confidenciar.

– Meu sangue…? – ele também murmurou. Aquela parte da conversa era delicada e comprometedora demais para ir soar nos ouvidos de mais alguém. – Certeza…? – sentia-se completamente chocado.

– Certeza… – ela se aproximou dele, para que ficasse mais fácil continuar a sussurrar a conversa. – Você deveria estar bem desesperado ou… Preocupado com algo. Dar o seu sangue para uma humana assim… É… É… No mínimo, sinal de perigo a espreita…

Maysa e Andrey sabiam muito bem o que significava dar seu próprio sangue para uma raça diferente da sua e tão fraca. Seu D.N.A. possuía características muito especificas da espécie para ser doado daquela maneira.

Quando seu sangue se misturasse ao de outra criatura, ela passaria a compartilhar parte de seu próprio ser, de sua própria essência. A criatura passaria a ter uma ligação muito forte com o dono do sangue.

Nenhum segredo poderia ser mantido. Tudo o que um sabe, o outro ficará sabendo. Sem mencionar que essa ligação enfraquece os sentidos. O dono do D.N.A. fica mais fraco e vulnerável do que os demais de sua raça.

– Andrey… Você sabe que estamos para entrar em uma guerra. Enfraquecer-se assim, por tão pouco, pode prejudicar o nosso lado. Pode acabar entregando a vitória para eles!

– Eu sei… Eu sei…

Andrey estava começando a sentir dificuldades em manter o volume de sua voz baixo. O nervosismo já havia tomado grande parte da razão.

– Mas eu não faria uma coisa dessas por causa de uma situação banal! Com certeza deve ter acontecido alguma coisa! Provavelmente Mariane devesse estar em sério perigo. Talvez ela tivesse se metido em uma situação complicada. Um caso de vida ou morte. E para não dar chances, a quem quer que seja o inimigo nesse dia, de matá-la, eu devo ter feito aquilo, para fortalecê-la!

O dragão encarou a tia, para ter certeza de que ela estava acompanhando a sua linha de raciocínio.

– E você sabe que ela é uma peça importante para nossa vitória e que é extremamente especial e inestimável para mim! Não poderia deixá-la em perigo, deixá-la mais frágil nas mãos de alguém. Jamais!

– Sim, sim… Eu sei, Andrey! Agora abaixa esse tom! – disse séria, preocupada com a probabilidade de alguém ter conseguido ouvir alguma coisa.

– Tia… É por isso que eu preciso estar sempre ao lado dela! É por isso que eu preciso estar com ela! – ele pegou as mãos de Maysa, como se pedisse pela compreensão dela. – Para evitar que coisas assim aconteçam, ela precisa saber quem sou o mais rápido possível e ter certeza que poderá recorrer a mim sempre que precisar! Não posso mais dar ouvidos ao meu pai! Eu NECESSITO ficar com ela!

– Tá! Entendi Andrey! Mas pelo amor de sua mãe, abaixe esse tom de voz! – apertou as mãos dele com força, em sinal de repreensão. A idéia de terem ouvido a conversa a exasperava.

– Desculpe… – sussurrou em resposta, tentando acalmar a euforia, a vontade louca de continuar falando alto.

Ele sempre soube que era preciso ficar com Mariane, que seu pai estava errado em afastá-lo dela.  Sentia um incrível desejo de gritar aquilo e provar para todos o quão certo ele estava em seus atos e vontades.

– Mas tia… Você entende, não é? Você vê o quanto eu preciso protegê-la?

– Sim. Eu vejo… – suspirou, dando-se por vencida.

Não adiantava contestá-lo. Provavelmente Andrey estava certo. Ele precisava cuidar da humana para evitar maiores danos para o lado deles, quando a guerra chegasse.

– Mas não vou deixá-lo ir sozinho atrás dela. Vou ficar de olho em vocês dois. Se algo acontecer, talvez seja preciso mais do que um de nós para dar conta do recado. É melhor que eu esteja por perto…

– Ótimo! Vai bancar a espiã? – perguntou jocoso, tentando quebrar o clima tenso daquela conversa.

– E o que mais eu seria? Se eu tentar bancar a enxerida, talvez acabe atrapalhando alguma coisa entre vocês dois… – olhou para o sobrinho com um olhar malicioso e suspeito, entrando na brincadeira de bom grado. Assuntos tensos também não a agradavam.

– Engraçadinha… – comentou irônico e cético, totalmente encabulado diante da idéia de sua própria tia acabar presenciando alguma cena mais “romântica” entre ele e Mariane.

– Não se preocupe querido… Não vou ficar observando vocês o tempo todo. Vou dar mais atenção às coisas que acontecerão ao redor dos dois. – continuava a encará-lo maldosamente.

– Já que é assim… – deu de ombros, tentando disfarçar seu embaraço. – Vamos bancar os humanos!

– Ok! Mas, Andrey, não leve tudo isso somente na brincadeira. – Maysa tentava advertir o sobrinho. – Lembre-se que o principal motivo para fazermos isso não é a diversão e sim a segurança dela.

– Eu sei tia… Mas eu acho que um pouco de diversão não faz mal. Deixa o serviço mais fácil de ser feito. – respondeu com o seu costumeiro sorriso maroto nos lábios.

– Você não tem jeito mesmo, ein moleque? – bagunçou os lindos e perfumados cabelos de Andrey.

– Vamos lá tia! Vamos nos divertir! – disse enquanto arrumava o cabelo bagunçado sem reclamar. – Vamos brincar de humanos! – sentia-se muito bem humorado agora.

 

 

conto_dragoes



{julho 10, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

Aos poucos, uma caricatura do professor de Antropologia Cultural começava a aparecer na folha do caderno.

Matheus estava completamente entediado. Aquela não era nem de longe a sua matéria predileta. Ele não se dava bem com o professor e não conseguia se interessar pelo assunto, só estava ali para receber presença e mais nada.

– Hum… – um sorrisinho apareceu em seu rosto.

A caricatura estava pronta e era completamente hilária. Ele havia exagerado na barriga saliente, feito uma careca mais reluzente e redonda do que o normal, caprichou nos olhos esbugalhados e conseguiu enquadrar o desenho ao perfil do famoso Homer Simpson.

Puxou a folha do fichário e olhou para os lados a procura de algo. Observava atentamente cada cabeça na sala até localizá-la. Mariane estava sentada a duas fileiras na frente, em diagonal com a sua carteira. Dobrou o papel, fez mira e o jogou, acertando em cheio a cabeça da amiga.

Mariane olhou para trás um pouco mal humorada com a investida. Viu Matheus gesticular algo e apontar para o papel que havia acertado a sua cabeça. Ela o pegou do chão, cedendo o lugar do mau humor para a curiosidade e o abriu. Assim que viu a divertida caricatura do professor, segurou o riso. Estava perfeita!

Ficou comparando a figura com a pessoa e, mais uma vez, veio-lhe uma intensa vontade de rir. Respirou fundo e dobrou o papel. Se ela continuasse olhando para o desenho, com certeza não conseguiria se controlar e teria um ataque de riso.

Olhou para o lado e viu os olhares curiosos das amigas a observá-la. Mariane deu um sorriso divertido e passou o papel para que também pudesse ver a “obra de arte” de Matheus.

Não demorou muito e começou a ouvir risinhos abafados. Também tentou se controlar para não recordar da figura hilária e começar a rir.

Olhou para o lado mais uma vez e viu duas de suas amigas se levantando com a mão na boca, segurando o riso, e saindo da sala. Com certeza elas não tinham aguentado e precisaram sair para não ter a atenção chamada pelo professor.

Mariane pegou o papel de volta e começou a escrever no canto da folha um recado. Voltou a redobrá-lo e o jogou para Matheus.

Sem rodeios, Matheus pegou o papel e o abriu. Começou a sorrir feliz enquanto lia o bilhete.

 

Matheus, só você mesmo para me fazer rir em uma aula tão chata! Como você adivinhou que eu estava precisando me distrair? Adorei a caricatura! Estava PERFEITA! Você tem um dom, sabia? Estou orgulhosa de ter um amigo tão talentoso… rs… Você deveria desenhar mais vezes.

Bem que você poderia fazer mais caricaturas para me distrair né? Aliás, por que você não faz uma caricatura minha? Estou curiosa! Quero saber como você me retrataria em uma folha de papel…                              

Beijos da sua amiga que quase chorou de rir por sua causa, Mari!

Ps:… Te adoro!

 

Guardou o bilhete dentro de um plástico no fichário e puxou outra folha para respondê-lo. Escreveu alguma coisa no papel, tentando fazer uma letra que considerasse a mais legível feita por ele e o jogou na direção da amiga.

Mariane pegou o papel todo dobrado e o leu um pouco desconfiada. A resposta não era exatamente livre de segundas intenções por parte dele.

 

Má, fiquei feliz em saber que você gostou. Eu fiz só um desenho simples para passar o tempo, nem caprichei muito. Só queria me distrair dessa aula chata.

Falando em distrair… Saiba que, sempre que você precisar, eu a distrairei de todas as formas possíveis e permitidas por você. E quanto ao seu pedido, farei quantas caricaturas quiser! Basta você me presentear com o seu sorriso, assim como você fez quando viu a minha caricatura do professor… rs… Mas, em relação ao pedido de fazer uma caricatura sua, não sei se eu seria capaz de retratar toda a sua beleza e graça em um mero desenho em uma simples folha de papel. Se quiser me ajudar com isso, poderia ficar algumas tardes comigo aqui na PUC e posar para mim… O que acha? Sem malicias, por favor… rs…

Muitos e muitos beijos somente para você!

Também te adoro DEMAIS!

Ass: Math

 

Olhou disfarçadamente para as amigas, certificando-se de que nenhuma estava lendo e respondeu. Jogou o papel de volta e deu um suspiro. Mariane gostava muito do amigo, mas não queria que ele tivesse esperanças em ter algo a mais do que amizade com ela.

Matheus abriu o bilhete rapidamente, mas sua animação diminuía a cada linha que lia do bilhete. Terminou de lê-lo e o guardou, sem se preocupar em dar uma resposta. Ele estava desanimado mais uma vez.

 Matheus… Não me entenda mal, mas eu não tô muito a fim de ficar ALGUNS DIAS na PUC e eu não presto para ser modelo, não! Eu não gosto de ficar posando, é meio entediante, sabe?

Não é por você não, viu? Nem fica chateado comigo, por favor! Mas, sinceramente, esse não é o tipo de programa que eu gostaria de fazer com alguém. Sem contar que eu trabalho… Não daria para ficar assim de bobeira pela PUC, né?

Quem sabe a gente combina outra coisa, algum dia? Sei lá… Ir com o pessoal no cinema, ou passear com o povo da sala no shopping. Aposto que você se divertiria muito no fliperama com os meninos e eu adoraria fazer compras com as meninas… rs… Típico, né?  (clube do Bolinha e da Luluzinha)

Mas ainda fico esperando as caricaturas que você disse que faria. Não adianta fugir! Disse que faria e agora vai ter que fazer… rs…

Beijos! 

Até mais…

 

Ninguém mais havia percebido, mas um clima um pouco tenso apareceu entre os dois amigos. Mesmo a distancia, Mariane podia sentir a chateação dele e ficou um pouco incomodada com aquilo, não gostava de deixá-lo assim, mas às vezes era preciso.

Matheus também podia perceber o incomodo que a sua reação havia causado a amiga, mas não estava se importando muito com aquilo. Ela o havia chateado e agora merecia se sentir mal por aquilo. Para ele, a Mariane não precisava ter sido tão direta assim. Ela poderia ter sido um pouco mais flexível com ele.

Por mais que desejassem o contrário, aquela aula parecia que nunca ia acabar para os dois.

 

\\–//–\\–//

– Informaremos o Coronel Falcker agora mesmo! – Capitão Luca andava pelo corredor com passos duros e decididos.

Estava rodeado por alguns companheiros militares, que, assim como ele, haviam se envolvido diretamente com o estranho O.V.N.I. que tinha aparecido por ligeiros segundos nos radares da base.

A sua esquerda estava o Tenente Andrade, à direita estava o mal humoradíssimo Tenente Nunes, logo atrás estavam o Cabo Smithison e o inseguro Soldado Mirella.

– E quanto ao Major Romero? Passaremos direto por ele? – Andrade dava breves olhadas nos papeis que carregava na mão.

Os arquivos continham fotos de vários pontos negros parados sobre o céu brasileiro e alguns poucos dados que alguns radares haviam conseguido fazer.

– Eu já o informei. Mandei o Cabo Walter até ele com uma cópia dessa papelada. – Luca não diminuiu o passo em nenhum momento. – Inclusive… Acredito que o Major já esteja no gabinete do Coronel agora mesmo…

Sem se preocupar com formalidades, o Capitão Luca abriu a porta do gabinete e foi entrando. Ele não se importava com protocolos que julgava ser meramente etiquetas ao invés de burocracias. Aliás, ele nunca gostou muito de burocracias, as considerava perda de tempo, mas sabia que elas eram necessárias para manter a ordem e o respeito pelas hierarquias.

Como ele havia previsto, o Major Romero já se encontrava na sala, mostrando todos os dados sobre os O.V.N.I’s que havia recebido. Logo atrás de Luca vinham aqueles que o acompanharam durante o percurso todo até ali. Com exceção dele, todos os outros estavam preocupados com a reação do coronel e do major perante a entrada invasiva do capitão.

– Capitão Luca, o que significa essas fotos? – o coronel ignorava a brusca entrada de Luca em seu gabinete. Já conhecia o estilo direto do militar. E ao invés de um sermão, Falcker preferiu apenas encarar seu subordinado com uma expressão séria no rosto, enquanto aguardava por uma resposta.

– Senhor, essas fotos são O.V.N.I’s encontrados no espaço aéreo brasileiro. Não conseguimos estabelecer um contato com eles e não sabemos ainda se são inimigos.

– Isso eu já percebi… – sussurrou analisando os dados. – Desde quando estão aqui? – voltou a falar em seu habitual tom de voz forte.

– O primeiro caso aconteceu há três semanas, portanto, acreditamos que ficaram por aqui durante todo esse tempo. Apesar de apenas os percebermos parados sobre o Brasil há apenas duas horas. Supomos que eles tenham uma tecnologia especial para se camuflarem de nosso radares quando desejam, senhor.

– DUAS HORAS? – Falcker ergueu a cabeça junto com o tom de voz. Ele estava quase berrando. – Vocês demoraram DUAS HORAS para vir me informar? Ou pior… – encarou cada um dos presentes ali antes de continuar. – TRÊS SEMANAS, para ser mais preciso…

Todos na sala permaneceram calados depois que o Coronel Falcker havia terminado de falar. Nem ao menos se aventuravam a encarar um ao outro, apenas o Capitão Luca desafiava a sorte, encarando o coronel, o qual sustentava o seu olhar, aceitando o desafio.

Ele respeitava o Capitão Luca. Nem todos tinham a audácia de enfrentá-lo, ainda mais quando o seu humor se alterava negativamente por causa de alguma desagradável notícia.

– Você e você! – Falcker apontou para o Soldado Mirella e o Cabo Smithison. – Apresentem-se!

– Cabo Smithison apresentando-se, senhor! – aproximou-se da mesa e bateu continência.

– Soldado Mirella apresentando-se, senhor! – permaneceu alguns centímetros atrás do Cabo e também bateu continência.

– Quero que vocês convoquem o Tenente Almeida e a Aspirante Limeira para uma reunião em 30 minutos no meu gabinete!

– Senhor, sim senhor! – ambos responderam ao comando, bateram continência e se retiraram da sala o mais rápido possível.

– Você, Tenente Nunes! – apontou para o tenente enquanto a porta da sala ainda estava sendo fechada pelo Soldado Mirella. – Convoque a Tenente-Coronel Sebastian e não se esqueça de solicitar ao Subtenente Domingues para também vir á reunião e mandar convocar os integrantes desta lista. – escreveu rapidamente alguns nomes em uma folha de papel e a entregou a Nunes.

– Senhor, sim senhor! – pegou o papel, bateu continência e saiu da sala, não antes de lançar um discreto olhar enjoado e invejoso para o Capitão Luca.

– Com licença… – depois que Luca e os demais militares haviam entrado no gabinete, aquela era a primeira que o Major Romero falava. – Mas o senhor realmente acredita que uma reunião com apenas os demais poderes militares da junta de São Paulo, vai resolver alguma coisa?

– Não, Major Romero… Não… – o coronel suspirou. – Para tentar resolver algo… era preciso entrar em contato com os maiores…

– Mas então… Por que a pressa?

– Como sou maior oficial por aqui. É meu dever informá-los. – encarava o major com um olhar cansado. – E eu quero fazer isso logo! Não quero deixar nada acumular. Quero resolver tudo logo e depois discutir o assunto com meus superiores. Com certeza eles já estão informados dos O.V.N.I.’s.

– Seus superiores… O senhor teria que viajar para isso. – Capitão Luca havia se aproximado ainda mais da mesa do coronel. – Terá que deixar tudo por aqui nas mãos do Major Romero. – o coronel concordou com a cabeça. – O senhor faz idéia da bomba que estará colocando nas mãos de seu subordinado? – Luca lançava alguns olhares para Romero. O major era um amigo de infância. Haviam crescido juntos e a pessoa em quem ele mais confiava lá dentro era ele.

Luca sabia o quanto o amigo era competente em seu trabalho, até mais do que ele. Mas, o Major Romero tinha família agora. Estava casado a menos de um ano com Luiza, outra colega de infância dos dois. E a esposa tinha acabado de dar a luz a uma garotinha linda, faziam apenas dois meses! Sem mencionar que Luiza não andava muito bem de saúde.

Várias vezes o capitão precisou cobrir as faltas inesperadas do amigo, quando este precisava acompanhar a esposa em alguma consulta ou cuidar da filha quando Luiza ficava internada. As coisas não estavam bem para o major e se o coronel colocasse mais aquela responsabilidade nas mãos dele, Luca temia que o amigo se sobrecarregasse e acabasse se prejudicando.

– E que alternativa eu tenho? – Coronel Falcker continuava com o olhar desanimado. – Eu já estou vendo que as coisas vão piorar mil vezes mais a partir de agora, se eu não for e resolver algumas coisas, com certeza acabaremos mais prejudicados do que as demais juntas…

– Mas, Coronel…

– Tudo bem, Capitão Luca! – o Major o havia interrompido. – Agradeço pela sua preocupação, mas o Coronel está certo. Eu vou assumir a responsabilidade! – e encarou o amigo com um olhar obstinado. Luca já conhecia aquele olhar e sabia que não adiantaria nada tentar convencê-lo de desistir da idéia.

– Então, senhor Coronel, solicito que permita que eu divida a responsabilidade de sua ausência com o Major Romero! – aquela era a única solução que havia encontrado até o momento. Ele não deixaria Romero sem apoio.

– Tá, tá… Autorizo. – Falcker conhecia muito bem aqueles dois militares parados na sua frente. Eram competentes e, acima de tudo, obstinados.

Ele já teria problemas demais pela frente e não queria arranjar mais alguns, portanto, decidiu permitir que Luca ajudasse Romero. Que mal haveria nisso? Provavelmente, aquela permissão resolveria alguns problemas futuros. Ele confiava na capacidade daquela dupla.

– Agora, senhores… – levantou-se da sua mesa e estralou o pescoço. – Preparem-se para a reunião. Em menos de 2 minutos, os convocados estarão aqui e uma verdadeira guerra vai começar. – major e capitão assentiram com a cabeça.

Os três militares naquela sala sabiam que a junta de São Paulo possuía muitas rixas internas. Todos tinham seus problemas pessoais uns com os outros. Quando eram reunidos, sempre saiam discussões que consideravam desnecessárias, mas que pareciam ser impossíveis de se evitar.

– Divirtam-se com os duelos rapazes. – resmungou com desanimo, enchendo o “divirtam-se” de ironia.

– Então, que comece a batalha! – sussurrou o capitão, assim que a porta do gabinete começou a se abrir.

 

 

conto_dragoes



{junho 25, 2013}   Conto de Dragões

(outra parte do capítulo…)

Capítulo 05

Dias diferentes…

Fantasias as mesmas…

 

 

Mariane abriu os olhos e deu uma rápida olhada ao seu redor. O quarto estava escuro e extremamente silencioso. Ela nem ao menos conseguia ouvir o barulho do vento do lado de fora. Espreguiçou-se e levantou da cama. Pegou o celular e viu que eram 2 horas da madrugada.

– Ah, não acredito!  – colocou o celular de volta na sua cabeceira. – Por que eu fui acordar agora? Odeio acordar no meio da madrugada. – foi até o banheiro e ficou se olhando no espelho. Estava sem sono e não tinha idéia do que fazer para conseguir voltar a dormir.

Pegou a escova e ficou penteando o cabelo sem muito ânimo. Só queria fazer as horas passarem rápido ou tentar ficar entediada. O tédio sempre ajudava nesses momentos. Ele fazia o sono vir mais rápido.

– Não tá adiantando… – largou a escova na pia e olhou pela janelinha do banheiro. A noite lá fora parecia clara.

Voltou para o quarto e saiu na sua sacada. A lua estava linda! Ela estava enorme e alta no céu. Iluminava tudo e até as estrelas pareciam estar opacas perto do brilho dela.

– Nossa… – sussurrou admirada com a beleza do satélite.

Enquanto se distraia observando os astros da noite, um vulto passou por cima da sua casa sem que o percebesse. Mariane sentiu um repentino vento acertá-la e estremeceu. Estava usando uma camisola e, portanto, não tinha proteção nenhuma contra o frio daquela imprevista ventania.

Uma sombra passou correndo por trás dela e sumiu na escuridão da noite. Mariane sentiu a presença e virou-se bruscamente, procurando por alguém ou por algo, mas não viu nada. Uma brisa leve e quente esquentou sua nuca e fez sua camisola esvoaçar. O que estava acontecendo ali?

A brisa voltou mais uma vez, duas vezes, três vezes… Ela ia e voltava em intervalos curtos e regulares. Algo estava atrás dela, alguma coisa estava provocando aquele ar quente que atingia suas costas diretamente e passava por seu corpo, provocando um forte arrepio.

Fechou os olhos e apertou os punhos. Estava assustada, mas também estava curiosa. Precisava ver o que tinha atrás de si. Abriu os olhos, respirou fundo e começou a se virar lentamente.

A brisa brevemente periódica também fazia seus cabelos esvoaçarem toda vez que atingia o seu corpo e os fios de cabelo lhe atrapalhavam a visão toda vez que eram jogados em seu rosto.

O suspense a estava matando mais do que o medo. Respirou profundamente mais uma vez e prendeu o fôlego antes de se virar rapidamente. Quando já estava de frente para a escuridão da noite, seu corpo congelou no lugar.

Uma sombra negra gigantesca estava parada na frente da sua sacada, em cima do seu jardim.

Mariane sentiu seu corpo amolecer como se fosse desmaiar, agarrou uma das madeiras que compunham o parapeito e obrigou-se a permanecer firme e lúcida no lugar. Sua respiração estava descontrolada e o seu coração disparado, mas isso não importava. O que era aquela coisa?

Forçou a vista, tentando enxergar melhor na escuridão da noite. A luz forte da lua facilitava as coisas, a enorme sombra estava começando a ficar mais clara. Aquela forma… Mariane a estava reconhecendo. Já a havia visto uma vez!

– Não pode ser… – sussurrou para si mesma.

Assim que o seu sussurro ecoou sutilmente pelo ar, duas admiráveis e imensas luzes brilharam na noite. Elas pareciam lindas bolas de cristal verdes, flutuando a menos de um metro da sua sacada. Aquele formidável brilho cristalizado a encarava de uma maneira que, para ela, parecia gentil.

– Você voltou! – Mariane se apoiou no parapeito e estendeu os braços na escuridão até suas mãos tocarem algo quente e áspero.

Seus dedos acariciavam uma pele dura, que parecia ter grossas placas de pedra. Pedras que eram mais macias do que as que estava acostumada a ver nas ruas e campos, mas, que ainda assim, agrediam um pouco a sua pele delicada.

– Devo estar sonhando novamente… – Mariane não se importava com aquela sutil agressão, só queria poder tocar seu dragão mais uma vez.

Ele estava sentado no jardim e tinha curvado um pouco suas costas e o seu pescoço, abaixado seu rosto até a altura certa da sacada. Aquela posição não era uma das mais confortáveis, mas ele não ligava. O que importava era que eles haviam se encontrado mais uma vez.

– Com certeza devo estar sonhando… – Mariane não piscava com medo que aquela linda criatura sumisse da sua frente durante os poucos milésimos de segundo em que suas pálpebras estivessem fechadas. – Você veio me ver novamente… – conversava com o dragão como se fosse um humano, como se ele fosse responder a qualquer momento.

Ela não dava importância ao fato de ele ser um animal e ela uma humana, sabia que ele a entendia e tinha certeza de que conseguia compreender as respostas daquele ser fantástico pelos olhares que lhe lançava a cada frase.

Os braços de Mariane estavam começando a doer, estavam estendidos para o dragão há muito tempo. A noite avançava para o dia com uma velocidade incrível. Para aqueles dois, humana e dragão, nunca haviam visto uma noite tão rápida! Logo o sol nasceria e ele precisaria partir, mas nenhum deles desejava aquela separação. Queriam ficar o tempo todo assim, se tocando e conversando com palavras, gestos e olhares.

O dragão olhou com agonia para o horizonte, em direção a Serra do Japi. Mariane acompanhou o olhar e entendeu a aflição no olhar de sua tão amada criatura, a noite estava clareando, a lua quase já não existia no céu e o sol estava começando a nascer.

– Ah não… – por um breve momento, Mariane apoiou as mãos no rosto, para controlar o descontentamento e a amargura por ver as poucas horas noturnas com seu dragão acabarem. – Você precisa mesmo ir…? – voltou a olhar para ele, mas não estava mais lá. O dragão havia desaparecido. – Não, não… Não vá… – seus olhos se encheram de dor.

Ele havia ido embora e ela nem tivera a oportunidade de se despedir. Fechou os olhos e contraiu as mãos e os braços na altura do peito. Se aquilo fosse um sonho, queria acordar naquele momento ou, se possível, tentar trazer o seu dragão de volta.

– Volte… Por favor…

Um vulto atravessou sua sacada a uma velocidade incrível e parou atrás de Mariane. Antes que ela pudesse perceber sua presença, abraçou-a com força pelas costas. Era um abraço carinhoso, um abraço de despedida, mas que prometia um reencontro.

Mariane abriu os olhos com o susto e tentou se virar para ver quem era. Mas aqueles braços não a permitiam sair do lugar. Um perfume delicado e inebriante passou por ela, fazendo-a suspirar diante de um aroma tão delicioso e familiar.

O corpo do misterioso visitante era forte, o abraço era intenso e ao mesmo tempo delicado. Mariane começou a relaxar, estava se sentindo confortável ali.

O calor e a fragrância que ele emanava a embalavam e acalmavam. Ela não estava mais assustada, sentia-se segura nos braços daquele desconhecido.

– Quem é você? – conseguiu sussurrar depois de muito esforço para se manter lúcida.

– Pensei que já soubesse… – o garoto sussurrou em resposta. O tom sutil da sua voz parecia divertido.

– Andrey! – Mariane havia reconhecido a voz e tinha despertado completamente do torpor que aqueles calor e perfume estavam provocando em seu corpo e em sua mente.

– Mariane… – ele continuava sussurrando, mas desta vez em seu ouvido. – Mariane… Que falta você me faz…

Ela tentava se virar de frente para ele, sem se soltar daquele delicioso abraço. Queria vê-lo, queria saber como era o dono daquela voz.

– Não, não, minha querida… – ele apertou um pouco mais o abraço, impedindo-a de se mexer.

– Por quê? – estava desapontada.

– Não fique com essa carinha chateada… – ele colou seu rosto ao dela, esfregando-o levemente na bochecha corada e quente de Mariane. – Você só não pode me ver assim, porque ainda não é o momento. Tenha um pouco de paciência meu amor…

Mariane sentiu seu corpo inteiro arrepiar. Os sussurros em seu ouvido, o toque da pele dele na sua e agora, frases com “minha querida” e “meu amor” eram demais para ela. Ele a estava deixando completamente perdida em suspiros e sensações apaixonantes.

– Por que você está aqui…? – tinha voltado a sussurrar. Sua voz falhava, traindo seus sentimentos que tentavam, em vão, permanecer ocultos.

– Porque eu preciso de você… – ele também tinha voltado a sussurrar em seu ouvido, deliciando-se com os freqüentes arrepios que percorriam o corpo de Mariane e com os incontáveis suspiros que irrompiam dela.

Mariane deixou-se levar e apoiou completamente seu corpo no de Andrey. Fechou seus olhos, tentando aproveitar ao máximo todas as sensações. Já que não podia vê-lo, ela iria usufruir de todos os outros sentidos que fossem possíveis usar naquele momento.

– Mariane… Tenho que ir… – Andrey sussurrou, trazendo-o de volta do seu estado de hipnose.

– Não… – Mariane abriu os olhos, com o choque da noticia sussurrada por ele. Mas assim que abriu os olhos, a luz do sol que já havia saído de trás da serra, a cegou temporariamente. – Andrey! – chamou em uma tentativa vã de tentar fazê-lo ficar.

O entorpecimento começou a esvair completamente de seu corpo. Mariane piscou algumas vezes e se percebeu sentada em sua cama, olhando para a porta de sua suíte. A luz de seu quarto estava acesa e sua mãe estava parada de pé, ao lado do interruptor.

– Não ouviu o seu celular despertar, não? – Lívia analisava a filha, estranhando a maneira brusca que ela havia despertado. – Tá tudo bem? Teve um pesadelo?

Mariane olhou ao redor e depois voltou a encarar a mãe. Fez uma cara de desanimo e se jogou na cama, puxando o travesseiro sobre o rosto.

– Eu estou tendo um pesadelo agora… – respondeu desapontada com a realidade. Então tudo aquilo realmente tinha sido apenas um sonho.  Que decepção…

– Como você é dramática! – puxou o travesseiro do rosto da filha e o jogou em outro canto da cama. – Corre se trocar senão você não vai chegar na PUC hoje.

– É sexta… Não vai ter nenhuma matéria nova hoje… Eu bem que poderia faltar…

-Você quem sabe… É você quem paga a sua faculdade mesmo. A consciência é sua. – deu um sorrisinho torto para ela e saiu do quarto.

– Ok… Você venceu. Eu vou… – levantou-se da cama e começou a se arrumar. Precisaria se distrair se quisesse esquecer o sonho e ter um dia tranqüilo, afinal, apesar de tudo, um novo dia de uma garota “normal” começava…

 

 

conto_dragões



et cetera
Devaneios da Lua

Sobre tudo e ao mesmo tempo nada

Crônicas da Gaveta

Relatos amadores por @Cardisplicente

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Festival

Weekly Film Festival in Toronto & Los Angeles. Weekly screenplay & story readings performed by professional actors.

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

nicoleravinos

"Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado"

Action Nerds

Bonecos, tirinhas e nerdices. Aqui você encontra tudo isso!

Baú de Histórias

Em construção!

%d blogueiros gostam disto: