World Fabi Books











Olá, queridos e queridas!

Desculpem o breve sumiço por aqui, mas é que a nossa produção resolveu bater pernas por aí! rs…

Enfim…

Seguindo a linha pottermaníaca que o blog anda tendo nesses últimos tempos, resolvi escrever sobre uma notícia não mais tão quentinha, mas que, com certeza, sempre irá agradar aos fã de J.K. Rowling!

Como muitos já sabem, a Rowling recentemente escreveu um livro chamado The Cuckoo’s Calling, sob o pseudônimo de Robert Galbraith. A obra agradou aos leitores e, um tempo depois do lançamento, chegou a fazer um certo barulho mundial quando descobriram que o enredo era da consagrada criadora do mundo de Harry Potter.

E devido ao sucesso crescente do livro (que parece ser muito melhor do que o Morte Súbita), ele ganhou um título nacional (O Chamado do Cuco) e uma data de lançamento aqui no Brasil (novembro de 2013), além de uma possível adaptação cinematográfica!

O novo romance da escritora britânica é 100% policial – fugindo um pouco da linha “fantástica” – e foi publicado na Inglaterra sob o pseudônimo de um fictício policial militar aposentado. O lançado internacional da obra aconteceu em abril e foi promovida como o “romance policial clássico, que segue a tradição de P.D.James e Ruth Rendell”. No entanto, apesar de o enredo agradar muitos leitores, a revelação da verdadeira identidade do autor (ou no caso, autora) foi o que alavancou o livro ao primeiro lugar em vendas no Reino Unido, o que rendeu uma venda de mais de 17 mil cópias em apenas sete dias após o anúncio!

Editora Rocco, responsável pela publicação da série Harry Potter no Brasil, adquiriu os direitos de publicação de The Cuckoo’s Calling em março, meses antes da revelação da autoria de Rowling (que aconteceu em julho). Aliás, a editora já afirmou que a tradução brasileira deverá estampar na capa o pseudônimo da autora, e uma menção ao nome verídico da escritora na capa ou contracapa, mantendo, assim, a fácil assimilação dos leitores com a obra publicada lá fora,.

Além disso, o livro está fazendo tanto sucesso que até a própria Rowling reconheceu o potencial alto na estória do protagonista, Cormoran Strikeum, e  empolgou fazer uma continuação, confirmando que um segundo volume será lançado em 2014! (e novamente Rowling assinará com o pseudônimo, só para manter a tradição ou a brincadeira, como Meg Cabot assinando pelo nome Patrícia Cabot até hoje em algumas obras)

Pelo visto, o veterano de guerra perturbado (e não se esqueçam das feridas físicas e psicológicas) e a  trama investigativa de Strike sobre a morte de uma modelo em Mayfair (um bairro elegante de Londres), conquistaram tanto o público quanto a própria criadora e algumas produtoras por aí!

E falando em produtoras, o The Cuckoo’s Calling pode virar filme em breve!!

Segundo especulações por aí, a Warner Bros., responsável pelas adaptações de Harry Potter ao cinema, seria a principal candidata para produzir a adaptação cinematográfica do livro. Por conta da relação longa (e de resultados maravilhosos) que possuem com o trabalho de Rowling, a Warner ganhou “prioridade”, no entanto, diversos estúdios estão interessados em comprar os direitos e talvez (MUITO TALVEZ) vejamos o jogo mudar…

E vale ressaltar que, mesmo antes do vazamento da verdadeira autoria da obra,  o romance já havia recebido propostas para ser adaptado ao cinema e à TV! Portanto, a história deve prometer tanto quanto (ou mais) do que a saga Harry Potter!!

the_cuckoos_calling

Tradução livre da sinopse oficial do livro:

Um brilhante mistério de estreia de uma maneira clássica: Detive Cormoran Strike investiga o suicidio de uma supermodelo.

Depois de perder sua perna em uma mina no Afeganistão, Cormoran Strike está apenas tocando sua vida como investigador privado. Strike caiu para um cliente e os credores o estão chamando. Ele também terminou com sua namorada de longo tempo e está vivendo em seu escritório.

Então, John Bristow passa por sua porta com uma história impressionante: Sua irmã, a lendária modelo Lula Landry, conhecida por seus amigos como Cuckoo, notoriamente caiu para sua morte alguns meses atrás. A policia julgou como suicidio, mas John se recusa a acreditar nisto. O caso liga Strike com o mundo dos belos milionários, namorados rockstars e designers desesperados e isso o introduziu a todas as mais diferentes formas de prazer, tentação, sedução e ilusões que o homem conhece.

Você pode pensar que conhece detetives, mas você nunca conheceu um como Strike. Você pode pensar que conhece ricos e famosos, mas você nunca os viu sob uma investigação como essa.

Livro em PDF (inglês): The Cuckoo_s Calling – Robert Galbraith (J.K. Rowling)



Bem que podia ser verdade, não é?

Albus_Potter



Olá, caríssimas e caríssimos!

Quem, por este mundão vasto da literatura, nunca leu Harry Potter?? Ou, mesmo quem apenas viu os filmes, nunca se prendeu à saga?

Pois é… A nossa querida J.K. Rowling nos deu algo para amar, apaixonar, fanatizar, enfim… Nos deu um mundo alternativo e fantástico, dentro do qual, muitos e muitos leitores se jogaram de cabeça e passaram a viver vidas de pottermaníacos!

E, para agradar aos fãs de Harry Potter (assim como nós do World Fabi Books), resolvi fazer um post especial da saga. Porém, não vou ficar aqui discursando sobre teorias e afins de cada um dos 7 livros ou dos 8 filmes, eu vou colocar informações e imagens que vão fazer o coraçãozinho bruxo de vocês enlouquecer! (com certeza, muitos de vocês já devem ter visto e acompanhado tais informações por aí, maaaas, não custa nada juntar quase tudo num lugar só, né?)

Comecemos com algumas ilustrações raras de Harry Potter!!

Ao todo, são 16 imagens retiradas da galeria (pelo artinsights.com) de uma grande ilustradora norte-americana, Mary GrandPré, que retratou momentos emblemáticos dos livros em uma série de estampas bonitonas.

1. “Beco Diagonal”

Harry Potter e a Pedra Filosofal 

"Diagon Alley"
….

2. “Jogo de Quadribol”

Harry Potter e a Pedra Filosofal 

"Quidditch"

3. “O Espelho de Ojesed”

Harry Potter e a Pedra Filosofal 

"The Mirror of Erised"

4. “Natal no Grande Salão”

Harry Potter e a Pedra Filosofal

"Christmas in the Great Hall"

5. “Chaves Voadoras”

Harry Potter e a Pedra Filosofal 

"Flying Keys"

6. “O Carro Encantado”

Harry Potter e a Câmara Secreta 

"The Enchanted Car"

7. “Duendes do Caos”

Harry Potter e a Câmara Secreta

"Pixie Mayhem"

8. “Contando os dias”

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

"Counting the Days"

9. “Três Vassouras”

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

"Three Broomsticks"

10. “A Capa da Invisibilidade”

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

"The Cloak of Invisibility"

11. “Expelliarmus!”

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

"Expelliarmus!"

12. “Resgate de Sirius”

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

"Rescue of Sirius"

13. “Batalha com o Dragão”

Harry Potter e o Cálice de Fogo

"Battle with the Dragon"

14. “A Rede Dourada”

Harry Potter e o Cálice de Fogo 

"The Golden Web"

15. “Duelo de Bruxos”

Harry Potter e A Ordem da Fênix

"Dueling Wizards"

16. “Castelo de Hogwarts”

Em todos os livros

"Hogwarts Castle"
.
.
.
Bom…
Além dessas formidáveis ilustrações, tenho para vocês, mais algumas imagens lindas, retiradas do site seriegalleriet.se. Lá, podemos conferir uma coletânea de desenhos maravilhosos, feitos por vários artistas de vários países. Vejam:
potter1 potter2 potter3 potter4 potter5 potter6 potter7
.
.
.
Agora, para lhes deixar com água na boca, eu informo (ou “reinformo” para quem já sabia) que a saga Harry Potter completou 15 anos em agosto deste ano (2013). E para comemorar a data em grande estilo, a Editora Scholastic relançou a coleção com capas inéditas e de tirar o fôlego!!
As ilustrações foram feitas pelo japonês Kazu Kibuishi e ficaram simplesmente lindas! No entanto, até o momento as novas edições estão disponíveis apenas em inglês, mas a Editora Rocco,  a detentora dos direitos da saga no Brasil, já pensa em publicá-los e muito em breve veremos essa mesma versão em português!
hp_novo1 hp_novo2
hp_novo
.
.
.

E, para quem ainda não sabia, provavelmente, MUITO PROVAVELMENTE, voltaremos a ver o universo de Harry Potter de volta na tela, graças a nossa amadíssima rainha da fantasia J. K. Rowling!

Esse ano foi divulgada a notícia de que uma nova série de filmes baseada em Harry Potter será lançada pela Warner Bros.! E parece que o primeiro filme contará MESMO com roteiro de Rowling e será baseado no livro Animais Fantásticos e Onde Habitam!

Quem saber mais, pois então, clique na imagem aqui embaixo:

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

.

.

.

E para finalizar o post, vou colocar apenas mais um informação, sendo que está setá fresquinha e totalmente delirante!!!

Para os amantes de Harry Potter, eu declaro com muita euforia que nos dias 23 e 24 de novembro de 2013, acontecerá em São Paulo a Hogwarts Convention (um grande encontro de fãs dos bruxos mais queridos do mundo)!

Contudo, essa ainda não é a parte mais delirante da informação!! Com certeza, vocês vão surtar tanto quanto a gente quando eu disser que foi confirma a presença da atriz Bonnie Wright, a nossa queridíssima Gina Weasley!!!

Por enquanto, os preços e os demais nomes de convidados importantes serão confirmados! Todas essas e mais outras informações aparecerão em breve no lançamento do site do evento! E caso queiram acompanhar o andar da carruagem, não deixem de ficar de olho no Hogwarts Convention Official!!!!

gina



Pois é, meus caros e minhas caras!

Provavelmente, MUITO PROVAVELMENTE, voltaremos a ver o universo de Harry Potter de volta na tela, graças a nossa amadíssima rainha da fantasia J. K. Rowling!

