World Fabi Books











Strange Angels

 

Autora: Lili St Crow

 

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“Meu pai? Um zumbi. Minha mãe? Morreu faz tempo. Eu? Bem… Essa é a parte assustadora.” – trecho da sinopse oficial do livro.

 

 

Strange Angels é o primeiro livro de uma série de mesmo nome. A escritora Lili St Crow começa com uma “vibe” que lembra o empolgante seriado Supernatural. Afinal, ler sobre uma história que tem como personagem principal uma adolescente órfão de mãe, cujo pai caça “monstros” ao redor dos E.U.A. dificilmente não faria os leitores relacionarem com a série.

No entanto, as semelhanças param por aí!

Meu primeiro contato com Strange Angels foi… “Inusitado”! Peguei a edição em português e comecei a esbarrar em atrocidades e assassinatos cruéis da nossa língua! Eu tinha calafrios toda vez que eu lia algo como “” no lugar de “você”. Eu sei que nas minhas conversas pela internet eu uso muito o “vc”, abrevio algumas palavras, uso a letra “k” mais do que eu deveria, contudo, não estou redigindo um livro! São conversas com amigos próximos. Jamais faria tal coisa em uma conversa formal e, principalmente, no momento de escrever uma obra literária que, por ventura, viria a ser publicada e lida por milhares de brasileiros!

O que me acalmou foi perceber que no original não há esse tipo de “gíria”. Meu segundo contato foi com a versão em inglês, a qual me tranqüilizou consideravelmente. Não me considero uma pessoa rigorosa com a língua portuguesa, eu mesma cometo muitos erros esdrúxulos! Contudo, o que eu encontrei na versão brasileira da série, quase me fez sentir uma punhalada no coração a cada “gíriazinha”! Assim sendo, recomendo que os livros de Lili St Crow sejam lidos, se possível, em suas versões originais.

Enfim… Voltando ao enredo…

Dru Anderson, a protagonista da ficção/fantasia, tem 16 anos e – como vocês já devem ter percebido – uma vida muito pouco comum. No começo da história, Dru se mostra descontente com a vida de “mudar de cidade constantemente” e “ser sempre a garota nova”.

Além de ter perdido a mãe muito cedo, Dru também perdeu sua avó, que a criou depois da morte de sua mãe. Isso faz com que ela valorize muito a presença do seu pai e seja muito ligada a ele. O que acaba sendo um grande problema, pois ele vive arriscando a própria vida durante a caça seres do chamado Mundo Real – são djamphirs, zumbis, lupinos, etc – sempre em busca do assassino da esposa. De vez em quando, seu pai a leva para ajudar, já que Dru tem o que a avó chamava de “o toque”, uma sensibilidade mais aguçada ao sobrenatural, um dom que a ajuda sentir presenças do mal.

Mas, Dru se vê sozinha, quando, em uma noite, o seu pai volta “diferente” de uma caçada, situação que a obriga a exterminá-lo com as próprias mãos. Embora eu ache que o que realmente a perturbou foi a forma como ela descobriu que seu pai estava morto.

Só no mundo e com um milhão de perguntas na cabeça, ou melhor, desamparada numa cidade estranha com um monstro poderoso o suficiente para transformar o seu pai, Dru conhece o “gótico-asiático” Graves, que se mostra um bom amigo mesmo quando sua própria vida está em risco.

Além do mais, diga-se de passagem, risco é o que não falta nesse livro! Dru, Graves e um djamphir (que logo irei mencionar aqui) vivem em constante estado de alerta, estão sempre esperando a próxima tragédia que irá acontecer.

Aliás, o que eu acho cômico na personagem Dru é o fato de Crow a ter criado como uma “heroína inicialmente relapsa”. Ela vai desenvolvendo o seu “caráter de justiceira e/ou guerreira”, ele não surge apenas num virar de páginas. Por exemplo… Há uma criatura do mal, totalmente bizarra atrás dela? Dru não a encara de peito aberto, pelo contrário, no começo ela treme de medo. O mundo está acabando? Ela, simplesmente, sente a incontrolável vontade de fazer xixi!

Dru passa quase o livro todo tentando se salvar e, ao mesmo tempo, buscando o mistério por trás do que aconteceu com seu pai e, consequentemente, com sua mãe também. Afinal, se estavam atrás dele é possível que estejam atrás dela, não é? E nessa jornada perigosa em busca de respostas temos o prazer de encontrar Christophe, um misterioso e lindo djamphir (aquele que eu disse que logo iria mencionar). Christophe se torna uma espécie de anjo da guarda enigmático. Para a infelicidade de muitas leitoras, ele aparece pouquíssimo nesse livro, porém, em minha opinião, esse djamphir possui uma grande importância para a história.

A história se desenvolve num ritmo médio, quase devagar. A autora passa muito tempo repetindo que Dru queria um adulto que comandasse a situação, pois não sabe o que fazer. Mas, como já disse, ela é uma boa protagonista.

Os outros personagens do livro: Graves e Christophe, dão um certo balanço na personalidade e nas aventuras de Dru. A ligação que eles desenvolvem ao longo do livro, principalmente entre a garota e o gótico, é muito crível e envolvente.

A mitologia que Lili St. Crow criou/pegou emprestada para o livro coube como uma luva para os personagens e situações que vão aparecendo. Ou seria o oposto?

Pode-se dizer que a ideia de Crow para o enredo chega a ser original, pois não é comum de se ler autores populares que utilizam criaturas e contos do Folclore do Leste Europeu ainda não explorados.

O que, aparentemente estragou uma ou outra surpresa durante a leitura, foram algumas notas do tradutor que explica mais do que deveria, já que é obvia a intenção da autora em deixar os leitores confusos para depois esclarecer o enigma mais à frente no enredo, o que pode interferir no bom andamento do livro.

No geral, Strange Angels é um bom livro, não é nada surpreendente de início. Mesmo com toda a ação e de uma protagonista “real”, o Strange Angels é uma obra extremamente introdutória à série. No entanto, da metade para o final a história ganha ritmo e fica bem mais interessante. Portanto, para quem gosta de um enredo sobrenatural com muita ação e nada de vampirinhos fofinhos que brilham, Strange Angels é uma ótima dica!

 

 

 

 

 

 

 



Dezessete Luas

 

 

 

Autoras: Margaret Stohl e Kami Garcia

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Juntos, Ethan e Lena podem enfrentar qualquer ataque de Gatlin. Ao menos era assim que funcionava antes de Lena sofrer uma perda trágica e começar a se afastar e gaurdar segredos que estão testando o relacionamento. E agora que Ethan abriu os olhos para o lado negro de Gatlin, não há como voltar atrás. Assombrado por estranhas visões que somente ele consegue ver, Ethan vai sendo puxado cada vez mais para dentro da história confusa de sua cidade.– Sinopse do site da editora Galera Record.

 

 

Dezessete Luas é o segundo livro da série Beautiful Creatures, cujo tema sobrenatural aborda uma mitologia bem diferente da que normalmente vemos, visto que foi quase totalmente criado pelas autoras, as quais transformaram as noções básicas de seres sobrenaturais em algo quase completamente novo..

O livro, assim como o primeiro (Dezesseis Luas), é narrado por um menino e isto muda muito o foco dentro do romance. A evolução do enredo é mais lenta e a obra não é cheia de ação, os eventos vão acontecendo com mais naturalidade. No entanto, nesse segundo volume eu achei que tudo aconteceu devagar DEMAIS! Além de ver uma versão muito “emo” e “revoltada” das personagens.

Por mais que, mais para frente na trama, você descobre que essa versão um tanto “deprimida e de ódio a tudo” tem um porquê interessante, achei cansativo lê-la, pois o motivo demora muito a aparecer e você se vê preso em um “ser ou não ser” longo.

Contudo, apesar desse ponto negativo, eu achei o livro muito curioso e cativante, já que se trata de duas escritoras narrando através dos olhos de um garoto (Ethan). Sem mencionar que o mundo criado para a obra é fascinante.

Na continuação de Dezesseis Luas, o namoro de Ethan Wate e Lena Duchannes está, MAIS UMA VEZ,  ameaçado! Com a aproximação do décimo sétimo aniversário de Lena tudo parece estar errado, uma morte inesperada a abalou e o seu medo de pertencer às Trevas volta a tona. E, como se não bastasse, o pavor de poder machucar Ethan cresce ainda mais e faz com que os dias fiquem novamente difíceis para o casal.

Com a chegada de John Breed (um carinha até então desconhecido) e a volta de Ridley (a prima das Trevas), nasce uma nova insegurança em Ethan de perder a sua Lena. Além desses quatro, podemos contar com a participação de Link (melhor amigo de Ethan) e da “nova amiga” Liv (Olívia).

Nessa obra você acaba conhecendo um pouco mais do misterioso mundo Conjurador (criação das escritoras), a medida que os personagens vão entrando cada vez mais fundo dentro dele. Fica muito claro que muita coisa mudou desde o décimo sexto aniversário de Lena (referente ao primeiro volume: Dezesseis Luas)…

Eu recomendo o livro tanto pela mitologia e o mundo criados pelas autoras, quanto pelos protagonistas da série (apesar do forte e marcante sentimento “emo” dessa continuação).

Os personagens são encantadores, até mesmo alguns vilões cativam! O enredo meio “bruxas” me cativou e gostei deste suspense leve que acontece no decorrer da série, mesmo que a narrativa tenha ficado um tanto devagar. De qualquer forma, é obviamente uma série que pode não agradar todo mundo,porém, acho que vale a pena ler Dezessete Luas pelo caráter diferente e pela escrita.

 

 

 

 

 

 



Documentário sobre Lendas Urbanas, desenvolvido como nosso projeto experimental na PUC-Campinas.

Um dos principais intuitos do documentário é mostrar o quanto as lendas urbanas podem influenciar a mídia e vice-versa. Ou seja, algumas lendas são tão marcantes e populares que acabam por entrar na pauta de alguns veículos midiáticos, devido à forte preponderância que pode causar no cotidiano das pessoas.

E, por sua vez, algumas reportagens podem ser tão impactantes a ponto de mexer com o imaginário popular e, por sua vez, influenciar no nascimento de algumas lendas urbanas.

 

Se interessou? Quer entender melhor? Ficou curioso?

 

Então, confira o documentário Por Trás das Lendas Urbanas, no qual você poderá conferir alguns exemplos do que disse acima e entender melhor o fato:

 

 

Documentário sobre lendas urbanas produzido como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) pelas jornalistas:

* Ana Carolina de Carvalho
* Beatriz Jorge
* Carolina Marialva
* Débora Barduchi
* Fabiane Zambelli de Pontes

(Editor: João Solimeo / Quadrinhos: Bruno Zequim / Orientadora: Ivete Cardoso Roldão)



{setembro 2, 2011}   Conto de Dragões

Capítulo 10

Crianças não devem falar com estranhos!

– Bart? – Samantha tremia de frio.

Jamais deveria ter aceitado ir até ali. Seus lábios estavam começando a ressecar e a rachar. Seu rosto estava gélido por causa do ar traiçoeiro e frio que entrava pela janela aberta do carro e ia diretamente para sua cabeça.

Se ele demorasse mais dez minutos, ela daria partida no motor do veículo e sairia dali sozinha, sem se importar com o imprudente do Bart. Eles podiam se amar muito, mas, este amor não justificava abandoná-la ali e ainda ter que aquentar sozinha o frio do carro. Ela preferia que fossem passar a noite no apartamento dela. Lá, pelo menos, era mais quente e seguro.

Ela e Bartolomeu estavam fazendo oito anos de namoro e ele a tinha pedido em casamento. Para comemorar o noivado, eles almoçaram no famoso e belo restaurante Weiner e, para finalizar o dia, ir realizar o jantar no romântico motel de época, o Excalibur.

Assim que haviam entrado e parado na entrada do estacionamento, um homem lindo e loiro batera na janela do motorista, assustando o casal. Bart tinha abaixado o vidro para ver o que o rapaz desejava e acabara sentindo um arrepio percorrer-lhe a espinha.

Será que havia feito o certo ao abrir a janela? Se ele houvesse contado para sua noiva o que havia sentido, com certeza, ela não estaria mais ali, esperando por ele. Samantha estaria longe daquele estacionamento e a policia estaria à caminho.

O loiro de olhos com tons cinzas apenas queria que o ajudassem com as luzes do estacionamento e com o registro da placa do carro. Ele afirmava que era novo ali e ainda não sabia lidar direito com o trabalho.

O rapaz se atrapalhava em seus afazeres, esquecendo de anotar as placas dos veículos que chegavam ali e se confundia no momento de acender as luzes do lugar, para que o motorista pudesse estacionar melhor e corretamente na vaga que ele deveria indicar, se pudesse enxergar algo também.

Para ajudar o loiro, Bart havia saído do carro e pedira para que Samy esperasse ali dentro. Contudo, já fazia mais de meia hora que os dois haviam desaparecido na escuridão do estacionamento e, para piorar a situação, o seu noivo não atendia ao celular, como sempre o fazia. Parecia que Bartolomeu nunca ouvia o celular tocar e nunca o sentia vibrar também. Entretanto, Samantha estava começando a ficar nervosa e gelada.

O que fazer? Descer do carro e ir atrás de Bartolomeu e do lindo homem de olhos acinzentados? Ficar ali, ligar o carro para subir o vidro e esperar por eles? Subir na recepção e perguntar pelos dois? E se o loiro fosse um assassino e Bart já estivesse morto? Deveria sair dali e deixar o noivo imprudente, e supostamente assassinado, para trás? Deveria, realmente, ligar para a polícia? Sâmara não sabia o que fazer… Por ora, ela aguardaria pelos dez minutos e veria o que iria acontecer, e, somente depois, tomaria a decisão necessária.

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– Mariane, nós chegamos… – Andrey sussurrava gentilmente no ouvido da garota.

Até mesmo a mulher mais cegamente apaixonada por outro, com aquela voz doce e quente, poderia deixar de pensar em seu amado e sonhar, por alguns instantes, com o dono daquela voz tão máscula.

– Hm…? – a luz a estava incomodando.

O que estava acontecendo? Estava sonhando com ele mais uma vez? Aquele sussurro, mesmo dormindo, a fazia arrepiar-se inteira.

Ela amava aquela voz e acreditava que estava realmente sentindo algo pelo dono dela, só não tinha coragem de dizer exatamente o que estava sentido, pois aquilo tudo era novo para ela, nunca havia se apaixonado por alguém tão rápido. Será que amor à primeira vista verdadeiramente existia?

– Acorde Mariane… – sutilmente acariciou-lhe o rosto rosado pelo frio.

O toque dele sobre a pele dela causou um frisson em ambos. Um dragão sentia prazer ao tocar a pele morna de uma humana. E uma humana adormecida, por mais improvável que pudesse ser, conseguia se sentir estranhamente atraída por aquele toque.

– Hã…?

Ela ouvira direito? Aquela voz deliciosa a havia pedido para acordar? A garota ainda não tinha assimilado o fato de que estava dormindo e que aquela voz não parecia um sonho. Mariane, de olhos fechados e sem saber ao certo o que estava acontecendo ali, achava intrigante sentir o corpo aparentemente deitado em algo confortável e quente. Não estava, antes, sentada?

– Se você não acordar, eu vou beijá-la, minha bela adormecida! – Mariane ouviu-o sorrir enquanto falava e resolveu, por instinto, abrir os olhos.

Ela não o fizera por causa da ameaça de ser beijada, não se importaria se ele o fizesse, mas, ela acordara, por impulso, para poder ver aquele típico sorriso maroto que ele parecia sempre dar.

– Onde estou? – olhou ao redor, desviando-se propositalmente dos olhos dele.

