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{agosto 16, 2013}   O Destino da Escolha

(parte do capítulo…)

 

4º Capítulo

Busque pelo Sol, querida Lua…

 

 

 

– Mayara… May… Má… Maya… Yara… Aya… – o vampiro brincava com o nome da mulher, enquanto tentava pegar no sono.

– Ac’Daro… Ac’Daro… Já ouvi esse sobrenome antes. – Mayara buscava em alguns livros de lendas e mitos encontrar aquele sobrenome tão familiar para ela. – Eu já o li em algum lugar, mas onde?

Passadas algumas horas, Marcos já se encontrava em seu mais profundo sono e Mayara se encontrava exausta. Sua pesquisa não havia sido bem sucedida e estava cansada por ter acordado muito cedo. Decidiu tirar um cochilo no sofá da sala, mas assim que se deitou começou a sentir frio. A manhã estava fria e não conseguiria dormir um pouco se estivesse passando frio.

Mordeu os lábios de leve e olhou na direção da porta de seu quarto. Se quisesse descansar um pouco para aproveitar o resto do dia, iria precisar de um cobertor ou ao menos uma manta. Mas eles se encontravam apenas em seu quarto e Marcos estava lá.

Respirou fundo, levantou-se do sofá e silenciosamente foi até o seu quarto. Estava muito escuro, mas não iria acender a luz para não acordá-lo. Cautelosamente foi até o armário e, mesmo na penumbra, ela conseguiu pegar seu cobertor. Mas Quando já estava quase na porta…

– Ai!! – havia tropeçado nos sapatos que Marcos tinha deixado por ali e caído no chão. – Droga… – sussurrou tentando se erguer.

– Quer ajuda Mayara? – uma forte mão envolveu sua cintura e começou a erguê-la delicadamente. – Você está bem?

– Marcos?! – impressionou-se Mayara ao encarar aqueles olhos vermelhos na escuridão. – Desculpe… Eu… Eu não queria acordá-lo. Acabei tropeçando em algo. Desculpa pelo barulho. – recuava aos poucos para a porta. Estava assustada, pois além de não perceber a aproximação dele, ela não sabia o porquê de seu coração estar tão acelerado.

– Você não me acordou. Foi o meu sapato o culpado. – sorriu carinhosamente. – Por que entrou aqui? Esqueceu algo?

– Eu só estava com um pouco de frio! – mostrou o cobertor nas mãos. – Pode voltar a dormir. Eu vou voltar para a sala e descansar um pouco.

– Espere! – ele havia atravessado a distancia entre eles com incrível velocidade e já segurava levemente o braço delicado de Mayara. – Por que você não descansa um pouco aqui? Aposto que a sua cama é bem mais confortável do que o sofá e… Poderá me fazer companhia. Que tal?

– Eu… – Mayara se sentia perdida. Tinha esperado por tanto tempo aquele vampiro e agora que finalmente estava tão próxima dele, ela se sentia inibida. – Eu não acho que devo. Já consegui acorda-lo de seu sono, provavelmente não conseguirá dormir direito comigo ao seu lado.

Sem se importar com a insegurança e hesitação da ex-caçadora, Marcos, gentilmente, começou a puxa-la até a cama. Prendendo o olhar da humana nos seus, como se a estivesse hipnotizando. Ele a queria em seus braços. Desde o momento em que a vira nutria algo estranho por ela. Sentia como se já a conhecesse. E agora que finalmente tinha a chance de poder estar junto dela, sentia que faria de tudo para não perdê-la.

– Marcos!? O que você…? – ela se deixava levar, por mais que tentasse, sabia que não conseguiria resistir por muito tempo.

– Calma Mayara… – lentamente começou a deitá-la na cama com delicadeza incrível. – Eu apenas a estou acomodando em seu próprio leito. – pegou o cobertor e a cobriu como se estivesse cobrindo uma criança que estava colocando para dormir.

Sem pressa, Marcos ajeitou-se sobre ela, apoiando-se sobre um dos braços, enquanto que com o outro, acariciava a pele delicada daquela que desejava para si. Aos poucos, aproximou o seu rosto, esfregando a sua face na dela.

– Mayara… Poderia me perdoar pela descortesia que demonstrei até agora? – ele havia parado de acariciá-la e tinha afastado um pouco o seu rosto para poder olhá-la nos olhos.

– Não há pelo o que pedir perdão… Você não foi descortês comigo. Fui eu quem o amolei. – sabia que havia se entregado totalmente aos caprichos e agrados dele.

O vampiro deu um sorriso e antes que ela pudesse dizer algo mais, pô-se a beijar-la, começando pela testa e indo até o pescoço. Ao sentir os lábios frios do vampiro em seu pescoço, Mayara saiu do encanto de Marcos, empurrou-o para longe de si e levantou-se rapidamente da cama.

– O que há Mayara? Por acaso eu lhe fiz algo que não foi de seu agrado? – sentou-se na cama para observá-la melhor. – Desculpe se fui benevolente demais… – estendeu os braços, convidando-a para que voltasse à suas caricias.

– Não é você quem deve se desculpar. Sou eu! – pegou o cobertor e o segurou próximo ao corpo, como se aquele gesto ajudasse a evitar o convite irresistível. – Desculpe pela minha indelicadeza, mas prefiro ir descansar sozinha, vampiro. – precisava eliminar aquele clima de intimidade antes que cedesse às seduções.

– Por que me rejeita tanto? – levantou-se com um ar decepcionado por ela o ter chamado de vampiro novamente. – Por acaso me rejeita por ser um vampiro e você uma humana? – ao vê-la recuar, aproximou-se rapidamente. – Me poupe desse racismo, Mayara! – segurou-a pelo braço novamente.

– Me largue! – tentava se libertar daquelas mãos fortes.

– Não vê que eu a desejo? E será que também não enxergar que me deseja da mesma maneira? – ele a sacudia de leve, como se as chacoalhadas a fizessem acordar para alguma realidade ignorada.

– Já mandei me largar! – Mayara o empurrou com força, pegando-o desprevenido e derrubando-o. Mas antes que pudesse alcançar a porta, o vampiro prendeu-lhe os pés, fazendo-a ir ao chão.

– Além de afoita e cega, você é muito insolente, sabia? – posicionou-se sobre ela, impedindo-a de fugir.

– E você é um arrogante! – debatia-se tentando escapar. – Me largaaaaaa!

– Não! Eu a desejo Mayara Campelli! – e antes que ela pudesse escapar de suas garras, Marcos beijou-a a força, machucando de leve os lábios da mulher com os seus caninos.

– Atrevido maldito! – deu-lhe um tapa na cara, deixando seus dedos marcados em seu rosto. –Agora eu o temo e não o desejo!. – mesmo contra a sua vontade, os seus olhos encontravam-se cheios de lágrimas.

– Mayara! Eu… – afastou-se dela, assustado com a imagem chorosa da mulher que tanto desejava. – Eu… Sinto muito, não queria… – sentia-se completamente arrependido por ser o culpado daquela cena tão arrasadora para o seu coração. – Não queria deixa-la assim. Perdi o controle. Perdoe-me!

– Eu achava que você era alguém completamente diferente, senhor Ac’Daro… – comentou com raiva ao se levantar. Enxugava as lágrimas com as costas da mão. Sentia-se explorada e fraca. – Mas, me parece que estava enganada. – passou a mão pelos lábios machucados, tentando avaliar no escuro o dano causado. Felizmente não era nada sério, era apenas um corte pequeno e superficial, praticamente um arranhão que ardia.

– Eu… – levantou do chão, tentando se aproximar dela. – Eu a machuquei muito?

– Externamente não. Mas… – colocou a mão sobre o peito, como se tentasse tocar seu coração e acalmar a dor que sentia ali. Aquele aperto e aquela angústia eram sentimentos de dor, maiores do que o ardido que sentia nos lábios. – Esqueça! Volte a dormir senhor Ac’Daro. – foi até a porta, parando de costas para o vampiro antes de sair.

– Eu a decepcionei? – suas palavras estavam cheias de dor e arrependimento.

– Sim… – saiu do quarto sem dizer mais nada.

– INÚTIL! DESPREZÍVEL! – gritava consigo mesmo ao se jogar novamente na cama.

Mayara sentou no sofá. Ainda estava abatida e lutava contra algumas lágrimas que teimavam em escapar de seus olhos. Olhou para o relógio, ainda eram oito e meia da manhã, mas sentia a necessidade de sair dali. Não queria mais ficar naquele lugar, tão perto dele e das lembranças recentes que ainda queimavam seu coração.

Pegou as chaves da moto, o celular e saiu, tomando cuidado para manter tudo fechado em seu apartamento.

 

 

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{agosto 15, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 07

Entre A Surpresa e a Dona Morte!

 

 

– Mariane… Mariane…

– Espera… – estava tudo escuro. Mariane não conseguia enxergar nada. A voz parecia se distanciar. Ela precisava ver quem era. A voz lhe era familiar, mas não estava conseguindo descobrir a quem pertencia. Ela precisava saber quem a chamava.

– Mariane, vamos… – seu corpo estava tremendo, mas não sabia o porquê. Ela não sentia frio e nem medo. Não tinha motivo aparente para a tremedeira – Anda Mariane… – a voz estava começando a se aproximar novamente.

– Quem…? – estendeu a mão, tentando alcançar o dono da voz e sentiu alguém segurá-la. Era um calor, um toque que já havia sentido antes. Mas ainda não conseguia ver ninguém.

– Anda logo, Mariane. – agora a voz estava mais alta, mais próxima. Mariane conseguiu reconhecê-la. “Ah não…” foi o que ela pensou, assim que percebeu o que estava acontecendo. – Mariane!

– Quê? Me deixa quieta… – sussurrou cheia de sono, enquanto abria os olhos e via Matheus ao seu lado. – Não gosto quando me sacode… – disse irritada, tentando se acomodar no banco. Ela estava sonhando com o seu dragão novamente antes de tudo escurecer e perceber que Matheus estava tentando acordá-la.

– Tá na hora de descer, Mariane! Anda logo, senão o ônibus sai e a gente perde o ponto! – Matheus ainda segurava a mão da amiga e a puxava para fora do banco, enquanto carregava sua própria mochila nas costas e o material dela no braço disponível.

– QUÊ? AI MEU DEUS! – pulou do banco, completamente desperta pelo susto. Ela não queria chegar atrasada na aula. Não podia deixar de descer naquele ponto. Saiu correndo pelo corredor do ônibus, arrastando Matheus com ela.

– Tá louca, garota? – assim que já estavam fora do ônibus, mais tranqüilos por não terem perdido o ponto, Matheus olhou para a amiga enquanto tentava ajeitar sua mochila no ombro. – Numa hora tá apagadona no banco, pedindo para te deixar quieta… Noutra tá correndo pelo ônibus feito maluca, toda afobada e me arrastando junto!

– Desculpa. – Mariane começou a olhar para suas mãos. – Ai, meu Deus! – ela estava olhando desesperada ao redor e analisando a si mesma.

– Quê foi? – arregalou os olhos, assustado com a reação da amiga. Ele não duvidava que ela pudesse ter batido em alguma coisa enquanto corria para fora do ônibus e ter se machucado.

– Meu material! – quase gritou, olhando para o ônibus que já começava a sumir de vista.

– Calma. – deu um sorriso divertido com a situação. – Tá aqui, ô louca… – estendeu o material para ela.

– Nossa! Obrigada, Má! Valeu mesmo! – pegou suas coisas e deu um suspiro aliviado.

Ajeitou-se e viu o amigo dar de ombros, como se aquele gesto substituísse a frase “de nada”. Sorriu para ele e começou a andar para o prédio em que teriam aula. Ele simplesmente suspirou e limitou-se a apenas segui-la.

Matheus percebeu que Mariane andava evitando ficar muito próxima dele. Ele sabia que o motivo daquele distanciamento eram os bilhetes que eles haviam trocado naquela aula entediante.

Não deveria ter sido tão direto com ela, mas já não aguentava mais continuar bancando o amigo sem segundas intenções. Ele queria ter algo além de amizade com Mariane.

Queria que ela percebesse o quanto a desejava mais do que como amiga. Mas pelo o que Matheus via, a sua ideia não tinha dado muito certo. Por isso, tinha decidido ficar quieto, sem pressionar, para não acabar estragando muito mais do que já havia estragado. Mariane teria que parar com aquele distanciamento, ela própria.

Enquanto andava, Mariane sentiu algo estranho. Estava tendo a sensação de que alguém a estava observando. Olhou ao redor e não viu ninguém que parecesse estar olhando para ela. Virou-se para trás e se certificou que não era Matheus quem a observava.

Respirou fundo. Ela ainda deveria estar sonolenta e o sono estava lhe pregando peças. Causando-lhe sensações que não deveria ter. Segurou seu material com mais força e olhou para o céu, tentando se tranquilizar.

– MAARIIIIIIAAAANEEEEE!!!!! – gritou Karen, enquanto atravessava correndo o largo corredor do prédio, para pular na sua amiga que tinha acabado de chegar.

– Calma! – Mariane, como de costume, firmou seus pés no chão e evitou mais uma vez que a duas caíssem no corredor da universidade. – Meu Deus! O que aconteceu dessa vez, Ká?

– Ah. Nada demais… Só fiquei até tarde assistindo uns filmes de que gosto.

– E bebendo coca-cola, né? – revirou os olhos quando viu o sorriso culpado que a amiga tinha dado em resposta. – Karen! Você sabe que tem baixa tolerância á cafeína! Provavelmente você ficou acesa durante boa parte da noite.