Agora há pouco foi divulgada a notícia de que uma nova série de filmes baseada em Harry Potter será lançada pela Warner Bros.! E parece que o primeiro filme contará MESMO com roteiro de Rowling e será baseado no livro Animais Fantásticos e Onde Habitam! (eu tenho e reli esse livrinho várias vezes! Sempre o achei divertido e me pegava imaginando como seria adaptar todas aquelas criaturas e “pesquisadores”. Parece que agora poderei descobri!)

 

 

ROWLING_ANUNCIO

Inicialmente, essa obra, assim como o Quadribol Através dos Séculos, foram escritos por Rowling sob os pseudônimos de Newt Scamander (para  Animais Fantásticos e Onde Habitam) e Kennilworthy Whisp (para Quadribol Através dos Séculos). No entanto, pertencem mesmo a escritora, que assumiu o papel de roteirista dos mesmo na “transformação” para a sétima arte! Por enquanto, está praticamente certo de que Animais Fantásticos e Onde Habitam ganhará a adaptação, os demais ainda estão sendo cogitados, mas, se o primeiro acontecer e com sucesso (como esperamos que aconteça), com certeza os demais virão logo em seguida!

 

QUADRIBOL ATRAVÉS DOS SÉCULOS

E para aqueles que não sabem ou se esqueceram, além dos livros da saga (de título) Harry Potter, J. K.OS CONTOS DE BEEDLE, O BARDO Rowling lançou mais três livros com linha histórica relacionada e paralelas ao mundo do nosso amado bruxo. São esses: Animais Fantásticos e Onde Habitam; Quadribol Através dos Séculos; e Contos de Beedle, o Bardo! (todos esses livros foram citados no meio da saga, sendo que, no caso dos dois primeiros títulos, eram utilizados pelos alunos de Hogwarts para diversas atividades ou aulas, enquanto que o terceiro foi usado para desvendar o mistério das Relíquias da Morte, através do famoso “Conto dos Três Irmãos”).

Basicamente, a ideia da Warner Bros. é criar uma nova franquia baseada no universo fantástico do livro. Porém, apesar dos pontos em comum com a franquia do nosso bruxinho, Animais Fantásticos e Onde Habitam não se será um prelúdio ou uma sequência. Segundo Rowling, a história de Newt começará em Nova York, setenta anos antes do início da jornada de Harry Potter. (interessante, não?)

Bom… De qualquer forma, como a adaptação já é praticamente certa, o filme vai marcar a estreia de Rowling como roteirista. “Tudo começou quando a Warner Bros. me procurou com a proposta de adaptar ao cinema Animais Fantásticos e Onde Habitam. Achei a ideia divertida, mas ver outro escritor contar a história de Newt Scamander, o suposto autor de Animais Fantásticos, seria muito difícil. Tendo vivido por tanto tempo no meu universo fictício, me sinto protetora dele e eu já sei muito sobre Newt. Como os fãs hard-core de Harry Potter devem saber, eu gostei tanto dele que até casei seu neto, Rolf, com uma das minhas personagens favoritas em Harry Potter, Luna Lovegood. (…) Eu sempre disse que só revisitaria o mundo dos magos se tivesse uma boa ideia e esse é o caso”, anunciou J. K. Rowling.

O acordo da escritora com a Warner Bros. também prevê o desenvolvimento de games e outros produtos, além de conteúdo para o Pottermore.com. Além disso, como os livros Quadribol Através do Séculos e Animais Fantásticos e Onde Habitam tiveram seus direitos doados para a Comic Relief – uma instituição que utiliza o riso para combater a miséria – , cogitou-se a hipótese de haver uma doação de parte das bilheterias para o lugar, contudo, ainda não há informações se a adaptação ao cinema reverterá mesmo os seus lucros para a ONG (parece que esse foi um pedido especial da autora, no entanto, como ainda não há nenhuma resposta do estúdio, teremos que esperar para ver se vão acatar ou não).

De qualquer forma…

 

QUEM, além de mim, ACABOU DE FICAR ANSIOSO PELO FILME?

ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM

 

 

Será que também criaram uma linha de grife para esses livros/filmes, assim como a Black Milk criou para a saga Harry Potter? (clique AQUI para conferir as roupas e a notícia da Linha Hogwarts grife inspirada em Harry Potter! É de perder o fôlego!!)


Atenção, atenção!!

Essa notícia vai fazer as Pottermaníacas enlouquecerem e as Potterheads perderem a cabeça!!

A linda e criativíssima grife de roupas Black Milk decidiu lançar (para o nosso delírio) uma linha de roupas TOTAL e LINDAMENTE inspirada no universo dos livros de Harry Potter! (é ou não é de enlouquecer?)

Há mais ou menos um ano, eu (Fabiane) venho acompanhando a grife e devo dizer que já sou uma grande fã da Black Milk!! Essa bela e desejadíssima loja é mundialmente conhecida por fazer roupas inspiradas em temas que fazem muita gente pirar, como, por exemplo: Star WarsMass EffectTerra Média, Vila Sésamo, e outros temas psicodelicamente divinos e divertidos! (sempre que eu entro na página da loja, eu tenho vontade de comprar tudo!! Portanto, tenham muito cuidado ao entrar na Black Milk, pois é necessários estarem com o coração e a carteira muito bem preparados, pois é IMPOSSÍVEL não surtar!)

Bom… Voltando ao tema inicial, essa coleção inspirada em Harry Potter será lançada oficialmente no dia 10 de Setembro, ou seja, AMANHÃÃÃÃ!!! Mas, para o nosso deleite, delírio e piração, por enquanto, a marca já liberou algumas imagens de peças que estarão nessa estupenda coleção! (ai, que tortura!!)

E sabem qual é a outra ÓTIMA notícia? A Black Milk envia suas peças para qualquer lugar do mundo e, portanto, eles entregam no Brasil!!!!! (isso não é mais do que perfeito???)

Infelizmente, o frete é um pouquinho salgado, custando em média US$18 (o que hoje equivale à mais ou menos R$40,32). Contudo, se você realmente deseja ter esses produtos maravilhosos e fizer uma BOA compra, compensa o sacrifício de pagar o frete. Assim sendo, já pode começar a contagem regressiva e a preparar o bolso, pessoal!! (aliás, namorados de pottermaníacas podem fazer uma surpresinha para as suas garotas e comprar um mimosinho na Black Milk para elas, não é uma boa? Certo, Gustavo Valente? hehehe…)

Agora, fiquem com algumas imagens da linha:

black-milk-harry-potter (1)

Peça: Maiô / Tema: Relíquias da Morte

black-milk-harry-potter (1)

Peça: Top / Tema: uma das Gemialidades Weasley

black-milk-harry-potter (2)

peça: Maiô / tema: Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (2)

peça: Legging / tema: O Profeta Diário

black-milk-harry-potter (3)

peça: Capas e Leggings / tema: Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (3)

peça: Vestido / tema: Tem uma fênix no meu escritório

black-milk-harry-potter (4)

peça: Top / tema: Severus Snape

black-milk-harry-potter (5)

peça: Maiô / tema: Time Weasley (quadribol)

black-milk-harry-potter (6)

peça: Tops / tema: Times de Quadribol das Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (7)

peça: Maiô / tema: Casa Lufa Lufa

black-milk-harry-potter (8)

peça: Vestido / tema: Mapa do Maroto

black-milk-harry-potter (9)

Propaganda – peça: Vestido / tema: Mapa do Maroto

black-milk-harry-potter (10)

Propaganda – peça: Tops / tema: Times de Quadribol das Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (11)

peça: Legging / tema: Mapa do Maroto

black-milk-harry-potter (12)

peça: Legging / tema: Polmo de Ouro

black-milk-harry-potter (13)

peça: Bracelete / tema: Polmo de Ouro

black-milk-harry-potter (14)

peça: Leggings / tema: Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (15)

peça: Legging / tema: Patronos

black-milk-harry-potter (16)

peça: Maiô / tema: Cartaz do primeiro filme – Harry Potter e a Pedra Filosofal

black-milk-harry-potter (17)

peça: Legging / tema: Relíquias da Morte

black-milk-harry-potter (18)

Propaganda – peça: Maiô / tema: Cartaz do primeiro filme – Harry Potter e a Pedra Filosofal

black-milk-harry-potter (19)

peça: Top / tema: Indesejável Nº1

black-milk-harry-potter (20)

peça: Leggings / tema: Casas de Hogwarts

black-milk-harry-potter (21)

peça: Maiô / tema: Brasão de Hogwarts

black-milk-harry-potter (22)

Propaganda – peça: Maiô / tema: Casas de Hogwarts

E assista: Black Milk Clothing x Harry Potter from Black Milk Clothing on Vimeo.



(parte do terceiro capítulo…)

 

Fantasy, aqui vão eles!

 

 

– Tchau, mãe! – Lilith a abraçou com ternura, contendo as lágrimas que lhe ardiam os olhos. – Tchau, pai! – a garota foi envolvida por braços fortes e o ouviu limpar a garganta, um fracassado disfarce para a emoção que sentia.

– Tchau, meu amor! Se cuida, viu! – Suélen já estava chorando silenciosamente.

– Tchau, filhota! Até as férias ou antes! – Selso colocou as mãos no bolso.

– E tchau, Ely! – deu um singelo beijo na testa do irmão. Respirou fundo e engoliu o choro a seco. Não fazia sentido ceder à choradeira, afinal, ficaria apenas um ano fora. Parecia muito tempo, contudo, ela continuaria mantendo contato com a família e, se quisesse, poderia ir visitá-los nos feriados prolongados.

– Vocês vão ver, o tempo vai passas rapidinho! – deu mais um último beijo em todos e se dirigiu para a área de embarque enquanto gritava. – Vejo vocês em novembro do ano que vem!

– Lilith, vê se trás uma lembrancinha de lá para mim! – berrou Elyando antes que ela sumisse de vista.

Uma vez dentro da área de embarque, Lilith se dirigiu ao portão descrito em sua passagem. Aparentemente, o lugar era tão comum quanto os demais ao lado. O último aviso para que embarcasse soou e ela apertou o passo até as funcionárias.

– Bom dia! – cumprimentou, entregando a passagem.