Por causa da presença marcante do dragão ao seu lado, ela não se sentia sonolenta, como freqüentemente ocorria logo depois que acordava. No entanto, quanto mais observava o lugar, mais pasma e aturdida se sentia com a surpresa.

– Como viemos parar no meu quarto?

– Eu te trouxe até aqui… – abriu a mão e mostrou a chave da casa pendurada no dedo médio. – Não se preocupe! Eu tranquei o carro e a porta da frente. – sorriu divertido com a expressão atônita dela.

– Porta da frente? Que horas são? – arregalou os olhos e olhou para a porta do quarto fechada e depois para o seu relógio de pulso.

Era quase uma hora da manhã. Sua família deveria estar dormindo, mas a sua mãe tinha um sono muito leve e geralmente acordava quando ela chegava em casa.

– Meus pais! Eles não te viram? E o meu irmão?

– Calma! Ninguém nos viu.

O garoto colocou, calmamente, a chave sobre a cama, ao lado da do carro e da bolsa, e se acomodou melhor em sua posição. O tempo todo em que estivera tentando fazer Mariane acordar e até aquele momento ele havia permanecido agachado ao lado do colchão.

– Nem seus pais, nem seu irmão e, caso você também queira saber, nem suas cadelinhas acordaram. – viu-a suspirar de alivio e sorriu. – Aliás,…

Andrey começou a mexer em uma mecha do cabelo da garota que estava caída para fora do travesseiro. Aquela atitude tão inocente gerava descargas elétricas que percorriam o corpo da garota.

– Você deveriam trocar o aparelho do alarme. – ajeitou a madeixa perto das demais, no topo da almofada de penas de ganso. – Quando fui desligá-lo para entrar e ligá-lo depois, ele não me pediu senha alguma. Em nenhum dos dois momentos, nem para desligar e nem para ligar! – atuou uma fisionomia de desaprovação. – É muito fácil para qualquer um entrar na sua casa e desligá-lo!

– Eu sei… – ela não sabia ao certo o que dizer. – Você não sabe como é prazeroso levar bronca de um dragão. – resolveu brincar um pouco para dar um ar de descontração àquela circunstância inusitada.

– Não é exatamente uma bronca. Mas, se quiser considerar assim, fique à vontade! – sorriu junto com ela, se divertindo. Como aquela garota conseguia tirar sarro da situação, mesmo quando estava perplexa e confusa?

– Quando eu dormi? – piscou os olhos algumas vezes, tentando afastar o atordoamento que ainda sentia.

– Assim que eu virei a primeira curva… – respondeu sem deixar de rir baixo.

Mariane descobriu, naquele momento, que realmente amava os sorrisos marotos e o som das risadas que ele dava. Porém, mesmo sentindo-se bizarra e interiormente feliz com aquele riso baixo que ele havia acabado de dar, ela sentia que alguma coisa estava errada. Se ela havia dormido o caminho todo, como ele tinha chegado até ali sem referência ou guia algum?

– E como você soube chegar em casa sozinho? – sentou-se na cama, sendo observada pelos olhos atentos de Andrey.

Da maneira como os movimentos do garoto eram cautelosos perto dela, Mariane tinha certeza de que ele acreditava que ela fosse desmaiar ou se desequilibrar a qualquer instante. Claro que ela sentia-se um pouco zonza e que geralmente era uma estabanada sem um senso normal de equilíbrio, mas, Mariane não era uma mulher tão frágil e desamparada do jeito que ele pensava que ela o era!

– Eu já sabia o caminho para a sua casa… – olhou para o teto, como se de repente o ventilador se tornasse algo completamente interessante.

Ele tentava não olhar para a cara incrédula de Mariane. Como ele poderia explicar para ela que ele a seguia e observava quase todos os dias, sem deixá-la com uma péssima impressão dele?

– Sabia, como? – puxou o rosto dele para ela. Queria que conversassem olhando um para a cara do outro. – Andrey, você andou me espionando? – seu tom de voz soava descrente e irritado.

– Hum… Um pouco… – confessou fazendo uma cara de receio e temor pela reação dela.

– Um pouco? Até onde você andou me espionando? – balançou a cabeça negativamente. – Não! Esquece! Não me responda, senão vou ficar ainda mais nervosa! – respirou fundo e o encarou embravecida. – Por que fez isso?

– Eu precisava, digamos, conhecer melhor a mulher humana com que eu tenho uma compatibilidade… – continua com a mesma fisionomia de receio e com gestos arredios.

– Então, não era mais fácil ter vindo conversar do que ficar me espionando e jogando comigo? – agora o seu tom de voz não era mais irritado, e sim, enfurecido.

Por mais que os joguinhos houvessem sido interessantes de um certo ponto de vista, Mariane se revoltava só de pensar que serviu como peça em uma brincadeira de alguém, mesmo que esse alguém fosse o senhor deus grego agachado na sua frente.

– Minha família me proibia de chegar perto de você. Eles tinham medo que eu a assustasse e as coisas acabassem se prejudicando para o nosso lado. Eu precisava fazer as coisas escondidas. – se justificou, mudando a  fisionomia para uma expressão infeliz, que lhe atribuía um ar de “pobre coitado”. O intuito era fazê-la sentir dó e não raiva dele.

– E como a sua família acha que eu poderia prejudicar vocês? – cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.

– Você poderia denunciar a nossa existência, sabe… Os humanos poderiam nos ver como ameaças também e tentar nos destruir… Essas coisas…

Ele, propositalmente, omitiu a parte que se referia a guerra. Que ela seria uma peça importante para a batalha e, por isso, precisavam dela ao lado deles. Contudo, Andrey julgou que aquele não era o momento certo de revelar aquilo para Mariane.

– E vocês não são uma ameaça? – perguntou desconfiada.

Ela sabia que eles não poderiam ser uma ameaçar a julgar pelo Andrey, mas, ela suspeitava que ele estava escondendo algo dela. A ultima resposta que o dragão dera, lhe soara incompleta.

O som da voz dele falhara levemente enquanto falava. Tinha alguma coisa ali que estava sendo escondida dela. Entretanto, Mariane resolvera dar continuidade à conversa. Depois ela descobriria o que ele estava omitindo dela.

– Claro que não! – respondeu como se estivesse ofendido com a pergunta.

Porém, ele sabia que Mariane era uma garota prudente no que se referia à pessoas recém conhecidas. E isso seria bom para ela futuramente, caso mais alguém resolvesse se revelar para ela assim como ele o fizera.

– Achei que o meu rostinho lindo, o meu corpo definido e a minha contagiante personalidade a houvessem convencido disso. – brincou com ela enquanto se sentava ao seu lado na cama.

– Você se acha muito, não é? Nem sei como o seu ego cabe aqui dentro do meu quarto. – deu-lhe um empurrão com o ombro e depois pousou a mão no peito, fingindo sufocamento. – Acho que é por isso que estou zonza. O seu ego deve estar ocupando o lugar do oxigênio. Devo estar sufocando por causa dele!

– Sei, sei… – riu da encenação dela. – Sua fingida! – começou a cutucá-la. – Até parece que você não se derreteu toda por mim.

– Mas, é claro que não! – riu em deboche. – Já vi melhores!

– Agora você me ofendeu garota! – cruzou os braços em um gesto aborrecido. – Você me colocou no mesmo patamar dos meros garotos humanos que você conhece…

– Não… – sorriu espirituosa. – Eu o coloquei no mesmo patamar dos demais dragões que conheço.

– Até parece… – a encarou com o canto dos olhos. – E quantos dragões a senhorita pensa que conhece? Nenhum!

Mariane o encarou com um olhar misterioso e ao mesmo tempo intrigante para Andrey. Ela movimentou os lábios, sem emitir som algum, e pronunciou a palavra “bingo”. Levantou-se da cama e sorriu brincalhona para o dragão. Era exatamente o que ele havia entendido. Ela não conhecia mais nenhum dragão além dele, portanto, não poderia haver melhores. ELE era o melhor!

O garoto continuou sentado no colchão, encarando-a admirado. Como ela conseguia jogar com ele daquele jeito? A garota era a melhor humana que ele já havia visto e conhecido. Aliás, ela era muito melhor do que muitas de sua própria espécie também. E o que o garoto julgava ser o mais perfeito de toda a história, era o fato de que ela pertencia somente a ele! Agora sim, Andrey tinha certeza absoluta do motivo da ligação. Finalmente, ele tinha confiança no que estava sentindo por ela.

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A raiva parecia crescer dentro dele. Matheus queria acreditar que tudo aquilo era uma brincadeira que sua mente estava lhe pregando. O garoto desejava estar vendo coisas.

Com certeza, fora a própria Mariane quem havia dirigido até a casa. Era ela quem havia saído do carro e passado, andando sozinha, por aquela porta, e não nos braços de um garoto. Não havia Andrey naquela história. Não existia garoto insolente algum ao lado dela a noite toda. Mas, infelizmente, não era essa a verdade.

Matheus parou a moto no meio fio, do lado da calçada oposta à da casa de Mariane. Desligou o veiculo e retirou o capacete sem pressa alguma. Ele queria ter certeza do tempo que aquele tal de Andrey ficaria na casa dela. E, se por acaso, ele passasse a noite inteira lá dentro, o irrefreável e irredutível Matheus também ficaria por ali. O garoto com espírito de caçador sentia que seria completamente capaz de fazer isso, virar a noite naquela rua fria e ficar de tocaia.

(começo do capítulo 10 do livro: Conto de Dragões / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



{julho 28, 2011}   Kanite World

1º Capítulo

Kanite World

Uma Era oculta pelo tempo… Jamais foi descoberta e o seu mistério nunca foi estudado e desvendado. Os poucos que sabem de sua existência não têm coragem de confessar. Estes temem que esta informação possa trazer ruína à fragrância desta Era, ou… Levar destruição à mente daqueles que não estão preparados a acreditar.

Mas eu… Eu não temo ruína alguma e muito menos a destruição! Afinal… Eu sobrevivi a elas uma vez e posso sobreviver de novo, porém… Vem de você julgar se está preparado ou se quer arriscar, a responsabilidade será apenas sua, já que, agora, eu sou apenas a mensageira.

Caso queira realmente saber sobre esta Era tão maravilhosa para uns e tão tempestuosa para outros… Preste atenção ao que vou revelar…

Como já disse… Não temo a ruína e nem a destruição porque… Já sobrevivi a elas… Afinal… Eu era uma Kanite Girl!!! (Kanite Girl!!!)

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Há muitos séculos atrás, existia uma Era, uma Era diferente de todas as que já vimos em livros de história ou que já tenham sido presenciadas por qualquer ser vivo…

Muitas criaturas, que seriam fictícios para nós, passaram por ela, ou melhor, nasceram e morreram nela. Youkais (demônios animais), vampiros, zumbis, druidas, feiticeiros, magos, bruxas, fadas, dragões, duendes, anjos, mutantes (humanos e animais com poderes ou com qualquer outra característica que não possa ser explicada pela ciência dos simples mortais), guerreiros, caçadores de todos os tipos (de recompensas até os de vampiros), encantadores, videntes, amazonas, diabretes, demônios, domadores, sereias, elfos, shamans, deuses, ladras, wiccas, guardiões e muitos outros que conseguiram mudar a história, com uma simples frase, uma frase muito proferida por quem viveu aquela Era: “Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!” (“Luto porque vivo, amo e sonho… Eu sonho, amo e vivo porque luto… Se não lutasse… Estaria desistindo de tudo isso, do amor, dos sonhos e da vida!”).

Ela era uma Era Mágica, mas não só por causa de seus seres, mas por causa de sua essência! Esta a qual lhes falo é a Era de Kanite! (Kanite !)

Ela havia nascido através da união entre quatro grandes Deuses. Estes Deuses representavam os quatro elementos que sustentam a vida e grande parte do universo: água, fogo, terra e ar. Os deuses da água e do ar eram mais conhecidos como os Deuses Celestes, e os da terra e do fogo, como os Deuses Terrestres. Esta classificação veio, originalmente, de seus elementos, pois o ar e a água (em forma de vapor e chuva) podem alcançar os céus, já a terra e o fogo não conseguem, mas são imensamente poderosos em terra firme.

Com o passar dos tempos, os Deuses Celestes, Elgards (Elgards – Deus do Ar) e Medina (Medina – Deusa da Água) casaram-se. Logo após, os Deuses Terrestres, Golbery (Golbery – Deus da Terra) e Liandra (Liandra – Deusa do Fogo), também se uniram em matrimonio. E destes casamentos originaram-se seus filhos: os seres que habitavam Kanite World.

Medina e Liandra eram mais poderosas do que Elgards e Golbery, mas eram apaixonadas demais por seus maridos, portanto, eram facilmente manipuladas por eles. Como Golbery e Elgards sabiam disto, aproveitaram-se desta franqueza de suas esposas e as usaram para fazerem o que quisessem e satisfazer seus desejos. Estes dois Deuses tinham ambições nefastas e fariam com que apenas suas mulheres sujassem as mãos e o orgulho com a cobiça sinistra deles mesmos.

Mas, depois de alguns anos, praticamente trabalhando para seus conjugues, Liandra e Medina descobriram as verdadeiras intenções de seus maridos e os puniram, exilando-os de Kanite World.  Assim, elas decidiram controlar tudo sozinhas, mas logo viram que a responsabilidade era grande demais e começaram a se perguntar se haviam feito o certo ao expulsa-los. Dessa forma, as Deusas, mais uma vez, se mostraram vulneráveis e os dois Deuses se aproveitaram da ocasião e voltaram.

Controlando-as novamente, ludibriaram-nas e as fizeram com que lutassem até a morte para ver quem governaria Kanite World. Eles desejavam que ambas se matassem na luta para que assumissem o controle total daquele mundo. Porém, felizmente, nos tempos próximos da terrível batalha divina, As duas iludidas Deusas descobriram a verdadeira intenção daqueles ambiciosos Deuses. Contudo, elas haviam conseguido impedir suas próprias mortes, mas já era tarde demais para impedir outras, pois… Seus preciosos filhos estavam lutando entre si e mais nada poderia impedi-los.

Por causa de tanta desgraça, dor e sofrimento, decidiram se lacrar dentro de um templo, junto de seus ex-maridos, para que dessa forma, elas se vingassem e batalhassem contra eles sem envolver mais inocentes.

Antes de entrarem no templo, ambas as deusas lançaram sobre suas filhas, a consciência sobre suas franquezas em relação aos homens, fazendo com que pensassem três vezes antes de se apaixonar por um.

Mesmo se lacrando, a guerra continuou e envolveu a todos, sem exceções… Era uma guerra pela vida ou pela morte, aquele que perdesse deixaria de viver, amar e sonhar!

Enquanto Liandra e Medina batalhavam dentro do templo com Golbery e Elgards, seus filhos celestes batalhavam contra seus filhos terrestres, por um motivo que nem eles mesmos sabiam direito qual era.

Mas… Assim que os quadro grandes Deuses ficaram lacrados, surgiu uma lenda deixada pelas duas sofridas mães divinas. Esta lenda proferia poucas palavras para aqueles que haviam sido deixados no mundo exterior, batalhando: “Assim que a predestinada se revelar… A guerra acabará”. (“Assim que a predestinada se revelar… A guerra acabará”).

Com o tempo, muitos homens morreram, fazendo com que o número de mulheres aumentasse e como poucas conseguiam se apaixonar, não havia muitos casais para perpetuar a espécie. Dessa maneira, a maioria dos homens começou a ver a verdadeira importância e essência feminina, fazendo com que se apaixonassem verdadeiramente por elas, mas, infelizmente, elas haviam se transformado em seres extremamente difíceis para se apaixonar, amavam suas famílias e semelhantes, entretanto… Não amavam facilmente um homem.

Mas a predestinada mudaria esta consciência, ela mudaria tudo… Traria uma nova Era junto consigo…

(primeiro capítulo do livro: Kanite World / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



{março 17, 2011}   Conto de Dragões

Capítulo 01

Tudo é real?

 

– O que está acontecendo? – Mariane, uma garota no auge de seus 20 anos olhava ao redor sem entender nada.

Não sabia como havia parado na cozinha, tentava vasculhar na memória o porquê de estar parada de pé ali, mas não adiantava. Sem lembrar como ou o motivo, estava ali, usando as roupas que mais gostava de usar, um shorts e uma camiseta larga, mas nem mesmo quando havia se trocado conseguia se lembrar.

Começou a andar pela casa. Quem sabe sua mãe ou alguém fizesse idéia do que ela pretendia fazer? Quem sabe tinha ido comer ou beber algo? Não… Ela não sentia fome ou sede. Talvez tivesse ido atender ao pedido de alguém? Provavelmente.

Foi até a sala, ninguém.

Dirigiu-se até o escritório, ninguém.

Subiu para os quartos, todos vazios.

Resolveu dar uma espiada nos banheiros. Era difícil que todos da família estivessem usando o banheiro, mas não impossível. Porém, mais uma vez, nem vestígio de sua família.

Parou para prestar atenção aos sons da casa. Se conseguisse ouvir as vozes de sua mãe, de seu pai ou de seu irmão, saberia onde estariam. Mas estava tudo, irritantemente, quieto. Nem o som de suas mascotes ela conseguia ouvir.

Será que aquela casa era mesmo a sua?

Será que simplesmente não havia entrado na casa errada e ainda não tinha percebido?

Olhou ao redor e tudo indicava que ali era o seu lar, mas queria ter certeza absoluta. Era impossível não haver ninguém ali daquele jeito! Entrou no quarto que supostamente seria o seu. E sim. A casa era sua. Aquele, definitivamente era o seu quarto cheio de bibelôs, livros e roupas espalhadas por todo lado.

– Estou em casa mesmo. Mas cadê todo mundo? – a casa estava completamente vazia e silenciosa. Ninguém, nem suas cadelinhas, estavam ali dentro, em nenhum cômodo, tudo vazio.

– Será que saíram? Me largaram sozinha aqui? – foi até a garagem, mas os carros ainda estavam ali.

Abriu o portão e foi até a rua. Não havia ninguém por perto. Não havia nem sequer o som de carros ou de pessoas andando pela cidade. Nem ao menos algum cachorro passando pela rua ou algum passarinho cantando. Estava tudo deserto e silencioso.

– O que está acontecendo? Cadê todo mundo? – começou a correr pela rua, sem se preocupar em fechar o portão. – MÃEEEE! PAAAII! WIIILL! CADÊ VOCÊS? – enquanto corria, ouviu um som estranho, parecia com um rugido ao longe.

Parou de correr e olhou ao redor, mas não viu nada. Provavelmente o pânico de estar sozinha a estivesse levando a ouvir coisas.

– EEEEIII!! ALGUÉM ESTÁ ME OU… – antes que terminasse a frase, ouviu outro rugido e dessa vez mais forte, como se estivesse se aproximando. O som vinha de cima e com certeza não era a sua imaginação, não estava apenas ouvindo coisas. Algo vinha pelo céu.

– Mas o que diabos é isso…? – olhou para cima procurando por algo. O som se repetiu ainda mais forte, mais próximo. E dessa vez ela pôde ouvir outros rugidos. O que quer que fosse o dono daquele som, não estava sozinho.

Começou a ventar e o som estava ficando cada vez mais alto. Sentiu seu corpo se arrepiar inteiro. Mariane não sabia o que estava acontecendo. Estava sozinha e algo estranho se aproximava.

Obrigou suas pernas a correrem de volta para casa, mas na metade do caminho ouviu o rugido novamente. Estava bem acima de sua cabeça! Ela congelou no lugar, não conseguia mais se mover. Com muito custo olhou para o céu e, naquele momento, viu a imagem mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora e estranha que já havia visto em sua vida.

Sobre sua cabeça um grupo enorme de dragões, das mais diversas cores, formatos e tamanhos voava pelo céu.

– Eu… não… acredito… – ela caiu de joelhos, sem tirar os olhos daquele espetáculo surreal. – São… são… DRAGÕES!!!! – desde pequena tinha uma paixão por essas criaturas fantásticas.

Sempre soube que eram ficção, uma história que não existia na vida real, mas mesmo assim, não conseguia deixar de se sentir atraída por esses seres. E, de repente, em seus 20 anos de vida, ela estava ali, vendo um bando inteiro e gigantesco voando sobre sua cabeça.

Quando estava começando a recuperar as forças que havia perdido com o choque ao ver dragões em sua cidade, o maior de todos eles, o que liderava o bando, deu um urro extremamente forte, mais potente do que os rugidos que ela havia ouvido antes e todos os demais, obedecendo a alguma ordem que ela não conseguiu entender, se separaram e se espalharam pelo céu sobre sua cabeça.

– Acho melhor eu voltar para casa… Eles parecem meio nervosos agora. – ela conversava consigo mesma, tentando se acalmar, como se quisesse dizer para seu próprio corpo que estava na hora de sair dali.

Enquanto se apoiava no chão e no joelho direito para conseguir levantar, sentiu o vento aumentar de força. Ele havia ficado extremamente forte e vinha pelas suas costas, empurrando-a. Ela mal estava conseguindo ficar de pé direito, sentia seu corpo vacilar perante a força daquele vendaval.

– O que é isso agora…? – ela estava protegendo o rosto, bloqueando o vento com os braços enquanto tentava andar na direção de sua casa. Mas, sentiu um baque extremamente forte e súbito, que fez o chão tremer, impedindo-a de prosseguir a caminhada de volta.

Logo depois do baque, o vento parou e ela começou a sentir uma brisa quente atingir o seu corpo por inteiro. Sentiu um novo arrepio percorrer suas costas. Mas, ela não conseguia saber se o arrepio era conseqüência da brisa quente ou da gigantesca sombra que via projetada na rua.

Mariane não queria olhar para trás, mas ao mesmo tempo, sentia uma estranha necessidade de ver com os próprios olhos o senhor daquela sombra e, talvez, daquela brisa. E aos poucos, invocando toda a sua coragem, ela começou a se virar.

– Ah, meu Deus… – sentiu-se congelar novamente. Bem na sua frente estava um dragão imenso parado, olhando para ela com olhos interrogativos e ao mesmo tempo ameaçadores. – Ah… Meu… DEUS! – a criatura havia aproximado o rosto gigantesco de seu corpo e parecia tentar sentir seu cheiro. – Não me coma, não me coma, não me coma, não me coma, por favor, não me coma… – a criatura se aproximou ainda mais dela, chegando a tocar parte do focinho em sua barriga.

Mariane fechou fortemente os olhos, temendo o pior, mas nada aconteceu. Não sentia as pontas afiadas de nenhum dente e não ouvia mais os rugidos dos outros dragões. Abriu os olhos novamente e viu que todos, ou ao menos a maioria deles, estavam parados ao redor, observando.

Ninguém se movia ou emitia qualquer som. O único que ainda se movimentada de vez em quando e com movimentos que pareciam ser leves e calculados para não assustá-la, era aquele dragão que permanecia com o focinho colado em sua barriga.

– Perfeito… – foi a única palavra que ela conseguiu emitir quando criou coragem e acariciou a criatura. – Você só queria um pouco de atenção? – ela continuou a acariciá-lo e desta vez com as duas mãos.

Não tinha mais medo. Parecia que todo o pavor que a havia dominado alguns segundos atrás, havia desaparecido por completo.

– Desde o inicio, você não pretendia me assustar ou me devorar, não é? – ele mexeu levemente a cabeça, como se estivesse querendo confirmar.

Para Mariane, tudo aquilo era fantástico! Como, ela podia estar tocando e conversando com uma criatura, que habitava somente os seus mais agitados sonhos? Ela queria que aquele momento se congelasse no tempo, se tornasse eterno…

De repente tudo ficou branco, um clarão irritante. Ela fechou os olhos e quando os abriu novamente estava deitada em sua cama. Não havia dragões, apenas a sua mãe abrindo a janela do quarto e mandando-a acordar.

– Vamos Mariane! Acorde! Hoje é domingo, mas ainda tem que me ajudar a limpar a casa.

– Mamãe… Por favor! Você me acordou no meio de um sonho lindo… – enfiou a cabeça debaixo do travesseiro e puxou as cobertas.

– Não interessa se você sonhou com o príncipe encantado ou com a solução para a corrupção brasileira! Você disse que ia me ajudar e agora estou cobrando a sua palavra. Trate de levantar garota! – puxou todas as cobertas e pegou o travesseiro. – Você tem trinta minutos para tomar um banho, se trocar, arrumar tudo e descer. E depois quero vê-la tomando um reforçado café da manhã. Temos muita coisa para fazer hoje! Vamos, vamos! – saiu do quarto carregando as cobertas e o travesseiro da filha.

– Aaaah… Eu mereço? – sentou-se na cama, ainda meio sonolenta. – Que sono… Por que ela teve que me acordar tão cedo? O sonho estava tão perfeito… – levantou se espreguiçando. Foi até a sacada e ficou a observar os movimentos daquela manhã. – Um dragão… – olhou para as próprias mãos. – Acariciar um dragão… Somente em meus sonhos mesmo. – voltou a entrar e foi até o banheiro. – Quem sabe um banho me trás de volta para a realidade?

Assim que entrou no banheiro, uma sombra passou por sua sacada velozmente.

(primeiro capítulo do livro: Conto de Dragões / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



{março 16, 2011}   O Destino da Escolha

1º Capítulo

Doce luar…

Já era noite. Mayara estava na sacada de seu apartamento. Seus olhos negros, apáticos, sem emoção, vagavam pela escuridão. Buscavam uma resposta. Buscavam algo.

– Onde está você…? – respirou fundo. – Será… Que nunca em minha vida… Conseguirei ao menos ver a cor de seus olhos? – abaixou a cabeça e passou a observar o pouco movimento que havia na rua.

Mayara olhou para o horizonte, viu uma rala luminosidade surgindo. O amanhecer estava próximo e nada de seu tão esperado “amigo”.

Entrou em seu apartamento, deixou a porta da sacada aberta. Quem sabe ele não apareceria e entrasse para buscar aconchego e abrigo para descansar? Foi até o seu quarto e se jogou na cama, abraçou seu travesseiro e fechou os olhos. Ainda nutria o desejo de poder encontrá-lo…

Longe dali… Há uma praça totalmente deserta, exceto por um homem dormindo no banco… Mas… Ele realmente apenas dorme?

– Droga! Me distrai demais! – um jovem corria, parecia fugir de algo. – Preciso encontrar algum lugar para me esconder… – avistou ao longe, um saguão abandonado. – Perfeito! – correu até lá e somiu dentro da escuridão que a velha construção gerava.

O tempo passa, amanhece, e ninguém parece se importar com o homem dormindo no banco, até que…

– Com licença, senhor! – Jorge, que estava fazendo uma ronda na praça, encontrou o homem no banco, sem reação alguma. – Com licença, senhor, desculpe, mas… Não pode ficar dormindo aqui! É… – parou rapidamente de falar quando tocou a pele daquele senhor e a sentiu totalmente fria. – O senhor está bem? – Jorge o sacudiu levemente com uma das mãos. Enquanto o chacoalhava, percebeu um ligeiro filete de sangue escapando da boca e do pescoço. – Senhor? – resolveu pegar seu pulso, mas isso já era desnecessário. O homem estava morto! – Droga! Tinha que ser justo no meu turno? – pegou o rádio e pediu que enviassem uma ambulância até a Praça das Águas. Olhou, novamente, para o homem e sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha, benzeu-se. O que poderia ter matado aquele homem?

Alguns minutos após o chamado, a ambulância chegou ao local e recolheu o corpo. Apesar de seu trabalho ser recolher pessoas quase mortas e não mortos, não podiam largar o corpo daquele pobre senhor lá na praça até que o furgão do IML chegasse. Somente hoje, dariam uma ajudinha aos amigos e levariam o corpo ao necrotério.

Mayara acordou após o meio dia, estava de férias no serviço, não precisava acordar cedo por enquanto. Poderia dormir e acordar quando quisesse. Teria algum tempo para poder esperar por seu tão misterioso “amigo”. Onde será que ele estaria?

Foi até a cozinha, pegou um suco de laranja na geladeira, serviu-se de um farto copo da bebida e foi novamente até a sacada. A porta permanecia aberta, mas nenhum vestígio de que tivessem passado por ela.

Que desapontamento!

Será que nutria um desejo impossível de se realizar?

– É… Você não apareceu… Mais uma vez… Você não pareceu… – voltou ao quarto, abriu a janela e ficou a admirar as lindas árvores que a Praça das Águas tinha.

Reparou em uma ambulância saindo de lá. O que havia acontecido? Algum acidente envolvendo assaltantes? Ou a pessoa foi apenas mais uma vitima do acaso? Não tinha tempo para tentar descobrir o que era, tinha que ir buscar sua linda sobrinha na escola, havia prometido à irmã que pegaria Laura na escola de inglês, já que Beatriz não podia mais sair de carro ou andar longas distâncias por causa do oitavo mês de gravidez.

Olhou para o relógio. Á que horas a sobrinha saia da aula, mesmo? Apoiou-se na parede enquanto pensava. Sentiu como se algo passasse como um fleche por sua memória e se lembrou. Ela sairia à uma da tarde! Olhou para o relógio mais uma vez… Estava atrasada!

Trocou-se rapidamente, saiu do apartamento sem se importar muito em fechar a janela e a porta da sacada. Tinha que correr. Não queria deixar a querida sobrinha esperando.

Foi até a garagem e pegou a sua moto. Uma Honda preta, linda, sempre brilhante por causa dos muitos cuidados que Mayara dedicava a ela. Aquela moto era como se fosse de estimação.

Saiu apressada. Provavelmente Laura já estivesse saindo da aula. Passou correndo pela praça, sem se importar muito em tentar descobrir o porquê de a ambulância ter parado por ali. Afinal… Estava com pressa, não podia mais perder tempo!

Após alguns minutos de exasperação e muita corrida, passando por sinais já amarelos e cruzando os espaços vazios entre os carros para evitar congestionamentos, Mayara conseguiu chegar até a escola de inglês.

Mas, apesar de toda a correria, não conseguiu chegar antes que a aula acabasse e Laura já a esperava no portão.

– Desculpe o atraso Lá! Perdi a hora! – desculpou-se enquanto retirava o capacete e estendia outro para a sobrinha.

– Tudo bem tia May… Eu saí faz pouco tempo! – Laura, colocou o capacete e subiu na moto, deixando o material entre ela e a tia, para que não caísse.

Mayara esperou a sobrinha terminar de se ajeitar e saiu com a moto. Agora não estava mais com tanta pressa, não precisava correr ou fazer todas aquelas loucuras que havia feito para tentar chegar a tempo. Precisava dar um bom exemplo e zelar pela segurança da sobrinha que agora a acompanhava.

– Lá… O que você acha de pararmos em uma sorveteria, pegar um sorvetinho e dar uma volta por aí? – perguntou enquanto esperava o sinal abrir.

– Acho legal! – pegou o celular e o colocou com uma das mãos por baixo do capacete. – Só me deixa avisar a minha mãe que vou sair com você… – enquanto ligava para a mãe, com a mão que estava livre do celular, ela segurava a cintura da tia, para que não caísse quando Mayara desse a partida na moto.

———————————————-

– Como será que esse homem morreu? – Tomé olhava de tempos em tempos pela janelinha que ficava dentro da ambulância. Queria vigiar o corpo, estava apreensivo.

– Deve ter sido assaltado, tentou revidar e os canalhas deram cabo da vida do infeliz… – respondeu Leandro, batucando as mãos no volante enquanto esperava o sinal abrir.

– Tem certeza? – fechou a janelinha. – Você viu as marcas no pescoço do cara? Até parece coisa de… Vampiro… – Tomé benzeu-se.

– Ha, ha, ha, ha… Vampiro? Tá doido Tomé? Desde quando este tipo de coisa existe? – Leandro ria enquanto dava partida no carro. – Andou assistindo muitos filmes de terror, ein!

– Não tô de brincadeira, não! – abriu novamente a janelinha e ficou a observar o defunto, como se esperasse que ele levantasse a qualquer momento. – Você não viu as marcas no pescoço? São dois buraquinhos, que nem aqueles que dizem que os vampiros fazem no pescoço da gente quando mordem… O maldito deve ter-lhe sugado a vida!

– Ora Tomé… Deixa de paranóia… – Leandro deu uma breve olhada na direção do amigo. – E vê se deixa o cidadão em paz! Ninguém gosta de ser observado. Respeite a morte do infeliz! Dá-lhe o descanso merecido, homem! – com uma das mãos fechou a janelinha. – Você vai ver… Quando fizerem a autópsia, vão dizer que o pobre coitado morreu devido a um golpe certeiro na nuca, ou por overdose de alguma droga injetada diretamente na artéria dele. Não vai haver nada sobre ter sido sugado até a morte…

– Sei não Andro… Tomara… – se acomodou no banco, ligou o rádio e fechou os olhos. Queria tentar dar razão ao amigo e esquecer aquele defunto.

———————————————-

Depois de terem passado na sorveteria e pego uma casquinha cada uma, foram até a Praça das Águas darem uma volta.

– Nossa… Faz tempo que não ando por aqui. A ultima vez… Foi quando eu fiz treze anos! – encarou a tia e deu um sorriso. – E foi você quem me trouxe! Pegamos um sorvete e curtimos o meu aniversário no seu estilo… Sem muita frescura! Acho que aquele foi um dos melhores.

– É… – suspirou e olhou para a sobrinha. – Eu digo para sua mãe não encher as suas festas de frufrus e frescurinhas. Mas ela nunca me ouve… Sempre diz a mesma coisa.  “Festa de filha minha tem que ser sofisticada!” – fez uma imitação perfeita da irmã, arrancando risos de Laura e deu uma bela lambida no sorvete. – É mesmo… Há muito tempo que não vínhamos aqui juntas. Faz praticamente dois anos!

Mayara e Laura andavam tranqüilamente pela praça, apesar de não ser intencional, ambas atraiam os olhares de muitos rapazes, pois esbanjavam beleza e feminilidade a cada passo que davam ou gesto que faziam.

Laura estava no auge de seus 15 anos, dona de um corpo bem escultural para sua idade e de um brilho vivo e fascinante nos olhos. Mayara já estava com seus 22 anos e tinha um corpo belamente esculpido e sedutor, e um rosto belo, encantador e aparentemente jovem para a sua idade. Mesmo que não quisessem admitir, sabiam que eram atrativas. Sabiam que eram fuziladas por olhares ávidos aonde quer que passassem, mas tentavam ignorá-los e seguir seus caminhos como se aqueles observadores jamais existissem.

– Tia… O que você acha de nos sentarmos um pouquinho? Estou começando a ficar cansada… – Laura havia terminado seu sorvete e já procurava por um banco vazio.

– Tá bom… – Mayara olhou em volta e viu um banco vago. – Vamos sentar ali! –foram até ele com passos apressados, para evitar que ninguém mais sentasse nele antes delas e lhes roubassem o lugar. Assim que sentaram no banco, se acomodaram como queriam, sem se importarem com olhares críticos e com opiniões alheias. Não estavam acomodadas de modo indecente, apenas não estavam sentadas de maneira “tradicional”.

Enquanto conversavam e observando o movimento de pessoas e animais pela praça, inexplicavelmente, Mayara começou a sentir um cheiro forte e fresco. Sem se dar conta do que fazia, instintivamente, começou a procurar de onde ele vinha, mas não encontrava a sua fonte. O cheiro estava começando a deixá-la atordoada.

– Laura… Você está sentindo esse cheiro forte?

– Cheiro forte? De que?

– Um cheiro forte de… – parou para tentar distinguir o cheiro. Assim que conseguiu reconhecer o odor, arregalou os olhos. – Sangue! – ela havia dito mais para si mesma em surpresa do que como resposta para a sobrinha.

– Ai! Credo tia! Sangue?

– É… É sangue! Você não está sentindo?

– Eu não! – torceu o nariz e levantou as mãos, fazendo um movimento de negativa. – E nem quero sentir!

– Estranho… Mas eu estou sentindo e muito bem! – olhou em volta. – Está aqui perto e parece estar fresco.

– Fresco?! Cheiro de sangue fresco?! – fez uma careta de horror e asco. – Credo tia! Que nojo!

Mayara resolveu se levantar para procurar melhor. Foi neste momento, enquanto se levantava que viu uma mancha de sangue impregnada no encosto do banco onde estavam acomodadas.

– Olha! Acho que é daqui! – apontou para a mancha. – Deve ser recente!

– Ai… – Laura se arrepiou e deu um pulo do banco, ficando de pé ao lado da tia. – A pessoa deve ter se machucado feio. – comentou ao ver o tamanho da mancha.

– É… – ficou observando o sangue por alguns longos minutos. Estava desconfiada.

Após mais algumas horas na praça, caminhando e especulando sobre a origem do sangue, resolveram voltar antes que ficasse tarde demais.

Mayara levou sua querida sobrinha até a casa de sua irmã e depois, sem paradas, voltou para o seu apartamento. Assim que entrou, foi até a sacada e ficou a admirar o pôr do sol. Era tão lindo e nostálgico… Se ela pudesse, ficaria o resto da vida apreciando aquele espetáculo da natureza. Ficou ali até que o sol sumisse no horizonte, atrás das serras que rodeavam a cidade. E sem saber o porquê, a mancha de sangue repentinamente voltou-lhe à mente.

Alguma coisa a incomodava… Algo estava estranho…

Por que ela havia sido a única a sentir aquele cheiro?

Olhou para a praça como se procurasse por algo e sentiu um leve arrepio percorrer-lhe a espinha. Fechou os olhos e uma sensação de formigamento e leveza parecia tomar-lhe o corpo todo. Deu um pequeno sorriso e abriu os olhos.

– Sabia! – entrou no apartamento e foi até o seu quarto. – Sabia que esta necessidade de encontrar alguém não era delírio! Eu tinha razão! Há um “alguém” por perto!

Ela colocou um shorts, uma blusinha leve, coturnos e um sobretudo roxo, quase preto. Todas as peças, com exceção do sobretudo, eram negras. Sem demoras, ela saiu de seu apartamento, pegou sua moto e passou a seguir seus instintos. Ela estava determinada a encontrar este “alguém”!

Decidiu voltar ao local do crime: o banco com a mancha de sangue na Praça das Águas! A partir desse ponto, ela iria seguir todos os rastros que encontrasse e que a levassem até a pessoa tão aguardada.

– Apesar do sangue já ter penetrado no banco, ainda é recente… – disse para si mesma ao passar a mão pela mancha. Era como se fizesse anotações mentais a cada narrativa que fazia de seus passos. Olhou em volta e percebeu que não haviam sinais de briga. Nenhum galho quebrado, nenhuma marca no chão. – Pelo visto a vitima foi surpreendida e não conseguiu revidar… – olhou para o céu e viu a lua, depois olhou para o chão novamente e viu algumas pegadas marcadas na terra, passando entre as árvores. – Pelo o que parece, perdeu a noção do tempo e ao ver que já iria amanhecer, correu velozmente dentre as árvores em busca de um abrigo… – começou a seguir as pegadas e em poucos minutos, viu um saguão abandonado, bem escondido pelas árvores da praça. – Hum… Parece-me um ótimo lugar para se esconder… Escuro… Escondido… Abandonado… Perfeito! – entrou no saguão tomando cuidado para não fazer nenhum tipo de barulho, o menor ruído poderia arruinar tudo.

Mayara parou de andar, estava com a sensação de estar sendo observada. Fechou os olhos e se concentrou no ambiente ao redor. Sentiu algo se mover velozmente por suas costas, escondido pelas sombras. Abriu os olhos e apurou os ouvidos, teve a impressão de estar ouvindo a respiração de mais alguém.

Deu um pequeno sorriso, voltou a fechar os olhos e apurou ainda mais os sentidos, tentando concentrar-se com maior tenacidade. Percebeu que algo iria passar novamente perto de seu corpo! Abriu os olhos e rapidamente colocou o pé no caminho, fazendo com que a pessoa se espatifasse no chão.

– Quem é você? – Mayara se agachou ao lado da pessoa caída. – E o que faz aqui?

– Não é da sua conta mulher! Deixe-me em paz! – era a voz grave de um homem, com aparentemente 25 anos.

– Eu sou Mayara Campelli… – foi até a parede mais próxima e se apoiou nela.

– Uhum… E por que você acha que eu queria saber seu nome? – havia sarcasmo e irritação naquela voz.

– Que mau humor… – Mayara acendeu uma pequena lanterna e a deixou no chão apontada para o teto, dando uma rala luminosidade ao lugar. – É um estado emocional típico de um vampiro que acabou de cair em uma peça humana…

– Vampiro?! – ele se aproximou da luz, deixando que Mayara visse seu lindo rosto. Ele realmente aparentava ter quase a mesma idade que ela. – Então… Você sabe o que sou?

– Sim… Desde o começo… – respondeu tranqüila, como se o fato de estar cara a cara com um verdadeiro vampiro fosse algo trivial e rotineiro.

– Não sente medo de mim? – aproximou-se perigosamente dela e colocou uma das mãos próxima ao pescoço de Mayara.

– Se eu o temesse… Não teria vindo até aqui, não é mesmo? – deu um pequeno sorriso malandro, desafiando o predador.

– Vejo que é corajosa e… – desceu a mão, pelo corpo da mulher sem tocá-lo, e baixou o olhar, dando uma completa “escaneada” nas curvas que ela possuía. – Bela…

– Hupf… Obrigada! Mas, se você continuar a me azarar desta maneira, perderei minha compostura com você! – fechou o sobretudo e lhe lançou um olhar de ameaça e advertência. – Posso fazer coisas piores do que dar uma simples rasteira… Conheço muito bem sua raça e sei como feri-lo da maneira mais dolorosa possível…

– Ha,ha,ha… Desculpe! – o vampiro deu boas risadas com intimidação da humana. Não havia levado nada a sério – Sou Marcos… Marcos Ac’Daro!

– Hum… – de inicio não havia gostado das risadas de deboche de Marcos, mas depois deu-se por vencida e sorriu. – Pelo visto eu consegui quebrar um pouco o seu mau humor… Disse-me até o seu nome!

– Digo porque você é diferente! – Marcos se afastou um pouco. – Jamais uma pessoa ficou tão calma assim como você, depois de descobrir minha identidade. Jamais alguém veio ao meu encontro, sabendo que sou um vampiro!

– Sim… Sou diferente… Mais diferente do que você é capaz de imaginar… – Mayara abaixou o olhar e depois voltou a encarar o vampiro. – Já cacei muitos de tua espécie… Já fui uma assassina mais fria do que qualquer vampiro…

Marcos exibiu as presas, pulou para as sombras e deixou seus olhos ficarem em um tom vermelho brilhante. Pareciam duas brasas flutuando na escuridão.

– Então você veio até aqui para me matar?

– Apesar de já ter matado muitos vampiros, lobisomens, bruxos, anjos caídos e demônios à sangue frio, eu não vim te matar. Como disse antes… Já FUI uma assassina de criaturas da noite, não sou mais! – se desencostou da parede e apagou a lanterna. – Pronto… Agora você tem uma grande vantagem sobre mim! Se sente mais seguro?

– O que quer comigo, então? – apagou seus olhos e escondeu suas presas.

– Quero ajudá-lo… – passou pelo local de onde vinha a voz, quase encostando seu braço no peito de Marcos. – Eu posso ter desistido de ser uma caçadora, mas ainda existem muitos que continuam no ramo. E um deles está aqui nesta cidade!

– Hupf… E você realmente espera que eu caía nesta ladainha?

– Bom… Se você não “cair nesta ladainha”, colocará sua existência em jogo! – Mayara foi até a entrada do saguão. – Você não pode rastreá-lo, mas ele pode rastrear você…

– Rastrear-me? Ha… Impossível!

– Impossível? Como você acha que eu o encontrei? – saiu do saguão, sem olhar para trás. – Se você não quer acreditar em mim… Azar! Desejo-lhe muita sorte, pois vai precisar! – fez um pequeno aceno com a mão. – Bom… Até mais… Talvez!

– Espere! – Marcos correu até Mayara e pegou em sua mão. – Você me convenceu! – virou-a de frente para ele. – Peço que me ajude!

– Ajudarei… – Mayara ficou impressionada com as feições tão belas que Marcos possuía. Ele era dono de olhos cor de mel, penetrantes e sedutores. Estava hipnotizada por aquele olhar intenso sobre sua pessoa.

– Então o que faremos? – a pergunta a tirou do transe.

– Iremos para o meu apartamento. Você ficará mais seguro lá! – se virou e continuou a andar.

– Hum… Isso está me parecendo uma indireta… Tem certeza que só quer me levar até o seu apartamento apenas para me proteger, ou… Tem algo a mais em mente? – lançou um olhar malicioso e cobiçoso sobre ela.

– Claro! Com toda certeza! Desde o começo estava planejando levar um vampiro até a minha casa para ter uma “noitada” com ele! – respondeu sarcástica e grossa. Não gostava que tirassem segundas intenções de suas “boas” ações.

– Nossa… Desculpe! Não queria irrita-la! – Marcos colocou as mãos nos bolsos. – Seu apartamento fica muito longe daqui?

Mayara não respondeu, ainda estava irritada com a brincadeira do vampiro. Ela tinha certeza de que se ele fizesse mais alguma brincadeirinha do gênero, o largaria ali. Á mercê do caçador.

– Oras… Vamos Mayara! Foi só uma brincadeira… – o vampiro se colocou ao lado da humana. – Não precisa ficar assim tão irritada.

– Não me trate como se fossemos amigos, vampiro! – ela o fuzilou com o olhar. – Não o quero dirigindo-se a mim pelo nome! Perdi minha simpatia por você!

– Nossa! – o vampiro afastou-se alguns centímetros dela. – E quer que eu a trate como? Quer que a chame de humana?

– Pois bem! Chame-me de humana, só volte a me chamar pelo nome quando eu chamá-lo pelo seu! – Mayara avistou sua moto e acelerou um pouco o passo.

– Que seja como quer! Até acho justo, já que acabei de irritar a humana que me oferece ajuda! – comentou aborrecido com a grosseira. Estava tentando fazê-la sentir que ele realmente estava arrependido. Mas pela expressão séria no rosto dela, ele percebeu que sua tentativa havia fracassado. Chutou uma pedrinha que estava em seu caminho.

– Não tente me agradar agora! – Mayara pegou o seu capacete e estendeu outro para Marcos. – Tome! Coloque isso! – enquanto entregava o capacete, ela já começava a sentar em sua moto. Ele pegou o capacete e o colocou sem dizer uma palavra. Sentou-se atrás dela e segurou em sua cintura com naturalidade.

– Tire as mãos daí!

Marcos soltou um ligeiro suspiro e colocou as mãos nos lados da moto enquanto ela dava a partida e os tirava dali, rumando em direção ao seu apartamento. Por mais que não quisesse demonstrar, Mayara sabia e sentia que estava feliz por finalmente encontrar a pessoa que tanto aguardara.

(primeiro capítulo do livro: O Destino da Escolha / autoria: Fabiane Zambelli de Pontes)



et cetera
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