– Nem tanto. – soltou-se de Mariane e a puxou para o banco mais próximo. – Vem cá! Mudando de assunto… Você tá sabendo do aluno novo da nossa sala, né?

– Aluno novo? Não… – ergueu uma sobrancelha. Não estava sabendo de nada sobre aquilo.

– NÃO? Como não, Mariane? – Karen parecia surpresa. – E você ainda se diz uma jornalista…

– Olha! A nossa sala tem mais de 70 alunos! As provas do final do semestre estão chegando! Eu trabalho a tarde toda! Acredito que eu não tenha tempo e nem interesse para saber algo sobre qualquer aluno novo! – respondeu irritada à provocação da amiga.

Ela odiava ser uma das poucas a não saber de algo e odiava ainda mais quando vinham com o clichê “ainda se diz jornalista”.

– Tá, Tá… Era brincadeira, não fica nervosa! – Karen ofereceu à amiga um de seus contagiantes sorrisos. E quando viu que a expressão de raiva dela havia amenizado, continuou com o assunto. – Continuando… Ele vai entrar hoje na nossa sala!

– Hoje? – ergueu sua sobrancelha mais uma vez. – Ué… Por que ele não esperou até o semestre que vem? Ou pelo menos até o final dessa semana? Que tipo de pessoa entra em uma universidade numa quinta-feira, durante o período de avaliações?

– Ah, sei lá… – deu de ombros. – Vai ver que ele precisou se mudar e para não perder o ritmo dos estudos, decidiu entrar o mais depressa possível na nova universidade que ia cursa. Pode acontecer, ué!

– É…

– Ai! Espero que ele seja gato! – soltou um suspiro, tentando imaginar como seria o garoto novo.

– Ah tá… Sei… – Mariane se levantou do banco e puxou a amiga pela mão. – Vamos! – as duas foram caminhando tranquilamente até a sala de aula.

–\\–//–

– Meu mestre, tem certeza disso? – suas mãos estavam tremendo de nervosismo.

– Você está ME questionando? – Giulian começou a andar na direção de Telonius. – Um mero SERVO está questionando os desejos de SEU REI? – sua voz estava impregnada por um tom ameaçador. Ele tinha um sorriso traiçoeiro brincando em seus lábios.

– Não, meu senhor, meu rei! – Telonius exagerou na reverencia, abaixando-se ainda mais. – Se é o seu desejo, não devo questioná-lo! – ele já conhecia os gostos de seu rei.

Ele sabia o quanto Giulian gostava de se sentir superior aos demais e o quanto ele se deleitava quando precisava torturar alguém que não atendesse aos seus caprichos. Dessa forma, ele preferia exagerar em seus gestos e demonstrar seu medo, mostrando-se como um ser inferior, do que sofrer pela tortura.

– Então, cale essa sua boca infame! – encarou seu serviçal com um olhar maldoso e perverso e percebeu que Telonius tremia descontroladamente diante de sua presença. Sorriu, divertindo-se com a situação. Ele amava ser respeitado e temido. Adorava ver seus servos com medo de sua autoridade. – Já está tudo pronto?

– Sim, meu senhor! – tentava, em vão, controlar ao menos um pouco de sua tremedeira.

– Ótimo. – ignorou Telonius e foi andando até a porta de entrada daquele imenso salão real.

– Giulian, meu senhor. – sussurrou uma voz feminina e delicada, assim que Giulian cruzou a porta. – Tem certeza que quer fazer isso? E se fizerem algo contra você, meu querido rei? – Luara estava encostada na parede, ao lado da entrada, encarando Giulian com olhos preocupados.

– Ah! Minha querida Luara! – andou até ela e segurou-lhe as mãos. – Fazerem algo contra mim? Eu? O que podem fazer? – deu uma risada alta. – Eu sou um giant! Ou melhor… Eu sou o REI dos giants! O que um reles humano pode fazer?

– Não é com os humanos que estou preocupada… – respondeu séria.

– Ah, sim! Nossos inimigos… – Giulian sorriu para ela. – Minha querida, eu não vou sair com essa forma. Vou ficar com a minha forma humana e me misturar. Não tem como eles me reconhecerem. – acariciou o rosto delicado de Luara, passando seus dedos pelos traços sérios da giant. – Ora, vamos! Sorria para mim! – ela ofereceu-lhe um sorriso, obedecendo ao pedido. – Viu? Não é bem melhor? – deu-lhe um beijo no rosto.

– Ainda estou preocupada com você, meu senhor! – Luara desencostou-se da parede e se aproximou dele. – Enquanto estiver lá fora, eu ficarei aqui, me remoendo de angustia pela sua segurança. Ao menos, me deixe ir junto!

– Se isso a fará mais feliz… Acabar-se-á com a sua preocupação! – sorriu para ela. – Pode vir! Venha comigo minha querida, visitar o mundo dos humanos!

– Muito obrigada meu senhor! – abraçou Giulian, sentindo-se mais aliviada. – Sinto-me mais tranquila. – beijou-o próximo da boca.

– Mas depois eu vou querer algo em troca por ter permitido que fosse comigo… – sussurrou no ouvido da giant, antes que ela distanciasse o rosto do seu.

Luara sentiu Giulian acariciar seus longos cabelos azuis escuros e descer a mão pelo seu corpo, delineando e tocando suas curvas e demorando-se nas partes mais salientes, aplicando uma leve pressão com seus dedos, tentando provocá-la. Percebeu seu corpo arder em desejo e tremer de excitação sob o toque de seu rei.

Ela o amava. Sentia um carinho especial por ele desde pequenos. E agora, que os corpos de ambos já haviam se desenvolvido por completo e a inocência da juventude abandonado suas mentes, Luara via o quão lindo e sedutor ele era. Ela o desejava cada vez mais, de corpo e alma.

Sentia-se feliz em saber que ela era a única quem ele permitia que o tocasse daquele jeito e também, era a única em quem ele tocava tão carinhosa e ardentemente.

Se algum dia ele desejasse fazer o mesmo com outra, Luara acreditava que não se importaria em compartilhá-lo, desde que ele mantivesse o relacionamento intimo dos dois.

Luara prensou-se ainda mais ao corpo de Giulian e aproximou seus lábios carnudos no ouvido de seu rei, sem deixar de agarrá-lo com sensualidade.

– Meu querido rei, quer mesmo deixar para depois? – sussurrou cheia de volúpia.

– Não me tente tanto minha querida! Estou tentando me segurar ao máximo aqui! – sorriu cheio de malicia, enquanto continuava a deslizar sua mão pelo corpo da giant.

– Mas foi o senhor quem me tentou primeiro! – sussurrou em protesto.

– Considero-me culpado. – afastou relutante o corpo dela do seu e segurou-lhe as mãos. – Querida, precisamos mesmo ir! Não quero adiar essa missão ainda mais. – começou a puxá-la para a saída daquele lugar. – Venha comigo. Vamos ludibriar alguns humanos…

 

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{julho 16, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

– Andrey! Andrey, querido? – Maysa procurava pelo sobrinho.

Já havia olhado por todo o quarto do garoto e vistoriado quase a casa toda, cozinha, quartos, banheiros, salas, lavanderia e até no escritório de Thadeu. Onde mais ele poderia estar?

– Andrey, cadê você? – faltava apenas dar uma olhada no jardim da frente e nos fundos da casa.

Maysa passou pela porta que dava passagem para os fundos. Deu uma rápida e minuciosa olhada pelo lugar, mas não viu sinal de seu sobrinho. Ele não poderia ter desobedecido Thadeu, ao menos não depois de ela ter intercedido e pedido pela compreensão dos dois.

O lugar não era grande, mas ostentava um ar reconfortante e tranqüilo por causa de seis árvores plantadas ali. Elas não eram muito maiores do que a casa, mas eram magnificamente lindas.

Suas sementes eram originais de seu planeta natal, trazidas com cuidado até a Terra e ali cultivadas. Por sorte, elas demoravam menos tempo do que as plantas terrestres para atingirem a maturidade e eram muito mais duráveis. Cada uma tinha uma característica específica e cores incomuns.

Olhando da menor para maior, via-se uma de um cedro quase branco, com folhas verdes claras e flores azul-bebê.

Outra tinha um cedro-terra, um marrom forte que lembrava barro, suas folhas eram verdes como a esmeralda e suas flores eram de um grená (um tom violeta puxado para o castanho) tão intenso e claro, que lembravam grãos de areia molhados pela água do mar, durante um final de tarde.

Havia uma de um cedro praticamente verde-mar, com folhas puxadas para o tom forte e misto do verde-acqua e flores mescladas com a cor turquesa e azul-marinho.

A seguinte tinha um cedro-rosa um tanto avermelhado, como um violeta pálido com vermelho-terra, suas folhas eram verdes-musgo com tons avermelhados e alaranjados, como folhas no outono, suas flores eram vermelhas rubras, como rubis, algumas com sutis tons magenta e violeta.

A segunda maior tinha um cedro quase negro, era de um rútilo (um tom marrom muito escuro) quase preto, suas folhas eram verdes muito escuras e suas flores eram de um roxo mais denso do que o tom de ameixas mais do que maduras, com fortes tons cor de vinho.

Por ultimo, a maior, com um cedro-amarelo, um amarelo açafrão, puxado para o bronze, suas folhas eram de um verde lima bem claro, com tons dourados e suas flores eram amareladas como o âmbar, com fortes pigmentações de maná-gelo (um tom dourado muito claro, quase branco, puxado para a tonalidade fria do gelo).

Ela fechou os olhos e deixou que seus outros sentidos falassem mais alto do que sua visão. Em poucos segundos ela conseguiu captar um cheiro diferente no ar.

Um aroma tão sutil que ela não o teria percebido, se não tivesse parado e prestado mais atenção ás coisas ao seu redor. Era uma fragrância amadeirada e com uma sutil caracteriza amentolada, fortemente marcada por um aroma similar ao do cravo.

Com um sorriso no rosto por ter reconhecido aquele singular aroma, Maysa andou até a árvore com tons avermelhados e olhou para o alto, procurando por algo oculto nas ramificações da copa.

– Andrey, meu querido… Eu sei que você está aí… Por que não desce? Preciso conversar um pouquinho com você… – anunciou com um clamor sutil e delicado.

Seu tom de voz era quase baixo. Ela conhecia a boa audição do sobrinho característica da raça, portanto, ela não via motivo para se expressar em um timbre mais alto.

– Como me descobriu aqui tia? – a voz masculina vinha de algum lugar do topo daquela árvore. O garoto ainda estava oculto pela densa concentração de folhas e flores.

– Você tem um cheiro muito peculiar e característico, sabia? – um sorriso terno e alegre brincava em seus lábios.

– Huh… Acho que sim… – sua voz estava com um distinguível tom divertido e satírico.

Em apenas alguns segundos, Andrey saltou do alto daquela esplêndida árvore, caindo com graciosidade ao lado da tia.

– O que você fazia aqui? – perguntou enquanto retirava algumas folhas presas nos fios de cabelo do sobrinho.

– Apenas pensando… Gosto de vir aqui de vez em quando… – lançou um olhar nostálgico para aquelas formosas árvores e suspirou diante de alguma lembrança que cruzava sua memória.

– São realmente magníficas! – Maysa também olhou para as incomuns plantas e sorriu. – Tanya também gostava de passar as tardes nelas… – olhou para o sobrinho rindo. – Lembro que ela me arrastava todo o santo dia até um bosque repleto delas, para brincarmos juntas. Ficávamos a tarde toda correndo envolta dos troncos, nos prendendo em galhos… E ela parecia NUNCA se cansar! – fez uma careta incrédula. – Antes do final da tarde eu já estava exaustada, querendo me arrastar de volta para casa, mas Tanya sempre choramingava, pedindo para ficar um pouco mais… – suspirou cansada e saudosa. – E eu sempre cedia… Sempre ficava lá com ela um pouco mais… – tocou o tronco da árvore mais próxima e sorriu com ternura. – Ah… Minha irmã amava demais a nossa terra natal…

– Amava… – Andrey concordou em um sussurro, tentando esconder a dor que seus olhos refletiam do seu âmago. – Elas me lembram da época em que mamãe me levava para brincar nessas árvores… – também tocou o mesmo tronco que sua tia havia tocado. – Essa daqui… Era o meu tipo predileto… – alisou o cedro-rosa avermelhado. – E mamãe… – andou até a que possuía tons azulados. – Gostava mais desse… – bateu levemente as pontas do dedo, no cedro verde-mar. – E para ser sincero, eu também gosto bastante dessa árvore!

Ele analisou as duas árvores e passou uma das mãos pelo queixo. Uma mania que tinha, quando refletia sobre algo frívolo ou cotidiano.

– Se eu for analisar bem, acredito que a minha admiração por esses dois tipos acaba em empate… – encarou a tia com um meio sorriso. – Acho que é o meu pai quem gosta mais da avermelhada e não eu…

– É compreensível… Até que é fácil explicar os gostos de vocês três.

Maysa deu de ombros e ficou a observar cada uma delas. Encarou o sobrinho por um breve instante e voltou a observar as árvores.

– É como se elas representassem cada um de nossos clãs… Aliás, acho que elas REALMENTE representam os seis clãs! – ela começou a apontar para cada uma delas. – A clarinha, de cedro quase branco, representa o Clã do Ar. A de cedro mais marrom representa o Clã da Terra. Essa daí, cheia de tons azuis, representa o Clã da Água. Essa daqui, bem avermelhada, representa o Clã do Fogo. A praticamente negra, representa o Clã das Sombras. E aquela ali, a de aparência mais luminosa, representa o Clã da Luz. – andou até Andrey com um sorriso simples no rosto. – Sua mãe e eu, pertencíamos ao Clã da Água. O seu pai ao do Fogo. Conseqüentemente, você é uma miscigenação dos dois. Tá aí a explicação do gosto de vocês!

– Tia… Eu já fazia uma idéia disso… – Andrey ofereceu um sorriso singelo para Maysa. – Mamãe já havia me dito essa teoria quando pequeno. E ainda explicou que eu era uma “semente” diferente. Metade árvore do Fogo, metade árvore da Água. – baixou o olhar quando sentiu a dor crescer ainda mais. – Ela disse que estava ansiosa para ver em que árvore eu me tornaria quando crescesse… – sua voz não passava de um sussurro triste.

– Andrey… – abraçou o sobrinho. – Tenho certeza de que ela o está vendo crescer e ficando maravilhada com o que está se tornando. – deu um sorriso. – Falando em crescer… Isso me lembra responsabilidades… Que por sua vez me lembra do porquê de querer conversar com você!

Maysa tentava mudar de assunto antes que Andrey entrasse em depressão com a, ainda recente, morte de Tanya.

– Hum… – o garoto levantou a cabeça e olhou para a tia com o canto dos olhos.

– Nossa! Que interesse todo é esse, ein? – perguntou irônica, fingindo estar ofendida com a falta de curiosidade do sobrinho. – O assunto é importante, sabia?

– Tá… Desculpa tia… – ficou frente a frente com ela, respirou fundo e atuou um olhar curioso. – Diga-me! Agora estou curioso. O que precisa conversar comigo?

Andrey não estava realmente interessado, mas fingiu estar, apenas para agradar à tia que tanto amava.

– Ora… Você é um fingido! Que curiosidade nada! Você não me soa como um curioso.

Viu o sobrinho começar a abri a boca para discordar de sua analise e segurou-lhe os lábios unidos com as pontas de seus dedos.

– Shhh… Não adianta discordar. Eu sei que estou certa! Aliás,… Você já perguntou sobre o que eu queria conversar, então, agora, vou ter que responder, não é? – soltou os lábios de Andrey e cruzou os braços. – Se você ficar tagarelando, não vai me deixar papaguear. – deu um sorriso divertido.

– Papaguear? – riu com a sonoridade da palavra. – É… Esse verbo, COM CERTEZA, foi feito para você! – ele ainda não havia visto alguém que falasse mais do que tia. A expressão “tagarela como um papagaio” encaixava-se perfeitamente na personalidade dela.

– Que seja… – bufou com a brincadeira. – Posso continuar?

– Claro. Vá em frente! – selou os lábios e fez sinal para que ela continuasse a falar.

– Obrigada. – descruzou os braços e sorriu em resposta aos gestos do sobrinho. – Andrey, seja sincero comigo, por favor…

Apoiou-se no ombro dele e aproximou sua boca ao ouvido de Andrey, para que apenas ele ouvisse o que ela iria cochichar, caso houvesse alguém bisbilhotando a conversa deles.

– O quanto você realmente gosta da humana? O que você verdadeiramente sente por Mariane?

– Maysa! – sentiu o sangue borbulhar em suas bochechas e suas orelhas arderem com o espanto da pergunta. – Isso… – viu a tia fazer sinal para que falasse mais baixo e diminuiu seu tom de voz para um sussurro. – Isso é um assunto bem delicado e complexo, tia! Não sei se posso responder…

– Ah… Você pode sim, meu querido… – continuou apoiada nele. – Eu sei que você pode! Você já sabe o que sente, basta que reflita só um pouquinho sobre isso…

– Mas por que você quer saber?

– Lídia teve uma visão… – segredou com um ar trivial e tranqüilo. – E você sabe que as chances de ela estar certa são de praticamente 95%, não é?

– Que visão? – Andrey conhecia muito bem as visões de Lídia.

Ela era uma descendente direta do Clã da Luz. Assim como ele, seus pais eram de clãs diferentes, e, portanto, ela era uma filha mestiça. Pai das Sombras, mãe da Luz…

Uma união mais complicada do que a de seus próprios pais. E talvez, por ser herdeira dessas duas tribos, ela tenha despertado um dom, proveniente da mistura dos poderes. Lídia era capaz de ter visões sobre o futuro, como premonições e muito dificilmente ela errava nelas.

– Ela viu sua Mariane aqui em casa…

– QUÊ? – sua voz saiu como um brado de sua garganta.

Maysa fez um sinal histérico para que ele diminuísse o tom de voz novamente. Ele olhou ao redor por alguns segundos, certificando-se que seu grito não houvesse chamado a atenção de ninguém de dentro da casa. Quando teve certeza de que ainda estavam sozinhos ali, ele voltou a sussurrar.

– Mariane? Aqui? Como? Quando? Por quê? Eu… Eu acho que não me atreveria a trazê-la para cá… Ao menos não com tantos de nós aglomerados nessa casa… Não é?

– Calma… Calma… Você faz perguntas demais para alguém que tem respostas de menos! – Maysa desgrudou-se do sobrinho e deu de ombros. – Eu não sei de nada, além do que Lídia me disse. Quem vai trazê-la até aqui é você! Não sou eu quem tem as respostas… Se eu soubesse, acha que estaria aqui te questionando?

– Tá, tá… – cruzou os braços, ainda preocupado com a hipótese de que no futuro ele venha a fazer uma loucura daquelas. – Mas, a Lídia ainda pode estar errada, não é? Você sabe… As visões dela não são 100% corretas… – um olhar esperançoso surgiu em seu rosto.

– Bom… – refletiu um pouco. – Isso é verdade… – mas logo descartou a esperança do sobrinho. – Mas a visão era realista demais para não acontecer…

– Realista? – não conseguia disfarçar o tom incrédulo da voz. – Eu jamais a traria para cá! Posso desobedecer às ordens de meu pai, mas eu sei os limites! Nunca a colocaria em um lugar cheio dos nossos. Ainda mais quando a maioria se sente tão fraca… Ela seria um belo banquete revigorante!! – Andrey sentiu pânico ao cogitar a idéia de deixar Mariane a mercê dos famintos.

– Calma… – Maysa afagou o braço do sobrinho, tentando acalmá-lo. – Na visão da Lídia, você não era tão louco assim…

– Como assim?

– Você a trouxe para cá, mas… Não havia mais ninguém em casa. Você e ela estavam sozinhos aqui… – o encarou com um ar reprovador.

– Sozinhos? – ele sentiu o pânico desaparecer, dando lugar a uma sensação completamente quente, que transformava suas bochechas em brasas. Sua imaginação trabalhava rápido, oferecendo-lhe imagens que o faziam se arrepiar, mas aqueles arrepios não eram de medo ou frio. – E… o que estávamos fazendo?

– Huuuum… Que curiosidade é essa? – lançou um olhar malicioso sobre Andrey e sorriu, divertida com o embaraço dele. – Ficou interessado é?

– É sério Tia… – sentia-se completamente constrangido com aquele assunto. Ele costumava brincar com esse tipo de coisa, quando saia com seus amigos ou até mesmo com a sua prima. Mas na presença da tia, a conversa incomodava.

– Bom… Na visão da Lídia, você apenas mostrava para ela a casa… Essas árvores… E depois a deixou descansar em seu quarto… – Maysa substituiu o ar brincalhão por uma feição séria. – Vocês dois pareciam muito cansados… Estavam acabados… Você estava arranhado e machucado. Ela estava assustada e tinha um rasgo no braço direito.

– Um rasgo? – arregalou os olhos. Quando a tia dizia “um rasgo” em alguma parte do corpo, era porque alguém havia seriamente se cortado.

– Uhum. Ela tinha uma ferida grande. O corte atravessava quase o antebraço todo dela.

– Agora a visão da Lídia faz menos sentido ainda para mim! – começou a caminhar pelo lugar. – Por que eu a traria aqui, ao invés de levá-la a um médico?

– Não sei… Ela parecia muito assustada, por isso você mostrou a casa antes de curá-la, para tentar acalmar a humana… E também… Vai ver você imaginou que esse fosse o lugar mais seguro para tratá-la…

– Eu estava tratando dela? – ergueu uma sobrancelha.

Andrey sabia muito bem que alguém da raça dele, abatido como ele deveria estar e ainda ser herdeiro do Clã do Fogo, não agüentaria ficar perto de sangue. Somente o cheiro despertaria uma louca vontade de bebê-lo. Era como um instinto de sobrevivência. Aquele sangue regeneraria suas forças e aceleraria ainda mais o seu processo de cura.

– Uhum… – Maysa também tinha um ar descrente no rosto. Se não houvesse ouvido a história da própria boca de Lídia, com certeza ela estaria tão incrédulo quanto ele. – E você tomou uma medida bem drástica para curá-la…

– Drástica?

– Você jogou seu próprio sangue sobre a ferida dela… – a frase foi dita em um murmúrio tão baixo que, se Andrey não possuísse uma audição tão aguda, não conseguiria ouvir o que ela tinha acabado de lhe confidenciar.

– Meu sangue…? – ele também murmurou. Aquela parte da conversa era delicada e comprometedora demais para ir soar nos ouvidos de mais alguém. – Certeza…? – sentia-se completamente chocado.

– Certeza… – ela se aproximou dele, para que ficasse mais fácil continuar a sussurrar a conversa. – Você deveria estar bem desesperado ou… Preocupado com algo. Dar o seu sangue para uma humana assim… É… É… No mínimo, sinal de perigo a espreita…

Maysa e Andrey sabiam muito bem o que significava dar seu próprio sangue para uma raça diferente da sua e tão fraca. Seu D.N.A. possuía características muito especificas da espécie para ser doado daquela maneira.

Quando seu sangue se misturasse ao de outra criatura, ela passaria a compartilhar parte de seu próprio ser, de sua própria essência. A criatura passaria a ter uma ligação muito forte com o dono do sangue.

Nenhum segredo poderia ser mantido. Tudo o que um sabe, o outro ficará sabendo. Sem mencionar que essa ligação enfraquece os sentidos. O dono do D.N.A. fica mais fraco e vulnerável do que os demais de sua raça.

– Andrey… Você sabe que estamos para entrar em uma guerra. Enfraquecer-se assim, por tão pouco, pode prejudicar o nosso lado. Pode acabar entregando a vitória para eles!

– Eu sei… Eu sei…

Andrey estava começando a sentir dificuldades em manter o volume de sua voz baixo. O nervosismo já havia tomado grande parte da razão.

– Mas eu não faria uma coisa dessas por causa de uma situação banal! Com certeza deve ter acontecido alguma coisa! Provavelmente Mariane devesse estar em sério perigo. Talvez ela tivesse se metido em uma situação complicada. Um caso de vida ou morte. E para não dar chances, a quem quer que seja o inimigo nesse dia, de matá-la, eu devo ter feito aquilo, para fortalecê-la!

O dragão encarou a tia, para ter certeza de que ela estava acompanhando a sua linha de raciocínio.

– E você sabe que ela é uma peça importante para nossa vitória e que é extremamente especial e inestimável para mim! Não poderia deixá-la em perigo, deixá-la mais frágil nas mãos de alguém. Jamais!

– Sim, sim… Eu sei, Andrey! Agora abaixa esse tom! – disse séria, preocupada com a probabilidade de alguém ter conseguido ouvir alguma coisa.

– Tia… É por isso que eu preciso estar sempre ao lado dela! É por isso que eu preciso estar com ela! – ele pegou as mãos de Maysa, como se pedisse pela compreensão dela. – Para evitar que coisas assim aconteçam, ela precisa saber quem sou o mais rápido possível e ter certeza que poderá recorrer a mim sempre que precisar! Não posso mais dar ouvidos ao meu pai! Eu NECESSITO ficar com ela!

– Tá! Entendi Andrey! Mas pelo amor de sua mãe, abaixe esse tom de voz! – apertou as mãos dele com força, em sinal de repreensão. A idéia de terem ouvido a conversa a exasperava.

– Desculpe… – sussurrou em resposta, tentando acalmar a euforia, a vontade louca de continuar falando alto.

Ele sempre soube que era preciso ficar com Mariane, que seu pai estava errado em afastá-lo dela.  Sentia um incrível desejo de gritar aquilo e provar para todos o quão certo ele estava em seus atos e vontades.

– Mas tia… Você entende, não é? Você vê o quanto eu preciso protegê-la?

– Sim. Eu vejo… – suspirou, dando-se por vencida.

Não adiantava contestá-lo. Provavelmente Andrey estava certo. Ele precisava cuidar da humana para evitar maiores danos para o lado deles, quando a guerra chegasse.

– Mas não vou deixá-lo ir sozinho atrás dela. Vou ficar de olho em vocês dois. Se algo acontecer, talvez seja preciso mais do que um de nós para dar conta do recado. É melhor que eu esteja por perto…

– Ótimo! Vai bancar a espiã? – perguntou jocoso, tentando quebrar o clima tenso daquela conversa.

– E o que mais eu seria? Se eu tentar bancar a enxerida, talvez acabe atrapalhando alguma coisa entre vocês dois… – olhou para o sobrinho com um olhar malicioso e suspeito, entrando na brincadeira de bom grado. Assuntos tensos também não a agradavam.

– Engraçadinha… – comentou irônico e cético, totalmente encabulado diante da idéia de sua própria tia acabar presenciando alguma cena mais “romântica” entre ele e Mariane.

– Não se preocupe querido… Não vou ficar observando vocês o tempo todo. Vou dar mais atenção às coisas que acontecerão ao redor dos dois. – continuava a encará-lo maldosamente.

– Já que é assim… – deu de ombros, tentando disfarçar seu embaraço. – Vamos bancar os humanos!

– Ok! Mas, Andrey, não leve tudo isso somente na brincadeira. – Maysa tentava advertir o sobrinho. – Lembre-se que o principal motivo para fazermos isso não é a diversão e sim a segurança dela.

– Eu sei tia… Mas eu acho que um pouco de diversão não faz mal. Deixa o serviço mais fácil de ser feito. – respondeu com o seu costumeiro sorriso maroto nos lábios.

– Você não tem jeito mesmo, ein moleque? – bagunçou os lindos e perfumados cabelos de Andrey.

– Vamos lá tia! Vamos nos divertir! – disse enquanto arrumava o cabelo bagunçado sem reclamar. – Vamos brincar de humanos! – sentia-se muito bem humorado agora.

 

 

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{julho 10, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo….)

Capítulo 06

Um pouco de brincadeira e diversão não faz mal?

 

 

Aos poucos, uma caricatura do professor de Antropologia Cultural começava a aparecer na folha do caderno.

Matheus estava completamente entediado. Aquela não era nem de longe a sua matéria predileta. Ele não se dava bem com o professor e não conseguia se interessar pelo assunto, só estava ali para receber presença e mais nada.

– Hum… – um sorrisinho apareceu em seu rosto.

A caricatura estava pronta e era completamente hilária. Ele havia exagerado na barriga saliente, feito uma careca mais reluzente e redonda do que o normal, caprichou nos olhos esbugalhados e conseguiu enquadrar o desenho ao perfil do famoso Homer Simpson.

Puxou a folha do fichário e olhou para os lados a procura de algo. Observava atentamente cada cabeça na sala até localizá-la. Mariane estava sentada a duas fileiras na frente, em diagonal com a sua carteira. Dobrou o papel, fez mira e o jogou, acertando em cheio a cabeça da amiga.

Mariane olhou para trás um pouco mal humorada com a investida. Viu Matheus gesticular algo e apontar para o papel que havia acertado a sua cabeça. Ela o pegou do chão, cedendo o lugar do mau humor para a curiosidade e o abriu. Assim que viu a divertida caricatura do professor, segurou o riso. Estava perfeita!

Ficou comparando a figura com a pessoa e, mais uma vez, veio-lhe uma intensa vontade de rir. Respirou fundo e dobrou o papel. Se ela continuasse olhando para o desenho, com certeza não conseguiria se controlar e teria um ataque de riso.

Olhou para o lado e viu os olhares curiosos das amigas a observá-la. Mariane deu um sorriso divertido e passou o papel para que também pudesse ver a “obra de arte” de Matheus.

Não demorou muito e começou a ouvir risinhos abafados. Também tentou se controlar para não recordar da figura hilária e começar a rir.

Olhou para o lado mais uma vez e viu duas de suas amigas se levantando com a mão na boca, segurando o riso, e saindo da sala. Com certeza elas não tinham aguentado e precisaram sair para não ter a atenção chamada pelo professor.

Mariane pegou o papel de volta e começou a escrever no canto da folha um recado. Voltou a redobrá-lo e o jogou para Matheus.

Sem rodeios, Matheus pegou o papel e o abriu. Começou a sorrir feliz enquanto lia o bilhete.

 

Matheus, só você mesmo para me fazer rir em uma aula tão chata! Como você adivinhou que eu estava precisando me distrair? Adorei a caricatura! Estava PERFEITA! Você tem um dom, sabia? Estou orgulhosa de ter um amigo tão talentoso… rs… Você deveria desenhar mais vezes.

Bem que você poderia fazer mais caricaturas para me distrair né? Aliás, por que você não faz uma caricatura minha? Estou curiosa! Quero saber como você me retrataria em uma folha de papel…                              

Beijos da sua amiga que quase chorou de rir por sua causa, Mari!

Ps:… Te adoro!

 

Guardou o bilhete dentro de um plástico no fichário e puxou outra folha para respondê-lo. Escreveu alguma coisa no papel, tentando fazer uma letra que considerasse a mais legível feita por ele e o jogou na direção da amiga.

Mariane pegou o papel todo dobrado e o leu um pouco desconfiada. A resposta não era exatamente livre de segundas intenções por parte dele.

 

Má, fiquei feliz em saber que você gostou. Eu fiz só um desenho simples para passar o tempo, nem caprichei muito. Só queria me distrair dessa aula chata.

Falando em distrair… Saiba que, sempre que você precisar, eu a distrairei de todas as formas possíveis e permitidas por você. E quanto ao seu pedido, farei quantas caricaturas quiser! Basta você me presentear com o seu sorriso, assim como você fez quando viu a minha caricatura do professor… rs… Mas, em relação ao pedido de fazer uma caricatura sua, não sei se eu seria capaz de retratar toda a sua beleza e graça em um mero desenho em uma simples folha de papel. Se quiser me ajudar com isso, poderia ficar algumas tardes comigo aqui na PUC e posar para mim… O que acha? Sem malicias, por favor… rs…

Muitos e muitos beijos somente para você!

Também te adoro DEMAIS!

Ass: Math

 

Olhou disfarçadamente para as amigas, certificando-se de que nenhuma estava lendo e respondeu. Jogou o papel de volta e deu um suspiro. Mariane gostava muito do amigo, mas não queria que ele tivesse esperanças em ter algo a mais do que amizade com ela.

Matheus abriu o bilhete rapidamente, mas sua animação diminuía a cada linha que lia do bilhete. Terminou de lê-lo e o guardou, sem se preocupar em dar uma resposta. Ele estava desanimado mais uma vez.

 Matheus… Não me entenda mal, mas eu não tô muito a fim de ficar ALGUNS DIAS na PUC e eu não presto para ser modelo, não! Eu não gosto de ficar posando, é meio entediante, sabe?

Não é por você não, viu? Nem fica chateado comigo, por favor! Mas, sinceramente, esse não é o tipo de programa que eu gostaria de fazer com alguém. Sem contar que eu trabalho… Não daria para ficar assim de bobeira pela PUC, né?

Quem sabe a gente combina outra coisa, algum dia? Sei lá… Ir com o pessoal no cinema, ou passear com o povo da sala no shopping. Aposto que você se divertiria muito no fliperama com os meninos e eu adoraria fazer compras com as meninas… rs… Típico, né?  (clube do Bolinha e da Luluzinha)

Mas ainda fico esperando as caricaturas que você disse que faria. Não adianta fugir! Disse que faria e agora vai ter que fazer… rs…

Beijos! 

Até mais…

 

Ninguém mais havia percebido, mas um clima um pouco tenso apareceu entre os dois amigos. Mesmo a distancia, Mariane podia sentir a chateação dele e ficou um pouco incomodada com aquilo, não gostava de deixá-lo assim, mas às vezes era preciso.

Matheus também podia perceber o incomodo que a sua reação havia causado a amiga, mas não estava se importando muito com aquilo. Ela o havia chateado e agora merecia se sentir mal por aquilo. Para ele, a Mariane não precisava ter sido tão direta assim. Ela poderia ter sido um pouco mais flexível com ele.

Por mais que desejassem o contrário, aquela aula parecia que nunca ia acabar para os dois.

 

\\–//–\\–//

– Informaremos o Coronel Falcker agora mesmo! – Capitão Luca andava pelo corredor com passos duros e decididos.

Estava rodeado por alguns companheiros militares, que, assim como ele, haviam se envolvido diretamente com o estranho O.V.N.I. que tinha aparecido por ligeiros segundos nos radares da base.

A sua esquerda estava o Tenente Andrade, à direita estava o mal humoradíssimo Tenente Nunes, logo atrás estavam o Cabo Smithison e o inseguro Soldado Mirella.

– E quanto ao Major Romero? Passaremos direto por ele? – Andrade dava breves olhadas nos papeis que carregava na mão.

Os arquivos continham fotos de vários pontos negros parados sobre o céu brasileiro e alguns poucos dados que alguns radares haviam conseguido fazer.

– Eu já o informei. Mandei o Cabo Walter até ele com uma cópia dessa papelada. – Luca não diminuiu o passo em nenhum momento. – Inclusive… Acredito que o Major já esteja no gabinete do Coronel agora mesmo…

Sem se preocupar com formalidades, o Capitão Luca abriu a porta do gabinete e foi entrando. Ele não se importava com protocolos que julgava ser meramente etiquetas ao invés de burocracias. Aliás, ele nunca gostou muito de burocracias, as considerava perda de tempo, mas sabia que elas eram necessárias para manter a ordem e o respeito pelas hierarquias.

Como ele havia previsto, o Major Romero já se encontrava na sala, mostrando todos os dados sobre os O.V.N.I’s que havia recebido. Logo atrás de Luca vinham aqueles que o acompanharam durante o percurso todo até ali. Com exceção dele, todos os outros estavam preocupados com a reação do coronel e do major perante a entrada invasiva do capitão.

– Capitão Luca, o que significa essas fotos? – o coronel ignorava a brusca entrada de Luca em seu gabinete. Já conhecia o estilo direto do militar. E ao invés de um sermão, Falcker preferiu apenas encarar seu subordinado com uma expressão séria no rosto, enquanto aguardava por uma resposta.

– Senhor, essas fotos são O.V.N.I’s encontrados no espaço aéreo brasileiro. Não conseguimos estabelecer um contato com eles e não sabemos ainda se são inimigos.

– Isso eu já percebi… – sussurrou analisando os dados. – Desde quando estão aqui? – voltou a falar em seu habitual tom de voz forte.

– O primeiro caso aconteceu há três semanas, portanto, acreditamos que ficaram por aqui durante todo esse tempo. Apesar de apenas os percebermos parados sobre o Brasil há apenas duas horas. Supomos que eles tenham uma tecnologia especial para se camuflarem de nosso radares quando desejam, senhor.

– DUAS HORAS? – Falcker ergueu a cabeça junto com o tom de voz. Ele estava quase berrando. – Vocês demoraram DUAS HORAS para vir me informar? Ou pior… – encarou cada um dos presentes ali antes de continuar. – TRÊS SEMANAS, para ser mais preciso…

Todos na sala permaneceram calados depois que o Coronel Falcker havia terminado de falar. Nem ao menos se aventuravam a encarar um ao outro, apenas o Capitão Luca desafiava a sorte, encarando o coronel, o qual sustentava o seu olhar, aceitando o desafio.

Ele respeitava o Capitão Luca. Nem todos tinham a audácia de enfrentá-lo, ainda mais quando o seu humor se alterava negativamente por causa de alguma desagradável notícia.

– Você e você! – Falcker apontou para o Soldado Mirella e o Cabo Smithison. – Apresentem-se!

– Cabo Smithison apresentando-se, senhor! – aproximou-se da mesa e bateu continência.

– Soldado Mirella apresentando-se, senhor! – permaneceu alguns centímetros atrás do Cabo e também bateu continência.

– Quero que vocês convoquem o Tenente Almeida e a Aspirante Limeira para uma reunião em 30 minutos no meu gabinete!

– Senhor, sim senhor! – ambos responderam ao comando, bateram continência e se retiraram da sala o mais rápido possível.

– Você, Tenente Nunes! – apontou para o tenente enquanto a porta da sala ainda estava sendo fechada pelo Soldado Mirella. – Convoque a Tenente-Coronel Sebastian e não se esqueça de solicitar ao Subtenente Domingues para também vir á reunião e mandar convocar os integrantes desta lista. – escreveu rapidamente alguns nomes em uma folha de papel e a entregou a Nunes.

– Senhor, sim senhor! – pegou o papel, bateu continência e saiu da sala, não antes de lançar um discreto olhar enjoado e invejoso para o Capitão Luca.

– Com licença… – depois que Luca e os demais militares haviam entrado no gabinete, aquela era a primeira que o Major Romero falava. – Mas o senhor realmente acredita que uma reunião com apenas os demais poderes militares da junta de São Paulo, vai resolver alguma coisa?

– Não, Major Romero… Não… – o coronel suspirou. – Para tentar resolver algo… era preciso entrar em contato com os maiores…

– Mas então… Por que a pressa?

– Como sou maior oficial por aqui. É meu dever informá-los. – encarava o major com um olhar cansado. – E eu quero fazer isso logo! Não quero deixar nada acumular. Quero resolver tudo logo e depois discutir o assunto com meus superiores. Com certeza eles já estão informados dos O.V.N.I.’s.

– Seus superiores… O senhor teria que viajar para isso. – Capitão Luca havia se aproximado ainda mais da mesa do coronel. – Terá que deixar tudo por aqui nas mãos do Major Romero. – o coronel concordou com a cabeça. – O senhor faz idéia da bomba que estará colocando nas mãos de seu subordinado? – Luca lançava alguns olhares para Romero. O major era um amigo de infância. Haviam crescido juntos e a pessoa em quem ele mais confiava lá dentro era ele.

Luca sabia o quanto o amigo era competente em seu trabalho, até mais do que ele. Mas, o Major Romero tinha família agora. Estava casado a menos de um ano com Luiza, outra colega de infância dos dois. E a esposa tinha acabado de dar a luz a uma garotinha linda, faziam apenas dois meses! Sem mencionar que Luiza não andava muito bem de saúde.

Várias vezes o capitão precisou cobrir as faltas inesperadas do amigo, quando este precisava acompanhar a esposa em alguma consulta ou cuidar da filha quando Luiza ficava internada. As coisas não estavam bem para o major e se o coronel colocasse mais aquela responsabilidade nas mãos dele, Luca temia que o amigo se sobrecarregasse e acabasse se prejudicando.

– E que alternativa eu tenho? – Coronel Falcker continuava com o olhar desanimado. – Eu já estou vendo que as coisas vão piorar mil vezes mais a partir de agora, se eu não for e resolver algumas coisas, com certeza acabaremos mais prejudicados do que as demais juntas…

– Mas, Coronel…

– Tudo bem, Capitão Luca! – o Major o havia interrompido. – Agradeço pela sua preocupação, mas o Coronel está certo. Eu vou assumir a responsabilidade! – e encarou o amigo com um olhar obstinado. Luca já conhecia aquele olhar e sabia que não adiantaria nada tentar convencê-lo de desistir da idéia.

– Então, senhor Coronel, solicito que permita que eu divida a responsabilidade de sua ausência com o Major Romero! – aquela era a única solução que havia encontrado até o momento. Ele não deixaria Romero sem apoio.

– Tá, tá… Autorizo. – Falcker conhecia muito bem aqueles dois militares parados na sua frente. Eram competentes e, acima de tudo, obstinados.

Ele já teria problemas demais pela frente e não queria arranjar mais alguns, portanto, decidiu permitir que Luca ajudasse Romero. Que mal haveria nisso? Provavelmente, aquela permissão resolveria alguns problemas futuros. Ele confiava na capacidade daquela dupla.

– Agora, senhores… – levantou-se da sua mesa e estralou o pescoço. – Preparem-se para a reunião. Em menos de 2 minutos, os convocados estarão aqui e uma verdadeira guerra vai começar. – major e capitão assentiram com a cabeça.

Os três militares naquela sala sabiam que a junta de São Paulo possuía muitas rixas internas. Todos tinham seus problemas pessoais uns com os outros. Quando eram reunidos, sempre saiam discussões que consideravam desnecessárias, mas que pareciam ser impossíveis de se evitar.

– Divirtam-se com os duelos rapazes. – resmungou com desanimo, enchendo o “divirtam-se” de ironia.

– Então, que comece a batalha! – sussurrou o capitão, assim que a porta do gabinete começou a se abrir.

 

 

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{julho 1, 2013}   Uma Vida de Herói

(primeiro capítulo)

 

Preparando o leitor

 

 

Essa história começa de uma maneira um pouco diferente das demais! Aqui, eu não vou começar contando como foi o inicio da nossa dupla. Vou começar pela metade.

Já passamos por diversas dificuldades e por inúmeras situações bizarras. Já presenciamos nascimentos e chacinas. Já choramos muito e rimos o dobro.

É…

Já vivemos quase tudo que um ser humano normal poderia viver.

Mas…

AHÁ! Eu e o meu companheiro não somos normais! Aliás, o Luka não é nem um pouco normal!

Sabe…

Ele é do tipo de mago que se considera o mais poderoso do mundo.

Se alguém disser que é bom em alguma coisa, ele tentará ser ótimo, independendo do que quer que seja essa coisa.

Como certa vez em que a irmã dele comentou que eu seria uma boa mãe, caso algum dia eu viesse a ter filhos.

Como um bom homem, ele deveria ter entendido a indireta da Loren e ter vindo conversar comigo, ou até mesmo ter ignorado a conversa e fingido não ter ouvido nada, o que seria uma reação comum masculina.

No entanto, ao invés de ter essas reações banais e corriqueiras, ele correu procurar por alguma magia que o permitisse engravidar, somente para provar a nós duas que ele seria uma “mãe” muito melhor do que eu!

Ah deuses…

Dêem-me MUITA paciência!

E é claro que nessa ocasião, assim como em muitos outros casos, eu o explodi algumas vezes com encantamentos leves, até que desistisse da idéia e me prometesse parar de ser tão… Tão… Extremista!

Mas, como sempre, ele promete, mas dificilmente cumpre. Ele ainda não tem uma noção muito boa de limites.

Apesar de tudo, eu realmente amo o Luka! Acho-o um homem perfeito para mim, salvo alguns probleminhas que impedem de nos amarmos abertamente.

Bem…

Como já deve ser dedutivo a essa altura da narrativa, nós somos uma dupla de heróis e, como tais, temos muitos inimigos.

Se eles já tentam nos separar sem saber de nossos verdadeiros sentimentos um pelo outro, tente imaginar se descobrissem que nos amamos!

Seria uma informação de prato cheio para se vingarem de nós! Seria maravilhoso para eles nos verem sofrer longe um do outro e nos torturarem.

Sem mencionar que, se nós finalmente ficarmos… Hm… Intimamente juntos e eu engravidar?

O Luka segue o código do bom Paladino. Ele não me permitiria lutar e continuaria da mesma forma cavalheira de brigar, sem atacar mulheres.

Portanto, se aparecer uma vilã e eu estou grávida, como fica a situação? Quem acabaria com a raça dela?

Tá aí o problema!

Ninguém!

Assim, sem ninguém para derrotá-la, ela fica super poderosa e tenta destruir ou “redecorar” o mundo a seu gosto.

Consegue ver a complicação do caso?

Não é difícil acabar com um super vilão. Destruímos um a cada ano!

O complicado e frustrante da história toda é ter que SEMPRE salvar a Terra e, por causa disso, eu não consigo tirar umas férias com o Luka. E sem férias não há descanso. Sem descanso não há oportunidade quentes para o amor.

Isso realmente me deprime às vezes…

Contudo, são ossos do ofício, não é?

Quem mandou eu me apaixonar pelo meu companheiro de batalhas e aventuras?

Mas chega de introdução!

Vou começar a narrar a partir do agora, deste ano, deste instante!

Com vocês…

E para você…

A história de uma fantástica e atrapalhada dupla de heróis; de uma feiticeira chamada Aline e de um mago chamado Luka!

 

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{junho 25, 2013}   Conto de Dragões

(outra parte do capítulo…)

Capítulo 05

Dias diferentes…

Fantasias as mesmas…

 

 

Mariane abriu os olhos e deu uma rápida olhada ao seu redor. O quarto estava escuro e extremamente silencioso. Ela nem ao menos conseguia ouvir o barulho do vento do lado de fora. Espreguiçou-se e levantou da cama. Pegou o celular e viu que eram 2 horas da madrugada.

– Ah, não acredito!  – colocou o celular de volta na sua cabeceira. – Por que eu fui acordar agora? Odeio acordar no meio da madrugada. – foi até o banheiro e ficou se olhando no espelho. Estava sem sono e não tinha idéia do que fazer para conseguir voltar a dormir.

Pegou a escova e ficou penteando o cabelo sem muito ânimo. Só queria fazer as horas passarem rápido ou tentar ficar entediada. O tédio sempre ajudava nesses momentos. Ele fazia o sono vir mais rápido.

– Não tá adiantando… – largou a escova na pia e olhou pela janelinha do banheiro. A noite lá fora parecia clara.

Voltou para o quarto e saiu na sua sacada. A lua estava linda! Ela estava enorme e alta no céu. Iluminava tudo e até as estrelas pareciam estar opacas perto do brilho dela.

– Nossa… – sussurrou admirada com a beleza do satélite.

Enquanto se distraia observando os astros da noite, um vulto passou por cima da sua casa sem que o percebesse. Mariane sentiu um repentino vento acertá-la e estremeceu. Estava usando uma camisola e, portanto, não tinha proteção nenhuma contra o frio daquela imprevista ventania.

Uma sombra passou correndo por trás dela e sumiu na escuridão da noite. Mariane sentiu a presença e virou-se bruscamente, procurando por alguém ou por algo, mas não viu nada. Uma brisa leve e quente esquentou sua nuca e fez sua camisola esvoaçar. O que estava acontecendo ali?

A brisa voltou mais uma vez, duas vezes, três vezes… Ela ia e voltava em intervalos curtos e regulares. Algo estava atrás dela, alguma coisa estava provocando aquele ar quente que atingia suas costas diretamente e passava por seu corpo, provocando um forte arrepio.

Fechou os olhos e apertou os punhos. Estava assustada, mas também estava curiosa. Precisava ver o que tinha atrás de si. Abriu os olhos, respirou fundo e começou a se virar lentamente.

A brisa brevemente periódica também fazia seus cabelos esvoaçarem toda vez que atingia o seu corpo e os fios de cabelo lhe atrapalhavam a visão toda vez que eram jogados em seu rosto.

O suspense a estava matando mais do que o medo. Respirou profundamente mais uma vez e prendeu o fôlego antes de se virar rapidamente. Quando já estava de frente para a escuridão da noite, seu corpo congelou no lugar.

Uma sombra negra gigantesca estava parada na frente da sua sacada, em cima do seu jardim.

Mariane sentiu seu corpo amolecer como se fosse desmaiar, agarrou uma das madeiras que compunham o parapeito e obrigou-se a permanecer firme e lúcida no lugar. Sua respiração estava descontrolada e o seu coração disparado, mas isso não importava. O que era aquela coisa?

Forçou a vista, tentando enxergar melhor na escuridão da noite. A luz forte da lua facilitava as coisas, a enorme sombra estava começando a ficar mais clara. Aquela forma… Mariane a estava reconhecendo. Já a havia visto uma vez!

– Não pode ser… – sussurrou para si mesma.

Assim que o seu sussurro ecoou sutilmente pelo ar, duas admiráveis e imensas luzes brilharam na noite. Elas pareciam lindas bolas de cristal verdes, flutuando a menos de um metro da sua sacada. Aquele formidável brilho cristalizado a encarava de uma maneira que, para ela, parecia gentil.

– Você voltou! – Mariane se apoiou no parapeito e estendeu os braços na escuridão até suas mãos tocarem algo quente e áspero.

Seus dedos acariciavam uma pele dura, que parecia ter grossas placas de pedra. Pedras que eram mais macias do que as que estava acostumada a ver nas ruas e campos, mas, que ainda assim, agrediam um pouco a sua pele delicada.

– Devo estar sonhando novamente… – Mariane não se importava com aquela sutil agressão, só queria poder tocar seu dragão mais uma vez.

Ele estava sentado no jardim e tinha curvado um pouco suas costas e o seu pescoço, abaixado seu rosto até a altura certa da sacada. Aquela posição não era uma das mais confortáveis, mas ele não ligava. O que importava era que eles haviam se encontrado mais uma vez.

– Com certeza devo estar sonhando… – Mariane não piscava com medo que aquela linda criatura sumisse da sua frente durante os poucos milésimos de segundo em que suas pálpebras estivessem fechadas. – Você veio me ver novamente… – conversava com o dragão como se fosse um humano, como se ele fosse responder a qualquer momento.

Ela não dava importância ao fato de ele ser um animal e ela uma humana, sabia que ele a entendia e tinha certeza de que conseguia compreender as respostas daquele ser fantástico pelos olhares que lhe lançava a cada frase.

Os braços de Mariane estavam começando a doer, estavam estendidos para o dragão há muito tempo. A noite avançava para o dia com uma velocidade incrível. Para aqueles dois, humana e dragão, nunca haviam visto uma noite tão rápida! Logo o sol nasceria e ele precisaria partir, mas nenhum deles desejava aquela separação. Queriam ficar o tempo todo assim, se tocando e conversando com palavras, gestos e olhares.

O dragão olhou com agonia para o horizonte, em direção a Serra do Japi. Mariane acompanhou o olhar e entendeu a aflição no olhar de sua tão amada criatura, a noite estava clareando, a lua quase já não existia no céu e o sol estava começando a nascer.

– Ah não… – por um breve momento, Mariane apoiou as mãos no rosto, para controlar o descontentamento e a amargura por ver as poucas horas noturnas com seu dragão acabarem. – Você precisa mesmo ir…? – voltou a olhar para ele, mas não estava mais lá. O dragão havia desaparecido. – Não, não… Não vá… – seus olhos se encheram de dor.

Ele havia ido embora e ela nem tivera a oportunidade de se despedir. Fechou os olhos e contraiu as mãos e os braços na altura do peito. Se aquilo fosse um sonho, queria acordar naquele momento ou, se possível, tentar trazer o seu dragão de volta.

– Volte… Por favor…

Um vulto atravessou sua sacada a uma velocidade incrível e parou atrás de Mariane. Antes que ela pudesse perceber sua presença, abraçou-a com força pelas costas. Era um abraço carinhoso, um abraço de despedida, mas que prometia um reencontro.

Mariane abriu os olhos com o susto e tentou se virar para ver quem era. Mas aqueles braços não a permitiam sair do lugar. Um perfume delicado e inebriante passou por ela, fazendo-a suspirar diante de um aroma tão delicioso e familiar.

O corpo do misterioso visitante era forte, o abraço era intenso e ao mesmo tempo delicado. Mariane começou a relaxar, estava se sentindo confortável ali.

O calor e a fragrância que ele emanava a embalavam e acalmavam. Ela não estava mais assustada, sentia-se segura nos braços daquele desconhecido.

– Quem é você? – conseguiu sussurrar depois de muito esforço para se manter lúcida.

– Pensei que já soubesse… – o garoto sussurrou em resposta. O tom sutil da sua voz parecia divertido.

– Andrey! – Mariane havia reconhecido a voz e tinha despertado completamente do torpor que aqueles calor e perfume estavam provocando em seu corpo e em sua mente.

– Mariane… – ele continuava sussurrando, mas desta vez em seu ouvido. – Mariane… Que falta você me faz…

Ela tentava se virar de frente para ele, sem se soltar daquele delicioso abraço. Queria vê-lo, queria saber como era o dono daquela voz.

– Não, não, minha querida… – ele apertou um pouco mais o abraço, impedindo-a de se mexer.

– Por quê? – estava desapontada.

– Não fique com essa carinha chateada… – ele colou seu rosto ao dela, esfregando-o levemente na bochecha corada e quente de Mariane. – Você só não pode me ver assim, porque ainda não é o momento. Tenha um pouco de paciência meu amor…

Mariane sentiu seu corpo inteiro arrepiar. Os sussurros em seu ouvido, o toque da pele dele na sua e agora, frases com “minha querida” e “meu amor” eram demais para ela. Ele a estava deixando completamente perdida em suspiros e sensações apaixonantes.

– Por que você está aqui…? – tinha voltado a sussurrar. Sua voz falhava, traindo seus sentimentos que tentavam, em vão, permanecer ocultos.

– Porque eu preciso de você… – ele também tinha voltado a sussurrar em seu ouvido, deliciando-se com os freqüentes arrepios que percorriam o corpo de Mariane e com os incontáveis suspiros que irrompiam dela.

Mariane deixou-se levar e apoiou completamente seu corpo no de Andrey. Fechou seus olhos, tentando aproveitar ao máximo todas as sensações. Já que não podia vê-lo, ela iria usufruir de todos os outros sentidos que fossem possíveis usar naquele momento.

– Mariane… Tenho que ir… – Andrey sussurrou, trazendo-o de volta do seu estado de hipnose.

– Não… – Mariane abriu os olhos, com o choque da noticia sussurrada por ele. Mas assim que abriu os olhos, a luz do sol que já havia saído de trás da serra, a cegou temporariamente. – Andrey! – chamou em uma tentativa vã de tentar fazê-lo ficar.

O entorpecimento começou a esvair completamente de seu corpo. Mariane piscou algumas vezes e se percebeu sentada em sua cama, olhando para a porta de sua suíte. A luz de seu quarto estava acesa e sua mãe estava parada de pé, ao lado do interruptor.

– Não ouviu o seu celular despertar, não? – Lívia analisava a filha, estranhando a maneira brusca que ela havia despertado. – Tá tudo bem? Teve um pesadelo?

Mariane olhou ao redor e depois voltou a encarar a mãe. Fez uma cara de desanimo e se jogou na cama, puxando o travesseiro sobre o rosto.

– Eu estou tendo um pesadelo agora… – respondeu desapontada com a realidade. Então tudo aquilo realmente tinha sido apenas um sonho.  Que decepção…

– Como você é dramática! – puxou o travesseiro do rosto da filha e o jogou em outro canto da cama. – Corre se trocar senão você não vai chegar na PUC hoje.

– É sexta… Não vai ter nenhuma matéria nova hoje… Eu bem que poderia faltar…

-Você quem sabe… É você quem paga a sua faculdade mesmo. A consciência é sua. – deu um sorrisinho torto para ela e saiu do quarto.

– Ok… Você venceu. Eu vou… – levantou-se da cama e começou a se arrumar. Precisaria se distrair se quisesse esquecer o sonho e ter um dia tranqüilo, afinal, apesar de tudo, um novo dia de uma garota “normal” começava…

 

 

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{junho 5, 2013}   Conto de Dragões

(parte do capítulo…)

Capítulo 05

Dias diferentes…

Fantasias as mesmas…

 

 

– Mestre… – Luara, uma giant de corpo escultural, pele negra e reluzente, longuíssimos cabelos azuis escuros e olhos da mesma cor, sentara-se no chão ao lado do trono e apoiou em uma das pernas de Giulian.

Giulian acariciava os longos cabelos da serva. Ela era a única criatura em todo aquele complexo que ele permitia ter tanta intimidade com ele. Aquela giant havia crescido com ele.

Ambos tiveram os mesmos treinamentos, os mesmos ensinamentos… Só tinham separado seus caminhos quando seu pai morreu. Ele fora nomeado rei e Luara fora nomeada governadora de toda a nação. Se acontecesse alguma coisa com ele, seria ela quem cuidaria das coisas em seu lugar.

– Minha querida Luara… – Giulian colocou a mão sob o queixo da amiga de infância e levantou sua cabeça delicadamente, até que seus olhos estivessem presos nos dele. – Logo, logo chegaremos à Terra. – acariciou carinhosamente o rosto dela com as costas da mão. – Acredito que você, como a boa governadora que eu nomeei, já saiba a qualidade da força que iremos usufruir daquele lugar…

– Claro meu mestre! – Luara ajoelhou e se apoiou no trono. – A qualidade é altíssima! Aliás, acredito que seja uma das energias mais poderosas que iremos usufruir até agora! Será de grande proveito para nós, visto que, em breve, nós enfrentaremos os…

– Só um momento! – colocou o dedo indicador sobre os lábios dela, impedindo-a de continuar falando. – Como assim “uma das energias mais poderosas”? Eu sei que eles são muito poderosos com a mente e o espírito, mas a grande maioria não sabe usar e nem desenvolver esse poder. E quanto á força física, acredito que não vamos conseguir aproveitar muito dela…

– Eu sei, meu rei! – puxou a mão dele até sua bochecha e apoiou levemente a sua cabeça sobre ela. – Mas eu descobri que mesmo eles não tendo consciência e nem controle, o poder deles ainda é forte! Digamos que ele fica “armazenado” em uma parte inconsciente deles e essa parte representa grande parte da essência dos humanos. Portanto, conseguiremos usufruir bastante! Basta sabermos o que fazer para aproveitar ao máximo…

– Interessante… – Giulian levantou do trono e caminhou com passos animados pela sala. – Essa é uma ótima notícia!

– Sim, sim. – Luara também havia levantado. – Meu senhor, também descobri que as mulheres são a espécime que mais armazena poder. – aproximou-se de Giulian e ofereceu-lhe um de seus admiráveis sorrisos. – E as mulheres estão aumentando em número… Elas já se tornaram mais de 50% da população terrestre.

– PERFEITO!! – agarrou-a e prendeu-a em seus braços enquanto se perdia no sorriso daquela adorável giant. – Mais alguma boa noticia?

– Sim… – encostou sua cabeça no peito de Giulian e fechou os olhos. – Eu já sei o que teremos que fazer para usufruir completamente deste poder…

– BRILHANTE! – Giulian a abraçou mais forte. – Vamos! Vamos! Me diga!

– Hm… Quem sabe mais tarde… Depois que você me recompensar pelas boas notícias… – Luara lhe lançou um olhar malicioso e começou a puxá-lo para fora da sala real.

– Claro. Mas, para onde esta me levando? – a encarou com cumplicidade.

– Não acha essa sala desconfortável demais, meu mestre?

Giulian deu uma gargalhada e se deixou levar pela magnífica giant para onde ela quisesse ir.

– Como queira, minha queria…

–\\–//–

Alguém batia na porta da sua sala. Tenente Nunes colocou uma pilha de papeis de lado, virou a sua cadeira e deu um suspiro cansado.

– Entre! – ordenou.

– Tenente, senhor! – um soldado abriu a porta e bateu continência para o seu superior.

– À vontade, soldado! – o soldado baixou a mão e se aproximou da mesa de Nunes. O tenente estralou os dedos e ficou observando. – Então… Que noticia você traz?

– Tenente, nossos radares encontraram um O.V.N.I. no espaço aéreo brasileiro, mas este desapareceu em apenas 7 segundos!

– Soldado, você tem certeza de que era realmente um O.V.N.I.?

– Sim senhor! – o soldado Mirella parecia um pouco mais nervoso com a pergunta. – Não conseguimos identificar o objeto voador detectado. Ele estava a uma velocidade incrível. Desapareceu assim como apareceu, repentinamente!

– Estranho… – Nunes alisava o queixo com as pontas de seus dedos enquanto pensava.

– E senhor…

– Diga.

– Acreditamos que talvez seja algum tipo de jato novo estrangeiro.

– Um protótipo do exterior?

– Sim senhor!

– Mas isso não faz sentido… – levantou da cadeira e andou ao redor da mesa, até se aproximar do soldado. – Por que viriam testar um protótipo aqui, no Brasil?

– Não sei, senhor… – Mirella encarava o seu superior com certa angustia nos olhos. – Devemos considerá-lo uma ameaça?

– Não teria motivo para isso… Se fossem nos atacar, já o teriam feito e nós nem estaríamos conversando aqui… – o tenente olhou para baixo, divagando. – E também… Não há pretextos para nos atacarem no atual momento…

Nunes voltou a andar pela sala. Enquanto pensava, esfregava a testa com os dedos. Se haviam mandado aquele soldado até ele, era porque realmente estavam com dificuldades na identificação do objeto. Mas também, não era para menos! O que quer que fosse aquilo, havia ficado apenas sete segundos no radar. Com esse pouco tempo, qualquer um seria incapaz de identificar algo.

– Quem o enviou até mim?

– O Cabo Smithison, senhor!

– O Tenente Andrade está sabendo de algo?

– Sim senhor! O próprio Cabo Smithison foi informá-lo.

– Mais algum superior foi informado?

– Ainda não, senhor! – o soldado deu uma pausa, tentando recordar algo. Sua memória sempre falhava quando ficava nervoso. – Mas… Pretendemos informar o Capitão Luca.

– Capitão Luca… – Nunes não gostava de Luca. O achava intrometido demais. Sempre interferia em seus negócios, nunca o deixava terminar nada a sua maneira. Parecia que o capitão o achava incompetente demais para terminar qualquer serviço. – E o Major Romero?

– Achamos que talvez ainda não seja preciso informar o Major… – o soldado apertou as mãos para conter o nervosismo. – Se o Capitão Luca achar necessário, nesse caso nós… – Mirella interrompeu a fala e engoliu em seco depois de ver a expressão de raiva do Tenente quando ele havia dito o nome do Capitão Luca. – Se,se,senhor… Algum pro,problema?

– Não soldado! – Nunes deu um murro na mesa para se controlar.

– Se,se,senhor?

– Está dispensado soldado! Pode ir! – Nunes ficou de costas para Mirella. – E dê um jeito nessa sua gagueira! – aconselhou ao soldado de maneira ríspida quando o percebeu bater continência.

– Sim, senhor! – Mirella sentiu seu rosto ficar quente e mais do que depressa saiu daquela sala. Achava que se ficasse ali mais alguns segundos, iria ser uma vítima da raiva repentina do tenente.

Nunes se jogou em sua cadeira e fechou os olhos. Precisava controlar a sua raiva, caso contrário, poderia fazer alguma besteira…

 

 

conto_dragões



(parte do terceiro capítulo…)

 

Fantasy, aqui vão eles!

 

 

– Tchau, mãe! – Lilith a abraçou com ternura, contendo as lágrimas que lhe ardiam os olhos. – Tchau, pai! – a garota foi envolvida por braços fortes e o ouviu limpar a garganta, um fracassado disfarce para a emoção que sentia.

– Tchau, meu amor! Se cuida, viu! – Suélen já estava chorando silenciosamente.

– Tchau, filhota! Até as férias ou antes! – Selso colocou as mãos no bolso.

– E tchau, Ely! – deu um singelo beijo na testa do irmão. Respirou fundo e engoliu o choro a seco. Não fazia sentido ceder à choradeira, afinal, ficaria apenas um ano fora. Parecia muito tempo, contudo, ela continuaria mantendo contato com a família e, se quisesse, poderia ir visitá-los nos feriados prolongados.

– Vocês vão ver, o tempo vai passas rapidinho! – deu mais um último beijo em todos e se dirigiu para a área de embarque enquanto gritava. – Vejo vocês em novembro do ano que vem!

– Lilith, vê se trás uma lembrancinha de lá para mim! – berrou Elyando antes que ela sumisse de vista.

Uma vez dentro da área de embarque, Lilith se dirigiu ao portão descrito em sua passagem. Aparentemente, o lugar era tão comum quanto os demais ao lado. O último aviso para que embarcasse soou e ela apertou o passo até as funcionárias.

– Bom dia! – cumprimentou, entregando a passagem.

– Bom dia, senhoria Pontlagua! – uma bela mulher loira conferiu suas passagens. – Você é a nossa última tripulante. Bem vinda à aviação Fantasy! – disse, devolvendo tudo à garota.

– Fantasy? – olhou para o nome da empresa escrito nos papeis de embarque. – Mas, essa não é a…

– É Fantasy mesmo. – a morena sorriu solicita. – Esse nome que você está lendo é registrado e enfeitiçado, ou seja, a aviação Fantasy existe em ambos os mundos, contudo, toda a sua documentação foi enfeitiçada para enganar as pessoas normais.

– E se alguém decidir viajar por essa viação aqui, o que acontece?

– Bom… Nós trabalhamos em ambos os mundos mesmo. Portanto, podem viajar conosco sem problemas.

– Nunca houveram passagens trocadas ou algum problema no sistema que acabasse levando pessoas normais ao mundo wiccaniano?

– Já houveram sim…

– Mas, todos foram concertados imediatamente e sem consequências desastrosas para nenhum dos lados. – interviu a funcionária loira. – Por favor, senhorita Pontlagua, está atrasando o vôo. Poderia se apressar?

Lilith olhou torto para a mulher e despediu-se brevemente de ambas, sendo mais gentil com a morena. E enquanto corria pelo corredor que a levava direto para as portas de seu avião, sentiu um estranho formigamento pelo corpo, algo que a impulsionava seguir adiante e lhe dava ânimo para enfrentar o desconhecido.

Uma vez dentro do avião, a garota foi recebida com toda a pompa e glamour que as aeromoças wiccanianas poderiam oferecer: taças de champagne flutuantes, tulipas de gelo com um chopp tão brilhante quanto ouro, taças de diamante com vinho tão reluzente quanto rubis, canecas cheias do m ais puro hidromel rodopiavam ao redor dela, embriagando-a com o aroma adocicado.

– Seja bem vinda, senhorita! Aceita algo para beber antes da decolagem? – uma das aeromoças, a mais alta de esguia, apontou para os copos, taças e canecas flutuantes.

– Não estou com vontade de beber nada alcoólico no momento, muito obrigada! – ficou sem jeito diante de tanta atenção. – Mas, se vocês tiverem água, eu aceito.

– Aqui está! – uma mulher de baixa estatura, cabelos ruivos e sardas no rosto lhe entregou um copo de cristal, cheio até a borda com água gelada e cristalina.

– Que copinho pesado, ein! – comentou ao segurá-lo.

– É feito de uma mistura especial, juntamos vários tipos de pedras preciosas na sua confecção como rubis, esmeraldas, turmalinas, lapis lazuli, diamantes e assim por diante.

– Mas, é tão transparente quanto o cristal! – observou abismada.

– É uma magia especial que usamos durante a confecção. Mas, se você girar o copo em suas mãos e contra a luz, poderá ver as cores dos materiais que usamos. – delicadamente, a mulher pegou a mão de Lilith que segurava o copo e a ergueu contra a luz. – Vê?

Os olhos da garota arregalaram diante das cores vibrantes e cheias de luz que iam aparecendo a medida que a aeromoça movia sua mão. O objeto era tão lindo e de aparência tão delicada que chegava a dar um “gostinho” especial e puro para a água contida ali.

Lilith agradeceu pela atenção e bebeu todo o liquido de uma vez, apreciando a sensação refrescante que lhe descia pela garganta.

– Gostaria de se acomodar em uma de nossas cabines agora, ou deseja mais alguma coisa?

A garota sentia um pouco de fome, contudo, sabia que com o frio na barriga que estava sentido, não conseguiria comer nada sem passar mal depois. E de forma delicada, negou a oferta, devolveu o copo à uma das aeromoças e respirou fundo.

– No momento, temos apenas uma cabine com um lugar vago. Todas as outras estão lotadas. – uma mulher de cabelos coloridos analisava um pequeno dispositivo eletrônico, o qual era um pouco menor do que seu antebraço. Assemelhava-se a um tablet, contudo, extremamente fino e transparente como vidro. – Isso pode ser um problema para a senhorita?

– De jeito nenhum! – respondeu de pronto.

– Então, queira me acompanhar, por favor. – a mulher baixou o dispositivo e a guiou por entre as cortinas vermelhas do hall do avião, levando-a por um corredor largo cercado por portas de plástico coloridas. – Aqui está, cabine dez vermelha. – parou, dando passagem a garota. – Em cinco minutos decolaremos. Fique à vontade, senhorita. – com um sorriso simpático se despediu e voltou para as outras.

Lilith ficou encarando a porta vermelha, sem saber ao certo como deveria passar por ela, afinal, havia pessoas ali dentro que nunca vira na vida, como poderia simplesmente abrir a porta e ir entrando? Será que deveria bater antes?

Ela respirou fundo, deu duas batidas leves e entrou usando o seu melhor sorriso simpático para as cinco pessoas que a encaravam com o mesmo tipo de fisionomia para as boas-vindas.

– Oi! Será que eu podia me sentar com vocês? – pediu tímida. – É que o avião já está lotado e…

– Mas é claro que pode! – antes que Lilith pudesse terminar de falar, uma menina sentada perto da janela, respondeu.  – Meu nome é Beatrice Celanit e o seu? – ela tinha lindos olhos verdes, cabelos ondulados que caiam até próximo à cintura e exibia orgulhosa a vestimenta da Ave. Lilith também pode reparar, pelo reflexo na janela, que o vestido possuía um belo rendado com a imagem da Fênix.

– Eu me chamo Lilith Pontlagua! – se apresentou enquanto terminava de se acomodar no acento disponível.

– Não acredito você é a famosa Lilith! – uma garota sentada ao lado da Beatrice quase gritou surpresa. – A mesma que derrotou o wiccaniano Trivan? – espantada com a reação dela, Lilith apenas a encarou abobalhada e observou que ela estava vestida com a Fada, e pelo pedacinho do bordado que ela conseguia ver, talvez fosse uma Fênix também.

– Eu não sei… – conseguiu responder.

– Mas, você não é a Lilith Pontlagua? – Beatrice perguntou educada.

– Sim, sou sim. Mas, este está sendo um dos meus primeiros contatos com o mundo wiccaniano. Eu apenas descobri a minha origem há alguns dias. – explicou.

– Então, você sabe quase nada do nosso mundo? – Lilith confirmou com a cabeça. – Bom… Vou ter que fazer um intensivo com você! A começar pela história que a transformou em uma celebridade por aqui! – balançou os longos cabelos loiros, enquanto se mexia no banco para poder estender a mão para a novata. – Eu me chamo Karoline Delaflor!

– E eu sou o Hugues Wilker. – apresentou-se um garoto de cabelos castanhos claros, sentado de frente com Karoline. – Prazer em conhecê-la! – ele possuía a vestimenta da Serpente, com esforço, Lilith pode notar um Pégasos bordado atrás.

– Oi! – cumprimentou outro menino, sentado ao lado de Hugues. – Eu sou o Paullu Logan! – ele era bem parecido com Beatrice e trajava a roupa do Leão, que pelo detalhe escuro e mais grosso da parte de trás, Lilith supôs, ter um Pégasos bordado também.

– Nossa, eu não a imaginava assim… – comentou um garoto sentado ao lado de Paullu. Ele a analisava dos pés à cabeça. – Um o sonho de garota! – sorriu sedutor e lhe estendeu a mão. – Eu me chamo Gautry Stafre, ao seu dispor! – apesar do estupor causado pela surpresa e a timidez, Lilith notou que ele tinha a roupa do Dragão, provavelmente com um Pégasos bordado atrás. – Meu nome é complicado, mas pode me chamar de Gu, ou da forma como preferir.

– Oi para todos! – sentia-se quente e totalmente sem graça. A garota poderia jurar que estava mais vermelha do que a porta ou as cortinas daquela cabine.

– Atenção, senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante do vôo 1089, com destino a Fantasy. Vamos decolar em alguns minutos, estamos aguardando a autorização da torre. Obrigado por escolherem a nossa companhia e tenha uma ótima viagem.

Lilith sentiu o avião começar a andar pela pista, posicionando-se para a decolagem. Respirou fundo e sentiu a ansiedade dominar seu corpo novamente.

– Tem alguma outra companhia fazendo essa ponte entre São Paulo e Fantasy? – ouviu Beatrice perguntar.

– Até onde eu sei, não tem não. – Karoline respondeu em um tom incerto.

– Madames, por favor… – Paullu sorriu. – Não se iludam. Não há outra companhia. Não temos outra opção. Essa é somente uma fala padrão de todos os pilotos.

Logo em seguida o grupo começou um burburinho, onde um tirava sarro do outro. Até Lilith, apesar de toda a timidez e nervosismo, sentiu-se confortável e entrou no meio da brincadeira.

– Senhoras e senhores, recebemos a autorização para a decolagem. Por favor, apertem os seus cintos e mantenho as poltronas na posição vertical. Tenham todos um ótimo vôo.

Assim que o anuncio terminou, os tripulantes sentiram aquele frio na barriga característico. O avião começou a correr pela pista e em segundos já estava sem contato algum com o solo. A pressão e os chacoalhões iniciais fizeram com que tudo ficasse silencioso por alguns instante, sendo que apenas o som metálico do avião e das turbinas fosse ouvido.

O sorriso de ansiedade no rosto daqueles seis jovens, compartilhando a cabine vermelha, era a imagem mais marcante da primeira viagem de um wiccaniano para Fantasy.

 

 

guardias_da_fenix_comeco



{junho 3, 2013}   Conto de Dragões

(outra metade do capítulo…)

Capítulo 04

Amigos e Família… Sonhos e Tramas à parte!

 

 

– Mariane… Mariane… Acorda! – alguém a chacoalhava.

– Hm…?  Que…? – Mariane lutava contra o sono.

– Já chegamos. – Matheus já segurava seu material e o dela, esperando que ela levantasse logo.

– Já? – abriu os olhos e deu um pulo. – Nossa! – ela não havia percebido que tinha dormido tanto. Mais do que depressa se levantou, pegou o seu material com Matheus e saiu do ônibus, seguida de perto pelo amigo.

Os dois andaram lado a lado até o prédio no qual teriam aula. Mariane e Matheus estava no 2º ano de jornalismo. Em dois anos, Mariane tinha conseguido fazer amizade com quase a sala toda e com mais alguns universitários espalhados pela PUC.

Já Matheus, era um garoto extremamente introvertido, exceto com Mariane. Ele não ligava se não tinha muitos amigos, não precisava deles. Matheus julgava precisar apenas de Mariane e ninguém mais naquela universidade.

– Mariane, você parece mais cansada do que o normal. Aconteceu algo? – Matheus analisava o andar zumbificado da amiga.

– Matheus… Hoje é segunda, lembra? – esfregou os olhos de leve, tentando despertar um pouco mais. – Toda segunda eu estou mais cansada do que o normal.

– Não é isso. – ajeitou a mochila nas costas. – É que hoje, você parece mais cansada do que nas outras segundas.

– Hum… – aquela conversa a estava irritando. Não queria falar sobre o seu final de semana. Será que ele não percebia que ela estava evitando o assunto?

– Aconteceu algo?

– Ah… Sei lá Matheus. – ajeitou a alça da bolsa que estava escorregando do ombro. – Eu ajudei a minha mãe a faxinar a casa e fui no mercado… Deve ser por isso que pareço tão cansada assim. – estava cansada porque não tinha dormido bem.

Mariane havia pensado no garoto do mercado e no misterioso moço do telefonema durante boa parte de sua noite. E como se isso não bastasse, tinha voltado a sonhar com dragões.

– Virou doméstica, é?

– Não me zoa, Matheus! – acelerou o passo, tentando se afastar do amigo e assim fazê-lo desistir da conversa. – Não estou com um humor muito bom hoje…

– É… percebi… – Matheus ficou observando a amiga acelerar, deixando-o para trás e indo cumprimentar as outras garotas da sala.

– MARIANEEE!!! – uma garota de longos cabelos lisos e castanhos extremamente claros, cheios de mechas naturais loiras, corria na direção de Mariane com os braços abertos.

– Oi, Karen! – Mariane deu um passo para trás, se preparando para o impacto.

Quando estava próxima de Mariane, Karen deu um salto, caindo em cima da amiga, dando-lhe um enorme abraço. Mariane se firmou nas pontas dos pés, para evitar que as duas fossem ao chão e retribuiu o abraço exagerado.

– Boooom diiiiaaaa!!!!

– Bom dia… – Mariane soltou-se do abraço e colocou o material no banco mais próximo. – Você parece bem animada hoje. Fazia tempo que você não me cumprimentava assim. Ultimamente você anda tão sonolenta quanto eu de manhã… O que aconteceu Karen?

– Ah, Mariane… Meu final de semana foi PER-FEI-TO!! – Karen puxou a amiga pela mão e a fez sentar-se com ela no banco onde estavam os materiais. – Eu FINALMENTE consegui ir assistir ao filme que queria, fiz compras com algumas amigas, almocei e jantei fora todos os dias e o melhor é que eu conheci um garoto MA-RA-VI-LHO-SO no clube de Itatiba!

– Uau! Nossa! – era muita informação despejada de uma só vez e rápido demais para ela. – Eu pensei que você tivesse uma queda pelo Math… – Karen tampou a sua boca antes que conseguisse terminar de dizer o nome.

– Não fala alto! – sussurrou.

– Ué… Por que não? Se você já encontrou um garoto maravilhoso. Já deve ter se esquecido do Math… Digo… Dele, não é?

– Hum… Não! – deu um sorrisinho culpado. – Eu disse que encontrei um garoto maravilhoso, mas não perfeito! – deu um suspiro e colocou a mão sobre o peito. – E o seu amigo é o garoto mais perfeito que já conheci na vida! Alto, forte, pele bronzeada, cabelos negros, olhos azuis, musculoso, não é metido, gentil, inteligente, ah… Tudo de bom!

– Karen! Menos! – Mariane deu um tapa leve na nuca da amiga. – Primeiro, ele não tem cabelos negros. Eles são castanhos escuros. – fez o número dois com a mão. – Segundo… Ele não é tão musculoso assim não! E terceiro… – respirou fundo, como se tivesse acabado de expor uma lista gigantesca para a amiga. – Desde quando ele é gentil?

– Ah… Mas ele é gentil, Mariane!

– Nos seus sonhos…

– Não vai me dizer que ele não é gentil com você, né? – cruzou os braços, um tanto emburrada. – Ele só conversa com você, só faz favores para você, só brinca com você. Aliás… Ele faz TUDO por VOCÊ!

– Karen… Não exagera, por favor!

– É sério Mariane! Se ele fosse tão obcecado por mim quanto é por você… Com certeza eu seria a mulher mais feliz do mundo! E não estou exagerando!

– Você está exagerando sim!

– Tá,tá! É inútil discutir essas coisas com você.– Karen se aproximou da amiga. – Viu… Mudando de assunto… – apoiou-se no ombro de Mariane. – Você está meio estranha hoje. O que aconteceu?

– Nada demais… – deu um suspiro cansado. – Eu só estou cansada pela faxina que a minha mãe me obrigou a fazer em casa ontem.

– Certo… Certo… Se você não quer falar sobre isso, não vou insistir.

– Não é isso Kar…

– Vamos logo! – Karen se levantou bruscamente, interrompendo a amiga no meio da frase. – A aula já vai começar… Vamos ou perderemos a chamada! – puxou Mariane pela mão e as duas foram de mãos dadas até a porta da sala de aula. Karen tinha um sorriso alegre e animado no rosto, enquanto que Mariane tinha uma visível careta mal-humorada.

–\\\\–//–//–

– Andrey, o que você está fazendo? – uma garota de no máximo 20 anos entrava no quarto de Andrey sem ter se preocupado em bater na porta antes.

– Oi para você também, Pandora! – Andrey a encarou com um olhar hostil enquanto desligava o telefone e guardava alguns papeis na primeira gaveta de sua escrivaninha.

– Com quem você estava conversando? – sentou-se espalhafatosamente na cama.

– Não é da sua conta. – virou a cadeira para ficar frente a frente com ela, para se certificar que a garota não xeretaria nada do seu quarto.

– Que hostilidade! É assim que você trata a sua querida prima? – deu um sorriso cínico.

– Pandora, diz logo! O que você quer?

– Eu não posso ficar perto do meu priminho sem que ele pense que eu tenho segundas intenções? – fez um beicinho, fazendo-se de inocente.

– Pandora… Não estou com bom humor hoje.

– Está mal humorado porque te proibiram de ver a sua queridinha é?

– Pandora. – Andrey adotara um tom agressivo na voz.

– Tá, tá… – Pandora levantou da cama e caminhou pelo quarto. – Eu só vim aqui porque o tio me mandou… Sabe como é… – deu uma olhada furtiva para o primo. – Para certificar de que você não havia fugido ou… – ficou alternando o olhar entre o telefone e a gaveta da escrivaninha. – Se não estava aprontando nada…

– Se era isso, acho que você já pode ir embora! – Andrey levantou da cadeira e andou até a prima com a intenção de empurrá-la até a porta. – Você já se certificou de tudo o que precisava se certificar, não é?

– Não exatamente… – desviou dele e correu até a escrivaninha. Ela queria ver que papeis eram aqueles que ele tinha guardado tão furtivamente naquela gaveta.

– Pandora! – Andrey agarrou o braço da prima e a puxou para longe da gaveta.

– É sobre ela, não é?

– Não exatamente… – repetiu revirando os olhos. Não queria ficar dando explicações para ninguém.

– Andrey! – Pandora se jogou estrategicamente nos braços do primo, fazendo ambos caírem na cama. – O que ela tem que eu não tenho? – prensou-o no colchão com o próprio corpo, para evitar que ele conseguisse sair dali facilmente.

– Pandora… – Andrey colocou uma das mãos na testas, inconformado com a atitude infantil da prima. – Não é questão de quem tem o quê ou não tem. Não dá para comparar vocês duas. Seria o mesmo que comparar um morango com um gengibre.

Sem delicadeza alguma em seus gestos, Andrey colocou as duas mãos nos ombros da prima, empurrando-a, sem dificuldade, para longe do seu corpo.

– Eu não sei exatamente como ou o porquê. A única coisa que eu posso dizer é que ela me conquistou completamente. Estou mais do que fascinado por ela!

– Mas e eu?

– Eu também gosto de você…

– Tanto quanto gosta dela? – Pandora voltou a se jogar em Andrey. – Você gosta de mim do mesmo jeito que gosta dela?

– Claro que não! – Andrey fez uma cara incrédula. – Pandora, você é minha PRIMA!

– E daí? – ela fez uma cara emburrada. – Você sabe que na nossa raça é comum primos casarem entre si, para manter o poder da família forte no sangue durante as gerações.

– Eu não sou antiquado, nem tradicionalista. E realmente NÃO me agrada a idéia de me casar com a minha prima! – fez outra careta e a empurrou para longe novamente.

– Mas, Andrey, eu era a sua prometida antes dessa humana aparecer. – fez uma cara de nojo quando pronunciou a palavra “humana”.

– Você o era porque meu pai queria assim. – levantou do colchão e se afastou, antes que ela se jogasse para cima dele novamente. – Você sempre soube que eu era totalmente contra! Sempre nutri um carinho especial por você, mas jamais cheguei a amá-la mais do que como prima.

– Tá… E no futuro?

– Não Pandora. Nem no futuro eu conseguiria te amar assim…

Pandora suspirou cansada e se levantou da cama. Andou até a porta e ficou parada olhando para a maçaneta.

– Sabe… Eu também nunca cheguei a te amar desse jeito, mas não me importaria de me casar com você. – olhou para trás e deu um sorrisinho divertido para o primo. – Até que você é bonitinho, sabia? Não é de se jogar fora! Conseguir segurar você, não é tarefa fácil. Tenho pena daquela humanazinha. – riu do próprio comentário e saiu do quarto, sem encarar o rosto sério do primo.

– Humanazinha? Mariane jamais seria uma “humanazinha”! – sussurrava para si mesmo, com raiva da provocação da prima. – Ela é muito mais do que você será um dia. O caráter dela nem se compara ao seu, sua cobra venenosa! – continuava segredando enquanto ia até a porta fechá-la.

Andrey voltou a sentar na cadeira e ficou olhando para o telefone na sua frente. Queria ouvir a voz dela mais uma vez. Queria vê-la novamente. Queria senti-la de novo…

– Queria, queria, queria… São tantos queria! – deu um leve murro na escrivaninha, tomando cuidado para não quebrar nada e nem chamar a atenção de ninguém pelo barulho. – Eu quero tanto, mas não posso nada! Como isso me irrita! – mordeu o lábio, tentando controlar o tom de sua voz.

Não queria ultrapassar o som de um sussurro. Se desabafasse mais alto, alguém poderia escutá-lo e isso poderia lhe render mais um dia preso em casa.

Para tentar se acalmar, ele abriu a gaveta onde havia jogado todos aqueles papeis e os pegou. Deu uma olhada em tudo e deu um sorriso maroto.

Aqueles papéis eram documentos seus. RG, certidão de nascimento, CPF, titulo de eleitor, diploma de conclusão do ensino médio… Dados, dados e mais dados. Todos falsificados para tentar encobrir o seu verdadeiro eu e camuflá-lo como um humano comum.

– Pelo menos já resolvi tudo. – continuava a olhar todos aqueles dados. – Ainda bem que meu pai já havia providenciado esses documentos falsos para todos nós. Isso me poupou muito tempo, dinheiro e dor de cabeça. Facilitou bastante as coisas. – sussurrava feliz, lembrando-se de seu ultimo telefonema naquele dia. – Veremos quem irá me impedir agora… – e um sorriso esperançoso e ao mesmo tempo desafiador surgiu através de seus lábios.

 

 

conto_dragões



{maio 28, 2013}   O Destino da Escolha

(parte do capítulo…)

 

4º Capítulo

Busque pelo Sol, querida Lua…

 

 

Já passavam das três horas da madrugada, logo o sol apareceria no horizonte. Marcos achou melhor ir acordar Mayara para que esta o ajudasse a se esconder, já que o apartamento era dela e ele não saberia onde poderia se proteger dos raios solares.

Bateu na porta do quarto, mas ninguém respondeu. Bateu novamente, mas obteve a mesma resposta: o silêncio… Virou a maçaneta e viu que a porta não estava trancada. Hesitou por alguns segundos, olhando o vão aberto e a sua mão firme na maçaneta. Deu um longo suspiro e decidiu entrar.

O quarto estava escuro, mas isso não era um obstáculo para Marcos. Ele acendeu seus olhos com um brilho vampiresco e viu a imagem de Mayara deitada na cama dormindo tranquilamente. Olhou em volta e notou que ela já havia tirado a roupa jogada de cima da cama, deveria ter guardado ou colocado em algum outro lugar para poder lavar depois. Mas o que lhe chamou mais a atenção foi a janela do quarto. Ela estava totalmente vedada, de maneira considerada quase profissional, como se a pessoa que a tivesse vedado já houvesse feito aquilo muitas e muitas vezes na vida. A janela bloqueava qualquer feixe de luz noturna que tentasse entrar, deixando o quarto extremamente escuro. Provavelmente o bloqueio funcionaria para a luz solar também. Quando ela havia feito isso?

Sentou-se na beirada da cama, ao lado da mulher e começou a acariciar o seu rosto. Ela estava tão linda dormindo, não queria acorda-la, mas devido à situação, ele se sentia obrigado a despertá-la. Continuou a acariciá-la, de vez enquanto passando a mão pelo seu cabelo escuro e liso. Aproximou-se de seu ouvido e começou a chamá-la. Mayara finalmente abriu os olhos, despertando de um sono profundo e sem sonhos, e viu a silhueta do vampiro ao seu lado.

– O que você está fazendo? – sentou-se na cama tentando espantar o sono e passou a encará-lo um pouco surpresa com a presença dele ali.

– Desculpa, mas eu precisava te acordar. – ele apontou para o relógio digital ao lado da cama.

– Hum… – olhou para o relógio e depois se espreguiçou, dessa vez, espantando completamente a preguiça que ainda estava impregnada em seu corpo e mente.

– Bom… Aonde eu vou passar a manhã? – ficou de pé, evitando encarar o corpo delineado da mulher. Quando ela havia se espreguiçado, o pijama havia se aproximado mais da pele de Mayara, contornando seus traços e ele pôde perceber com maior clareza as curvas acentuadas do busto.

– Aqui mesmo no meu quarto. – ela levantou devagar, se acostumando mais com a escuridão do quarto e olhou para a cama. – Você quer que eu arrume a cama para você ou não se incomoda em dormir nela desarrumada?

– No seu quarto? Tem certeza? – ele havia deixado a imagem do pijama colado ao corpo de Mayara de lado e se aproximou dela ainda um pouco surpreso com o fato de que, realmente, ela havia preparado o quarto para ele.

– Por acaso consegue supor algum outro cômodo mais adequado, vampiro? – cruzou os braços e passou a encará-lo, esperando por alguma resposta.

– Não… – ele não gostava de ouvi-la chamá-lo de vampiro. Odiava vê-la fria com ele. – E não se preocupe. Pode deixar a cama exatamente como está!

– Então tá! – descruzou os braços e ajeitou o cabelo ainda bagunçado pelas horas de sono. – Precisa de alguma coisa?

– Não. Já tenho o suficiente. – deitou-se na cama. – Obrigado, humana! – colocou os braços para trás da cabeça e fechou os olhos.

Mayara sentiu um leve desconforto. Odiou ser chamada daquele jeito pelo Marcos. Havia percebido o quanto era duro para ele quando ela o chamava de vampiro. Mas, resolveu fingir que nada Havaí sentido com aquilo, como se aquele tratamento já fosse normal entre eles. Ela não daria o braço a torcer. Era orgulhosa demais!

– O que foi? Vai ficar aí parada me encarando, é? – Marcos a espiava com apenas um dos olhos.

– Não seja grosso comigo! – aproximou da cama o encarando nervosa. – Estou arriscando a minha vida e a vida de todos que me conhecem ajudando você! Mostre ao menos um pouco de respeito para com a minha pessoa, vampiro! – assim que terminou de ouvi-la, Marcos sentou-se rapidamente na cama e a encarou irritado.

– E você acha que já não faltou com respeito comigo, humana? – ficou de pé e se aproximou dela, andando em círculos ao redor de Mayara. – Aliás, se você sabia que correria tantos riscos assim e envolveria pessoas inocentes. Por que, diabos, você foi atrás de mim para me ajudar?

– Porque eu quis! – aumentou o tom de voz, exasperada com a situação. – Ou ainda não conseguiu perceber isso? – se afastou do vampiro e encostou na janela toda vedada. Fechou os olhos e tentou controlar as batidas do seu coração. Respirou fundo e voltou a encará-lo um pouco mais confiante. – Melhor deixarmos isso de lado… – desencostou-se da janela, pegou algumas peças de roupa e foi até o banheiro, batendo a porta.

Marcos voltou a se deitar e aproveitou o momento de solidão para pensar um pouco. Havia várias coisas que o estavam deixando intrigado… Ele não entendia o porquê que Mayara se arriscava tanto por ele, o porquê que ela já tinha tudo planejado para a chegada dele e por que aquela mulher o deixava assim… tão alterado.

– Aaaaaaaah!! Mas que mulher mais complicada! – socou o travesseiro. – Maldita seja Mayara Campelli!!!

– Maldito seja você, Marcos Ac’Daro. – disse calmamente em resposta quando saiu do banheiro já trocada. – Se precisar de algo é só me chamar. Estarei na sala até o meio dia, depois desse horário terá que se virar.

– Aonde vai? – estreitou os olhos enquanto a encarava.

– Almoçar com minha irmã. E tenha uma boa manhã, vampiro! – saiu do quarto e fechou a porta. Deixando Marcos sozinho em seu quarto, protegido dos raios solares que, dentro de alguns instantes, apareceriam.

 

 

o_destino_da_escolha



et cetera
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