– Bom dia, senhoria Pontlagua! – uma bela mulher loira conferiu suas passagens. – Você é a nossa última tripulante. Bem vinda à aviação Fantasy! – disse, devolvendo tudo à garota.

– Fantasy? – olhou para o nome da empresa escrito nos papeis de embarque. – Mas, essa não é a…

– É Fantasy mesmo. – a morena sorriu solicita. – Esse nome que você está lendo é registrado e enfeitiçado, ou seja, a aviação Fantasy existe em ambos os mundos, contudo, toda a sua documentação foi enfeitiçada para enganar as pessoas normais.

– E se alguém decidir viajar por essa viação aqui, o que acontece?

– Bom… Nós trabalhamos em ambos os mundos mesmo. Portanto, podem viajar conosco sem problemas.

– Nunca houveram passagens trocadas ou algum problema no sistema que acabasse levando pessoas normais ao mundo wiccaniano?

– Já houveram sim…

– Mas, todos foram concertados imediatamente e sem consequências desastrosas para nenhum dos lados. – interviu a funcionária loira. – Por favor, senhorita Pontlagua, está atrasando o vôo. Poderia se apressar?

Lilith olhou torto para a mulher e despediu-se brevemente de ambas, sendo mais gentil com a morena. E enquanto corria pelo corredor que a levava direto para as portas de seu avião, sentiu um estranho formigamento pelo corpo, algo que a impulsionava seguir adiante e lhe dava ânimo para enfrentar o desconhecido.

Uma vez dentro do avião, a garota foi recebida com toda a pompa e glamour que as aeromoças wiccanianas poderiam oferecer: taças de champagne flutuantes, tulipas de gelo com um chopp tão brilhante quanto ouro, taças de diamante com vinho tão reluzente quanto rubis, canecas cheias do m ais puro hidromel rodopiavam ao redor dela, embriagando-a com o aroma adocicado.

– Seja bem vinda, senhorita! Aceita algo para beber antes da decolagem? – uma das aeromoças, a mais alta de esguia, apontou para os copos, taças e canecas flutuantes.

– Não estou com vontade de beber nada alcoólico no momento, muito obrigada! – ficou sem jeito diante de tanta atenção. – Mas, se vocês tiverem água, eu aceito.

– Aqui está! – uma mulher de baixa estatura, cabelos ruivos e sardas no rosto lhe entregou um copo de cristal, cheio até a borda com água gelada e cristalina.

– Que copinho pesado, ein! – comentou ao segurá-lo.

– É feito de uma mistura especial, juntamos vários tipos de pedras preciosas na sua confecção como rubis, esmeraldas, turmalinas, lapis lazuli, diamantes e assim por diante.

– Mas, é tão transparente quanto o cristal! – observou abismada.

– É uma magia especial que usamos durante a confecção. Mas, se você girar o copo em suas mãos e contra a luz, poderá ver as cores dos materiais que usamos. – delicadamente, a mulher pegou a mão de Lilith que segurava o copo e a ergueu contra a luz. – Vê?

Os olhos da garota arregalaram diante das cores vibrantes e cheias de luz que iam aparecendo a medida que a aeromoça movia sua mão. O objeto era tão lindo e de aparência tão delicada que chegava a dar um “gostinho” especial e puro para a água contida ali.

Lilith agradeceu pela atenção e bebeu todo o liquido de uma vez, apreciando a sensação refrescante que lhe descia pela garganta.

– Gostaria de se acomodar em uma de nossas cabines agora, ou deseja mais alguma coisa?

A garota sentia um pouco de fome, contudo, sabia que com o frio na barriga que estava sentido, não conseguiria comer nada sem passar mal depois. E de forma delicada, negou a oferta, devolveu o copo à uma das aeromoças e respirou fundo.

– No momento, temos apenas uma cabine com um lugar vago. Todas as outras estão lotadas. – uma mulher de cabelos coloridos analisava um pequeno dispositivo eletrônico, o qual era um pouco menor do que seu antebraço. Assemelhava-se a um tablet, contudo, extremamente fino e transparente como vidro. – Isso pode ser um problema para a senhorita?

– De jeito nenhum! – respondeu de pronto.

– Então, queira me acompanhar, por favor. – a mulher baixou o dispositivo e a guiou por entre as cortinas vermelhas do hall do avião, levando-a por um corredor largo cercado por portas de plástico coloridas. – Aqui está, cabine dez vermelha. – parou, dando passagem a garota. – Em cinco minutos decolaremos. Fique à vontade, senhorita. – com um sorriso simpático se despediu e voltou para as outras.

Lilith ficou encarando a porta vermelha, sem saber ao certo como deveria passar por ela, afinal, havia pessoas ali dentro que nunca vira na vida, como poderia simplesmente abrir a porta e ir entrando? Será que deveria bater antes?

Ela respirou fundo, deu duas batidas leves e entrou usando o seu melhor sorriso simpático para as cinco pessoas que a encaravam com o mesmo tipo de fisionomia para as boas-vindas.

– Oi! Será que eu podia me sentar com vocês? – pediu tímida. – É que o avião já está lotado e…

– Mas é claro que pode! – antes que Lilith pudesse terminar de falar, uma menina sentada perto da janela, respondeu.  – Meu nome é Beatrice Celanit e o seu? – ela tinha lindos olhos verdes, cabelos ondulados que caiam até próximo à cintura e exibia orgulhosa a vestimenta da Ave. Lilith também pode reparar, pelo reflexo na janela, que o vestido possuía um belo rendado com a imagem da Fênix.

– Eu me chamo Lilith Pontlagua! – se apresentou enquanto terminava de se acomodar no acento disponível.

– Não acredito você é a famosa Lilith! – uma garota sentada ao lado da Beatrice quase gritou surpresa. – A mesma que derrotou o wiccaniano Trivan? – espantada com a reação dela, Lilith apenas a encarou abobalhada e observou que ela estava vestida com a Fada, e pelo pedacinho do bordado que ela conseguia ver, talvez fosse uma Fênix também.

– Eu não sei… – conseguiu responder.

– Mas, você não é a Lilith Pontlagua? – Beatrice perguntou educada.

– Sim, sou sim. Mas, este está sendo um dos meus primeiros contatos com o mundo wiccaniano. Eu apenas descobri a minha origem há alguns dias. – explicou.

– Então, você sabe quase nada do nosso mundo? – Lilith confirmou com a cabeça. – Bom… Vou ter que fazer um intensivo com você! A começar pela história que a transformou em uma celebridade por aqui! – balançou os longos cabelos loiros, enquanto se mexia no banco para poder estender a mão para a novata. – Eu me chamo Karoline Delaflor!

– E eu sou o Hugues Wilker. – apresentou-se um garoto de cabelos castanhos claros, sentado de frente com Karoline. – Prazer em conhecê-la! – ele possuía a vestimenta da Serpente, com esforço, Lilith pode notar um Pégasos bordado atrás.

– Oi! – cumprimentou outro menino, sentado ao lado de Hugues. – Eu sou o Paullu Logan! – ele era bem parecido com Beatrice e trajava a roupa do Leão, que pelo detalhe escuro e mais grosso da parte de trás, Lilith supôs, ter um Pégasos bordado também.

– Nossa, eu não a imaginava assim… – comentou um garoto sentado ao lado de Paullu. Ele a analisava dos pés à cabeça. – Um o sonho de garota! – sorriu sedutor e lhe estendeu a mão. – Eu me chamo Gautry Stafre, ao seu dispor! – apesar do estupor causado pela surpresa e a timidez, Lilith notou que ele tinha a roupa do Dragão, provavelmente com um Pégasos bordado atrás. – Meu nome é complicado, mas pode me chamar de Gu, ou da forma como preferir.

– Oi para todos! – sentia-se quente e totalmente sem graça. A garota poderia jurar que estava mais vermelha do que a porta ou as cortinas daquela cabine.

– Atenção, senhores passageiros. Aqui quem fala é o comandante do vôo 1089, com destino a Fantasy. Vamos decolar em alguns minutos, estamos aguardando a autorização da torre. Obrigado por escolherem a nossa companhia e tenha uma ótima viagem.

Lilith sentiu o avião começar a andar pela pista, posicionando-se para a decolagem. Respirou fundo e sentiu a ansiedade dominar seu corpo novamente.

– Tem alguma outra companhia fazendo essa ponte entre São Paulo e Fantasy? – ouviu Beatrice perguntar.

– Até onde eu sei, não tem não. – Karoline respondeu em um tom incerto.

– Madames, por favor… – Paullu sorriu. – Não se iludam. Não há outra companhia. Não temos outra opção. Essa é somente uma fala padrão de todos os pilotos.

Logo em seguida o grupo começou um burburinho, onde um tirava sarro do outro. Até Lilith, apesar de toda a timidez e nervosismo, sentiu-se confortável e entrou no meio da brincadeira.

– Senhoras e senhores, recebemos a autorização para a decolagem. Por favor, apertem os seus cintos e mantenho as poltronas na posição vertical. Tenham todos um ótimo vôo.

Assim que o anuncio terminou, os tripulantes sentiram aquele frio na barriga característico. O avião começou a correr pela pista e em segundos já estava sem contato algum com o solo. A pressão e os chacoalhões iniciais fizeram com que tudo ficasse silencioso por alguns instante, sendo que apenas o som metálico do avião e das turbinas fosse ouvido.

O sorriso de ansiedade no rosto daqueles seis jovens, compartilhando a cabine vermelha, era a imagem mais marcante da primeira viagem de um wiccaniano para Fantasy.

 

 

guardias_da_fenix_comeco



(continuação do segundo capítulo…)

 

 

 

 

Vila Dragon.

– Mãe, aquilo da roupa vai acontecer comigo também? – Elyandro ajudava a mãe e a irmã a carregarem as sacolas com trocas de vestidos vermelhos, acessórios, peças de roupa diversas, sapatos, apetrechos, aparatos, materiais entre outras coisas.

– Sim, meu filho. – sorriu para o garoto. – Mas, no seu caso, vai precisar escolher entre outros três clãs: o do leão, o da serpente e o do dragão.

– Posso fazer mais uma pergunta? – ajeitou uma parte das sacolas nos ombros, para diminuir o peso em uma das palmas.

– Pode, filho… – mexeu os braços, ajeitando melhor as compras.

– Então, me diz uma coisa… – bufou mal humorado. – Por que eu tenho que carregar tudo isso, se não tem nada meu?

– Ora, porque você é um garoto educado e muito bem criado que está ajudando sua mãe e sua irmã, duas lindas damas, a carregarem suas compras. – piscou jocosa. – Vamos lá, filho! Seja um cavalheiro e continue nos ajudando.

Elyandro bufou mais uma vez e revirou os olhos diante da expressão falsamente suplicante de sua mãe. No entanto, continuou a carregar as sacolas sem reclamar.

Suélen puxou a bolsa para mais perto e abriu o zíper, retirando de dentro uma pequena lista dobrada em quatro partes.

– Vejamos… Já compramos o caldeirão de estanho resistente que a senhorita queria… – olhou de soslaio para a filha, relembrando-a do quão caro sairá o apetrecho.

– Mas, estanho é o melhor material para caldeirões!

– Você diz isso só porque o vendedor disse. – Elyandro retrucou.

– É claro que não! – Lilith fuzilou-o com o olhar.

– Até parece! – riu. – Você nunca precisou se preocupar com esse tipo de coisa antes.

– Mas, não quer dizer que eu já não soubesse.

– Você entrou na primeira loja em que viu caldeirões expostos! – continuou a zombar da irmã. – Nem mesmo fez uma pesquisa por outras lojas, antes de pedir para a mamãe comprar aquele de estanho.

– Você nunca foi tão racional assim com dinheiro e compras. – provocou. – Está com inveja, é?

– Chega! Parem de brigar! – Suélen se impôs na discussão. – De qualquer forma, o caldeirão já foi comprado. – voltou a analisar a lista. – As roupas também já estão aqui, o pentagrama para convocações, a colher de pau para as receitas mágicas, o cálice para rituais… – foi passando os olhos pelos itens e murmurando. – Buril, ok. Sino, ok. Vassoura, ok. Balança, ok. Livros, ok… – suspirou. – Parece que falta comprarmos um telescópio, um conjunto de frascos, uma chave mágica, um cetro, um espelho mágico, uma varinha e, finalmente, uma espada cerimonial!

– Mais lojas? – Elyandro quase deixou o corpo amolecer em desanimo.

– Bem… Podemos conseguir a maioria dessas coisas naquela loja ali. – apontou para um chalé largo e amplo, com uma simpática placa de madeira pendurada na fachada. Entalhado nela estava o nome do estabelecimento: Artefatos e Fatos de Magia.

Uma vez dentro da tal loja, os três passaram algum tempo escolhendo um telescópio que fosse bom e capaz de ver além do universo visível aos olhos de pessoas comuns; um conjunto de frascos que não explodissem com as poções a serem preparadas; uma chave mágica própria para ser enfeitiçada para abrir portais entre dimensões paralelas; um espelho mágico parecido com o da história de Branca de Neve; e um cetro de ótima qualidade, capaz de auxiliá-la nas proezas mais complicadas que aprenderia em Fantasy.

– Agora, só falta a espada e a varinha! – Suélen respirou fundo ao sair da loja, carregando ainda mais sacolas.

– A escolha da minha varinha será como no filme de Harry Potter? – Lilith entusiasmou-se.

– Não exatamente. – tentou ponderar. – Você precisa se identificar com sua varinha e não o contrário, como praticamente foi com suas roupas.

– Bom… Acho que estou fazendo comparações demais desse mundo com a série, não é? – sorriu sem graça.

– Digamos que tem muita coisa parecida entre os dois. – Suélen sorriu. – Acho que a autora deve ser uma wiccaniana! – brincou, recordando-se da suspeita que Selso levantaram naquela manhã. – Vai que ela quis escrever sobre nosso mundo, porém, sem ser exata demais para não prejudicar ninguém.

– Sabe, dadas as circunstancias em que nos encontramos, não duvidaria da sua hipótese! – Lilith olhou ao redor. – Aparentemente, tudo é possível agora.

– De qualquer forma… – deu de ombros. – Vamos até à Artesã e Ferreiro fazer as ultimas compras do dia?

Não foi preciso caminha muito entre uma loja e outra. Alguns passos depois, já podiam avistar uma casa baixa e comprida, a aparência lembrava um pequeno galpão extenso, com uma pequena chaminé de inverno.

Ao se aproximarem da construção, perceberam que os tijolos vermelhos pareciam estralar e a chaminé, aparentemente, não parava de exalar fumaça, ora branca, ora preta. Do lado de fora, o lugar dava a impressão de ser como uma sauna por dentro e isso não animou nenhum dos dois irmãos.

– Posso esperar do lado de fora? – Elyandro apoiou as sacolas no chão, recostando-as na parede.

-Malandro… – Lilith sussurrou para o irmão.

– Você quem sabe. – Suélen colocou suas compras ao lado das que o filho havia depositado no chão. – Mas, terá que ficar de olho em tudo.

– Por mim, tudo bem! – deu de ombros.

Lilith também colocou as sacolas que carregava no chão e ajudou Elyandro a ajeitá-las em um canto. Viu-o se sentar ao lado delas e tirar o celular do bolso do shorts.

– Mãe, aqui tem sinal de celular? – balançou o aparelho nas mãos.

– Tem sim. – apontou para as pessoas ao redor, as quais pareciam praticar magia. – Só tome cuidado com a interferência. Algumas pessoas gostam de pregar peças, usando ondas eletromagnéticas e tecnologia.

– Ok… – ligou o aparelho e começou a mexer em um jogo online.

Lilith revirou os olhos diante da indiferença do irmão. Se fosse ela, estaria analisando cada detalhe do lugar.

– Isso só pode ser ciúmes… – resmungou.

– O que disse, filha? – Suélen passou o braços pelos ombros da garota, enquanto entravam na loja.

– Nada não, mãe. – suspirou e se preparou para as surpresas que encontraria ali dentro.

———————————————————————————————

Assim que as porta se fecharam atrás delas, colocando-as definitivamente para dentro de um mundo repleto de varinhas e espadas, tudo das mais varias formas, tamanhos e cores.

O ambiente era um tanto escuro, porém, repleto de detalhes surpreendentes, como miniaturas de dragões perambulando por entre as lâminas, pequeninos grifos brincando por entre as hastes de madeira entalhada, entre outras mini criaturas mitológicas que perambulavam livremente pelo lugar.

Antes que pudessem dar mais algum passo, foram abordada por uma simpática senhora, a qual, aparentemente, havia surgido de algum canto escuro da loja.

– Sejam bem vindas, minhas queridas!

Lilith estreitou os olhos para analisá-la melhor. Ele lhe era extremamente familiar. Observou-a por mais alguns segundos até conseguir se lembrar de onde poderia conhecê-la. E se sentiu uma parva por não conseguir recordar de um acontecimento tão recente.

– A senhora por acaso é irmã da Loren da loja de roupas? – perguntou de pronto, sem vergonha.

– Não, não… – sorriu em resposta. – Não sou irmã da Loren da Se vista com Mágica.

– É que vocês duas são tão parecidas… – comentou surpresa.

– Não sou irmã dela, mas sou prima. – riu diante da expressão de esclarecimento no rosto de Lilith. – Agora, faz mais sentido, não é? – continuou a rir enquanto caminhava pela loja, fazendo gestos para que a seguissem.

As duas seguiram a senhora, indo se embrenhar em um canto abafado e com um forte cheiro de fomo, onde as paredes eram repletas de estantes com caixas, papéis, alguns livros e estatuetas de homens e mulheres, aparentemente, praticando magia.

– Como está o seu marido, Suélen? – a senhora parou de andar e apontou para dois bancos de madeira, onde podiam se sentar.

– Está bem, obrigada! – sentou-se com delicadeza, ajeitando o vestido ao fazê-lo.

– Ainda me lembro da primeira vez que você e Selso pisaram em minha loja. – sorriu saudosa. – Sem foram boas crianças…

– Obrigada, Edna. – Suélen retribuiu o sorriso, transparecendo muito carinho pela vendedora. – Dessa vez, eu trouxe meus filhos. O caçula, Elyandro, está lá fora cuidando das compras. – apontou para um espaço qualquer atrás de si. – E esta daqui é a minha primogênita, Lilith. – passou a mão pelos cabelos da filha. – Ela acabou de receber uma carta de Fantasy.

– Você parece ter o poder da sua mãe! – Edna beliscou levemente o queixo da garota.

– Como assim? – Lilith olhou tanto para a senhora quanto para sua mãe.

– Aqui, dizer isso é tão comum quanto dizer que você é parecida comigo, ou que tem os meus olhos… – Suélen balançou uma das mãos em movimentos repetitivos e lentos. – Coisas do gênero.

– Certo… – murmurou. – Entendi.

– Querida, tente experimentar essa varinha. – colocou-a na mão da garota.

– Experimentar? – com o olhar buscou pela ajuda da mãe.

– É só mover. – disse Suélen, fazendo gesto de incentivo a filha.

– Assim? – começou a balançar a mão.

– Sente algo diferente, querida? – Edna observava com atenção.

– Sinceramente, não…

– E com essa? – trocou a varinha.

– O que eu supostamente devo sentir?

– Você saberá. – entregou-lhe outra. – Se ainda não sabe, é porque não sentiu.

– Interessante, mas… Também não é essa.

Ao todo, Lilith experimentará quase vinte varinhas diferentes. Balançava-as de um lado para outro, brincava com os movimentos e até arriscava algumas palavrinhas, porém… Nada!

– Será que essa luva atrapalha? – começou a retirar as luvas vermelhas que cobriam parcialmente suas mãos e deixavam os dedos de fora.

– Atrapalhar, não atrapalha. Mas… – algo chamara a atenção da senhora. – O que é isso na sua mão? – delicadamente, segurou a mão esquerda da garota e a puxou para mais perto de sua vista. – É uma cicatriz em forma de olho?

– Hm… é! – lançou um breve olhar na direção da mãe e continuou. – Quando eu era mais nova presenciei o assassinato de meu primo. – engoliu em seco. – Eu não me lembro como as coisas aconteceram. Todos me contam que um psicopata entrou em nossa casa e atacou minha família e a mim. – prendeu a respiração. – Só consigo me lembrar da dor e do desespero. Mais nada…

– Lilith conseguiu nos defender. – pousou a mão sobre o colo da filha, dando-lhe apoio. – Desde pequena, ela sempre foi um prodígio na magia, mas, o assassino conseguiu feri-la. – apertou a coxa de Lilith. – Ela salvou a todos nós.

– Menos meu primo… – sussurrou. – E a última lembrança que me restou dele, foi essa cicatriz bizarra, feita no dia de seu assassinato. – puxou a mão de volta para si.

– Então, quer dizer que a história de que você o derrotou, era verdade? – a vendedora arregalou os olhos.

– Derrotei quem? – Lilith ergueu os olhos e a encarou surpresa.

– Oh, não! – Edna levou as mãos à boca e lançou um olhar culpado a Suélen. – Ela não sabia!

– Eu não sabia o que? – sentia-se perdida.

– Desculpe por isso, Suélen! – a senhora parecia realmente arrepender-se de algo.

– Mãe, o que está acontecendo aqui? – encarou-a exasperadamente.

– Calma, filha! – a abraçou. – O assassino que você derrotou, era um grande rival de minha família. – apertou-a mais forte contra si. – Digamos que ele é um wiccaniano das trevas.

– E por acaso há alguma profecia que eu deva saber?

Lilith não sentia vontade alguma de comparar a própria realidade com as obras de J. K. Rolling, como vinha fazendo. No entanto, fora inevitável fazer a pergunta, pois, se havia tanta coisa similar, o que a impedia de imaginar que a ficção fora baseada em alguma realidade obscura, na qual ela estava envolvida?

– Não sabemos ainda… – Suélen fora sincera. – A única coisa que sabemos é que o cretino do Trivon foi o responsável pelo assassinato do seu e do meu primo! – trincou os dentes.

– Me desculpem por isso, queridas! – a vendedora aproximou-se solidaria ao momento.

– Tudo bem, Edna! – a mulher endireitou-se, soltando a filha do abraço. – Uma hora ou outra eu precisaria contar a verdade para Lilith. – continuava a manter a mão na perna da garota. – Desculpe por esconder tanta coisa de você, querida.

– Eu entendo, mãe. – respirou fundo. – Não estou brava, apenas um pouco chateada. Mas, logo passa. – arriscou um sorriso. – Por que não deixamos as lembranças ruins de lado, assim como o papai recomendou hoje de manhã, e não continuamos com as varinhas?

– Claro! – Suélen sentiu-se agradecida pela filha ter sido compreensiva.

– Ótimo! – Edna depositou uma varinha de madeira avermelhada e lindos entalhes dourados. – Bem… Esta que lhe entreguei é uma das varinhas originárias da Fênix – apontou para os desenhos entalhados. – E esta daqui é aquela que representa o poder da mente que esse ser possui. – sorriu. – Ela é única! Aí dentro estão gravados todos os poderes dela, juntamente com a sabedoria acumulada por todos os donos anteriores e pela própria ave que se doou para a confecção da varinha.

– Como assim “se doou”? – Lilith arregalou os olhos.

– Essa Fênix em específico preferiu doar suas penas, poderes e lembranças um pouco antes de falecer. – passou um dos dedos pelos detalhes da varinha, demorando-se em um que se assemelhava muito com a forma da cicatriz da garota a sua frente. – Mas, não se preocupe. Toda Fênix renasce e não foi diferente para essa. – afastou-se um pouco. – Você quer tentar usá-la?

– Uhum… – Lilith sentia a mão formigar e seu corpo todo parecia ter se tornado numa corrente elétrica.

Enquanto movimentava a mão, percebeu que uma delicada fumaça dourada se desprendia da ponta da varinha e ia se acumular no chão, ao redor dos pés dela.

– Incrível! – comentou espantada. – Sinto como se cada uma de minhas terminações nervosas estivessem mais do que desperta, totalmente agitadas! – começou a brincar com o objeto. – E olha só isso! – fazia a fumaça se espalhar pelo ambiente. – É simplesmente lindo!

– Parece que já temos a varinha certa! – Edna sorria, assim como as outras duas wiccanianas. – Deixe-me colocá-la na caixa para você. – guardou a varinha e depositou a caixa dentro de uma sacola, antes de devolver ás mãos de Lilith.

– Parece que agora só falta a espada! – Suélen se levantou, juntamente com a filha.

– Claro, claro! – a senhora voltou a andar pela loja. – Venham! Vou levá-las até o meu marido. Ele cuidará disso para vocês. – e conduziu-as até a outra extremidade do estabelecimento, para um lugar quente e com paredes repletas de armas brancas.

Lilith observava tudo com fascínio, pois sempre fora uma apreciadora de armas brancas, em especial espadas e adagas.

– Ruy! – Edna chamou. – Ruy, querido!

– Edna? – ao fundo do lugar havia uma fornalha e Lilith reparou em um vulto curvado sobre ela. – Estou aqui atrás. – a voz grossa avisou, enquanto o tal vulto se mexia.

– Temos visitas. – o tom alegre de Edna era contagiante. – A filha de Suélen, a Lilith, veio fazer a sua primeira compra conosco.

O homem virou a cabeça e analisou as duas mulheres paradas ao lado da esposa. Depositou em um canto o que tinha nas mãos e se levantou, espanando com as mãos um pouco da fuligem grudada na roupa.

– Muito bem… – dirigiu-se até elas. E Lilith pode reparar que o senhor atravessara um tipo de barreira quase invisível ao se afastar da fornalha.

– O que foi aquilo? – perguntou á mãe.

– A redoma mágica que ele acabou de atravessar? – Suélen viu a filha concordar com a cabeça. – É uma magia que serve para isolar um ambiente do outro, como uma espécie de bolha de sabão beeeeem resistente.

– Que interessante… – continuou a analisar aquela magia. – Eu só percebi que estava ali, depois que ele a atravessou e eu pude reparar nas ondulações que o corpo dele causou na tal bolha.

– O meu marido a usa para isolar boa parte do calor e da fuligem ali. – sorriu.

– E isso não o incomoda? – Lilith desviou os olhos para Edna. – Se aqui já é abafado, imagine ali dentro!

– Eu uso outra magia que me ajuda a resfriar o corpo. – respondeu assim que se aproximou delas. – Olhe… – virou as mangas da roupa e mostrou um manto fino que se assemelhava ao gelo. – É como uma roupa especial que não deixa o meu corpo superaquecer.

– Queridas, esse daqui é o meu marido Ruy! – Edna resolver começar com as apresentações, antes que a conversa se estendesse por demais. – Ele é o melhor ferreiro de nosso mundo! – comentou orgulhosa, recebendo em troca, um beijo terno do marido.

– Prazer. – Lilith estendeu a mão para o senhor, contudo, assim que ambos repararam no qual suja estava, desistiram do cumprimento e apenas acenaram com a cabeça.

– E essa é a Suélen e sua filha, Lilith. – apontou respectivamente.

– Eu me lembro da Suélen. – cruzou os braços. – E como vai o Selso? Ainda consegue mantê-lo na linha?

– O Selso vai bem, mas agora, quem eu preciso manter na linha não é ele. – sorriu. – Mas, os meus filhos! Essa daqui e o meu caçula são de deixar qualquer mãe grisalha antes da hora! – o comentário arrancou gargalhadas estridentes do ferreiro.

– E então, malandrinha… – passou a encarar Lilith. – Qual tipo de espada lhe agrada mais?

– Sinceramente, não consigo me decidir! – suspirou.

– Querido, a varinha que deu certo com ela foi uma das da Fênix – interveio a artesã.

– Qual delas? – perguntou surpreso.

– Olhe a cicatriz que ela tem na mão e você já vai descobrir. – apontou para a mão esquerda da garota.

Inicialmente, Lilith sentiu-se incomodada por ter pessoas apontando e observando a sua afamada marca. Contudo, convenceu-se de que aquilo não era nada demais e estendeu o braço, permitindo que Ruy a analisasse melhor.

– Interessante… – o senhor virou-se e começou a vasculhar por entre um grupo de espadas penduradas na parede a sal direita. – Realmente surpreendente… – murmurava durante a busca.

As três mulheres ficaram paradas, apenas vendo o ferreiro retirar várias espadas e colocá-las no chão, aparentemente, a que ele procurava deveria estar pendurara debaixo de todas aquelas.

– Curiosamente, hoje pela manhã eu peguei essa daqui para polir. – Ruy pegou uma espada longa e reta, cuja bainha assemelhava-se a varinha de Lilith: vermelha e com entalhes dourados. – Há anos que está aqui. Não sei por que, mas hoje quis poli-la juntamente com as outras do mesmo estilo.

– Mesmo estilo? – a garota não desviava os olhos da arma.

– Sim. – Ruy retirou-a da bainha, revelando uma lâmina brilhante e com os mesmo detalhes dourados da bainha. – As outras são tipos diferentes, mas tão raras quanto essa daqui. – entregou-a para a wiccaniana, que a pegou com avidez.

– Nossa… – surpreendeu-se ao movê-la. – É extremamente leve e fácil de movimentar. – olhou confusa para Ruy. – Essa daqui não é uma espada reta Jian, ou algo parecido?

– Exatamente! – voltou a cruzar os braços. O senhor estava impressionado por ver que a garota entendia do assunto.

– Esse estilo de espada até que é leve e requer muita disciplina e treino para usá-la. – voltou a analisá-la. – Mas, não era para ser tão leve assim para mim. E muito menos tão fácil de se executar os golpes e defesas. – comentou, enquanto testava alguns movimentos que conhecia.

– Isso quer dizer que ela é sua! – Ruy descruzou os braços e entregou a bainha para a wiccaniana. – Vocês duas simplesmente se completam! – sorriu.

– Muito obrigada! – Lilith guardou a espada na bainha e colocou-a na sacola, junto com a varinha. Sentia-se extasiada! Simplesmente amara suas aquisições.

Com espada e varinha em mãos, as duas mulheres saíram de dentro da loja. Lilith agradecera imensamente ao casal de senhores e prometera voltar ali sempre que possível.

Reuniram-se ao seu irmão e, a pedido do mesmo, contaram-lhe toda a história da compra dos dois itens.

– Me deixa ver? – pediu, lançando um olhar desejo á sacola que a irmã carregava.

– Só um pouquinho! – e sem hesitar, Lilith mostrou os dois artefatos mágicos com empolgação. – Agora eu tenho a melhor roupa, a melhor espada, a melhor varinha e os melhores utensílios e matérias mágicos que uma garota como eu poderia ter! – comentou, enquanto voltava a guardar tudo e a pegar algumas sacolas para carregar, fazendo questão de levar as duas recentes aquisições e o vestido com a Fênix.

– Mãe, isso vai acontecer comigo também?

Elyandro tentou chamar a atenção de sua mãe, puxando-a pela blusa, porém a tentativa dera errado, pois as compras o impediam de fazer isso.

– Sabe… Quando for a minha vez de comprar tudo isso… – insistiu em um tom mais alto, já que Suélen parecia distraída com a lista de compras.

– Claro, filho! – a impressão que dava era que ela havia acabado de sair de um transe. – Claro, que isso vai acontecer! De forma um pouco diferente, mas vai.

Logo após que a senhora Pontlagua terminou de responder ao garoto, reparou que a filha havia parado na frente da vitrine de uma loja de animais. Fez sinal para que Elyandro parasse também e ambos foram até Lilith, a qual admirava um belo gato, cuja pelagem lembrava uma pequena onça brasileira.

– Filha… – Suélen também observava o jovem felino. – O seu pai e eu lhe deixamos ficar com a Luka e, portanto, você já possui um animal de estimação. – através do reflexo da vitrine, viu a filha ficar desanimada. – E até já lhe demos os seus presentes de aniversário. Mas… – continuou, com um sorriso maroto – Se me lembro bem, ainda não lhe demos um presente por ter conseguido ir para Fantasy. – virou-se de frente para Lilith. – E que tal esse gato?

– Sério, mãe? – controlou-se para não sair pulando de alegria. – Que legal! Obrigada! – deu-lhe um abraço apertado em agradecimento. – Mas, eu posso levar mais de um animal para Fantasy? Ou melhor, eu posso levar qualquer tipo de animal para lá?

– Na minha época, eu cheguei a ver gente levando quatro animais de estimação! – viu a garota encará-la surpresa.

– Em Harry Potter, acho que só podiam levar um, não é Li? – Elyandro buscou pela confirmação da irmã, a qual deu de ombros.

– Não me lembro desse detalhe direito.

– Bom… Acho que já deu em comparações, não é? – Suélen bufou. – Desde manhã vocês vêm comparando quase tudo com essa tal série do Harry Potter! Acho que já deu, né? – os dois concordaram com a cabeça, não desejando discordar da mãe. – De qualquer forma, acho que você pode levá-los desde que cuide muito bem deles por lá.

– É lógico que eu vou cuidar! – Lilith voltou a se animar.

– Então, entre logo aí dentro, antes que eu desista de comprá-lo para você!

E sem mais delongas, Lilith correu para dentro da loja e, mais depressa do que qualquer ser humano normal poderia falar, pediu ao vendedor que pegasse o “gato-onça” que estava na vitrine, pois ela o levaria para casa.

———————————————————————————————

– Mãe, você também vai me dar dois animais, quando eu for para Fantasy? – todos já estavam acomodados dentro do carro e Elyandro já estava se sentindo um tanto sonolento.

– Tem tempo ainda, filho. – respondeu com um sorriso cansado no rosto. – Quem sabe até lá, você já não ganhou algum animalzinho de estimação ou encontrou um só para você?

– É… Tem razão… – bocejou e parou por alguns minutos para observar o gato cochilando no colo da irmã. – Que nome você vai dar para ele, Li?

– Bom… – acariciou o animal. – Eu pensei em chamá-lo de Edgar, o que acham?

– É um bom nome. – Suélen comentou.

– Uhum… Aprovado! – Elyandro apenas ergueu uma das mãos para fazer um sinal de positivo e, logo após, apagou de sono.

– Mãe, como vou para Fantasy?

– Você vai de avião.

– Sério? Nossa… – inconscientemente estalou a língua no céu da boca, como que reforçando a palavra “nossa”.

– Uhum… E o seu vôo partirá após a passagem de ano. – suspirou, já se sentindo saudosa. – No segundo dia de janeiro, você parte para Fantasy, assim como o seu pai e eu fizemos por quatro anos.

– Como é por lá? E o avião? – sentia-se ansiosa. – Em qual aeroporto vamos pegá-lo? Será que vou conseguir me adaptar?

– Calma, filha… – riu diante das perguntas. – Logo você verá como é tudo. E quanto ao medo de se adaptar, tenho certeza de que você se dará muito bem! – levou uma das mãos até o gato e o afagou por alguns segundos, antes de ter que usar a mesma mão para mudar a marcha do carro. – Além disso, você terá a Luka e o Edgar para lhe dar apoio no começo.

Lilith sorriu para a mãe, acariciou Edgar por mais alguns minutos e logo se entregou ao sono, assim como seu irmão havia feito.

 

 

 

 



(um pedacinho…)

 

 

Vila Dragon.

 

 

 

Pelo o que sua mãe havia lhe contado, o lugar, aparentemente, era um pequeno vilarejo escondido por magia dentro de uma fazenda.

No começo, Lilith se perguntava se aquilo também seria como no livro de Harry Potter e procurava por uma parede de tijolinhos ou algo parecido. Porém, logo que chegaram à fazenda “Recanto Mágico”, na parte rural da cidade de Jundiaí, ela descartou a idéia da parede e começou a procurar por uma passagem secreta em alguma pedra gigante, ou por algum túnel subterrâneo…

Assim que Suélen estacionou o carro, conduziu os dois filhos até uma parte remota do lugar. Lilith achou que a mãe enlouquecera quando a viu ficar parada olhando para o próprio reflexo em um pequeno lago no meio do nada.

– Ô… Mãe? A gente não estava indo para o tal de Vila Dragon? – parou ao lado da mãe e ficou encarando-a, assim como seu irmão mais novo que também não estava entendendo nada do que Suélen estava fazendo.

– Xiiiiiuuuu… – reclamou, pedindo silêncio enquanto levantava uma das mãos e puxava um fio de cabelo. – Não fale muito alto… Os ventos daqui propagam o som muito facilmente… Essa fazenda aqui funciona como restaurante e também é visitada por pessoas normais… – jogou o fio de cabelo dentro do lago.

– Tá… Mas, por que você ARRANCOU o próprio cabelo?

– Eu não pedi para você falar mais baixo? – viu a filha fazer um gesto simples, como pedido de desculpa. – E eu não arranquei o meu cabelo! Eu só puxei um fiozinho…

– E por quê? – Elyandro retomou a pergunta da irmã.

– Vocês vão ver… – apontou para o fio boiando nas águas calmas e inabaladas.

Lilith e Elyandro pararam de encarar a mãe e passaram a observar o lago. Por alguns segundos, nada de diferente havia acontecido. Contudo, quando a primogênita da família foi abrir a boca para comentar o “nada” que estava acontecendo, ela ouviu o irmão dar um sibilo baixo de surpresa e voltou a prestar atenção na água.

No momentoem que Lilithfocalizou melhor o cabelo boiando, ela viu um brilho vir do fundo do lago para a superfície, indo em direção ao fio. A garota se agachou para ver melhor e viu uma garra, cheia de escamas em forma de plaquetas, surgir de dentro da água e agarrar o fino cabelo.

– Ai, caramba… – sussurrou assustada enquanto voltava a ficar de pé, ao lado da mãe.

Aos poucos, ligado àquela garra, começou a surgir um lindo dragão translúcido e belo como a água do lago. Ele olhou para o cabelo em suas garras e depois encarou as três pessoas paradas na margem.

– Quem jogou isto em meu lago? – a sua voz era surreal. Parecia como um sussurro alto, um som que vinha de um mundo paralelo. Lilith se arrepiou quando a frase “vozes do além” lhe veio à mente.

– Fui eu… – Suélen levantou delicadamente a mão. Ela tinha um sorriso simpático no rosto.

– Hum… – a criatura fechou a garra e o fio de cabelo desapareceu. – Senhora Suélen Pontlagua… Certo? – ela confirmou com um aceno de cabeça. – É um prazer recebê-la mais uma vez! – ele olhou para os outros dois parados ao lado de Suélen. – E quem são esses jovens ao seu lado, minha senhora? São parentes?

– Sim! São meus filhos! – ela passou os braços ao redor da cintura dos dois. – Esse é o Elyandro e essa é a Lilith, que por sinal, acabou de ingressar em Fantasy! – anunciou orgulhosa.

– Meus parabéns, jovem Lilith! – pela primeira vez o dragão sorriu. – Então, vieram fazer as compras? – desta vez, foi Lilith quem consentiu.

Ela achava que precisava fazer alguma coisa para não parecer uma estatua na frente daquele dragão que começara a se tornar gentil com ela.

– Nesse caso, senhora Suélen, é melhor você fazer o registro dos dois. Assim, eles poderão voltar quando desejarem!

– Sim, sim! – Suélen empurrou os filhos para mais próximos da beirada do lago.

O Dragão puxou a mão de Lilith e a beijou delicadamente, deixando-a molhada onde ele havia beijado. Ela se afastou sem enxugar a mão e sem desgrudar os olhos daquela criatura fantástica. Depois, foi a vez de seu irmão, mas, ao invés de beijar-lhe a mão, ele simplesmente a segurou firme e depois a soltou.

– Pronto! Já tenho os dados genéticos e teor de magia de vocês! – sorriu para os dois. – Elyandro Pontlagua e Lilith Pontlagua, vocês já fazem parte do meu banco de dados. Toda vez que desejarem entrar, basta jogarem neste lago, algo que tenha uma informação genética de vocês, assim como sua mãe fez, está bem? – ambos balançaram as cabeças afirmativamente.

– Só uma coisa… – Elyandro ergueu a mão discretamente, para chamar a atenção para si. – Por que você beijou a mão da minha irmã? – como irmão caçula de Lilith, ele havia sentido um pouco de ciúmes por ela, mesmo que a pessoa que a tenha beijado fosse um dragão.

Esse sentimento fazia parte do carinho que ele sentia por ela, mas que fazia questão de esconder. Afinal, era mais divertido implicar com Lilith do que ser atencioso com ela.

– Porque ela é uma dama…

– Então, você beijou minha mãe também! – acusou.

– Não… – respondeu tranqüilo. – Eu só beijei a mão de sua irmã, porque ela é uma dama especial para todos nós!

– Como assim? – perguntaram os dois irmãos ao mesmo tempo, surpreendendo o dragão, deixando-o sem fala por alguns instantes.

– Ora! Por que não deixamos isso para depois? Está ficando tarde! – interrompeu Suélen, assim que viu uma brecha na conversa.

Ela sabia muito bem o que o dragão queria dizer, mas, acreditava que ainda não fosse o momento certo para revelar tudo aos filhos.

– O senhor poderia abrir a passagem, por favor?

– Com prazer! – o dragão sorriu cúmplice, entendendo a tentativa da mãe em esconder aquele fato.

Ele baixou sua garra até a água do lago e passou suas unhas afiadas, abrindo um talho que foi aumentando cada vez mais, até revelar uma larga rampa que levava a um descampado ao… Céu aberto?

Lilith piscou duas vezes para clarear a visão e ter certeza do que via. Realmente, havia um céu sob o lago! Só podia ser mágica mesmo. A garota desceu a rampa acompanha por sua mãe e pelo seu irmão que estava tão fascinado quanto ela.

Lilith olhava ao redor encantada. O lugar era maravilhoso! Como ela nunca havia visto o Vila Dragon antes? O lugar era um imenso campo florido com diversas flores sortidas e brilhantes que ela não conhecia.

No meio deste campo, havia uma larga vila, apinhada de pessoas, mas todas estavam a pé. Não havia carroças, charretes, cavalos e muito menos carros ou motos. As casinhas, que logo Lilith descobriu serem lojas, eram construções parecidas com as que eram feitas na parte tradicional da Holanda.

Não havia nuvens no céu e ele era de um azul parecido com a cor escura do lago. Talvez, o que ela estivesse vendo, não fosse de fato o céu, mas o próprio lago. Tudo ali era mágico e extraordinário demais para ela.

– Está bem… A primeira coisa é… Deixa eu ver aqui… Hum…

A senhora Pontlagua parou no meio de uma das ruas da vila e pegou um pedaço de papel de dentro da bolsa e o desdobrou. Ela analisava a lista, lendo cada um dos itens e depois olhando ao redor, procurando pela loja mais próxima que venderia algum daqueles produtos.

– Olha! Vamos começar pelas suas vestimentas!

– Tá! – entusiasmou-se.

Ela adorava comprar roupas e sapatos. Não eram os seus produtos prediletos. A garota apenas se deliciava com as novas vestimentas. Não era todo dia que se sentia disposta para experimentá-las e comprá-las. Aquele, no entanto, era um dia excepcional! Seguiu a mãe até a loja sem pestanejar.

– Filha… – segurou-a pelo braço antes que entrasse no lugar. – Deixa eu te avisar uma coisa. – puxou-a para perto e sorriu. – No nosso mundo, algumas roupas especiais não são escolhidas por nós, são elas quem nos escolhem, meio que se enquadram ás nossas personalidades. Este é o caso das roupas que veremos aqui. Elas são como uniformes de Fantasy, portanto, por nós, são consideradas roupas especiais. – Voltou a andar, puxando a filha consigo. – Agora podemos ir!

– Mãe! Espera! O que vai acontecer comigo? Como assim ela vai se enquadrar comigo? – o entusiasmo transformara-se em nervosismo.

– Você vai ver!

Uma vez dentro da loja, toda a insegurança de Lilith sumiu, novamente dando lugar a um sentimento extasiante. As roupas flutuavam de um cabide para outro, pareciam dançar no ar. Os sapatos sapateavam ou simplesmente andavam por todo o piso liso.

Pedaços de pano zuniam de um lado para outro, integrando-se uns aos outros, formando novas vestimentas. O chão de madeira bem encerado dava o toque especial, assim como os espelhos nas paredes e no teto, refletindo toda aquela dança e movimentação estranha e fascinante.

Caminhou pela loja, tomando o cuidado de não esbarrarem nada. Viua mãe ir até o balcão e bater um uma divertida campainha em forma de cabide. Assim que o som agudo se propagou por todo o ambiente, uma mulher atarracada, de cabelos grisalhos e com óculos de fundo de garrafa surgiu de baixo de um amontoado de tecidos. Ela piscou algumas vezes e ajeitou os óculos antes de sair da montanha de pano. Encarou Suélen por alguns instantes e abriu um largo sorriso quando a reconheceu.

– Suélen Pontlagua! – andou até ela de braços abertos, passando reto por Lilith e Elyandro. – Há quanto tempo minha querida! Veio atrás de roupas novas para você?

– Na verdade… – apontou para os filhos depois de abraçar a pequena senhora. – Eu trouxe os meus filhos e estou atrás de roupas novas para a minha filha.

A vendedora mexeu nos óculos novamente e apertou os olhos, tentando enxergar melhor. Arrastou os pezinhos pela madeira e aproximou-se dos dois, analisando-os de cima a baixo.

– Como se chamam? – perguntou com um sorriso singelo no rosto.

– Elyandro… – o caçula adiantou-se para responder.

– Lilith… – disse no tom mais educado que pôde.

O receio voltava a crescer, pois ela sabia que o momento da escolha estava se aproximando e a garota ainda não fazia a mínima idéia de como seria. As suas roupas iriam selecioná-la dependendo de sua personalidade? Ou seria mais pelo seu porte físico? Talvez fosse por afinidade?Em Harry Potternão havia nada daquilo. Não fazia idéia de como seria a seleção.

– Hm… Lilith… Essas serão as suas primeiras roupas? – cruzou os braços, sem tirar o diminuto sorriso dos lábios.

– É… – o sorriso daquela mulher começava a lhe dar calafrios.

Lilith começava a desconfiar se aquele “sorrisinho” servia para tentar, fracassadamente, criar um clima de simpatia entre elas, ou se simplesmente aquela senhora sabia de algo estranho que aconteceria com a garota e já estava se divertindo por antecipação.

– Então, venha comigo, minha jovem! – começou a andar rumo ao fundo da loja.

Sem muitas alternativas, a garota seguiu a senhora, sentindo-se um tanto inquieta a cada passo que dava. Elas iam se aproximando de um espaçoso provador, onde várias roupas em diversas tonalidades encontravam-se penduradas nos cabides. Diferente das demais vestimentas do recinto, aquelas não se moviam. Continuavam inertes no lugar como roupas normais.

– Venha, querida! – a senhora esticou o seu braço de pele enrugada e branca. – Venha, Lilith! – agarrou o braço de Lilith e a arrastou até um dos provadores.

– Calma, senhora… – endireitou-se após ser arrastada. – Como a senhora disse que se chamava mesmo?

– Mas, eu não disse, minha querida. – os dentes surpreendentemente brancos da senhora surgiram um pouco mais. – Se quiser, pode me chamar de Loren.

– Está bem, senhora Loren. – levou os braços para trás. – Poderia me explicar como tudo isso irá funcionar?

– Seus pais não lhe disseram o que iria acontecer?

– Não… – balançou a cabeça devagar, apenas para não perder nenhuma mudança na fisionomia daquela mulher. – Minha mãe apenas me explicou que a roupa vai se enquadrar a mim.

– Ora, ora… – ela esfregou as diminutas e secas mãozinhas – Então, você verá, meu bem…. Você verá… – empurrou-a para dentro do provador.

A garota suspirou desgostosa. Aquela senhora poderia parecer um ser frágil e fraco, contudo, possui muita força nos braços e nas mãos. Talvez, mexer com roupas fizesse bem para o tônus muscular dos membros superiores.

Lilith começou a avaliar o espaço. Era um tanto apertado, contudo, aconchegante. Ao invés do costumeiro banquinho depositado em um dos cantos do provador, ali havia um pequeno puffe vermelho. Os cabides eram feitos de galhos negros firmes e retorcidos. O chão era revestido por um carpete macio e de um tom vinho. A cortina era grossa e aparentemente aveludada, mas, ao tocá-la, sentia-se a flexibilidade gélida da seda.

Havia um espelho alto e todo adornadoem ouro. Lilitho achou lindo, contudo, antes que pudesse analisar a própria silhueta refletida naquele objeto, precisou desviar dos pedaços de pano que começaram a bombardeá-la repentinamente.

– Senhora Loren! – reclamou, apanhando-os do chão. – Cuidado com isso!

– Desculpe querida! – gritou do outro lado. – Mas, quero que vá experimentando essas roupas que lhe passei!

– Passou… – resmungou desdenhosa. – Você as arremessou em mim!

– O que disse?

– Disse que tudo bem! Vou experimentar. – revirou os olhos e acomodou as vestimentas nos cabides. – Há somente vestidos?

– Não… – mais roupas foram arremessadas. – Para os garotos temos calças e blusas.

– Tá, mas, todos são assim? De corte reto? – analisou o que havia pendurado nos cabides. – Não tem nada cinturado, ou com um corte diferente?

– Depois que encontrar a sua roupa, veremos acessórios que a tornem mais confortável e atraente para você.

Lilith deu de ombros e começou a se trocar. Inicialmente, os vestidos pareciam vestimentas normais, no entanto, assim que terminava de ajustá-los ao corpo, algo surpreendentemente estranho e incomodo acontecia.

Primeiramente, havia experimentado um vermelho com um bordado delicado de fada, próximo ao ombro esquerdo. O vestido era bonito, porém a fez começar a flutuar até o ponto de precisar se agarrar à cortina para não bater no teto.

– Senhora Loren! – gritou. – Como eu faço essa coisa parar?

– Calma, querida!

– Lilith? – Suélen ouvira a filha gritar. – Tudo bem, meu bem?

– É claro que não! – a cortina se tornara uma âncora.

– Que demais! – Elyandro entusiasmou-se com a cena. – Mãe, quero flutuar também!

– Filho, você não pode flutuar… ainda.

– Dá para vocês me tirarem daqui de cima! – gritou nervosa.

– Calma… – a vendedora se aproximou dela. E a ajudou a descer um pouco mais. – Você só precisa tirar a roupa.

– Ah sim… – fez uma careta. – Algo extremamente fácil de se fazer, quando se está flutuando loucamente! – olhou para o irmão. – Elyandro, sai daqui!

O garoto retirou-se sem reclamar, o tom de voz da irmã revelava muito bem o grau de revolta. E não seria prudente contrariá-la naquele momento, já que, era extremamente vingativa.

Suélen e Loren a ajudaram a se trocar, mas nenhuma das outras cores das vestimentas com bordados de fada pareciam se “enquadrar” com Lilith, todas a faziam flutuar descontroladamente.

– Muito bem… – a senhora pegou todas nos braços e as depositou, gentilmente, em um canto da sala. – Por que não testamos essas? – pegou a mesma variedade de cores e as colocou sobre o puffe do provador.

– De novo? – Lilith bufou.

– Calma, criança! – ergueu uma delas. – Viu? Essas daqui possuem uma ave de rapina bordada no canto.

– Grande diferença… – resmungou, começando a se trocar mais uma vez.

Mais uma vez, a escolha da criatura também não fora afortunada. Assim que Lilith experimentou a primeira, sentiu algo espetar-lhe o corpo, como se a vestimenta houvesse criado pequenas garras internas que a beliscavam e arranhavam sem parar.

E por insistência de sua mãe e da vendedora, acabou por experimentar todas as cores, passando várias vezes por aquela experiência desagradável.

– Chega! – jogou no chão a última, um vestido de cor azul.

– Calma, filha! – Suélen passou carinhosamente a mão pelo braço da menina. – A roupa nem lhe machucou de verdade.

– Mas, doeu!

– Tudo bem, querida! – Loren tirou aquela pilha de vestimentas e a trocou por outra. – Experimente essas.

– Não! Novamente não! – afastou-se inconscientemente dos vestidos.

– São as últimas! – a senhora pegou uma das peças e começou a passa-la por cima da cabeça da garota.

– Ei! Ei! – Lilith se debatia em protesto. – O que você está colocando em mim dessa vez?

– Pare de se mexer tanto, garota! – Loren usou a força remanescente em seus braços para vesti-la. – Pronto! – afastou-se para observá-la melhor.

– Uma borboleta? – questionou após analisar o bordado no vestido verde que a senhora havia colocado nela.

– Uhum… – a vendedora a analisava dos pés a cabeça. – Está sentindo algo, minha querida?

– Não exatamente… – Lilith parou para se auto-analisar. Não estava flutuando e nem era arranhada por garras invisíveis. – Esse vestido é bem confortável.

– Que bom! – Suélen sorriu animada. – Então, quer dizer que estamos chegando lá. – e apressou-se em ajudar a filha a se trocar.

Verde, amarelo, azul e vermelho. Lilith experimentou todas as quatro cores e, para seu alívio, não foi atacada por nenhum tecido revoltado ou jocoso.

– E então? – as duas mulheres perguntaram ansiosas.

– Bom… – retirou o último vestido. – Não me senti desconfortável e o vermelho foi o melhor até agora. Senti-me muito bem dentro dele.

– Mas, não sentiu nada mais do que isso? – Suélen olhava para a filha como se esperasse que algo de extraordinário fosse acontecer.

– Não… – sentia-se confusa. – Por quê? Era para sentir o que?

– Hum… – Loren suspirou. – Pelo visto teremos que retomar as trocas. – virou-se para pegar todos os vestidos que Lilith já havia experimentado.

– Ah não! De jeito nenhum! – enrolou-se na cortina do provador.

– Vamos experimentar essa daqui mais uma vez? – a senhora estendeu uma das roupas.

– Nem pensar! – disse enérgica. – Já cansei de bater a cabeça no teto ou de pular de dor!

– Mas, querida… – sua mãe olhava-a com olhos suplicantes.

– Mas nada! – com essa última reprimenda, as duas mulheres se calaram. Loren chegou a baixar o vestido que segurava, quase o arrastando no chão.

Lilith percebeu que decepcionara sua mãe e a dona da loja, portanto, respirou fundo, tentou se controlar e admitiu a si mesma que deveria estar mais do que louca para concordar com a birutagem das duas.

– Está bem! Vou experimentar. – ergueu as mãos quando as viu se aproximarem com os vestidos. – Mas, vou experimentar apenas mais UMA! E serei eu quem vai escolher, certo? – as duas começaram a abrir as bocas para protestarem. – Ou isso, ou me visto com minhas roupas e desisto de toda essa loucura! – interrompeu-as.

– Se é assim que você quer… – Suélen deu de ombros, assim como a filha normalmente costuma fazer.

– E qual você vai vestir, minha querida? – Loren apontou para os vários vestidos já experimentados e espalhados pelo local.

– Eu quero… – passou os olhos por todo o local e acabou reparando em uma vestimenta de um lindo tom de vermelho, a qual estava guardada dentro de um estreito armarinho, o qual deixava apenas a barra do vestido a mostra. – Aquela roupa ali!

– Qual? – a senhora acompanhou a direção para a qual o dedo indicador de Lilith apontava.

– Aquele vestido vermelho guardado naquele armarinho ali.

– Mas, aquele vestido… – a dona da loja arregalou os olhos depois de perceber qual ela escolhera para experimentar.

– Aquele vestido o que?

– Filha… – Suélen segurou-a pela mão e a levou até o armarinho. – Esse vestido está neste lugar desde quando o seu pai e eu viemos aqui pela primeira vez. – puxou o vestido e o abriu para a filha. – Lilith, ela nunca se “enquadrou” a ninguém. – colocou-o nos braços da garota, para que ela pudesse apreciar os detalhes por si só. – Ele possui o bordado da borboleta na frente e atrás… – virou-o para ela. – Possui uma magnífica renda, desenhando uma fênix nas costas.

Os olhos de Lilith brilhavam radiantes. A renda possui um degrade lindo em tons vermelhos com as cores vinho e laranja mescladas, sendo que era toda contornada com um delicado aplique preto.

– Além dessa, existem apenas mais quatro vestidos com a fênix desenhada nas costas. – Loren pegou a vestimenta com cuidado dos braços de Lilith. – Mas, se não me falha a memória, essa é a única que pertence ao clã da borboleta.

– Falando nisso, por que vocês estavam me dando apenas três tipos de criaturas bordadas para vestir?

– Por que, as mulheres são divididas em três tipos de clãs. As borboletas, as fadas e as aves de rapina. – a senhora passou a mão pelo tecido enquanto explicava. – E você é escolhida a partir da sua personalidade. A partir do momento que se veste, o vestido sentirá se você se enquadra ou não ao perfil do bordado.

– Entendi, por isso a fada e a ave me repeliam daquela forma, não é? – cruzou os braços irritada. – Mas, não existe um clã da fênix? Da borboleta fênix ou algo do gênero? – apontou para o vestido que havia escolhido.

– Não. – Suélen brincava com os cabelos longos da filha. – Não existe, por isso que é uma vestimenta rara essa que você escolheu.

– De qualquer forma… – Loren começou a dobrar a vestimenta. – Esse vestido é único! Até hoje, ninguém se enquadrou ao perfil dele! É preciso satisfazer tanto as características da borboleta quanto da fênix

– E daí? – descruzou os braços e colocou uma das mãos sobre a roupa. – Eu quero experimentá-la.

– E se ela queimá-la? – Suélen preocupou-se.

– Me queimar? Como assim?

– Não sabemos como ela irá reagir. Ninguém nunca ousou experimentá-la antes. – Loren colocou o vestido sobre uma cadeirinha de madeira. – Ou melhor, ninguém nunca realmente se interessou por ela.

– Isso é verdade. – a mulher soltou o cabelo da filha. – Eu me lembro de me sentir encantada pelo vestido, mas o meu interesse se prendeu no meu primeiro vestido do clã da fada. – sorriu saudosa. – Por mais que esse daqui fosse encantador, o meu vestido parecia me chamar. Não havia como superar!

– Pois bem… – voltou a pegar o vestido nos braços. – Essa roupa aqui está me chamando. Posso sentir! – passou o olhar de Suélen para Loren. – E se for ela? E se eu me enquadrar a ela? – disse teimosa. – Nunca saberemos até que eu experimente, não é?

– Está bem… – a senhora balançou as mãos, desistindo da discussão. – Experimente, então!

– É o que vou fazer! – respondeu no mesmo tom.

Passou os braços por dentro do vestido e permitiu que ele deslizasse sem problemas por seu corpo, encaixando-se perfeitamente. Terminou de se arrumar e voltou a encará-las.

– Podem parar de prender a respiração. – brincou. – Eu me vesti, não me queimei e me sinto extremamente bem!

– Não estamos mais prendendo a respiração por causa do suspense. – Loren parecia pasma.

– Como assim?

– Filha, você está literalmente radiante! – Suélen levou uma das mãos a boca.

Lilith girou sobre os calcanhares e foi em busca do seu próprio reflexo. Agitada, empurrou a cortina do provador que usara antes, desobstruindo sua visão.

– Oh, nossa… – murmurou diante da imagem.

A garota estava envolta em um brilho suave, porém marcante. O vestido parecia dançar em seu corpo. Seus cabelos emitiam uma cálida luminosidade rubra e sua pele parecia possuir luz própria.

Aos poucos a imagem radiante começou a se apagar, voltando à cena habitual. Lilith suspirou desgostosa pelo momento durar por tão pouco tempo.

– É…  – virou-se para as duas mulheres. – Parece que acabei escolhendo o vestido certo. – comentou para aqueles rostos sorridentes.

 

 

 



et cetera
Amor literário

Resenhas de Livros

Devaneios da Lua

Sobre tudo e ao mesmo tempo nada

Crônicas da Gaveta

Relatos amadores por @Cardisplicente

Sara M. Adelino

Tradutora. Revisora. Redatora.

WILDsound Festival

Weekly Film Festival in Toronto & Los Angeles. Weekly screenplay & story readings performed by professional actors.

Destino Feliz

Seu Blog de Viagens, Roteiros e Experiências

dmaimalopes

A great WordPress.com site

delenaalways

A fine WordPress.com site

evilking.wordpress.com/

Comic Book and related work by Danilo Beyruth

ibooksney

EM ANDAMENTO

My Broken Throat

Até que o medo se desfaça... Um engano do destino

nicoleravinos

"Um dia sem sorrir é um dia desperdiçado"

Action Nerds

Bonecos, tirinhas e nerdices. Aqui você encontra tudo isso!

%d blogueiros gostam disto: